Baby Care

1 Prólogo


Notas iniciais
Nossa, fez tanto tempo que eu não começo outra long-fic! Que saudade. Então, alguns devem lembrar de mim da minha outra fanfic (The Best Job, também de SaboxKoala) que ainda não terminei. Difícil explicar, mas acho que eu sou a maior fã desse casal, né? Meu OTP. ♥ Dessa vez, quis vir com uma pegada diferente, no mundo "real" (por mais que ele seja fantasioso, com animais falantes e homens-peixe) em uma cidade real. Portanto, estarei sempre fazendo referências a coisas tipicamente japonesas, então quando tiver deixarei um glossário explicando alguns pontos no final, recomendo que olhem. Então, sem mais delongas, espero que aproveitem a leitura e embarquem junto comigo nessa história que se seguirá (e que, por enquanto, não tem número de capítulos definido). Boa leitura! ♥

"...Ace, por mais que o velho tenha ficado muito irritado por você engravidar uma menina com 19 anos, eu estou feliz por você. Sempre teve o sonho de ser pai, e agora ele será realizado. Agora, o importante é cuidar do bem-estar da Bonney. A propósito, vocês vão se casar?"

— Carta enviada para Ace logo após a notícia da gravidez.

"...Devo dizer, Ace, que fico feliz por ter nascido um menino. Não que eu não tivesse gostado de ter uma sobrinha, – ela seria linda, certamente herdaria a beleza de Bonney – mas acho que você acabaria transformando-a numa menina com jeito de menino. De qualquer forma, não importa. O melhor de tudo foi ter nascido saudável. Não há dúvidas que criarão o pequeno Blaze cercado de amor e carinho, e serão os melhores pais que uma criança poderia querer."

— Carta enviada para Ace, logo após o nascimento de Blaze.

"...Isso é muito sério. Temo pela segurança de Blaze. Concentre seus maiores esforços em protegê-lo, meu irmão, pois a partir de agora as coisas ficarão mais difíceis. Ele é muito pequeno, tem apenas um ano, sentirá muita falta da mãe. Você, principalmente, sabe como uma faz falta na vida de uma criança."

— Carta enviada para Ace, logo após o sumiço de Bonney.

"...Onde você está, Ace? Por que fez isso comigo? Sabe como eu sou, sabe que não consigo cuidar de um bebê. Eu não estou preparado, e vou acabar negligenciando-o. Blaze é muito especial para mim, é meu sobrinho, quero que uma pessoa mais capacitada cuide dele. Eu não sou essa pessoa, Ace. Volte logo, por favor."

— Carta nunca enviada para Ace, logo após seu desaparecimento.

"Ace, me desculpe, mas está dando tudo errado."

— Bilhete escrito para Ace, dois meses após seu desaparecimento.

Sabo era uma pessoa paciente. Desde pequeno, aprendera a manter a cabeça no lugar, a sempre saber o momento certo de falar e o que falar, de forma a nunca ter uma conversa que não demonstrasse sua inteligência. Porém, naquele dia, ele estava mais estressado que o normal.

Era dia dos namorados, data em que os casais estavam por aí, em cafés e restaurantes aproveitando e celebrando seu amor. Não que ele tivesse inveja; de forma alguma, não lhe fazia falta uma namorada. E, apesar da data, resolveu dormir cedo pois no dia seguinte tinha muitos assuntos importantes a resolver, que não poderiam ser adiados para a tarde. Teria dado tudo certo: preparou-se de várias formas e, três horas depois de finalmente pegar no sono…

Blaze acordou.

Diferente de outros bebês de dois anos, Blaze não acordava aos berros pedindo pela mãe e o pai. Normalmente, quando necessitava da presença de alguém, ele próprio ia até a pessoa ou, quando no caso de estar dormindo com Sabo na cama de casal, acordava-o para fazer companhia.

Mas naquela noite, em especial, ele queria chocolate.

— Vamo, vamo, pufavô! — ele puxava a mão de Sabo para a porta de saída. — choco! Choco!

Certamente ele havia visto algo sobre chocolate naquele mesmo dia, na televisão. O dia de São Valentim, no Japão, era o dia em que a indústria chocólatra mais lucrava, pois todos os japoneses compravam e trocavam chocolates, além dos produtos, obviamente, derivados dos mesmos ingredientes. Então, o pequeno Blaze, que não era nada bobo, chegou a conclusão que, se todos tinham chocolate, ele também deveria ter, independente da hora.

— Meu Deus, Blaze… — Sabo coçou os olhos, ainda tonto de sono. Olhou no micro-ondas, que marcava uma da madrugada. — olha a hora.

— Chocolate! — ele insistiu, sem dar ouvidos ao mais velho, que revirou os olhos e pegou os casacos. Havia uma loja de conveniência ali perto, se comprasse um chocolatinho barato e matasse a vontade de Blaze, com sorte, conseguiria voltar para a cama em uma hora.

Assim, saíram em direção à loja de conveniência.

(…)

Tiger-san

Como estão as crianças? Se alimentando bem? Espero que estejam todos ótimos e felizes, e indo para a escola adequadamente. Assim como prometi, aqui estão algumas fotos e lembrancinhas para os pequenos. Estou amando Tóquio, é uma cidade grande, linda e incrível, com pessoas muito gentis. Não precisam se preocupar comigo..

De sua amada irmã mais velha, Koala.

Duas semanas antes, uma jovem de nome curioso dava duro em seu trabalho. Seu nome era Koala, tinha 19 anos e estava em Tóquio para fazer o exame de admissão da Universidade New World. Além de ser considerada uma das melhores faculdades de todo o Japão, o estabelecimento fora o seu sonho desde pequena, onde seu guardião, Fisher Tiger, se formara com louvor. Desde então, enquanto suas colegas almejavam se casar com um lindo rapaz, desde os sete anos a garota afirmava com seriedade que queria se formar na universidade New World.

E esperava conseguir.

E após o término dos exames, o que podia fazer ela além de rezar e trabalhar? Estava na capital por conta própria, Tiger-san não tinha condições de mandar uma quantia de dinheiro para sustentá-la e muito menos de permanecer ali com ela. Logo, deixara bem claro que, se esse fosse realmente o desejo dela, teria que arregaçar as mangas e lutar por isso, sem desanimar por mais difícil que fosse. Fisher Tiger era conhecido na região por suas frases motivadores, e podia afirmar que elas, de fato, funcionavam.

Mas era difícil não desanimar quando estava exausta e atendia a mil clientes de uma vez em um restaurante familiar.

— Boa tarde, já decidiram o que irão pedir? — ela indagou aproximando-se de umas das mesas, onde tinham alguns jovens colegiais. Considerando seus portes, julgou-os serem do ensino médio, mais provavelmente do 1º ou 2º ano.

— Sim. — disse um deles com um sorriso sacana. — vamos querer quatro milk-shakes e uma porção grande de batatas fritas.

— Certo. — Koala assentiu, já puxando um bloquinho e anotando. — só isso ou vão querer-

— Mas antes, queremos saber se a garçonete vem junto no combo. — interrompeu-a tocando a barra da saia do uniforme, numa tentativa de fazê-la se aproximar.

Koala contou até dez, respirando fundo. Precisava daquele emprego. Mesmo que pagasse mal, que não desse para todas as suas despesas, era apenas o que tinha, e era melhor do que morrer de fome. Por fim, deu um passo para trás, se desvencilhando do garoto com um sorriso forçado na face.

— Me desculpe, sr. cliente, mas este tipo de combo não é oferecido neste estabelecimento. Se isso é tudo que vão pedir, com licença. — fugiu dali o mais rápido que pôde, antes que perdesse o controle.

— Quatro milk-shakes e uma porção grande de fritas. — ela entregou o papel ao responsável da cozinha, ao mesmo tempo que sua colega de trabalho também entregou outro pedido.

— Koala-san, o que houve? — a moça de cabelos róseos perguntou. Seu nome era Rebecca, ótima menina. Ainda era uma estudante do ensino médio, que iria para seu segundo ano na próxima primavera. — está de cara feia. O gerente Condoriano está de olho em você. — avisou preocupada.

Koala olhou na direção do gerente, que disfarçava se ocupar falando com um cliente, mas claramente desviava o olhar para encará-la.

— Eu sei, eu sei. — suspirou, cansada. — estou com a corda no pescoço aqui, mas é difícil. Odeio esses assédios.

— Bem-vinda ao Japão. — brincou a outra. — ou melhor: bem-vinda ao planeta terra.

— Infelizmente. — revirou os olhos. — vamos voltar ao trabalho, estamos muito tempo aqui paradas.

Rebecca concordou e voltou ao trabalho. Koala virou-se ao ver que mais um pedido estava pronto, e pegou a bandeja que continha um prato adulto e um almoço infantil. Era a mesa de número oito, infelizmente. Do lado da mesa dos colegiais.

Como não havia nenhum outro colega que pudesse fazê-lo no lugar dela, ergueu a cabeça e levou o pedido até a mesa. Nela, havia uma mãe com duas crianças: um bebê de colo e um menino de aproximadamente quatro anos, que esperava impaciente pela comida que chegaria.

— Oba!! — o pequeno comemorou a vinda de seu omurice, que foi posto em sua frente. — Oh, moça, falta o ketchup!

— Eu vou pôr. O que quer que eu escreva? — Koala sorriu com o tubo de ketchup em mãos.

— Eu quero escrever! — antes que ela pudesse sequer retrucar, o menino tentou tirar o tubo das mãos da garçonete, o que falhou e resultou em um tubo caído no chão e sujando tudo de ketchup.

— Oh, por favor, me desculpe! — a mãe do menino lamentou, envergonhada pela falta de educação do filho. — Keita, peça desculpas agora.

— Me desculpe, moça… — o menino fez um biquinho, realmente arrependido.

— Não se preocupe, acidentes acontecem. — ela catou o tubo do chão e escreveu “Keita” em cima do omurice, fazendo o menino sorrir. — é o seu nome, não é? Agora todos sabem que esse prato é seu e de mais ninguém.

A mãe do menino sorriu, agradecida. Devia ser difícil ser uma mãe solteira, e Koala não iria julgá-la.

Tirou um pano do bolso do avental e se agachou para limpar. Até ali, achara que os adolescentes da mesa ao lado estavam na deles, conversando sobre vídeo-games e esporte ou fosse lá o que jovens gostavam, mas quando escutou o som de um celular batendo foto embaixo de sua saia, Koala ficou fora de si.

E, antes mesmo de ao menos reclamar da falta de decência dos rapazes, Koala socou o garoto, sendo despedida naquele mesmo dia.

Desde então, passara todos os dias procurando por um serviço, nem que fosse como ajudante de pedreiro. Estava perto do dia de pagar o aluguel e mal podia se alimentar direito. O único jeito era comer alimentos de loja de conveniência, onde podia encher a barriga com comida barata e sem nutrientes.

Estava frio aquela madrugada. Sua busca por emprego durara até tarde, e só reparara na hora quando vira o pouco movimento na área residencial. Estava com fome, então fora até o konbini atrás de seu jantar. Tinha que economizar, então o ideal era comprar um pão. Talvez um suco de caixinha viesse a calhar, pão seco era difícil de descer… Ah, mas para que gastar com suco se podia beber água depois? Não era um gasto necessário, afinal.

— Hm… Lámen… — ouviu alguém murmurar ao seu lado. Não reparou bem em quem era, apenas que era um homem loiro.

Deu ombros imaginariamente e pegou um pão com yakisoba. Após o atendente pôr na sacola, saiu da loja. Gostava de comer em frente ao estabelecimento, pensando na vida. Então, girou os calcanhares em direção ao degrau que dava para a rua.

E viu um bebê sozinho, em pé, atacando um chocolate.

De início, piscou, achando ser efeito do sono. Ele era fortinho, como de natural da provável idade, e tinha cabelos… Roxos? Não, eram róseos, mas escurecidos pela penumbra da noite. Estava devidamente agasalhado, por mais que estivesse usando um pijama azul por baixo. Não estava sujo nem nada, não parecendo ter sido abandonado.

Olhou em volta pela terceira vez, sem vestígio algum de seu pai ou sua mãe. O que deveria fazer? Talvez se levasse-o para dentro da loja de conveniência, o atendente soubesse de quem era o bebê.

Deu dois passos cautelosos na direção dele, — ou dela, por mais que tivesse quase certeza se tratar de um garoto — que finalmente notou sua presença.

— Oi fofinho. — agachou-se na frente dele, mantendo contato visual. Cuidara de crianças durante toda sua vida, sabia bem conversar com ela. — tá gostoso o chocolate?

O menino continuou a olhá-la inexpressivo, parando até mesmo de comer.

— Koala-onee-san. — ela apontou para si mesma, como se se apresentasse.

— Nee-shan! — ele imitou, sorrindo com a cara lambuzada.

— Cadê papai e mamãe? — indagou em busca de alguma pista.

O menino riu novamente, e apontou para ela.

— Mamãe! — nomeou divertindo-se. Koala corou. Ele achava que ela era a mãe dele ou estava apenas imitando? — mamãe! Mamãe!

— Não, não, não, não! Eu não sou sua mãe. — levantou-se envergonhada. — isso não vai dar certo, ele é muito pequeno… — sussurrou para si mesma, enquanto o bebê continuava a falar “mamãe” — venha cá, vou levá-lo para dentro.

Achou que o bebê resistiria, mas ele apenas riu e entregou-se aos braços dela quando pegou-o no colo. É como se fosse, de fato, sua mãe. Isso era estranho, dado que crianças não costumavam gostar de pessoas estranhas.

Seus pensamentos foram interrompidos quando a porta da loja foi quase destruída ao ser aberta com brutalidade. O primeiro pensamento que teve foi que estava acontecendo um assalto, mas ao conseguir se virar, vira um homem loiro saindo desesperado da loja, como se estivesse à beira de um ataque cardíaco.

Quando ele pousou o olhar sobre ela, a única pessoa ali, seus músculos relaxaram e pareceu finalmente poder respirar normalmente. Mas essa sensação de tranquilidade durou pouco, dando lugar à raiva.

— O que está fazendo com essa criança? — o rapaz rosnou, irado.

— O que eu estou fazendo?! — Koala riu de raiva, quase não acreditando. — estou levando esse bebê lá para dentro, para chamar a polícia. Ele estava aqui fora sozinho, abandonado no meio da madrugada. — declarou segurando a vontade de dar-lhe um soco. — por acaso você é o pai dele?

— Eu...-

— Papai! — o bebê esticou os braços para o loiro, que prontamente pegou-o no colo. Virou-se para ela com um sorriso irônico.

— Acho que isso responde sua pergunta, não é mesmo?

— Bem, se ele é seu, trate de cuidar melhor do seu filho. Quando se está com uma criança pequena não se pode desgrudar os olhos nem por um minuto, e o senhor claramente desgrudou por vários minutos. — repreendeu ajeitando o casaco, que estava fora do lugar por ter pego o menino no colo. — teve sorte que fui eu quem o pegou, e não uma pessoa mal intencionada. Deveria me agradecer.

— Fico grato por seu conselho profissional, srta. Estranha da rua. — retrucou de forma nada cordial.

— Não há de que. — cruzou os braços, indo embora pisando tão forte que achava que poderia formar uma cratera no chão.

Quem ele pensava que era? Ela estava ajudando o filho dele e ainda agia daquela forma? Ele a devia os mais sinceros agradecimentos por ter pensado no bem-estar do menino. Devia ter lhe falado umas poucas e boas, mas, como sempre, só pensara nos melhores argumentos depois que já estava longe dele. Odiava quando isso acontecia, por mais que fosse recorrente.

Contou até dez, controlando a respiração. Tiger-san havia lhe contado que as pessoas da capital não eram tão gentis e amigáveis quanto no interior, onde todos se conheciam. De todas as pessoas que conhecera desde que chegara, no fim de janeiro, a única que fora gentil e chegara a poder chamar de amiga era Rebecca, e agora, sem emprego, não tinha nem mesmo como conversar com ela. Não tinha celular e não sabia onde ela morava. E, além do mais, não tinha tempo para visitá-la. Sua principal missão, no momento, era arrumar um emprego. Até quando deitava a cabeça no travesseiro, na hora de dormir, seus pensamentos mergulhavam nos problemas e na acumulação deles.

Mas naquele dia, só naquele dia, eles estavam em outro lugar: na frente daquela loja de conveniência, com um rapaz loiro, falando tudo que ela ensaiara imaginariamente na volta para casa.

(…)

Sabo não era, definitivamente, a pessoa irresponsável que ela estava pintando. Cometia um errinho aqui e outro ali, mas não chegava a ser aquele monstro que não sabia como cuidar do próprio filho. E afinal, por que estava se referindo a Blaze como filho? Ele mal havia tido uma namorada em toda sua vida. Claro que não dissera para ela. Não iria dar explicações sobre o porquê de um jovem de 22 anos estar numa loja de conveniência com um bebê que não era seu e que, obviamente, já deveria estar na cama.

Depois de pagar o chocolate do menino, pensou melhor e reparou que também estava com fome. Não tinha nada em casa, ainda precisava fazer compras, então resolveu escolher um lámen instantâneo. Fora necessário minutos de distração para que o rosado saísse com suas perninhas gorduchas e fosse para fora. Quando notou a falta do menino, olhou em volta desesperado e logo começou a procurar por ele.

— Mamãe já foi. — Blaze disse em seu colo, tocando a mão lambuzada em seu rosto para chamar atenção.

E por que Blaze estava chamando-a de mamãe? Não via a própria mãe desde que tinha um ano de vida, e duvidava que se lembrasse dela. E, além do mais, ela não era nem um pouco parecida com Bonney, impossível de confundir.

— Mamãe… — o loiro repetiu, refletindo sobre isso.

Então como um estalo, Sabo percebeu: Blaze havia gostado dela. Por Deus, havia até deixado-a pegar no colo.

Em total choque, ele olhava para o caminho que ela tinha feito, mesmo que sua silhueta já houvesse sumido há certo tempo. Blaze era um terror: tinha medo de pessoas desconhecidas, não se acostumara com nenhuma babá e em todas as creches que tentara fazê-lo se adaptar o menino chorava o dia inteiro chamando pelo pai e se recusando a deixar que qualquer uma das cuidadoras o acudisse.

E, querendo ou não, Sabo era o pai.

— Vamos para casa, Blaze. Você precisa dormir.

Deixou totalmente de lado o lámen e seguiu para casa. Depois de todo esse susto, perdera até a fome.

(…)

Na manhã seguinte, Sabo recebeu uma ligação de seu irmão, Luffy. Estava ocupado vestindo Blaze para sair e levá-lo até a casa do mesmo, mas como a casa de Luffy era seu destino, talvez não fosse uma boa ideia ignorar o chamado.

— Desculpa, Sabo, não vai dar pra ficar com o Blaze hoje.— o irmão disse ao celular, parecendo realmente pesaroso. — a Nami está com um pouco de febre, eu vou ter que levar ela no hospital.

— O que? Mas ela está muito mal?

— Não tanto, ela nem queria ir, mas… Lembra da última febre que ela teve, não lembra? Acho melhor levar para garantir que ficará tudo bem.

— Tudo bem, Luffy. — Sabo assentiu, mesmo que o moreno não pudesse vê-lo. — vá tranquilo, eu posso levar Blaze comigo.

Após encerrar a ligação, Sabo suspirou, olhando o menino brincando com seus trens no sofá. Blaze só conseguia ficar com as pessoas que conhecia desde que nascera, e se Luffy não podia ficar com ele, o único jeito era levá-lo junto.

Para a universidade.

Odiava ter que ir para lá. Ou, melhor dizendo, odiava ter que sair em público durante o dia, pelo simples fato de que chamava muito atenção. A enorme cicatriz no lado esquerdo do rosto era uma lembrança deixada por seus pais biológicos, que o amaldiçoava aonde quer que fosse. Portanto, mesmo que usasse as roupas mais baratas, falasse baixo e tentasse escondê-la com um óculos sem grau, algumas pessoas ainda a percebiam ressaltando seu rosto, fazendo de toda aquela atenção um inferno em sua mente.

De qualquer forma, foi até lá, com ou sem cicatriz, com ou sem um bebê. E ao chegar, percebeu que, sem dúvida, um bebê de cabelo cor-de-rosa em seu colo atraía mais olhares do que sua cicatriz horrenda no rosto.

Havia gente demais aquele dia. O que estaria acontecendo? O campus geralmente era cheio, mas não havia tantos jovens aglomerados de uma só vez, sendo a maioria… Adolescentes? Forçou a vista para enxergar melhor. Mesmo que estivesse muito frio, o sol ainda estava ali, atrapalhando sua visão.

Ao que parecia, era o dia em que a lista dos nomes dos aprovados ficava exposta. Isso explicava o tumulto, deviam estar todos bem nervosos.

— C-Com licença… — ouviu uma voz feminina não muito longe dele, tentando passar em meio aos outros, sem sucesso.

Ora, como esta menina esperava conseguir passar falando baixo daquele jeito? Surpreendera-se por ele próprio ter escutado. Além de tudo, era baixa. Não lhe dava mais de 160 cm, mesmo que usasse uma boina que dificultasse a medição.

— Ai, meu Deus… — ela murmurou amuada. Olhando de um lado para o outro, como se estivesse em busca de uma luz no fim do túnel.

A garota se afastou do grupo, cabisbaixa, e cambaleando um pouco. De repente, ele percebeu… Não era essa a garota da noite anterior? Estava um pouco escuro antes, mas agora, reparando bem, mesmo de perfil, o rosto era praticamente idêntico.

Mas o que ela tinha? Estava esquisita, meio aérea. Parecia até que ia…

— Mamãe!

Blaze gritou de repente, apontando para a garota e fazendo com que todos olhassem para ele. Antes que Sabo pudesse fazê-lo ficar quieto, o pequeno começou a se debater até que o colocasse no chão, então correndo o mais rápido que podia até a garota da noite anterior.

Ele gostava dela. Gostava até mais do que do próprio Sabo, desconfiava.

— Fofinho? — a menina se agachou na frente de Blaze, confusa.

Era perfeito. A ideia que lhe veio à mente era perfeita. E, sem mais nem menos, antes mesmo de dizer “olá”, Sabo se aproximou dela, pegou suas mãos e a fez ficar de pé, perguntando:

— Gostaria de se tornar a babá dele?

Notas finais
Eai, gostaram? Os próximos capítulos já estão prontos, então, quanto mais comentários tivermos, mais rápido ele será liberado! ♥ estou ansiosa para saber a opinião de vocês.