Baby Care

5 Uma chuva oportuna


Notas iniciais
Olá pessoas! Essa quarentena me deixou bem desocupada, então, cá estou eu, com mais um capítulo de Baby Care! :3 Espero que gostem! ♥

"...Não fique com raiva do Luffy, Ace. Ele é nosso irmãozinho, não fez por mal. Nós, como somos os mais velhos, temos que dar o exemplo e apoiá-lo. Além de tudo, tente entendê-lo, ele está confuso desde que Nami começou a sair com outro cara"

— Carta de Sabo enviada para Ace, quando Luffy tinha 17 anos

— Chocolate! — os olhos violeta de Blaze brilharam ao tirar um Kit Kat vermelhinho da prateleira do supermercado. — papai! Quero chocolate! — ele puxou a jaqueta de Sabo, que estava distraído com um Cup noodles de sabor diferenciado.

— Nada disso. — Koala tirou a embalagem das mãos do menino. — e nada disso! — tirou o macarrão instantâneo das mãos do mais velho. — viemos aqui comprar comida, e não besteiras!

Sabo bufou, dando-se por vencido. Ainda era de manhã quando Koala observou que faltavam mantimentos na dispensa, e Sabo logo sugeriu saírem para comprar mais. O loiro podia não saber o que comprar ao certo, mas a garota sabia, e confiava nela para isso. Por algum motivo, ela parecia estar se divertindo muito escolhendo bons vegetais e legumes, e o mais velho não conseguia entender o que tinha de bom naquilo. Quem ficava feliz por causa de uma promoção de pimentão?

Blaze, por outro lado, não estava nada feliz. Acostumado a levar diversas guloseimas ao passar num mercado, aquele dia não estava sendo nada divertido. Debateu-se do braço de Sabo até ele colocá-lo no chão.

— Chocolate! Chocolate! — ele bateu o pé no chão, em seguida correu sozinho até uma vitrine com várias barras de chocolate, pegando várias com suas mãozinhas pequenas e derrubando algumas no chão.

— Blaze volta já aqui! — Sabo largou o carrinho de compras e foi até ele. — não pode fazer isso! Larga já isso!

— Não! Não! — o menino resistiu, tentando se esquivar.

Koala viu que Sabo estava começando a se constranger com toda a plateia que se criava em volta do pequeno show de birra de Blaze. Ele dissera milhares de vezes que não gostava de ser o centro das atenções, então aquele momento de certo estava sendo desconfortável.

— Sabo-kun. — ela pôs a mão no ombro dele, que estava agachado junto ao menino. — pode deixar, eu cuido disso.

— Tem certeza? — ele hesitou um pouco, mas como ela assentiu com convicção, resolveu contar com a experiência dela com crianças.

— Blaze! — ela o pegou pelos braços, e olhou fixamente nos olhos dele enquanto se debatia. — Blaze, olhe pra mim!

O menino foi parando aos poucos por conta do tom sério e rígido da moça.

— Isso é muito feio! A mamãe está muito decepcionada você. — ela manteve o tom, e o pequeno foi aos poucos passando sua expressão de raiva para tristeza e, quando parecia ao ponto de chorar, ela completou: — mas… se você pedir desculpas, podemos comer um pudim depois do jantar, o que acha?

— Pudim? — o menino fungou, piscando por causa das lágrimas que se acumularam nos olhos. O rosado engoliu o choro, e declarou: — eu gosto pudim.

— Bem, então diga assim: “desculpa mamãe”.

— Desculpa mamãe. — ele fungou novamente, estendendo os braços e pedindo colo. Koala sorriu, com um forte sentimento de trabalho cumprido, e pegou Blaze no colo, voltando até onde estava Sabo com o carrinho de compras.

— Como você fez isso? — o loiro perguntou boquiaberto.

Algumas pessoas que estavam em volta sorriam em aprovação, e até se conseguia escutar alguns comentários do tipo “que jovem mãe esplêndida” ou “sabe ter pulso firme!”, mas Sabo não sabia nem por onde começar a elogiar a performance de Koala lidando com uma crise de raiva de Blaze.

— Aos dois anos as crianças começam a não aceitar mais o que mandam, por isso é importante ser firme e deixar bem claro o que estão fazendo de errado e que não gostamos disso. — ela explicou como se não fosse nada, e até deu ombros. — foi assim com todos os meus irmãos, deve ser uma regra geral. Bem, vamos continuar, ainda faltam as ervilhas!

Koala virou o rosto e seguiu na frente com Blaze aninhado em seu colo. Na verdade, ela virou-se de repente apenas para esconder o rubor em suas bochechas. No que ela estava pensando?! Uma coisa era deixar que Blaze — um bebê — a chamasse de mamãe, outra era adotar isso e fazê-lo dizer em meio a um monte de estranhos num supermercado. Se estivesse sozinha com ele, até que não se importaria, mas a questão é que fizera isso na frente de Sabo! Será que ele acharia que ela gostara disso apenas para ficar mais perto dele em questão de título, como “mamãe”, logo ao lado do “papai”?!

Sacudiu a cabeça, tentando afastar aqueles pensamentos. Já havia passado, não tinha mais o que fazer, e agora tinha que se concentrar nas compras.

Sua consciência podia dizer isso, mas…

Por que o rubor não passado, e seu estômago estava esquisito?

(…)

— Que droga.

— Não diga isso na frente do Blaze.

— Ele está dormindo.

— Está?

Ele assentiu.

— Ah. — ela disse. — então: que droga.

Sabo e Koala suspiraram ao mesmo tempo, parados em frente ao supermercado. A previsão do tempo não falava nada sobre chuva, e muito menos sobre uma tão forte como aquela, que os pegara de surpresa. Além de tudo, as compras renderam mais sacolas do que pensaram, e agora que Blaze capotara no colo de Sabo, estava ainda mais difícil de carregá-las.

A moça estava se sentindo culpada. Mais cedo, quando saíram, Sabo sugerira pegar o carro, mas como ela contava com poucas coisas em sua lista e achava que seria um bom exercício caminhar, convenceu o patrão a deixar o automóvel na garagem. A casa de Sabo não era tão longe, mas naquelas condições, caminhar não era uma boa opção.

— Podemos comprar uns guarda-chuvas. — ele sugeriu, ela balançou a cabeça, desanimada.

— Não vamos conseguir carregar as compras e o Blaze por muito tempo, muito menos tendo que segurar os guarda-chuvas.

Sabo contraiu um pouco os lábios enquanto olhava para a chuva, pensativo. Então, num passe de mágica, foi como se uma lâmpada se acendesse acima de sua cabeça.

— Já sei. — ele colocou as comprar que tinha em mãos perto de Koala e adentrou o mercado novamente. Minutos depois, voltou com dois guarda-chuvas em uma mão e Blaze no outro braço.

— Eu já disse, andar até lá assim…-

— Não vamos precisar andar até lá. — ele sorriu entregando um guarda-chuva para ela, em seguida pegando sua parte das sacolas. — vamos andar só um pouquinho, me siga.

E ela seguiu, meio curiosa sobre onde estavam indo. Depois de avançar alguns sinais e virar umas poucas ruas, adentraram em um prédio de alta classe, fazendo uma pausa na portaria para descansar os braços cheios de sacolas pesadas. Mesmo tendo andado pouco, já estava bem cansada, com sua mão vermelha e marcada. Koala ficou tão ocupada massageando a própria mão que nem reparara em Sabo falando pelo interfone do condomínio.

— Que apartamento é esse? — Koala finalmente questionou-o quando este tocou a campainha após subirem, olhando a enorme porta em sua frente. Era um daqueles apartamentos caros que só via em doramas, com portas com o dobro do tamanho e piso de porcelanato. E, para completar sua perplexidade, estava certa de estar no último andar, ou seja, a cobertura!

Sabo até abriu a boca para responder, mas foi silenciado pelo som da porta se abrindo.

— Olá, Sabo. — uma voz feminina muito familiar chamou sua atenção.

E foi como se um flash back se passasse em sua cabeça.

(…)

— Namorada?— Koala ecoou dias atrás.

Sabo havia acabado de sair, então uma ruiva desconhecida entrou no apartamento sem mais nem menos dizendo-se namorada de seu chefe. Koala nunca trabalhara como babá antes, então como deveria proceder? Expulsá-la dali? Convidá-la para sentar? Estava realmente perdida.

E se sentia uma idiota.

— Sim, sou sim. — a moça sentou-se no sofá com folga, procurando algo em sua bolsa. — olhe, eu tenho até a cópia da chave. — ela mostrou-lhe a chave.

— Entendo. — a outra engoliu o seco, desconfortável. — no momento ele saiu, e eu não sei quando ele vai voltar…

— Ah, esse Sabo! — a ruiva revirou os olhos, levantando-se de novo. — não acredito que ele não está. Logo hoje que vim fazer uma surpresa! — ela foi até um espelho checar se seu cabelo estava bom. — olha, ahn…

— Koala. — apresentou-se Koala.

— Isso, Koala! — a outra sorriu. — não conte ao Sabo que estive aqui, certo? Pretendo voltar outro dia e isso o fará desconfiar.

— Me desculpe, mas não posso mentir para ele. — o que ela queria, que Koala perdesse o emprego? Sabo parecia ser o tipo de pessoa que odiava mentiras.

— Não precisa mentir. — revirou os olhos novamente. Reparou que ela fazia muito isso. — é só não contar nada, ok? E afinal, o que você é dele?

— Sou babá do Blaze-chan. Sabo-kun me contratou recentemente. — curvou-se.

A mulher a encarou por alguns instantes com um olhar avaliador. Será que a namorada dele estava com ciúmes? Qualquer mulher em seu lugar ficaria. Koala não era nenhuma joia rara, mas estava ciente de que não era feia. Não seria incomum deixar namoradas inseguras.

No entanto, sem dizer qualquer coisa, a mulher catou a bolsa e saiu do apartamento.

Sem dizer seu nome.

E deixando Koala com inúmeras dúvidas.

(...)

E então, mais uma vez, estava ela ali, cara a cara com Koala. A diferença era que Koala estava vestida bem casualmente, com os cabelos úmidos e bagunçados pelo vento. E ela, a misteriosa mulher de cabelos ruivos, estava plena, usando um coque com mechas perfeitas caindo sobre o rosto. Ela também usava roupas casuais, mas por algum motivo as roupas dela pareciam ser de um valor quase cinco vezes o valor das suas próprias.

— Estávamos no supermercado, então essa chuva veio e nos pegou de surpresa. — Sabo adentrou o apartamento com intimidade, segurando Blaze no braço direito e várias sacolas no outro braço.

— O Blaze está dormindo. — a mulher notou. — me dá ele aqui, vou deitar ele na cama. — sorriu ao pegar o menino no colo, e sumiu de vista depois de subir a escada.

Ela só poderia ser, realmente, namorada de Sabo. Ele era jovem, rico, e bastante bonito, não deveria ser surpresa ele ter um relacionamento daquele tipo. Será que ela implicaria com sua presença? Nenhuma namorada normal gostaria que o namorado morasse praticamente sozinho com uma outra garota. Tinha a plena consciência de que não era uma joia rara em questão de beleza, mas, mais de uma vez, já sofrera na mão das garotas de seu colégio por causa de garotos que davam em cima dela.

E não estava disposta a passar por isso de novo.

— Koala? — Sabo a tirou de seus pensamentos. Quando reparou, ele já voltava aa cozinha – que era estilo americana, inclusive — de mãos vazias e tirava o casaco. — não fica aí fora, entra e fica à vontade.

Forçou um sorriso e entrou, fechando a porta atrás de si. O apartamento era incrível. Era bem maior que o de Sabo, além de ser mais vívido e ter uma maior quantidade de decorações, como lustres e flores. A iluminação natural também ajudava para, uma vez que a parede que era para o lado da rua era composta por janelas que iam do chão ao teto. A televisão na parede era enorme também, reparou. Assistir a um filme ali deveria ser uma experiência incrível.

A babá estava tão distraída olhando para tudo que nem reparou quando o patrão tirou as sacolas de sua mão e as levou para a cozinha. Um tanto envergonhada, ela foi ao encontro dele, vendo-o colocar algumas coisas em uma das… Três geladeiras?

— Essa casa é muito bonita — Koala elogiou.– e muito bem decorada. Nunca tinha visto nada assim.

— Ela tem um ótimo gosto pra decorações. — ele respondeu sem fitá-la. — nunca tive a mesma disposição que ela para esses assuntos. Comprei meu apartamento com aquela mesma decoração, e nunca me importei em mudar muita coisa. — ele acrescentou, após alguns segundos. — bem, acho que só o quarto de Blaze, claro.

— E é muito bonito. Pena que ele não dorme lá.

— Realmente.

Ficaram em um silêncio constrangedor por alguns segundos, até que ouviram passos de alguém descendo as escadas. Como imaginava, era a mulher de antes.

— Então, ainda não me apresentou sua amiga, Sabo. — a ruiva foi até ele e se apoiou e seu ombro num gesto íntimo, sorrindo para ele e para Koala. Será que ela estava forçando o sorriso?

— Nem reparei, que cabeça a minha. — o loiro foi para o lado de Koala, que não pode deixar de sentir um fundo de felicidade ao vê-lo sair de perto da mulher para ir para lado dela. — Nami, esta é a Koala, a mais nova babá do Blaze. — ele esticou a mão na direção dela, e, em seguida, para a outra moça. — Koala, esta é Nami, ela é a minha…

O rapaz foi interrompido pela porta principal se abrindo de forma abrupta.

— Oh, Sabo!!! — logo uma voz ecoou pelo local, e um rapaz todo molhado atravessou a sala até o loiro, abraçando-o sem se importar com nada. — você não disse que vinha!

— Luffy, você tá todo molhado. — riu desvencilhando-se dele. — olha a educação, estamos com visita.

O moço olhou para Koala, finalmente reparando a presença dela ali. Ele tinha cabelos pretos, olhos grandes e igualmente pretos, era magro e não tão alto, além de ter uma cicatriz bem debaixo do olho esquerdo. Depois de analisá-la, ele abriu um largo sorriso e foi até ela, surpreendendo-a ao beijar suas duas bochechas.

Koala apenas arregalou os olhos, estupefata, mas ninguém pareceu estranhar aquilo. De repente, a tão famosa Nami apareceu com uma toalha, e entregou para o tal Luffy, mandando-o tomar banho.

— Eu sou o Luffy! Hehe! Pelo jeito vocês também levaram uma chuvarada! — comentou ele, ignorando por completo os pingos de água que caiam de seu cabelo e a advertência da outra moça. — você é quem mesmo?

— F-Fisher Koala, é um prazer conhecê-lo.

Ainda estática de surpresa, seu cérebro sequer conseguiu raciocinar ao ponto de fazê-la se curvar adequadamente. Apenas quando o moreno finalmente subiu para o banho — depois de muita resistência, Nami convidou-os para sentar à mesa para almoçar, mas ninguém tocara na comida, ainda esperando o rapaz de cabelos pretos voltar.

— A Nami é namorada do Luffy. — Sabo explicou-lhe, quando o assunto finalmente retornou. — na verdade, praticamente esposa.

— Não somos casados. — Nami riu pelo nariz, revirando os olhos. — que exagero.

— Um homem e uma mulher, idades próximas, morando juntos… — Sabo olhou-a com uma cômica malícia. — não sei não, hein… Isso me parece uma vida de recém-casados.

— É mesmo? Se for assim, vocês também parecem recém-casados.

Os dois se calaram, surpresos e acanhados. A mulher em sua frente tinha um olhar afiado, como se avaliasse cada movimento de respiração que fizessem.

— Espera. — Sabo pensou por um instante. — o que você quer dizer com isso? Como sabe que estamos morando juntos?

— Não sabia que estão morando juntos. Disse isso apenas porque vocês parecem um jovem casal. — Nami apoiou o cotovelo na mesa, e o queixo na mesma mão. — quer dizer que estão morando juntos, é? — provocou.

Koala não entendia o que ela queria com tudo aquilo. Ela não dissera que era namorada de Sabo? Por que obviamente havia mentido? Seu patrão não fazia o tipo que se envolvia com a namorada do próprio irmão, então não tinha o mínimo sentido dela dizer-lhe uma coisa assim. Apenas o olhar enigmático que ela lhe dirigia era o suficiente para que entendesse que não era prudente que comentassem sobre seu encontro anterior.

— Eu apenas cumpro com meu trabalho, não há qualquer tipo de envolvimento entre nós. — Koala resolveu tomar a dianteira da conversa, em alto e bom som, para explicitar que não estava intimidada. — sou estritamente profissional, e Sabo-kun me respeita apropriadamente.

Um minuto de silêncio tenso tomou conta do local, que foi interrompido por som de passos vindo das escadas.

— Pronto, já tomei banho! — em um pulo o rapaz se sentou com eles à mesa, e logo todos começaram a se servir. Koala ficou calada, um tanto envergonhada por falar daquela forma com a dona da casa, mas tentava ao máximo não transparecer o sentimento. Não foi muito complicado, uma vez que Luffy comandava os assuntos a serem conversados, que obviamente não tinham muito a ver com ela.

— E você, é o que, Koala? Amiga do Sabo? — Luffy virou-se para ela repentinamente, fazendo-a se assustar por um instante.

— Eu sou a babá do Blaze. — sorriu simpática. — ele se afeiçoou muito a mim, e eu a ele.

— Babá? Você deve ser boa, hein! Ele até gosta de mim, mas se o Sabo não está com a gente, ele abre o maior berreiro! — ela não pode deixar de notar como Luffy falava com entonação na voz, além de gesticular bastante com as mãos. — teve uma vez que ele foi pra escola, aí quando a profes- de repente ele começou a tossir, provavelmente engasgado com arroz. Nami foi rápida e lhe estendeu um copo de água, e todo o conteúdo foi bebido rapidamente.

— Caraca! Essa foi forte! — Luffy exclamou, voltando a comer rapidamente.

Koala o olhou curiosa, e não se conteve em perguntar:

— O que é “caraca”?

Luffy, Sabo e Nami se entreolharam, pensando na pergunta por um instante.

— Nossa, é verdade, Koala, eu nem comentei. — disse Sabo, dando um meio sorriso. — o Luffy é brasileiro, por isso ele acaba soltando essas palavras as vezes.

— V-Você fala espanhol? — ela olhou surpresa para Luffy. — que incrível.

— No Brasil se fala português, e não espanhol. — o loiro explicou-lhe cuidadosamente, para que ela não ficasse envergonhada.

Então fora por isso que o irmão de Sabo a cumprimentou com dois beijos nas bochechas. Já ouvira falar que alguns países estrangeiros tinham esse costume, mas nunca tinha visto por si própria.

— O Luffy foi criado no Brasil até os seis anos. — Nami comentou, entrando na conversa. — nunca perdeu o jeito com o português, e até me ensinou.

— Foi muito difícil aprender a escrever em japonês. — Luffy fez uma careta.

— E de onde você é? São Paulo?

— Rio de Janeiro.

— Rio? Mas que legal, já vi tantos filmes que se passam lá! — sorrindo empolgada, ela se virou para o loiro. — você também é de lá, Sabo-kun?

— Ah, não, de jeito nenhum. — ele deu um leve risada. — embora eu já tenha ido lá muitas vezes. Luffy, Ace e eu sempre íamos pra lá no recesso de inverno, porque o clima nessa época do ano é bem quente. — ele dizia enquanto procurava algo no celular, quando achou, estendeu-o para Koala. — olha, isso é de cinco anos atrás.

Na foto estavam Luffy, Ace e Sabo numa selfie, com roupas bem leves e usando óculos escuros. Ele e Luffy estavam claramente mais novos, e atrás a vista era bem linda, como se fosse de algum lugar bem alto. Não dava muito bem para ver Ace, já que ele estava mais ao fundo, e os raios de sol atrapalhavam para distinguir sua imagem.

— Isso foi de quando visitamos o Cristo Redentor.

— Devíamos voltar lá. — Luffy disse, pegando mais uma porção de comida.

— Deviam mesmo. E dessa vez você vai me levar, né, Luffy?– Nami perguntou, sorrindo provocativa para ele.

— Claro que sim! Imagine que legal se todos fossemos: Zoro, Usopp, Sanji e resto. Oh, poderíamos levar o Blaze também! — o moreno começou a se empolgar mais ainda. — ele ia amar brincar na praia!

— Acho que seria melhor esperar ele crescer mais um pouco, o voo pra lá é muito longo. — Sabo opinou, guardando o celular.

Os três continuaram a conversar, tão imersos no assunto que esqueceram a presença de Koala ali. Falaram sobre as viagens que já fizeram, os restaurantes que visitaram e lugares que tinham planos de, um dia, ainda conhecer. E de repente, Koala, que se sentira à vontade para conversar com o grupo, novamente sentiu-se totalmente fora de sua realidade.

Ela nunca tinha viajado para muito longe de sua cidade natal. O máximo fora duas viagens escolares, ambas para Quioto, durante o ginasial e o colegial. Viagens para fora do país, em lugares tão distantes e com culturas exóticas eram coisas que ela nunca havia experimentado. Logo, não havia que poderia acrescentar no assunto.

— Eu gostaria de ver como o Blaze está, onde ele está dormindo? — indagou a ninguém em especial. Sabo iria responder algo, mas a Nami se levantou antes que ele o fizesse.

— Venha, eu te levo até lá.

(...)

Blaze estava dormindo angelicalmente em uma cama de casal, em um dos quartos da casa. Koala sentou-se na borda da cama, ao lado dele, e tirou a franjinha de seus olhos.

— Eu menti, me desculpe. — Nami disse sentando-se na cama também, porém do outro lado. Koala, que antes sorria olhando o menino, se virou para ela. — eu agradeço por não ter dito nada para o Sabo.

— Não precisa agradecer.

— Preciso sim. Eu me enganei sobre você.

Koala não entendeu o que ela queria dizer, e a confusão deve ter se transparecido em seus olhos, pois logo que os olhou Nami explicou:

— Conheço o Sabo há alguns anos, sabe, e me preocupo com ele como se fosse meu próprio irmão. Pode não parecer à primeira vista, mas o Sabo é uma pessoa extremamente rica, e é com isso que eu fico preocupada.

Na humilde opinião de Koala, Sabo tinha bastante “cara de rico”, mas resolveu não fazer nenhum comentário.

— Não foram poucas as vezes que pessoas se aproximaram dele por interesse, principalmente mulheres. Por isso quando te vi, achei que fosse mais uma se jogando em cima dele por causa de seu dinheiro.

Naquela hora, Koala percebeu que talvez fosse muito triste ser uma pessoa rica. Ela não conseguiria imaginar como deveria ser a sensação de desconfiança de todos, de não saber diferenciar quem são amigos e quem são aqueles que lhe estimam por outros motivos.

— E como você conseguiu chegar a essa conclusão? — perguntou.

— Primeiramente, ele escolheu você, e não o contrário. — Nami sorriu. — e também tem outras coisas, como a forma que ele olha pra você, o jeito como ele faz questão de te deixar à vontade, até como ele te apresentou pra família. Além de tudo, você parece gostar de verdade desse bochechudinho. — apontou para Blaze com a cabeça. — as outras sempre o consideraram um empecilho. Você é uma boa pessoa, Koala.

— Obrigada. — Koala sorriu, sentindo-se verdadeiramente feliz. — você gosta mesmo do Sabo-kun, Nami-san. Deve amar muito Luffy-san para se importar tanto com o irmão dele.

— Ah, amo sim. — ela riu. — mas não deixa ele saber, senão vai ficar se achando depois.

— Vocês estão juntos há muito tempo?

— Já faz mais ou menos uns dois anos. — ela ponderou. — começamos a namorar no 3º ano, quando descobri que ele tinha dinheiro. — deu uma piscadela interesseira que deixou Koala sem palavras. Onde estava aquela história toda sobre mulheres interesseiras?! — mas não se preocupe, hoje eu o amo muito. De verdade.

E ela acreditava. Nami olhava para o chão com as bochechas rosadas, reprisando em sua cabeça coisas que Koala talvez jamais fosse saber. Já vira garotas apaixonadas antes, mas sempre estivera tão ocupada e tão preocupada com os irmãos e com a situação financeira que nunca teve tempo para fantasiar sobre namorados e paixões.

Mas vendo a cunhada de seu patrão ali, com um sorriso tímido e tanto carinho nas palavras, Koala não conseguiu deixar de pensar que talvez, só talvez… Ela também quisesse se apaixonar.

Notas finais
Eai o que acharam? Quem aí shippa Luna? Lavem bem as mãos, passem álcool gel e deixem um comentário pf ♥