Baby Care

3 Boas empregadas


Notas iniciais
Olá meu povo! Há quanto tempo eu não apareço aqui, hein? Infelizmente, estive um pouco ocupada esses tempos com questões de estudo e uma pitada falta de criatividade, mas aos pouquinhos consegui finalizar e trazer um capítulo novo quentinho pra vcs ♥ espero que gostem e boa leitura.

“Pelo menos aqui, alguém cuida de mim. Não vou sofrer. Eu tenho vocês, e isso é muito importante pra mim.”

— bilhete de Sabo para Ace e Luffy, quando tinham 10 e 7 anos, respectivamente.

Koala era uma pessoa que não suportava sujeira. Não se autodenominava uma maníaca por limpeza, mas tinha a plena consciência de que não conseguia, em hipótese alguma, viver em um ambiente sujo e desorganizado. Mesmo em uma casa com tantas crianças, como era seu antigo lar, as coisas estavam sempre brilhando e tudo em seu devido lugar, pois os pequenos sabiam que, quando tiravam algo do lugar, o certo seria colocá-lo de volta e prezar pela organização. Ela era a irmã mais velha, ela mandava.

Ela não mandava na casa de Sabo, mas, mesmo assim, decidiu que era hora de agir. Trocou Blaze, deixou-o em um canto brincando com seus trens – era curioso como ele gostava de trens – e e começou a limpar. Primeiro, começando pela sala de estar, pegou tudo o que julgou lixo e jogou fora. Depois, começou uma bela faxina com bastante água e sabão. Coisas como livros e objetos diversos que não sabia bem onde deveriam ser colocados, decidiu por conta própria onde colocar. A culpa era dele por ir dormir e deixá-la sozinha, pensou dando ombros.

Quando chegou à cozinha, a mão foi instantaneamente ao rosto para tapar o nariz. Aquele fedor tinha que ir embora, e rápido.

(…)

Sabo acordou um tempo depois, sentindo a cabeça pesada. Estava se sentindo meio indisposto quando foi deitar, e por mais que o cochilo tivesse sido revigorante, ainda não estava completamente bem. Mas, de qualquer forma, tinha que levantar e resolver a situação de Koala ali, a pobre garota tinha sido praticamente abandonada na cozinha e não tivera tempo nem de fazer um tour pelo apartamento. Refletindo bem, tinha sido uma tremenda falta de educação.

Queria que ela morasse com ele, uma babá morando no trabalho facilitaria bastante sua vida. Onde ela dormiria? No quarto de empregada? Não, seria indelicado. Esperava pelo menos ser amigo dela, e não queria que ela ficasse num quartinho apertado. Além do mais, ela teria que estudar, e lá nem mesmo tinha uma escrivaninha. E nem no quarto de hóspedes, lembrou. Tinha que dar um jeito nisso, ela precisaria de uma pra estudar.

Ainda com a toalha em mãos, após secar o rosto, seguiu o cheiro de comida boa. Será que a vizinha estava fazendo Curry de novo?

— Koala? Blaze? — ele sentiu falta dos dois na sala, que estava… Uau, estava tão limpa como quando comprou o apartamento! Ou até mais limpa. Tinha sido Koala? Ela tinha talento para a coisa.

— Estamos aqui! — ela gritou da cozinha, e ele foi até lá.

Ela estava pondo os pratos de comida na mesa, e até a panela elétrica de arroz que ganhara de Sanji quando se mudou tinha sido usada pela primeira vez. Reparou bem, e quase chorou quando viu o Curry na mesa. Céus, fazia anos que ele não comia curry caseiro.

— Estava com pouco tempo, foi o que deu pra fazer. — ela justificou-se colocando Blaze no cadeirão de bebê e prendendo-o. — já está meio tarde, não sabia se podia usar os ingredientes, mas imaginei que você e o Blaze estivessem com fome. — após pensar um pouco, completou de bom humor: — bem, eu estou. — riu.

— Você fez curry… — ele murmurou em pé, ainda processando a informação.

— Era o que dava para fazer com o que não estava estragado na geladeira, não gosta? Não fiz muito picante, por causa do Blaze.

Nem tinha se passara por sua cabeça que o menino não podia comer coisas picantes. Sorte a dele que nunca inventara de tentar fazê-lo.

— Claro que não! Digo, gosto de curry. Eu só não esperava comer comida caseira hoje, geralmente, como em restaurantes ou peço comida. — ele se sentou à mesa, e ela pegou sua tigela para servi-lo. Koala tivera um impulso de mãe, será que a mãe dela era muito ausente em casa e tinha cuidar de um irmão mais novo? Muitas adolescentes passavam por situações parecidas.

— Ele consegue comer sozinho? — a menina hesitou em dar o prato para o menino, que salivava vendo o curry. E se ele batesse a mão no prato e se sujasse todo? A comida não estava pelando, mas ainda era perigoso.

— Consegue, só precisa dar uma colher para ele. — Sabo encarava o prato, misturando o curry com o arroz, então levando a colher à boca.

Ela pegou a colherzinha e deu a ela. Pegou-se admirada pelo rosado. Não se lembrava de seus irmãos comendo sozinhos com a colher com menos de 3 anos.

— Ele é bem talentoso. — comentou quando começou a comer. — já até come de colher, isso é incomum pra idade dele.

— Mas faz bastante sujeira, mesmo com o babador, sempre tenho que dar banho dele depois de comer. — respondeu. — você parece entender mesmo de crianças, cuidava de um irmão mais novo?

— Um? — ela riu, lembrando a turminha sapeca que encontrava em casa quando chegava da escola. — eu tenho seis irmãos mais novos, e o mais velho ainda está na 6ª série.¹

Sabo quase cuspiu o arroz todo na cara dela.

— SEIS? — ele gritou. — meu Deus, e eu achando que a natalidade no Japão estava em colapso. Sua mãe é uma verdadeira corajosa. — apontou para ela com os hashis. — apenas o Blaze já me dá muito trabalho, cuidar de tantas crianças deve ser um suicídio diário.

Koala ficou em silêncio, encarando o prato com um sorriso amarelo. Sabo pensou ter visto algo estranho no rosto dela. Será que ela estava triste por conta da saudade? Morara a vida toda em Gifu, cortar o cordão umbilical assim devia ser difícil.

— Reparei que você fez uma bela faxina, acho que tenho que agradecer. — ele mudou de assunto. — eu até consegui ver meu reflexo no espelho perto da cômoda, acho que não consigo me ver ali há uns dois anos.

— Não precisa agradecer, eu gosto de limpar, me dá prazer. — ela sorriu novamente, e depois adotou uma postura mais íntima. — mas não é bom manter a casa suja quando se tem uma criança, o senhor deveria ficar mais atento a isso.

— Não fique me chamando de senhor o tempo todo, fica parecendo que eu tenho 40 anos, quando na verdade só tenho 22. Não sou tão mais velho que você, me chame de você ou de Sabo, mesmo.

— Chamar o senhor pelo…?! — ela arregalou os olhos pensando em tamanha ousadia. Ela seria empregada dele, como poderia ter tanta ousadia em chamá-lo pelo nome? No entanto, ele a encarava com um olhar advertido, como se desse um sermão por chamá-lo de senhor novamente. — Tudo bem, Sabo… — ela sentiu as bochechas esquentarem. Nunca chamara um homem pelo nome. — Sabo...Kun… — achou que o honorífico traria mais conforto a ela.

— Papai Sabo-kun não! — Blaze intrometeu-se. — papai Sabo!

— Isso mesmo, papai Sabo. — o próprio riu bagunçando os cabelos de Blaze, que se sentiu orgulhoso de si mesmo.

Koala sentiu um calor no peito vendo aquela cena. Não os conhecia bem, mas já conseguia notar o laço que existia entre os dois. Devia estar sendo difícil para Sabo criá-lo, mas ainda conseguira dar amor paterno ao pequeno. Ela, mas do que ninguém, sabia o quanto isso era importante quando não se tinha uma mãe.

— Foi você que o ensinou a chamá-lo de papai? — perguntou a Sabo, realmente interessada.

— Não. — o loiro riu de canto. — Blaze começou a me chamar assim depois que passou pela primeira creche. Acho que entre um choro e outro ele viu as outras crianças chamando os pais de “papai” e aprendeu. Nunca me incomodou, e nunca pensei muito sobre isso. — ele deu ombros, observando o pequeno comer enquanto falava.

— É bom ter alguém para chamar de pai.

— Antes disso ele me chamava de titio. Eu tenho um irmão mais novo, ele o chama assim. — comentou.

O loiro percebeu que fazia tempo que não conversava assim com alguém. Sempre fora uma pessoa fechada, não gostava de falar das intimidades de sua vida com qualquer um, e mesmo que a nova babá fosse praticamente uma estranha em sua vida, algo nela fazia com que se sentisse completamente à vontade em sua presença.

Depois que o jantar acabou, Sabo apressou-se e foi lavar a louça, como uma forma de livrar Koala de mais um trabalho. Ainda assim, a garota foi teimosa e mesmo com patrão advertindo-a que não era necessário, ajudou-o a lavar. Por Deus, a garota gostava tanto assim de trabalhar? Nenhum dos empregos da casa principal fora tão ativo em anos quanto ela em horas.

Em seguida, foram discutir a parte burocrática do contrato. Inicialmente, estava interessado apenas em uma babá para o menino, mas quando viu o talento que Koala tinha para a cozinha e para a limpeza, decidiu que aumentaria bem mais o seu salário e estenderia o trabalho também para governanta. Não queria explorá-la; obviamente a ajudaria nas tarefas, mas seria crucial em sua vida que Koala aceitasse o emprego.

Ela pareceu em choque depois que viu o valor que receberia mensalmente.

— Nossa… — ela pegou o papel nas mãos, quase não acreditando. — esse vai ser o meu salário?

— Sim, se você aceitar se tornar babá e governanta. — disse ele, logo depois lembrando: — Ah, também posso aumentar se você morar aqui, isso quebraria um galho danado.

Morar ali? Certo que ele parecia um bom rapaz, mas Koala não iria morar com um homem que acabara de conhecer.

— E-Eu morar com você? — exclamou sem pensar, e Sabo adquiriu uma expressão ofendida.

— Não vou dormir do seu lado numa cama, você pode ficar no quarto de hóspedes. — ele explicou apontando para uma das portas no corredor. — achei que já tivesse entendido que não sou nenhum homem suspeito.

— Não foi isso que eu quis dizer. — ela se defendeu, percebendo a chateação dele. — eu apenas prefiro morar sozinha, só isso.

Alguns minutos de silêncio tenso se instalaram no escritório, sendo preenchidos apenas pelas balbuciadas de Blaze.

— Tudo bem, não a forçarei a nada. — Sabo disse, por fim.

— Obrigada.

— Apenas preciso que assine aqui e estará tudo certo.

Ela assinou, sentindo-se estranhamente nervosa. Tudo ficaria bem. Pagaria as taxas da faculdade, conseguiria mandar dinheiro para seus irmãos, sobraria verba ainda para poder se alimentar bem e talvez até comprar umas roupas, num futuro próximo. Mas, por algum motivo, sentia como se uma fase importante de sua vida se inciaria ali, e isso a deixara insegura.

Mas agora, estava feito.

— Pode me dar seu LINE²? — Sabo tirou um celular poderoso do bolso, e ela sabia daquilo porque fora anunciado há pouco tempo aquela versão. Se não estava enganada, era um Smartphone da marca R.A, uma das empresas com a tecnologia mais avançadas do mundo. — Koala? — ele chamou-a novamente, vendo que não respondera.

— Eu não tenho LINE.

— Não? Então seu e-mail serve, precisamos manter contato de algum jeito.

— Também não tenho e-mail. — ela contou. — eu não tenho celular.

— Não? — Sabo estranhou. — então como fala com sua família?

— Eu… — ela hesitou em falar. Da última vez que revelara seu passatempo, fora chamada de “Vovó Koala” pela escola inteira. — eu ligo de um telefone público.

Sabo pensou sobre isso por alguns segundos, assimilando a conversa, e, aparentemente, foi convencido de que ela falava a verdade. Não se lembrava de já ter conhecido alguém que não tivesse ao menos um celular flip, mas ela não teria motivos para mentir. Talvez ela fosse mais pobre do que ele imaginara.

Um tempo depois, ele estava mostrando o resto da casa para sua nova empregada.

— Esse é o quarto do Blaze. — mostrou-lhe abrindo a porta.

Koala reparou que estava surpreendentemente arrumado. Decorado com tons pastéis de azul-claro e branco, tinha um armário que provavelmente estava cheio de roupinhas. Quando ia trocar a frauda de Blaze, mais cedo, nem precisara ir ao cômodo com Ace sugerira, já que achara um pacote de fraudas lacrado na sala mesmo, então cada detalhe que via era exclusivamente novo.

O quartinho era fofo, mas parecia de um bebê pequeno, e os móveis estavam meio empoeirados, e isso lhe chamou atenção.

— Ele usa esse quarto? — perguntou.

— Era para usar, mas não. Decorei tudo pra vinda dele, mas ele só queria dormir comigo, então esse cômodo é meio que um armazém das coisas dele. Pego fraudas e roupas, mas ele nunca dormiu aqui.

Uma pena, ela pensou. Os móveis eram da melhor qualidade, e até os bichinhos de pelúcia usados na decoração custariam seu rim, e mesmo assim, era dinheiro todo desperdiçado. Queria que seus irmãos tivessem tido os mesmos privilégios quando eram bebês, as fraudas descartáveis faziam falta.

— Papai! — Blaze puxou a barra da calça dele. — vamo pashiar?

Sabo olhou no relógio de pulso, em seguida olhou para a janela, pensando sobre a temperatura lá fora.

— Acho o clima está bom para um passeio, não é, Blaze-chan? — Koala pegou o menino no colo, que sorriu.

Tinha pensado que estava um pouco frio, mas talvez fosse bom dar um passeio. Fazia um tempo que não ia na pracinha local, talvez Blaze estivesse precisando esticar as pernas um pouco. Logo, sem demonstrar qualquer contradição, aceitou a sugestão e foram a pé até o parquinho. Não tinha necessidade de pegar o carro.

Como sempre, Blaze pegou seu trem e foi direto para a caixa de areia. Era a brincadeira que ele mais gostava, e uma vez Sabo até reparara que o sobrinho fazia seus próprios trilhos com o dedo na areia, por mais que a areia dificultasse um pouco para as rodas do trem andarem.

— Até que ele não é tão grudado em você como disse. — ela comentou quando se sentaram os dois em um banco não muito longe dali, onde podiam observar Blaze. — ele brinca sozinho tranquilamente.

— Ele aprendeu a brincar sozinho. — Sabo respondeu, sem mirá-la, depois, então, murmurou pensativo: — somos dois sozinhos, sem amigos…

Koala não respondeu, porque imaginava que ele falava para si próprio. O loiro não parecia ali, era como se estivesse perdido em pensamentos em um lugar completamente diferente. O que será que ele pensava? Por que dizia coisas como aquelas? Ele tinha uma cicatriz chamativa, mas fora isso, era um exemplo de beleza, não poderia ter alguma dificuldade em fazer amigos, poderia? Inclusive, ele citara que tinha um irmão, não podia ser completamente sozinho.

Mas ela não podia indagá-lo. Não o conhecia há muito tempo, e ele poderia encarar aquilo de forma invasiva. Decidiu, então, deixar esse assunto quieto, e se contentar com as próprias teorias.

— Os pais do Blaze… — ela começou a falar, hesitante, como se, mesmo com a voz saindo, não estivesse certa se deveria estar abrindo a boca. Parou de encarar o chão e virou o rosto, mirando o loiro. — qual deles é seu parente?

Sabo engoliu o seco – ou talvez houvesse saliva, ela não sabia. — e a encarou de volta, com uma expressão difícil de decifrar. Não sabia dizer se ele estava incomodado ou até mesmo com raiva da pergunta dela, e, ao mesmo tempo, estava calmo, como se ela tivesse perguntado-o o que comeu no almoço. Se arrependeu de ter perguntado aquilo, mas retirar a pergunta seria igualmente constrangedor.

— O pai dele. — ele quebrou o silêncio de minutos, parando de olhá-la para voltar o olhar a Blaze. — o pai dele é meu irmão.

“é”, e não “era”, Koala reparou. Ele não estava morto, mesmo que Sabo tivesse a expressão de alguém que dizia que ele havia deixado-os.

— Me desculpe. — ela lamentou, e ele a olhou curioso. — eu fui muito indelicada. Sou só uma babá, não devia ter invadido sua privacidade dessa forma.

— Ah, o que é isso, Koala. — ele riu de canto, espantando as desculpas dela com a mão. — começamos com o pé esquerdo, mas agora está tudo bem entre nós, não está? Não precisa ficar se diminuindo assim.

— É porque, às vezes, quando eu olho pro senho- ela corrigiu-se imediatamente – você não parece estar aqui. Está sempre pensando, divagando…

— O pensamento e a racionalidade são um privilégio da raça humana, não acha?

— Acho, mas uns fazem mais do que o outro. Você, em especial, o faz muito, Sabo-kun.

Sabo não soube bem como responder aquilo, porque nem ele próprio sabia porque tanto divagava. Será que isso começara quando Ace sumira? Depois que ele se fora, havia ficado mais sozinho do que nunca, e talvez isso resultara nele conversando consigo mesmo, em pensamentos. Em geral, pensava em Blaze, e não tinha com quem dividir aquilo. Talvez, com Koala ali, aquela mania diminuísse um pouco.

— Realmente. — ele concordou, mas antes que Koala pudesse responder, foram distraídos por um barulho de choro vindo do lugar onde Blaze estava.

Quando se viraram, viram que havia um outro menino na caixa se areia, perto de Blaze. Era mais velho, devia ter uns quatro ou cinco anos, mas não deixara de ser uma criança também. Quando se aproximaram para ver o que houve, repararam que Blaze também chorava, mas seu choro era abafado pelo choro escandaloso do outro menino.

— O que houve aqui? — Koala perguntou levantando Blaze e batendo em sua bunda, a fim de retirar o excesso de areia. O pequeno aproveitou a aproximação da mais velho e esticou os braços, pedindo colo.

— Ele quebrou meu Max Steel! — o menino disse entre berros, um pouco antes de uma mulher, que julgaram ser sua mãe, apareceu.

— O Blaze quebrou? Como? — Sabo estranhou, então procurou o boneco com os olhos, e, realmente, ele estava partido ao meio.

— Ele sentou em cima! — o garoto acusou, em seguida, olhando para a mãe. — meu boneco favorito!

— Ora, vocês são os pais desse menino? Espero que assumam a responsabilidade, ele quebrou o boneco do meu filho! — a mãe vociferou, adotando uma postura autoritária.

— E foi de propósito! — o pequeno diabinho acrescentou, vendo que a mãe estava totalmente do seu lado.

— De propósito, ainda por cima?! — ela mostrou-se chocada.

— Impossível o Blaze ter feito isso de propósito, compare o tamanho dele e do seu filho! — Koala defendeu-o, pondo-o no colo. Já estava irritada. — tenho certeza de que foi um acidente.

— Como sempre, esses jovens fazem bebês e não sabem educá-los direito, é por isso que as crianças estão cada vez mais rebeldes. — ela reclamava bem alto, chamando atenção de outras mães que levavam seus filhos ao parque.

Koala estava envolta em raiva. Quem ela achava que era? Não ia deixar que falassem assim dela e muito menos de Blaze, que certamente não quebrara o maldito boneco de propósito – isso se ele tivesse quebrado, o que não tinha muita certeza. -

— Quanto?

Sabo interrompeu a mulher, cruzando os braços e olhando-a com uma expressão de tédio. Ela começou a encará-lo, confusa.

— Quanto foi o boneco? — ele reformulou a pergunta, e a mulher pareceu confusa sobre o que responder.

— 1000 ienes. — ela respondeu, cruzando os braços. — como pode ver, não foi barato.

Calmamente, Sabo tirou uma carteira do bolso, e chamou atenção enquanto procurava algo em meio ao molho de cartões. Então, segundos depois, Koala arregalou os olhos quando viu-o retirar uma nota de 5000 ienes e entregar à mulher rechonchuda.

— Isso paga o valor, espero. — falou com cara de cansaço.

A mulher ficou calado, exasperada com o valor em sua mão. Em silêncio, ela assentiu, puxou o menino pelo braço e saiu dali, deixando até o pobre Max Steel quebrado, no mesmo lugar.

(…)

— Por que fez aquilo?

Koala se manteve durante todo o caminho de volta para casa, e até bastante tempo depois disso, calada. Mas seu sangue falava mais forte, e não conseguia ficar calada e aceitar aquela situação numa boa.

— Aquilo o que? — Sabo perguntou distraído, procurando algo no armário da sala.

— “Aquilo o que”? É óbvio que estou falando do que aconteceu no parquinho. Viu aquela mulher ofendendo a nós e acusando o Blaze, e não fez nada!

— Eu fiz sim, eu assumi a responsabilidade e paguei pelo boneco. — ele retrucou calmamente, ainda sem encará-la, o que a deixou ainda mais irada.

— Estava óbvio que Blaze não quebrou por querer, não devia ter deixado ela falar com a gente daquele jeito. — cruzou os braços, relembrando a cena.

— Discutir só atrairia atenção. Eu odeio atenção, por isso paguei a mais para que ela se calasse. — ele pareceu achar o que procurava: uma caixinha de cor branca.

— Não pode sair comprando as pessoas dessa forma. — ela retrucou, mas ele pareceu nem ouvi-la. Sabo estendeu uma caixa em sua direção, e ela pegou, confusa. — o que é isso?

— Um celular. — disse ele. — é para mantermos contato.

Ela mal pôde acreditar quando viu que era um Smartphone da marca R.A em suas mãos. Era absurdamente caro, como ele podia dá-lo assim de mão beijada a ela?

— É igual ao meu, só que branco. É o mais popular entre as mulheres.

Ela quase tacou a caixa na cabeça nele.

— Preste atenção no que você mesmo está dizendo! — ela exclamou, aproximando-se dele perto demais. Por causa de sua altura em relação a ele, tinha que ficar olhando para o alto. — Sabo-kun, não pode sair comprando qualquer um quando bem entende! Agora mesmo, eu estou tentando discutir com você e então você me dá um smartphone para eu me calar!

— Não foi pra se calar! — ele fechou a cara. — foi só pra, ahn…

Ele odiou-se por não pensar numa resposta. Talvez fosse, de fato, para fazê-la se calar e encerrar aquele assunto.

— Só o que eu queria era que você tivesse lidado com a situação de uma outra maneira. — ela pôs os dedos nas têmporas.

— Bem, é assim que eu lido! Sinto muito se não lhe agrada! — Sabo cruzou os braços, irritadiço.

Koala contraiu o maxilar. Era assim que seria o dia a dia com aquele homem teimoso?

Que Deus a ajudasse, porque o que mais sentia vontade era de dar um soco nele.

E boas empregadas não davam socos em seus patrões.

Pelo menos, não no primeiro dia de trabalho.

—

Explicando:

1 – No Japão, as pessoas têm o costume de dizer em qual série escolar uma criança está quando quer se referir à sua idade. No caso, Koala inferiu que o irmão tem entre 11 e 12 anos.

2 – Aplicativo de conversa muito famoso no Japão, equivalente ao Whatsapp no Brasil.

Notas finais
Sabo e Koala mal começaram, e já estão com dificuldades, hein? Parece que nem todo casal começa sua relação (seja qual for o tipo) com o pé direito. Animados para saber o desenrolar? Aguardo os comentários ansiosamente ♥