Baby Care

28 O peso da responsabilidade


“Quando eu fui visitá-los, Blaze estava sendo banhado pelas empregadas, e Bonney estava debaixo do edredom. Sei que o pós-parto é difícil, e que ela está cansada, mas momentos como esse deveriam ser importantes para uma mãe se conectar com o filho. O neném só tem duas semanas, Ace...”

— de Sabo para Ace, dias após Bonney sair do hospital

Não demorou muito para que as meninas soubessem que estava de volta. Mas, felizmente, tiveram a paciência de esperar um dia para que conseguisse se organizar devidamente na casa, arrumando cada criança em seus quartos. Shin, Tora e Rock se acostumaram bem e até gostaram de ter seus próprios cômodos para exercerem sua individualidade, mas os menores não. Como ficaram com medo de dormir sozinhos, Nina e Aurora ficaram juntas, e Marion foi deslocado para o quarto de Blaze, que amou a companhia do novo amigo.

— ...E então, o Blaze abriu os braços e disse “Eba! Um companero!” — Koala narrava para as meninas, todas reunidas em volta dela.

Quando todas se juntavam, Koala conseguia perceber quantas amigas tinha. Nami, Robin, Pudding, Vivi e Hiyori. Praticamente todas de boa família, nascidas em um mundo completamente diferente do seu, mas que sentiram muito sua falta quando foi embora. Nunca reparara como suas amizades eram assim tão boas.

— Ele está muito fofo, mesmo. E moreninho, né? — comentou Vivi, bebendo o suco com elegância

Para aproveitar os últimos dias de férias, as crianças reinauguraram a piscina da casa que não era usava há bastante tempo. Koala nem sabia que havia uma piscina! Numa casa japonesa, isso era quase impensável, mas nada naquela mansão fazia parte do mundo normal. Porém, de qualquer forma, não queria deixar as crianças ali sozinhas, então chamou todas as visitas para se juntarem a ela, debaixo da platibanda, onde havia uma mesa redonda em uma área com sombra.

— É porque fez muito sol em Gifu este ano. — explicou.

— Da próxima vez, vê se avisa a gente antes de fugir, tá? — Nami fingiu irritação, cruzando os braços. — a gente, tipo, morreu de preocupação, sabia?

— Se o Sabo não tivesse ido atrás de você, nós é que teríamos ido. — Pudding, uma conhecida amante de doces, atacava uma torta. — nós e o Trafalgar, é claro. Ele também ficou preocupado com você.

— Ele é um bom amigo. O encontrei ontem quando ele veio ver o... — Koala levantou-se de uma vez, colocando as mãos na cintura. — Rock! Não! Pode parar, sem brincadeira de afogar!

— Mas ele que começou! — a voz do ruivo foi ouvida ao longe.

— Não importa! Se eu vir de novo, todo mundo sai da piscina!

Foram escutados protestos de todas as crianças, que logo pararam de fazer aquilo.

— O que dizia mesmo? Ah, sim, quando veio ver Dragon-san.

Koala sentou-se novamente, e viu cinco pares de olhos a encarando.

— Você está agindo como uma mãe, mais do que o normal. — Robin observou com graça.

— Quando se tem uma criança, acabamos ficando assim. — Hiyori explicou a elas. — querendo ou não, os instintos falam mais alto. Mas, no caso da Koala, acho que é experiência.

— Eu cuido deles desde que tinha sete anos — sorriu. — foi estranho ficar sem eles quando vim para essa cidade. É bom voltar a cuidar deles de novo.

— Bem, deles e do Blaze, acredito — disse Vivi. — vejam, lá vem ele.

Aos poucos, Blaze se aproximava, correndo usando uma bermudinha amarela e boias nos braços. Como estava com visitas, Sabo, que vinha atrás de Blaze, fez questão de trocar o menino. O pequeno estava pouco interessado na babá e em suas amigas, por isso, contornou o caminho e jogou-se de uma vez na piscina, ansioso por brincar.

— Bom-dia, moças — Sabo sorriu para elas, que responderam juntas. Virou-se para Koala em seguida. — eu pedi às cozinheiras que assassem carnes, tudo bem? Assim eles podem comer churrasco depois de nadar. — ele olhou para as mulheres. — são bem-vindas também, se quiserem.

Vivi e Hiyori, as que menos tinham intimidade com Sabo, pareceram querer negar, mas as outras aceitaram prontamente.

— Vai ser um prazer! — Nami quase gritou. — vou pedir para o Luffy vir também. Ele tá no ensaio, mas tenho certeza de que pode terminar mais cedo.

Sabo pensou naquilo por um instante.

— Vou pedir para dobrarem a quantidade quando sair, então. Meu irmão não é conhecido por comer pouco. — brincou.

As meninas riram, mas Koala franziu o cenho.

— Já vai?

— Ah — ele deu um sorriso pesaroso. — esqueci de avisar. Tenho que voltar na empresa pra acertar os detalhes contratação.

Já era a segunda vez aquele dia que ele saía. Quando acordou de manhã bem cedo, Sabo não estava na cama, e voltou apenas na hora do café. Agora, estava indo novamente. Mas, bem, ela estava feliz por ele resolver ajudar o pai. Como uma boa namorada, tinha que apoiá-lo.

— É claro que sim. — sorriu para ele. — vá com cuidado, então.

— No fim da tarde estarei de volta, prometo.

Ele se inclinou e a beijou — na boca! — e após se despedir de suas amigas, sentiu o rosto arder. Elas a encaravam com expressões das mais diversas, entre o espanto e a perversão, e pareciam interessadas no que tinha para falar.

— E-Estamos em uma fase boa. — murmurou.

— Fase boa? Fase ótima! — disse Nami com empolgação — Nunca vi o Sabo tão vivo desde... Sei lá desde quando! Acho que desde nunca. Estava certa sobre você, Koala. Só fez bem pro meu cunhadinho. Sabe, o Ace sempre dizia que o que ele precisava era de alguém pra amar. Ele tinha razão.

— Ace-kun era alguém romântico?

Nami ficou pensativa de repente, e olhou para Robin, sua amiga de anos.

— Muito. Pela Bonney, ele fazia de tudo.

— Eu me lembro bem disso, estava com Zoro nessa época — Hiyori comentou, sem se dar conta do clima esquisito. — Bonney-san era terrível. Ela teve sorte de Ace-san ajudá-la. Tral-san também, é claro, mas isso não se compara ao que Ace-san fez por ela.

— O que ele fez por ela?

Nami suspirou, como se não gostasse muito de tocar naquele assunto. Tinha certeza, na verdade, que ela não gostava daquela história, e apostaria que isso se devia ao sofrimento que foi na família D. — e em Luffy por consequência — quando ela desapareceu. Talvez Nami ainda guardasse algum rancor dela, ou algo do tipo.

— Depois que a Bonney levou uma facada na perna, o Tral levou ela pra ficar uns dias na casa dele. Ele a viu no hospital, e acho que ficou com pena. O Ace já a conhecia de algum lugar, e tinha ficado interessado. Todos os dias, depois da aula, ele ia até a casa dos Trafalgar com um buquê de flores, um violão e músicas na cabeça. No início ela o rechaçava o tempo inteiro, mas depois aprendeu a gostar, e um tempo depois eles começaram a namorar.

— E isso é ruim? — Koala indagou.

— Não — Nami negou com a cabeça, olhando para o nada. Mas ao seguir seu olhar, viu que ela observava Blaze. — o problema foi depois. Ela engravidou, e quanto mais perto ficava do dia do parto, pior ela ficava. No início, estava apenas esquisita. Quieta, distante. Mas depois, ela tinha crises de choro, não cuidava do Blaze. O Ace ficou muito cansado. Além de estudar, ele trabalhava demais na empresa e quando chegava, tinha que segurar essa barra. Não era fácil para ele. E quando ela foi embora...

Nami fechou a boca, suspirando. Não havia muito o que dizer, pois a partir dali, todas sabiam dos acontecimentos seguintes. Ace desesperado, com um filho pequeno para cuidar, uma esposa desaparecida e muitas responsabilidades nas costas.

Agora foi a vez de Koala encarar Blaze, que brincava com um barquinho na água. Será que a mãe de Blaze não queria engravidar dele? Isso poderia ter desencadeado uma espécie de depressão pós-parto. Será que Ace pensara nessa possibilidade na época?

Mas por que ela iria embora? Apenas para fugir da vida que tinha?

Teorizar sobre alguém que nunca conheceu era algo difícil. Não a conhecia, e temia nunca conhecer. No fundo, sempre quis saber de qual dos pais o Blaze puxara certos costumes e manias. Às vezes, perguntava à Sabo, mas ele mesmo era bem vago em suas respostas.

De qualquer forma, não adiantava muito pensar naquilo. Nami aparentemente não gostava daquele assunto, então não tornaria a perguntá-la. Se quisesse descobrir algo mais, teria que ser por outras pessoas. Mas agora tinha outros assuntos que mereciam sua atenção, portanto, deixaria aquele assunto quieto por hora.

(...)

— Uma reunião de família?

Koala gemeu, não se sentindo muito à vontade com a ideia.

— Eu nunca fui obrigado a ir porque meu pai, como chefe, sempre foi — Sabo estava de frente para o espelho do quarto, dando nó na gravata. — mas agora que estou no lugar dele, tenho que comparecer.

— Tenho obrigação de ir também?

Sabo terminou de dar o nó, e virou-se para Koala, que estava sentada na cama. Sabia que ela acabaria se envolvendo nesse tipo de situação caso se relacionasse com ele. Um namoro com um D. era quase a mesma coisa que um contrato, e nele estava incluso permanecer ao lado do parceiro em eventos familiares. Nami passava por isso, além de Bonney, é claro, mas se sua namorada não estivesse realmente confortável em ir, ele respeitaria sua decisão.

— Não — sorriu para ela, sentando-se ao seu lado. — você não precisa fazer nada que não queira, coração.

— Mas será o que exatamente?

— Será um jantar, para discutir os meus planos na presidência. Alguns dos membros do clã estão revoltados por eu ter assumido, e vão tentar fazer de tudo pra me derrubar. — ele jogou-se para trás, jogando-se preguiçosamente na cama. — isso já era esperado, mesmo.

Após pensar melhor, Koala resolveu ir. Não porque estivesse confiante, mas porque sabia que esses tais familiares não seriam gentis com Sabo, e não queria que ele passasse por aquilo sozinho. Então, vestiu sua armadura de guerra — um vestido rosado comportado e adequado — e avisou às crianças que voltariam no fim do dia.

(...)

A família D, como sempre, gostava de tudo bastante grandioso. Ao descer do carro e olhar para a grande mansão, Koala percebeu que não seria um jantar simples, e não podia estar mais certa. Um enorme banquete seria posto à mesa, e em uma sala de visitas, haviam alguns membros da família trocavam amabilidades entre si. Não soube se era por causa dela — uma simples empregada caipira — ou por culpa de Sabo — um herdeiro adotado — mas todos pararam de conversar quando apareceram.

— Mantenha a cabeça ereta — Sabo sussurrou, sem parar de olhar para frente. — jamais abaixe a cabeça.

Ambos passaram por eles, e se sentaram em um sofá no canto da sala. Após alguns segundos, o silêncio cessou e todos começaram a cochichar sobre eles de uma forma não muito sutil.

— Seu irmão não vem? — perguntou à ele.

— Luffy? Não. Só líderes e primogênitos têm a obrigação de aparecer em certas reuniões. Como já disse, eu mesmo não vim em muitas.

— Mas você é um primogênito.

— É — ele deu um sorriso soturno. — por muitos anos, quebrei as regras, e aparentemente foi melhor assim.

Apesar de alguns poucos familiares aparentemente não se incomodarem com sua presença, a maioria parecia bastante insatisfeito. Quando o jantar finalmente foi servido e todos se sentaram — Sabo, inclusive, puxara a cadeira para ela antes de sentar, como um verdadeiro cavalheiro — os olhares se dirigiram todos à cabeceira da mesa, onde o loiro permanecia sério e imponente. Sentada ao seu lado direito, Koala se sentia bastante em evidência, e embora isso a deixasse tímida, disfarçou ao máximo para não envergonhá-lo.

— ...E por isso, — Sabo terminava de discutir a principal pauta do dia. — resolvemos nos unir à United Technology. Sua sede é nos Estados Unidos, e o representante me garantiu que os processadores...

— Só um momento — uma mulher o interrompeu, claramente ofendida. — mas isso significa romper com a Cat Asian Evolution. Eles são fiéis a esta família desde o período Meiji, se separar deles agora seria um ato de pura loucura.

— Podemos ter muito tempo com eles, Shalria-san, mas a CAE nunca nos trouxe a verdadeira evolução que prometiam. Há pelo menos dez anos não trazem nada de novo, isso não pode...

— O que não pode é um garoto como você chegar agora e querer mudar tudo! — um homem parrudo bateu na mesa, irritado. — onde Dragon estava com a cabeça?!

— Eu não acho que a ideia seja tão ruim.

Todos olharam irritados para Saul.

— Bem, pode ser arriscado, mas acredito que Sabo tenha estudado bem a proposta. — o ruivo defendeu-se.

Sabo sentiu-se agradecido pelo apoio de Saul, mas a fala dele apenas gerou mais confusão. Em menos de um minuto, todos estavam falando ao mesmo tempo.

— Não viemos aqui para escutar suas idiotices — Jalmack cuspiu no chão, fazendo uma expressão de nojo. — queremos saber quando Dragon voltará, para que um bastardo como você saia desse posto que não te pertence.

— Veja só ele, todo cheio de si — Shalria continuou, em tom de deboche. — entrou para o clã através de uma brecha, e agora acha que pode mudar a forma como sempre fizemos as coisas. Os Monkeys, os Portgas e os Gols sempre foram os piores, um bando de idiotas idealistas, e me parece que está mesmo determinado a agir como se fosse um deles.

— Eu não vou aceitar uma escória como você!

Koala ouvia aquilo tudo de olhos arregalados. Por que eles odiavam tanto Sabo? Apenas porque ele não era um filho legítimo? Por que não tinha o sangue dos D. em suas veias? A raiva começou a crescer dentro de si, e segurou a barra de seu vestido com força. Olhou para Sabo, e ele olhava para o nada com indiferença, como se não se importasse ou estivesse acostumado.

Sabo estava acostumado. Todas as vezes em que ele tentava se impor, todos eles reagiam com violência. Os únicos que ainda pareciam apoiar Sabo eram os Trafalgar e Saul, mas estes eram minoria.

— Volte pro seu beco — Sabo ouviu a voz de Charlos — seu rato repugnante.

Sabo fechou os olhos instintivamente antes de sentir um líquido escuro vir na direção de seu rosto. Com o peito, ombros, cabelo e rosto ensopados, percebeu que Charlos, que estava próximo de si, havia cuspido uma boa quantidade vinho.

— Vocês...! — Koala levantou-se de uma vez, gritando em meio ao silêncio. — Vocês...!

Ela bateu na mesa, irada de raiva.

— Tudo o que Sabo-kun quer é fazer a R.A Company crescer, então parem de agir como idiotas prepotentes e ouçam o que ele tem a dizer! Respeitem ele! — ela fungou, secando as lágrimas que insistiam em cair. — por que não conseguem tratá-lo como igual? Por que?!

Houveram alguns segundos de silêncio, até que...

Risadas.

Muitas e muitas risadas.

Até então, Sabo estivera calmo. Tudo estava agindo de acordo com o que ele estava acostumado. O desrespeito e a humilhação lhe era cotidiano.

Mas faltar desrespeitar Koala era totalmente diferente.

— Até onde eu sei — levantou-se de uma vez, com uma expressão assustadora — são os Monkeys que mandam aqui! Sem o nosso apoio, todos vocês caem, e sabem muito bem disso. Nos viraríamos muito bem sem vocês, mas ao contrário? — ironizou. — estariam em maus lençóis. Então, a partir de agora, qualquer um que desprezar a minha família ou amigos, pagará um preço bem alto.

— I-Isso é uma ameaça? — Charlos gaguejou.

— Isto é o que você quer que seja, e aquele que estiver insatisfeito, pode viver independentemente e cortar laços com os outros D. imediatamente.

Eles olharam uns para os outros, concordando em silêncio que ficar quietos, por hora, era o melhor a se fazer.

Ignorando o fato de estar encharcado, Sabo continuou seu monólogo sobre as pautas que vinham a seguir. Ninguém ousou abrir a boca, apenas Saul, que parecia realmente interessado no que tinha a dizer.

Por baixo da mesa, pôs a mão por cima da de Koala, para confortá-la. Sabia que seria difícil no momento em que ela aceitou ficar com ele, só não sabia que seria tanto assim.

(...)

— Me desculpe.

Sabo franziu o cenho, sem tirar os olhos do volante.

— Eu ergui a voz, fiquei muito irritada. — Koala continuou — desculpe se te envergonhei.

Ele olhou para ela quando parou o carro no sinal.

— Não, Ko. Sou eu que tenho que pedir perdão. Sabia que seria assim, não devia ter te feito passar por isso junto comigo.

— Ao menos — ela suspirou cansada. — você conseguiu contornar a situação.

— Às vezes é preciso ser temido para ser respeitado, por isso falei aquilo. Se bem que o que eu disse não é totalmente verdade.

— Como assim?

— Os Portgas, os Gol e os Monkey sempre foram três núcleos familiares diferentes, e os três mais bem sucedidos nos últimos trinta anos. O pai do Ace — Sabo voltou a dirigir. — era o herdeiro dos Gol, e a mãe do Ace, herdeira dos Portgas. Mas quando eles morreram, a guarda do Ace passou para o meu pai, que se tornou o guardião de todos os bens de ambas as famílias. Agora, tecnicamente, os Monkeys mandam em três famílias, até que Blaze tenha idade suficiente para assumir os negócios. Quando isso acontecer, ele terá mais influência, e os Monkeys, apenas mais dinheiro. Haviam mais sobrenomes na família em tempos antigos. Os Rocks, por exemplo, praticamente deixaram de existir quando se fundiram aos Marshalls.

— Haviam muitos Marshalls na reunião de hoje? — Koala não se lembrava de ter ouvido esse sobrenome em específico no jantar.

— Não. E nunca vai haver.

— Mas por que?

— Eles tentaram roubar todos nós, e foram excomungados por causa disso.

Em pouco tempo eles chegaram aos portões da casa, que demoraram um pouco para serem abertos. Pensativa sobre o que Sabo dissera, Koala olhou para fora, e surpreendeu-se ao ver uma mulher parada ali, encarando o alto muro da casa. Não que não pudessem haver pedestres passando por ali, mas a residência dos D. era bem mais afastada das outras ao redor, de forma que todos que transitavam por aquela rua ou eram visitantes, ou empregados. Era uma mulher alta, esguia, muito magra, e com um pano na cabeça.

— Sabo-kun — chamou-o, intrigada, mas este estava distraído conversando com o guarda dos portões. — Sabo-kun?

Alguns segundos depois, quando ele finalmente virou-se, olhou pela janela e a mulher não estava mais lá.

— Algum problema?

— Não — negou com a cabeça, deixando aquilo de lado.

Koala achava que estava começando a ficar um pouco paranoica. Talvez fosse a responsabilidade de cuidar de seus irmãos, além de Blaze. Tinha que relaxar e aproveitar melhor o momento. Todos estavam em uma fase muito boa, e devia valorizar melhor isso.

Ao entrar em casa, perguntaram à Inazuma onde todos estavam.

— Na sala de vídeo, senhores. — Inazuma respondeu.

— Na sala de vídeo? — Sabo ecoou, descrente. — e meu pai?

— Junto deles.

Sabo e Koala olharam um para o outro, e quando entraram na sala, encontraram uma cena que jamais imaginariam. A sala de vídeo tinha uma tv enorme na parede, além de diversos sofás que desciam em escada para simular uma sala de cinema.

As crianças, cada uma com um microfone, dançavam em cima dos sofás, cada uma com um microfone sem fio na mão. Sem notar que Sabo e Koala estavam ali, elas revezavam a vez de cantar.

“You know you love me, I know you care
Just shout whenever, and I'll be there” Shin cantou.

“You are my love, you are my heart
And we will never, ever, ever be apart” cantou Tora.

“Are we an item? Girl, quit playing!
We're just friends? What are you saying?” cantou Rock, bastante empolgado.

“Said there's another and looked right in my eyes
My first love broke my heart for the first time

And I was like...” Nina cantou com uma precisão impressionante.

Em seguida, todos começaram com um “Baby! Baby!” sem fim, felizes e agitados. Blaze também pulava, com um microfone de brinquedo na mão. Até Marion estava cantando! Koala ficou extremamente feliz com a cena.

Quando olhou para o lado, Sabo tinha um sorriso no rosto enquanto tirava o paletó. Ele foi até o meio das crianças, e pegou um dos microfones que restavam, acompanhando-os na cantoria. Isso apenas os deixou mais eufóricos, festejando mais alto ainda. Blaze viu que Koala chegara, e foi correndo até ela.

— A genti catando, mamãe — ele explicou abraçando as pernas dela.

Dragon passou pela porta e deu de cara com Koala. Ele estava... Maquiado? Haviam algumas presilhas e elásticos coloridos em seu cabelo. Mas o que havia acontecido ali?

— Fui pegar pipoca. — foi a única coisa que ele explicou, e Koala deixou para lá enquanto ria. Certamente aquilo era obra de Nina e Aurora.

Ambos permaneceram parados, observando Sabo em meio as crianças.

— Fez muito bem ao meu filho.

Koala olhou para ele, indagando com o olhar.

— Você, e estas crianças — o patriarca explicou. — não o vejo tão cheio de vida desde que era menino. Acredito, de verdade, que os tempos que estão por vir serão os melhores da vida dele. Quando Ace retornar, e Blaze não será mais de Sabo. Estas crianças não vão substituir a falta dele, mas certamente vão ajudar a amenizar a dor. — ele encarou Koala. — e você também, mocinha. Meu filho a ama muito, e sei que o ama também. Não vejo uma união assim desde que minha esposa se foi. Fico aliviado ao saber que todos os meus filhos tem alguém verdadeiramente especial.

Koala não sabia nem o que dizer. Era a primeira vez que o pai de Sabo falava de uma forma tão profunda com ela.

— Obrigada. — foi só o que conseguiu dizer sem gaguejar.

Olhou para baixo, procurando Blaze. O baixinho não estava mais agarrado às suas pernas, mas sim nos ombros de Sabo, que terminava de cantar a música. Um pensamento que não tinha há algum tempo se passou por sua mente.

Blaze tinha pais. Um pai, pelo menos. Um dia, eles voltariam para tê-lo de volta.

O que seria dela quando seu bebê fosse levado?

E Sabo? Suportaria ficar sem Blaze?