Baby Care
31 Doces conselhos

“...Trabalhar pela sua família é importante, Ace, mas não esqueça de cuidar da sua saúde. Acredito que trabalhar tanto, estudar e ainda ter uma namorada grávida não deve ser nada fácil, mas jamais se esqueça de si mesmo e do que é realmente importante”
— de Sabo para Ace, quando Bonney estava no 8º mês de gestação
Em vários momentos durante toda sua vida, Koala duvidou de si mesma. Podia ter uma fachada de mulher decidida, forte e corajosa, mas sempre que se via diante de um desafio a primeira coisa que sua mente repetia, várias e várias vezes, era: o que faço agora?
Quando Sabo passou por aquela porta como uma verdadeira tempestade, tudo o que pôde fazer foi ficar parada, encarando a porta. A mesma frase ficou se repetindo infinitas vezes em sua cabeça, e só acordou quando viu as portas do aparador se mexendo. Blaze saiu de lá, com o rosto assustado, e abraçou suas pernas.
Secando as lágrimas, ela o pegou no colo, o abraçando. “Vai ficar tudo bem” sussurrou para ele. “Tudo vai se resolver”.
Mas, no fundo, dizia aquilo para convencer a si mesma.
(...)
— Os empregados disseram que Sabo-san tava aqui ontem à noite, por que ninguém me avisou? — Nina perguntou no café da manhã, já no dia seguinte. — eu queria ver ele, e dizer umas poucas e boas! Aliás, cadê a mana?
As crianças tomavam café sozinhas, e Margarita ajudava Blaze a comer. Koala sempre fizera isso com bastante empenho, mas, para o estranhamento de Shin, a irmã ainda estava na cama. Logo ela, que acordava com as galinhas.
— A mana está resfriada — inventou na hora. — não é pra ninguém ir no quarto dela, ouviram?
— Mas ela não comeu nada ainda — Tora observou preocupada. — não acha melhor levarmos algo pra ela?
— Eu faço isso, não precisam se preocupar.
Olhou para Margarita, a empregada mais próxima de sua irmã, como se perguntasse o que ela achava disso. “Vá” ela disse apenas com os lábios, sem emitir som, e quando terminou de comer, subiu até o quarto da irmã. Bateu à porta.
— Mana? Está acordada?
Nenhuma resposta. Devia estar dormindo.
Deixou a bandeja de café da manhã em sua porta, e saiu.
Todos os criados da casa falavam sobre o acontecido da noite anterior. Shin não chegara a ver nada, mas sabia que Sabo e Koala haviam brigado feio, e que Sabo nem chegou a dormir em casa. Não sabia o motivo da briga, e na verdade, nem queria saber, a única coisa que o preocupava era como sua irmã ficaria a partir de agora. Sabo não vinha sendo muito presente nos últimos tempos, mas estivera tão ocupado com o clube de futebol que não pensara em como sua irmã estava lidando com isso.
Mas Sabo ia voltar. E, se não voltasse, Shin iria atrás dele pessoalmente.
(...)
Quando Koala acordou, já passava das nove. Podia ser cedo para alguns, mas para alguém que encarou o teto do quarto com os olhos secos até a noite virar dia, era muito cedo. Oh, não. Não preparara as crianças para a escola, e nem dera seu café da manhã. Onde estaria Blaze? Será que alguém o levara para escola? Abriu a porta do quarto, encontrando o café da manhã na porta. Passou por cima sem tocar, estava sem fome.
Ao descer pelas escadas principais da mansão, viu que todos já haviam saído. Dragon estava viajando, Inazuma o acompanhara, as crianças estavam na escola, Blaze na creche e os empregados estavam ocupados com suas tarefas.
Sentou-se no sofá da sala, ciente de que sua aparência era péssima. Não olhara no espelho, mas sentia o cabelo bagunçado e os olhos quentes. Seu corpo também estava dolorido, como se houvesse travado uma batalha. Sem um pingo de energia, jogou seu corpo para lado, para que caísse no sofá.
Jamais se sentira tão sozinha.
Nem mesmo quando viera à capital sozinha atrás de uma nova vida, Koala sentira-se tão só. Era diferente. Antes, ela saíra da casa do pai por conta própria. Agora não. Ela fora abandonada.
Abandonada pelo homem que ela mais amava.
Costumava revirar os olhos quando as mocinhas dos livros que lia falavam coisas desse tipo, mas agora estava pagando com a língua. Caso revivesse seu sonho de publicar seu próprio livro, sua protagonista seria alguém como ela: uma pessoa normal, que comete erros e sofre por amor.
(...)
— ...E por isso, precisamos que vá para a nossa unidade na Califórnia. — seu sócio terminou de explicar a pauta reunião, após mais de uma hora fazendo um grande e tediosa apresentação.
Mas, embora Sabo achasse encontros como aquele terrivelmente chatos, não se esforçava menos por esse motivo. Escutou tudo com bastante atenção, mais ainda do que pretendia.
— Vou pensar no assunto. — respondeu.
— Sabe melhor do que eu que, se a expansão que estamos planejando for um sucesso, o conglomerado de sua família ganhará tanto quanto nós, e para isso acontecer, precisamos de você lá, não aqui.
Quase disse ao homem que não precisava repetir, que já havia entendido, mas não precisou. Seus olhos assustadores e sua expressão foi o suficiente para fazer o homem gordinho e grisalho se deter, puxando o colarinho de nervoso.
— Como já disse, vou pensar no assunto.
O americano foi embora insatisfeito, e quando todos os outros se retiraram da sala, Hack praticamente se teletransportou para o seu lado enquanto arrumava as pastas.
— O que acha do que ele disse, Sabo? Não é brincadeira, estava falando sério.
— Acha que não sei disso? — ironizou com humor ácido.
— Parece que não, nem esboçou reação. Mudar para os Estados Unidos seria difícil para você agora, mas não podemos simplesmente recusar a proposta deles. A R.A vai ficar em apuro sem eles.
— Precisa ficar falando o que eu já sei? Isso é óbvio.
Sabo não sabia como as coisas havia chegado àquele ponto. A R.A Company sempre fora uma macroempresa, e seu pai nunca fora um administrador ruim. Mas a sorte não estava sorrindo para eles há um tempo, sem falar que muitos membros da família D continuavam a ameaçar retirar seu apoio. A ajuda dos americanos seria uma solução inteligente, mas era preocupante que agora o estivessem colocando contra a parede.
— Não adianta pensar nisso agora. — balançou a cabeça, arrumando as coisas para sair — eu tenho aula daqui a pouco e tenho que correr.
Hack o observou por alguns segundos, seus olhos cheios de pés de galinha se estreitando e avaliando Sabo.
— Aconteceu alguma coisa? Ontem você saiu tão animado, dizendo que consertaria as coisas com a sua mocinha. Não me diga que não deu certo?
Parou por uns instantes na mesma posição, tendo que enfrentar infinitos flash’s que se passavam por sua mente desde a noite passada. Jamais se sentira tão traído e machucado. E o pior de tudo era que o motivo disso era Koala, a mulher mais importante de toda sua vida. Ou era a mais importante. Nem sabia direito o que pensar naquele momento.
— Não deu certo. — respondeu por fim.
Ao menos por enquanto, queria manter distância.
(...)
— Por que a Koala não veio hoje? — foi a primeira coisa que Sabo ouviu quando as aulas da tarde acabaram, e estava indo em direção ao seu carro. Era Nami, acompanhada de Pudding.
— Não sei. — respondeu seco.
— Como assim não sabe?
— Não sabendo.
E não sabia mesmo, mas era estranho que ela faltasse.
— A gente tentou mandar mensagem e ligar, mas ela não responde. Aconteceu alguma coisa? — Pudding perguntou preocupada.
— Olha só, eu não sei, tá legal? Não se de nada sobre a Koala desde ontem à noite.
Seu tom pareceu despertar desconfiança em Nami, que passou a encará-lo com um olhar acusativo.
— Vocês brigaram, não foi? — ela perguntou em português.
Suspirou cansado, quase resistindo à vontade de revirar os olhos.
— Sabo, eu não vou me meter na relação de vocês, mas a Koala tem se sentido muito sozinha desde que você não parou mais em casa. Eu não sei o motivo da briga de vocês, mas fica irritadinho desse jeito não vai resolver nada, a Koala...
— A sua amiga — interrompeu Sabo, gélido, também em português. — colocou Didit dentro de casa.
Por uns segundos, Nami pareceu confusa, mas seus olhos logo se arregalaram quando associou o nome. Pudding alternou o olhar entre um e outro, tentando entender do que falavam, e notou que a ruiva perdera um pouco da confiança.
— E-Ela não faria isso. A Koala sabe o que os seus pais fizeram.
— O que houve? Do que estão falando? — Pudding indagou, mas os dois apenas continuaram se encarando.
Sabo considerou responder, mas apenas olhou para os duas e deu as costas, indo embora. As amigas de Koala não tinham nada a ver com o problema dos dois, mas ouvi-las defendendo-a era difícil. Sua mente e seu coração travavam uma batalha incessante e a mistura de sentimentos o deixava ainda mais confuso.
Passou pelo menos meia hora sentado dentro do carro, encarando o volante. Havia dormido na casa de Shanks aquela noite, já que era a mais perto e não estava com cabeça para procurar um hotel. E, além do mais, a esposa dele estava viajando, e o ruivo era um homem que sabia o momento certo de falar e de ficar calado. Aquele era um momento para ficar calado, o que ele de fato fez. Deixou Sabo instalado no quarto de hóspedes, e desde então não fizera nenhuma pergunta.
Dirigiu até a creche de Blaze, chegando um pouco mais cedo que o habitual. Queria conversar com ele, e deixar claro que tudo estaria bem. Apesar de estar com raiva, não queria fazer seu menino sofrer. Se o levasse junto, separando-o das crianças e de Koala, ele não conseguiria fica feliz. Mas, quando chegou, para sua surpresa, encontrou-o junto da babá, que conversava com o novo jovem enfermeiro.
Ela até sorria.
Que engraçado. Ele estava passando por um dos piores momentos da sua vida, e ela estava sorrindo tranquilamente para um jovem rapaz, como se nada tivesse acontecido. Seu primeiro instinto foi ir até lá e falar algumas coisas, mas sabia que não conseguiria se controlar se chegasse perto dela e, além de tudo, Koala não era sua propriedade. Era livre para rir para qualquer pessoa que quisesse, que ele não teria direito de reclamar de nada. Estava com raiva, mas também não precisava agir como um babaca.
Deu as costas e foi embora, sem olhar para trás.
(...)
— Shachi-sensei, você é um verdadeiro piadista.
Koala forçou uma risada, para que o enfermeiro da creche não ficasse sem graça.
— Sou, é? — ele riu. — de qualquer forma, o ferimento não foi nada demais, então não precisa se preocupar. O deixe o curativo no joelho sempre que ele sair, mas quando estiver em casa pode tirar para que ele possa respirar e secar mais rá... — ele foi parando de falar ao notar que ela parecia distraída. — Koala-san?
Ela olhava para o portão da escola fixamente. Por um instante, pensou ter visto Sabo.
— Está tudo bem?
— Como? — virou-se de uma vez. — sem curativo em casa, certo? Eu ouvi tudo, não precisa se preocupar.
Koala esticou a mão para pegar a de Blaze, mas o menino estava afastado dos dois, fazendo desenhos na areia com um graveto. Diferente de outros dias, Blaze parecia cabisbaixo.
— Sabe se algo aconteceu hoje na escola? — indagou ao doutor, sem tirar os olhos de Blaze.
— Eu não saberia dizer.
— É claro que não, que cabeça a minha. — sorriu sem graça.
— Por que não pergunta para Reiju-sensei? Ela deve saber.
— Talvez amanhã. Blaze! — chamou pelo menino. — vamos, querido.
Tudo o que queria era ir logo para casa, o que era irônico, pois não se sentia bem quando estava lá. Era possível querer duas coisas opostas? Pois Koala também não sentia o mínimo de vontade de estar na rua, passeando.
Blaze não falou muito no caminho para casa. Até pegou em seu rosto, pensando que ele poderia estar doentinho, mas nada parecia indicar isso.
— Você está triste porque ralou o joelho? — experimentou perguntar a ele.
Ele negou com a cabeça.
— Por que então? Quer me contar?
Blaze ficou quieto, olhando para a calçada. Instantes depois, e com bastante hesitação, ele disse:
— Eu quero ver o papai.
Aquilo a atingiu em cheio. Sem perceber, acabou parando de andar, e seu neném ficou ali, a encarando com os olhos violetas tristes e confusos.
— Onde tá ele? — o menino perguntou — ele vota hoje?
Até aquele momento, uma parte de Koala acreditava que apenas a presença dela, agindo como mãe, era o suficiente para suprir as necessidades de Blaze. Não tivera uma mãe quando cresceu, e quando seu finado pai a questionava sobre isso, dizia que não se importava, quando, no fundo, se importava sim.
Por que, então, ela acreditava que Blaze ficaria bem sem a presença de Sabo? Não. Não estava certo.
O peso da culpa começou a pesar mais em seus ombros. Tivera uma boa intenção ao dar uma chance para a mãe de Sabo falar, mas não tinha mais certeza se seu lado era o correto da história. Suas ações bagunçaram tudo. Será que Sabo estava certo no que dissera? Que alguma parte dentro dela queria machucá-lo? Ela o amava tanto, e sempre demonstrara isso, mas a ausência dele em sua vida doía tanto antes quanto doía agora.
— Koala?
Viu um carro parando no meio-fio, e quando o vidro abaixou, viu que era Pudding. Isso a livrou de responder Blaze, que se distraiu analisando o carro. Ele era um fã assíduo de automóveis.
— Por que não respondeu nossas mensagens? As meninas e eu ficamos preocupadas.
— Ah, me desculpe — pôs a mão no bolso instintivamente. — o celular descarregou, e esqueci de pôr pra carregar.
— Bem, então, entra aí — ela destravou a porta traseira. — eu estava mesmo precisando falar com você. Por que não vem na minha casa pra tomarmos um chá com docinhos?
— Doce? — Blaze ficou animado com a ideia. — eu goto de doce.
Koala não estava com ânimo para conversar com ninguém, mas Blaze parecia tão empolgado com a perspectiva de comer doces que não pôde deixar de negar. Normalmente não o deixaria comer, mas o pequeno precisava de algo para se animar.
(...)
— Chocolate!
Blaze atacava um bolo chiffon, lambuzando-se todo enquanto Pudding e Koala tomavam chá calmamente. Assim que Pudding percebeu que o chá esfriou, Sanji apareceu com um bule novo, servindo para as duas.
— Mais um pedaço de bolo, senhoritas? — ele perguntou.
— Não, obrigada, estou satisfeita. — Koala sorriu gentilmente.
— Eu quero — a outra deu um sorriso travesso ao namorado, que devolveu o sorriso.
Sanji saiu com o bule antigo, e quando voltou com o novo pedaço de bolo, disse que estaria na cozinha e que poderiam chamá-lo se precisassem de qualquer coisa.
— Estão morando juntos há quanto tempo? — perguntou.
— Duas semanas — Pudding corou. — não contamos pra ninguém, você é a primeira a saber. Eu saí da casa da minha mãe quando voltamos da viagem, mas não gostei muito de morar sozinha. O Sanji me chamou pra morar aqui e aqui estamos — mexeu no cabelo, sonhadora — na verdade, nós estamos testando se um dos nossos planos vai dar certo...
— Que planos?
Pudding hesitou em contar, ao mesmo tempo que parecia ansiosa.
— Resolvi largar a faculdade. Só entrei nesse curso porque era o que a Mama queria, mas nunca foi a minha vocação. Sempre amei a confeitaria, e quando soube que Sanji iria morar em Paris no ano que vem por causa do trabalho, percebi que minha hora tinha chegado. Eu vou com ele. — segurou uma das mãos da amiga. — eu vou estudar para ser uma patissiere.
— Em Paris? Oh, meu... — estava chocada. — Pudding eu não sei nem o que dizer, “meus parabéns” parece muito pouco.
— Não precisa me parabenizar por nada — dispensou com um gesto.
— De verdade, estou muito feliz com você, embora vá ser um pouco solitário sem você aqui.
— Pretendemos ir embora depois das férias de fim de ano, temos um pouco de tempo ainda pra aproveitar. Sem falar que pretendemos voltar no verão, e você e as meninas podem nos visitar. Vai ser uma honra apresentar vocês à torre Eiffel e os franceses mal-educados — riu.
— Eu? Na França? — foi a vez de Koala rir. — isso é muito longe da minha realidade.
A risada de Pudding foi se tornando um sorriso triste, e Koala notou que o clima começou a mudar. De repente, sabia sobre o que ela queria falar.
— Nami e eu encontramos Sabo hoje.
Seu coração começou a bombear como o de um touro.
— E?
— Ele contou o que aconteceu ontem. Sobre a briga de vocês. Falou algo sobre um Didit, foi tudo o que eu entendi — bebericou o chá. — ele e Nami falaram em português, eu não entendi nada, quem é Didit? Algum ex seu? Nami não quis me dizer nada. Honestamente, um dos motivos que eu queria conversar com você era isso.
Respirou fundo, e começou a narrar os últimos acontecimentos. Desde a ausência de Sabo, que ela já sabia, até o encontro falho, a briga, e à última briga. Quando conheceu Pudding, ela tinha um jeito meio infantil e mimado às vezes, mas agora, vendo-a quieta e séria escutando calmamente tudo o que tinha a dizer, percebeu como ela havia amadurecido nos últimos meses. A mudança era muito grande, mas como convivia com ela, deixou passar despercebido.
Ao terminar o que tinha para dizer, ela pensou por alguns segundos e bebericou o chá novamente, sem se importa que estivesse apenas morno.
— Ko, vou ser sincera, porque você sempre foi comigo.
Koala ajeitou-se na cadeira.
— Não importa o que você tenha feito, acho que ele não deveria ter dito aquelas coisas pra você, ainda mais que, pelo o que você disse, ele não quis te ouvir. Ele falou, falou, mas não ouviu o seu lado. — viu que Pudding segurava a alça da xícara mais forte que o normal. — eu entendo que você se sente culpada agora. Eu no seu lugar também me sentiria, mas você não pode ir rastejando atrás dele.
Não esperava que ela dissesse aquilo.
— O Sabo me parece muito... — pensou em um termo perfeito — sequelado por muitas coisas que já aconteceram na vida dele. Pessoalmente, eu compreendo isso, porque também tenho problemas familiares. Mas, amiga, que tipo de relacionamento você vai ter se sempre tiver que pisar com ovos com ele? Sempre com medo de falar algo errado? Eu tenho muitos problemas com a minha mãe, sabe, mas eu tô tentando resolver. Eu faço terapia, faço de tudo pra me livrar dos meus demônios, e se ele não quer se livrar dos dele, te coloca numa situação muito complicada.
Pudding olhou para Blaze agora distraído com a TV.
— Ficar naquela mansão sem ele deve estar sendo doloroso, não é?
Koala sentiu os olhos marejarem, e assentiu.
— Você precisa sair de lá.
— Não posso — secou as lágrimas. — é difícil admitir, mas não tenho pra onde ir com todas as crianças. Eu poderia me virar sozinha, mas com todos? Seria muito difícil.
Pudding estava com a respiração pesada e muito séria, como se estivesse pensando em algo.
— Você tem. Meu apartamento antigo é grande. — levantou-se, procurando algo nas gavetas. — ele tem dois quartos, mas são enormes. Divide entre meninos e meninas. É meu próprio, então não precisa se preocupar com aluguel, nem água e luz.
— N-Não! — Koala levantou-se de uma vez. — eu não poderia aceitar.
— Poderia. — Pudding parecia determinada. — aqui. — achou o que queria, um chaveiro com chaves. — deve estar um pouco empoeirado, mas não vai dar trabalho para limpar.
— Falo sério, Pudding, eu não posso aceitar algo assim. — devolveu à mão dela. — eu sentiria como se estivesse me aproveitando de você, sendo uma interesseira ou algo do tipo. Esses problemas são da minha família, então eu tenho que resolver.
Pudding engoliu seco.
— E se alguém da família tentasse te ajudar?
A encarou, confusa.
— Eu não ia dizer nada por enquanto, porque é muita coisa pra você processar em um momento tão delicado, mas não vejo outra alternativa. — ela sugou todo o ar que podia. — pois bem, seu nome verdadeiro é Charlotte Koala, e você é filha do meu irmão mais velho, neta da Mama. Meu irmão foi excomungado da família bem antes de eu nascer, e nunca o conheci, mas ele teve uma filha, e esta é você, Koala, que por direito também é herdeira de uma grande e abastada família — Pudding pegou suas duas mãos, seus olhos brilhando em êxtase. — você é minha sobrinha, e é rica, Koala, então... Esse apartamento é só o início.
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