Baby Care
10 A febre
“...e esse baile foi horrível, por acaso são frequentes? Talvez tenha sido ruim por ser a primeira vez, mas recebi vários olhares atravessados e sabia que todos estavam falando mal de mim. Dragon-san disse que se orgulhava de mim, e que eu mesmo tinha que me orgulhar de mim, mas é difícil. Acho que fora você, Ace, ninguém das outras linhagens desse clã realmente me aceitou.”
— Carta enviada para Ace, um mês após a adoção de Sabo
Blaze via o mundo de uma forma diferente de seus pais. Para ele, todos os desenhos animados que passavam na televisão eram inteira e puramente reais, e demonstravam com exatidão o quão maravilhosa a vida era. No entanto, aquela grande tela, que lhe causava tanta felicidade, também o fazia questionar sobre coisas que não conhecia.
Um dia, assistindo a um desenho, viu uma mulher e um homem tocarem seus lábios, e os outros personagens em volta ficaram surpresos, dizendo “se beijaram!” “o primeiro beijo!”. Ele se lembrava daquilo, e aquelas falas não saíram de sua cabeça nos dias seguintes. Então, quando viu seus pais brincando, e colocando a boca um no outro… Ora, aquilo só poderia ser beijo! Por que o deixaram de fora? Parecia tão divertido!
— Mamãe, mamãe! — o pequeno chamou, após terminarem o café da manhã, já no dia seguinte. — pode beijo dar?
Koala pestanejou, surpresa com o pedido do menino, e então olhou para Sabo.
Julgara-se uma boba durante toda a madrugada. Da onde ela tinha tirado tanta coragem? Não sabia que podia ser tão pervertida a ponto de beijar Sabo, ainda mais naquela posição, sentindo as partes baixar dele incharem em resposta a ação dela. E, piorando ainda mais o próprio julgamento, tinham deixado Blaze assistir tudo, em um grande descuido dos dois.
Sabo a olhou brincalhão, e depois se virou para Blaze.
— Vem cá, garotão. — ele o colocou no colo, de frente para si. — serve um beijo do papai?
— Papai serve também!
Sabo deu um beijo em sua bochecha, mas Blaze não pareceu muito satisfeito.
— Não, aqui não, papai! Aqui! — ele apontou para a própria boca.
— Ah, Blaze… — Sabo caiu na gargalhada, era cada uma que esse menino inventava! — papai não pode te beijar aí, tá bom? Só pode fazer isso quando você foi maiorzinho, e com a pessoa que você gostar.
— Mas eu gosto papai. — protestou, fazendo biquinho. — gosto mamãe também.
— É outro tipo de gostar, querido. — Koala disse. — vai entender quando crescer. Mas, por enquanto, não pode deixar ninguém fazer isso em você, tá?
Blaze ainda era pequeno para entender as complicações dos tipos de relacionamentos, percebeu ela. Talvez, quando fosse maior, poderia ter uma conversa um pouco mais detalhada com o rosinha sobre aquele assunto, mas por enquanto era melhor deixar daquela maneira. Era óbvio que o pedido dele era por causa do acontecido anterior, de terem sidos pegos no flagra por ele aos beijos. Aquilo não poderia voltar a acontecer, principalmente com uma criança morando com eles na casa.
— Atchim! — Sabo espirrou, depois de colocar Blaze de volta no chão. — acho que tem alguém falando de mim. — brincou.
— Está ficando resfriado? — se aproximou dele, medindo sua temperatura. — será que pegou de Blaze?
— Não, foi só um espirro. — ele coçou o nariz. — não é nada demais.
É, era o que ela esperava.
(…)
No dia seguinte, Sabo acordou mais resfriado e febril do que já estivera antes. Ao menos, era o que ela imaginava, pois nunca o vira doente.
— Aqui, preparei esse mingau de arroz.
Sabo sentou-se na cama com esforço, olhando para o prato na mão de Koala.
— Comida de doente… — observou ele. — aceito.
Mesmo insistindo em ir para a faculdade naquela manhã, Koala praticamente obrigou Sabo a ficar em casa. Ele acordou totalmente esquisito, aéreo, com o nariz escorrendo e a face avermelhada. Era óbvio que estava doente, e quando conseguiu deitá-lo na cama e medir sua temperatura, assustou-se ao vê-lo com 40º de febre.
— Não se preocupe. — disse ele, deixando que ela o cobrisse com os edredons. — fico assim às vezes. É só me dar o remédio da caixa de primeiro socorros.
Ainda que ela tivesse sugerido, mais de uma vez, irem ao hospital, Sabo se negou e disse que ficaria bem. Sabo estava vivendo sozinho com Blaze há mais de um ano, então como ele fazia quando estava doente? Será que alguém vinha cuidar dele? Tinha seu irmão Luffy, é claro, mas o garoto não parecia saber mais sobre pessoas doentes do que uma criança.
Quando Sabo terminou de comer o mingau, murmurou um obrigado e voltou a se deitar, cobrindo-se até acima dos ombros. Os cabelos dele estava bem bagunçados, espalhados pelo travesseiro e jogados em seu rosto.
Ela se levantou para sair do quarto com a tigela, mas ele segurou a barra de sua blusa.
— Aonde vai?
— Vou levar isso pra cozinha.
— Você vai voltar?
— Quer que eu volte?
Sabo pensou nisso por uns segundos e assentiu.
— Sim.
— Então eu volto.
Aos poucos ele a soltou, e a babá pôde lavar o prato e a colher calmamente, tendo consciência de que ele sabia que ela voltaria. Quando retornou ao quarto, sentiu os olhos sonolentos dele brilharem mais um pouco, e se sentou ao seu lado perto do criado-mudo, numa cadeira que pôs ali.
— Vou te manter entretido. — anunciou ela, sorrindo gentilmente, — o que quer fazer? Podemos jogar um jogo, apenas conversar...
— Queria um beijo.
Sua declaração a pegou de surpresa, e Koala parou a respiração. Beijos e beijos… Aquilo não saía da cabeça dela desde seu primeiro beijo com Sabo – ou melhor, seu primeiro beijo da vida – e só uma simples menção a beijo fazia seu estômago se revirar.
— Sabo-kun… — ela murmurou. — não podemos fazer isso.
— É verdade. — ele concordou tristonho, após alguns segundos. — você vai ficar doente também. Não quero você doente.
Não era isso que Koala queria dizer. Um patrão e uma empregada ficarem se beijando era… Errado. Teve uma criação muito correta, e não poderia ficar naquele tipo de relacionamento. Mas não iria conversar com Sabo daquela forma, com ele de cama e doente. Esse assunto seria para outro momento.
— Mas bem que eu queria… — ele piscou, e bocejou. — se… Se eu soubesse que beijar era tão bom, teria começado mais cedo… Talvez na adolescência… Ah, mas não poderia ser, já que seria com outra garota. Eu não te conhecia. Não quero outra garota. Quero beijar você.
— Sabo-kun, vamos parar de falar de… Beijos. — ela pigarreou, era difícil dizer aquela palavra. — os antibióticos estão te fazendo dizer coisas sem sentindo.
— Ah… Não são sem sentido. — a voz dele era lenta e arrastada. — palavras têm sentido, Koala… Sempre tem… Eu adoro palavras. Sinto saudades das minhas cartas…
Gotas de chuva puderam ser ouvidas batendo na janela, o que Koala achou curioso. O clima estava tão bonito de manhã, e agora uma grossa chuva caía lá fora, molhando as ruas e todos os que foram pegos de surpresa. E lá estavam eles, os dois, quentinhos e secos naquele quarto.
Arrastando o olhar até as cartas que ficavam em sua prateleira, Koala perguntou:
— De que cartas está falando? Dessas?
— Sim… Mas não são só essas. São muitas, e muitas, e muitas outras… Ah, como eu amava escrevê-las… Não tenho mais Ace aqui, então não posso enviá-las… Não fazem mais sentido. — ele olhou nos olhos dela. — as cartas dizem tudo o que eu sinto. Como eu me sinto… Sou ruim de dizer, não sei expressar com a minha voz, mas com as cartas… Eu digo tudo. Tudo.
— Também gosto de enviar cartas.
Ele pareceu feliz com a declaração dela, mesmo sem sorrir.
— Gosta?
— Sim. — ela assentiu. — é um costume antigo, não é? Mas pra mim, é tão sublime e romântico… Sempre escrevi cartas para minha mãe. Ela morreu.
— Meus pêsames. — as pálpebras dele pendiam, e a qualquer momento podiam se fechar. — o Ace não morreu. Acho. Espero que não, né… Não sei onde ele está, como está…
— As cartas que escreviam eram para ele?
— Sim… — ele sussurrou, já de olhos fechados. — desde que nos tornamos irmãos… Eu escrevo…
— É algo muito bonito.
A única resposta que obteve para o comentário foi o barulho da chuva. Sabo finalmente adormecera, depois de tanto tempo lutando contra o sono. Acariciou os cabelos dele, sentindo os fios loiros e macios na palma da mão. Ele estava um pouco suado, precisava de um banho, ou ao menos que alguém passasse panos molhados em seu corpo. Sentiu-se nervosa em resposta ao pensamento, já que ela seria a única pessoa disponível para isso.
A campainha tocou, e se perguntou quem era, indo até a porta. Não era comum receberem visitas. Na verdade, era algo extremamente raro, acontecia apenas quando algum dos vizinhos queria comentar sobre algum problema, ou avisar que fariam barulho com alguma reforma.
Olhou pela câmera de segurança da porta de entrada, e se surpreendeu ao ver quem era. Então abriu a porta, desacreditada.
— Oi. — era Nami, com os olhos inchados, mal agasalhada e totalmente ensopada. — posso ficar aqui?
(…)
— Ai, meu Deus, Nami-san, o que aconteceu?
Agora mais calma, depois de tomar um banho, pegar as roupas de Koala emprestadas e se esquentar com um cobertor, Nami finalmente conseguiu falar. Desde que chegara, a ruiva mal conseguia abrir a boca, apenas soluçando e tremendo de frio. Assustada, Koala a ajudou a tomar um banho quente, e até lavou seus cabelos cor de laranja. E, enquanto a amiga se vestia, preparou-lhe um chocolate quente, mais uma tentativa de melhorar seu ânimo.
— Luffy e eu discutimos. — disse enfim, depois de uma boa golada. Seu nariz ainda estava avermelhado, mas sua aparência já estava bem melhor. — foi uma briga feia, aí eu saí de casa. Estava com tanta raiva que saí do jeito que estava, não peguei dinheiro e nem o celular. — olhou para Koala. — me desculpe ter vindo para cá. Eu iria para a casa da Vivi ou da Robin, até da Pudding, mas elas não moram aqui perto, e estava chovendo e…
— Não precisa se desculpar, pode ficar aqui à vontade. — Koala segurou a mão livre dela, estava gelada. — eu sei que deve estar sendo difícil, mas se quiser conversar sobre isso, eu estou aqui para ouvir.
Sentindo outra onda de choro vir, Nami engoliu o seco.
— Ele anda conversando no telefone com uma mulher. Percebi que estava estranho esses dias, aí hoje de manhã apenas tive a certeza. Quando ele foi tomar banho, eu peguei o celular dele e tentei abrir, e adivinha? Ele colocou senha! Mas mesmo assim, eu vi pelas notificações mensagens no LINE. Era de uma mulher, ela estava toda melosa, mandando corações e tudo.
— E o que você fez?
— Depois que ele saiu do banho eu o confrontei, mas ele ficou todo nervoso, inventando histórias! Sei quando está mentindo!
Koala não se julgava a melhor pessoa para falar de relacionamentos. Nunca havia namorado na vida. Seria melhor alguém com um ar de mais experiência, como Robin ou Vivi. Mas era ela que estava ali, a única disponível para ajudar a nova amiga, então não poderia ficar calada.
— Tem certeza de que isso é traição? Talvez seja alguma garota interessada no Luffy-kun. Um interesse unilateral. Não o conheço bem, mas não parece ser o tipo de pessoa que trai a namorada.
Suas palavras acalmaram Nami um pouco, que respirou fundo e bebeu mais um pouco do chocolate.
— Pode ser. Eu o conheço bem, Luffy tem seus ideais muito concretos. O amo e admiro muito por isso. Mas... — a expressão dela se tornou mais frustrada e confusa. — eu sou muito durona com ele. Não sei expressar meus sentimentos, sou grossa e nada fofa. Talvez tenha aparecido alguma garota que é tudo o que ele quer, ou tudo o que eu não sou.
— Pensar desse jeito só vai te deixar mais triste.
— Koala, você não entende… Nunca sentiu inferior? Nunca sentiu que não era boa o suficiente para alguém que você gosta?
Para a surpresa de Koala, a primeira pessoa que veio em sua mente foi Sabo, e o ciúme que ela própria sentira quando suspeitou de algo entre ele e Reiju, e a achou mais bonita que ela. Ou quando ele tratou Robin pelo primeiro nome, e suspeitou que tivessem alguma intimidade. Aquilo era desconcertante. Deveria estar animando a amiga, e não se deixando abalar pela tristeza dela.
— Me desculpe, eu sou um incômodo… Vindo aqui, num meio de semana, numa chuva dessa… — Nami secava as lágrimas dos olhos, até que olhou em volta. — eu nem perguntei, mas por que está aqui? Não deveria estar na faculdade?
— Sabo-kun acordou doente, fiquei aqui para cuidar dele. — explicou. — ele está bem mau. Queria levá-lo pro hospital, mas ele se nega a ir…
— É tão sério assim? — a tristeza da ruiva deu lugar a preocupação.
— Não sei, ele estava meio zonzo e se atrapalhando com as palavras, e está ardendo em febre.
— Sei quem pode ajudar.
Nami se levantou e foi direto até o quarto de Sabo, dando uma rápida olhada no cunhado adoentado. Ainda concentrada, ela olhou por todo o quarto, achando o celular dele pousado em cima da cômoda. Voltou para a sala junto de Koala já desbloqueando o celular e procurando o número.
— Você sabe a senha? — a outra arregalou os olhos.
— Sei, mas ele não sabe que eu sei.
Procurou nos contatos e não achou quem queria. Droga.
Koala a observava mexer no smartphone com familiaridade, ficando preocupada com o estado de tensão da namorada de Luffy.
— O jeito vai ser ligar pra casa principal do clã. — ela olhou rapidamente para Koala, voltando a se concentrar no celular. — precisamos do número dele. Sabo é um idiota, não tem o número de quase ninguém salvo aqui!
— Casa principal? — ecoou.
— Sim, a residência oficial do clã D. — Nami pôs o celular na orelha. — eles vão me dar o contato que eu quero.
(…)
Koala foi buscar Blaze na escola e, quando retornou, Trafalgar Law acabava de entrar na casa. Não esperava que Nami fosse chamá-lo. Tinha a impressão de que ele e a Sabo não se davam muito bem, principalmente pela última vez que os vira interagir, quando o loiro viu os dois juntos, após Law defendê-la.
— Ele está no quarto. É aquilo de novo. — Nami avisou a Law, que se curvou para ela e Koala, dando passos rápidos até o quarto.
Blaze desceu do colo de Koala e foi até a tia, que deu-lhe um abraço.
— Tia Nami! Tia Nami! Fiz desenho hoje! — ele contou a ela, agitando os bracinhos.
— É mesmo? Que legal. — ela sorriu para ele, tentando parecer feliz.
Quando Blaze se distraiu mexendo na mochila, Koala foi até ela.
— Por que chamou Law-san? Eu sei que ele é estudante de medicina, mas…
— Law é mais do que estudante de medicina. — Nami acalmou a amiga, que parecia preocupada. — ele estuda medicina desde criança, e desde adolescente cuida da saúde de vários membros da família.
Koala estava boquiaberta.
— Q-Quantos anos ele tem?
— Vinte e quatro. É um tipo de gênio. — Nami riu de canto. — inclusive… — olhou para Blaze, e Koala seguiu seu olhar. — foi ele quem fez o parto de Blaze.
Blaze continuava a mexer na mochila, fazendo uma bagunça e espalhando suas coisas.
— M-Mas por que ele fez o parto do Blaze? — Koala mal pôde acreditar. As duas se sentaram no sofá, e Nami disse:
— O parto do Blaze foi muito rápido, a bolsa estourou do nada e Law era o único com conhecimento médico suficiente pra fazer. Mas deu tudo certo, ele nasceu saudável e a Bonney também ficou bem. — sorriu de canto. — muitos do clã já gostavam dele, mas depois disso, ele passou a ser realmente respeitado.
— O “clã” que se refere, é…?
— O clã D, é claro. Sabo nunca lhe contou? — surpresa, viu Koala negar com a cabeça. — bem, é o clã da família do Luffy. Ela é composta por seis linhagens: os Marshall, os Portgas, os Jaguar, os Trafalgar, os Gol, e, é claro, os Monkey. Eles são a linhagem mais poderosa dentro do clã, porque o atual líder é o pai de Luffy, Monkey D. Dragon.
Aquilo parecia coisa de filme de máfia, pensou Koala, percebendo a real grandiosidade do que Nami dizia.
— Pode me dar mais detalhes, por favor?
Nami deu uma olhada em Blaze, para ver se ele prestava atenção, mas ele ainda estava entretido bagunçando as próprias coisas.
— Os D. basicamente são responsáveis por quase todas as grandes empresas mundiais. Não sei o que todos fazem, mas sei que a família Monkey é divida em dois setores: Dragon-san, pai de Luffy, trabalha com a criação de tecnologias, e o avó de Luffy, Garp-san, trabalha com fabricação e exportação de navios e derivados. Já a família do Ace…
A garota foi interrompida por Blaze, que chegou com uma anotação na agenda e entregou para Koala. Ela achou estranho, já que nunca havia recebido um bilhete antes. Normalmente Reiju-sensei conversava com ela pessoalmente, mas lembrou-se que naquele dia ele havia precisado sair mais cedo, então fazia sentido.
“Blaze-chan estava falando algo sobre beijos hoje em sala, e tentou fazer uma demonstração com Tama-chan. Disse a ele que aquilo era inadequado com uma amiguinha, mas talvez seja importante que você e Sabo-san frisem isso dentro de casa”
Koala suspirou cansada. Estava tendo um dia cheio e agora aquilo, que sabia que era sua culpa. Bem, culpa dela e de Sabo, mas parecia injusto colocar a culpa em um homem atualmente enfermo.
— Tô com fome. — disse Blaze, debruçando-se no colo de Koala.
Nami pegou na mão dele, levando-o em direção à cozinha.
— Vem, rosinha. A tia dá comida pra você.
— Não precisa, deixa que eu dou! É meu trabalho. — Koala se levantou, pronta para intervir, mas a ruiva negou.
— Não, deixa que eu faço isso. Dá pra ver que está exausta, Koala. Eu estou… — Nami engoliu o seco. Comparado ao cansaço da babá, seu coração partido não era nada. — eu estou bem. Vá ver como Sabo está.
Koala relaxou os músculos, sorrindo. Era bom ter uma amiga.
(…)
Quando voltou ao quarto de Sabo, encontrou-o deitado na cama, dormindo com o cabelo molhado e usando uma muda de roupa diferente. Law estava com as roupas meio molhadas também, parecendo meio cansado. Ele já recolhia seus itens médicos e colocava na maleta, aparentemente tendo acabado o que fez.
— Por que está molhado?
— Tive que dar um banho nele, para abaixar a febre. — retrucou o Trafalgar. — ele tem essas febres às vezes, geralmente quando a temperatura cai ou sobe. É importante ficar de olho, mas, de maneira geral, não tem com o que se preocupar.
Ela quase sentiu vontade de chorar, aliviada. Sabo dormia um pouco mais tranquilo agora.
— Deixei ali na mesa o remédio que ele tem que tomar e os horários certos. — indicou ele, um pouco acanhado com a expressão dela. Sentiu que ela estava prestes a chorar.
— Ah, Law, muito obrigada! — ela o… Abraçou? Piscou, surpreso com aquilo. Para sua sorte foi breve, e ela logo se separou. — eu estava com tanto medo, não sabia o que fazer.
— Não… Ahn… Precisa ficar assim sempre. — ele tossiu, perdido um pouco com as palavras. — tem o meu número ali também, não precisam ligar pelo telefone de contato do clã. Na verdade, prefiro que não ligue para lá.
Koala perguntou-se o motivo de não ligar para lá. Eram todos da família, não? Como se lesse os pensamentos dela, ele olhou para Sabo e explicou:
— Sabo não gosta muito de se envolver nos assuntos da família. Comparece ao mínimo possível de eventos e declina qualquer convite que pode. — já na porta, ele se curvou para Koala. — e você, não falte muitas aulas. Elas são importantes.
Ela sorriu e assentiu, então o jovem médico foi embora. Ouviu-o conversando com alguém no outro cômodo, provavelmente Nami, mas não entendeu direito o que diziam. Toda sua atenção estava voltada para Sabo, que ainda permanecia doente.
— Ah, Sabo-kun… — ela sentou-se ao lado dele na cama, cobrindo-o mais com o lençol. A chuva ainda estava a todo vapor lá fora, talvez até mais violenta, mas de alguma forma trazia paz de espírito para Koala. — por favor, melhore logo…
Seu coração doía ao vê-lo assim. Sabo tinha se tornado uma pessoa importante em sua vida, e atualmente era seu melhor amigo, mesmo sendo seu patrão. Jamais poderia recompensar tudo o que ele fizera por ela, lhe dando um teto e um ótimo emprego.
E uma família, lembrou sorrindo. Tivera que deixar a sua para trás e se sentira tão sozinha sem eles, mas agora com Blaze e Sabo ali, o sentimento de solidão a tinha abandonado.
Ela se abaixou e deu um beijo na testa de Sabo, que estava coberta por um gel adesivo para febre. Olhou para os lábios dele, tão perto dela, e tentou acalmar o coração se afastando dele. Ela estava muito estranha em relação a ele, precisava aprender a se controlar.
Por que se ela não se controlasse… Tinha medo do que viria a acontecer futuramente.
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