Baby Care

9 Novas amizades


"...Não vejo nada de mal na relação de Law e Bonney. Na verdade, para mim, é como se eles fossem irmãos. Você terá que aceitar, de uma forma ou de outra, que ele é tão importante na vida dela quanto você. Além disso, não acha que está sendo muito ciumento e possessivo? Por Deus, tenho certeza de que nunca agirei assim. "

— Carta de Sabo para Ace, enviada uma semana após início do namoro.

Apenas dois dias depois, quando Blaze já estava ótimo de saúde e fora para a creche normalmente, é que Koala se tocou do que tinha acontecido. Ela e seu patrão haviam, oficialmente, se beijado. E não fora aquele beijo típico de dorama romântico, – um selinho surpresa, roubado pelo mocinho da novela – e sim um beijo de tirar o fôlego. Não era possível que Sabo nunca o tivesse feito antes, porque, para ela, ele parecia um verdadeiro expert no assunto.

Desde o acontecido nenhum dos dois tocara no assunto. Estavam concentrados demais em fazer Blaze melhorar que pareciam nem ter tempo para nada que não fosse ele. No dia seguinte, o primeiro dia oficial de aulas na faculdade, nem haviam comparecido, por mais que Koala tivesse insistido que Sabo poderia ir, e ele, claro, dissera o mesmo para ela.

— Você é caloura, é importante que vá no primeiro dia. — ele insistiu, mas ela não se deixou contrariar.

— Não vou conseguir me acalmar até que tenha certeza de que Blaze está bem. — respondeu, e ele, por fim, desistiu.

Também sentia vontade de falar sobre Sterry. No momento em que pedidos de desculpas foram trocados, pensou em aproveitar a deixa e engatar o assunto do rapaz misterioso. Mas então todo aquele clima aconteceu, o beijo… O assunto ficou esquecido no momento, mas depois voltou a pairar sobre sua mente. Mas, por enquanto, talvez fosse melhor não forçá-lo. Sua relação com Sabo estava relativamente normal – apesar do beijo. — e não queria atrapalhar isso.

(…)

Koala estava gostando bastantes das aulas. Os professores eram bem rígidos, como ela julgava que deveriam ser, e, o principal, sabiam lecionar muito bem. Mesmo que estivessem começando com nada tão complicado, ela foi capaz de entender perfeitamente a tudo o que diziam. Talvez se devesse ao fato de não ser uma aula de exatas, – área que ela já não era tão boa – mas tentava ser positiva.

— Koala!

Ouviu alguém a chamar, na cantina universidade, e olhou em volta procurando a dona da voz. Em uma mesa a uns dez metros dali, estava Nami sentada com algumas garotas na mesa. A ruiva esticou a mão, chamando-a para se sentar com elas.

— Meninas, essa aqui é a Koala. — disse ela, quando Koala pôs sua bandeja na mesa e se sentou. — Koala, essas aqui são Vivi, Pudding e Robin, mas vocês já se conhecem.

— A-Ah, sim. — Koala sorriu tímida, olhando para Robin e em seguida para as outras meninas. — é um prazer conhecê-las.

As meninas sorriram para ela e logo começaram a conversar, e ao decorrer dos assuntos Koala começou a entender mais sobre as garotas.

Vivi era uma garota de cabelos azuis, pele clara e rosto muito belo. Diferente de Nami, que tinha um jeito mais despojado, ela parecia ser um pouco mais contida e familiar, como se tivesse sido criada com pais super-protetores. Além disso, ela falava palavras difíceis e usava sempre um tom polido, mesmo com as outras meninas ali, que parecia ter intimidade. Não tinha certeza, mas suspeitou que ela fosse algum tipo de ojou-sama¹.

Já Pudding era a típica menina japonesa de aparência fofa e delicada. Ela tinha cabelos cor de caramelo – quase o mesmo tom dos de Koala. — e os prendia em duas maria-chiquinha, usando uma franja perfeitamente cortada para o lado. No entanto, apesar da aparência, ali entre as meninas a garota parecia ser ela mesma, não agindo totalmente de acordo com a aparência. No meio da conversa, era comum ela fazer um ou outro comentário sarcástico ou de humor negro.

— ...E então, vejam só. — ela colocou o smartphone no meio da mesa, para que as cinco meninas pudessem ver o aplicativo de mensagens — ele chegou do exterior e nem sequer me avisou! Eu é que tive que perguntar! Como ele é egoísta, dá vontade de esmagar aquela coisa dele até não poder mais andar.

— Isso seria muito cruel. — Vivi opinou, sentindo pena do rapaz citado.

— Não sabia que estavam namorando.

Nami olhou para Pudding. A garota engoliu o seco, cruzando os braços com o orgulho ferido.

— Não estamos. — declarou ela. — como eu poderia? Sanji é muito mulherengo, nunca seria fiel a mim. E afinal, por que eu ainda me importo? Tem uma fila de homens atrás de mim, é só eu estalar os dedos que aparece alguém pra me…

Koala, que até então comia seu almoço um pouco mais quieta que as outras, olhou para Pudding com os olhos arregalados. Era claro… Esse era o nome que Reiju tinha dito! Como poderia ter esquecido? Era algo com um três no meio, Sanji…

— M-Me desculpe interromper. — Koala cortou-a, e todas as meninas olharam para ela. — mas você disse Sanji? Já ouviu esse nome.

— Ah, Vinsmoke Sanji, é de quem estamos falando. — Nami explicou, querendo deixar Koala mais inteirada do assunto. — Sabo já deve ter citado ele antes. É amigo de Luffy, visitava muito a casa deles, quando eram estudantes.

— E também é um mulherengo incorrigível. — acrescentou Pudding, bufando. — já o conheceu?

— Conheci a irmã dele, na verdade. — Koala pôs os hashis de volta na bandeja, pois já acabara de comer. — ela é professora da escolinha Grand Line. Ela chegou a comentar comigo que o irmão estava viajando para o exterior.

— Ele estava no México. — Robin finalmente se pronunciou, em seu tom calmo de sempre. — mas, pelo que parece, passou mais tempo do que deveria, por algum motivo.

— Sanji te disse quanto tempo ia ficar?! — Pudding se virou para Robin abismada. A morena assentiu sorrindo. — Ah, que injusto! Por que ele disse pra você e pra mim não? Logo você que tem namorado, Robin… — ela fez um biquinho e continuou se lamentando, entrando em uma conversa com a moça.

Vivi olhou para Koala com interesse, notando algo estranho.

— Mas como pode saber que Reiju-san trabalha lá, Koala-san? Tem algum irmão mais novo que frequenta o local?

Pelo visto, Nami se mantivera discreta sobre o fato de ser babá de Blaze. Pensara nisso antes, se deveria dizer que era babá do sobrinho de Sabo. E então, concluiu que era melhor não mentir, mas também tentar agir com discrição. Não queria que comentassem por aí e acabassem descobrindo a relação de Sabo e Koala, mesmo que fossem apenas empregador e empregada. Se de uma coisa tinha certeza, é que hipóteses, na boca dos outros, sempre virava verdade.

— Na verdade, eu sou babá do Blaze-kun, sobrinho de Sabo-kun. — explicou com cautela, mantendo o tom controlado para que apenas os que estivessem na mesa ouvissem. — por isso eu a conheço. Mas tente não comentar isso com ninguém, por favor, Vivi-san.

— Ah, eu entendo, pode contar comigo.

A azulada levou as mãos ao peito, um pouco entristecida. Koala olhou para Nami, um pouco deprimida também, e percebendo que elas sabiam bem da situação de Blaze, deixado para trás pelos pais, dois atuais desaparecidos. Nami, em especial, devia saber muitos detalhes, já que era namorada de um membro da família.

— Eu ouvi o Luffy no celular um dia. — a própria disse encarando a mesa, pensativa. Vivi e Koala a olhavam com atenção. — parecia que ele conversava com Sabo. Algo sobre advogados e detetives. Não deu para ouvir bem, mas pensei ter escutado o nome de Sanji e… de Ace.

Ao ouvir o nome – que parecia ter um tabu entre as pessoas dali. — Robin e Pudding, que antes estavam absortas na conversa, passaram a olhar para Nami com atenção. As meninas se entreolharam, quietas, deixando o ar um pouco mais pesado do que antes.

— Eu perguntei sobre, e ele disse que falavam sobre o progresso do Blaze, mas eu sei que é mentira. Luffy não sabe mentir. — continuou ela. — talvez eu deva pressioná-lo um pouco mais. Imagino que alguma nova informação sobre Ace apareceu, mas eles querem manter isso quieto.

Koala refletiu que, naquele grupo, havia muita confiança. Ninguém falaria isso com as amigas se não tivessem fé umas nas outras, e se sentiu lisonjeada de estar ali no meio. Talvez fosse interessante alimentar a amizade, já que nunca fora realmente parte de um grupo, principalmente com meninas tão bonitas.

(…)

Ao fim das aulas, Koala começou a procurar por Sabo. Combinaram mais cedo que se encontrariam para ir buscar Blaze naquele dia, mas esqueceram-se de marcar o local. Imaginando que o mais sensato seria esperar na entrada principal, a garota foi até lá, sentando-se em um banco um pouco mais afastado debaixo de uma árvore, mas que dava para ver todos os que iam e voltavam perfeitamente.

Uns minutos depois, esperando ali, começou a ficar entediada, e apoiou o queixo na mão. Talvez devesse ligar para Sabo… Mas e se ele estivesse conversando com algum professor? Não seria adequado perturbá-lo. O melhor era esperar ali e torcer para que-

— Ora ora, veja só quem temos aqui.

Koala se arrepiou com a voz perto de seu ouvido, e se virou para trás, vendo uma figura de pé, atrás de seu banco. Seu medo se concretizou ao ver que se tratava de Sterry, e pessoa que Sabo parecia verdadeiramente odiar, por algum motivo. Com suas vestes caras e sua expressão zombeteira, ele se sentou ao lado dela sem pedir licença, cruzando as pernas e se espalhando no banco confortavelmente.

— O-O que você quer? — ela perguntou, odiando-se por gaguejar e demonstrar fraqueza. Todos os membros de seu corpo estavam em alerta.

— O que é isso? Por que está com medo, querida? Não vou lhe fazer nada. — declarou ele, mas em seguida, deu uma piscadela. — a não ser que você queira.

Teve que lutar contra a ânsia de vômito que sentiu com aquilo.

— Mas meu objetivo aqui não é esse. — continuou o ruivo, gesticulando a mão como se espanando no ar. — queria saber… Qual é o seu objetivo com ele? Quer arrancar seu dinheiro, não é? — Sterry sorriu sombrio. — aquele clã tem muito dinheiro, não seria tão difícil conseguir alguns milhões na conta.

— Está sugerindo que eu tente roubar Sabo-kun? — perplexa, ela se afastou mais ainda dele no banco. Depois levantou-se, determinada a ir embora. — nunca ouvi tamanho absurdo. Não gosto de você e quero que fique longe de mim!

Antes que ela se virasse, ele agarrou seu pulso com força.

— Espera aí, esquentadinha. — seu tom era de raiva contida, como se tentasse manter a pose de indiferente, mesmo com raiva. — não precisa ficar tão afeta-

— Acho que ela disse que era pra você ficar longe.

Uma mão masculina, repleta de tatuagens, agarrou o braço fino de Sterry e o levou ao alto, sem dificuldades. Surpresa, percebeu que era Trafalgar Law. Ele usava um casaco preto e capuz na cabeça, deixando-o bem mais sombrio e assustador do quando o vira pela primeira vez.

— Maldito seja, Trafalgar! — vociferou o outro, afastando-se dele de uma vez. — não se meta nos assuntos dos outros!

— Suma daqui antes que eu me irrite com você.

O tom calmo e ameaçador pareceu surgir efeito em Sterry, que raivoso e rosnando, se afastou dos dois pisando forte no chão. Se sentindo um pouco mais calma a segura, Koala levou as mãos ao peito, respirando melhor.

— Meu Deus, não sabia que ele estudava aqui… — sussurrou para si mesma, e em seguida, olhou nos olhos de Law. — muito obrigada, Law-san. O que ele disse me deixou muito nervosa, nem consegui reagir.

— É melhor que não fique andando sozinha por aí, ele pode continuar a procurá-la. — aconselhou ele. — por que ele estava te segurando?

— Ele estava insinuando que eu roubasse Sabo-kun. — contou ela, e vendo a confusão no olhar dele, explicou. — você o conhece? Monkey D. Sabo.

— Claro que conheço, mas por que você o roubaria?

A garota sentiu uma gotinha de suor escorrer da bochecha, percebendo a besteira que fizera. Agora teria que explicar o motivo, e seria mais uma pessoa sabendo que ela cuidava do “filho” de Sabo. Por mais que ele a tivesse salvado e exalasse confiança, sabia que era melhor manter apenas um grupo moderado de pessoas sabendo daquilo.

— Bem, por alguns motivos em particular… — ela coçou a cabeça, sorrindo amarelo. E, em seguida, juntou as mãos de Law, sorrindo verdadeiramente para ele. — mas, obrigada de verdade, Law-san. Foi muito legal da sua parte, já que não nos conhecemos tão bem.

— Bobagem.

Ele deu ombros, mas de alguma forma sabia que ele estava feliz com a gratidão dela.

— Tudo bem aqui, Koala?

Sabo chegou bem no momento em que os dois se encaravam, com as mãos de Koala ainda tocando as de Law. Sentindo o olhar de Sabo queimar sobre suas mãos, ela rapidamente se separou do Trafalgar, andando até o loiro.

— Sim. — respondeu ela, tentando parecer o mais natural possível. — Law-san e eu estávamos apenas conversando, agora que seremos companheiros de clube. — ela olhou para Law. — não é?

Law olhou para ela, e, em seguida, para Sabo. Os dois se encararam de uma forma esquisita, como se conversassem e se entendessem apenas pelo olhar, e Koala se pegou curiosa sobre o que aqueles dois tinham em comum.

— Como ele está? — Law perguntou após alguns segundos.

— Está bem. — respondeu Sabo. — forte e sadio.

— Entendo.

E, sem dizer mais nada, Law simplesmente foi embora, deixando Sabo e Koala ali, sozinhos. A menina olhou para Sabo, mais confusa ainda.

— De quem ele estava falando? — perguntou a ele. — como ele o conhece?

— Vamos andando. — retrucou Sabo, se virando para ir embora. — não podemos nos atrasar para pegar o Blaze.

(…)

Sabo suspirou por dentro, remoendo aquele sentimento ruim dentro dele. Era tão estranho e confuso que uma garota pudesse despertar nele emoções como aquela. Nunca, em toda sua vida, sentira-se tão incomodado quando vira Koala com Law. Achava que, um dia, só se sentiria perturbado se a visse com alguém de índole mais que duvidável, mas descobriu da pior maneira possível que, vê-la com alguém ele próprio gosta, era pior ainda.

— Então… — Koala piscou, assimilando as informações dadas por Sabo. Ambos estavam na sala, aproveitando a companhia um do outro, quando Blaze subiu no colo de Koala e deitou, ficando entretido com um vídeo no celular. — Law-san era amigo da mãe do Blaze.

Sabo deu mais um gole em seu café, e recostou-se no sofá, cansado.

— Mais que amigo. — disse ele. — Law foi a pessoa que ajudou Bonney a sair do buraco em que ela mesma tinha sido se enfiado. Deu um teto e comida para ela, a troco de nada. Quer dizer, na verdade… — Sabo pensou por uns instantes.

— O que foi? O que ia dizer? — ela o incitou a falar.

Meio na dúvida, Sabo explicou:

— Não, é só que… É só uma suposição minha, mas acho que Law fez isso porque Bonney, de alguma forma, devia lembrar a irmãzinha dele. Ela morreu de câncer ainda criança. Não sei muitos detalhes sobre isso, mas… Bem, é o que eu acho. Ele e Bonney foram bem próximos durante todo esse tempo.

Sentindo os olhos arderem com vinda de lágrimas, Koala esfregou a bochecha nos cabelos de Blaze, – que adormecera sozinho em seu colo — numa tentativa de alívio. Câncer… Não conseguia nem imaginar como deveria ser a dor de perder uma pessoa daquela forma. Sempre escutara as pessoas dizendo que era melhor perder alguém de uma vez, sem esperar, do que sofrer por um longo período antes de sua pessoa querida desfalecer. Mas não acreditava naquilo. De uma forma, ou de outra, a dor deveria ser a mesma. Desejou nunca ter que passar por isso.

— Isso é muito triste. Coitado do Law-san. Talvez seja por isso que ele quis virar médico.

— Acredito muito nessa possibilidade.

Sabo se lembrava muito pouco de Trafalgar Lammy. Quando a viu, apenas uma vez, durante sua estadia no hospital aos dez anos, lembrava-se dela como uma menina enérgica e alegre, que adorava falar sobre o irmão e os pais incríveis que tinha. Também falava sobre seu cabelo, que um dia tivera, e que o deixaria crescer até o chão quando ficasse melhor. Infelizmente, a menininha não viveu o suficiente para completar esse desejo.

Balançando a cabeça para tentar afastar aqueles pensamentos tristes, Sabo mudou o foco da conversando quando Koala voltou, depois de ter deixado Blaze dormindo em sua cama. Quando ela se sentou, ele saiu do sofá que estava, e se pôs ao lado dela no outro sofá.

— Você e o Law… — Sabo desviava o olhar dela o tempo todo. Era muito difícil falar aquilo. — vocês estavam se dando muito bem antes de eu chegar. Atrapalhei alguma coisa?

Sabo notou as bochechas de Koala rosadas, e não gostou nem um pouco daquilo. Por que ela estava com vergonha? Será que tinha acertado? Alguma coisa estava rolando entre eles antes que chegasse? Ah, se pudesse voltar no tempo teria chegado pelo menos meia hora mais cedo. A culpa fora toda de Shanks, que o segurara lá dentro até depois do horário.

— Não é nada disso. Estava te esperando, quando ele apareceu e começamos a conversar.

— É mesmo? — sentindo uma veia saltar, Sabo rangiu os dentes, cruzou os braços e as pernas. Não estava mesmo gostando daquilo, ela estava mentindo. — então por que estavam de mãos dadas, então?

— Não estávamos de mãos dadas! — ela exclamou, incomodada, mas depois ficou quieta, pensando um pouco melhor. — estava olhando as tatuagens da mão dele, são bem descoladas, sabia?

Descoladas?

— É mesmo? — o loiro repetiu, sentindo a raiva aumentar, e começou a balançar uma perna rapidamente, impaciente. — não acho bom ficar com essas intimidades no campus. Vai acabar atraindo atenção desnecessária dos outros e fazendo surgir rumores estranhos.

— Não vejo porque se incomoda com isso, Sabo-kun. Esse assunto não tem nada a ver com você.

— Claro que tem!

— É mesmo? — cruzou os braços, imitando ele. — por que?

Aquela foi a gota d’água.

De forma ágil e rápida, ele dominou Koala, deitando-a no sofá, com ele por cima. Sabo respirava pesado. Tinha feito aquilo sem pensar, no instinto. Aquela era a primeira vez que ele ficava naquela posição, com uma garota debaixo dele. E… Ele gostou, percebeu, com as bochechas vermelhas. Koala estava com os olhos arregalados. Os fios da franja dela caíram para trás quando ele a jogou de forma bruta, e assim podia ver bem o rosto dela, tão vermelho quanto o dele.

— Sabo-kun?

Ela murmurou, surpresa e tímida, percebeu ele. Era óbvio que estaria assim… Quando conversou certa vez com Ace, perto do fim do colegial, o irmão lhe dissera que meninas virgens geralmente agiam de forma mais recatada em relação a avanços dos homens, e Koala se encaixava bem nesse estilo.

— Eu… Não gosto que fique tocando outros homens assim. Intimamente.

As palavras que saíram da boca de Sabo surpreenderam a ele próprio.

— Por que?

Ele piscou. Koala estava com envergonhada, mas também frustrada.

— Por que se incomoda com isso?

— Porque…

Ele começou a dizer, ainda pensando nas palavras de diriam. Droga, seu coração estava batendo tão rápido, e temia que sua excitação se tornasse visível o bastante para que Koala reparasse. Não queria que ela pensasse nele com um pervertido. Ela era uma garota, morando com ele naquele apartamento, confiava nele o suficiente para ficar ali, e ele…

— Maldição, eu não sei por que! Eu só sei que não gosto! — ele grunhiu, lutando contra seus impulsos. — eu só…

Antes que ele continuasse, Koala o calou, puxando-o para perto dela e beijando seus lábios da mesma forma ardente que ele próprio fizera antes, na biblioteca. Surpreso por um instante, Sabo ajeitou melhor sua posição, apoiando os cotovelos no acolchoado do sofá.

Ah… Como ela era deliciosa. Seus lábios eram tão macios que tinha a sensação de beijar um anjo. E seu cheiro… O que dizer dele? Ela exalava o cheiro doce de shampoo de flor de cerejeira, sentindo-o melhor do que quando ela saía do banho, com os cabelos molhados. Perguntou-se o que tinha feito, durante todos os anos de sua vida, sem estar ali, com ela. Pareciam todos anos chulos, sem importância, como se tivesse vivido até ali apenas para estar com ela, sentindo seus lábios rosados contra os dele.

Koala se sobressaltou quando sentiu algo duro cutucando-a. Ela sabia o que aquilo significava. Estava surpresa com si própria, tomando a inciativa de beijar seu patrão daquela forma. Se seu pai a visse ali, daquela maneira, se decepcionaria demais, mas a garota não conseguia negar os próprios impulsos. Ele estava ali, tão perto dela, com os cabelos bagunçados e claramente em uma luta interna, desejando aquilo tanto quanto ela… Seria uma santa se dissesse não, e fosse para a cama daquele jeito.

Já sem ar, eles desgrudaram os lábios, e Sabo despencou sobre ela. Sentiu-o mergulhar o rosto ofegante no pescoço dela. Ele era tão grande e pesado comparado a ela, e vê-lo tão indefeso em cima dela quase a fez rir. Havia mecha de cabelo dele em cima de sua bochecha, então pegou-a, sentindo a textura dos fios.

— Seu cabelo… — ele ainda ofegava, recuperando fôlego. — ele é natural? É loiro assim?

— É… — ele murmurou, sem se mexer, seu hálito quente arrepiando a pele dela. — quando era pequeno… Eram mais claros… Mas são naturais.

Era engraçado como tinham uma conversa tão banal depois de se pegarem no sofá da sala.

— Engraçado. — ela riu. — seus irmãos… Eles tem cabelos tão negros… E você é totalmente o oposto.

Sabo ficou calado por uns instantes, e Koala até acho que ele não a responderia. Até que, de repente, ele disse:

— Na verdade… — ele disse, levantando-se um pouco para que pudesse ver o rosto de Koala. — eu sou…

Mas Koala não soube o que ele iria dizer, pois seu patrão se interrompeu, olhando petrificado para o corredor. Sentindo um arrepio na espinha, com medo dele estar vendo um fantasma, ela se virou para ver o que ele encarava.

Talvez preferisse ter visto, de fato, o fantasma, concluiu ela. Lá estava Blaze, de pé ao lado da parede, com seu lindo pijaminha do homem-aranha, olhando-os com seus olhos violeta arregalados e surpresos. Koala tentou se acalmar. Poderia ser que ele não tivesse visto tudo. Poderia ser que ele apenas achasse que eles estavam brincando e…

— Papai. Mamãe. — ele finalmente falou, apontando o dedinho para os dois. — isso é beijo!