Baby Care

6 Início de primavera


Notas iniciais
Aposto que estão surpresos em me ver aqui, apenas uma semana depois de ter lançado o último capítulo kkk A verdade é que meu celular quebrou – nada demais, não precisam se preocupar com a saúde dele :v - e eu estou em total e absoluto tédio. Então, com tempo livre, o que poderia eu fazer senão vir até aqui e tentar diverti-los neste momento de caos? Aproveitem a leitura ;)

“ Por favor Ace, não diga para o Luffy, mas devo admitir que me sinto muito sozinho aqui, preso nesta cama de hospital. Tudo o que há para fazer é assistir TV e ver o tempo passar. Depois de conhecer vocês, esqueci-me do que era solidão, e acho que fiquei mal acostumado. Espero não sentir esse vazio nunca mais, dá muita vontade de chorar”.

— Carta enviada para Ace, quando ambos tinham 12 anos.

— Ah, mas que fofo!

Os olhos de Koala brilharam ao ver Blaze vestido com o uniforme da pré-escola em que começaria naquele dia. Usava um bermudinha de tom azul marinho com suspensórios da mesma cor, uma blusa branca de botões e um chapéu da mesma cor do shorts. Ele estava muito lindo, e mostrava um largo sorriso para todos os flashs que Koala dava com o celular para registrar aquele momento.

— Ele está bem sorridente, espera só quando chegar lá… — Sabo comentou enquanto colocava umas coisas na bolsa do menino. — Blaze ainda não se tocou pra onde estamos indo.

— A gente vai passear né? Né, papai? — ele correu até a perna dele, agarrando-a.

— Quase isso. — Sabo pegou-o no colo, e levantou-o bem alto girando-o. — vamos pra um lugar bem divertido!

— Divertido! Hahaha! — o pequeno caiu na gargalhada, sentindo-se nas nuvens. Seu chapéu caiu de sua cabeça e a moça pegou-o no ar, rindo e se divertindo com a situação.

— Sabo-kun, pare com isso. — ela acabava de rir, e tirou-o dele. — se não sairmos agora vamos nos atrasar.

— É verdade. — o rapaz olhou o relógio de pulso. — então, vamos partir!

Era óbvio que Sabo tentava manter a animação com aquele dia, pois não queria transparecer preocupação nenhuma para Blaze em relação a seu primeiro dia de aula. Porém, Koala sabia que, no fundo, ele próprio estava nervoso. Tentara diversas vezes fazê-lo se acostumar com a escola, sempre falhando e se frustrando, e ela não o culpava por se sentir nervoso.

Para ele, era como se aquela fosse sua única chance. O que fariam se desse errado? Sabo não poderia voltar a frequentar as aulas da faculdade se tivesse que ficar com Blaze, e Koala tampouco poderia começar. Estava amando cuidar do menino, mas seu principal objetivo quando se mudou para a capital foi estudar para poder dar uma vida melhor para sua família, e nada poderia vir à frente disso. E, além de tudo, se Sabo tivesse que ficar com Blaze durante o tempo em que Koala estuda, de que tudo isso serviria? Provavelmente ele a demitiria e voltaria a cuidar de Blaze integralmente, como sempre foi.

Portanto, ela também estava ficando nervosa. Já estava trabalhando para Sabo há um mês, e estava gostando de como estava. Sentia-se realmente acolhida.

— Chegamos, é aqui. — Sabo estacionou o carro, e quando saíram, por fim, pôde ver o lugar em que Blaze passaria seus dias.

O local era extremamente fofo, com um parquinho bem amplo para as crianças se divertirem e um local de plantas cultivadas pelas próprias crianças. Algumas delas corriam, outros se agarravam às mãos das mães e outras choravam aos berros para não entrar.

Uma mãe passou com uma criança esperneando no colo, o que só deixou Blaze, que já começava a se sentir inseguro, ainda mais choroso com a situação.

— Calma, não precisa ficar com medo. — Koala o aninhou com em seu colo, secando as finas lágrimas do menino com um lencinho. — olha, a mamãe e o papai estão aqui.

— Mamãe… — ele se aconchegou mais nela, fechando os olhos.

Sabo observou a cena sentindo múltiplos sentimentos. Era incrível como Koala conseguira o amor de Blaze de uma forma tão profunda. Sabia que Blaze gostava dele – ora, era a única figura de pai que ele tinha. Mas isso se devia ao fato dele estar perto dele desde que nascera, diferente de Koala que era alguém recente em sua vida.

Por fim, diferente das outras creches e pré-escolas em que esteve, a escola-creche Grand Line acabou por ser uma ótima experiência. Não que Blaze tenha se soltado e brincado com todos, mas pelo menos ele pegou em alguns brinquedos e não chorou uma única vez. Como estavam em fase de adaptação, algumas crianças ficavam com os pais em sala de aula, assim como Blaze, para se sentirem seguras até se acostumarem com o ambiente.

— Que legal, Blaze! Você brincou muito hoje. — Sabo bagunçou os cabelos do menino.

— Olha, papai! Carro azul! — ele estendeu com a mãozinha um carrinho da escola.

— Esse carrinho é da escola, né? — Koala observou, enquanto voltava com os casacos de frio fora buscar. — temos que devolver, já está na hora de irmos.

— Verdade, mas onde… — Sabo olhou em volta, e de repente parou para prestar atenção em algo. Koala seguiu seu olhar, e se deparou com uma mulher de cabelos cor-de-rosa vindo na direção dele.

— Sabo-san, há quanto tempo.

— Reiju? — ele não mediu esforços para demonstrar sua surpresa. — você trabalha aqui?

— Comecei na última primavera. — ela sorriu. — sou oficialmente uma das professoras da turma tulipa. — a professora se virou para Koala – e quem é esta, Sabo-san?

— Meu nome é Koala, sou a babá do Blaze. — ela se apresentou enquanto colocava o casaco no menino.

— É um prazer, eu sou a sensei do Blaze-kun, meu nome é Vinsmoke Reiju. — ela se curvou para Koala. — Sabo-san, podemos conversar um instante?

Que ela era linda, Koala não podia negar. Seus cabelos cor-de-rosa eram mais brilhantes do que qualquer outro que já vira, com leves ondulações na porta e mesmo de longe conseguiu sentir um cheirinho de shampoo de Sakura. O rosto dela era fino, as curvas todas no lugar e não sabia nem por onde começar a falar daquelas longas pernas. A única característica curiosa dela era sua sobrancelha, que além de longa tinha uma estranha espiral na ponta, nunca vira aquilo em toda sua vida.

Mas ainda assim, Reiju lhe trouxe um gosto amargo na boca. Sinceramente ela não parecia uma pessoa ruim, mas ela exalava sensualidade, do tipo que deixava os homens louquinhos e as mulheres mortas de ciúmes.

Ela e Sabo conversaram por alguns minutos – que pareciam até horas — e Koala, cansada ficar ali plantada, pegou Blaze no colo e foi esperar no carro. Após um tempo, quando Sabo finalmente apareceu, não conseguiu disfarçar o descontentamento.

— Desculpa pela demora. — Sabo dissera a um uns quatro metros dela, andando e tirando a touca da cabeça. — fiz vocês esperarem muito.

Koala ficou calada, com um leve bico, e cruzou os braços.

— Papai, papai, abre o carro! — Blaze bateu a mão no carro.

— Ah, sim, claro.

No carro, Sabo sentiu algo estranho com relação a Koala. Antes ela estava tão feliz, tão falante, e principalmente tão contente pelo primeiro dia de Blaze ter sido um sucesso. Ficaram lá por apenas três horas, mas já era uma grande conquista, que não deixou de ser comentada em momento nenhum.

— Reiju estava me falando que Blaze se saiu muito bem. — Sabo comentou, tentando quebrar o gelo.

— É mesmo? Como ela soube disso? Entrou na sala fazia uns dez minutos.
A resposta azeda de Koala fez Sabo piscar, surpreso. Parou o carro por causa do sinal, e se virou para ela.

— As outras professoras disseram para ela. — explicou ele. — Reiju não estava lá porque teve que auxiliar na turma dos mais velhos, uma das professoras não pôde ir porque passou mal ou algo assim.

— Que pena, se isso não tivesse acontecido vocês poderiam ter conversado por muito mais tempo.

Koala cruzou os braços, e olhou para a janela, virando a cara para Sabo.
O que ela tinha? Estava tão zangada assim só porque ele a fez esperar por alguns minutos? Não tinha muita experiência com mulheres, mas Ace já comentara sobre isso certa vez. “Elas podem se atrasar, mas nós não”, ele dissera. Talvez fosse verdade, a julga pelo humor de Koala.

— Blaze. — Sabo chamou animado, voltando a dirigir quando o sinal ficou verde. — como é que tá sua barriga?

— Tá vazendo assim ó “peko peko peko”¹! — Blaze exclamou, batendo na própria barriga.

— Que tal você adivinhar o que a gente vai comer hoje, hein?

— Ahn… Ahn… Pizza! — ele agitou os bracinhos na cadeirinha.

— E… — fez uma pausa dramática, deixando o bebê na expectativa. — Pupuu! Errou!

— É shushi, papai?

Pupuu! Errou de novo! — Sabo riu, dando uma olhada de canto de olho para a moça. — será que a mamãe acerta, Blaze?!

— É algum lugar caro? — ela se mostrou um pouco tensa com a possibilidade, e Sabo negou com a cabeça, tranquilizando.

— Nós vamos comer… — ele fez uma pausa dramática. — ...Lámen!

Blaze deu um gritinho de felicidade, mas Koala desconfiou que era mais pela empolgação de Sabo do que, em si, pelo Lámen.

(…)

— Cuidado, tá quente hein. — Koala pegou uma porção de macarrão com os hashis, assoprou e colocou na boca de Blaze. Enquanto ele mastigava, ela pegou um pouco para si da própria tigela e comeu.

— Koala, você mal tocou no seu prato. — Sabo observou. — deixa que eu dou pra ele um pouco.

Antes que a moça pudesse contestar, o rapaz tirou a tigela infantil de perto dela e começou a alimentar o pequeno Blaze. Estavam comendo em um restaurante de Lámen, e até que estava sendo legal. Já comera Lámen outras vezes, em sua cidade natal, mas aquele de alguma forma estava mais gostoso que o normal.

— É bem gostoso, não acha? — comentou ele vendo a expressão de satisfação dela. — lámen é meu prato preferido, e aqui é o melhor da cidade.

— Você sempre vem aqui? — ela observou melhor o local, que não era refinado, mas tampouco era um estabelecimento acabado. Era normal, assim como todos os outros Lámen-ya, mas bastante aconchegante.

— Sim, desde que era criança. Ace me apresentou esse lugar quando ainda éramos crianças, vínhamos sempre aqui, nós três. — respondeu.

— Deve ter sido bem divertido.

— Uma vez, acho que eu estava no 4º ou 5ª ano do fundamental, era o meu dia de ficar responsável pela limpeza. Justo nesse dia eu tinha combinado com o Ace e com o Luffy de vir aqui, e fiquei achando que eles esperariam eu acabar.

Sabo fez uma pausa na história para colocar mais macarrão na boca de Blaze.

— Então, quando eu fui jogar o lixo fora, por acaso eu olhei por cima do muro da escola, que dava para ver a rua, e qual não foi minha surpresa ao pegar os dois indo sem mim. — a cômica amargura na voz dele só demonstrava que ele tinha raiva disso até os dias atuais.

— E o que você fez?

— Pulei o muro e desci a porrada nos dois — ele tentou suprimir a risada, mas as risadas de Koala não o deixaram aguentar. — E o pior… foi que… — ele tentava recuperar o ar. — depois de brigarmos, ainda assim fomos comer, porque estávamos todos com fome. Eu fui embora assim, sem mais nem menos, abandonei a tarefa, fui com a sapatilha da escola e ainda esqueci minha randoseru² na sala de aula!

— Sabo-kun, você era um menino terrível. — ela tentava se recuperar aos poucos. — e o que aconteceu, afinal?

— O diretor me suspendeu por dois dias. Luffy e Ace ficaram com bastante inveja de me ver em casa. — ele olhava para o teto, relembrando dos momentos em suas memórias. — eu preferia, sinceramente, ter ido para a escola. Meu pai me pôs de castigo, e durante esses dois dias, ele dispensou todos os empregados e me fez limpar a casa toda. No fim do primeiro dia eu já não sentia mais meus músculos. — riu de canto.

— Entendo. Meu pai também sempre foi muito severo quando um dos filhos fazia algo errado.

— E a senhorita? — ele brincou. — nunca fez nada de errado durante a juventude?

— Não mesmo. — ela sorriu, pegando seu lenço de bolso para limpar o rosto de Blaze, que terminara seu lámen. — eu tinha que cuidar de crianças demais, não tinha tempo pra isso.

— É mesmo? — ele apoiou os braços na mesa, interessado. — você comentou mesmo que o mais velho dos seus irmãos ainda estava no 6º ano.

Ele fez as contas mentalmente. Se o irmão dela estava se graduando no fundamental, devia ter por volta dos doze anos, se Koala tinha dezenove… Ela começou a cuidar de bebês aos sete anos? Não era de se admirar a experiência que ela tinha.

— O Shin, esse meu irmão, é um menino muito responsável. Quando todos ficaram chorando pela minha vida, ele se manteve forte, para não deixar os pequenos mais deprimidos ainda.

— Nossa, isso é bem nostálgico. Eu entendo o sentimento dele, eu e Ace sempre tivemos que agir dessa forma. Já o Luffy era um bebê chorão. Uma vez eu quebrei a perna quando caí de uma árvore e ele ficou o dia todo chorando, pedindo pra eu não morrer.

— Todos os meus irmãos mais novos fazem isso também. — ela riu. — ano passado eu desmaiei em casa, quando estávamos sozinhos, e eles ficaram desesperados, tadinhos.

— Desmaiou? — Sabo pegou a mão dela, assustado. — mas o que aconteceu?!

— Ah, não precisa se preocupar! Era verão e estava muito quente, o doutor disso que foi insolação, por causa do calor.

— Entendi…

O loiro relaxou aos poucos, e só depois percebeu que ainda estava com a mão em cima da mão de Koala. Ao percebê-lo, prontamente recolheu-a, constrangido.

— Mas enfim, eu cuido dos meus irmãos desde que tinha sete anos, e desde então um foi aparecendo depois do outro e fomos levando as coisas. Nunca tivemos muito dinheiro em casa, mas posso dizer que, apesar de tudo, sempre fomos muito felizes. — declarou orgulhosa. — e é por isso que eu estou aqui, em Tóquio. Quero dar uma vida melhor pra eles, que eles estudem em boas escolas e façam cursos… Foi graças ao emprego que me deu, que eu consegui ajudar com as taxas da escola nova do Shin, sabia, Sabo-kun? Dos mais novos também, que vão começar no fundamental este semestre. Sou muito grata a você.

Ele negou com a cabeça.

— Ora, Koala, não precisa me agradecer. Você está trabalhando duro, e esse mérito é todo seu. Foi bem corajoso da sua parte sair da sua cidade natal, se atirar na cidade grande assim, sozinha. Eu a admiro por isso, não sei se teria essa coragem.

— Fiquei bem nervosa quando vim. — admitiu ela. — mas atualmente estou bem mais calma, porque a minha maior preocupação já desapareceu.

— E qual era? Dinheiro?

— Não. — negou com a cabeça. — era ficar sozinha.

Dando um sorriso caloroso que quase derreteu o coração do rapaz, Koala fez algo mudar dentro de Sabo. Ele olhou pra ela como nunca olhara antes, e vira uma mulher incrível, corajosa, meiga e muito, muito bondosa. Ela estava ali, naquele lugar que nunca antes visitara, em meio a um mundo que não era o dela – e pior, anteriormente, desesperada por um emprego e quase despejada de casa. — lutando e resistindo, pelo bem de sua família.

Ele teria ficado o dia todo ali se pudesse, apenas admirando aqueles lindos e redondos orbes, se não fosse por uma mãozinha suja de caldo puxando seu casaco, para obter sua atenção.

— Papai. — Blaze chamou, com toda sua graça e fofura de sempre. — eu caguei.

E acabando totalmente com o clima.

(…)

No último dia da semana de adaptação de Blaze, os nervos de Sabo estavam a flor da pele. Aquele seria o dia em que o menino ficaria o horário inteiro, das oito da manhã até as quatro da tarde, resultando num total de oito horas separado de Sabo. Nos dias anteriores, aos poucos, o número de horas em sala fora aumentando, mas ambos Sabo e Koala estavam sempre ali com ele, na sala.

Agora não, seria ele, sozinho.

Parados no portão da escolinha, Koala se agachou na altura do menino, ajeitando seu chapéu.

— Muito bem, Blaze… Animado pra mais um dia?

— Eu… Hm… — ele alternava o olhar entre a escola e os “pais”, um tanto inseguro. — mamãe e papai vem né? Eles vem?

— Hoje é um dia especial. — Sabo se abaixou também, colocando a mão no ombro dele. — porque você já é um homenzinho, e todo homenzinho tem que ir pra escola, enquanto o papai e a mamãe vão pra outro lugar.

Oto lugar?! — arregalou os olhos, agarrando a barra da própria blusa.

— É, mas não precisa se preocupar, querido. — Koala deu um beijo em sua testa. — nós vamos voltar pra te buscar. Nós sempre vamos voltar pra te buscar.

— Você confia na gente, não é, Blaze? Te amamos muito. Nunca vamos te abandonar. Como sua mãe disse, nós certamente vamos voltar, e vamos te receber com o maior abraço de todos.

Blaze não disse nada, e ficou engolindo saliva, como se estivesse tentando evitar as lágrimas. Era óbvio que ele estava inseguro. Talvez nervoso. Talvez com medo. Medo… Não gostava de vê-lo com medo. Talvez tenha exagerado, talvez não fosse a hora certa. Talvez ele fosse muito novo ainda pra ir à escolinha, mesmo que fosse uma creche. Talvez fosse melhor esquecer toda essa história e levá-lo para cas-

Sabo-kun.

Ambos se levantaram, para que assim pudessem conversar sem Blaze ouvi-los. Koala mirava-o séria, dura como uma rocha. Ela estava vendo através dele. Percebia que Sabo estava hesitando, e talvez com mais medo do estava por vir do que o próprio Blaze.

— Seja forte. — advertiu, em um tom sério que nunca via antes. — não faça isso. Não na frente dele.

Ele piscou, atingido pelas palavras dela. Ela estava certa. Tinha que se recompor. Tinha que fazer isso por Blaze, porque apenas daquela maneira, ele poderia dar mais um passo.

— Oiii! Blaze-chan!! — uma voz infantil se aproximando chamou atenção dos três. Se tratava uma menina também da turminha tulipa, que arrastava outro menino consigo, se não estivesse enganado, seus nomes eram…

— T-Tama-chan? — Blaze ecoou fungando, quando a pequena parou ao seu lado segurando sua mão. Em seguida, virou-se para o menino. — Momo-chan.

— Vamos bimcá, Blaze-chan! — convidou ela, sorrindo com as bochechinhas rosadas.

Bocê vem? — o chamado “Momo-chan” perguntou, segurando na mão de Blaze.

Então, para a surpresa dos mais velhos, o pequeno Blaze sorriu, e virou-se para os pais, ainda com finas lágrimas em seus olhos. Koala sorriu, orgulhosa dele, e secou suas lágrimas e seu nariz com um lencinho.

— Vai lá com seus amiguinhos. Não se esqueça, vamos voltar, e, mais importante ainda: nós te amamos.

Blaze assentiu, se sentindo mais confiante, e correu para dento da escola junto dos outros dois. De longe, Koala pôde ver Reiju-sensei na porta, recepcionando as crianças. Ao notar os pequenos entrarem e cumprimentá-los, olhou para o portão e viu-os, acenando com as mãos.

Koala foi até ela, para cumprimentá-la adequadamente.

— Bom dia, e obrigada por cuidar de Blaze. — Koala se curvou, e ela repetiu o ato.

— Achei que ele não iria querer entrar, mas até que ele passou por mim bem animado. — a mulher de cabelos cor de rosa sorriu.

— É, espero de verdade que seja assim o dia todo.

— Vou fazer o possível para que ele adapte-se bem. — a professora garantiu. — mas… Se me permite perguntar, onde está o Sabo-san? Havia um assunto que eu queria discutir com ele sobre meu irmão.

— O que? — ela estranhou. Olhou para um lado, para o outro, para o portão, onde estava anteriormente, e Sabo não estava em lugar nenhum. — e-ele não está aqui, desculpe… Mas, oque dizia? Seu irmão?

— Sim, eu o conheci através de meu irmão mais novo. Ele está viajando no exterior atualmente, e precisa falar com Sabo-kun o mais rápido possível. — a professora parecia um tanto preocupada com a situação. — enfim, ele estava com um pequeno problema no celular, mas já foi resolvido, será que poderia entregar esse número a ele por mim? — ela tirou um papelzinho do bolso, contendo um número de celular. — por favor, Sanji disse que é muito importante.

Koala encarou o papel por uns instantes e assentiu, levando a sério o pedido da moça. “Sanji” provavelmente era o nome de seu irmão. Colocou o papel no bolso, e assentiu para ela, se despedindo.

Onde estaria Sabo? Será que encontrara algum conhecido, e estava conversando? Foi até o estacionamento, e não o viu lá. Apenas quando passou em frente ao seu carro que pôde ter o vislumbre de um homem de madeixas loiras no banco do motorista.

— Sabo-kun, você sumiu. — ela entrou no carro e fechou a porta, sentando ao lado dele. — por que não avisou que…

A voz dela foi ficando mais fraca, reparando no estado dele. Sabo estava com o braço direito apoiado no volante, de cabeça baixa, escondendo o rosto. Ao reparar bem, viu que ele estava tremendo um pouco. Será que ele estava… Chorando? Não dava para ver seu rosto, mas…

— Sabo-kun… — murmurou, sentindo vontade de chorar também.

Quando Ace apareceu em sua porta, naquela noite tão chuvosa, carregando um bebê nos braços enrolado em um lençol e uma mochila nas costas, Sabo não imaginava o que estava por vir. “Cuide dele pra mim, por favor”, ele dissera. “Ame-o , como se fosse seu próprio filho.”

De alguma coisa, as coisas acabaram dando certo. Blaze estava grande e saudável, com todos os membros no lugar. Gostava de trens, carrinhos, música e de rabiscar paredes. De início, achou que não conseguiria. Pensou em desistir e quase desistiu, em todas as inúmeras vezes em que passou a madrugada acordado com Blaze chorando.

Mas agora Blaze estava maior. Seu menininho ia passar o dia inteiro na escola, longe dele.

Longe dele… Por que isso era tão difícil? Porque estava chorando? Desde que começara a cuidar dele, nunca ficara longe dele. Mas estava tão feliz, era tão confuso… Sabo não era de chorar. Não chorara nem quando quebrou a perna. Não chorara em diversas ocasiões em que, de fato, deveria.

Sem ele ali, se sentia…

Vazio.

— Eu estou aqui.

As palavras ditas para ele o fizeram arregalar os olhos, mesmo sem levantar o rosto. Sentiu uma mão segurar sua mão esquerda bem forte. Estava quentinha, mesmo aquele sendo o início de uma primavera bem fria.

— Eu sei que é difícil. — ouviu Koala dizer, sem soltar sua mão. — mas eu estou aqui, não se preocupe..

Então, aos poucos, ele se acalmou. A mão dela, e apenas sua presença… Eram muito reconfortantes.

Sabo não se considerava uma pessoa religiosa, mas, naquele momento, pôde apenas agradecer a Deus por aquela garota estar ali.

Explicando:

1 – Onomatopeia japonesa para barriga roncando

2 – Mochila japonesa que as crianças usam do 1º ao 6º ano do ensino fundamental

Notas finais
Umas das coisas que eu percebi sobre os pais , recolhendo material pra essa fanfic, é que a separação deles e dos filhos é um momento muito difícil, principalmente para a mãe. Como Sabo é praticamente a mãe de Blaze durante a maior parte da vida dele, esse momento não poderia ter sido diferente para ele. Eu, pessoalmente, achei fofo, sensível, e real. E vocês, o que acharam? Aguardo ansiosa pelos comentários.