Baby Care

7 Divergência ao sol poente


"Todos os dias, meu irmão, eu torço para que tudo volte a ser como era antes. Estamos preocupados com você. Não consigo imaginar como está se sentindo, mas sei que deve ser desesperador. Mas espero que compreenda, Ace, que Blaze precisa de você agora mais do que nunca. Você precisa levantar, irmão, e cuidar do que ela lhe deixou."

— Carta de Sabo enviada para Ace, dois meses após o sumiço de Bonney.

Uma semana depois, Blaze já estava completamente adaptado à nova rotina. De manhã, acordava com uma animação fora do comum: ele mesmo procurava o uniforme, bagunçando a gaveta de roupas de seu quarto que Koala costumava arrumar. E, quando chegava no fim da tarde, não parava de tagarelar em sua língua de bebê sobre como pinturas, brincadeiras e atividades que fazia com os amiguinhos eram divertidas, citando sempre em especial Tama-chan e Momo-chan envolvidos nelas.

No primeiro dia sozinho do menino, demorou cerca de uma hora até que Sabo conseguisse se recompor e irem embora, mas depois de dois dias conseguira abandonar aquele sentimento melancólico e sentir apenas felicidade em ver seu menino crescendo. Depois de uma semana naquele novo dia a dia, reparou que até a pronuncia e o vocabulário de Blaze melhoraram. Parecia que Koala estava cerca quando dissera certa vez que socializar com outros da própria idade evoluía muito os pequenos.

— Ainda falta tanto pra chegar… — murmurou para si mesmo, checando no celular a data de previsão de entrega de sua encomenda.

— Chegar o que? — Koala apareceu de repente, e ele deu um pulo. Nem reparara nela.

— A-Ah, nada! Só estava pensando… Alto… — as palavras dele foram ficando fracas pouco a pouco, e os olhos de Sabo não conseguiam se desgrudar da visão que tinham. Haviam tomado café há pouco tempo, até que Koala se retirou e foi para o quarto. Era o dia de folga dela, ela tinha liberdade para ir e fazer o que quisesse, então imaginou que ela fosse organizar algo do quarto.

Mas pelo visto ela tinha resolvido tomar um banho, porque seus curtos cabelos estavam molhados, e ela cheirava muito bem a shampoo. Usava roupas mais casuais: uma blusinha e um shorts, que acentuavam muito bem suas pelas curvas. Talvez ele nunca tivesse reparado antes nela por causa de suas roupas de inverno. Mesmo sendo primavera, aquele estava sendo um dia frio, por isso resolvera ligar o aquecedor, e ela parecia fazer bom uso disso.

— Sabo-kun, eu preciso conversar com você sobre uma coisa.

Ela se sentou ao lado dele, ainda secando os cabelos com uma toalha. Ele estava hipnotizado.

— Sabo-kun?

Ela estava tão linda…

— Sabo-kun!

Ele saiu do transe, e finalmente começou a prestar atenção nela.

— Desculpe, disse alguma coisa?

— Estava tentando falar com você, mas parecia no mundo da lua. — ela fez um biquinho adorável, fingindo-se chateada. — Reiju-sensei me entregou este papel há quase uma semana e simplesmente me esqueci de te entregar, encontrei agora no bolso da calça que eu estava. Ela disse que era urgente e que eu deveria entregar isso a você.

— Ela disse?

Que estranho, em todos os dias que levara Blaze para a escola ela não comentara nada. Abriu o papel e tinha um número escrito nele. Reparando bem, parecia um número de celular, mas certamente não era no padrão japonês. O que Reiju queria com aquilo?

— Ela também disse que vocês se conheceram através do irmão dela, não me recordo o nome, e disse que o celular dele estava com problema e precisava contatá-lo. Me desculpe mesmo por ter esquecido.

Sanji precisava falar com ele? O que será que ele queria? Não via ele há muito tempo, desde uma festa que Luffy dera ainda no ano passado. Como a curiosidade de Sabo falara mais alto e, pelo jeito, era urgente, agradeceu Koala pelo aviso, pegou o celular e foi para o quarto, digitando o número o mais rápido possível

Chamou, chamou… E nada. Caiu na caixa postal. Que droga. Tentou várias outras vezes, mas deram todas o mesmo resultado. Talvez fosse o caso de visitar a casa de Sanji, para saber o que queria com aquilo, mas não sabia onde ele morava, apenas que era no bairro ali vizinho.

Mandou uma mensagem para o irmão, questionando-o, que logo foi respondida. Em meio ao seu jeito chulo de digitar, Luffy contou-lhe que, até onde sabia, Sanji se encontrava fora do país, e não tinha muita certeza de quando ele ia voltar. Inclusive disse que tentou diversas vezes manter contato com ele, mas este nunca respondia e não o via desde o início do recesso de primavera da universidade. Porém, de qualquer forma, o irmão lhe deu o endereço caso quisesse dar uma passada lá.

(…)

Sabo colocava os óculos e o casaco apressadamente quando apareceu novamente na sala de estar.

— Koala, eu vou dar uma saída, tudo bem? Não sei exatamente quanto tempo vou demorar para voltar, vou deixar Blaze… — parou por um instante, repensando vacilante. — ah, não, hoje é seu dia de folga, não é? Vou levar Blaze comigo, não é justo com você que…

— Não precisa se preocupar com isso. — interrompeu-o se levantando do sofá. — não tenho nada para fazer hoje em particular, e ele está especialmente tranquilo hoje. — lançou um olhar para Blaze, que estava com os olhos vidrados na televisão assistindo Thomas, o trem.

— Tem certeza? Não precisa fazer isso se não quiser.

— Tenho certeza, vá tranquilo.

O jovem patrão sorriu em agradecimento, e bateu em retirada, em uma missão que talvez Koala jamais saberia. Era claro que a saída repentina dele tinha algo a ver com o número que Reiju entregara ele, e se sentia tão frustrada por não saber de nada. Quando ele saiu para o quarto, teve que se conter para não segui-lo e ouvir atrás da porta, tendo em mente que faria alguma ligação.

Mesmo sendo o dia de folga dela, – aos sábados quinzenalmente, e todos os domingos do mês. — não se sentia nem um pouco incomodada em ficar com Blaze. Gostava tanto daquele fofinho que poderia até morrer. Blaze a conquistara de uma maneira devastadora, diferente da forma como fora com seus irmãos. Com eles, que foram chegando pouco a pouco, sempre demorava uns meses até que se apegasse a eles; mas isso não significava que os amasse menos. Era apenas… Diferente.

Primeiramente veio Shin, com quatro meses, e ela com sete anos. No início, achou-o bastante estranho por não ter dentes ou estar sempre de mãos fechadas, mas com o passar das semanas passou a vê-lo com outros olhos, com um instinto protetor fraternal tão grande que às vezes até se esquecia que não compartilhavam o mesmo sangue.

Três anos depois, apareceu Rock, de um ano de idade, e três anos mais tarde, novamente surgiu outra irmã: Tora, que tinha três anos de idade. Depois de três irmãos, um a cada três anos, achou que o pai pararia por aí. Porém, no ano seguinte, surgiu Nina, com seus encantadores cabelos cor de sakura e uma carinha de joelho, abandonada na porta de sua casa ainda recém-nascida. Um ano depois, o pai adotara mais duas crianças: Marion e Aurora, que tinham a mesma idade de Nina. Lembrava-se muito bem de quatro anos atrás, quando deixava de estudar para ajudar a cuidar dos bebês. Sentia-se um pouco melancólica ao lembrar da família, e toda a dificuldade que passavam.

Seu pai, Fisher Tiger, era um homem muito bondoso, mas também muito correto. Nunca mimou os filhos e sempre os ensinou a valorizar as pequenas conquistas. Koala admirava-o demais. Quando ele decidiu ficar com ela, quando ainda menina, nunca imaginou que aquele ato de amor resultaria em um homem tão disposto a acolher quem precisasse em sua família. Sempre que sabia de alguma criança nas redondezas que ficara sozinha no mundo, ia até ela e o admitia em sua família, sempre trabalhando dobrado na roça que mantinham para sustentá-los. Nunca passaram fome, e eram muito gratos a ele por isso.

Tentando controlar as emoções, Koala afastou Blaze da televisão.

— Você vai estragar a visão se ficar assim tão perto da TV, querido. — avisou.

O menino pareceu não se importar muito pelo afastamento, e se sentou ao lado dela, no longo sofá cor de creme.

Justo nesse momento passou um comercial de crepes, anunciando um novo tipo de crepe com morangos.

— Mamãe, eu quero esse képi. — apontou ele, com os olhos brilhando. — vamo comê!

— Crepe… — murmurou ela, atenta ao comercial. Se lembrava de ver uma filial dessa loja de crepes não muito longe dali. Não teria problema dar uma passada lá com Blaze, imaginou. Além do mais, poderia refrescar a mente um pouco e passar o tédio. — é, até que sair um pouco pode ser uma boa pedida.

(…)

Até que era divertido passear sozinha com Blaze, o menino era uma companhia muito agradável. Olhava-a com atenção quando falava com ele, sobretudo por causa da felicidade de estar comendo um doce, atividade preferida dele, que rivalizava apenas com seu apego por brincar com trens.

Mas, depois de se sentar em um banco na praça sozinha e ver Blaze brincando, Koala começara a se sentir um tanto solitária. Tinha se acostumado com a presença de Sabo sempre ali, do seu lado, e sentia que seu empregador estava um pouco mais amigável depois de passadas semanas juntos em parceria. Não que Sabo agisse de forma fria ou cruel com ela no início, mas não podia deixar de notar que ele sempre mantinha uma certa distância, como uma parede entre eles construída com os tijolos mais grossos da terra.

Agora eles brincavam e se provocavam com uma facilidade muito maior, e seus dias eram sempre um mais divertido que o outro. Certa vez, lembrou-se rindo sozinha, ela brincava de dançar com Blaze na sala, colocando os pés do menino em cima dos seus, da mesma forma que seu pai fazia quando era pequena. E, no meio da brincadeira, Sabo puxou-a para dançar uma quadrilha bem desajeitava, rodopiando-a no meio da sala e arrancando gargalhadas e pulos de Blaze. Aquela nunca seria uma atitude que esperaria de Sabo, quando o conhecera.

Seu sorriso deu lugar à melancolia quando lembrou-se de seu pai. Depois de tantas semanas afastada da família, conseguira se acostumar e gostar mais da vida na nova cidade, ao passo que a saudade de todos aumentava na mesma medida. Havia mandado uma carta para eles há semanas, e não recebera nenhuma resposta até agora. Será que estavam bem? Mandara o dinheiro por carta suficiente as despesas dos mais novos e de Shin, e supôs que eles estariam felizes com isso. Será que estavam se esquecendo dela? Só esse pensamento já a deixou mais deprimida.

— Posso me sentar com você?

Koala olhou na direção da voz.. Era uma moça alta – bem mais alta que ela – de cabelos sedosos e brilhantes, num tom verde-água ofuscante, além de olhos da mesma cor. Ela sorria para a babá, como se esperasse que ela a reconhecesse, o que não demorou muito.

— Kozuki Hiyori-san, não é? — sorriu simpática. Era a irmã de Momo, amiguinho de Blaze, Ela costumava levá-lo para a escola todas as manhãs. — que surpresa encontrá-la aqui.

— Momonosuke estava ansioso para sair pra brincar. Foi bom que ele tenha encontrado o seu pequeno aqui. — ambas desviaram o olhar para os dois, que se divertiam com um baldinho com brinquedo que só podia ser do outro menino. — e Sabo-san? Onde está?

— Ele teve que resolver algumas pendências. Coisas de família, imagino. — respondeu.

— Sabo-san deve ser muito ocupado, principalmente com esse tipo de questão, levando em consideração sua família. — a outra comentou reflexiva. Koala olhou-a confusa.

— Me desculpe, mas o que quer dizer com “considerando sua família”?

Kozuki Hiyori arregalou os olhos, com um súbito rubor nas bochechas.

— Me desculpe, não quis dizer isso de um modo ofensivo. — disse sincera.

— Não, não é necessário se desculpar, é só que… — Koala olhou-a com atenção. — eu não entendi, de verdade. Você conhece a família de Sabo-kun?

Hiyori ficou em silêncio encarando a babá por alguns instantes, como se pensasse qual a melhor forma de abordar o assunto. Quando pareceu decidida, ela contou:

— Eu fui namorada de um amigo do irmão de Sabo-san, por isso os vi de perto em certas ocasiões. São pessoas muito inteligentes e influentes no país, talvez até no mundo. Muitos comparam o atual chefe do clã com o próprio Bill Gates. — enfatizou bem o nome citado, com fazendo uma pausa entre as palavras. — Sabo-san é membro do clã D, que conta com um dos polos da tecnologia mais importantes do Japão. Eles são fabulosamente ricos, e contam com muita responsabilidade nas costas.

Koala pestanejou, assimilando aquilo.

— Eles são responsáveis por vários setores da economia mundial, mas, a empresa mais famosa da família é sem dúvida a Revolucionary Army, comandada por Dragon-san. Eu o vi uma vez. É um homem muito imponente. O encontrei por acaso, durante um jantar em que fomos…

A esverdiada continuava a falar, com tamanha emoção na narração que parecia reviver todos aqueles momentos na própria mente . No entanto, Koala não prestava a atenção em sequer uma palavra que ela dizia, ainda absorvendo informações sobre a família de Sabo que nunca imaginara. Na verdade, chegara a pensar que o dinheiro inacabável do patrão tinha que vir de algum lugar, já que era apenas um universitário e não trabalhava, mas aquilo…

Revolucionary Army, R.A. Tudo se encaixava. Era por isso que todos os eletrônicos da casa tinha a mesma marca! Televisões, geladeira, máquina de lavar, e todos aqueles smartphones… Era tudo invenção de sua família. Isso era incrível, e muito, muito assustador.

(…)

— Finalmente te achei.

Sabo estava um pouco sem fôlego, depois de correr até o Baratie, um fino restaurante do mentor de Sanji, e o local onde o estudante de gastronomia trabalhava desde a infância. Quando praticamente correra até a casa do amigo do irmão, a ideia de passar primeiro no restaurante passou por sua cabeça, mas decidiu primeiro checar em seu apartamento. Sentiu-se um idiota quando viu que ele não estava lá, e um vizinho informou que provavelmente estaria no trabalho, como suspeitou inicialmente.

Com uma calma tortuosa para alguém que antes, parecia ansioso, o jovem cozinheiro levou Sabo aos fundos do restaurante, que davam para um beco usado pelos como porta dos funcionários e para transportar carga. Encostado na parede e com as mangas arregaçadas, Sanji acendeu o cigarro e deu um trago, admirando a fumaça subir.

— Se acalme, eu cheguei no Japão há duas horas, e não durmo há um dia inteiro. — disse.

Sabo, impaciente, cruzou os braços.

— Reiju disse que queria falar comigo com urgência, O que é, afinal? Achei que estaria um pouco mais ansioso para essa conversa.

— Só fico ansioso para estar nos braços de uma mulher.

— Sanji, pelo amor de Deus, se me chamou até aqui só pra ficar falando de mulher, eu te aviso logo que-

— Eu o vi.

Sabo se calou, surpreso.

— Eu o encontrei, Sabo. No México.

Não podia ser.,. Só podia estar entendendo errado.

— Sanji…

— Eu tinha acabado de entrar num restaurante típico da região, quando vi de canto de olho alguém muito parecido com Ace passar pela porta, indo embora. Foi tudo muito rápido. Quando me dei conta e saí para procurar por ele, Ace já estava virando a rua. Tenho certeza de que era ele. Usava uma regata, e dava para ver a tatuagem ASCE, com o xis no S. E, claro, aquele chapéu laranja de sempre. Me desculpe, Sabo, mas não consegui falar com ele. Quando virei a rua, ele já tinha sumido.

No último inverno havia completado um ano desde o infame sumiço de Portgas D. Ace, deixando para atrás apenas uma pilha de cartas de Sabo e o próprio filho para trás. Era um dia muito frio, e acontecia uma das nevascas mais violentas que vira em toda sua vida. Toda a população foi avisada para permanecer em casa, aquecidos, enfiados em suas meias e tomando chocolate quente. Era o que estava fazendo, lembrou Sabo, até que o irmão bateu desesperadamente em sua porta.

Não era como se Sabo não tivesse noção nenhuma dos motivos de Ace. Na verdade, para ele, estavam mais que claros: ele estava procurando por Bonney. A mãe de Blaze sumira quando o pequeno tinha não mais que seis meses, de um dia para o outro, sem dar notícias. Logo a possibilidade de um sequestro foi levantada, porém descartada, uma vez que quase todos os pertences dela, roupas, documentos e passaportes sumiram junto com ela.

E, assim como seus pertences, parecia que o coração de Ace fora junto com ela, pois a partir desse dia, seu irmão não era mais o mesmo. Estava obcecado, não parava de ligar para os detetives e para a polícia, não dormia, não comia e simplesmente parou de ir para o trabalho. As bolsas debaixo de seus olhos preocupavam Sabo e Luffy, que não sabiam mais o que fazer para ajudá-lo. Foram tempos infernais. Aquele jovem feliz, engraçado, que adorava brincar com o filho e praticar esportes simplesmente não existia mais. Tudo o que fazia era procurar pela esposa, e quando alguém tentava apoiá-lo, tentava estender a mão, ele resmungava uma resposta azeda e mandava que caísse fora.

Então, meses depois, quando Sabo pensava que a situação não poderia piorar, ele também desaparecera, deixando o bebê para trás.

— Muito obrigado, Sanji. — conseguiu dizer, sério, dominado pelas emoções negativas que todas aquelas lembranças lhe causavam. Engoliu o seco, se forçando a continuar: — o advogado e os detetives entrarão em contato com você em breve.

(…)

No fim da tarde, quando o sol poente já se fazia ser visto e tingia o céu com seus tons laranja e rosado, Koala decidiu que era hora de ir para a casa. Depois de deixar que Blaze se divertisse com o amiguinho, haviam almoçado ali perto, num restaurante familiar, por insistência de Hiyori – que também insistiu para que Koala a chamasse assim. — que pagou por tudo com muito prazer. Não gostou muito de deixar que a outra fizesse a gentileza, pois a ação acabou por deixá-la encabulada, mas Blaze ficara tão animado com a ideia de ir que foi difícil recusar.

Depois de lá, voltaram ao parquinho – que de tarde já estava mais cheio – e continuou a conversar com Hiyori, descobrindo gostos em comum e, além de tudo, descobrira que ela já trabalhava, e ainda por cima no mundo da moda.

“Eu sou modelo desde que estava no ensino fundamental, mas, claro, na época fazia trabalhos menores” disse ela “Minha família é muito tradicional, eles foram contra desde o início, não gostavam de me ver aparecendo em revistas, com roupas chamativas… Mas agora eu posso fazer o que gosto tranquilamente”. Koala não pôde deixar de perceber a pontada de tristeza na fala da nova amiga, mas sorriu em compaixão, não estendendo o assunto. Segundo Hiyori, para preservar o nome da família Kozuki, a menina adotara o nome “Komura Saki” como pseudônimo.

Era um bom nome, refletiu. Do tipo que gruda na cabeça.

— Mamãe. — Blaze puxou a mão dela, enquanto caminhavam de volta para casa. — o papai onde foi?

— Me desculpe, eu não sei. — lamentou para o menino, sorrindo. — onde você acha que ele foi?

— Hmm… Comê lámen?

— Ele pode até ter comido, mas acho que esse não foi o motivo dele ter saído.

— Tô com shodadi.

Blaze parou de andar, olhando para o chão, parecendo tristonho. Partiu o coração de Koala vê-lo assim, então ela o pegou no colo, aninhando-o.

— Blaze, meu amor, não fique assim. — ele apoiou a cabeça no ombro dela, piscando serenamente. — o papai vai chegar logo. Quem sabe, quando chegarmos em casa, ele já esteja lá? Seria bom, né?

— Uhum… — a voz dele soou arrastada. Ele estava quase dormindo, percebeu. Era de se esperar, depois de um dia tão cheio de brincadeiras.

Quando já estava na frente do prédio, Koala deixou cair a mochila de Blaze, que antes carregava na mão. Suspirou, percebendo que se abaixar e pegá-la com o menino em seus braços seria difícil. No entanto, quando estava prestes a começar a sua luta pelo resgate da mochila, alguém a pegou.

Ao levantar o olhar, viu que se tratava de um rapaz, entre uns 20 e 22 anos, alto e esguio. Seus cabelos eram num tom laranja ou castanho claro, era difícil definir, cortados com numa franja reta até demais. Sua boca era grande e carnuda, e estavam arqueadas em um sorriso presunçoso. Não gostava de pensar isso das pessoas à primeira vista, mas, era quase impossível não achá-lo feio.

— A senhorita deixou cair isto. — ele pegou a mochila e entregou a ela, que esticou um pouco a mão para capturá-la. — nunca a havia visto… Mora pelos arredores?

— Ah, sim, moro aqui. — sorriu amarelo, apontando para o prédio na frente deles.

O rapaz encarou o condomínio por uns instantes, até que se virou para ela lentamente.

— E este menino? É o que seu? Os cabelos dele tem um tom notável.

— Eu… Ahn...

Koala hesitou, ficando em alerta. Era um homem suspeito, pedindo informações sobre ela e Blaze. Podia até não parecer, mais não era boba. Com tantos irmãos para cuidar, aprendera a ser cautelosa até demais. O Japão era considerado um país muito seguro, mas não era isento de pessoas cruéis que só queriam fazer mal aos outros.

Ela abriu a boca, tendo em mente desconversar com o ruivo e voltar em segurança para casa, quando um vulto se colocou na frente dela, estendendo um braço de forma protetora. Demorou alguns instantes até que sua mente raciocinasse que se tratava de Sabo. Mesmo tendo apenas a visão de sua nuca, era inconfundível.

— O que você quer, Sterry? — a voz dele era baixa, mas ameaçadora. Nunca ouvira o loiro falar com ninguém daquele jeito. Deu um passo para trás, hesitante.

— Ora, ora… Parece que tirei a sorte grande. — o outro, que Sabo chamara de Sterry, riu debochadamente, jogando um pouco de cabelo para trás. — estava aqui perto, quando vi essa cor de cabelo inconfundível. — ele apontou para Blaze com a cabeça. — imaginei que te encontraria aqui.

— Saia daqui e não se aproxime mais. — Koala percebeu que a voz de Sabo tremia, como se ele tentasse se controlar. O tom dele ficava cada vez mais alto, e, por sorte, ninguém estava passando na rua.

— Diga-me: por que ainda está com esse peso morto? Essa criança não é nem sangue do seu sangue…

— Maldito seja!

O sangue se esvaiu do corpo de Koala, pressentindo o que iria acontecer. Sabo iria partiu para cima dele. Mesmo de costas, podia sentir aura ameaçadora vindo dele.

Entretanto, quando o viu gritar e dar um passo rápido na direção do rapaz enfadonho, um estridente barulho de criança chorando ecoou, distraindo a todos e, felizmente, fazendo Sabo pensar com mais clareza. Foi preciso alguns segundos para que os ânimos de Sabo e Koala se acalmassem. O loiro pegou o menino choroso no colo, e se virou para Sterry, com uma voz calma, mas, de alguma forma, mais ameaçadora que antes.

— Se chegar perto da minha família de novo… Eu juro que te mato.

(…)

Sabo bateu a porta com força, e colocou Blaze de pé no chão, ainda chorando. Possesso de raiva, ele se virou para Koala.

— No que diabos você estava pensando?!

— Eu?! — ela arregalou os olhos, revoltada. — mas…

— Sem “mas”! Eu vi de longe você falando pra ele que moramos aqui, será que você não tem noção?! Não estamos na zona rural de Gifu, Koala, você não pode sair dizendo onde mora pra um desconhecido e convidá-lo para tomar chá!

— Eu não o convidei pra tomar chá! — defendeu-se ela, com no mesmo tom. — eu achei sim, estranho, ele chegar me perguntando aquilo, mas eu achei que era um morador novo ou algo assim. Ele parecia rico, e esse condomínio só tem gente com dinheiro! E, além de tudo, eu já ia despistar ele! — retrucou, até que sua expressão tornou-se mais zombeteira e amarga. — e mais… Parece que ele não é tão desconhecido assim, né? “Sterry”, como você disse. Você o conhece!

— Sim, eu o conheço, e não gosto nem um pouco dele! — Sabo foi até a cozinha pisando forte e falando, voltou com uma chupeta azul e colocou na boca de Blaze, finalmente fazendo-o se calar: — ouça bem, Koala, me escute para que fique bem fixado em sua mente…

Eles estavam bem próximos, encarando um ao outro com um olhar afiado, como se sentissem que quem desviasse o olhar perderia a discussão. Sabo estava louco de raiva, e Koala também, pelo modo bizarro como ele estava agindo.

— Não quero você saindo sozinha com Blaze, nem falando com estranhos, muito menos informações pessoais, está me entendendo?

Ele soou mais autoritário do que gostaria, mas não iria fraquejar.

— Vou fazer o que mandar em relação a essa casa ou ao Blaze. — ela não piscava, encarando-o com perseverança nos olhos. — mas não com relação a minha vida pessoal. Você não é meu dono, Sabo-san.

Ela se virou de costas, andando em direção ao corredor e afagando o cabelo de Blaze no caminho.

— Se me der licença, vou aproveitar o resto da minha folga.

Depois que ela entrou no quarto, Sabo não ao viu pelo resto do dia.

Notas finais
Para os que não sabem, Blaze é um OC criado por mim baseado na teoria Bonney x Ace (atualmente não acredito mais tanto nela, mas ainda a adoro) e já teve participação em outra fanfic escrita por mim. Mas, para criar o Blaze dessa história, tive inspiração três lugares: da minha prima, que quando nasceu nasceu que cuidei dela por muitos anos, praticamente como babá/irmã Eu diria que a metade do Blaze é ela kkk. A segunda inspiração foi durante os meus 14 anos mais ou menos, onde cuidei por algum tempo de outra menininha, sendo babá ocasionalmente da filha de uma amiga da família. E, por fim, para criar o Blaze, escolhi as peculiaridades de um menininho da mesma faixa etária dele, que mora aqui no meu prédio e que cuidei em algumas ocasiões. (sim gente o “Blaze” realmente existe kk) Manias, frases, gostos… (principalmente a fixação por trens) A outra metade foi inspirada nesse menino lindo, com uma mistura, claro, da minha prima, quando tinha a mesma idade. Infelizmente ela não mora mais no mesmo estado que eu, mas estamos sempre nos falando, e sinto-me muito nostálgica quando vejo ela no Blaze. Acho que toda história, quando contada com um toque de experiência pessoal, se torna um pouco mais humana, não acham? Enfim gente kkk O que acharam da atitude de Sabo? Por que ele ficou tão nervoso perto do tal almofadinha ali? Notícias quentinhas do Ace, hein! E afinal, quem era o namorado de Komura Saki? espero ansiosa pelos comentários!