Baby Care
17 Desencontros

“...ser um D. não é fácil, sei disso por experiência própria. Por isso, acho que Bonney está sofrendo com toda essa pressão. São várias pessoas dizendo como ela deve agir e quais eventos sociais que deve promover, algo totalmente fora do que está acostumada. Ao menos, penso que é por conta disso seu comportamento estranho. Se existe outro motivo, não serei eu que hei de saber.”
— carta de Sabo para Ace, após Bonney agir de forma estranha.
— Papai... – Sabo ouviu o chamado de Blaze interrompendo seus pensamentos. – cadê mamãe?
Aquela foi uma noite infernal. Desde o dia anterior, quando discutira feio com Koala, Blaze se encontrava choroso e triste, e seu sono foi bastante inquieto. Em parte, podia ser por culpa da dor de barriga que tivera antes e o deixara sensível, mas tinha fortes motivos para acreditar que sentia falta da babá que tinha como mãe.
Olhou no relógio, notando que ainda eram sete e meia da manhã. Provavelmente, ela estava na casa de uma amiga. Talvez Pudding. Ela não iria atrás de Nami, onde poderia ver seu irmão, ou para a casa de Robin, onde Zoro praticamente morava.
Será que ela apareceria aquele dia? Era sábado e, tecnicamente, era um dia comum de trabalho, mas depois do que ela dissera sobre a folga, desconfiava que só voltaria na domingo de manhã. Ou será que ela apareceria ao gonkou, àquele dia?
Olhou para o celular, num impulso de mandar mensagem para ela, mas logo desistiu. Ficou apenas olhando a tela de bloqueio. Antes, era apenas um fundo preto, sem nada chamativo. Agora ali havia uma foto, de um dia em que levaram Blaze para a escola a pé. As cerejeiras estavam muito bonitas, e tiraram uma selfie debaixo de uma das sakuras, resultando em uma fotografia muito bela dos três juntos.
Riu de leve ao se lembrar daquele dia. Tinham visto um adolescente tropeçar a caminho da escola. Não era um motivo muito bonito para se rir, mas fora assim que acontecera.
— A gente sair, papai? — Blaze perguntou a ele, vendo-o arrumar a mochila.
— Infelizmente.
Dragon solicitara uma reunião com ele na noite anterior, após pedir para o secretário ligar para saber do estado de Blaze. Não queria que o menino se agitasse com uma saída depois de ontem, mas sem a babá, não tinha outra opção a não ser levá-lo. No entanto, o motivo de não gostar de ir não era aquilo totalmente.
Odiava as reuniões com o pai porque sempre eram a mesma coisa.
— Dragon-san o aguarda no escritório. – disse Inazuma, o secretário, ao chegarem na mansão.
Blaze o acompanhou comportado, jogando em seu celular um jogo relacionado à trens, sua paixão.
— Dragon-san. – se curvou antes de se sentar.
O pai o olhou, avaliando-o.
— Não faria mal me chamar de pai.
Manteve o rosto impassivo, sem responder.
— Onde está a mocinha? – Dragon olhou para Blaze esparramado no sofá.
— A Koala tirou o dia de folga. – respondeu rapidamente, sem querer se aprofundar naquele assunto.
Dragon o observou por uns instantes. Aquela sensação sempre o incomodava, desde novo. Era como se o pai pudesse ver através dele, e soubesse de todos o que se passava em sua mente. Como se fosse transparente, e era agonizante.
— Preciso que assuma o meu lugar, Sabo.
Não se mexeu, concentrado em encarar a ponta da escrivaninha.
— Já te disse o que penso sobre isso.
— Sim, mas não quer dizer que eu tenha aceitado, como deixei claro da última vez. Você é meu filho mais velho, Sabo. Você é meu herdeiro, e ficará com a RA Company.
— Não posso fazer isso.
— Pode. É muito talentoso. Tudo o que você desenvolveu no ensino médio foi um sucesso em vendas. Fará mágica quando tomar o meu lugar, e é por isso que preciso que comece a treinar.
— Não posso fazer isso. – repetiu.
— Posso perguntar o motivo?
Sabo cerrou os punhos com tanta força que temeu que suas palmas sangrassem.
— Tenho que cuidar do meu sobrinho, não disponho de tempo.
— Isso não é problema. – atalhou Dragon. – ele tem uma babá.
— Eu não posso deixar tudo para a Koala!
— Venham morar aqui, então. Vocês três. Contrataremos uma horda inteira de babás e enfermeiras, se preferir. Disse a você para fazer isso há um ano.
Se sentindo encurralado e sem justificativas, Sabo se levantou e apoiou os braços na mesa, olhando nos olhos de Dragon pela primeira vez aquele dia.
— Não posso fazer isso porque eu não sou seu filho. – descarregou, finalmente. – sei que me criou como tal, e agradeço, mas eu não vou tomar o lugar que é de direito de Luffy.
— Seu irmão nunca quis esse posto. – Dragon observou.
— Eu sei, mas isso não muda o fato de que o direito é dele. Isso é o que todos querem e, pelo menos dessa vez, eu quero acertar em algo na minha vida.
O tom como Sabo falara aquilo chamou a atenção de Dragon que, mais uma vez, fez uma longa pausa para analisá-lo. Farto de toda aquela situação, o loiro caminhou até Blaze e o colocou no colo, caminhando para fora do escritório.
— Você está com algum problema, filho?
A fala de Dragon fez Sabo parar, mas não se virou. Fazia muito tempo desde que o pai o chamara assim.
— Alguma coisa aconteceu? Você quer conversar? – ele perguntou, seu tom sério de sempre se atenuando. – você parece... Triste.
— Depois de tanto tempo o senhor vai passar a perguntar como eu estou?
Sabia que o ferira com aquilo, e se arrependeu no mesmo instante. Não estava com cabeça para conversar com o pai. Tinha que sair dali antes que causasse mais estrago, e assim o fez, fechando a porta atrás de si e saindo em disparada.
Após ver Sabo desaparecer pelos extensos corredores, Inazuma bateu de leve na porta antes de entrar, e encontrou seu chefe tamborilando os dedos na mesa. Era um comportamento típico de quando algo o afligia.
— Contou a ele, senhor? Sobre aquele assunto?
— Não, não quero chateá-lo com meus problemas agora.
— Mas senhor...
— Inazuma, basta.
Apesar de ser conhecido como um empregado fiel e resignado, Inazuma não hesitou em confrontar o patrão:
— Ele precisa saber, senhor. Amo Sabo tem que saber de sua doença, e quanto mais adiar, pior.
(...)
Koala acordou mais tarde que o normal naquele dia. Por alguns segundos, estranhou o ambiente. Estava em um quarto bem feminino, com alguns bichinhos de pelúcia espalhados. Ele estava escuro, mas um pequeno feixe de luz solar iluminava o quarto, deixando alguns itens visíveis.
Aos poucos, se lembrou dos acontecimentos da noite anterior. Tinha ido ver Blaze, brigado com Sabo e encontrado Rebecca no parque. A amiga gentilmente ficou com ela ali, até que se acalmasse, e a levou para sua casa, que não era muito longe.
— Espero que não se assuste com a minha família. – Rebecca disse quando passaram pelo portão. – meu pai e meu avô podem parecer um pouco intimidantes no início, mas eles são mansos.
No jantar, Koala conheceu a família de Rebecca. O pai dela, Kyros, era um homem de feições rudes e porte de boxeador, que a surpreendeu com a personalidade calma. O avô, Riku, era igualmente agradável, e sua tia Viola, que não era muito mais velha que as duas, fez de tudo para que se sentisse à vontade.
— Síentate y come! – Viola falou, começando a empurrar comida para si. – eres tan delgada, pobrecita.
O tom dela era de pena, e Koala ficou imaginando o que ela havia dito. Percebendo sua confusão, Rebecca explicou:
— Somos uma família de espanhóis. Falamos espanhol em casa, para não perder o costume.
Isso a lembrou do dia em que Sabo revelara que era de uma família de brasileiros, e cometeu a gafe de confundir as línguas.
— Nunca me disse que era meio espanhola. – respondeu, tentando afastar a imagem de Sabo de sua mente.
— Você nunca perguntou.
— Esse não é o tipo de coisa que se pergunta pra todo mundo.
— Acho que me ver xingando alguns clientes baixinho em espanhol é o suficiente pra suspeitar. – a rosada gracejou.
Koala jamais distinguira o que a amiga praguejava.
— Viemos pra cá depois que minha mãe morreu. – explicou a ela, embora não tenha perguntado. O resto da família estava ocupada demais conversando para prestar atenção nas duas.
— Sinto muito. – disse por educação, mas percebeu que sentia de verdade.
Rebecca balançou a cabeça.
— Tudo bem, foi há muito tempo.
— Quantos anos você tinha?
— Cinco, mas me lembro dela. Era muito parecida comigo, só que com o cabelo um pouco mais escuro.
Por um momento, Koala invejou Rebecca. Sabia que sua mãe estava morta, e as poucas lembranças que tinha dela não eram exatamente coisas boas. Queria se lembrar dela com carinho, como fazia a amiga, mas infelizmente era algo impossível.
De noite, Rebecca emprestou um de seus pijamas para que tomasse banho. E, na hora de dormir, quando o futom de Koala foi posto no chão, as duas ligaram a luminária para poderem ver o rosto uma da outra.
— Koala... Por que você estava chorando?
Suspirou fundo. Esperava que a outra a questionaria sobre isso, mas não significava que ainda era fácil.
— Por amor, Rebecca. – respondeu simplesmente, calma e tranquila. – cometi o erro de me apaixonar por alguém que não me quer.
Ao menos, não da forma correto, completou mentalmente.
Rebecca se sentou, um tanto ansiosa, e abraçou as próprias pernas. Por um segundo, pensou que ela não fosse dizer nada, mas então ela abriu a boca, demorando-se como se pensasse em cada palavra.
— Eu... Me apaixonei também. – revelou. – então posso dizer que entendo como você se sente.
— Há alguém que você gosta? – uma lampejo de felicidade invadiu Koala. – isso é maravilhoso, como ele é?
— Ah, ele... – Rebecca se jogou na cama, de barriga para cima. Ela olhava o teto do quarto com uma emoção única, e quase podia ver corações voando em volta dele. – ele é tão charmoso e educado. Se preocupa com o bem-estar do próximo, além de ser o meu salvador.
— Seu salvador? – estranhou as palavras usadas.
Por um instante, Rebecca hesitou em falar.
— É que algumas garotas da minha escola andam me incomodando. – então sorriu. – mas ele me defendeu, e conseguiu me livrar de uma situação bem desagradável. – então acrescentou: — era por isso que eu apareci pelos arbusto. Pareceu meio estranho, mas eu estava cortando caminho para evita-las.
Koala decidiu que discutiria o tema bullying com ela mais tarde. Não concordava com a forma com que ela estava lidando com aquilo. Contagiada pela paixão de Rebecca, perguntou:
— E como ele é? De aparência.
— Bem... Ele é alto, forte. Não têm uma beleza convencional, mas com certeza é bonito. – olhou de canto de olho, sentindo as bochechas arderem. – e loiro. Ah, como eu adoro loiros...
De repente, tudo fez sentido para Koala. Então o garoto loiro que vira com Rebecca indo para escola, mais cedo naquela dia, era a pessoa que ela gostava. Pensou em comentar aquilo com ela, mas então a amiga a interrompeu antes que pudesse dizer.
— E o seu? Como é?
— Ele é... – como poderia definir Sabo? – ele é uma ótima pessoa, definitivamente. É mais bondoso e sensível do que qualquer um que eu já tenha conhecido, e pode ser mais romântico do que eu jamais sonharia. Porém... – não parecia certo destacar apenas os lados bons dele. – ele também tem muitos defeitos. Ele é confuso, misterioso e às vezes penso que ele não confia em mim. Em um momento, ele é um homem tomado pela paixão e, no outro, se distancia e... – tomou ar, temendo começar a chorar. – e eu não sei o que fazer. Estou muito confusa.
— Mas você tem certeza de que o ama? – Rebecca perguntou.
— Se eu... O amo?
Pôs a mão no peito, que descia e subia muito rápido naquele momento. Não conseguia pensar em uma resposta. Achava que o amava, mas e se estivesse errada? E se tudo não passasse apenas de uma paixão platônica pela única pessoa que a ajudara até ali? Será que confundia amor com gratidão?
— Você disse a ele? Que gosta dele. – a outra indagou, mesmo que não tenha recebido a resposta para o questionamento anterior. – ele sabe disso?
— Não. – balançou a cabeça. – eu não poderia dizer. Seria muito humilhante.
— Koala, eu acho que você tem que ser franca com ele. – Rebecca saiu de sua cama, e se sentou de frente para a amiga, segurando suas mãos. – fale o que pensa dele, tudo o que está engasgado e deixe claro que você gosta dele, se assim for. Não há nada melhor do que sinceridade. E, se ele ainda assim não te quiser, sinto muito... Mas só serve pra provar que ele não te quer. Que não te merece.
Durante o restante da noite, enquanto tentava dormir, Koala se perguntou de onde Rebecca, que ainda faria dezessete anos, tirara tanta sabedoria para aconselhá-la daquele jeito. Sendo mais velha, era de se esperar que Koala que ajudasse a mais nova.
Agora, após uma boa noite de sono e algumas horas longe da casa de Sabo, Koala organizara as coisas em sua cabeça e estava decidida sobre o que iria fazer. Há algum tempo não se sentia assim, resignada e no controle de sua própria vida.
— Ah, você já acordou. – Rebecca entrou no quarto, indo para o espelho amarrar a trança.
— Que horas são? – perguntou, se levantando e procurando um relógio.
— Hmm... Dez e quarenta, mais ou menos.
— Dez e quarenta?! – arregalou os olhos. – já perdi metade do dia!
— Você acorda cedo mesmo, hein. — Rebecca riu. – não se cobre tanto, você parecia bem cansada ontem.
Viu que suas roupas estavam perfeitamente dobradas na escrivaninha. A tia de Rebecca havia lavado e secado na máquina, no dia anterior. Colocou-as, apressada.
— Aonde você vai? – a rosada perguntou. – já pensou sobre o que conversamos ontem?
— Sim. – assentiu, passando a cabeça pelo buraco na blusa. – sim, já sei. Vou arrumar a minha vida.
— Então leva um guarda-chuva. – Rebecca sorriu, orgulhosa. – porque vai chover.
(...)
Em frente ao ponto de encontro, a movimentada estátua do famoso cão Hachiko, Sabo decidiu que aquele era um dos piores lugares para se estar. Haviam estrangeiros para todo lado e, embora não tivesse aversão a eles, toda aquela agitação e empolgação deles o deixava ainda mais tenso. Por diabos Coby combinara em um lugar daqueles?
— Sabo-san! – ele finalmente aparecera, junto de duas meninas e de seu amigo fiel, Helmeppo. – espero que não tenhamos demorado demais.
— Não demoraram. – mentiu.
— Agora só faltam duas pessoas, não é? Law-san e... – Coby parou de falar ao ver Blaze se escondendo atrás de suas pernas.
Estava contando com a boa vontade de Luffy e Nami para ficarem com Blaze por algumas poucas horas, mas infelizmente a irmã mais velha de Nami sofrera um acidente na última madrugada e os dois saíram de manhã bem cedo de carro para a cidade natal de Nami. Agora, sem Koala ali com ele, não havia ninguém com quem pudesse deixá-lo, de forma que a única alternativa era levá-lo junto.
— Espero que não se incomode, tive que trazer meu filho. – disse em tom de desculpa.
Naquele momento, as duas meninas que estavam um pouco mais atrás se aproximaram, e Sabo experimentou uma sensação de nostalgia. Elas eram adolescentes, ambas tinham o cabelo rosa, e...
— Sabo-san! – a de cabelo escuro se aproximou, com um sorriso de orelha a orelha. – não acredito que é você! Naquele dia eu estava tão nervosa que não pude agradecer adequadamente.
Ele se lembrava dela! Era a menina que ajudou quando estava sofrendo bullying.
— Rebecca, não é?
Olhou para a outra, e reconheceu como a amiga dela que apareceu posteriormente.
— Esta é a Shirahoshi, minha amiga.
— Prazer. – sorriu brevemente para ela.
Um silêncio constrangedor se estendeu em meio ao estranho grupo.
— Então... – Coby pigarreou. – onde está Pudding-san?
— Você disse a ela o local de encontro?
— Você não disse, Sabo-san?
Essa questão tinha sido posta nas mãos de Koala, lembrou-se. Antes que se perguntasse se a babá falara sobre isso com a moça, Pudding apareceu, olhando para o grupo com uma expressão um pouco acanhada. Os olhos redondos o encararam e, em seguida, se curvou para os outros.
— Olá a todos. – disse educadamente, e se virou para Sabo novamente. – e Koala?
— Ainda não chegou. – respondeu hesitante. – sinceramente, não tenho certeza se ela vem.
Viu nos olhos de Pudding que ela não estava muito contente com aquilo.
— Trafalgar-san também disse que viria, será que ele também vem? – Helmeppo indagou.
Visto que não havia muito o que fazer, o grupo resolveu esperar em uma lanchonete ali perto, de onde podiam ver se Koala ou Law chegassem. Blaze ficou bem feliz pois já estava reclamando de fome, mas sua felicidade de dissipou quando Sabo tirou um suco natural e bolachas saudáveis para ele, em virtude de sua dor de barriga do outro dia.
— Mas quero sobete! – o rosinha protestou.
— Não pode, quer ficar com a barriga dodói?
— Blaze-chan, não é? – Rebecca, que olhava interessada para eles o tempo todo, se aproximou para tocar uma das mãos de Blaze. – toma seu suquinho, fofo. Ele é melhor para...
Na mesma hora, Blaze tirou a mão de perto dela e deu um tapa na mão de Rebecca.
— Blaze! – Sabo censurou-o, envergonhado. – me desculpa, ele normalmente não é assim.
Blaze tinha as sobrancelhas franzidas e um biquinho irritado.
— T-Tudo bem. – ela deu um sorriso amarelo – nunca iria imaginar que você tem um filho.
— Na verdade, ele é meu sobrinho. – disse tranquilamente. Não viu motivos para esconder a verdade. – eu o crio há mais de um ano.
Rebecca suspirou de leve, aliviada. Então ele não era casado.
— Quantos anos você tem?
Sabo piscou, não esperando aquela pergunta.
— Vinte e três, e você?
— A-Ah, dezesseis, mas... Esse ano eu ainda farei dezessete, pode acreditar! – Rebecca estava corada, e o olhar dela estava diferente.
Sabo olhou para os outros na mesa, e viu que conversavam amigavelmente. Apenas Pudding se mostrava distraída, observando a rua. Coby parecia triste com isso, uma vez que tentava, a todo tempo, puxar assunto com ela.
— Onde você estuda, Rebecca?
— Na academia Gold Roger, eu tenho uma bolsa de estudos.
— Verdade?
Não havia reparado que o uniforme dela era o mesmo de sua escola.
— Era por isso que aquelas meninas estavam te perturbando? – perguntou a ela.
Rebecca se remexeu um pouco no banco, de repente mais desconfortável em falar.
— Não é exatamente por isso, mas não deixa de ser um dos motivos. – a adolescente suspirou – na escola eu tenho apenas dois amigos, e um deles é um modelo famoso. Ele é tido como o príncipe da escola pelas meninas, e para não brigarem entre si há um pacto em que nenhuma menina pode se aproximar dele.
— E você quebrou esse pacto. – concluiu.
— Sim, mas eu não sabia de tudo isso, porque me transferi para lá apenas no ensino médio. E o Cavendish, com toda essa história, acabou ficando sozinho. Não vou deixar de ser amiga dele só porque algumas garotas querem apreciá-lo como se fosse um livro de luxo na estante.
Sabo sorriu de canto, concordando com os ideais da menina.
— Você é bem forte e decidida. — elogiou-a. – admiro isso.
Rebecca se calou, tímida e vermelha.
— Papai! – Blaze praticamente berrou, como um general – banero!
Fazia algum tempo que não via Blaze assim tão chateado. Desde a contratação de Koala, percebeu. O neném devia estar sentindo falta dela. Em sua pequena cabecinha, ele acreditava que, de fato, a babá era sua mãe.
Quando voltou com Blaze do banheiro, notou que o grupo combinava algo.
— O que estão planejando?
— Law-san acabou de ligar. – disse Coby – ele não vai poder vir, por causa do trabalho.
— Então a promoção do karaokê pra oito babou. – disse Helmeppo.
— Podemos ir ao cinema. – Shirahoshi propôs.
— Desculpa, pessoal. – Pudding se levantou de repente – mas acho que eu já vou indo.
— O que? Já? Fique, por favor. – Coby se levantou no mesmo instante, indo atrás dela – podemos fazer algo que você queira, o que acha?
Pudding se virou para ele e deu um sorriso melancólico.
— Ainda é novinho e inexperiente, vai achar alguém que combine mais com você.
E saiu, deixando o jovem Coby de coração partido.
(...)
— Coitado, nem teve chance. – comentou com Rebecca.
— O Coby é um rapaz gentil, mas também muito forte. Ele vai conseguir superar. – ela respondeu.
— Como se conheceram?
— Frequentávamos o mesmo fundamental, quando crianças. – disse de forma evasiva.
O goukon que, no fim, acabou não dando certo, fez com que todos se dissipassem. Não sabia aonde os outros haviam ido, mas, coincidentemente, Rebecca iria na mesma direção que Sabo. Notou como ela estava muito interessada em tudo o que ele dizia.
— Administração, hein... – ela parecia admirada pelo seu curso da faculdade. – ainda não sei exatamente o que quero fazer, mas tenho muito interesse em história, principalmente dos gladiadores da Roma antiga. O que acha de história?
Antes que pudesse responder, Blaze exclamou:
— Papai, quero mamãe!
— Calma, calma, logo você vai vê-la. — balançou-o de leve enquanto caminhavam.
Rebecca sorriu.
— A mãe dele deve ser muito grata a você por criá-lo.
— Acho que ela não tem ideia de que quem o cria sou eu. – respondeu sincero. – mas não é dela que ele está falando. É da babá dele, ele tem muito carinho por ela.
Rebecca processou aquilo por uns instantes, até que disse repentinamente:
— Sabo-san... Aquele dia em que você me salvou foi muito importante pra mim.
Distraído, olhava para o céu. O tempo estava fechado, e nuvens escuras ocupavam o céu. Quando percebeu, estavam parados em uma rua pouco movimentada, apenas os três.
— ...e desde então eu tenho pensado muito sobre o assunto, e decidi que tinha que ser direta.
Piscou, perdido. Droga, tinha se distraído enquanto a menina falava, e agora não entendia o contexto.
— ...que você vai acabar me achando interessante quando me conhecer, e por isso acho que poderíamos sair algumas vezes. Sei que você pode me achar um pouco nova e inexperiente, mas talvez possa dar certo se me der uma chance!
Rebecca estava interessada nele? Estático, pensou na melhor forma de como responder aquilo. Era claro que ela não gostava dele, gostava da forma como ele a defendeu, idealizando uma pessoa que ele não era. Os dois só haviam ficado na companhia do outro por algumas horas, para início de conversa.
— Rebecca... – murmurou hesitante, e colocou Blaze no chão. – não sabe o que está dizendo.
— É claro que eu sei! Eu gosto de você. Gosto de verdade.
Situações como aquela eram complicadas para alguém como Sabo, que nunca sabia o que dizer. Mulheres eram uma questão complicada em sua vida, afinal, sempre havia a desconfiança de que se aproximavam por ele ser rico.
Mas não parecia ser aquele o caso de Rebecca. A expressão de súplica, o tom de voz urgente e o rosto levemente vermelho mostravam que ela era sincera com seus sentimentos, e reconhecia isso. Um dia, ela conheceria uma pessoa legal – fosse ela homem ou mulher – que corresponderia a todos os seus sentimentos e a faria muito feliz.
No entanto, aquela pessoa não era ele. Diferentemente de outras circunstancias, não pensou em todo o peso que a família D poderia pôr nos ombros de uma menina como aquela, — assim como foi com Bonney ao se relacionar com Ace — caso resolvesse assumi-la. Em sua mente, apenas um rosto insistia em permanecer, e um fragmento de saudade fez seu peito doer ao pensar nela.
Antes que pudesse levantar os olhos e responder, quando deu por si, Rebecca já o tinha puxado e selado os lábios, sem que tivesse tempo de resposta.
— Sabo-kun.
A voz fina e feminina que ouviu foi inconfundível, e caiu como um raio em sua cabeça, fazendo-o acordar e se separar da garota em um empurrão.
Como em um verdadeiro pesadelo, olhou para Koala desesperado, e, como se o mundo sentisse o mesmo que ele, naquele momento uma fina garoa começava a engrossar.
— K-Koala... – conseguiu sussurrar, temendo que, caso falasse, ela desaparecesse de sua vida ali.
Com a pior expressão de dor e decepção que já vira na vida, Koala balançou a cabeça em desgosto.
Então, ela virou-se, e correu.
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