Baby Care

11 Reconciliação


“...e parem de ficar brigando. Não entendo como podem ficar se machucando, duvidando um do outro. A Bonney te ama, Ace, disso tenho certeza, e você foi muito rude questionando-a sobre isso. Faça o que tem que ser feito, e peça desculpas. Você é o errado da história.”

— Carta de Sabo para Ace, após sua 4ª briga com Bonney.

Sabo acordou indescritivelmente melhor no dia seguinte. Lembrava-se vagamente da noite anterior, onde falara coisas sem sentido para Koala até pegar no sono, mas nenhuma de suas lembranças era muito clara. Ouvira a voz de Law, e lembrava-se de ter tomado uma ducha, mas apenas pôde ter certeza na manhã seguinte, quando a babá lhe contou o que havia acontecido. Notou que ela enrubesceu ao dizer que alguém teria que lhe dar banho, e perguntou-se se ela considerara dá-lo ela própria. Era uma ideia que o animava, tinha que admitir, mas não naquele estado deplorável.

Com a melhora dele, obrigou Koala a ir para a faculdade, ainda que fosse sexta-feira. A semana seguinte seria a Golden Week, e se veriam novamente sem aulas, dessa vez causada pelos feriados. Gemeu ao se lembrar disso.

No último encontro que tivera com o pai ele fora muito claro quanto ao comparecimento dele no baile de primavera daquele ano. Quando Dragon o adotara, assim como todas as novas crianças da família, ele havia sido apresentado a todos como um D, recebendo olhares atravessados e murmúrios sarcásticos. Tentou se convencer de que seria apenas uma questão de tempos para que o aceitassem, mas após se ver na mesma situação pelos 5 anos seguintes, simplesmente começou a não ir nos bailes. Isso gerou muito comentários, claro, mas parecia melhor para todos que ficasse assim.

Mas aquele ano ele não teria escolha. Monkey D. Dragon era o chefe, e ele tinha que obedecê-lo. E não era apenas isso, lembrou-se ele, dando um crédito ao pai. Ele era uma das pessoas que mais amava no mundo, apesar da distância que viam mantendo nos últimos tempos. Tinha sido um bom pai para ele, Luffy e Ace, à sua própria forma.

Colocou o convite na gaveta da cabeceira, virando-se para Nami.

— Oh, strogonoff! — deu um largo sorriso, vendo o que a cunhada preparara para o almoço. — sabe como me conquistar, hein?

— Pense nisso como um agradecimento por me deixar ficar aqui.

Nami e Luffy estavam brigados, e Sabo estava estranhando que Luffy até agora não tivesse batido em sua porta exigindo que a namorada voltasse para casa. Quando lhe foi explicado a situação Nami praticamente implorou que ele não contasse a Luffy, mas deu um jeito de enrolá-la e não prometer nada. Luffy era seu único irmão ali, jamais poderia deixá-lo sofrendo em agonia quando poderia aplacar sua dor.

— Não venha aqui e nem tome atitudes que possa se arrepender. — disse ele ao irmão, quando acordara e ligara para ele de manhã bem cedo. — ela ainda está muito irritada com você, mesmo que eu não saiba exatamente o porquê.

Eu me meti numa furada.— respondeu o outro, com a voz cansada. — logo eu te conto, agora eu só preciso dormir, não preguei o olho a noite inteira…

O irmão desligou, e ele se perguntou se Luffy estava levando a faculdade a sério. Ele não acordaria a tempo de ir pra aula, conhecia bem o irmão. Tinha que começar a levar os estudos a sério, uma vez que ele teria que tomar o lugar do pai um dia nos negócios da família.

— Isso está muito bom. — elogiou ele, comendo o strogonoff com vontade. Nami se tornara muito boa em fazer comidas comuns do Brasil. — não sabia que cozinhava tão bem.

— Eu nunca fui muito boa, mas depois que fui morar com o Luffy tive que aprender. — respondeu indiferente, mas, logo depois, adquiriu uma expressão de tristeza. Devia estar chateada com Luffy, mas suspeitou que também fosse uma pitada de saudade.

— Você deveria voltar para ele. — sugeriu sem rodeios. — eu acredito que tudo isso não passe de um mal entendido.

Nami negou com a cabeça, ficando de mau humor.

— Como irmão dele, você é suspeito pra falar, Sabo.

— Ouviria então se fosse outra pessoa? Sabe que qualquer um diria a mesma coisa. Durante toda a minha vida achei que Luffy fosse assexual, e foi uma surpresa quando ele começou a namorar com você. Agora traição? Isso é bem improvável. Ele não tem olhos para ninguém além de você.

Nami abriu a boca para responder, mas se pegou sem palavras para retrucar. Sua sorte fora que o interfone tocara, e se levantou de prontidão para atender, livrando-a daquela conversa.

— Chegou uma encomenda. — ela gritou da sala. — vou mandar subir!

Mas sabia que aquele assunto não poderia ser evitado por muito tempo.

(…)

— ...e então, quando eu me virei de costas para ele na mesa, acreditam que ele já estava cantando outra cliente?! Vocês acreditam, meninas?! Ai, aquele cafajeste!

Como era de cotidiano, Koala, Robin e Vivi almoçavam juntas no refeitório da universidade, ouvindo as comuns reclamações de Pudding sobre mais uma das investidas de Vinsmoke Sanji cortejando outras moças.

As meninas murmuraram as respostas de apoio de sempre, quando Vivi perguntou:

— Por que será que a Nami não veio hoje?

— Ela não costuma faltar. — observou Robin. — isso é bem estranho.

— Ontem recebi uma mensagem dela dizendo que estava um pouco resfriada. — Koala se adiantou em responder, e talvez fora até um pouco brusca demais, pois todas olharam para ela de supetão. — e… Por isso não viria.

— Que estranho. — Pudding franziu a testa, checando algo no celular. — normalmente quando é o caso ela manda mensagem no grupo.

Grupo? Que grupo? Sentiu vontade de perguntar do que se tratava, e por alguns segundos se sentiu excluída. Elas tinham um grupo no LINE sem ela, então. Faria até sentido, refletiu. Estava ali entre elas há pouquíssimo tempo, era provável que ainda não fizesse oficialmente parte do grupo.

— Me dá o seu ID, Koala. — Pudding se virou para ela, que estava ao seu lado na mesa. — temos que te adicionar no grupo.

Com uma felicidade inexplicável, Koala entregou o celular para a nova amiga, para que ela realizasse o que ela nomeou em sua mente de “o ritual da amizade”. Reparou que Robin olhava muito atentamente para as duas, sentada do outro lado da mesa, com Vivi ao seu lado.

— Já perceberam como vocês duas são parecidas? — comentou a Nico, inclinando um pouco a cabeça para focalizar melhor.

— Santo Deus, é verdade. — Vivi encarou-as levemente espantada. — a cor do cabelo é idêntica. A cor dos olhos é diferente, mas o formato redondo é parecido. Até algumas linhas do rosto…

Ambas se encaram, analisando uma a outra, depois começaram a rir.

— Ah, sim, somos irmãs separadas na maternidade! — caçoou Pudding, voltando a se concentrar no smartphone.

— Não somos tão parecidas assim. — concordou Koala, espantando a ideia. — é mera coincidência.

Vivi pareceu se convencer daquilo, mas Robin não, uma vez que continuou a analisar as duas com extrema atenção. Ia comentar que era para deixar aquilo para lá e começaria outro assunto, quando uma voz alterada e murmurinhos surgiram no local. Elas olharam na direção das vozes, e viu que se tratava de um rapaz loiro, alto, e uma mulher bem alta. Ela tinha longos cabelos negros, pele branca como a neve e olhava o outro com o queixo bem erguido, com um ar superior.

Não conseguiu escutar direito, pois a essa altura todos já começavam a falar entre si o que aconteciam, mas aparentemente o rapaz estava elogiando a aparência da mulher, e ela, por sua vez, dera-lhe um fora ali mesmo, enxotando–o como um inseto. Aquilo incomodou Koala, que não gostou da posta dela.

— Que rude. — murmurou para si, retorcendo o rosto para ela.

Logo depois a morena saiu andando e todos voltaram a comer normalmente, como se nada tivesse acontecido. Ainda irritada pelo rapaz, voltou a se concentrar em comer.

— Olá, musas da minha vida!

Quase deu um pulo na mesa ao ver o loiro ali, ao seu lado, sorrindo para elas com corações nos olhos. Ele não estava há uns bons metros dali a segundos atrás?

— É bom vê-lo, Sanji.

Robin sorriu calmamente, estendendo a mão para o lugar vago ao seu lado. Ele se sentou, olhando abobado para todas, até que pendeu o olhar nela.

— Essa é Fisher Koala, nossa nova amiga. — Vivi apresentou-a, antes que ele perguntasse.

— Ah, mas que lindeza! Formosa e perfeita, mademoiselle. Koala-chan, hein? Que nome curioso. — ele pegou a mão dela e beijou, como se ela fosse uma princesa ou uma verdadeira dama.

Algo nele lhe era familiar. Olhou bem para seu rosto. Via apenas um olho, o esquerdo, já que o outro era coberto por uma franja longa. Tinha pelos escuros no queixo e uma sobrancelha enrolada que não lhe era estranha.

— Me chamo Vinsmoke Sanji, é um prazer. — disse ele, após seus lábios se separarem de sua mão.

— Sanji… — repetiu, percebendo que se tratava do irmão de Reiju-sensei. Eles eram muito parecidos. Se ele tivesse cabelo rosa, poderia confundir os dois. — é um prazer.

— O que foi aquilo, Sanji-san? Por que estava falando com Boa Hancock? — Vivi perguntou, intrigada.

— Nada com o que precise se preocupar, minha querida. Eu apenas queria conversar com ela em outro momento, mas isso me foi negado gentilmente. — ele não falava em tom de ironia nem deboche. Ele havia realmente considerado aquilo gentil, pelo jeito.

Uma conversa se estendeu por mais algum tempo, com Sanji contando sobre a viagem e, vez ou outra, elogiando as meninas e até a própria Koala. Sentiu-se lisonjeada, até porque, além dele, nenhum outro homem a achou tão atraente, mas estava claro que ela não era especial, afinal ele fazia o mesmo com as outras meninas. Mesmo um pouco paquerador, Koala gostou dele. Ele deixava a conversa leve e divertida, sem desrespeitar nenhuma das amigas, e parecia verdadeiramente interessado no que Koala dizia, sobre sua mudança para Tóquio e a casa que deixara para trás.

— Pudding-chan? Por que está tão quieta? — ele perguntou repentinamente, olhando preocupado para a menina de maria-chiquinha.

Pudding estava de cabeça baixa, com a franja cobrindo os olhos. Koala, que estava ao seu lado, foi a única que reparou que ela mantinha as mão juntas ao colo, apertando-as com força.

Ela estava triste por ver Sanji com outra garota. Até ali, ficara em dúvida sobre os sentimentos dela serem legítimos ou não, pois a personalidade de Pudding a fazia crer que apenas sentia ciúmes por não gostar que um admirador admirasse outras moças.

Pensou em dizer alguma coisa, uma palavra encorajadora ou algo que a fizesse se sentir melhor, seja o que fosse. Mas não conseguiu pensar em nada, infelizmente. Pelo resto do intervalo, a garota, que era sempre tão falante, não abriu mais a boca.

(…)

— E aí… E aí… Eu usei vemerlho!

Dizia Blaze, caminhando animado com Koala. Segurava a mão da babá bem comportado, agitando uma espada de papelão que fizera naquele mesmo dia. Ela sorriu, mostrando um genuíno interesse nas cores utilizadas pelo pequeno para pintar o céu.

— Vermelho no céu? Que original. — declarou. — tenho certeza de que se destacou das outras crianças.

— Momo-chan disse azul, e eu disse vemerlho pro céu, mas Sensei disse: não, não, não! Biga não!

Ela riu vendo o menino imitar os gestos de Reiju com o dedo indicador.

— Está certo, não pode brigar com seus amiguinhos. Ficou tudo bem, então?

— Sim. Ele me deu bobom da irmã dele. Eu comi. Mas é mais melhor o bigadeiro.

Não fazia ideia do que era “bigadeiro”, então apenas olhou confusa para o menino. Notou que o cabelo dele estava muito grande, precisava de um corte. Sabo muito provavelmente iria querer levá-lo ao salão, mas não via necessidade, sempre cortara o cabelo de seus irmãos e nunca ouvira reclamações de seus pequenos clientes insatisfeitos.

Uma vez seu irmão Shin fora visitar um amigo, e, coincidentemente, a mãe do menino era cabeleireira, e perguntou se Shin gostaria de cortar com ela, já que o salão estava vazio. Sem se importar, ele aceitou, mas chegou em casa frustrado, choramingando que a mulher cortava muito esquisito, e que a onee-chan era muito melhor. Koala até acertou o cabelo mais tarde, mas ficara mais curto que o de costume.

— Olha, mamãe! — Blaze soltou da mão dela, correndo na frente. Ele parou em frente a um carro preto, parado perto da calçada. — oi!

Sentindo as pernas tremerem de medo, Koala andou apressada até o carro quando a porta se abriu, temendo algum maluco ou pedófilo tendo seu bebê como alvo. Seu coração se acalmou quando percebeu que era apenas Luffy, sentando no banco do motorista com um ar cansado.

— Eai, carinha. — ele pegou Blaze e o sentou em seu colo.

Koala se aproximou da porta do carro aberta, se abaixando para olhar o rosto dele.

— Luffy-kun, o que faz aqui parado?

— Eu tava só… Rodando com o carro. — deu de ombros. — vocês estão indo pra casa?

— Sim, Sabo não foi à aula hoje, então estamos voltando a pé mesmo.

— Entra aí, eu levo vocês.

— Não precisa se incomodar, eu…

Ele recusou a recusa negando com a cabeça, e passando Blaze para o banco do passageiro.

— Não vou deixar você e meu sobrinho batendo perna até lá quando posso levá-los, e também, o Blaze vai ficar cansado.

Como percebeu que ele tinha razão, resolveu aceitar a carona. Mas diferente do usual, Luffy estava mais quieto e distante, verdadeiramente triste. Debaixo de seus olhos haviam manchas escuras, que indicavam que ele dormira pouco. Pensou em questioná-lo sobre aquilo, mas se deteve no último segundo. Talvez fosse melhor não se intrometer em suas questões pessoais.

— Obrigada por nos trazer até aqui. — agradeceu ao descer do carro.

— Não foi nada, relaxa.

O moreno deu um breve sorriso, olhando na direção do edifício. Por um momento, temeu que ele resolvesse subir. Se sentiria extremamente culpada se ele descobrisse Nami no apartamento de seu patrão, pois de certa forma seria dela a culpa dele estar ali. No entanto, ao mesmo tempo, a culpa já a abatia. Luffy estava daquela forma porque não conseguia estar com Nami, e ela, que sabia do paradeiro de sua namorada, nada fazia para melhorar seu estado. Por fim, ele acenou com a cabeça e subiu o vidro do carro, indo embora.

(…)

Quando abriu a porta de entrada e foi para a sala, Koala não esperava entrar Sabo daquela maneira. Ele estava de banho tomado, com o cabelo loiro penteado para trás. Também abandonou o pijama e vestia roupas mais casuais, com as mangas longas da camisa dobradas no antebraço. Em seu rosto estava um sorriso largo, com os olhos vibrando de ansiedade.

— Finalmente vocês chegaram! — ele foi até ela, tirando de suas mãos a bolsa de Blaze. — vem cá, eu tenho uma surpresa pra você.

— Pra mim? — ela estranhou, curiosa.

— Esse aí tá impaciente desde cedo, ansioso pra você chegar. — Nami comentou, pegando Blaze no colo.

— Anda, vem comigo.

Sabo pegou a mão dela, guiando-a até seu destino. Notou que ele levava-a até seu quarto.

— Espero que goste. — disse ele, antes de abrir a porta.

Tudo no quarto estava normal, exceto pelo canto vazio ao lado da porta, que agora era lugar de uma linda escrivaninha , que permanecia encostada na parede. Tocou-a maravilhada. Ela era branquinha, com uma pequena prateleira, além de quatro gavetas médias na direita, para que pudesse colocar seus pertences. E o que dizer da cadeira? Ela era da mesma cor que a escrivaninha, porém com as bases metálicas e acolchoada com almofadas de um tom rosê e pequenos detalhes dourados nas extremidades.

— E então? Gostou?

— Se eu gostei? — ela mal podia acreditar. — eu amei! Ela é muito linda! — passou os dedos por cima dela, sentindo a textura. Há muito tempo não ganhava nada tão novinho.

De repente se sentiu culpada.

— É linda, mas… — suspirou. — não é certo que fique comprando presentes pra mim, Sabo-kun. Eu sou só uma babá.

— O que? Não. — ele chegou mais perto dela, juntando as mãos dela e pondo as dele em volta. — você não é só a babá, Koala. Você é minha amiga, também, assim como também, ahn…

Sabo hesitou por um instante, pensando em todos os amigos de Luffy que conhecera até então. Seriam eles seus amigos também? Não sabia a resposta, até porque, até ali se considerara uma pessoa sem amigos, mas muitos de seus pensamentos começaram a mudar depois de conhecer Koala.

Isso era desconcertante, percebeu.

— Muito obrigada. — ela sorriu, livrando-o de ter que continuar o que dizia. — vou usá-la com muito cuidado. Você é uma pessoa incrível, Sabo-kun. Blaze tem muita sorte em tê-lo como tio.

Ele sorriu, sentindo-se como uma espécie de herói, e gostando daquilo. Koala estava feliz, de verdade, e ele tinha deixado-a assim. Poderia ser um pensamento egoísta, mas queria ser ele a pessoa a agradá-la de todas as formas.

Se inclinou na direção dela, roubando-lhe um beijo, rápido e breve. Ela arregalou os olhos, surpresa, e retirou as próprias mãos das dele. Isso era ruim. Tinha que ficar longe dele, acabar com essa história de beijos e amassos, mas era difícil pensar quando seu patrão estava por perto, com todo aquele charme masculino e aquele cabelo loiro encantador.

— E-Eu vou preparar o banho do Blaze.

Fugiu da sala como um rato, sentido-se uma covarde, e deixou ele lá, confuso, sozinho em seu próprio quarto.

(…)

Koala já estava colocando Blaze parar dormir quando ouviu sons de vozes na sala de estar. Estava intrigada sobre o que era, e aparentemente não apenas ela, pois o rosadinho também se levantou num pulo, descendo da cama de Sabo e ficando na ponta dos pés para puxar a maçaneta.

— Blaze, é hora de dormir. — advertiu a babá.

— Mas tem visita! — alegou ele. — quero dizer oi!

Suspirou, abrindo a porta e perguntando-se quem poderia ser aquela hora. Que, na verdade, nem era tão tarde, mas também não era um horário apropriado para receber visitas.

— E-Eu não aguento mais!

Ela ouviu uma voz que logo reconheceu como a de Luffy. Ao finalmente chegar ao fim do corredor, viu que o próprio estava na porta com uma aparência derrotada, pior do que mais cedo. Os cabelos pretos e espetados dele pareciam sem vida, os olhos não refletiam mais felicidade e debaixo deles estava escuro.

Ele estava parado na frente da porta, olhando desesperado para Nami, que permanecia em sua frente. Sabo não estava em lugar nenhum, onde ele havia se metido?

— Nami, você precisa acreditar em mim, eu não te traí. — ele continuou falando, com tanta dor nas palavras que a própria Koala ficou com pena. Pegou Blaze no colo para impedi-lo de ficar entre eles.

— Luffy, vai embora, por favor. — a ruiva respondeu, olhando para o chão para evitá-lo.

— Não, não, não, por favor, eu não consigo viver sem você. — ele parecia desesperado ao ponto de chorar.

— Eu sei muito bem o que vi! Não tente me fazer de boba. Quer dizer que aquelas mensagens eram o que? Da sua mãe, que Deus a tenha? — cheia de amargura, Nami finalmente o olhou nos olhos. — muito bem então, Luffy, se você honra o nosso relacionamento, me diga então: o que era aquilo? O que eram aquelas mensagens? Por que você se recusa a falar?

O Monkey cerrou os punhos, parecendo se aguentar ao máximo. Ele olhou para Nami, e relaxou os ombros, dando um largo suspiro, que suspeitou que fosse para acalmar seus próprios ânimos. Pôs as mãos nos braços de Nami – não com força, apenas o suficiente para mantê-la perto dele. — e disse em voz baixa:

— Eu estava fingindo corresponder aos sentimentos da Hanmock, porque só assim ela concordou em falar com o tio dela, que é um dos melhores detetives de todo o mundo. Eu não queria ter que fazer isso… — ele balançava a cabeça. — ...mas foi o único jeito. Contratamos tantos detetives, mas ninguém nunca conseguiu muita coisa, e temos grandes expectativas com esse.

Ele fez uma pausa na fala, apenas para engolir seco.

— Eu não podia dizer nada porque eu não queria que você soubesse e sofresse com isso. Sei que não gosta dela, e… Bem, eu não te culpo por isso. Mas eu precisei fazer isso, pelo Ace, porque eu… Eu…

Luffy piscou, confuso com as próprias palavras, mas não foi preciso que ele continuasse, pois Nami colocou a mão em seu rosto. De longe Koala pôde ver o olho dela marejado.

— Tudo bem, me desculpe. — ela sorriu. — eu entendo. Eu sou ciumenta e muito bruta, você nunca poderia dizer algo assim pra mim.

— Não é isso! — ele pôs as duas mãos no rosto dela, olhando-a fixamente. — Nami, eu te amo do jeito que você é! Não mudaria nada em você, nada. — pôs a testa na dela, fechando os olhos. — eu não digo isso com frequência, eu sei… Mas eu te amo. Demais.

Eles se abraçaram, e Koala se sentiu culpada de estar ali, naquele momento tão íntimo de reconciliação, mesmo que estivessem na sala de estar. Nenhum dos dois a tinha visto, então poderia sair de fininho com Blaze no colo sem que percebessem.

— Volta pra casa comigo? — Luffy perguntou assim que ela se virara sorrateiramente para sair dali.

Nami sorriu e limpou a lágrima, ela abriu a boca para responder, quando alguém a interrompeu, com a voz em alto e bom som, chamando a atenção de todos para si:

— Mamãe, quem é Ace?

E, para sua “não surpresa”, esse alguém era Blaze.