Baby Care
12 O que realmente importa

"Não adianta insistir, eu não vou mais comparecer a esses bailes anuais, onde todos sorriem para mim na minha frente, e falam mal de mim pelas costas. Basta de humilhação. O que mais quero, assim como eles, é que Luffy assuma os negócios da família, para que eu não tenha mais nada a ver com os D. Sinto muito, Ace, mas terá que se contentar com o fato de que nunca mais irei. Nunca”
— carta de Sabo para Ace, quando tinham 16 anos
Sabo estranhou as vozes vindo da sala àquela hora da noite e saiu do banheiro para ver o que acontecia. Até mesmo esqueceu que estava com a escova de dentes na mão, tamanha foi sua curiosidade. Pensou ter ouvido a voz de Luffy, mas não era possível, seu irmão não apareceria ali aquela hora do nada.
— Mamãe, quem é Ace?
Olhou para Blaze, surpreso. Ele e Koala estavam de costas, tendo em vista que vinha do corredor. Blaze não sabia quem era Ace? Mas como? Ele falava sobre ele, não? Ou não falava? Para dizer a verdade, não se lembrava da última vez que conversara com Ace sobre seu verdadeiro pai. As últimas semanas haviam sido tão cheias desde que contratara Koala que de repente parou de pensar que o irmão é quem deveria estar cuidando do próprio filho.
— Blaze? Por que está dizendo isso? — chamou atenção ao falar, e todos se viraram para olhá-lo. Viu que Luffy realmente estava na porta, junto de Nami. — o que faz aí de porta aberta? Entre.
— Não, Sabo. — Luffy sorriu. Ele parecia estar cansado. — vou voltar pra casa. A Nami vem comigo.
— Vocês se acertaram? — olhou para um e para o outro, ambos assentiram. — que bom então.
Koala estava com Blaze no colo, observando toda aquela situação de longe. Pegou a mão dela carinhosamente.
— Vamos colocar o Blaze para dormir, já está tarde.
— Ah, sim, claro. — ela sorriu, retirando a mão e seguindo de volta para o corredor, antes dizendo: — me mande uma mensagem quando chegarem, Nami-san!
A sensação quando a babá se esquivava dele era muito ruim, de uma forma que era difícil de explicar. Era parecido como quando tinha cinco anos e, certa vez, seus progenitores convidaram uma família abastada para o jantar. Ficou em êxtase quando descobriu que eles levariam uma criança de sua idade, então arrumou todo o seu quarto e pegou seu único brinquedo: um cavalinho de porcelana que, na verdade, nem era brinquedo, e sim um item de decoração. A criança dos convidados era uma menina que, ao ver seu brinquedo sem graça, esnobou-o quando ofereceu o cavalo para que ela brincasse.
Era verdade que coisas muito piores aconteceram em sua vida, mas esse episódio marcou-lhe muito pelo simples fato de que amava aquele cavalo. Quando seus pais biológicos descobriram o objeto escondido, tomou uma surra tão grande que demorou anos até que tivesse coragem e tocar algo feito de porcelana de novo.
Mas seria assim com Koala também? Ela não gostava dele? Provavelmente não, pois se gostasse, não negaria quando ele tentava ser amável com ela. Antes, quando a beijava de repente, ela respondia com tanto ardor e agora… Sentia-a ficar mais distante, como se um muro começasse a se formar entre os dois.
— Vou colocá-lo para dormir, vou tentar não demorar. — ela disse antes de fechar a porta do quarto, antes que ele pudesse responder qualquer coisa.
Era confuso, refletiu, olhando-se no espelho. Será que ele era feio? Óbvio que sim, detestava sua aparência. Seus olhos eram grandes demais, a boca larga demais e, principalmente, havia essa maldita cicatriz em seu rosto, que causara-lhe marcas eternas no corpo e em sua alma. Somente deixara o cabelo crescer na expectativa de disfarçar a cicatriz, e a utilização de óculos sem grau ajudara um pouco, mas se sentia uma criatura feia e chamativa.
Talvez estivesse na hora de cortar o cabelo. Ele já tocava os ombros, começava a se sentir um viking. E, aliás, talvez fosse melhor mesmo. O baile de primavera seria em poucos dias e não seria bem quisto apresentar-se sem boa aparência.
(…)
— Vem cá, gata! Deixa a gente ver como você ficou.
— Nami-san, eu não acho que isso seja…
— Vem, Koala-san! Tenho certeza de que ficou muito bonita.
Koala deu-se por vencida, saiu do provador.
Quando Nami ligara dizendo que precisava muito da presença dela para um banho de loja Koala negou firmemente. Como poderia ir ao shopping? Tinha que cuidar de Blaze e a casa começava a ficar uma bagunça de novo. Porém, como ironia do destino, Sabo declarara na mesma hora que precisava levar o rosadinho ao shopping e que Koala deveria ir junto. Parecia até um complô entre eles para arrastá-la para o centro de compras.
Ainda assim, Koala não gastaria com nada. Quase todo o seu salário era enviado para casa, e não sobrava quase nada para si. Roupas não estavam em sua lista de prioridades.
— Vou procurar um smoking pro Blaze. — disse Sabo, pegando o menino no colo.
Ele usava óculos, como sempre, mas aquele dia usava um pequeno rabo de cavalo, o que a fazia lembrar vagamenteos deuses nórdicos. Sentiu vontade de comentar aquilo com ele, para fazer uma piada amigável, mas repensou, considerando que era mais importante manter uma imagem profissional, então ficou quieta e assentiu.
— A Koala vem com a gente, então! — Nami declarou, arrastando-a para longe junto de Vivi.
Fora assim que Koala acabara parando ali, numa loja de vestidos de gala com duas de suas melhores amigas.
— Dá uma voltinha pra gente! — pediu Nami, sentada no pequeno sofá ao lado de Vivi.
— Esse é muito bonito. — opinou Vivi, se servindo de um sanduichinho.
Era realmente um vestido bonito. Era longo, de cor verde-escuro, mas…
— Ele tem um rasgo aqui. — observou, levemente incomodada. — mostra minha perna se eu andar.
— É um vestido com fenda, é assim mesmo. — Nami explicou indo até ela, e ficando ao seu lado no espelho. — o meu é desse tipo também.
— O seu?
— Sim, acabei de comprar um. — apontou para a sacola que, até então, nem reparara. — vou ficar maravilhosa nele.
— Tenho certeza que sim. — sorriu para ela. — mas não adianta me fazer provar, eu nunca…
— Aqui está, achei um perfeito! — a vendedora de cabelos loiros, que se apresentou como Mikita, apareceu com uma caixa toda decorada. — estava lá dentro, assim que a vi pensei nele.
— Ótimo, prove então, Koala-san! — Vivi estimulou com seu jeito doce de sempre.
Já Nami praticamente jogou-a de volta no provador junto com a caixa.
— Érr… Meninas? — chamou uns minutos depois.
— O que foi?
— Preciso de uma ajudinha aqui.
— Oh, que cabeça a minha, esqueci que ele é difícil de vestir sozinha. — Mikita foi até ela. — vou te ajudar, querida.
Ao sair do provador e se olhar no espelho, Koala ficou sem fôlego. Era somente o segundo vestido que ela provava, mas aquele era simplesmente perfeito. Ele mostrava bastante os braços e ombros, contornava suas curvas da cintura e era solto embaixo, cheio de rendas. Era de tom creme, envolto em várias lantejoulas que se concentravam mais na parte do singelo decote e iam diminuindo enquanto chegavam nas saias.
— Que Ar-raso! Meu Deus. — Nami correu até ela, novamente. Alisou o vestido para que ficasse em sua melhor forma. — é esse! Achamos o vestido perfeito.
— É uma peça única, coube perfeitamente nela. — elogiou a atendente.
— Não apenas coube, parece até que foi feito pra ela. — Vivi piscava, desacreditada. — é ele que vamos levar, não é? Não me digam que não é.
— Não, não, não vou levar nada. Ele deve ser muito caro. — atalhou Koala. — desculpem, meninas, mas eu não posso.
— Ah, pode sim. — declarou Nami, remexendo a bolsa. Tirou de dentro dela uma carteira recheada de cartões, até que entregou um para Mikita. — pode passar no débito.
— Nami-san, não precisa fazer isso. — implorou. — ele deve ser muito caro, não é certo da minha parte aceitar algo tão caro.
— Opa, já foi, a atendente já passou na maquininha. — a ruiva sorriu travessa. — relaxa, amiga, é como um agradecimento por tudo o que fez por mim. E, aliás, sabe que vai precisar dele, não é? Acho que você não tem um vestido de gala no armário do quarto.
Iria precisar dele? Mas onde? Vivi e Nami reconheceram rapidamente a confusão dela, já que a ruiva explicou:
— O baile de primavera do clã D. Vai ser daqui a alguns dias, Sabo não te contou?
Não contou, mas aquilo não deveria ser surpresa para ela. Ele era seu patrão, podia ir a quantos eventos quisesse que não precisaria lhe prestar contas. Aliás, o que aquilo tinha a ver com ela? Era um evento da família dele, não tinha nada a ver com a babá.
— Não, ele… Não me disse, não. — pigarreou, disfarçando a tristeza repentina. — mas onde quer chegar?
— Ora, Koala, é óbvio. — riu ela. — você também vai!
(…)
— Impossível, impossível, impossível, impossível!
Um tempo depois de Vivi e Nami se separarem dela, Sabo encontrou-se com Koala para que almoçassem ali mesmo. Estava com fome depois da aventura com as amigas, mas a conversa sobre o grande baile já a deixava com um embrulho no estômago.
— Eu não posso ir em um evento assim. — insistiu ela, com a voz desesperada. — vai ter tanta gente rica, poderosa, e eu vou ser só…
— A babá? — completou ele. Ela assentiu. — Koala, não se importe com isso. Você é minha amiga, antes de tudo. — ele levou a colher com comida à boca de Blaze. — muitos de nossos conhecidos vão, sabe? Nami, Vivi, Luffy, Zoro…
— Eu sei, Nami me contou. — suspirou. Pegou um lenço para limpar o queixo do pequeno. — mas eu me sentiria muito pequena perto de pessoas assim tão chiques.
— Mas preciso muito que você vá. — insistiu veemente. — sou obrigado a ir esse ano, e tenho que levar Blaze comigo. Seria muito difícil cuidar dele sozinho, ainda por cima de noite.
Blaze tinha um sono muito regrado. Dormia cedo e acordava bem cedo, e quando estava sonolento e era impedido de dormir, ficava extremamente chato. Várias vezes Sabo se perguntara porquê bebês eram assim. Se estava com sono, por que não simplesmente deitar e dormir? Era um mistério.
Voltou seus pensamentos à Koala. Era verdade que seu sobrinho dava trabalho, mas esse não era o único motivo de querer que ela fosse. Queria que se divertissem juntos um pouco. Ela estava tão estranha com ele desde a última vez que se beijaram que quase se arrependeu do acontecido. Tinha sido muito excitante, e se pegava às vezes à noite com as partes baixas acesas só de lembrar, mas…
Se fosse parar ser daquela forma, talvez fosse melhor nem ter acontecido.
— Bem, se for para ajudar com Blaze… — ela hesitou. — eu aceito.
Sorriu, comemorando mentalmente. Aqueles bailes eram um saco, mas quem sabe aquele ano não poderia ser mais legal?
(…)
— Como Blaze está fofo! — exclamou Koala, após terminar de arrumar o pequeno.
Blaze usava blusa social clara, uma gravata e coletes e calças no mesmo tom de cinza quase escuro. Ele sorriu para a babá, feliz por ser elogiado, e rodopiou no meio da sala de estar.
— Eu fofo, mamãe? — perguntou ele.
— Sim, você está. — ela o pegou no colo, dando uns beijinhos em seu rosto. Isso o feliz gargalhar. — e esse cabelo ficou ótimo também, muito lindo assim, mais curtinho.
Blaze se distraiu olhando para outro canto da sala de TV, e pediu para descer. Quando Koala o pôs de volta no chão, ele correu até o hack, que ficava debaixo da TV, e puxou uma gaveta cheia de dvd’s.
— Mamãe, eu quero o Frozen! — ele pediu, remexendo os dvds com suas mãozinhas. — pega aqui, pega!
— Frozen? Nossa, quantos dvds. — admirou-se, sentando no chão ao lado dele.
Ela passou o dedo pelos títulos escritos na lombada das caixas dos dvd’s. A maioria era de filmes infantis da Disney, cujos personagens param para cantar e dançar no meio da história. Sua irmã Nina era muito fã desse tipo de filme.
Algo chamou sua atenção. Uma das caixas não tinha nada escrito na lombada, e quando puxou, viu que era um dvd simples, apenas com um cd dentro, parecido com aqueles cd’s virgens muito comuns da época em que era bem pequena, quando as pessoas se presenteavam com eles. Abriu, percebendo que tinha um título escrito com caneta preta.
“Apresentação Ace 1º período”.
Apresentação Ace? Que tipo de apresentação? A curiosidade falou mais alto, e ela pôs o cd dentro do aparelho.
— Mamãe, isso não Frozen! — o menino contestou.
— Aqui, veja no meu celular. — ela digitou rapidamente “frozen” no youtube e deu a Blaze, que se satisfez com aquilo mesmo, jogando-se no sofá.
Ainda sentada no chão, ela manteve o olhar vidrado na TV. Os primeiros segundos eram apenas aqueles “piii” com linhas coloridas e, depois disso, apenas sons abafados de alguém tocando no microfone da câmera e gravando o chão.
— Acho que funcionou!— disse uma voz que certamente era de Luffy. Ele estava gravando chão, e levantou de repente, colocando a filmadora bem perto da cara de Sabo.
— Luffy, perto demais! - reclamou ele. Não dava para ver direito seu rosto, desfocado. — vai mais para trás.
Luffy obedeceu, e a câmera finalmente focou nele. Ele estava um pouco mais baixo, aparentemente, mas nada demais. Usava uma touca e jaqueta pretas, além de calça jeans. Seu cabelo loiro estava um pouco mais curto, mas também poderia ser apenas impressão sua, pois apenas algumas mechas escapavam a touca. Ele esfregou as mãos se estivesse com frio, e pelo ambiente, parecia inverno.
— Já vai começar, né?— Luffy virou a câmera para outro lado, mostrando um palco ao ar livre montando. Uma banda preparava os instrumentos, e várias pessoas estavam em volta aguardando. - ooi, galerinha!— ele virou a câmera para si brevemente, fazendo careta. O rapaz não tinha mudado nada.
Luffy falou algo em português para Sabo, que respondeu com uma risada. Ela riu também, contagiada pela felicidade dele, e desejou ter entendido.
Enfim uma figura subiu ao palco, gerando gritos da plateia. A câmera aproximou, focando no rapaz que colocava a guitarra e ajustava o tripé. Ela o conhecia: era Ace. Já o vira antes por foto. Ali ele tinha um visual bem roqueiro, com roupas pretas e calça jeans rasgada. Os ombros membros da banda seguiam o mesmo estilo.
Ele nada disse, apenas começou a tocar.
Tommy used to work on the docks, union's been on strike
He's down on his luck, it's tough, so tough
O inglês dele era perfeito. E… Koala conhecia aquela música. Já a ouvira em algum lugar.
Gina works the diner all day working for her man
She brings home her pay, for love, for love…
She says, we've got to hold on to what we've got
It doesn't make a difference if we make it or not
We've got each other and that's a lot for love
We'll give it a shot
A essa altura o público já ia a loucura. A música era muito contagiante, e Ace brilhava lá em cima. Quando o refrão chegou, todos gritaram bem alto, acompanhando sua voz:
Woah, we're half way there
Woah, livin' on a prayer
Take my hand, we'll make it I swear
Woah, livin' on a prayer
Ela se arrepiou. Isso era… Incrível. O pai de Blaze era incrível.
— Koala, tá escutando música? — Sabo perguntou enquanto aparecia na sala. Ele olhou para a TV, curioso sobre o que ela assistia. — ah, a apresentação do Ace.
— M-Me desculpe, Sabo-kun. — ela pegou o controle, parando o vídeo na hora. — eu não deveria ter mexido, é que o Blaze abriu procurando um filme, então eu achei por coincidência e…
— Relaxa. — o loiro sorriu, dando um tapinha de leve na cabeça dela.
Desviou o olhar para a tela, sentindo-se nostálgico. A imagem pausada tinha parado bem focada em Ace, concentrado em tocar sua guitarra. Sentia falta do irmão. Não tanto quanto nas primeiras semanas em que sumira, mas ainda lhe doía. Se ele não tivesse sumido, já teria assumido o posto como líder dos negócios da família Portgas, e não seria tão necessário que Sabo comparecesse àquela festa.
— Bem. — balançou de leve a cabeça, afastando aqueles pensamentos. O baile logo começaria e tinha que estar lá em pouco tempo, não era hora de ficar se lamentando. — vamos, então?
(…)
— Estou nervosa. — declarou Koala, após descer do carro com Nami e Pudding.
Como ficou combinado, Sabo iria para lá mais cedo com Blaze, deixando Koala no apartamento com Nami e Luffy seguiu viagem com Sabo. Como filhos de Dragon, ambos tinham que estar presentes mais cedo que os outros, antes de anoitecer. Luffy, em especial, não gostou nada disso, saindo de casa reclamando do smoking desconfortável.
As amigas a vestiram, maquiaram e ondularam seu cabelo, uma vez que não haviam muitas possibilidades de penteados para seus cabelos curtos. Quando era mais nova, seu pai mesmo que cortava assim, pois, segundo ele, era o único corte que sabia fazer. Quando se tornou uma adolescente cogitou a possibilidade de deixar crescer, mas estava sempre tão ocupada com os irmãos pequenos que não tinha tempo para tratar e cuidar dos cabelos, mantendo-os curtos, mesmo.
— Não sei, estou me achando um pouco estranha. — disse quando viu seu reflexo no espelho. — meu rosto não parece o meu…
— É porque você tá maquiada, é normal. — Pudding desdenhou com a mão. — você tá bem bonita, fica tranquila.
— Acho que o Sabo vai gostar. — Nami provocou, enquanto passava seu batom vermelho.
— N-Não me importa o que ele pensa. — retrucou, mas todas, até mesmo ela, sabiam que estava mentindo.
A casa – não, mansão. — era enorme e bonita, mesmo de noite. O caminho era todo iluminado no chão, no meio na entrada, havia uma fonte e vários convidados desciam de seus carros e empregados da casa assumiam o volante, para estacionar seus carros. Nami fez a mesma coisa com seu carro, dando as chaves para um empregado qualquer.
Pessoas elegantes e finas passavam por elas, e Koala começava a se sentir mais acanhada. Naquele meio, Nami e Pudding pareciam bem à vontade, como se tivessem nascido para aquilo. Notando seu nervosismo, a ruiva sorriu para ela, com um tom reconfortante:
— Eu também fiquei nervosa na primeira vez. Não nasci rica, se esqueceu?
— E como você fez para se acalmar? — perguntou.
— Simples: lembrei do porquê estou aqui, e de quem me convidou. Se ele fazia questão que eu estivesse lá, era tudo o que importava. O resto – gesticulou para as pessoas em geral. — que se dane.
Riu de canto. As palavras da amiga a deixaram mais tranquila.
— Srta. Nami Okane, srta. Pudding Charlotte e srta. Koala Fisher!
Um homem as anunciou quando adentraram o salão, em alto e bom sol, assim como fazia com todos que entravam. Cochichou para Nami, perguntando o motivo dele ter trocado a ordem do nome e sobrenome, e ela lhe disse que era para simular melhor um baile aristocrático de verdade.
E era dessa forma mesmo que ela se sentia. Nas paredes haviam milhares de velas e, no teto, elegantes lustres de candelabros de cristal. Estava distraía admirando tudo como uma criança que nem reparou que tinha se separado das amigas. Onde estariam elas? Olhou em volta, não vendo nem sinal das duas.
De qualquer forma, tinha que procurar Sabo. Apesar de tudo, estava ali pelo único motivo de ajudar a cuidar de Blaze. Começou a circular sem rumo, tomando cuidado para não esbarrar em ninguém, o que era bem difícil. Apenas o objetivo de andar, em si, era trabalhoso, os saltos emprestados de Nami eram muito altos, mas fora o jeito. Os pés de Pudding eram dois números menores que os seus.
— Quem é essa aí? — ouviu uma idosa pomposa perguntar à outra. — “Fisher”, nunca ouvi falar dessa família.
— É convidada do bastardo. — um homem, que conversava com elas, respondeu.
— Aquele menino não tem vergonha? — a outra falou. — trazer uma garota qualquer para um evento desses.
— Não é uma qualquer, dizem que é empregada dele. — o homem revelou. Mesmo estando de costas para ele, sentiu que ele fazia uma expressão de novo.
— Ele trouxe uma criada?! — as chiaram. — por Deus, espero que ela crie juízo e saia logo daqui.
Cerrou os punhos, cabisbaixa. Normalmente ela não se abalaria por aquilo, mas eram palavras duras, que diziam tudo o que vinha tentando manter em seu interior. Estava cercada por eles: nobres e pessoas importantes do país, que se consideravam muito melhor do ela, uma simples menina do interior com um emprego de babá.
Abraçou de leve os próprios braços, em busca de consolo. Queria ir embora. Não era uma deles. Não era e nunca seria. Tinha que achar Nami e pedir um dinheiro emprestado para um táxi, quando chegasse em casa iria…
— Koala?
Levantou a rosto, sentindo seu mundo se iluminar. Era Sabo, bem na sua frente, com Blaze no colo, sorrindo para ela.
— Mamãe! — Blaze exclamou.
— Você… — Sabo murmurou, parecendo hipnotizado. Lentamente, os olhos deles, brilhando por conta das inúmeras luzes, percorreram o corpo todo dela, parando em seu rosto. — você está absolutamente esplêndida.
Então sentiu o que Nami a dissera, minutos atrás. Nada mais importava. Nem aquelas mulheres, nem aquele homem, e nem o fato de ser uma simples plebeia no meio daquelas pessoas. Sabo – e Blaze, lembrou com graça. — a queriam ali.
E para ela, aquilo era tudo o que importava.
— Obrigada.
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