Baby Care
33 O preço da vida

“Às vezes tenho pensamentos ruins, Ace. Daqueles que se perguntam se vale à pena viver”
— de Sabo para Ace, três meses após sua partida.
— Não.
Koala mal podia acreditar que estava negando algo pedido por um homem que tinha um revólver apontado para sua cabeça. Em meio ao terror que atingiu seu corpo, pensou em fugir. Mas não conseguiria ir muito longe. Ele estava de carro, e ela, a pé, a ainda com Blaze no colo. Não, não adiantaria correr. Gritar? Também não era uma boa ideia. Ele podia atirar a qualquer momento.
— Eu vou no lugar dele.
— Entra no carro agora. Com ele.
Com os pés trêmulos, um bolo na garganta e os olhos arregalados, ela entrou.
(...)
Sabo foi de uma pessoa determinada à uma pessoa preocupada em questão de minutos, quando chegou no apartamento novo de Koala e encontrou todas as crianças dormindo. Quem abriu para ele foi Shin, o único que ainda estava acordado esperando sua irmã.
— Ela foi na creche? — perguntou novamente, tentando entender direito. Fora até ali de carro, mas subira pela escadaria do prédio, tamanha era sua euforia. — por que ela foi lá essa hora?
— O Blaze foi passar a noite lá, você não sabia? — Shin estranhou, afinal, ele era o pai. — todas as crianças da turma dele foram participar da festa do pijama.
— Eu... Eu... — o mais velho coçou a cabeça, sem graça. — não sabia. Mas... Espera, faz muito tempo que ela saiu?
— Acho que uns trinta minutos.
— Trinta minutos? A creche dele fica a uns cinco minutos daqui a pé. — exclamou.
Sabo pôs-se de pé no mesmo instante, com um pressentimento tão ruim que era difícil até mesmo de explicar. Koala não deveria ter saído no meio da noite sozinha, ainda mais com uma criança pequena. Assim que a visse, a primeira coisa que faria seria fazê-la prometer que jamais o preocuparia assim, porque era uma sensação terrível.
Mas, ainda assim, talvez ela tivesse ficado lá para acalmá-lo. Foi correndo até a creche em uma velocidade tão grande que levou apenas três minutos. — ou menos — Entretanto, tudo o que encontrou foi a professora confusa.
— Já faz um tempo que Koala saiu com Blaze daqui. — ela disse sussurrando, para não acordar as outras crianças. — há uns... Vinte minutos. — a mulher checou em seu relógio. — aconteceu alguma coisa?
Sabo começou a andar de um lado para o outro, desejando, do fundo de seu coração, dizer que não, mas seu sexto-sentido gritava em seus ouvidos que algo não estava certo.
Saiu da creche e procurou algum sinal de Koala pela vizinhança, mas não achou nada, apenas becos vazios. Deixou uma mensagem para Shin, para que ele lhe avisasse caso Koala voltasse, e por uma hora, procurou por ela em todos os locais viáveis, enquanto ligava para todos os conhecidos possíveis, mas absolutamente ninguém tinha qualquer notícia dela.
Parecia que ela e Blaze haviam simplesmente... Desaparecido.
(...)
— É melhor ficar quietinha, ou a coisa vai ficar feia pro seu lado.
Tremendo, Koala segurou Blaze mais forte em seu colo. Ele ainda dormia profundamente, sem ter a mínima noção do que estava acontecendo.
Os dois estavam em uma van branca e, infelizmente, não conseguiu visualizar a placa. Havia uma pessoa dirigindo, mas era impossível distinguir quem. O homem que a mandou entrar, no entanto, ela tinha a impressão de que conhecia de algum lugar, mas não conseguia se lembrar de onde.
Tentou se manter calma. Olhou em volta, pensando em alguma coisa que poderia fazer. Olhou para a bolsa de Blaze. Ela havia levado celular? Lentamente, tateou os bolsos atrás de qualquer vestígio dele, mas estavam vazios. Inferno.
— P-Por que estão fazendo isso? — sua voz vacilou quando tomou coragem para falar. — peço a você, não faça nada de ruim com...
— Você tá muito valentona pra alguém que tá na nossa mão. — o homem que a abordou mostrou novamente o revólver. — a gente tá aqui pra terminar o serviço, mas se vier de brincadeirinha vou entregar a encomenda com um amassado.
Arregalou os olhos, não querendo nem pensar no que “amassado” poderia significar.
O sequestrador colocou um saco de pano em sua cabeça subitamente, assustando-a.
— É pra ficar quieta, afobadinha.
Então começou a contar os segundos, e conseguiu chegar a um número aproximado de uma hora e trinta e sete minutos quando a van parou. Já estava consideravelmente longe de seu bairro, e não tinha a mínima ideia de pra onde os haviam levado. Será que era apenas um sequestro? Se fosse esse o caso, e entregassem Blaze bem, são e salvo, poderia aguentar, mas se fosse o caso de alguém querendo apenas fazer mal a ele, tinha que pensar em um plano de fuga.
Ouviu a porta da van se abrir com violência, e ouviu duas vozes conversando. Uma era do homem, e a outra era feminina.
— Ele só vem de manhã? Almofadinha preguiçoso.
Então um som de cuspe.
— Contando que eu receba, não tô nem aí.
De manhã?! A porta da van se fechou de uma vez, e sentiu que estava sozinha. Esperou alguns minutos até sentir que estava sozinha ali, e com as mãos trêmulas, tirou o saco de sua cabeça. As janelas da van já eram escuras, e parecia estar em um lugar mais escuro ainda, pois não se via absolutamente nada.
Era uma mulher corajosa. Se estivesse sozinha, agiria de alguma forma mais ousada, mas o tom do homem deixava claro que não estava brincando em suas ameaças.
Pensou em Sabo. Ela o queria mais que tudo. Queria que ele os protegesse, queria o abraço dele e sentir seu cheiro. Queria entregar Blaze, perfeitamente bem em seus braços, e perguntar o que achava de ir levá-lo ao parquinho. Será que o veria outra vez? Sua história acabaria ali, daquele jeito? E o pior era saber que, àquela hora, ele devia estar dormindo completamente alheio ao seu sofrimento.
Fechou os olhos, voltando a contar os segundos. Estava cansada e com sono, mas não dormiu. Ao invés disso, contou sete horas.
(...)
Se um dia Sabo achou que estava desesperado, estava muito errado. Nenhum desespero em todos os anos de vida se comparava ao que ele sentia agora. A angústia, a dor, aflição... Tudo isso o matava por dentro a cada segundo que passava.
Foi até o apartamento novo de Koala, entender exatamente como tudo aconteceu antes dela sair. Mas infelizmente, Shin havia ido dormir antes dela sair de casa, e não sabia de muita coisa. Quando explicou o motivo de tantas perguntas, o menino começou a chorar, mesmo que tentasse se segurar ao máximo.
— O que vamos fazer? — ele perguntou.
Pudding chegou logo em seguida, junto de Sanji, que se comprometeram a ficar com os pequenos, que ainda dormiam, e a avisar caso Koala voltasse com Blaze. Àquela altura, já havia avisado à polícia, que começava a fazer rondas atrás dos dois.
Naquele momento, Sabo percebeu que já fizera tudo que estava ao seu alcance naquele momento, e isso era o próprio inferno, porque queria fazer alguma coisa. Queria ir para algum lugar, não suportava ficar parado quando seu coração estava tão apertado. Decidiu, então, voltar para casa. Shin também resolveu ir com ele para a mansão, e não contestou. Já era de manhã.
— Vasculhamos o celular dela, mas não achamos nenhuma pista. — disse o investigador, quando chegou. — a professora foi a última pessoa que viu os dois, o que nos dá uma margem de tempo entre a escola e o apartamento, mas infelizmente ela passou por um bairro residencial, não havia nenhuma câmera que pudesse gravar os dois.
— Que dizer que uma mulher e uma criança somem e vocês não conseguem descobrir nada que preste? — ralhou o loiro, irritadiço. — já acreditei mais na polícia japonesa.
O oficial fechou a cara, mas não retrucou, ciente da importância que Sabo tinha. E, afinal, sabia que ele estava nervoso.
— Não consegue se lembrar de nada que possa ajudar nas investigações? Nenhuma pessoa suspeita?
— Já lhe disse que não! Será que não escu... — Sabo foi parando de falar os poucos, o rosto se enchendo de fúria quando se lembrou da primeira pessoa que deveria ter desconfiado. — Foi ela! — se levantou de uma vez, serrando os punhos. — Ela está envolvida nisso! Mande caçá-la agora, ou eu mesmo farei isso, e vou estrangulá-la para que fale, se for preciso.
A cada segundo que se passava, os piores cenários já imaginavam se passavam por sua mente. Eles podiam estar feridos, com medo, ou... Ou o pior. Bateu na própria cabeça, se castigando com dor por pensar o pior de tudo. Não. Eles estavam bem. Eles tinham que estar.
Porque Sabo, com certeza, não estava.
(...)
— Saia.
Koala se assustou quando uma mulher abriu a porta — ou que parecia ser uma mulher. Ela era bem grande e masculina. — e aninhou Blaze para mais perto. Sua ação acabou por acordá-lo, que olhou em volta sem entender o que acontecia.
— Mamãe? — disse Blaze, sonolento.
— Onde estamos? — Koala perguntou fitando a mulher.
— Até parece que eu vou te dizer — a mulher ironizou.
Hesitante, Koala desceu da van, notando que estava em um lugar escuro. Parecia um galpão abandonado ou algo assim. Era bem largo, e em alguns lugares haviam restos de obra, coisas quebradas e teias de aranha. Deixou Blaze em seu colo, e a bolsa de Blaze ainda estava consigo.
— Me passa isso aqui. — a mulher praticamente arrancou a bolsa da mão de Koala. Ela parecia finalmente ter pensado na possibilidade de haver algum aparelho na bolsa.
O que, lamentavelmente, não havia. A mulher começou a jogar tudo no chão, para garantir que estava sem nada. Ali só haviam fraldas, algumas papinhas para bebê, suco e bolachas. E um “Thomas”, afinal, Blaze sempre o carregava por aí.
— Meu trem! — ele apontou para o brinquedo. — quero o trem!
A mulher riu de canto, se levantando. Isso chamou atenção para sua arma, que carregava na cintura.
— Pega logo esse troço pra ele.
Demorou alguns segundos para que Koala entendesse o que ela dizia. Com cuidado, pôs Blaze no chão, mas ainda colado em si, e arrumou a bolsa novamente, dando o trem na mão dele. Não fazia ideia de quanto tempo ficariam ali, mas precisaria daquelas coisas.
— Que menino lindo você tem aí — a mulher sorriu, mostrando seus dentes amarelos. — muito lindo, mesmo.
Ela esticou a mão para tocá-la, mas Koala o esquivou na mesma hora.
— Não toque nele! — gritou. — não quero que ninguém toque nele.
Algo estalou dentro de si, refletindo as palavras que ela dissera. Por Deus, conhecia aquela mulher! Era a mulher que a abordou meses atrás. Estava no estacionamento de uma loja esperando Sabo, sozinha com Blaze, quando ela se aproximara com uma conversa muito esquisita, perguntando coisas demais.
— Você... — murmurou. — você é aquela senhora.
— Hum, demorou demais pra lembrar. — ela cuspiu no chão. — como é lenta.
Ela pegou o revólver, apontando para uma porta.
— Pra lá. Anda, agora.
Segurando Blaze, Koala a obedeceu, divida entre a vontade de começar uma luta corporal para fugir — o que não era uma boa ideia, visto que teria que soltar Blaze, e não faria isso — e se jogar no chão, implorando piedade.
— V-Vai nos deixar lá por quanto tempo?
Lembranças de casos que já vira sobre pessoas sequestradas por anos, presas em cativeiros, se passaram por sua mente, fazendo seu peito subir e descer em desespero.
— O tempo que ele quiser.
Afinal de contas, quem era ele? O homem que vira na van?
Mesmo cheia de perguntas, obedeceu a mulher, sentando-se no chão, no canto mais distante da porta, com Blaze em suas pernas. A mulher fechou a porta, trancando. Até que Koala escutou o som de passos, e em questão de segundos, uma silhueta apareceu à porta. Estava muito nervosa, mas mesmo assim, semicerrou os olhos para enxergar melhor. Haviam duas pessoas, o homem que a sequestrara , grande e de cabelos roxos, e...
Um homem ruivo, cortados como uma tijela, lábios grossos e um nariz fino. Ele tinha um sorriso no rosto, e uma expressão presunçosa que ela se lembrava já ter visto em algum lugar. Era...
Por Deus, era Sterry.
O mesmo Sterry que Sabo odiava, e que se aproximou dela duas vezes com intenções duvidosas. Não o via há meses, nem mesmo se lembrava da existência dele!
— Ora, ora, parece que a empregadinha conquistou um posto mais alto que o normal — ele zombou, parando a uns dois metros dela. Seu queixo estava levantado, ressaltando ainda mais sua altura sobre a dela. — nunca duvidei de sua capacidade de ser uma interesseira, caipira, mas não acreditei que fosse tão longe.
— Então era você! — gritou. — Eu não sou nenhuma interesseira! Nenhum dinheiro do mundo me interessa, eu só quero... — pôs a mão na cabeça de Blaze, em seu colo. — eu só quero que o Blaze fique bem.
— Acha mesmo que foi inteligente vir com ele? — Sterry riu. — você só melhorou ainda mais meus planos!
— Planos? — ecoou.
— Não consegui te usar àquele tempo, mas me parece que você vai ser útil agora.
Lentamente, ele se aproximou de Koala, e se abaixou, pondo o rosto poucos centímetros do dela. Lentamente, ele acariciou as pontas de seu cabelo.
— E pensar fez pouco caso da minha proposta... Poderíamos ter nos ajudado. Agora... — ele puxou o cabelo dela com toda força. — não vai ter nenhum D pra te ajudar, vadiazinha.
Koala cuspiu na cara dele, que a soltou no mesmo instante, cerrando os dentes de raiva.
— Cadela promíscua! — ele gritou, e virou-se para os capangas. — sem ração e água pelo dia inteiro! Essa caipira tem que aprender quem manda aqui. Na verdade, os dois tem que aprender quem é Sterry. Mas daquele loiro — rindo, ele balançou a mão para se livrar dos restos de cabelo dela. — já estou tomando conta.
(...)
Quando a polícia trouxe sua principal suspeita, Luffy, Nami e Shanks já haviam chegado. Trocara apenas algumas palavras com os três, pois naquele momento tudo o que queria pensar era em Koala e Blaze. Andando de um lado para o outro, não conseguia esperar quieto por uma resposta.
— Ainda nada — voltou a dizer. — nenhuma ligação. Nenhum pedido de resgate!
— Isso é realmente estranho — concordou o investigador. — tem todos os traços de um sequestro.
— Mas já procuraram pela cidade toda? Tem certeza? — Nami indagou chorosa.
— As buscas não pararam, senhorita. Nossas viaturas continuam rondando a cidade inteira, e até fora dela, mas a expectativa é que se faça contato em breve, caso contrário, podemos começar a considerar outros tipos de crime.
— Como o que? — Luffy perguntou.
O investigador falou baixo, apenas para o casal ouvir:
— Homicídio.
Mas Sabo escutou, e trincou a mandíbula tão forte que poderia facilmente quebrar os dentes.
— Eles não... — murmurou para si mesma, incapaz de dizer aquelas palavras. — eles estão bem. Eu sei que estão.
Dois homens entraram na casa, acompanhados de uma mulher. Ao se virar para ver quem era, Sabo sentiu o sangue subir para seus olhos.
— Didit! — ele berrou, correndo até ela. Iria matá-la. Iria enforcá-la, e ver seu corpo sem vida no chão, e por fim, dançaria por cima de seu túmulo. Mas faria isso quando conseguisse encostar as mãos nela, porque agora os oficiais o seguraram. — eu vou esganar! Sua filha da...!
— Sabo! Para com isso! — Luffy o puxou. — se controla!
O puxão do irmão pareceu ter efeito sobre ele, que se acalmou — mas apenas o suficiente para não cometer um parricídio. Didit tinha um pano sobre a boca, e de seus olhos saíram lágrimas.
— Eu juro, meu querido filho, juro que não tenho nada a ver com isso! — ela falou. — e-eu apenas...
— Mentira! — gritou. — você apareceu aqui há pouco tempo, e agora isso! Eu sei muito bem que você e Outlook estão metidos nisso! São dois interesseiros, que não se satisfazem em acabar com a minha vida uma vez! — ele chegou bem perto de seus olhos, com um olhar assassino que deixou até os oficiais um pouco temerosos. — se acontecer alguma coisa com minha mulher e o meu filho... É melhor começar a rezar, porque seus dias e o de Outlook estão contados.
— O seu pai...
— Não chame ele assim! — a cortou.
— Outlook morreu — a mulher esguia engoliu o choro. — falo a verdade.
— Mentirosa!
— Ela está falando a verdade — disse um dos policiais. — investigamos a fundo, e o marido morreu há alguns anos. Ainda estamos investigando o possível envolvimento dela, já que é a principal suspeita. As câmeras de segurança do bairro mostraram que ela andou nos arredores, e a história sobre retratação é muito controvérsia.
— Admito que foi tudo invenção, eu só... — Didit soluçou de choro. Devia estar morrendo de medo de ser presa. — só queria uma ajuda financeira. Mas eu não tenho nada a ver com o que está acontecendo.
— Tirem ela daqui.
Sabo virou de costas, incapaz de olhar sequer mais um segundo para ela. Não estava nem aí que Outlook estava morto. Não queria ter relação alguma com essa família. Queria saber de sua família.
Se bem que...
— Sabo!
Sabo se virou, e viu Kid entrando enquanto Didit era levada embora. Ele tinha uma mochila nas costas, e estava ofegante como se andasse rápido. Atrás dele vinha Trafalgar.
— Kid, Tral! O que fazem aqui? — Luffy perguntou.
— Trafalgar, Eustass, não tenho tempo para lidar com ninguém agora — adiantou Sabo, impaciente.
— Desculpe a intromissão, mas viemos o mais depressa possível — Law olhou para o policial.
— Como conseguiram entrar? — Shanks perguntou. — demos a ordem para ninguém passar.
Uma terceira voz foi ouvida:
— Eu permiti.
Todos os presentes se viraram para trás, e até os policiais, que eram as autoridades dali, ficaram um pouco mais eretos ao estar diante do grande e imponente Monkey D. Dragon.
Sabo parou de ficar de um lado para o outro, e olhou bem para o rosto do pai. Ele parecia bem, e levemente mais saudável do que antes. Só então se lembrara que estava com medo dele ir e não retornar mais. De alguma forma, vê-lo ali o deixou, mesmo que só um pouquinho, feliz.
— Soubemos do que aconteceu e pegamos um jatinho para cá — Inazuma explicou atrás de Dragon.
— E eu tenho novidades — Law se sentou, olhando para o nada com preocupação e o olhar obscuro. — o pedido de resgate foi feito. E para a minha casa, e não para cá.
Sabo prendeu a respiração.
— O que disseram?
Law tirou o celular do bolso, reproduzindo uma gravação em voz robotizada.
“Estou em posse de Fisher Koala e Portgas D. Blaze. Se desejam que vivam, terão que pagar uma quantia no valor de cem bilhões de dólares. Repito: estou em posse de Fisher Koala e Portgas D. Blaze. Se desejam que vivam, terão que pagar uma quantia no valor de cem bilhões de dólares”
Todos permaneceram calados, encarando uns aos outros. Mesmo sendo muito ricos — milionários até — um valor daqueles era alto. Alto demais, ainda mais para uma empresa perdendo o apoio dos outros membros da família.
Nami começou a chorar, e Luffy a abraçou. Shanks passou a mão pelos cabelos, exalando preocupação. Os oficiais olhavam uns para os outros, comunicando-se apenas pelo olhar.
Mas Sabo olhava apenas para o pai. Quando deu por si, já estava de frente para ele, com os olhos enormes, negros e redondos brilhando de lágrimas não derramadas.
— Pai... — sussurrou, sem tirar os olhos dele. — papai.
Dragon demonstrou uma leve surpresa. Há muitos anos o filho não o chamava assim.
— Papai... — Sabo jogou-se de joelhos no chão, com a voz embargada e o corpo tremendo.
Todos, até os empregados, pararam tudo o que estavam fazendo para observar a cena que jamais sonharam ver. Sabo parecia uma criancinha, jogando-se assim aos pés de seu pai. Seu corpo tremia por causa das lágrimas, e seus olhos estavam tão vermelhos quanto duas maçãs. Suas duas mãos agarraram as bainhas da calça do pai, sem tirar os olhos dos seus.
— Papai... Por favor... — ele fungou, balançando a cabeça lentamente. — eu não posso viver... Eu não posso viver sem eles. Sem a Koala e o Blaze eu... — ele chorou mais forte. — eu não consigo. Por favor, papai, entregue tudo. Eu não preciso de nada. Dê tudo o que é e o que seria meu, não quero nada. Nenhum... Nenhum centavo. Vivo na miséria pelo resto da minha vida! Mas por favor, por favor, pague o resgate.
Dragon mirou Sabo com tanta tristeza, mas, ao mesmo tempo, com tanto afeto, que isso fez o loiro chorar mais ainda. Até ali, conseguira até certo ponto se manter firme como uma roxa, mas a mera presença de seu pai conseguira mexer com todos os seus sentimentos.
— Filho...
O mais velho o fez levantar, e fez algo que há muitos anos não fazia. Ele o abraçou, e ali, nos braços do pai, Sabo se lembrou de algumas coisas a mais de suas memórias.
Uma vez, quando eram garotos, Sabo e Ace discutiram feio. Sabo não se lembrava exatamente o porquê, mas se lembrava que Ace dissera, em um momento de raiva, que ele mandava mais, porque chegara naquela casa primeiro. O loirinho, se sentindo rejeitado, resolveu fugir no meio da noite.
Mas então, depois de arrumar sua trouxinha, encontrou seu pai no corredor, com duas canetas com chocolates quentes fumegantes. Ele o convidou para tomar chocolate em seu quarto, debaixo dos edredons quentinhos. Aquela era uma noite muito fria, e a ideia do chocolate era muito mais confortável.
Naquela noite, Dragon ouviu as lamúrias de Sabo com calma, e quando o menino chorou ao contar, passou a mão por sua cabeça, dizendo que tudo ficaria bem. E Sabo acreditou que ficaria, porque ele era seu pai, e nunca mentiria para ele. Era seu herói. Aquela noite, dormiu ali mesmo, aconchegado em seus braços.
Ter aquele mesmo calor o acalmou da mesma forma que o garotinho, e qualquer mágoa que restasse ali desapareceu completamente.
— Vai ficar tudo bem. — Dragon afirmou com veemência, separando-se dele e pondo as mãos em seus ombros. — mas precisa confiar em mim. E não apenas em mim. — o homem olhou para os outros. — mas em todos que gostam de você.
Secando as lágrimas, Sabo deu um breve sorriso, assentindo.
E, mesmo que um pouco, começou a ter mais esperança.
(...)
— Desculpe interromper — Kid pigarreou. — mas queria dizer que vim aqui para ajudar. Acho que sei quem estão procurando.
— Acreditamos se tratar de uma gangue — explicou um dos oficiais, meio ofendido. — para resgatar o herdeiro de um patrimônio tão grande quanto os D. é preciso...
— Sim, sim, sei de tudo isso — Kid interrompeu-o, fazendo um gesto com a mão. — mas o que não sabem é que eu estive observando por um tempo Sabo, e acho que sei quem está por trás disso — olhou para Law — e Trafalgar concorda comigo.
Law assentiu.
— Acho que nunca percebeu — Kid virou-se para Sabo — mas há uma pessoa que sempre esteve perto de você, esse tempo todo, mas sempre passou despercebido. No início, achei que era alguém apaixonado por você, mas depois do que Law já viu, passei a ter no mínimo 80% de certeza. — ele fez uma pausa — e essa pessoa se chama Sterry.
O olhar de Sabo se tornou mais obscuro.
— E em que se baseia essa acusação? — perguntou o investigador.
— Primeiro, eu mesmo o vi observar cada passo de Sabo. Segundo, ele tentou coagir Koala a dar um golpe em Sabo, segundo Trafalgar, e, em terceiro lugar, a namorada desse cara traía ele comigo, e ela sempre reclamava sobre como ele fingia ter muito dinheiro, mas que na verdade, vive de aparências, na miséria, sempre culpando Sabo e a família D. Segundo ela, até na cama ele maldizia Sabo, dizendo que tudo o que família D. tem deveria ser dele, e por isso — Kid respirou fundo.
— Por isso — continuou Law calmamente, continuando a narração de Kid. — achamos que o que Sterry quer não é dinheiro. O que ele quer é apenas se vingar de Sabo... E ele vai fazer o que for preciso para conseguir isso.
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