Baby Care
2 O novo trabalho
Notas iniciais

“...Não sei lidar com garotas como você, Ace. Mesmo que ela tenha se declarado para mim, não vou sair com ela. Vou rejeitá-la adequadamente amanhã. E, logo aviso: não quero que fique me provocando por causa disso!”
— carta de Sabo deixada na porta do quarto de Ace, quando estavam no 1º ano do colegial.
Koala estava nervosa. Aquele era um dia importante em sua vida. O que faria, caso falhasse? Não poderia voltar para casa de cabeça baixa depois de todas as promessas de prosperidade que fizera aos irmãos mais novos. Sua única saída, caso o resultado não condissesse com suas expectativas, era permanecer em Tóquio e procurar um emprego. Mas como? Nem ao menos um trabalho de meio período estava conseguindo.
Além disso, para piorar, não havia tomado café. As últimas moedas que tinham utilizara na noite anterior, para comprar pão na konbini, não sobrando sequer um iene para o café da manhã. Logo, sua barriga doía implorando por ser preenchida, por mais que não tivesse como satisfazê-la.
Se afastou da multidão, sentindo-se tonta. Nunca desmaiara em toda sua vida, mas sentia que seria o que aconteceria em breve. Tinha que sair da confusão, se sentar e…
— Mamãe!
Uma voz de bebê chamou sua atenção, fazendo-a esquecer-se do mal-estar. Conhecia aquela voz, tinha certeza, e ao olhar na direção de onde pensou ter escutado, se surpreendeu ao ver o menino que encontrara sozinho na noite anterior.
— Fofinho? — ela se agachou, confusa, quando o pequeno correu de braços abertos. O que ele fazia ali? Não podia estar sozinho, certamente alguém o acompanhava.
Fechou a cara ao perceber quem era. Quando um homem se aproximou, ainda estava agachada, de forma que apenas podia ver seus sapatos e sua canela, mas era óbvio quem estava ali: o pai do menino, mais conhecido como o homem mal agradecido que teve seu filho salvo e ainda a fez levar desaforo para casa.
Mas aquele dia não. Ela ensaiara tudo que deveria ter dito na noite anterior, mas agora ela estava preparada com o roteiro e com certeza diria tudo que ficara engasgado.
Quando Koala abriu a boca para começar a falar, foi impedida pelo homem, que puxou suas mãos, a fez ficar de pé, e disse em alto e bom som:
— Gostaria de se tornar a babá dele?
(…)
Já se encontrara com pessoas loucas antes. No vilarejo em que morava, onde a população era bem reduzida, todos se conheciam, e havia um homem, de cabelos azuis cujo nome era Buggy. Ele não era muito certo da cabeça e gostava de se vestir de palhaço, se autodenominando um pirata famoso. Avisara seus irmãos para ficar longe dele, – por mais que nunca tivesse feito mal a ninguém, era melhor não arriscar. — e eles a obedeceram como boas crianças. Antes de vir para Tóquio ouvira boatos de que ele dizia gostar de se cortar em pedacinhos, mas não sabia ao certo quanto daquilo era verdade.
De qualquer forma, achava que aquilo seria o pico de loucura que encontraria em toda sua vida. Então, para vencer Buggy e seu pirata palhaço, o homem estranho que discutira com ela no meio da rua vinha e lhe oferecia um emprego de babá.
— O que? — ela arquejou, dando um passo para trás. Tiger a avisara que tarados poderiam abordá-la, mas tarados oferecendo empregos de babá? — o que quer dizer com isso?
Droga, a cada passo ficava mais tonta. Tinha que procurar um banco para se sentar.
— Podemos conversar? — ele pegou o menino no colo, parecendo notar o estado em que a moça se encontrava. — podemos tomar um café lá dentro.
Olhou para o quadro com as notas, apreensiva. Devia estar tentando ver se passara, mas estava muito cheio de gente e, ainda por cima, estava morrendo de fome. Não achava que aceitaria aquele emprego, mas o que tinha a perder? Estariam em um lugar visível, não tinha como aquele loiro fazer algo de mau com ela longe de testemunhas oculares.
— Tá bom. — aceitou, sentindo uma gotinha de suor escorrendo pela bochecha. Desde quando se tornara tão interesseira?
Quando chegaram à cafeteria e pediram um lanche, pôde reparar melhor nas feições do rapaz.
Ele era bem alto, ombros largos e, por mais que estivesse com grossos casacos de frio, poderia jurar que tem um porte físico notável. Tinha cabelos loiros ondulados, que já estavam pedindo por um corte, além de olhos redondos e bem pretos. No entanto, sem dúvida, a característica mais notável era a enorme cicatriz no olho esquerdo, que praticamente saltava aos olhos mesmo com os óculos que usava. – obviamente falsos, percebeu, vendo que não tinham profundidade nenhuma. -
Será que havia se envolvido em algum acidente? Não era especialista em cicatrizes, mas parecia que havia sido conquistada ainda na infância, mesmo que-
— Bem. — ele pigarreou, interrompendo seus pensamentos. — acho que é melhor eu me apresentar.
Sabo estava incomodado com aquele olhar fixo que ela mantinha nele enquanto comia. Estava olhando para sua cicatriz ou era impressão dele? De toda forma, jogou os cabelos um pouco para frente, como se isso dificultasse um pouco a visão dela.
— Eu me chamo Sabo, sou tio desse garotinho aqui. — sorriu levantando a mãozinha livre do menino, que se divertia comendo um sanduíche infantil. — como bem sabe, ele se chama Blaze. Portgas D. Blaze.
Quase o mordeu quando Blaze deu uma pausa em sua comilança para sorrir para ela, como se a cumprimentasse. Como alguém conseguia ser tão fofo?
— Meu nome é Fisher Koala. — sorriu, melhorando de humor.
— Koala… — Sabo ecoou, arrancando uma expressão carrancuda da própria.
— Qual é o problema? — indagou na defensiva. Estava farta de todos caçoando dela por causa de seu nome.
— Nenhum. — ele deu de ombros. — apenas achei diferente. Gostei de como soa.
Corou. Não esperava aquilo. Ninguém além de sua família elogiara seu nome, sequer uma vez, então é como se ele fosse o primeiro a gostar dele.
— O-Obrigada. — colocou uma mecha atrás da orelha, embaraçada, e voltou a morder o sanduíche.
Sabo suspirou, tentando não sentir pena. Era claro como ela estava faminta. Não sabia de sua existência há menos de 24 horas, mas imaginava que ela estava mais magra que o normal. Sentiu raiva, mesmo sem saber direito de quem. Ela era só uma garota, será que passava fome?
— Você fala diferente, não é daqui de Tóquio, é? — perguntou.
— Não, sou de Gifu. — explicou depois de engolir. — há um mês vim para Tóquio fazer faculdade.
— Veio? Mas como? Se está ainda no terceiro ano, deveria voltar para sua cidade e terminar os estudos. — estranhou, e ela deu um sorriso forçado.
— Na verdade, eu me graduei no ensino médio na primavera do ano passado. — não viu motivos para mentir. — por algumas razões, eu só pude fazer faculdade este ano. — esclareceu, acrescentando: — quero fazer letras.
— Entendo. — Sabo deu um sorriso camarada, como se realmente entendesse o que ela passara, e não estivesse apenas sendo educado. — tenho certeza de que conseguirá.
— Mas então… — ela ajeitou a postura, preparando-se para iniciar o assunto principal da “reunião”. Apontou discretamente para Blaze, que agora bebia suco em um copo com bico. — sobre este bebê…
Sabo, que estava admirando-a, saiu do transe repentinamente, se esquecendo totalmente da presença do sobrinho ali.
— O Blaze tem dois anos e três meses. — ele começou a explicar. — eu tentei deixá-lo aos cuidados de diversas babás desde que tinha um ano, até que a agência desistiu de mim. Mesmo procurando por conta própria, ninguém aguentava ficar com ele por mais de uma semana. Depois, tentei deixá-lo em creches, mas foi expulso de todas. Ou seja: estou desesperado.
Koala ficou em silêncio por alguns segundos, assimilando a explicação confusa do outro.
— E por que ninguém consegue ficar com ele? — teve que perguntar, e Sabo suspirou.
— Ele chora o dia todo, não deixa ninguém dar comida ou banho. Chora tanto que vomita, e as babás e cuidadoras ficam com medo. — sentiu-se cansado só de lembrar. — ele não gosta de ninguém que não seja da família, e ninguém pode ficar com ele.
Sentiu vontade de perguntar dos pais dele, mas segurou a língua. Se o tio estava cuidando dele, a primeira coisa que se passou por sua cabeça era a possibilidade dos pais estarem mortos. E, se estivesse certa, provavelmente a ferida ainda não havia cicatrizado. Não era bom mexer com aquele assunto, pelo menos por enquanto.
— Ele demonstrou gostar de você ontem. — ele se curvou, aproximando-se de Koala, animado. — nunca tinha feito isso antes, até te chamou de mãe.
— Mamãe! — ele gritou ao ouvir a menção novamente.
— Viu só? — Sabo aproveitou o gancho. — ele já te ama.
— Ele não me ama. — quase não resistiu a vontade revirar os olhos. — algumas crianças têm isso, gostam de estranhos. Minha irmã mais nova também é assim desde pequenininha, mas ela não realmente amava as pessoas. — pensou naquilo por uns segundos, encarando o teto. — é mais como se ela se atraísse por pessoas boas, como se elas exalassem… Não sei, uma... Aura? — perguntou para si mesma. — enfim, estou viajando, mas acho que entendeu.
— Mesmo que ele não a ame, no mínimo, se afeiçoou a você. – insistiu, resolvendo pelos dois que aquele ponto não era mais discutível. — é a única pessoa que tem chance como babá dele. O que a impede? Já tem um emprego? Eu cubro o valor.
Ela recuou, intrigada. Será que ele era rico? Tanto ele quanto o menino tinham vestes da melhor qualidade, mas, ainda assim, era difícil dizer. Ele tinha porte e falava com clareza e polidez, mas nada impedia que uma pessoa de classe média ou pobre também falasse corretamente. Ela mesma era um exemplo disso.
— Não tenho um emprego. — admitiu ela. — e, sinceramente, gostaria de aceitar.
Sabo deu um sorriso de orelha a orelha, animando-se.
— Mas – ela alertou. — existem muitos pontos que divergem para isso.
— Como por exemplo?
— Olhe onde estamos. — ela abriu os braços, fazendo-o contemplar a universidade. — se meu nome estiver naquele quadro lá fora, estudarei aqui e serei uma universitária na próxima primavera. E imagino, que assim como eu, você também será ou é já um estudante daqui. O senhor é jovem.
Sabo admirou-se pelo poder de dedução da garota. Essa Koala lhe parecia muito inteligente.
— Vim aqui resolver isso. Também vou voltar para cá na primavera. — ele confidenciou, não gostando muito de admitir que ela estivesse certa.
— Se é como diz, tanto o senhor quanto eu estaremos ocupados durante a manhã e parte da tarde, então, como eu poderia cuidar do Blaze? Imagino que a ideia fosse que eu ficasse com ele enquanto o senhor não está.
Sabo ficou calado por uns instantes, pensando. Quando ela achou que havia se encerrado a discussão, ele disse:
— Então Blaze entrará na creche. — ele mirou o menino, que agora se divertia assistindo um vídeo infantil em seu celular. Ele sabia até desbloquear, admirou Koala. — acho que parte da culpa por ele nunca conseguir êxito em uma é porque eu não ajudava no período de adaptação. Acho que você vai conseguir.
— O senhor me superestima sem me conhecer.
— E você se subestima. — rebateu sorrindo.
Koala pensou em quantas outras meninas adorariam estar no lugar dela. Era certo que a tarefa de babá não era muito cobiçada por jovens, mas aquele rapaz era indiscutivelmente belo, de forma que sabia bem que muitas outras garotas se arriscariam a se tornarem babás apenas para ter mais chances de se aproximar dele. Além da beleza, é claro, ele tinha um ar tão educado e cavalheiro que a fazia se sentir uma verdadeira dama. Mesmo que talvez não fosse rico, certamente ele fora criado por pais muito educados.
— E os outros? — ele indagou.
— Outros? — ela se perdeu na conversa. — outros o que?
— Motivos, pontos de divergência. — explicou. — você disse que haviam vários, mas até agora só me disse um.
A moça mordeu o lábio inferior, percebendo que aquele era o único existente. Não deveria ter feito aquela hipérbole.
— Por que está tão resistente assim? — perguntou incomodado, depois de segundos de silêncio. — sei que não é o melhor emprego do mundo pra alguém da sua idade, mas é um trabalho digno. Não lhe pagarei pouco. Apenas preciso de alguém para cuidar dele.
E ela precisava de dinheiro, lembrou-se. Deveria estar dando pulos de alegria por receber uma proposta de emprego, mas… Para ser sincera, tinha um certo medo da ideia de ser babá. E se algo acontecesse? Se, por acaso, acontecesse algum acidente com Blaze, e ela ficasse tão nervosa que fosse incapaz de ajudar? Estaria responsável por uma vida. Só tinha 19 anos, seria capaz de aguentar?
Por outro lado, não fazia sentido pensar daquela forma. Se fosse assim, nunca teria trabalhado de garçonete, pois poderia derrubar um copo de vidro na cabeça de alguém e matá-la, ou trabalhar numa livraria, pois poderia pôr os livros mal colocados nas prateleiras e deixá-los cair na cabeça de alguém, ou nunca poderia trabalhar num fast-food, porque podia acabar pegando um ingrediente vencido sem querer e intoxicar o cliente.
— Eu aceito. — disse, por fim, decidida.
Sabo se pôs de pé, segurando Blaze com o braço esquerdo e pegando a mão dela com a direita, vibrando de excitação.
— Não sabe como acabou de salvar minha vida. — ele disse alto demais, atraindo olhares curiosos em sua direção. Ela ruborizou, mas ele pareceu não perceber que era o centro das atenções. — Pode ter certeza de que não vai se arrepender.
Ela realmente esperava que não.
(…)
Logo após sua conversa, Sabo lhe pediu que ficasse com Blaze um pouco, enquanto ele resolvia todas as pendências sobre sua volta à faculdade. De que curso seria ele? Com todo o charme que tinha, ficaria muito bem numa roupa de médico, além de parecer inteligente, é claro, o suficiente para ser um médico.
Blaze estava tranquilo no colo dela, como se a conhecesse desde o nascimento. Era intrigante como Sabo confiava nela. Será que não passara por sua cabeça, nem por um instante, que ela poderia muito bem pegar o bebê e sumir por aí pelo mundo? Sequestros de crianças aconteciam a toda hora, e quase sempre com um amigo próximo da família como o criminoso. Obviamente ela não era uma criminosa, mas e se fosse?
Quando ele enfim retornou, sugeriu que fossem voltar ao quadro. Deviam ter muitas pessoas lá ainda, mas talvez desse para achar seu nome, de alguma forma. Ele não foi contra, e, quando chegaram lá, havia apenas a metade das pessoas que antes estavam ali, então conseguia ver bem amplamente. Suas pernas quase ficaram bambas quando achou o nome “Fisher Koala” nos aprovados para letras, e de repente explodiu de felicidade, pulando e abraçando a pessoa mais perto dela: Sabo.
Ficou com vergonha logo que se separou do rapaz que, até pouco tempo, era um desconhecido.
— Desculpe. — ela coçou a cabeça, constrangida.
— Tudo bem. — ele sorriu sincero, e, apesar de estar com vergonha, era visível sua felicidade pela conquista dela.
Ele se sentia orgulhoso, o que era estranho, pois mal a conhecia. Por que estava tão afeiçoado a ela? Mesmo que ele próprio se perguntasse isso, não conseguia chegar a uma resposta clara.
Talvez fosse atração.
É, devia ser isso. Ela tinha belas curvas, seios fartos… Olhos um pouco grandes demais, mas nada que a deixasse feia. Era bonita, mas não deslumbrante. Provavelmente era coisa do momento, logo esqueceria.
— Bem… — falou ela após se acalmar da euforia. — está cedo, posso começar hoje, se o senhor quiser.
O ingresso na faculdade a estimulara, percebeu ele.
— Acho muito bom, assim posso redigir o contrato. — concordou.
— Onde você mora? — perguntou torcendo para que fosse perto e não tivesse que ir de metrô.
— Não é muito longe daqui. — ele tinha a mão esticada na testa, olhando em volta como se procurasse por algo. — mas demora se formos a pé.
Foi só então que Koala percebeu que tinham andado até o estacionamento.
— Ah, ali está.
Ele andou até um carrão preto muito lindo. Não era uma expert em carros, mas até ela sabia que aquele era um veículo muito caro. Acanhada, o observou colocar Blaze na cadeirinha e em seguida se sentou ao lado dele na frente, sentindo-se um peixe fora d’água, sensação que não melhorou quando, enfim, chegaram em sua casa.
Não era uma casa, como imaginou. Se tratava de um dos prédios mais chiques que já vira em toda sua vida, – ou, pelo menos, em suas semanas em Tóquio. — e todos os outros carros que estavam no estacionamento eram bonitos como o de Sabo, mesmo que ainda achasse o dele mais bonito.
— Só não repara na bagunça. — Sabo disse assim que abriu a porta do apartamento, logo que colocou Blaze no chão e este correu.
Era im-pos-sível não reparar na bagunça, pensou ela de boca aberta. O apartamento era muito grande, mas haviam brinquedos, papéis e roupas espalhadas para todo lado, como se um tufão tivesse atingido apenas aquele apartamento. Passou o dedo por uma cômoda que havia perto do hall e estremeceu ao ver a bola de pó formada em seu dedo.
Tomou a liberdade de entrar na cozinha quando o dono da casa desapareceu de sua vista, dizendo-a que podia ficar à vontade. Então, bem à vontade, foi até a cozinha checar a situação. Não sabia o que estava pior: a sala ou a cozinha. Não, com certeza a cozinha. Além de ter pratos e talheres sujos para todos os lados, estava fedendo e haviam várias embalagens de macarrão instantâneo espalhadas pelo chão. A sala, pelo menos, não fedia.
Arregalou os olhos quando viu uma barata passando. Outras garotas teriam gritado e chamado por ajuda, mas ela era Fisher Koala, então apenas enrolou um jornal que achou no chão e massacrou a barata, jogando-a no lixo depois.
— Ah, vejo que achou a cozinha. — ele disse aparecendo na batente da porta, agora com roupas mais casuais e sem óculos.
— Infelizmente achei. — resmungou, mas ele não escutou.
— Eu vou dormir um pouco, então, quando acordar, vamos discutir sobre o seu contrato. — ele abotoava a camisa enquanto falava.
— Você vai dormir? — ela mal pôde acreditar. — agora?
— Depois do que aconteceu ontem, minha noite foi péssima. — pareceu azedo ao lembrar da madrugada anterior. — preciso de um descanso, ok?
No mesmo instante Blaze apareceu carregando uma trem na mão.
— Papai! Mamãe! Vem bimcá! — ele pediu sorridente, amando estar no meio dos dois. No entanto, foi perceptível que o fedor da cozinha piorou quando o pequeno chegou.
— Pelo jeito, ele fez cocô. — Sabo observou o óbvio. — tem fraldas na gaveta do armário do quarto dele. É o primeiro naquele corredor.
Então ele se retirou, indo para seu quarto, dormir belamente em sua cama foliada a ouro, com seu travesseiro de penas de ganso. E, mesmo que não tivesse penas de ganso e ouro, a raiva tomou conta de Koala. Ela mal pusera os pés na casa e já era tratada como uma escrava? Ele era rico, mas imaginava que fosse diferente dos outros os quais Tiger-san sempre a avisara. Achava que ele queria ajuda para criar Blaze, e não uma mulher que fizesse tudo o que ele não gostasse de fazer.
— Ah, Blaze… — ela se agachou, olhando para o menino. — será que seu pai só queria uma escrava?
— Icava não! — respondeu ele. — mamãe é mamãe!
Mamãe … Nunca imaginou que fosse ser chamada assim, ainda mais por um bebê que não fosse seu.
Mas, enfim, tinha que aguentar. Precisava de dinheiro.
Mesmo que o seu patrão fosse um preguiçoso, insensível e muito, muito lindo universitário.
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