Baby Care
14 Encontro do destino

“Alguns encontros, às vezes, parecem coisa do destino, não acha, Ace?”
— bilhete de Sabo para Ace, aos 16 anos.
— Bosta.
Koala piscou, confusa, quando viu Sabo praguejar baixinho. Isso serviu como uma forma de acalmar seus nervos à flor da pele, e já podia pensar mais claramente.
— O que houve?
— Eu... – estava escuro, mas reparou que ele estava corado. – não tenho proteção comigo.
Piscou, mais uma vez confusa.
— Proteção? – repetiu.
— Sim, proteção. – vendo que ela ainda não entendia, resolveu ser mais específico. – preservativo, camisinha.
Koala enrubesceu como um tomate, e quando o loiro saiu de cima de si, deixou-o pôr seu vestido no lugar e ajudá-la a se levantar. Sentados de frente um para o outro, o silêncio constrangedor reinou, em contraste com o momento que viviam instantes antes.
— E-Eu acho que...
Sua voz se calou quando ele se sobressaltou, olhando além de suas costas. Sua pose alerta chamou sua atenção.
— O que foi? Viu alguém? – perguntou.
— Não sei, pensei ter visto. – virou-se para olhá-la, com semblante preocupado. – não devíamos ficar aqui essa hora, foi um erro. Venha, vamos entrar antes que você se resfrie.
Enquanto o seguia e aquecia o corpo com os próprios braços, uma mistura de sentimentos a dominou. Se sentia mais mulher após o momento íntimo com o rapaz, nervosa pelo o que poderia ter acontecido e triste pela indiferença dele após tudo. Aquilo seria algo cotidiano para Sabo? Podia começar e parar assim, de uma hora para outra? Isso não o incomodava em nada?
— Algum problema? – ele perguntou quando já estavam quase entrando na casa.
— Não. – deu um sorriso forçado, mantendo tanto seus pensamentos quanto seus sentimentos para si. – nada de errado. Podemos pegar o Blaze e ir pra casa? Estou um pouco cansada.
— Claro, concordo. É o melhor a se fazer.
(...)
— Olha mamãe, olha! – Blaze esticou um envelope vermelho no rosto de Koala. – é da Otoko-chan!
Caminhava sozinha junto de Blaze aquele dia, após busca-lo na escola. O pequeno estava muito empolgado, pulando, agitando os bracinhos – e chamando a atenção dos transeuntes, inclusive — por todo o caminho. Agora sabia a razão para tanta felicidade.
Bai ter bolo! – ele continuava a dizer. – e... E... repigerante.
— Você gosta de refrigerante?
— Gosto! Coca é bom, né? E Ganará.
— Ganará? O que é isso? – riu de leve.
— É Ganará, mamãe!
Vendo que seu pequeno não saberia explicar, resolveu mudar de assunto.
— Será nesse fim de semana, pelo jeito. Não sei se o papai poderá ir, ele tem assuntos a resolver.
No fundo, até achava bom que Sabo não fosse. Não que não gostasse da presença dele, mas desde o dia do baile as coisas estavam um tanto esquisitas entre os dois. Não dava pra simplesmente morar com ele e vê-lo todo dia sem se lembrar de quando estava debaixo dele, com os seios expostos.
Sacudiu a cabeça, como se aquilo pudesse espantar as lembranças libidinosas.
O resto do dia correu bem. Arrumou os brinquedos, limpou a casa e, a todo momento, perguntava a Blaze se ele desejava ir ao banheiro. A fim de algo para se ocupar, decidiu que já era hora do menino deixar as fraudas de lado. Dois anos era uma boa idade para iniciar com as cuequinhas e, além de tudo, seria algo bom para o universo.
Quando alguns de seus irmãos eram bebês, — Rock, Nina, Marion e Aurora — ela e o pai sempre os deixaram usando fraudas de pano, e eles mesmos se encarregavam de lavá-las bem para reutilizar. As descartáveis eram muito caras e, quanto mais economizassem, melhor.
Ao voltar à sala de estar, no entanto, gemeu ao ver Blaze com as calças molhadas.
— Blaze! Não disse que era pra avisar pra mamãe quando quisesse fazer xixi?
O rosado fez uma cara de choro, sentindo que fizera algo de errado.
— Não precisa chorar, mas lembre de me avisar da próxima vez. – ela manteve o tom maternal, e pegou sua mão. – venha, vamos tomar um banho juntos. Se ficar assim vai pegar um resfriado.
(...)
Sabo concluiu que, a cada vez que ele tentasse uma aproximação imprópria com a babá de seu sobrinho, haveriam consequências as quais ele teria que aguentar. Uma delas era óbvia: a cada vez que algo novo acontecia, o relacionamento dele e de Koala se transformava, e não voltava totalmente ao que era antes.
Às vezes isso era bom. Ficavam mais próximos e conversavam animadamente como dois grandes amigos. Porém, às vezes, como era a situação atual, ambos não sabiam como agir, o que tornava tudo ainda mais esquisito. Tinham que conviver pelo bem de Blaze, mas como superar sentimentos e sensações tão fortes quanto as deles?
Não era invenção de sua cabeça. Podia ver pelas ações e pelo olhar de Koala que dentro dela também havia alguma coisa. Do contrário, por que seu olhar cintilava e sua pose mudava quando ele dizia algo apaixonado tomado pelo momento? Temia que fosse algo presunçoso de sua parte, contudo não tinha experiência o suficiente com mulheres para definir o que era e o que não era real.
— Sabo-san, você está escutando? – o investigador Sengoku chamou sua atenção, e voltou seus pensamentos para o homem grisalho. – por acaso ouviu o que eu disse?
— Me desculpe, eu divaguei por um momento. O que dizia?
— Algumas evidências de que seu irmão esteve na América central foram encontradas. Acredita-se que ele esteve em Honduras e Nicarágua, relatos de um homem com a mesma tatuagem que ele foram feitas por pessoas em vários lugares diferentes. Há também uma moça que diz tê-lo visto em Los Àngeles.
— Los Angeles? No Estados Unidos?!
— Não. Los Àngeles, a cidade do Panamá.
— Faz sentido. A detetive me disse que provavelmente ele estava seguindo uma rota específica.
Antes de contratar Koala, tudo o que Sabo pensava era em quando Ace finalmente retornaria. Amava o sobrinho de todo o coração, mas criá-lo sozinho era uma tarefa árdua, principalmente nos primeiros meses, cuja adaptação foi difícil. Mas depois daquela mulher entrar em sua vida, começara a achar sua vida tão perfeita e completa que quase se esquecera do irmão.
Quase.
Pagou pelo café que consumiu e seguiu caminhando pelas ruas. Seu carro estava no conserto – um pequeno problema no motor, nada grave, dissera o mecânico. – por isso, para variar um pouco, foi em direção à estação de trem como fazia quando não tinha carteira.
Quando virou a rua, seu coração deu um salto por um segundo e arregalou os olhos. Viu uma moça caminhando do outro lado da rua, um pouco ao longe, de cabelos cor-de-rosa e, por uns instantes, acreditou que fosse Bonney. Seus batimentos foram se acalmando quando percebeu que era apenas uma menina de madeixas da mesma cor, junto de outras meninas.
Todas usavam um uniforme de blazer azulado, quase cinza, e saias realmente cinza, num tom mais claro. Olhando atentamente, viu que a menina em questão andava apressada e de cabeça baixa, como se estivesse fugindo das outras.
— Você se faz de princesinha, mas não passa de uma fingida! – conseguiu ouvir uma delas, a que parecia ser a líder, dizer.
— Continua andando com o Cavendish-kun mesmo depois de nós avisarmos. – disse a outra. – será que você não entende? Nenhuma garota pode se aproximar do príncipe!
O sinal para atravessar finalmente ficou verde, e ele passou para o outro lado da rua, ainda atento.
— Eu já disse que não tenho nada com ele, por acaso vocês é que não entendem? – a menina de cabelo rosa disparou, virando-se para elas com uma raiva contida.
O fato da menina misteriosa ter finalmente se defendido irritou a líder das outras, que se aproximou dela erguendo a mão direita com unhas afiadas e chamativas.
No mesmo momento Sabo interviu, indo contra todas as suas regras pessoais de conduta. Em uma outra época, ele ficaria em alerta e avisaria a um guarda para que permanecesse de olho caso a menina precisasse de ajuda. Não era de seu feitio se meter assim nos assuntos dos outros, mas por algum motivo surgiu uma inquietação dentro de si que o fez ir até ali sem pensar.
— Finalmente te encontrei.
Disse a primeira coisa que veio a mente. Sentindo uma gota de suor descer pela bochecha, viu os pares de olhos femininos mirando em si. Olhou para a rosada, deixando claro que era com ela que falava.
— Achei que nunca fosse aparecer, fiquei te esperando na estação e... Ahn... – sem saber mais o que inventar, olhou para as meninas – são suas amigas?
Acuadas pela presença de Sabo, as adolescentes deram meia volta e saíram andando sem olhar para trás. Suspirou aliviado por não ter criado uma cena ali.
— Elas já foram, que bom, você...
Calou-se ao notar a mão da menina cabisbaixa, que não podia ter mais de dezessete anos, trêmulas. Pegou-a gentilmente e a conduziu até a estação, onde comprou uma bebida na máquina e deu a ela, para que bebesse e se acalmasse.
— Desculpe se me envolvi demais. – disse finalmente, coçando de leve a cabeça. – aquelas meninas pareciam estar te incomodando, aí agi sem pensar.
— Não precisa se desculpar. – a outra finalmente falou, levantando o rosto para que pudesse vê-la. – o senhor me ajudou a me livrar delas, obrigada.
— Elas a seguiram desde a escola?
— Não, elas... – a menina hesitou em falar.
Era uma adolescente bonita, reparou. Tinha cabelos cor-de-rosa, como dissera antes, com tranças em ambos os lados na cabeça e que se juntavam em uma trança embutida. Suas bochechas estavam rosadas, muito provavelmente com vergonha pela situação constrangedora em que se encontrava.
— ...elas descobriram onde eu trabalho e me seguiram até aqui.
O jeito dela, por algum motivo, o lembrou de Koala. Quando a conheceu, em alguns momentos, a babá costumava ficar tímida, principalmente em horas em que ele tentava ser agradável. A lembrança da moça aqueceu seu coração.
— Não sei bem sobre sua situação, mas acredito que seja perigoso uma colegial como você andar por aí sozinha quando está sendo importunada por outras garotas. Você deveria conversar com seus pais e professores pra resolver essa situação, e não ficar sozinha em nenhum momento. Por acaso há alguém que possa vir te buscar? Parece bem nervosa, não acho bom ir para a casa sozinha.
Por alguns instantes, a menina apenas o olhou, com aqueles orbes brilhantes – da mesma cor do cabelo, inclusive. – admirando-o como um verdadeiro salvador.
— Minha amiga está vindo. Ela... Oh, ela está ali.
Uma outra menina, usando um uniforme diferente apareceu, cumprimentando a amiga. Ela também tinha cabelo cor-de-rosa, ainda que, dessa vez, seu tom de rosa era bem mais claro. Sentia que conhecia-a de algum lugar, mas não conseguia se lembrar de onde exatamente.
— Shirahoshi! – a outra falou, a abraçando aliviada por ver a amiga.
— O que houve? Por que você...
As duas olharam em volta procurando por Sabo, que saía de fininho ao ver que sua presença não era mais necessária. Antes que passasse seu cartão e adentrasse na plataforma, no entanto, ouviu a voz da primeira menina o chamando, e se deteve para olhá-la.
— Meu nome é Rebecca! – ela disse. – qual é o seu?
— Sabo. – sorriu de lado. – é um prazer, Rebecca.
— Obrigada por tudo!
Dessa vez ele apenas sorriu novamente, e acenou para a menina, despedindo-se.
Era bom bancar o herói e ajudar os outros, só para variar.
(...)
Koala desanimou-se completamente quando, caminhando até a casa da colega de turma de Blaze, reparou que os pais deixariam as crianças na festa e viriam buscar no fim da tarde.
— Ele nunca vai querer ficar. – disse para Sabo, que levava o menino nos ombros.
— É melhor tentar do que desistir. – opinou o outro, otimista. – todas as outras crianças da turma devem ter sido convidadas também, pode ser que, vendo os coleguinhas ele se sinta mais confiante.
Tinha que admitir que Blaze estava fazendo grandes progressos na escola. Diferente de quando o conhecera, ele não ameaçava chorar a cada vez que um desconhecido a abordava pedindo informação.
Riu nervosa lembrando-se de uma vez que um homem congolês perguntou para que lado ficava a torre de Tóquio e o menino, em seu colo, tardou a parar de chorar. O estrangeiro até lhe disse, em tom de brincadeira “acho que ele nunca viu alguém tão chocolate” e riu de volta, mais envergonhada do que nunca.
— Vai ter ganará! — Blaze balbuciava, animado para a festa. – e bolo... e frango...
— O que é ganará? – indagou a Sabo.
— Guaraná. É uma fruta, mas ele está falando do refrigerante sabor guaraná.
— Nunca vi algo assim, que nome engraçado.
Sabo pesquisou a foto no celular e mostrou a ela.
— É uma frutinha estranha, né? Parecem olhos, não sei se conseguiria comer algo assim.
— Eu nunca comi, mas o refrigerante é ótimo. Podemos comprar se quiser provar.
Ele sorriu, e ela quase se derreteu toda. Seu patrão havia voltado de bom humor de seu compromisso dias atrás, e desde então o clima entre os dois estava praticamente normal de novo. O que houve ela não sabia, mas agradecia mentalmente o que ou quem o deixou assim.
— Sejam bem-vindos! – uma moça radiante de cabelos verdes atendeu a porta, e reconheceu imediatamente Hiyori, a irmã mais velha de Momonosuke. – Koala-san, Sabo-san! Vejo que trouxeram o pequeno Blaze, que bom.
— Kozuki Hiyori-san. – cumprimentou feliz.
— Kozuki-san. – Sabo se curvou. – o que faz aqui, atendendo a porta?
— Estou ajudando o pai da Otoko-chan com a festa, ele é pai solteiro. – olhou para Koala de uma forma que só mulheres entendem. – sabe como são os homens, não sabe? Não têm tato para essas coisas de festa, organização, comida.
— Ah, com certeza não. – olhou para Sabo de canto de olho.
— Enfim, querem entrar? Beber alguma coisa?
— Não queremos incomodar, viemos só trazer o Blaze-kun, mesmo. – disse Koala, segurando na mão do pequenino. – onde estão as outras crianças? Acho que ele gostaria que eu o levasse até lá, não é, Blaze?
Tímido com a presença de Hiyori, o bebê assentiu com a cabeça, seu biquinho e as bochechas sardentas coloridas de vergonha deixando-o ainda mais adorável.
— É só virar ali, vai sair no quintal.
Hiyori deu passagem para Koala ir e ficou lá, de pé, sozinha com Sabo no vestíbulo.
— Como está o Zoro? – perguntou ao loiro.
— Aparentemente bem.
— Soube que ele está namorando de novo.
— Sim, e está muito feliz. – após alguns segundos pensando, acrescentou. – não que ele demonstre muito isso, claro.
Ambos riram de leve, e Hiyori disse com sinceridade na voz.
— Que bom, quero muito que ele seja feliz.
— Posso te perguntar uma coisa, Kozuki-san? – ela concordou com a cabeça. – por que vocês terminaram?
A menina de cabelos verdes e traços perfeitos olhou para o chão, como se ali estivesse passando um filme feito de flashbacks de sua vida.
— Relacionamentos são complicados. Se uma das partes não está em harmonia com a outra, a coisa rui. É como... – precisou de alguns segundos para pôr os pensamentos em ordem. – como uma cadeira. Se ela fica bamba, e colocamos algo para equilibrar que não resolve, ela continua sendo uma cadeira bamba. O ideal é consertar, ou simplesmente comprar uma nova. Tivemos que cair da cadeira pra entender que era hora de trocar.
Koala voltou na mesma hora, sem dar tempo para que Sabo pensasse em uma resposta para dar. Mas, pensando bem, talvez o monólogo de Hiyori nem precisasse de uma resposta. Ela parecia feliz e bem resolvida com a situação, e ficou feliz por ela.
— Blaze hesitou um pouco em ficar. – Koala lhe contava quando chegaram ao shopping. – mas quando a Tama-chan o chamou para brincar de bola ele saiu correndo, foi tão gratificante. Mas admito que fiquei um pouquinho triste por vê-lo me abandonando tão fácil.
— Ainda bem que eu não vi, seria difícil deixá-lo. Nos apegamos muito um ao outro. – dizia Sabo, distraído olhando as vitrines.
— Pense só como será quando ele entrar na escola de verdade. Tendo responsabilidades, deveres de casa... Quando piscar o olho ele vai estar no ensino médio, pensando em como se declarar para a garota que ele gosta. Você dará boas dicas, Sabo-kun?
Isso chamou a atenção de Sabo, que voltou a encará-la. Koala tinha um sorriso travesso estampado no rosto.
— Talvez. – disse com um ar misterioso. – truques assim são passados de geração em geração.
— Me diga um então.
— Ah, isso seria uma blasfêmia.
— Blasfêmia? Como você é exagerado. – riu.
— Claro que não. Os segredos do mundo feminino são o tesouro dos D, não posso dá-los a você assim, de mão beijada.
— Aposto que são um monte de asneiras. – engrossou comicamente a voz ao falar: – “demonstre sua força física, mulheres se amarram em caras fortes.”
Sabo riu alto.
— “Se amarram”? Quem fala assim? Só faltou completar: “assim você conquista uns brotinhos”
— Seu bobão. – ela deu uma leve cotovelada nele, até que um estabelecimento em especial chamou sua atenção. – aquela loja é nova? Não lembro de ter visto da última vez que viemos.
Para sua surpresa, Sabo abriu um largo sorriso, dizendo coisas em português que ela tampouco entendia. Pelo o que pode supor, eram palavras de felicidade, pois ele pegou sua mão e a levou para dentro da loja – que descobriu ser uma espécie de restaurante – sem pensar duas vezes.
— Já ouvi falar daqui, é um lugar que vende comida brasileira. – explicou a ela. – sempre quis que provasse uma coisa, espero que tenham aqui.
Sabo estava muito à vontade fazendo um pedido para a atendente em português, e notou como era encantador ver como o tom de voz dele mudava quando falava outra língua.
— Você fala fluentemente? A moça pareceu te entender bem.
— Sim, Dragon-san só falava conosco em português dentro de casa, e tínhamos um professor particular pra nos ensinar a ler e escrever. Por incrível que pareça, eu era melhor que o Luffy, que falava português desde o berço.
— E o Ace-kun?
— Ao menos nisso eu era melhor que ele. – brincou.
O pedido dele chegou, e notou que a mulher trouxera em suas mãos algo quente e muito curioso, em formato de gota.
— Pegue, esse é seu. – ele entregou um dos dois, e começaram a andar novamente.
— O que é isso? – perguntou desconfiada. – é salgado ou doce?
— Salgado. Prove, vai gostar.
Tornou a ficar insegura.
— Mas qual é o nome?
— Coxinha.
— Co...xinha. – tentou repetir, mas sua voz não saía igual a dele. – coxinha. Coxinha. Que nome diferente, o que significa?
— Algo como... – o loiro semicerrou os olhos, pensando. — Coxa pequena.
Koala quase atirou fora a tal coxinha no mesmo momento. Pasma e de olhos arregalados, quase gritou:
— Isso é feito de coxa de gente?!
— Como? Não! – Sabo riu novamente. – Santo Deus, não somos canibais. É só frango desfiado e massa, pode ficar tranquila.
Meio envergonhada de ter dito algo tão bobo, sorriu amarelo e se preparou para provar sua coxinha. Observou que Sabo mordeu e saboreou sua própria mordendo pela pontinha, e fez o mesmo.
Estava um pouco quente, por isso soprou o calor da própria língua, concentrando-se no sabor.
— E ai? O que achou? – o patrão indagou ansioso.
— É um pouco massudo. – admitiu. – mas eu gostei! É salgadinho e gostoso.
— Sabia que iria gostar. – sorrindo satisfeito, ergueu sua própria coxinha e bateu de leve na dela, disse: — um viva para as coxinhas.
O que estava fazendo? Refletiu Koala, enquanto saboreava sua nova descoberta. Estava no shopping com seu patrão, a mesma pessoa com quem dias atrás vivenciara uma das experiências mais importantes de sua vida. Não era uma moralista nem nada assim, mas não era do seu feitio entregar-se de tal forma a alguém que não estava comprometida, muito menos a um empregador.
Gostaria de entender o que Sabo causava nela. Era difícil pensar claramente quando seu rosto se aproximava do dele, ou quando ele lhe mostrava seu melhor sorriso galanteador. E quando ele era gentil... Ahn, ela se derretia toda por dentro. Além de tudo, ele era um pai tão bom para Blaze. Seu instinto maternal combinava perfeitamente com o instinto paternal dele.
Riu de si mesma. Por um momento, um pensamento bobo passou por sua mente.
— Hm? O que foi? – ele perguntou, notando sua risada.
Balançou a cabeça, deixando para lá.
— Nada. – respondeu. – venha, vamos logo. Viemos comprar uma panela elétrica, e não ficar enrolando.
Por um momento, passou por sua mente que... Se ele propusesse um namoro, talvez, só talvez...
Ela aceitasse.
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