Baby Care
27 Lar doce lar

"Acredito que a Bonney tenha ficado aliviada por finalmente sair do hospital. Sabe, Ace, não há nada como o aconchego do nosso próprio lar"
— de Sabo para Ace, quando Bonney saiu da maternidade
— ...Só o que eu não posso, coração, é ficar sem você.
Por um instante, Koala não disse nada. Até que ela levantou a cabeça, e ele pôde ver que ela o olhava nos olhos. O que pensava — se gostara ou não do que dissera — ele não fazia ideia, e se sentia nervoso, por algum motivo.
Ela pôr a mão em seu rosto, acariciando a pele feia da cicatriz. Era um tipo de carinho que ela gostava de fazer, e esquecera-se como era bom. A mão dela cheirava bem, e era extremamente macia. Sentia falta de ser tocado por ela depois de tanto tempo.
— Não. — ela sorriu.
Ele piscou.
— Não?
— Não, não vamos fazer isso. Você tem uma vida em Tóquio, Sabo-kun. E não, não quero dizer apenas suas responsabilidades como herdeiro, mas como filho e irmão. Seu pai está doente, e posso ver em seus olhos que você está preocupado com ele. Seu irmãozinho também deve estar abalado com essa notícia, e sem ter o apoio de nenhum irmão... Mal posso imaginar como Luffy-kun se sente. Então... Não, não vai ser assim.
Sabo esvaziou o pulmão inteiro, sentindo a necessidade de se sentir vazio no sentido literal, não apenas no figurado.
— Eu vou viajar para lá. Várias vezes, se for preciso.
— Sabo-kun, sabe bem que isso...
— Eu dou um jeito! — ele se sentou abruptamente. — qualquer jeito! Mas eu me recuso a ficar sem você. É doloroso demais, eu... Não consigo.
Os olhos dele, suplicantes, quase partiram seu coração. Por Deus, Koala o amava tanto que chegava a ser assustador. Mal sabia descrever o tanto de saudade que sentiu dele no tempo em que estiveram separados.
Por fim, resolveu ser honesta com ele.
— Eu recebi uma proposta — disse com cautela, sentando-se também. — e acho que ela vai deixá-lo contente. Senão, no mínimo, satisfeito.
Ansioso, ele assentiu para que ela continuasse.
— Kokoro-san se ofereceu para cuidar das crianças enquanto eu estiver trabalhando em Tóquio. No início, eu fiquei receosa com a ideia, admito, mas pensando bem, não consigo enxergar outra alternativa. Se eu permanecer aqui, com eles, nossa situação não vai melhorar em nada, e tenho certeza de que Shin não vai querer fazer o colegial para poder trabalhar e ajudar em casa. Eu não quero nada disso pra eles — balançou a cabeça. — eu quero que eles tenham uma vida melhor. Se para isso, eu tiver que fazer esse sacrifício, eu estou disposta, por mais que me doa.
Dessa vez, foi Sabo que a encarou.
Mas diferente do que ela pensava, a expressão dele não era nada bonita.
— Nem pensar!
Confusa, ela procurou o olhar dele.
— Seus irmãos não podem ficar sem você. Eles são crianças! Uma pessoa que ame de verdade, como mãe ou pai, faz uma diferença enorme nessa idade. Não. Não mesmo. — ele negou veemente. — não vamos deixá-los aqui sozinhos.
— Então não há outra alternativa.
— Há sim.
Ele pegou suas mãos, olhando bem sério em seus olhos. Mais sério do que ela vira em toda sua vida.
— Vamos levá-los.
Ela pensou ter escutado mal.
— Le-le...?
— Levá-los. Sim! É claro, levá-los! — ele parecia ter acabado de se dar conta de como a ideia era genial. — vamos levar as crianças para Tóquio! Eles vão amar! Podemos colocá-los em ótimas escolas, Blaze teria irmãos e você poderia voltar a frequentar a faculdade. É perfeito!
— Mas isso é uma loucura, eles nunca saíram daqui.
— Vamos fazer dar certo, Koala. Nós dois, juntos.
— Juntos?
A ideia começava a martelar em sua cabeça com uma lógica maior.
— Sim. Juntos. — ele sorriu, beijando em sua testa. — como uma família.
(...)
O anúncio da mudança da família veio no dia seguinte. Os mais novos receberam a notícia muito bem, com um entusiasmo claro por conhecer a tão famosa cidade de Tóquio, e todas as diversões que ela podia oferecer. Os três mais velhos, no entanto, ficaram mais mexidos. Tora sentia-se triste por ter que deixar suas amigas sem se despedir, Rock gostava da casa e Shin do estilo de vida. Mas, no fim, todos acabaram aceitando que a mudança era necessária, e que deveriam aprender a tirar o melhor proveito da situação.
— Eu quero visitar as lojas de eletrônicos de Akiba! — Rock esfregava as mãos, ansioso.
— A gente quer ir na loja da Hello Kitty — disseram Aurora e Nina.
Os outros não disseram lugares específicos onde queriam ir, mas pensaram e mantiveram para si.
Kokoro levou sua neta para se despedir das crianças, e além de oferecer a caminhonete para levá-los até a estação, se comprometeu a cuidar da última safra de batatas. Koala agradeceu muito. Apesar de tudo, não queria desperdiçar todo o trabalho que tivera nas últimas semanas.
— Tem certeza, mana? — Shin perguntou pela milésima fez, enquanto todos colocavam as malas no carro. — não precisa fazer isso. Não somos obrigação sua.
— Não é obrigação, Shin — sorriu para ele, puxando-o para um abraço. — é amor. Eu amo todos vocês.
Shin enrubesceu, sem jeito, mas retribuiu o abraço da irmã, e voltou a ajudar a recolher as malas. Não eram tantas, pois não levariam móveis, mas ainda era uma quantidade considerável, até porque, eles não eram um grupo pequeno.
Koala procurou Sabo, e o encontrou com Blaze no colo. O bebê estava suado pelo dia quente, e chorando muito no colo do pai. Foi até ele preocupada.
— Ele não quer ir embora — Sabo explicou, já entendo o que ela queria saber.
— Verdade? Ah, Blaze... — com pena de seu pequeno, pegou-o no colo. — pronto, pronto... Não precisa chorar.
— Mas qué bora não, mamãe! Num qué! — ele disse entre soluços.
Respirou fundo, pondo-o no chão para poder ver seu rostinho direito.
— A mamãe entende que está triste, mas nós temos que voltar. O papai e a mamãe têm aulas, e você tem a escolinha, lembra? Com seus amiguinhos. Momo-chan, Tama-chan...
Falar dos amigos pareceu surgir algum efeito no menino, que agora tinha apenas o lábio inferior tremendo em um adorável biquinho.
— Você quer um abraço? Pra se sentir melhor.
Ele abriu os braços e se jogou nela, que se levantou com ele no colo. Blaze apoiou a cabeça no ombro dela, aconchegando-se. Como ele estava pesado. Havia crescido tanto desde a última vez que o vira, e nem percebeu o tempo passando.
Olhou para Sabo, e ele exalava orgulho.
— Você é ótima — ele beijou o topo de sua cabeça.
No fim da tarde, tudo já estava pronto para partirem. Era estranho ver a casa arrumada, tudo no lugar, mas sem criança alguma dentro. Claro que não iriam abandonar a casa para sempre. Planejavam voltar para passar o próximo verão, e talvez nas curtas férias de primavera. Mas, ainda assim, era um tanto melancólico deixar de vez a casa em que fora criada e, até então, o único lar que conheceu.
Na sala de estar, o altar com a imagem de seu pai continuava intocado. Que pecado. Não poderia ir embora sem levá-lo junto.
— Koala? — Sabo apareceu no corredor. — tudo bem? As crianças já estão no carro.
— Tá sim, eu só esqueci do papai.
Ela se agachou para pegar o porta-retrato, mas Sabo foi até ela e a impediu. Não entendeu o que ele queria com aquilo, até que o loiro se abaixou e se sentou, em seguida juntando as mãos e fechando os olhos. Isso aqueceu seu coração. Ele estava orando pela alma de seu pai.
— Eu sei que é um pedido egoísta, Ko, mas pode me deixar sozinha com seu pai? — ele pediu ainda de olhos fechados.
Sorrindo de canto, assentiu, deixando-o sozinho.
Sabo abriu os olhos, encarando a foto do homem à sua frente. Se Fisher Tiger estivesse vivo, teria certeza de se certificar que ele ouvisse poucas e boas, pois não concordava com muitas decisões que o homem tomara em vida. Mas Tiger estava morto, e não adiantava nada discutir com alguém falecido.
E, de qualquer forma, não era momento para amargura.
— Sogro, eu... — fez uma pausa, escolhendo bem as palavras. — eu estou levando-os comigo. Não sei se você iria querer que fosse dessa forma, mas depois de conhecer seus filhos, percebi o quanto são especiais. Cada um deles. E a mais especial de todos é a Koala, e eu não consigo deixá-la. Sua filha é muita especial pra mim, de uma forma que eu nunca saberia explicar. Espero que confie em mim, sogro, para cuidar do que você deixou para trás. Prometo zelar pelo bem de todos eles, e cuidar da sua filhinha.
Curvou-se, em respeito ao homem morto. Sentia como se tivesse tirado um peso dos ombros. Não conseguira conversar com o pai de Koala neste plano, mas ao menos em outro ele escutaria suas palavras. Agora, sim, podiam ir em paz, e seguir com a próxima fase de suas vidas.
Pegou o porta-retrato do homem, e saiu pela porta, trancando-a. Olhou para trás, e todos já estavam no carro, aguardando-o.
Sem hesitar, foi até eles, confiante de que conseguiria lidar bem com a nova vida que teriam dali para frente.
(...)
Em uma cansativa viagem de quase seis horas, chegaram em Tóquio no meio da madrugada. Foram necessários dois táxis para levar todos para o apartamento, e quando chegaram, as crianças não tinham ânimo para nada. Tudo o que fizeram foi se espalhar pela sala, — no sofá e em futons — e dormir profundamente. Blaze, inclusive, nem acordou, e aninhou-se bem em sua caminha, sem reclamar.
Koala, também cansada, deixou-se levar por Sabo, que a convidou para dormir com ele. Tudo o que fizeram foi dormir, de tão exaustos, e tiveram uma boa noite de sono, com a casa extremamente silenciosa.
Quando o dia raiou, no entanto...
— Toma! — Nina corria pela casa, jogando almofadas em Rock.
— Agora você vai ver! — Rock jogou de volta, mas acertou em Aurora.
— Ai, seu bobo!
— Gente, não pode... Marion, vai derrubar o vaso! — Tora tirava Marion de perto do perigo.
E isso foi o que eles escutaram do quarto.
— Bom-dia. — Sabo sorriu, vendo-a acordar ao seu lado.
— Bom-dia — ela respondeu, bocejando. — pelo visto, as crianças acordaram.
— Não sei como. Eu, na idade deles, só acordaria lá pelas dez, no mínimo. — o loiro espreguiçou-se.
— Eles são crianças do interior, acostumadas a acordar com as galinhas — riu de leve.
Naquele instante a porta abriu, e viu Blaze entrando de pijama e com os cabelos bagunçados. Os dois se sentaram na cama.
— Mamãe, papai, tamo em caja! — o pequenino observou. — vamo pra escola?
— Escola só daqui alguns dias, campeão — passou a mão pelos cabelos dele.
— Vamos ter muito a fazer — Koala virou-se para Sabo, gemendo. — procurar uma escola primária para as crianças, um ginasial pro Shin... Ele vai ter que fazer um exame, e temos que ligar para as escolas antigas para fazer a transferência. Ah, não! Eu me esqueci totalmente de fazer a rematrícula da faculdade! Será que ainda dá tempo ou eu vou perder o semestre?
— Koala, calma — Sabo tranquilizou-a. — eu vou resolver isso pra você. Todos eles vão estudar da Academia Gold Roger, quanto à universidade...
— O que?! — ela arregalou os olhos. — a Academia Gold Roger?
— É claro — ele riu como se fosse óbvio. — onde achou que fôssemos colocá-los?
— Não sei, em qualquer lugar que... — ela suspirou — Sabo-kun, a Academia é um lugar fino demais, as taxas escolares...
— Não se preocupe com isso, eu me responsabilizo pelas taxas.
— Mas isso não é obrigação sua.
— Não é por obrigação — Sabo deixou que Blaze, jogado na cama, brincasse com sua mão. — quando eu quis que viessem, tomei pra mim a responsabilidade de cuidar de vocês, e se eu posso, vou colocá-los na melhor escola possível, como todas as outras crianças da minha família.
— Ainda assim — Koala parecia um tanto constrangida. — é uma escola muito cara, não sei se...
— Ko — Sabo sorriu de canto. — você não vai precisar pagar nada. A escola é nossa. — ele apontou para Blaze com o queixo. — na verdade, a escola é dele.
Blaze riu como se entendesse no assunto, e continuou sua brincadeira de lutar contra a mão de Sabo.
— Você deixa, Blaze? Seu amigos podem estudar na sua escola?
— Hmmm... — ele riu, mostrando seus dentinhos separados. — Pode não!
— Oh, não! — Sabo jogou-se para trás, num ato teatral. — assim o papai morre de tristeza!
Blaze riu alto.
— Pode sim! Eu deixa! Eu deixa sim!
Koala deu-se por vencida. Sabo estava irredutível. E, de qualquer modo, não seria algo ruim que seus irmãos fossem estudar em uma Academia tanto prestígio.
(...)
O que Koala não sabia era que os planos de Sabo para os oito não paravam por aí. No meio de um café da manhã muito empolgante, ele disse a todos:
— Não precisam desfazer as malas — ele olhou para Koala. — não vamos ficar aqui.
— Não? — Koala ecoou.
— Não, esse apartamento é muito pequeno para todos nós. O contrato de aluguel já estava acabando, mesmo, não faz sentido ficarmos aqui. Tenho em mente um outro lugar com muito mais espaçoso.
E ele tinha, mesmo. Sabo pediu que Luffy fosse até lá para ajudar a levá-los de carro, e quando chegaram ao destino, Koala estremeceu-se da cabeça aos pés. Aquilo era demais. Sabo não podia estar pensando que ela aceitaria aquilo.
— A mansão?! — ela quase gritou.
Empolgadas, as crianças — meninos Shin, que já se achava um adulto — correram na frente, parando em frente à porta da casa, onde o mordomo, Inazuma, já esperava a postos. Ao lado dele, em fila, todos os empregados da casa aguardavam a chegada de seu jovem mestre, Sabo.
— Você avisou que viríamos? — Sabo perguntou à Luffy.
— Claro, não devia? — ele respondeu.
— Bem — suspirou. — acho que sim.
Com bastante pomposidade, Inazuma apresentou formalmente Koala aos empregados, um por um. Ela não julgava aquilo necessário, levando em consideração que ela era também uma empregada, mas por hora, resolveu não discutir aquele assunto. Apresentou-se com educação, e todos pareceram gostar dela.
— Sabo!
A pessoa que Koala reconheceu como sendo o reitor da universidade, andou a passos largos pelo vestíbulo da mansão com um sorriso largo no gosto. Ele abraçou Sabo, depois pegou Blaze no colo, jogando-o no alto de brincadeira.
Quando pôs o garotinho no chão, o homem disse:
— Eu liguei tanto pra você! Não pode simplesmente sumir no mundo sem dar maiores justificativas pra ning... — ele finalmente notou a existência de Koala ali. — esta é a babá? É um prazer.
— Esta — Sabo puxou-a para mais perto. — é a minha namorada, Fisher Koala.
Koala conhecia o reitor Akagami Shanks, mas apenas de vista. Era uma pessoa bem distante para alguém como ela, e ele parecia sempre tão ocupado. O reitor tinha a barba por fazer, seu cabelo era vermelho como sangue, era forte e tinha a pele bronzeada, como alguém que faz exercícios ao ar livre. Mas o que mais chamava atenção era de longe a cicatriz como de três garras em seu olho esquerdo. Lembrou-se de quando Sabo lhe contou que ele a ganhara em uma briga. Com quem teria sido?
Acanhada, curvou-se apropriadamente, apresentando-se.
— Sou Fisher Koala, é um prazer finalmente conhecê-lo, Sr. Reitor.
— Ah, o que é isso? Não precisa ser formal comigo. — ele respondeu simpático. — entrem, vamos lá pra fora. Seu pai está tomando um ar — Shanks disse para Sabo — ele esteve bastante agitado desde que descobriu que viria para cá. Acho que têm muito o que conversar.
— Por mim tudo bem, só precisamos... Crianças! — ele chamou pelos pequenos, que analisavam tudo com suas mãozinhas nervosas. Os pequenos foram para perto de Sabo, escondendo-se atrás de suas pernas. — acho que preciso apresentá-los. Esses são Shin, Rock, Tora, Aurora, Nina e Marion, do mais velho ao mais novo. — ele apontava para cada um.
— Como são encantadores. — Shanks se curvou para vê-los melhor.
— Não chega muito perto — avisou Luffy, lá no fundo. — aprendi da pior forma.
Os dois homens riram da bochecha do moreno, com uma marca redonda de uma mordida perfeita. Koala gemeu, sem saber onde enfiar sua cara. Não devia ter deixado Nina ir no carro de Luffy sem ela. Quando desceram é que viu o ataque que seu cunhado sofrera.
— Inazuma, peça para levarem as malas lá pra cima, por favor — Sabo pediu ao servente. — a minha pode pôr no meu antigo quarto.
Inazuma assentiu e prontamente começou a dar ordens aos empregados.
(...)
Sentados em uma mesa, nos jardins dos fundos, Koala se pegou nervosa por estar diante de pessoas tão importantes. Ali com ela, estavam Sabo, Luffy, Shanks e Dragon. Três D’s e o reitor. As únicas que poderiam deixar o clima menos esquisito para ela eram as crianças, mas estas estavam ocupadas demais gastando a energia que ganharam após atacar os bolos chiques da mesa. De longe podia vê-los correndo, brincando no parquinho privativo da família a alguns metros dali que, segundo Sabo, foi criado quando Ace se mudou para a mansão.
— É bom vê-lo sendo usado — Dragon disse após bebericar seu café. — não há nada mais triste que um parquinho vazio.
A essa altura, Sabo já havia pedido ajuda de Shanks para conseguirem fazer a rematrícula daquele período. Ele fez questão de ajudar e, como Luffy tinha que voltar para casa, apenas os três sobraram na mesa.
— Pai, eu... — Sabo pigarreou. — como o senhor está se sentindo?
— Bem na medida do possível — o homem respirou fundo. — não vamos falar de mim. Quero saber do seu sumiço.
Sabo coçou a cabeça.
— Eu tive que resolver uns assuntos com a Koala — Sabo pôs a mão por cima da namorada. — na verdade, fui me desculpar e me reconciliar com ela. Por vários motivos, tivemos que voltar, e trazer os irmãos dela conosco. Sei que não falei com o senhor antes, mas esperava que pudéssemos ficar aqui.
Uma clara surpresa se passou pelos olhos do homem, e Koala chegou a pensar que ele não gostaria da ideia. Mas um pequeno sorriso pôde ser notado na face do empresário, que disfarçou bebendo mais café.
— Vai ser bom ter mais crianças aqui, principalmente o pequeno Blaze — ele disse por fim. — será muito bom recebê-la também, Koala. Espero que se sinta à vontade nesta casa.
— Não se preocupe com isso. — sorriu para ele. — tenho certeza de que vou me adaptar. Me preocupo é com o senhor. O barulho das crianças não vai incomodar? Principalmente, considerando seu estado...
— Morrendo? Não ligue para isso. Tudo o que eu queria era essa casa cheia novamente, com vida — disse Dragon.
Sabo encarava o pai com uma expressão indecifrável.
— Pai, há... — Sabo engoliu o seco. — há algum jeito? Deve haver algum.
Dragon o olhou por um longo tempo.
— Há uma cirurgia, mas ela é muito arriscada. Ela pode me matar mais rápido, ou me curar, não há como saber.
Os dois esperaram que ele falasse mais.
— Ainda estou decidindo se quero fazer. — ele concluiu. — mas não quero falar sobre isso. Hoje estou me sentindo bem, e quero saber de vocês. Estão namorando, certo?
Então Sabo explicou à Dragon toda a série de acontecimentos. Omitiu apenas a parte em que eles discutiram pela infantilidade de Sabo em relação ao pai, para que ele não se sentisse culpado, mas disse todo o resto.
O loiro estava decidido a tentar reaver a relação que tinha com o pai. Ver Koala perder o pai e sofrer por ele foi doloroso, principalmente a parte em que ela dizia que queria poder se despedir. Após isso, não parou de pensar em seu pai, e em como ficaria arrasado se ele se fosse com as coisas daquela maneira. Qualquer que fosse o tempo que teria com Dragon futuramente, queria aproveitar cada instante.
E Koala percebeu isso, e não podia estar mais orgulhosa dele. Após as crianças se instalarem — cada uma com um quarto diferente, que pediria para Iva-chan decorar mais tarde — e todos irem para seus quartos, o casal jogou-se na cama, exaustos pelo dia cheio.
— Estou morta. — Koala respirou fundo.
— Acho que nem o trabalho com a plantação cansava tanto — ele espreguiçou-se.
Koala deu uma risada bufada.
— O que foi?
— Você falou com sotaque. Sotaque caipira.
— Ah, é, é?
Ele a puxou para cima dele, prendendo-a com os braços.
— Este caipira aqui vai te segurar pelo resto da noite.
Ela beijou a ponta do nariz dele. Sabo não esperava por isso, e corou um pouco.
— De onde veio isso?
— Nada, eu só... — ela deu um largo sorriso. — eu só estou muito orgulhosa de você. A forma como você agiu com seu pai hoje foi perfeita, deu para ver que te ter aqui o deixou muito feliz. E você me deixou muito feliz também.
Os braços dele afrouxaram, então ela pôde se ajeitar, sentando em cima dele, que continuava deitado. Sabo sentiu que o clima mudou, e sua intuição se mostrou correta quando Koala retirou a blusa que usava.
Vê-la de sutiã foi o suficiente para que algo lá em baixo acendesse, principalmente com ela sentada bem em cima. Koala o beijou com bastante entusiasmo, aproveitando-se de seus instintos. Sabo passou a mão por suas curvas, parando no fecho do sutiã.
Koala sentiu-o afrouxando, e não conseguiu evitar em comentar:
— Você ficou habilidoso com isso.
Ele deu um sorriso sacana, retirando a peça e jogando em algum canto qualquer do quarto. Os seios dela eram enormes, redondos e perfeitos. Pegou-os em suas mãos, sentindo o peso e a maciez. Tinha as mãos grandes, e conseguia tapá-los perfeitamente, como se tivessem sido feitos para ele.
Puxou-a mais para perto, para que pudesse chupá-los. Ela gemeu, e ele aproveitou como pôde ali, deixando os mamilos já rosados ainda mais vermelhos. Poderia passar o dia inteiro ali, mas queria explorá-la mais.
Girou-a na cama, ficando por cima dessa vez. Tirou a saia dela junto com a calcinha, deixando-a nua como veio ao mundo. Ela fechou as pernas antes que ele olhasse.
— Ainda não — ela tinha as bochechas coradas. — primeiro, eu... Também quero fazer algo.
Ela se sentou e o fez se deitar novamente após tirar sua camisa. Em seguida, surpreendeu-o ao começar a abrir o zíper de sua calça.
— Koala, o que você...?
Ela não disse para não perder a coragem, e mordeu o lábio inferior quando conseguiu enfim liberar o que tanto queria. O membro dele estava grande e grosso e, quando o segurou mesmo que de leve, o corpo dele inteiro estremeceu.
Começou a movimentar-se para cima e para baixo, sentindo-o pulsar como nunca. Após alguns segundos, de olhos fechados, ele colocou a mão sobre a dela, ensinando-a o ritmo certo. Quando ela aprendeu a fazer sozinha, ele a soltou ainda de olhos fechado, entregando-se a ela.
Koala descobriu que era bom tê-lo daquela forma, tão submisso a ela e ao prazer que causava. Trouxe um novo sentimento para si. Não fazia ideia que podia ser tão devassa assim.
— Ahh, Koala... Você é tão...
Ele mal conseguia falar.
Empolgada e curiosa, ela abaixou-se e o lambeu ali, bem na ponta. Na mesma hora ele deu um gemido alto e a interrompeu.
— Fiz alguma coisa de errado? — perguntou temerosa.
— Não, de jeito nenhum — ele a tranquilizou, com as bochechas enrubescidas. — é só que assim eu não aguento.
Ela remexeu-se, sentindo-se molhada. Até ali eles só haviam feito de um jeito, mas aquela noite ela queria ousar. Olhou em volta, e imaginou que no criado-mudo haveria algum preservativo. Ao puxar a gaveta, viu que estava certo.
— Deixa que eu coloco. — avisou a ele, que apenas a encarou com surpresa.
Ela colocou sem dificuldade, e ajeitou-se em cima dele. Ambos arfaram quando finalmente deslizou para dentro, sem grandes dificuldades. Ela não era virgem, afinal.
— Sabo-kun... — ela gemia, dedicando-se a ele e àquele momento.
Sabo arfava, e então pegou nos seios dela, sentindo-os balançando em sua mão. Isso serviu apenas para excitá-lo mais, como se fosse possível. Eles permaneceram naquele mesmo ritmo por algum tempo.
— Koala... — ele grunhiu. — eu... Eu vou...
Ele ficou aliviado quando a sentiu explodir, e finalmente atingiu o ápice também, sentindo a maior satisfação que já tivera em sua vida. Ace estava certo quando lhe dissera que as primeiras vezes nunca eram as melhores. Nada jamais chegara perto daquilo.
— Isso foi...
— Incrível? — ela se jogou ao lado dele. — eu sei. Foi ótimo para mim também.
Ele sorriu, ainda ofegante, e a puxou para que descansasse em seu peito.
Estar em casa nunca havia sido tão prazeroso.
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