Baby Care
21 Fogos de artifício

“Obrigada por me apoiar. Não quero ver aqueles três nunca mais.”
— bilhete de Sabo para Ace, quando Sabo estava no hospital aos dez anos.
— Pra esquerda! Isso! Agora em frente! — Koala gritava de longe, com Blaze no colo.
— Fente, papai! — o pequeno ajudava.
Naquele dia, Luffy notou que ainda não haviam realizado o típico ritual do Suikawari, que basicamente consistia em acertar uma melancia com um bastão, estando completamente vendado. Usopp fora o primeiro a tentar, mas havia falhado miseravelmente e Chopper fora o segundo e, embora tivesse acertado a fruta, não era forte o suficiente para quebrá-la. Zoro até tentara participar, mas todos o impediram, pois tinham certeza de que ele espatifaria toda a melancia, e não haveria como comê-la.
Sabo tirou a venda dos olhos, para se certificar de que tinha conseguido, e sorriu orgulhoso ao vê-la partida ao meio.
— Uhul! — levantou os braços, agitando-os na direção de Koala e Blaze.
Nem todos se divertiam na praia, visto que aquele seria seu último dia no local. Iriam embora na tarde seguinte, e alguns de seus outros amigos ainda organizavam as malas para irem, afim de não deixar tudo para última hora. Koala e Sabo se organizaram antes, e puderam aproveitar melhor aqueles últimos momentos.
— Não engula a semente, ou vai crescer uma melancia na sua barriga — brincou com Blaze, quando a melancia foi repartida e todos a saboreavam.
— Mancia? Aqui?
Blaze pareceu considerar a ideia, apreensivo. Ele, que usava apenas uma bermudinha, estufou um pouco a barriga, como se testasse a ideia.
Sabo olhou para ela e riu.
— Meu pai dizia a mesma coisa.
— Verdade? O meu também. Sendo sincera, a maioria das minhas superstições vêm dele. Não se pode ser filha de um agricultor sem nenhuma crendice.
— Como esperado de uma moça do interior.
Pegou-se, então, perguntando sem pensar:
— E o seu pai?
Sabo piscou, claramente não esperando que ela fomentasse aquele assunto. Desviou o olhar dela, olhando para baixo. Os dois estavam sentados em uma manta na areia, e ajudava Blaze a comer seu pedaço da melancia.
— O que tem ele? — perguntou.
— Era muito supersticioso? Pelo pouco que vi, no baile da sua família, ele parecia ser um homem bem cético.
— Meu pai é... — ele fez uma pausa para pensar, ainda sem olhá-la. — ele era supersticioso, em relação a algumas coisas.
Como ele não disse mais nada — e nem parecia disposto para tal — não comentou mais nada. Quando ela tentava forçar assuntos particulares de Sabo, era como se de repente o clima tranquilo e feliz ficasse mais pesado, e definitivamente não queria que isso acontecesse naquele pedaço de paraíso.
Aquela semana em Shirahama havia sido perfeita. A areia era branca e fina, o mar, calmo e cristalino e, além disso, era bem divertido estar com os amigos em uma casa tão bonita e moderna. Em uma das noites, quando os pequenos foram dormir, fizeram uma pequena fogueira e assaram marshmellows, contando histórias de terror. Em outro dia, fizeram um campeonato de jogos de tabuleiro, e nos subsequentes, sempre havia uma atividade divertida planejada.
Sabo levou Blaze pela mão até o mar, para que ele entrasse com ele e perdesse o medo. Ao ver-se sozinha, olhou em volta, vendo o que os outros faziam. Usopp e Chopper enterravam Luffy na areia, Nojiko cochilava na espreguiçadeira e Zoro estava deitado na areia, lendo um livro.
Foi até ele, e se sentou ao seu lado. Vivi e Pudding preparavam o almoço aquele dia junto de seus namorados, e Nami estava ocupada com suas inúmeras malas. Quem sobrou-lhe para fazer companhia foi apenas Zoro, seu companheiro de clube.
— O que está lendo?
Ele usava óculos escuros, mas sentiu que ele a olhou de canto.
— “A morte de Arthur”.
— Um livro bem ocidental — comentou — achei que preferisse autores nacionais.
— Na verdade, nem ligo pra isso.
Ele se sentou, e antes de pegar a garrafa de sakê, tirou os óculos e os pôs de lado. Sem censura, o encarou. Nunca reparara que Zoro tinha tantas cicatrizes, talvez porque nunca o viu descamisado assim tão de perto. Seu abdômen era repleto de pequenos cortes, alguns mais aparentes, outros mais singelos. Pela extensão do peito até a barriga, um enorme e bem feio corte saltava aos olhos.
Zoro não parecia incomodado, o que condizia com sua personalidade. Mas, para ser sincera, o corte maior não devia fazer diferença, uma vez que não era num local tão visível. Agora, a cicatriz que ele tinha no olho... aquela sim devia fazer diferença.
— Como conseguiu essa cicatriz? — ele a encarou como se perguntasse qual. — essa. Do olho. — apontou para o próprio olho.
— Igual todas as outras — ele deu de ombros.
— E como conseguiu todas?
— Brigando na rua. Lutei com vários yankiis quando era moleque, às vezes vinham até em bando, todos contra mim — fez uma pausa pra dar outra golada — normalmente eu vencia as brigas, mas isso não significava que não me machucava.
— Você era um yankii? — arregalou os olhos.
— Eu não — ele a olhou, afetado. — eu brigava com eles. Não quer dizer que era um deles.
Olhou para Sabo, brincando com Blaze na água. Ele e Zoro tinham cicatrizes, mas a diferença entre os dois era grande. Elas não tinham diferença para ele, mas para Sabo, significavam algo mais. Talvez, uma parte dele que queria esconder. Porque, percebeu, não sabia muito sobre ele. Quase nada, praticamente.
— E como conseguiu parar? De brigar na rua, quero dizer.
— O pai do Luffy viu que eu tinha potencial pro kendô, e me colocou num dojo — bocejou, voltando a se deitar. — eu tinha... Quinze? Sei lá, por aí. Consegui uma bolsa por esporte no instituto almofadinha e agora na universidade. É isso, nada demais.
— E a Robin? Como a conheceu?
Quando notou, ele já estava roncando. Ah, Zoro... Como podia dormir tanto e mesmo assim estar sempre com sono?
(...)
— Um festival! Que conveniente — Hiyori entregou o panfleto para Koala, que estava sentada no sofá da sala. — por que não vamos? É hoje à noite.
— Seria uma boa oportunidade para dar um último passeio antes de ir embora — Robin opinou calmamente, fechando o livro que lia e marcando a página com o dedo.
— Esta noite? — considerou a ideia. — não sei... Blaze esteve tão agitado hoje, nem cochilou à tarde. Acho que ele vai estar cansado para um evento desses.
— Pode deixá-lo comigo, se quiser. Não vou poder ir, de qualquer forma — Nojiko apontou para o pé engessado.
— Oh, seria ótimo usar um yukata também — Nami levantou-se empolgada. — há uma loja que aluga eles por uma noite, e até nos ajuda a vestir.
— Será que a Pudding também iria? — Vivi perguntou. — aliás, ela está? Não a vejo desde o almoço.
— Da última vez que chequei, com Sanji no closet fod... — Nami pigarreou, censurando-se. — ocupada. Mas, enfim, sim, tenho certeza de que ela também quer ir.
— Acho que Kohza gostaria de ir — Vivi corou. — ele disse que eu fico linda de yukata.
— O Luffy nunca me disse, mas eu sei que fico linda de qualquer jeito — confiante como sempre, Nami jogou o cabelo para trás.
O comentário de Nami gerou um grande debate entre as quatro sobre feminismo e autoconfiança. Elas se davam bem, percebeu, e normalmente participaria ativamente da discussão, se não estivesse com a cabeça em outro lugar.
— ...Mas você vai, não é, Koala? — Hiyori lhe perguntou, em meio à discussão.
— Vou sim — sorriu — será divertido.
(...)
— Uau.
Ele devia estar parecendo um idiota ali, embasbacado, olhando para a namorada vestindo yukata. O tecido dele era de tom azul escuro, com desenhos de flores do tamanho de um palmo de cor azul-claro. A faixa que cobria sua barriga era vermelha, da mesma cor do laço que vinha preso junto à sua cabeça. Notou que o laço também tinha uma flor no lugar do nó, amarela.
Ela parecia muito certa de que queria ir ao festival quando foi conversar com ele sobre isso, e disse que gostaria que ele também fosse. Avisou que os outros rapazes também iriam, e que seria uma atividade divertida. Como não viu grandes problemas, aceitou sem protestos.
— Você está... — pestanejou, quase sem jeito perto dela. — linda. Reluzente.
— Obrigada — ela sorriu, tocando as pontas do cabelo. — eu ondulei um pouco o cabelo.
— Eu notei. Ele fica bonito de qualquer jeito.
Blaze puxou a barra da saia dela, chamando atenção.
— Oh, Blaze também está bem-vestido hoje!
O menininho riu, feliz com o elogio. Viera a calhar o jinbei antigo, de quando Ace tinha a idade de Blaze, caber perfeitamente nele.
Ace nunca falara muito sobre sua infância, quando o pai ainda era vivo. Mas, uma das coisas que lhe dissera, e que nunca esqueceu, era que sua mãe adorava viajar para aquela casa. Rouge e Roger gostavam de estar perto do mar, e quando tiveram Ace, vinham frequentemente para relaxar com o filho, principalmente nas férias de verão. O irmão não se lembrava de nada, é claro, porque era muito pequeno. Mas era o que Dragon sempre dizia, e o que as fotos mostravam.
— Onde estão as outras meninas? — olhou em volta, na rua, e não viu nenhum rosto conhecido dentre a multidão.
— O vestido da Nami-san rasgou, e elas voltaram à loja para arrumar. Menos Hiyori-san, porque Momo estava muito eufórico para vir.
— E a Robin?
— Ficou com medo de Zoro se perder.
Os dois riram de leve, aquilo tinha uma probabilidade muito grande.
(...)
Quando começaram a andar pelas barracas, observou Koala sorrir e brincar, divertindo-se com Blaze. Quando foram na barraca de pescaria, consolou o pequeno por sua redinha ter se rasgado, e não ter conseguido o peixe. Achou que o passeio estava acabado por causa do choro dele, mas Koala logo pensou numa solução:
— Que tal uma maçã do amor?
Blaze logo se animou, até se esquecendo do peixe, e se dedicou à tarefa de lamber a maçã do amor.
— É pra morder, não é pra lamber — Sabo avisou, mas o pequeno o ignorou.
— O doce é a parte mais importante — Koala comentou com humor — a maçã é o de menos.
— Logo se vê — respondeu com humor, até que outra barraca chamou atenção. — venham, vou tentar aquela ali.
Sabo se posicionou com arma no tiro ao alvo, procurando uma recompensa que Koala iria gostar. Sendo sincero, queria impressioná-la. Não era qualquer hora que podia parecer legal, principalmente sendo, bem... Ele. Mas ele sabia usar uma arma. Seu pai contratara um instrutor para ele e seus irmãos, apenas para que pudessem se proteger, caso um dia precisassem.
Errou dois tiros. Droga, estava enferrujado.
— Você consegue, Sabo-kun — Koala torceu por ele.
— É, papai, consegue! — Blaze também disse.
No terceiro e último tiro, acertou o alvo em cheio.
— Meus parabéns! — falou o senhor de idade que tomava conta da barraca — aqui está seu prêmio. Parece que se inspirou com a torcida da sua esposa e filho, não é, meu jovem?
Estava acostumado com as pessoas enxergando-os como uma família, mas era a primeira vez que falavam assim, tão diretamente.
— Sim — pegou o prêmio, e sorriu ao olhá-la. — eles são os melhores.
Koala, que ouvia tudo, sentiu as bochechas arderem. Quando ele lhe entregou o prêmio, sentiu seu peito se aquecer. Era um bicho de pelúcia, a coisa mais fofa que já vira. Mas não era um qualquer: era um coala, de nariz grande e olhos pretos de botão.
— Que coisa mais meiga — passou a mão por seu pelo macio — ele é lindo. Eu amei.
— Verdade? — ele parecia ligeiramente surpreso. — mas é uma coisa tão barata.
— Não é pelo valor físico, é pelo valor emocional. Você o pegou pra mim, e pensou no meu nome quando o escolheu. Eu não trocaria esse presente nem pelo anel mais caro do mundo.
Sorriu de canto, e olhou para baixo para pegar Blaze e colocá-lo nos ombros. Um pânico instantâneo arrepiou todo seu corpo, não achando seu bebê em lugar nenhum.
— Blaze?! — chamou, olhando em volta.
— Pra onde ele foi? — Koala também se mostrou preocupada, tentando olhar entre a multidão.
Muitas pessoas estavam no festival, por isso mesmo que Sabo o levava no ombro, para que ele não corresse e se perdesse.
— Papai!
Seu peito se acalmou, e conseguiu respirar novamente. Ali pertinho vinha Hiyori, e Blaze e Momo na frente, correndo juntos.
— Não pode sair de perto da mamãe e do papai! — agachou-se e olhou bem sério para ele. — nós ficamos preocupados.
Blaze abaixou a cabeça, amuado.
— D-Dicupa...
— Está tudo bem — Koala abaixou-se e beijou-o na bochecha. — só não faz mais isso, tá?
— Por que você e Momo não dão as mãos? Assim um cuida do outro e dois não se perdem — Hiyori sugeriu de bom humor.
— Eu gostei! — Momo sorriu, segurando a mão de Blaze, que se recuperava da bronca.
Koala observou Sabo se levantar, ainda um pouco atordoado. A ideia de perder Blaze o deixava muito preocupado, percebeu isso no dia em que Sterry a abordara na frente de casa. Ele era uma pessoa muito protetora, e admirava isso nele.
— O que acha de comermos takoyaki? — segurou de leve a manga da camisa dele, determinada a deixá-lo relaxado. — venha conosco também, Hiyori-san. Será bom descansar um pouco, fugir dessa aglomeração.
(...)
— Fuu! Quente! — Koala assoprou uma bolinha de takoyaki, provando-o logo em seguida. — hmm! Que delícia.
— Nem percebi o quanto estava com fome — Sabo comentou.
Os dois estavam sentados em um banco, um pouco afastados do festival. Estavam relativamente sozinhos, uma vez que Hiyori brincava com os dois meninos detrás das barracas, com uma bola que Momonosuke havia ganhado. Em momentos como esse, ter uma terceira pessoa era de grande ajuda. Eram poucos as ocasiões em que podiam ficar a sós.
— Os fogos de artifício logo vão começar — Sabo viu as horas do relógio de pulso. — será que os outros virão pra cá?
— Talvez. Ou podem querer ficar a sós, os casais, quero dizer. — respondeu.
Sabo pegou sua mão, e por um instante, se surpreendeu com aquilo.
— Às vezes, eu...
Ele se virou para o festival, os as luzes reluziam em seu cabelo e seus olhos, iluminando-os como as estrelas no céu. Calmamente, ele piscava e considerava cada coisa que diria, como se tentasse entender a si mesmo antes que querer fazer algum sentindo.
— ...Tenho medo, de alguma coisa dar errado.
— O que poderia dar errado? — franziu o cenho, preocupada.
— Não sei ao certo. Não me entenda errado, não é que eu queira que as coisas deixem de ser do jeito que são, é só que... — ele engoliu o seco. — estou tão feliz agora. Com você, com nós, que tenho medo de perder tudo isso. De ser apenas uma prova de felicidade pra depois algo acontecer e tudo desmoronar.
— Pessimista — sorriu de leve. — alguém uma vez me disse que o primeiro passo para ser feliz é um sorriso e um pensamento positivo.
— Quem te disse isso?
— Não sei — cansada, descansou a cabeça no ombro dele. — não me lembro quem, apenas que essa frase sempre esteve na minha mente.
Os primeiros fogos de artifício cruzaram o céu, explodindo e formando lindas flores coloridas. O barulho foi tão alto que, infelizmente, assustou o pequeno Momonosuke, que começou a chorar.
— Oh, não chore, Momo — Hiyori o pegou no colo, e foi em direção aos dois — desculpem, vou para casa mais cedo, tudo bem? Ele está com sono, por isso fica um pouco chato.
Disseram que não se importavam, mas que ela devia ter cuidado no caminho. Apesar de ser uma área segura, o local era muito visitado por turistas, e nunca se sabia quem se esgueirava pelas ruas.
Começando a se cansar, Blaze pediu colo, e assistiu à queima de fogos nos braços de Sabo.
— Zul, mêlo, malélo.... — apontava para cima com seu dedinho, indicando as cores.
— Ele já vai dormir — ela observou.
— É — ele assentiu — vai sim.
O céu da noite fazia um grande barulho, sem falar nas pessoas que paravam para observá-lo. Mas, por algum motivo, Koala sentia paz, e desconfiava de que Sabo também sentia. E, quando ele pegou sua mão, entrelaçando seus dedos ao dele, teve certeza.
Era possível amar tanto alguém quanto a si mesmo? Sentia seu peito inquieto e uma necessidade constante de estar com ele, se aquilo não era amor, não sabia o que era. Não podia ser apenas paixão. Paixão era algo passageiro, o que sentia era muito maior do que um interesse carnal.
Quando Sabo se virou para olhá-la, não esperava que ela o estivesse encarando de forma tão profunda. Sua pele, branca como neve, estava corada e deliciosa, e sentiu vontade de dar um longo, mas delicado beijo, bem ali.
Havia algo no ar, muito maior do que já houvera entre os dois. Já estiveram em situações libidinosas, em que a carga erótica e o desejo os movia, mas aquilo era incomparável. Não, não era essa a palavra.
Imensurável. Sim, era isso.
Os fogos começaram a diminuir, e quando o último por fim murchou no céu, notou que seu bebê dormia pesadamente em seu colo, cansado de tanta diversão.
— Dormiu — constatou. — vamos pra casa? Temos um dia cheio amanhã.
— Vamos sim — ela aquiesceu.
E foram.
(...)
— Sabo-kun?
Ele se virou, vendo-a sozinha no quarto. Já era tarde, e quando chegaram na casa da praia, Koala se incumbira de pôr Blaze na cama. Aquela noite, no entanto, pediu à Hiyori, que felizmente ainda estava acordada, para que Blaze dormisse com eles aquela noite.
— Deixei Blaze com Hiyori-san e Momo.
Ela entrou no quarto. Estava quente e escuro, a não ser pela luz da lua.
— Deixou? — ele perguntou, tirando a camisa e o relógio.
— Sim.
Por um tempo, os dois ficaram parados, olhando para o chão, até que Sabo pigarreou.
— Você ainda está de yukata. — observou.
— Não consigo tirar.
— Como não consegue?
— A senhora que o pôs em mim amarrou os laços muito forte. Tentei tirar no banheiro, mas não consegui — como ele não disse nada, completou: — pode me ajudar?
Devagar e com cautela, ele assentiu. Koala fechou a porta do quarto e caminhou até ele, parando bem em sua frente. Por alguns segundos, Sabo apenas engoliu seco e analisou a roupa, decidindo-se como faria aquilo.
— O laço das costas — ela ajudou — é o primeiro.
Sem muita dificuldade, ele tirou a faixa do vestido. Quando a peça caiu no chão, um pouco do seu autocontrole se foi com ele.
— Koala, eu... — sua voz falhou. — você está me provocando, tem ciência disso?
— Ainda falta mais um laço — ela o ignorou, permanecendo imóvel.
Com os dedos trêmulos, ele desatou o nó. Foi bem mais difícil que o primeiro, mas não por conta do nó em si, e sim de seus dedos, que não lhe obedeciam.
Quando o yukata se abriu, pôde vislumbrar o corpo dela como nunca antes. Ela não usava nada, apenas calcinha e sutiã. Perdeu o fôlego, sem saber para onde olhar primeiro.
— Você é linda — sussurrou. — perfeita.
Puxou-a para si, beijando-a de forma quente e ávida. Jesus, como aquela mulher o fazia ficar louco. Sentiu a língua dela dançar junto a dele, acompanhando seu ritmo, e apenas se separaram quando um pouco de ar se fez necessário. Ela ainda usava o yukata aberto quando a ergueu e — praticamente — jogou-a na cama, ficando por cima dela.
— Não me sinto assim desde — dizia entre beijos — aquela noite. A do baile.
A noite do baile. Ah, sim. Ela experimentara sensações nunca antes vividas naquela noite, e tudo teria se encaminhado de uma forma completamente diferente se não fossem os imprevistos. Mas não era hora de pensar no passado. Sabo estava ali, agora, fazendo-a se retorcer debaixo dele como uma gata devassa. Sentiu-se envergonhada pelo próprio pensamento, e ele parecia sentir isso.
— O que foi, princesa?
— Nada — balançou a cabeça. — nada mesmo.
Não deixaria coisa alguma incomodá-los aquela noite, nem ela mesma.
A mão dele, grande e áspera, passeou por sua cintura, parando na altura de seus seios. Ele a olhou por uns segundos, como se pedisse permissão, e seguiu com os próprios extintos quando ela não contestou.
Quando o fecho da peça se abriu e ele pôde vê-la, não sentiu tanta vergonha quanto da última vez. Dessa vez, sentia-se até, de certa forma, atraente.
— Enormes, como eu me lembrava — ele tomou o esquerdo com o mão, testando o peso. — qual é o tamanho?
— H. — respondeu.
Ele tomou-o com a boca sem aviso prévio, chupando-o e mordiscando com tanto entusiasmo quanto a última vez. Os mamilos dela logo foram endurecendo em sua boca, e adorou aquilo, entendendo como um sinal óbvio de desejo.
— Sabo-kun...
Koala gemeu, remexendo-se, e acabou percebendo o quanto ele estava excitado. Os quadris dele estavam colados aos dele, e deu movimento acabou provocando-o, pois ele sentiu-o gemer.
— Eu... — pestanejou, sentindo a vergonha começar a voltar. Santo Deus, por que era tão difícil assim ser descarada? — eu quero te ver.
Ele entendeu imediatamente, e se levantou para tirar as roupas, sem o mesmo pudor que ela. — embora ele estivesse, só um pouco, com as bochechas coradas — Sabo voltou para a cama e ela se sentou, interessada em descobrir como o corpo de um homem funcionava.
Não que ela não soubesse como era um homem nu. Mas, pessoalmente, nunca havia visto um, e era uma experiência interessante.
Com o dedo indicador, contornou seu abdômen definido. Ele se exercitava com frequência, aquilo não era surpresa, mas quanto ao que vinha abaixo...
— Oh, meu Deus.
Ao abaixar a cueca, ela pôde ver, finalmente, como ele era ali.
— Isso... — não sabia nem o que dizer. — não vai caber.
Ele riu.
— Vai, acredite em mim.
— Mas como...? — de leve, ela tocou a ponta, e sentiu-o estremecer. — eu o machuquei? Desculpe, eu...
— Não, não — ele a deitou na cama de novo — não fique tensa, você tem que relaxar e confiar em mim.
A mão dele deslizou por sua barriga, entrando dentro de sua calcinha, onde ele encontrou o local úmido e levemente molhado. Com dois dedos, ele a estimulou em seu botão de prazer, e ela começou a ofegar e sentir-se estranha.
— Está pronta — ele constatou. — tão pronta para mim...
— Estou?
— Sim.
Sua calcinha foi retirada, e ali, deitada praticamente nua para ele, soube o que era estar totalmente exposta. Apenas o olhar lascivo dele, desejando seu corpo, era o suficiente para excitá-la.
Ele pôs o preservativo, e se posicionou em sua entrada.
— Pode doer — ele avisou, inseguro. — na verdade, tenho quase certeza de que vai doer.
— Não me importo, confio em você.
— Farei o máximo pra que seja prazeroso pra você.
Lentamente ele a adentrou, sentindo-a ficar rígida. No meio do caminho, parou um pouco e disse palavras reconfortantes em seu ouvido, temendo que ela ficasse nervosa. Quando sentiu-a relaxar, continuou, enfim chegando ao final.
Koala sentiu um pouco de dor no início, mas nada tão alarmante. Após um tempo, até começou a sentir prazer, diferente do que as meninas lhe diziam, que a primeira vez dificilmente era boa para a mulher. Será que era o parceiro, ou fato de amá-lo? Suspeitou de que fosse os dois.
— Sabo-kun... — gemeu, sentindo algo se aproximando.
Quando atingiu seu ápice, ele aumentou um pouco ritmo, aliviando-se logo depois, em um urro contido. Exausto, ele caiu por cima dela, ficando ali por uns segundos para recuperar o fôlego. Logo saiu de cima dela, para não esmagá-la com seu peso.
— Isso foi... — murmurou ele — incrível. Você é incrível.
Koala estava deitada ao seu lado esquerdo, com a cabeça apoiada em seu braço esticado e rosto perto do seu. Ela o observava com aquele enormes olhos, analisando-o como mais cedo, na queima de fogos de artifício.
— O que foi? — perguntou, temeroso. — se arrependeu?
— De jeito nenhum.
Ela esticou o braço, acariciando seu rosto com o polegar.
Acariciando a cicatriz.
— Dói? Quando eu encosto assim.
— Não — respondeu. — já não dói há muitos anos.
Mexeu o dedo um pouco.
— Como foi feita? Foi algum acidente?
Ele ficou quieto, olhando para o teto.
Sabo havia decidido não falar daquele assunto por muito tempo. Mas, agora que Koala era sua namorada e a mulher mais importante de sua vida, era quase uma traição não compartilhar aquilo com ela. Ela fora sua primeira em tudo, e seria a primeira pessoa a quem ele contava aquilo com as próprias palavras.
— Quando eu tinha dez anos — começou a narrar — meu pai ficou muito irritado, porque aquele dia, eu tinha saído de casa.
— Dragon-san não permitiu?
— Não falo dele. Estou falando do meu pai biológico. — ele olhou para ela por um instante. — eu sou adotado.
Ela considerou aquilo com cuidado.
— O que houve depois?
— Ele se irritou porque eu andava saindo de casa, na verdade, e ricos esnobes como eram, queriam me prender em casa para cuidarem das próprias vidas. Até que eu comecei a fugir, e conheci Ace na rua. Ele era criança, mas tinha as mesmas ideias que eu — sorriu brevemente — nos encontrávamos no parque todos os dias, até que, um dia, ele me convenceu a ir até a casa dele.
— A mansão? A mesma do baile?
— Exatamente. Aquele dia, conheci Dragon, que estava de folga e tirou o dia para brincar conosco. Me diverti tanto que nem vi o dia passar, e quando voltei pra casa, meu pai ficou muito bravo. Estávamos quase falidos e as coisas não tinham ido bem no trabalho, então quando ele descobriu que eu fugi, foi até o meu quarto e me deu uma surra. Se fosse apenas isso, tudo bem. Eu estava acostumado, ele me batia frequentemente, mas aquela noite...
Ele respirou fundo, e fechou os olhos
— A cozinheira estava fervendo água na cozinha, que era logo ali perto. Ele me arrastou até lá e jogou uma parte da água no meu rosto.
Incapaz de se segurar, Koala sentiu lágrimas escorrerem pelos olhos. Sabo achou que ela estava triste, até que ela se sentou na cama, mordendo o lábio inferior com raiva.
— Ele fez isso com uma criança? Como pôde? — ela cerrou os punhos. — e sua mãe? Não fez nada para te defender?
— Ela não estava em casa. Quase nunca estava, na verdade, mas não faria diferença. Ela sempre soube que ele me maltratava, e nunca se importou. — sentou-se também, de frente para ela. — eu passei um tempo no hospital, me recuperando. Com sorte, eu não fiquei cego de um olho.
— E como se tornou um D?
— Dragon — sorriu de canto, soturno. — ele deu uma grande soma de dinheiro pros meus pais, o suficiente para reerguer a empresa. Em troca, eles abririam mão da minha guarda e não seriam presos. Assim, ele me adotou, e me tornei um D. Um falso, quero dizer. A vergonha da família.
Sem se importar com a nudez, Koala se inclinou, e Sabo achou que ela fosse beijá-lo na boca. Mas, para sua surpresa, ela o beijou bem abaixo do olho.
— Você pode odiá-la — disse ela, referindo-se à cicatriz. — mas eu a amo, porque ela faz parte de você. Eu o amo do jeito que é.
Koala sabia que aquela simples declaração não seria o suficiente para superar um grande trauma como aquele. Se seu pai a tivesse machucado daquela forma quando tinha apenas dez anos, provavelmente também nunca conseguiria esquecer. Mas sentiu que, de algum jeito, aquele momento foi o princípio de algo melhor crescendo dentro dele, algo como uma pequena libertação.
Um dia, ele se veria livre daquilo, e ela estaria por perto, apoiando-o orgulhosa.
Fale com o autor