Baby Care

18 Depois da chuva


“...O clima não faz muita diferença. Bem, ao menos, é o que eu penso. Uma declaração é a mesma num dia de sol, de chuva, de vento... Não seja bobo, é só a paixão te transformando num idiota apaixonado.”

— carta de Sabo para Ace, quando Ace planejava se confessar para Bonney.

Em nenhum momento, durante sua vida inteira, Koala sentira-se tão triste. Parecia um adjetivo bastante trivial, triste. Ela ficava triste em situações comuns da vida, como filmes em que cachorros morrem ou um fim dramático de um livro. Mas nada, jamais, se compararia com a dor que sentiu por dentro quando viu os lábios de Sabo junto aos de sua amiga.

Mais cedo, aquele dia, Koala havia percorrido a pé todo o trajeto da casa de Rebecca até o apartamento de Sabo. Se tivesse sido mais esperta, teria pedido um dinheiro emprestado a amiga para que pudesse pegar um trem, — havia dinheiro em sua mochila da faculdade, mas a esquecera no hospital — no entanto não se recordou disso no momento e seus pés foram seu único meio de transporte.

Após um bom tempo de caminhada, notou que Sabo não estava em casa. Muito bem, pensou com si mesma, talvez ele já tenho ido até o goukon. Tomou um banho rápido, trocou de roupa e, antes que saísse rumo à estação de trem, levou um susto ao abrir a porta e se deparar com Law, com a mão erguida para bater à porta.

— Que bom que te encontrei — ele disse em seu tom calmo de sempre — tentei te ligar para saber de Blaze ontem, mas você não atendeu. Achei que alguma coisa séria havia acontecido.

Apressada, passou pela porta e fechou-a atrás de si.

— Law-san, que bom que está aqui. Você veio de carro? Posso ir com você até o ponto de encontro?

— Ponto de encontro? — ele pareceu confuso por um minuto, até que se lembrou. — ah, o goukon. Me esqueci completamente.

— Não tem problema — andou rápido pelo hall, apertando freneticamente o botão do elevador. — desde que me leve pra lá agora.

Sem muitas perguntas, Law a acomodou ao seu lado no carro, e assim partiram. Ela estava inquieta e não parava de remexer os dedos. De vez em quando, olhava a hora em seu celular.

— Por que essa pressa toda? — perguntou a ela.

— Passei a noite na casa de uma amiga, e ela me deu bons conselhos — respondeu. — vou parar de esconder o que eu penso e sinto sobre o Sabo-kun.

Isso chamou a atenção dele.

— Tem certeza de que é isso que você quer? Não é fruto do calor do momento?

Aproveitou que o sinal fechou para olhar para ela.

— Tenho muito respeito por Sabo e tudo o que ele fez por aquele menino. Mas não posso ignorar o fato de que, frequentemente — Law levantou o queixo dela, para encará-lo. — ele faz o seu sorriso sumir.

Naquele momento, por um segundo, Koala hesitou. A forma como Law falava e olhava para ela parecia uma declaração, e poderia até acreditar que ele estava disposto a engatar uma relação com ela. Não seria um grande problema, claro. Law era muito bonito, um verdadeiro gênio e, apesar de ser bastante sério e pragmático, também tinha um coração muito doce por trás daquela fachada. Ora, não seria difícil amá-lo.

— Seria tudo tão mais simples se eu tivesse me apaixonado por você, Law-san — deu um sorriso triste. — você é muito bom pra mim, um verdadeiro amigo, e eu te amo por isso.

Ele perdeu o fôlego por um segundo.

— Mas infelizmente, não da forma como gostaria — afastando seu queixo da mão dele, completou: — sinto muito.

Trafalgar recolheu a mão e voltou a dirigir. Alguns instantes silenciosos se instalaram até que ele respirou profundamente.

— Já imaginava — ele mantinha o tom calmo e natural. — nunca tive qualquer esperança com você, se é o que pensa. Só o que espero que entenda, Koala, é que dificilmente será fácil lidar com Sabo. Ele tem machucados que, infelizmente, nem minha medicina pode curar — ele parou o carro. — espero que não se arrependa disso.

— Não vou — Koala tirou o cinto de segurança, agradeceu com um aceno e saiu.

Antes de partir, Law avisou por mensagem que não compareceria. Aquele dia já estava agitado demais pro seu gosto. Vendo-a sumir, só pôde desejar boa sorte. Tudo o que queria era que, ao menos daquela vez, sua amiga não se ferisse.

(...)

Agora ali estava Koala, olhando para a pior cena de beijo de toda a sua vida. Incapaz de conter a confusão de emoções dentro de si, se negou a fraquejar frente a eles. Não queria nem mesmo que notassem sua presença, mas foi impossível segurar o guincho de surpresa.

Virou-se, correu, correu e correu. As pessoas aos seu redor começavam a andar rápido também, pois uma chuva forte começava naquele instante, pegando de surpresa os desavisados como ela. Por isso, uma pessoa correndo tanto na rua como ela não chamou atenção.

Seu peito doía, a garganta ardia com o bolo formado ali e seus olhos estavam embaçados pelas lágrimas.

— Koala! — ouviu a voz de Sabo atrás de si. Cretino, ele a estava seguindo.

Entrou em uma pequena área de parque, que estava vazia devido ao clima, e parou na ponte do lago quando sentiu uma mão a segurando. A ação a fez cambalear pra frente, e lutou para se soltar da mão molhada dele. Poderia se livrar facilmente dele se quisesse, mas não queria machucá-lo, o que desconfiou que faria caso usasse seus conhecimentos ocultos.

— Sai! Sai! — gritou. — eu não quero ver você!

— Koala, por favor, me ouve! — ele a virou para frente com facilidade. — você entendeu errado o que viu!

— Entender errado? Vocês estavam se beijando! — bateu com os punhos no peito dele. — então eu não sou a única! Seu miserável despresí... — os olhos dela se arregalaram em puro terror, varrendo o chão — cadê o Blaze? Ele estava com você!

— Se acalma, a Rebecca ficou com ele. Está são e salvo.

Falar em Blaze aplacou um pouco da perseverança dela, que afrouxou um pouco a pressão que fazia entre os dois. Ofegante e cansada pela corrida, Koala olhava nos olhos dele com uma mistura de tristeza, raiva e decepção. Sabo notou como ela estava enxarcada, e se sentiu tentado a tirar o casaco para cobri-la, mas considerando seu estado isso só pioraria as coisas.

— Koala... — murmurou rouco, tocando em uma lágrima misturada com água que descia por sua bochecha — nunca, jamais, por toda a eternidade, duvide de que o que temos é mais do que apenas atração carnal.

— Como pode fazer um pedido desses pra mim depois de beijar a minha amiga?

— Amiga? — franziu o cenho. — não sabia que as duas se conheciam.

— Está dizendo que se não nos conhecêssemos a história seria outra.

— O que? Não, Koala! Eu... Ora, você não está facilitando pra mim.

Ela se desvencilhou dele, que dessa vez não se opôs. Mas ficaram os dois ali, na chuva, pendendo o olhar um no outro.

— Ela me beijou, e não tive tempo de fazer nada — angustiado, cerrou os punhos. — tem que acreditar em mim, eu nunca ficaria com outra garota que não fosse você. Eu não sinto nada por outra pessoa, nem desejo e nem...

— Eu acredito em você.

Surpreso, ele se calou.

— Eu acredito em você, e isso é terrível porque eu não queria acreditar, mas eu te conheço o suficiente pra saber que está falando a verdade. Mas sabe o que é pior? É que isso não muda nada. Porque você não me deve explicações, Sabo-kun. Você não me deve nada. Eu sou só uma babá, e apenas isso, e é o que eu serei até que pelo menos me forme e consiga seguir com a minha carreira. Porém, isso não vai mudar muita coisa, porque eu serei sempre um caipira que não chega aos seus pés.

— Pare de falar assim de si mesma.

— Por que? Por que você discorda? Se não é esse o motivo, por que não quer ficar comigo? Por que age e diz coisas que contrarias? Me entreguei pra você de tantas formas e você nunca me disse nada que...

— Eu tenho medo.

Sabo não sabia o que ela esperava que dissesse, mas, certamente, não era aquilo. Sentindo o peito subir e descer rapidamente, ele viu que as mãos tremiam. Ao ver Koala dar as costas e correr, minutos atrás, sentiu como se ela, uma das pessoas mais importantes de sua vida, estivesse lhe deixando para sempre e isso o assustou de uma maneira assombrosa.

Até ali, sabia o que ela era importante em sua vida, mas não tinha ideia do quanto.

— Medo? — ela repetiu, incrédula.

— Sim... — anuiu, sentindo-se distante. Memórias da época em que Bonney sumira pairavam em sua mente. — eu tenho medo.

— Isso não faz absolutamente sentindo nenhum.

— Você não entenderia.

— E por que?! — ela praticamente gritou. — por que você não quer se relacionar com ninguém? Não pode ser esse único motivo!

— Quer saber por que?! — ele também explodiu. — por que eu te quero enlouquecidamente, de todas as formas, em cima de mim, embaixo, ao meu lado, em todos os momentos. Quando você olha pra mim, meu corpo todo queima de desejo por você e essa parte aqui. — bateu com força no próprio peito. — não consegue ficar quieta nem por um segundo, batendo forte como um touro! Mas eu não posso, Koala! Ficar com você seria o mesmo que te condenar a sofrer junto comigo, sendo julgada e esnobada por pessoas que se acham os donos do mundo por suas vidas privilegiadas. Ficar com você, assumir você, te destruiria da mesma forma que destruiu a Bonney! Por isso, quando consigo sentir que, pelo menos um pouco, você me deseja como eu te desejo, fico disposto a aproveitar cada pedacinho seu a cada segundo.

Os lábios entreabertos dela tremeram.

— Isso tudo me deixa maluco, porque tudo o que quero é mandar os caras ao seu redor ao inferno por estarem perto de você, não por não confiar em você, mas sim porque não consigo suportar a ideia de que eles têm uma chance que eu não tenho. É difícil — ele se aproximava aos poucos — te ver todos os dias, conversar, te ver sorrir, e ter que agir como um mero patrão. O problema é que eu não consigo me afastar de você, nem te arrumar outro emprego e ficar longe, porque sou um egoísta e não conseguiria viver com você longe de mim.

Por um minuto inteiro, nenhum dos dois falou. O mundo parecia inteiro silencioso, a não ser pelo som da chuva caindo forte. Aquela era a primeira e única declaração evidente que vivenciara, e da pessoa que mais queria. Sua cabeça girava, pensando em milhões de coisas e, ao mesmo tempo, não conseguia pensar em nada.

Tomada apenas pelos instintos, tocou o rosto dele — até ali, nem notara como ele estava perto — e passou o dedo em sua bochecha, bem abaixo de seu olho, na cicatriz chamativa.

— Eu já lutei muito nessa vida. — disse ela, com a voz calma, porém intensa. — minha mãe era problemática e me negligenciou ao ponto de me deixar desnutrida. Fui criada apenas pelo meu pai, e o ajudei na plantação por muito tempo, até meus músculos arderem e além disso tive que cuidar de muitas crianças, e passar noites acordadas com eles doentes. No ensino médio, várias garotas me davam apelidos ridículos pelo simples fato de que eu não tinha celular e ter que mandar cartas para me comunicar com os outros. Mas eu passei por cima de tudo isso e eu estou aqui, agora.

Ele piscou, hipnotizado pelos olhos azuis dela.

— Eu sou uma mulher forte, encaro o que vier me...

— Koala...

— Não, eu ainda não terminei. Eu encaro qualquer coisa pelas pessoas que são importantes pra mim, e mesmo que você não se sinta da mesma forma que eu, não consigo negar que o que sinto por você é avassalador. Porque quando você nem se esforça, quando é simplesmente você mesmo e... — ela respirou profundamente. — consegue ser sincero, rir e fazer bobeiras... É nesses momentos que mais faz amá-lo mais do que você poderia imaginar. Mais do que eu poderia imaginar.

Sabo a atacou com um beijo urgente, e sentiu ela se sobressaltando pelo contato repentino. Mas, por Deus, ele não aguentava mais tê-la tão perto e não beijá-la. Era impossível, os dois eram como imãs que se atraem, e, naquele instante, tudo o que necessitava era sentir a maciez de seus lábios. Sentia-se como um pobre homem no deserto e ela era o seu oásis. O corpo dela, gelado e molhado, moldou-se ao dela perfeitamente, e não conseguiu resistir a pousar a mão na curvatura de sua cintura, descendo lentamente e se contendo para manter o pudor.

Ah, como ele queria fazê-la feliz. Tomá-la em seus braços e nunca mais soltar. Desejava ser o motivo de seus sorrisos e de suas risadas, e ser o seu porto-seguro quando algo a afligisse. Como nunca antes, sentiu-se amado por aquela mulher. A jovem garota havia mexido com ele como nenhuma outra antes, abalando suas estruturas e fazendo-o questionar seus próprios ideais. Alguém como ele teria o direito de tê-la em seus braços e em seu coração? Queria ser tudo para ela assim como ela era tudo para ele, e, se ela estava disposta a passar por aquilo com ele, queria dar tudo de si para recompensá-la.

Sem ar, ele começou a trilar vários beijinhos pelo seu rosto, subindo do pescoço molhado ao rosto. Sua mão, pousada na cabeça dela, acariciava os curtos cabelos colados a cabeça daquela mulher que tinha certeza ser mais linda do mundo.

— Sabo-kun... — ela arfou, pondo as mãos em seu rosto para fazê-lo parar.

Koala afastou os cabelos ensopados do rosto dele e empurrou-os para trás para ver melhor sua face.

— Até hoje, em toda a minha vida, nunca achei que poderia ser tão feliz. — ele disse a ela, com a voz trêmula de emoção.

— Eu te amo — ela sorriu ao dizer as palavras que saíam direto de seu coração. — eu te amo demais.

Ele estava molhado, desarrumado, mas ainda era o Sabo que ela tanto amava. Ele sorriu em resposta, e a dei um selinho longo em meio a um abraço.

Quando olhou para ele, notou que um raio solar iluminava os dois. Olhou surpresa para o céu.

— A chuva parou — ele observou. — é uma visão tão bonita, nem parecia o inferno de minutos atrás.

— Sim — anuiu. — mas eu rosto de dias chuvosos, porque, quando eles acabam, trazem uma paz única para alma.

Da mesma forma como ela se sentia ali, junto dele.

(...)

— Mamãe!

— Blaze!

Correndo em sua direção, Blaze se atirou nos braços de Koala com um sorriso de orelha a orelha. Ela o ergueu nos braços e encheu de beijinhos, fazendo barulhinhos em seu pescoço para fazê-lo rir.

Atrás dele vinha Rebecca, carregando a mochila de Sabo num braço e fechando o guarda-chuva com o outro. Quando ela os alcançou, entregou a mochila em silêncio para Sabo e voltou seu olhar para Koala.

— Eu... Estou muito envergonhada. — ela desviava o olhar o tempo todo, olhando para o chão. Seu rosto enrubescido deixava claro seu constrangimento. Ela olhou de canto para Sabo, e voltou a encarar Koala. — não sei nem o que dizer, me desculpe.

— Rebecca — entregou Blaze a Sabo, e segurou as mãos da amiga. — você não tem que se desculpar por nada.

— Tenho sim, Sabo-san é a pessoa que você gosta e eu o beijei. Não queria te machucar, eu juro, eu nunca pensei que...

Ela soluçava, tentando conter o choro.

— Eu só não quero perder a sua amizade, me desculpe, por favor. Se eu soubesse que era ele quem você amava, nunca teria o beijado.

— Shhh... Calma — seu tom brando a acalmou. — Rebecca, você não sabia, e tá tudo bem. De verdade. Você foi a minha primeira amiga aqui, e a primeira a ser gentil. É incapaz de ser maldosa e cruel, não duvidei do seu caráter nem por um minuto.

Rebecca era uma menina doce e boa, e não a culpava por aquilo. Apesar de ser madura com as palavras e ideais, ela ainda era apenas uma adolescente, e fazia total sentindo que ela se apaixonasse por Sabo, um homem mais velho, bonito e que realizou um ato cavalheiresco ao ajudá-la.

— Me desculpe você também, Sabo-san, eu não deveria ter te beijado de surpresa. Foi errado da minha parte.

— Tudo bem — ele recusou suas desculpas com um gesto, após por Blaze no chão. — e... Me desculpe também.

— Pelo que?

— Por não corresponder aos seus sentimentos.

Os dois olharam para Koala, que se afastou e brincava com Blaze de pisar nas poças.

— Ela é incrível. Não há nada que eu mudaria nela. Gosto mais dela do que de mim mesmo — voltou-se para Rebecca. — por isso, me desculpe, mas ela a única pra mim.

— Assim como o Coby, eu posso superar — um sorriso triste surgiu nos lábios dela. — e eu vou dar um jeito no bullying também. Isso já se estendeu por tempo demais.

— Onde você estuda?

— Na academia Gold Roger.

Só então ele se deu conta de que, da última vez que a vira, ela estava com o uniforme de sua antiga escola.

— Vou falar com meu pai pra resolver essa história de uma vez por todas.

— Seu pai?

— Ele é o dono de todas as unidades, por enquanto.

Explicou a ela brevemente sobre o patrimônio dos Gol, sobre seu irmão que não estava mais ali e sobre Blaze, que era o herdeiro por direito e que, por se tratar de apenas um bebê, a responsabilidade caíra sobre Dragon.

— O dono da escola... — ela repetiu, abismada. — você deve ser muito rico.

Deu de ombros.

— Minha maior riqueza — olhou para Blaze e Koala rindo. — são aqueles dois.

(...)

Pudding jogou-se em sua própria cama, perguntando-se como teve coragem para ir a um encontro como aquele. Santo Deus, ela era Charlotte Pudding, vários homens babavam e lambiam o chão por onde ela pisava, onde estava com a cabeça por aceitar algo assim? A consideração que tinha por Koala era mesmo muito grande, apenas ela para convencê-la a participar disso.

Não achava Coby especialmente feio, apenas era um menino muito novo e inexperiente para ela. Já tinha vinte anos e queria um homem, não um garoto recém-saído do colegial. Queria alguém maduro, que a levasse para jantar à noite e bebesse vinho com ela.

Não, estava enganada. Não queria um homem. Queria ele.

— Ainda suspirando pelos cantos? Achei que já tivesse passado dessa fase.

Revirou os olhos, percebendo quem entrava em seu quarto. Sem bater.

— Flampe, eu já disse pra você fingir que eu não existo, e faz o favor de bater antes de entrar — virou-se na cama para não ter que encará-la.

— Se eu fosse você, pensaria melhor antes de me maltratar. A Mama deixou bem claro que quer que eu informe sobre todos da casa, e posso não ser muito benevolente com você.

Ali estava ela, como sempre, puxando o saco de sua mãe. Flampe só tinha quinze anos e queria de alguma forma fazer parte do núcleo de filhos favoritos da Mama. Desde que Linlin anunciara que era Pudding quem seria a nova líder, a maior parte de seus irmãos passara a odiá-la, e a irmã na sua frente em questão não era diferente nesse sentido. O que fazia-a destoar dos outros era que a inveja não acabava aí: Flampe também a atacava sobre Sanji sempre que podia, porque gostava de fazê-la se sentir mal. Ela era perversa e traiçoeira.

— Se não gosta de mim, faça o favor de sair do meu quarto.

— Só queria te avisar que a Mama conseguiu um bom casamento pra mim. Com um Vinsmoke. Vinsmoke Yonji.

Ah sim, o irmão de cabelos verdes que deu encima dela quando Koala ainda era noiva de Sanji. Flampe certamente seria feliz com o fura-olho.

— Vou sair da escola para me casar — ela continuou com orgulho, como se anunciasse algo ótimo. — trarei muitas relações importantes para a Mama.

— Fico feliz que você será uma esposa com apenas o ensino ginasial completo. — ironizou, dando de ombros.

Flampe deu um sorriso diabólico.

— Espero que também se acostume com a ideia de não estudar mais — ela dizia lentamente, para atormentar Pudding. — porque não vai terminar a faculdade.

— O que? — não pôde disfarçar a surpresa, sentando-se na cama em um pulo. — do que você tá falando?

— A Mama quer você como braço direito dela, vai começar a trabalhar com ela no próximo semestre — a adolescente revirou os olhos ao dizer: — afinal, ela te escolheu como herdeira.

Não... Não podia ser. A Mama havia deixado que ela se formasse em publicidade, para que trabalhasse com os negócios da família. Ela só iria herdar a empresa no futuro, não?! Num futuro longínquo, que, na sua cabeça, parecia muito, muito distante...

— Dê adeus aos seus amiguinhos, irmãzona, porque quando você começar a aprender com a Mama... Ela vai engolir a sua alma.

...E que agora estava assustadoramente perto.

Notas finais
Trilha sonora: https://www.youtube.com/watch?v=D1AEXNGBevk&list=RDMMD1AEXNGBevk&start_radio=1