─ Por favor... o que vão fazer comigo. Me deixe sair...

O homem estava preso com os braços e pernas amarrados num em grilhões em cada canto da parede deixando-o aberto. Ele estava nu e com os olhos vendados. Uma porta abriu revelando a criatura que havia entrado. Ela se aproximou dele e cheirou seu rosto. Era Jane Rafaelli vestida com uma lingerie de couro preta.

─ Quem está aí?

─ Relaxe, meu amor. A nossa noite é uma criança.

Ela foi até uma lareira que ali tinha e retirou um ferro daqueles de marcar gado. A lareira estava acesa, portanto o ferro havia ficado vermelho por causa das chamas. A súcubo chegou até o rapaz e encostou o ferro no peito do homem que urrou de dor. O cheiro de carne queimando era um aroma delicioso para ela.

─ Por que está gritando assim?

─ Por favor...

Havia uma mesa metálica ao lado da lareira onde ela guardava ferramentas de tortura. Pegou uma pistola de choque e atirou contra o rapaz que foi eletrocutado e teve os músculos paralisados.

─ Como você é um menino mau. Veio para cá a fim de assaltar. Teve sorte de não ser atacado pela besta do andar de baixo.

─ Por favor, eu juro que não faço mais isso. Não me mate.

Jane foi até o homem com uma faca na mão, retirou a venda dele.

─ Sabe, eu gosto quando torturo as pessoas. Sinto-me sempre à frente da situação. Principalmente homens, porque vocês além de quatro, têm cinco membros para ser cortados.

Jane desceu a mão até segurar o pênis deles. Com um movimento, ela cortou o membro do rapaz. Ele gritou de dor enquanto o sangue respingava no rosto da súcubo que com certeza saboreava satisfeita.

LA MALÉDICTION

Special Guest Star:

Mordomo Yerai

Depois que Viemont saiu, Ludo ficou imediatamente deprimido e entrou no seu quarto e se trancou. Pensou nas palavras que o conde havia dito. Agora estava sendo chantageado por uma pessoa que ele não conhecia.

Lúcia desejou boa-noite ao filho e ao genro. Foi para o seu quarto dormir. Enquanto isso, Lorenzo e Pierre assistiam a um filme deitados na cama. Era Azul é a Cor Mais Quente. Lorenzo puxou conversa.

─ Você está bem?

─ Sim, por quê?

─ Eu fiquei te observando durante o jantar. Pareceu-me muito estranho, pois ficava olhando para aquele tal de Aruan. Tem alguma coisa a me dizer?

─ Olhei nos olhos daquele homem e não fui com a cara dele. O jeito como ele reparava na minha casa, com desdém. Também como ele olhava fixamente para o Ludo. Aquele homem não me deu boa impressão.

─ Concordo com você. Essa história daqueles dois de que conheceram Ludo pela internet foi muito mal explicada. E a cara do teu irmão quando viu o Aruan. Mas vamos esquecer isso. Vamos aproveitar a noite?

─ Falou a minha língua ─ disse Pierre tirando a roupa.

...

Na segunda de manhã, como combinado, Ludo saiu de casa para visitar o conde Viemont. Pegou um táxi e pediu para o motorista ir em direção ao palácio. Ele estava nervoso, claro pois foi ameaçado no dia anterior. De longe dava para ver o muro enorme da propriedade. Minutos depois, ele chega ao portão principal.

─ Valeu ─ disse dando o dinheiro ao motorista. Saiu do carro e ficou observando por alguns minutos. Era a segunda vez que estava naquele local, mas só agora conseguia vislumbrar a megalomania do lugar. Tudo ali era grande demais.

A voz de Yerai surgiu no interfone, Ludo se identificou. O grande portão abriu-se vagarosamente, bastante para o rapaz passar. Ele viu Yerai chegar num carrinho e pedir para que o mais jovem sentasse ao seu lado.

─ O patrão está no estábulo. Levarei-o para lá a fim de vê-lo cavalgar num belo sangue árabe.

─ Você sabe por que ele me quer ver tanto?

─ Sei. Mas não cabe a mim falar. O próprio conde fará isso quando chegar o momento certo.

O carrinho avançou para longe do palácio em direção ao campo. Dava para ver o estábulo. Quando chegaram na entrada, o mordomo pediu para que ele fosse sozinho enquanto aguardava do lado de fora. Ludwg saiu do carro e caminhou, entrando no lugar. Lá ele viu Aruan escovando os pelos de um cavalo preto.

─ Olha só que adiantado você foi. Ainda são oito e meia.

─ Decidi chegar mais cedo para acabar logo com isso. O que quer de mim?

─ Você está muito ansioso, pequeno Ludwig. Relaxe, sinta o cheiro da natureza e o vento frio passando pelo seu corpo.

─ Ora vamos, eu já estou aqui.

─ Para que toda essa pressa? Nós temos um longo dia pela frente. Porém você tem razão. Eu já terminei de escovar o meu garanhão ─ Viemont chamou um empregado para cuidar do resto. ─ Vamos até o Yerai para irmos de vez à minha casa.

Viemont sentou-se ao lado do mordomo e Ludwig logo atrás. O mordomo dirigiu o veículo até o palácio. Os três entraram na moradia. O conde chamou o seu convidado até o elevador para o seu andar. Ludo teve que segui-lo.

O Padre Arnold Damien rezava na capela da igreja quando um garoto chegou para dar um recado ao idoso. O garoto havia dito que uma pessoa estava esperando-o para se confessar, mandou o menino falar para a pessoa ir ao confessionário.

Dorothy Bulankov entrou na sala pela porta da frente e sentou-se no banquinho em frente a um tipo de janela de madeira com vários buraquinhos. Damien entrou por trás, pegou a bíblia numa estante e sentou-se do outro lado.

─ Diga-me o seu nome.

─ Dorothy Dallagno, padre.

─ Filha, o que te afliges?

─ Padre, eu tenho algumas coisas para falar ao senhor. Ontem o meu marido esteve aqui com o senhor. O que ele disse?

─ Não posso falar. Não foi nada de tão importante.

─ Ele veio para falar sobre o palácio Lures e Viemont, e o senhor desconversou.

─ Creio que você não teve a disposição de falar sobre os seus pecados. Não posso mais ficar aqui.

─ O senhor não sabe, mas nós somos caçadores de vampiros. Se descobrirmos que uma família de vírus está morando atrás daqueles muros, nós invadiremos e mataremos todos eles. Pode apostar nisso.

─ Quanta infâmia! Não ficarei aqui mais um minuto sequer!

─ Saiba que eu farei de tudo para acabar com todos os vampiros e a minha seita sabe bem disso. Se eu descobrir que o senhor está acobertando vampiros, ai de você.

Dorothy saiu do confessionário. Damien ficou perplexo com aquela conversa.

Lúcia desceu e foi fazer sua caminhada matinal. Achou estranho o sumiço dos dois filhos. Lorenzo estava se preparando para ir trabalhar quando a sogra perguntou sobre os filhos.

─ Eu não vi o Ludwig sair, ele já não estava mais aqui quando descemos. Já o Pierre...

─ O que houve?

─ Ele foi atrás do irmão. Ele acha que sabe aonde o Ludo foi. Só isso que eu sei.

Lúcia ficou muito preocupada.

Pierre parou o carro em frente ao grande portão do palácio de Viemont. Ele apenas observava do lado de dentro do carro. Saiu dele, antes havia enrolado um cachecol no seu pescoço. Atravessou a pista e foi até a outra calçada.

Viemont levou Ludo até a sua suíte. Como de praxe foi à adega pegar algum vinho para apreciar naquele momento. Ludwig sentiu que não estava seguro, mesmo tendo força física para derrubar aquele homem.

─ E agora, estou aqui. O que quer de mim?

─ Tique-taque, tique-taque. O seu relógio é apressado.

─ Bora, vamos logo. Eu não tenho o dia todo.

─ Quer vinho? ─ Ludo negou. ─ Vou tomar um pouco ─ Viemont colocou um pouco numa taça.

─ Dá para ser mais direto?

─ Claro. Caro Ludwig, eu quero você aqui porque preciso de você, preciso do seu corpo.

─ Xi, viadagem não é comigo. Se for pra começar a desmunhecar na minha frente eu prefiro cair fora.

─ Não é isso, tolo. Você sabe por que nós morremos?

─ Como assim?

─ Foi uma pergunta simples. Você sabe por que nós morremos?

─ Sei lá, acho que é a natureza do ser humano ou algum tipo de pecado. Não sou bem um cristão que vai à igreja, mas já ouvi falar do pecado de Adão e Eva.

─ A morte não é o único mistério por trás de tudo o que há neste mundo. Outros surgem com tanto ímpeto quanto este último. Exemplo, o que acontece após a morte? Será que existe vida alienígena em outros planetas? O que ou quem matou os 9 alpinistas russos em Dyatlov Pass? Existe realmente o monstro do Lago Ness? Existem incontáveis mistérios neste planeta mais do que nós imaginamos. Um deles tem muito a ver comigo e contigo ─ Aruan bebeu o resto do vinho. ─ Será que podemos viver eternamente?

─ Aonde quer chegar, cara?

─ Aonde quero chegar? Simples. Existe um mistério que nos envolve. Estamos mais conectados do que você possa imaginar. Farei uma pergunta: você acredita em vampiros?

─ Qualé? Quer mesmo que eu diga “sim”?

─ Não ─ Aruan foi até um espelho que estava coberto por lençol branco e retirou o tecido. ─ Venha cá. Fique em frente a este espelho, eu ficarei ao seu lado e mostrarei algo muito interessante.

Ludwig ficou se vendo no espelho. Estava só ele refletido no vidro. Ao olhar para o lado, viu Aruan. Entretanto, o homem não tinha reflexo nenhum. O jovem levou um susto e caiu pra trás com a cara de horror.

─ Você é um fantasma!

─ Não seja tão dramático. Os fantasmas não podem andar a cavalo, nem sair deste palácio. Eu sou um vampiro e preciso da sua ajuda. Dê-me a sua mão para eu te ajudar a levantar. Sente-se na poltrona.

Ludwig caminhou até o estofado e sentou. Viemont arrastou uma cadeira e ficou de frente para o outro rapaz.

─ Sou um vampiro. Eu me chamo Aruan Sean-Poirot dé Viemont III. Nasci em 3 de março de 1780 e até hoje eu nunca morri.

Ludwig ficou assustado.

─ Co-como consegue viver todo esse tempo?

─ Ah, fácil. Eu nunca morro. Uma maldição do passado fez com que as minhas células ficassem em constante rejuvenescimento. Porém, como era uma maldição, as coisas não podiam ser flores. O meu preço era beber a cada 10 anos o sangue de descendentes de um clã chamados de Homens Lobos ou Alcateia Lunar.

─ Homens Lobos?

─ Antigamente existiam 3 clãs na França: Homens Lobos, Fraternidade e Família Negra. Homens Lobos eram guerreiros que se opuseram à tirania da oligarquia da época; Família Negra são os vampiros cujo existiam no meio dos mais ricos e conseguiam viver mais de duzentos anos; Fraternidade é uma seita demoníaca que visa acabar tanto com os vampiros quanto com os homens lobos.

─ Lobisomem?

─ Isso é muito hollywoodiano. Homens lobos era grande em número de adeptos. Você é um descendente deles. Acho que a sua família escondeu isso de ti por todos esses anos.

─ Não é verdade...

─ Aos poucos você verá mudanças em seu corpo. Os lobos costumam se irritar fácil e consegue ter o aspecto híbrido entre homem e lobo se instigados. A minha maldição consiste em beber apenas sangue humano, nunca mais comi alimentos, contudo apenas os glóbulos vermelhos são o que me satisfaz. Porém, há um tipo de sangue que faz com que eu nunca envelheça.

Viemont se levantou e ficou atrás da poltrona.

─ O sangue de um homem lobo, o seu sangue.

─ O quê?

Ludwig se levantou de uma vez.

─ Calma, não precisa ficar assustado. Não pretendo te matar. Preciso apenas de um pouco do seu sangue e aí você estará livre.

─ Como sabe se eu vou doar ou não?

─ Você quer sair dessa o mais rápido possível. Sente-se na minha cama e retire a jaqueta. Tenho que pegar um objeto.

Ludwig foi até a cama, sentou-se, retirou a jaqueta e arregaçou a manga da camisa. Viemont abriu uma gaveta e retirou uma pequena adaga de ouro.

...

Dorothy e o marido conversavam no quarto alugado quando alguém batia na porta. O homem foi atender e um rapaz deixou um envelope com um bilhete para os dois. Sergey leu o conteúdo, mas não gostou nadinha.

─ O que tem na carta?

─ Aqui diz para sairmos daqui e o dinheiro do calção. O maldito padre resolveu nos expulsar de vez.

A mulher ficou inconformada.

─ Eu disse para você não ter ido lá. O velho era problema meu.

─ Aquele velho esconde alguma coisa daquele castelo. Ele sabe de algo, ouve minhas palavras. Deve haver muito tesouro naquelas paredes de pedra, senão qual seria outro motivo pra um enxame de ladrões pular o muro a cada ano? Tem coisa aí.

─ Hoje à noite vamos ver o que tem de especial naquele palácio.

...

Aruan ficou de cócoras ao lado de Ludo. Ele mostrou a adaga para o jovem. Ludo estava nervoso. O conde passou a mão sobre o seu rosto, a princípio foi negado pelo mais jovem, mas este cedeu que o mais velho continuasse com o carinho. Os olhos azuis do conde praticamente hipnotizaram o rapaz que agora estava mais relaxado. Parecia que estava mais tranquilo ao encarar o belo par de globos azuis. Quando Viemont tentou perfurar a pele do rapaz, uma campainha soou, tirando aquele momento de prazer.

─ Quem é?

─ Senhor, sou eu, Yerai.

─ Agora não, agora não.

─ Temos visitas.

─ Quem?

─ O padre Damien e um rapaz que se diz irmão do jovem. Um tal de Pierre.

─ Pierre? Ele tá aqui? Preciso ir embora ─ disse Ludo vestindo a jaqueta.

Depois de pouco tempo, Ludo e Viemont desceram.

─ Por que não disse pra mamãe que veio aqui?

─ Vem comigo.

─ Volte em breve. Mandarei uma mensagem. Ainda não terminamos.

Ludwig saiu com o seu irmão desconfiado.

Damien observou os dois indo embora.

─ Vejo que cheguei numa péssima hora.

─ Infelizmente sim, padre. O que quer?

─ Posso falar com você?

─ Ao meu escritório.

Os dois foram até o escritório. O sacerdote sentou-se na cadeira e Viemont do outro lado da mesa.

─ Pode contar para que veio?

─ Fraternidade. Dois membros dela estão aqui. Você está na lista deles.

Viemont olhou penetrante para o sacerdote.