Baby Care

13 Caramanchão


Eu te perdoo por ter me provocado, e desculpa por ter começado uma briga. É que lá é meu lugar pessoal, Ace. Não vá mais ao caramanchão. Preciso estar sozinho para escrever estas cartas, sem a presença de ninguém.”

— carta de Sabo para Ace após uma briga.

— Como aqui é bonito, não? – comentou com Sabo, ao se afastarem um pouco da multidão.

Estar nos cantos do salão encostados na parede era a melhor forma de evitar que falassem com você.

— Você acha? – ele perguntou.

— Você não?

O loiro percorreu o olhar pelo salão, com a música clássica rolando e pessoas rindo e aparentemente se divertindo. O teto era alto, os candelabros eram os mais caros que o dinheiro podia comprar, mas...

— Quando se cresce em um lugar assim, acho que paramos de reparar nos detalhes. – respondeu. – já corri tanto com Luffy e Ace nesse lugar que não é tão fabuloso assim.

— Não brinca! Quer dizer que você... – ela estava boquiaberta. – Sabo-kun, você cresceu nesta casa?

— Dos dez aos dezenove anos. Um tempo depois de entrar na universidade eu fui morar sozinho, naquele apartamento.

— Parece o lar de uma celebridade, como aquelas atrizes de hollywood. – comentou. – acho que me perderia se morasse em um lugar assim. Imagina o trabalho que deve ser pra limpar isso tudo!

Sabo riu.

— Aposto que você adoraria limpar essa casa. – depois murmurou: — maníaca por limpeza...

— Ei! Eu ouvi isso! – ela brincou, fingindo raiva. Ele riu novamente e ela deu um soquinho fraco em seu braço.

Ela estava linda. Não sabia descrever bem seu vestido, – artigos femininos nunca foram seu forte, era verdade. – mas podia dizer com toda certeza do mundo que aquele em específico estava perfeito nela, valorizando sua silhueta e seu corpo esbelto.

— Mamãe! – Blaze puxou a barra de seu vestido. – quero colo!

Koala se abaixou, e pegou o garotinho no colo. Ele logo se aninhou em seu peito, com os olhos piscando. Estava cansado, claro. Desde que começara a cuidar dele, conseguira fazê-lo se adequar aos horários de dormir e acordar perfeitamente, seguindo uma rotina regrada, e não era aquele dia que isso iria mudar.

— Vem pro papai, Blaze. A mamãe vai cansar com você no colo. – Sabo tentou pegá-lo, mas o rosado balançou a mão.

— Não, papai não. Não quero. – resmungou. – quero mamãe.

Blaze virou a cabeça pro outro lado, para ignorar Sabo.

— Tudo bem, Sabo-kun, deixa ele aqui.

— Mas você vai cansar, ainda mais usando esses saltos.

Os saltos estavam mesmo machucando, principalmente porque eram novos. Mas Koala já passara por tantas situações desse tipo, segurando seus irmãos no colo em hospitais, que aquela seria apenas mais uma de suas provações.

— Tudo bem. – garantiu a ele. – eu consigo.

Sabo iria continuar insistindo, mas os murmurinhos perto dos três tirou seu foco. Várias pessoas abriam passagem para alguém que vinha andando ritmadamente, e apostaria sua herança inteira que era um dos figurões. E estava certo, percebeu. Só não imaginou que acertaria logo no que estava no topo deles: Monkey D. Dragon.

Seu pai.

(...)

Dragon era um homem bom. Sabia disso. Era um pouco sério e severo às vezes, mas aquilo era apenas o reflexo do modo em que fora criado por vovô Garp: para ser um homem. Não podia reclamar dele, afinal, seu pai salvara sua vida. Mas ultimamente, o homem andava tão distante e concentrado no trabalho que parecia que, a família, que antes era sua prioridade, passara a ser um item no fim de sua lista, tendo todos os assuntos relacionados à empresa na primeira página.

Sabia que agora ele tinha mais responsabilidades. Ace tinha acabado de começar a trabalhar na empresa quando descobriu da gravidez da namorada, ao mesmo tempo que equilibrava isso com as responsabilidades da faculdade e do clube de música. Não sabia como o irmão tinha tempo para tudo isso em meras vinte e quatro horas, mas sempre soubera que Ace era incrível.

Todos sabiam disso. Ace era um gênio, e lideraria a família como um, era o que todos esperavam. Houveram semanas de falatório e discussão, até que ficasse decidido que Dragon herdaria o título provisoriamente. Blaze era herdeiro por direito, mas tendo apenas um ano de vida na época era impossível que fizesse qualquer coisa. Agora seu pai tinha que cuidar tanto do grupo Monkey, quanto do Portgas, e, claro, a líder: os Gol.

— É bom vê-lo, filho. – disse ele, após uma pausa. Os traços severos, o longo e espesso cabelo preto e a tatuagem no lado esquerdo de seu rosto fazia com que algumas pessoas o temessem.

— Oi, pai. – acenou com a cabeça.

O relacionamento deles não era como antes, por isso, era estranho conversar com ele. Acreditava que nada voltaria a ser como era.

— Você parece tranquilo. – disse Dragon. – sei que nunca gostou dessas festas.

Ignorou o comentário dele e olhou para o lado, percebendo que Koala sumira. Procurou em volta, e viu-a se afastando de fininho, com Blaze no colo. Foi até ela e a trouxe para perto deles, apesar de seus baixos protestos.

— Pai, essa aqui é a Koala. – apresentou orgulhoso. – ela veio como minha acompanhante, mas também é a babá do Blaze.

Koala notou que muitos cochichos ao redor começaram pois, ao que parecia, alguns convidados ainda não estavam cientes que uma mera empregada permanecia no meio deles. Esforçando-se ao máximo para ignorá-los, curvou-se de leve.

— É um prazer, me desculpe por não me curvar apropriadamente. Ele está com sono, entende?

Dragon pesou o olhar sobre Blaze, aninhado na moça. Pela primeira vez aquele dia, deu um sorriso de canto.

— Ele é igual ao pai. Ace tinha um sono muito pesado quando era moleque. – o CEO mantinha uma expressão nostálgica. – e era teimoso como uma mula.

— Então talvez sejam os genes, pois Blaze é assim também. – pensou por um instante. – mas não o tempo todo. Há momentos em que ele é um docinho.

Sabo os observou com curiosidade. Dragon estava... Gostando de Koala?

— Qual é o seu sobrenome? – o homem perguntou a ela.

— Fisher. Fisher Koala.

— Ser babá é só o que faz? Ou tem outra ocupação?

— Eu estudo literatura, também.

O homem assentiu, parecendo aprovar Koala. Curvou a cabeça, despedindo-se, mas se deteve, virando para Sabo antes de ir:

— Apareça mais em casa. – pediu, não esperando para ouvir a resposta.

(...)

Pudding degustava o sabor açucarado com um toque leve de baunilha do recheio do éclair. Era bom provar um doce feito por outras pessoas, para variar, principalmente em um evento tão pomposo daqueles, onde apenas os melhores chefes franceses preparavam a as refeições.

Estava na companhia de Vivi até que o namorado dela, Kohza, finalmente deu o ar da graça. Com seu jeito meigo de sempre, a amiga tinha demonstrado o descontentamento com rapaz por ter demorado tanto. Admirava muito os dois, e em sua mente, sempre os comparara com a velha história da dama e o vagabundo, ainda que Kohza não fosse um, de fato. Na verdade, ele era um rapaz muito humilde e trabalhador, diferentemente de Vivi, que era uma menina que sempre tivera tudo do bom e do melhor.

Seria hipocrisia de sua parte julgá-la por isso, afinal, ela mesma nascera em berço de ouro. Mas Vivi exalava a alma de uma donzela, coisa que nunca conseguira. E seu namorado, por outro lado, era um sujeito muito simples, que não se importava com dinheiro.

— Aposto que só esse doce aí – disse ele para Pudding – já custou mais do que a minha casa.

— Nenhuma casa vale tão pouco assim. – opinou Vivi. – pare de ficar diminuindo o valor de suas coisas.

— Ora, e o que a senhorita fará se eu não obedecer? – ele virou-se para a companheira, com um sorriso zombeteiro. – mandará os guardas me prenderem, ojou-sama?

— Até que não é uma má ideia. – ela sorriu.

Gostava de doces, mas só de ver aqueles dois contraíra diabetes de tanta melosidade. Escolhera ficar na companhia de Vivi para não segurar vela para Robin e o namorado, mas, no fim, dera no mesmo. Aliás, se pudesse voltar no tempo, escolheria o outro casal. Zoro e Robin se gostavam, mas não faziam questão de demonstrar isso publicamente. Jamais os vira sequer de mãos dadas juntos, mas já os pegara, por acidente, aos beijos entre as estantes de livros da biblioteca da universidade.

— Eu vou... – ia inventar uma desculpa para se afastar dos amigos, mas nem precisou. Os dois estavam tão absortos em seu próprio mundo que nem a notaram. Deu de ombros, caminhando sem rumo.

Cumprimentou alguns conhecidos pelo caminho. Shirahoshi-san, a filha do primeiro-ministro... A idol lolita-gótica, Perona-san... Até seu cunhado, Capone Bege, estava lá. O que ele fazia ali? Santo Deus, o homem era um mafioso! Assentiu com a cabeça para ele, com educação, não parando de andar.

— Pudding-chan! – ouviu uma voz atrás de si, e virou-se imediatamente. – como você está linda! Oh, meu coração parece que vai explodir apenas por vê-la.

Era Sanji, claro, lindo e elegante como sempre.

— Como você é exagerado, Sanji. – o amigo ao lado dele, Usopp, criticou. – olá, tudo bem? Você viu o Luffy por aí?

Chopper, que também estava com eles, sorriu e acenou para Pudding.

— Eu estava procurando por ele e Nami. – tentou se concentrar em Usopp e sua face nada bonita. Olhar para o loiro a deixava inquieta e desconcertada. – acredito que os dois estejam juntos.

— Ah, pode apostar que estão. Desde que o namoro deles voltou, não se desgrudam mais. O único convite que o Luffy aceitou nos últimos tempos foi ir a uma churrascaria, e só porque tinha carne, não foi nem pelo prazer de sair com os amigos. – Usopp tagarelava. – quando eu tiver uma namorada, nunca que vou trocar meus amigos por ela. É uma questão de princípios!

— Até parece, só diz isso porque não tem coragem de se declarar pra Kaya! – Chopper disparou, fazendo a cor do rosto do rapaz sumir.

Espera, Kaya? A aluna novata de medicina?

— Shhh! Shhh! – Usopp censurou o amigo. – olha, éér... Não liga pro Chopper, não! Ele é doido das ideias, sabe? Tem uma doença chamada invento-mentiras, tem até remédio, mas é bem difícil de conseguir, entende? É feita do néctar da rosa-palmeira...

O narigudo continuou a falar, mas não prestava atenção. Toda sua concentração estava ao redor, procurando por Sanji com os olhos. Ele estava ali há um segundo. Quando finalmente o encontrou, lá estava ele, flertando com o primeiro rabo de saia que passava.

Usopp e Chopper, notando expressão da moça, sabiamente se retiraram em silêncio, deixando-a quieta com seus sentimentos. Como estava com raiva. Cerrou os punhos tão forte que teve certeza de que suas unhas longas cortaram sua pele. Mas não se importava.

Queria sair dali. A festa já estava ficando sem graça. Não ligava que estivesse linda e fofa, e que os homens a admirassem. A única pessoa que queria ter a atenção já não olhava mais para ela, era inútil.

— Nami – chamou a atenção da amiga, quando finalmente a encontrou. Ela estava de costas, conversando com Koala e Sabo, e se virou para atendê-la. — sabe onde está o Luffy?

— Os acionistas americanos estão segurando ele ali – apontou para o sul do salão. — por que?

— Queria usar o quarto dele pra descansar um pouco.

— Isso é perfeito! — a ruiva disparou, e não entendeu de início. — Sabo e Koala precisam de alguém para ficar de olho no Blaze lá em cima, pode fazer isso por nós? Ele está dormindo, não vai atrapalhar. É só fazer companhia a ele.

— N-Não, Nami – Koala prontamente negou, envergonhada. — eu sou a babá, eu vou subir com ele.

— Mas assim não tem graça, você se arrumou toda pra hoje.

— Se você for, eu vou também. — Sabo falou.

— Você não pode ir, é o filho do chefe. — Koala argumentou.

— Ah, por favor, eles nem me querem aqui.

Resolveu dar um fim à discussão, interrompendo-os.

— Certo, certo, me dê aqui ele. — pegou Blaze do colo de Koala, aninhando-o em seu colo. — pode ficar tranquila, sei cuidar de bebês. De vez em quando fico com meu sobrinho.

— Se ele acordar e chorar não hesite em me ligar – a babá exalava preocupação com o pequeno. — qualquer dúvida me chame! Eu vou correndo.

— Sim, tenho certeza, agora estou indo.

Caminhando entre os convidados, veio à mente de Koala que, se ela não teria nenhum romance aquela noite, ao menos devia deixar que a amiga e seu patrão tivessem. Koala ainda era muito inocente em relação ao amor. Mesmo que, para si, estivessem claros seus sentimentos, a babá ainda parecia estar confusa sobre o que fazer, e era difícil que tivesse uma oportunidade de entender a si mesma tendo a responsabilidade de cuidar de Blaze sobre suas costas.

Sim. Ela precisava de um tempo longe dele, apesar de serem apenas poucas horas. E poucas horas que, refletiu ela, podiam acontecer muitas coisas, e desejou que assim fosse.

(…)

— Por que diz que não desejam sua presença aqui?

Sabo se sobressaltou com a pergunta repentina de Koala. Olhou para baixo, mirando–a nos olhos, e em seguida olhou em volta. O salão estava cada vez mais cheio e abafado, dificultando a tentativa de qualquer um que quisesse ter uma conversa mais pessoal. Não era o lugar para discutir aquilo.

— O que acha de visitarmos os jardins? — sugeriu a ela, sorrindo. — é perto daqui.

— Não respondeu minha pergunta. — observou.

— Eu sei. — pegou a mão dela, guiando-a entre os convidados. — você jamais aceitaria uma pergunta sem resposta.

O tom brincalhão dele deixar curiosa, e se permitiu ser levada por ele para onde o patrão desejasse. A Koala de antigamente — certinha e mais medrosa — decerto se acovardaria e voltaria correndo, mas sentia-se tão confiante perto de Sabo que… Não, não era bem isso. Confiava nele, mais do que em si própria, e desejava de verdade estar junto dele.

Eles passaram pelos jardins, como ele disse, e só pararam quando chegaram a um caramanchão, com quatro conjuntos de sofás formando um retângulo, apontados na direção da mesinha de centro. O loiro sentou-se no maior do conjunto, um branco com detalhes em marrom, e deu um tapinha no lugar ao lado.

— Venha, sente aqui.

Obedeceu, olhando para tudo com curiosidade. Era um lugar um pouco afastado, mas ainda podia ouvir ao longe as vozes dos convidados e a música clássica tocando.

— Eu sempre vinha aqui. — Sabo disse após alguns minutos de silêncio. — costumava trazer um caderno e me deitar nesse sofá, fazendo rascunhos das cartas que escrevia.

— Já me falou sobre elas. — disse Koala. — quando estava doente, você me disse que escrevia cartas, disse que… — ela olhava para frente, e piscava tentando se lembrar daquele dia –não lembro com exatidão o que me disse, mas foi algo sobre palavras terem sentido. Que amava escrevê-las, e como Ace-san não está mais aqui, não o faz mais.

— Não sabia disso. — ele falava em voz baixa. — não lembrava de ter dito a você. Isso é estranho porque, de algum modo, mesmo doente eu ainda consigo me abrir mais com você do que com qualquer outra pessoa a minha vida inteira.

— Me desculpe, eu não devia ter ficado escutando. Era algo tão pessoal, mas eu…

— Não. — ele pôs a mão na dela, fazendo-a encará-lo. — não, Koala, você… É a pessoa que eu mais confio nesse mundo. Não poderia imaginar ninguém mais a quem confiaria minha vida fora você.

— Então me diga – pediu, corajosa – por que as pessoas daquele lugar não o tratam como tratam Luffy-kun? Não sou boba, eu percebi… Elas olham para você de uma forma que me dá nos nervos, como se você fosse-

— Um rato. — ele interrompeu. — um rato de esgoto que se esgueirou pela cozinha, e conseguiu, de alguma forma, chegar perto do banquete. Um rato que todos teriam muito prazer em matar, mas que não podem porque, por algum motivo, o chefe de cozinha se apegou a esse rato, e fez dele seu. Desejado por um, odiado por todos, era a vida desse rato. Que infeliz.

Em silêncio, Koala observava a expressão de Sabo. Ele olhava para frente, diferente de antes, quando a mirava com atenção. Seus pensamentos estavam longe, lhe causando uma sensação de déjà—vu. Quando se conheceram, ele o fazia muito. Estava sempre quieto, divagando. Esperou pacientemente até que ele continuasse.

— Eu sou esse rato. — explicou. — hoje, agora que viu a aparência de meu pai, pôde perceber como alguns traços dele lembram o Luffy. Eles são um pouco parecidos, mas eu não. — negou com a cabeça. — não sou filho dele. Não de sangue, como imagina. Monkey D. Dragon me adotou quando eu tinha dez anos, e me trata como se eu fosse um D. de verdade. Desde então, poucos desse clã não me odeiam, e tudo isso porque agora eu sou o novo herdeiro, sendo legalmente o filho mais velho, e não Luffy, o verdadeiro filho de sangue. Eu sonhava com isso quando era pequeno, o dia em que meu pai passaria os negócios da família para mim, mas agora… Agora não quero. Não quero mais nada disso, por que não é meu.

Por um momento, Sabo imaginou que ela ficaria decepcionada. Ele era uma fraude. Em todo lugar que passava, as pessoas o paparicavam e se interessavam por ele apenas por ter um D. em meio ao nome. E, quando os boatos de que ele, na verdade, foi nada mais que um menino ranhento cujo líder atual ficou com pena, passam a falar mal dele num virar de costas, mantendo relações apenas por interesses próprios.

Koala não era uma daquelas pessoas, é claro, mas não a culparia se ficasse desapontada.

No entanto, quando olhou para sua direita, procurando-a, viu que o olhar da jovem babá era uma mistura curiosa de melancolia com felicidade. Isso o deixou desconcertado.

— Sabo-kun… — ela murmurou, enquanto suspirava. Para sua surpresa, ela passou os braços lentamente ao redor de seu tronco, puxando-o para um abraço e afundando o rosto em seu peito. — isso… Me desculpe. Deve ter sido duro compartilhar isso comigo, mas não consigo deixar de me sentir lisonjeada por ter me contado.

Lentamente, ainda processando o que acontecia, Sabo foi devolvendo o abraço.

— Essas pessoas são tão vazias – disse ela, com a voz abafada. — tratando mal uma criança… Um menino inocente, que não tem culpa de nada. Eu queria voltar ao passado e te defender na frente de todos.

Riu de leve, apertando-a mais.

— Ah, Koala, você… — gemeu. — você é única.

Levantou o queixo dela com dedos, e selou seus lábios, num beijo calmo e quente que foi correspondido na mesma hora. Animando-se pela resposta da babá, Sabo passou as mãos pelas costas delgadas da amiga, demorando-se no contorno perfeito da cintura.

— Koala, ah, Koala… — ele gemeu, desgrudando os lábios e beijando seu pescoço, deitando-a no sofá sem que nem percebesse. — como você consegue me tirar o foco assim, tão fácil?

Dominada pelo desejo, tudo o que ela podia fazer era tentar respirar.

— Seu cheiro, a maciez da sua pele… — ele desceu até o decote, demorando-se ali. — deixe-me vê-la.

— Sabo-kun…

— Por favor.

Ofegante e de bochechas coradas, ela não negou mais, e não fez nada para impedir quando, aos poucos, ele descia as alças de seu vestido até que seus dois seios estivessem completamente à mostra. Sentiu um arrepio quando ele os viu, ali, expostos para ele, e um calor a dominou entre as pernas. Morria de vergonha, mas, ao menos tempo, queria que aquele momento durasse para sempre.

Sabo engoliu o seco, tentando se controlar. Os seios dela eram perfeitos. Devagar, tomou o esquerdo com a mão. Tinha ciência de que suas mãos eram grandes, mas nem mesmo elas eram capazes de segurá-los totalmente, e adorou isso. Os mamilos dela, rosados, estavam durinhos e excitados, prontos para ele. O pôs na boca, sugando e mordiscando, deixando a moça inquieta debaixo dele. Os movimentos dela o deixaram mais rígido do que uma pedra.

Terminando com o esquerdo, partiu para o direito, e notou satisfeito que deixara o anterior ainda mais vermelho do que antes. Oh, santo Deus, poderia passar o dia inteiro naquilo que não se cansaria.

Tê-lo ali, hipnotizado e louco por algo que ela tinha era algo que deixava Koala em chamas. Não imaginaria que aquilo era tão bom. Sabia que homens desejavam seios, e já fora muito assediada por homens na rua comendo-a com os olhos, mas jamais passara-se em sua mente que ela também podia sentir prazer com aquilo.

— Koala… — ele gemeu, largando sua tarefa e voltando a distribuir beijinhos em seu pescoço. — sente isso? É o tamanho do meu desejo por você.

Ela sentia. Entre suas coxas, o quadril dele estava colado ao seu, e o membro dele rígido pulsava tão fortemente que ela podia perceber perfeitamente.

— Isso… — ela tinha dificuldade em formular palavras. — não dói?

— Fala da minha excitação?

Assentiu.

— Normalmente não – admitiu. — mas agora dói. Dói porque ele quer você.

Quando sentiu o patrão passar a mão por suas coxas lentamente, acariciando a parte interna, Koala se deu conta de uma coisa: algo aconteceria ali, naquele caramanchão, nos jardins da mansão da família Monkey.

E era algo que, com certeza, ela poderia se arrepender.

Mas aquela noite… Estava disposta a arriscar.