BLOOD - 2ª Temporada - Lábios de Sangue
9 Concern Aruan
Notas iniciais
O padre Arnold Damien viu Belinda sentada atrás dele. O sacerdote, assim que finalizou a sua oração, foi até ela. A princípio nem acreditava que seria a própria, mas assim que chegou perto dela pode constatar que de fato era ela. Fechou o semblante para ela e falou de uma maneira ríspida.
─ Finalmente despertou dos mortos, não é? Condessa de Viemont.
─ Padre, continuas volúvel como antes? Ou mudou o seu modo hipócrita de ser?
Damien a encarou como se fosse uma inimiga. Ele a conhecia desde os tempos do século XIX. Foi ele quem realizou a celebração do casamento do conde no castelo. Foi uma festa com vários convidados da alta nobreza da França e de outros países vizinhos.
─ Conseguiu alguma ajuda para sair do seu selo. Lembro-me que com o selo anti-bruxa você jamais sairia daquele estado de sono eterno. Alguém retirou. Quem foi?
─ Isso não importa mais. Padre, não sou essa inimiga que você tanto vê. O Aruan fez algum tipo de persuasão no senhor, para que assim achaste em mim o mal. O próprio Viemont se vingou de mim pois eu o traía com o François.
─ Se não me engano você estava mancomunada com esse homem para armar uma emboscada para o senhor Viemont, assassiná-lo e assim tomar as suas posses.
─ Mentira! Eu fui vítima dele. Muita gente acreditou nas palavras daquele homem só porque é mais rico e influente. Eu fui inocente. Ele mandou matar François a sangue frio e, além de tudo isso, me condenou a uma vida eterna de escuridão. O senhor pode sair dessa escuridão de conhecimentos ou continuar nela. Continuar acreditando numa mentira. Com licença e boa sorte na restauração da igreja.
Belinda saiu dali entrando no carro dos Bulankov. Arnold sentou-se no banco e ficou a pensar no que ela disse. Seria mesmo possível que Aruan fosse essa farsa toda?
CONCERN ARUAN
Special Guest Star:
Mordomo Yerai
Aruan caminhou rapidamente até os fundos do palácio sendo seguido por Yerai e Ludo. O conde pegou o molho de chaves que estava com o seu mordomo e abriu a porta mais ao fundo que dava acesso ao calabouço. Abriu a porta, os três desceram as escadas e caminharam no corredor escuro. Yerai tateou a parede, retirou uma pedra e subiu o interruptor fazendo com as luzes incandescentes no teto acendessem. Ludwig logo viu cadáveres humanos ao longo do caminho.
─ Não fique com medo, jovem. O patrão é muito rico e solitário. Obviamente isso atrai cleptomaníacos dispostos a tudo quando invadem a propriedade. É claro que o tamanho do terreno não ajuda na hora da vigilância. São poucos os seguranças que trabalham aqui, além da matilha de cães que são soltos à noite, mesmo assim ainda há sujeitinhos que encontram brechas e conseguem invadir. Aí eles entram pelos fundos e vêm pelo calabouço onde viive uma criatura híbrida de humano e demônio que o meu senhor cuidou até hoje. Ele que cuidava de eliminar os mal-feitores.
─ Sinistro. Existe muita coisa que ainda não conheço a respeito do Viemont.
O conde caminhou e viu a cena grotesca. O híbrido morto, toda ensanguentado e sem a cabeça. Isso explicou tudo. Alguém com poderes veio e matou o seu bicho.
Aruan bateu com força na mesa. Ele estava suando frio. Pediu ao mordomo mais um cálice de sangue para poder se acalmar. Ludwig ficou sem entender o porquê daquele nervosismo todo. Aruan Viemont era o vampiro tradicional, aquele que não se abalava por nada nesse mundo. Pelo jeito havia uma exceção.
─ Não posso acreditar nisso.
─ Hei, cara. Você precisa de ajuda?
─ Acho que estou em sérios apuros. Deve ser alguém que me odeie muito para teer feito o que fez...
─ Tudo bem. Vou sair daqui.
─ Não, espera. Por favor fique. Só estou um pouco alterado por tudo o que aconteceu. Não é nada pessoal com você.
─ Tudo bem. Agora precisa me explicar o que está havendo. Quem fez aquilo?
─ Não posso dizer, pois não entenderia...
─ Tá vendo. Não confia em mim. Acho melhor ir embora daqui.
Aruan se levantou e segurou no braço de Ludo.
─ Fique. Estou passando por um momento muito adverso. Só você mesmo para me manter sereno ─ ele ficou acariciando a mão do outro. Este retirou imediatamente.
─ Não se aproveite de mim. Eu vou ficar aqui, mas nada de tirar casquinha, cara.
Aruan sorriu.
Horas depois, Aruan subiu ao seu quarto. Foi descansar depois de um dia cheio de adrenalinas e surpresas. Ludo foi o único que continuou sem entender muita coisa. Foi perguntar a Yerai o que de fato havia acontecido. O velho mordomo preferiu não dizer exatamente, mas disse que conhecia o seu patrão desde quando era criança.
─ Desde quando conhece ele?
─ Desde quando eu era criança. Sim, eu nasci depois do conde. Quando o conheci, foi pouco tempo antes de se casar com a condessa Belinda. Eu e lembro que tinha 7 ou 8 anos.
─ Uau! O senhor é mais novo que o Aruan! Mas como soube que ele era imortal?
─ Como disse, conheci o patrão desde que eu era criança. Meu pai trabalhava na guarda pessoal dele. Porém descobri seu segredo quando eu já era adulto. Ouvi ele falando com Dons portugueses e cavalheiros numa reunião. Eram todos vampiros. Ele me admitiu como mordomo quando eu tinha 20 anos e só me ofereceu o vírus quando já estava velho.
Ludwig gostou da história do velho mordomo. Mesmo assim ainda não havia a resposta que estava procurando. O que tinha assustado o conde? Qual o segredo dele que envolve a pessoa que matou aquele demônio de estimação? E quem saiu daquele mausoléu? São perguntas sem respostas.
...
Jane Rafaelli, que ainda estava tentando convencer Lorenzo de que Ludo não queria mais ver a família, reencontrou o ruivo no mesmo lugar de sempre.
─ Oi, boa tarde, Lorenzo.
─ Jane?
─ Lorenzo você ainda continua se encontrando com a irmã do Aruan Viemont.
─ Bom, eu almoço sozinho e ela me faz companhia.
─ Não sabia que o irmão do Ludo estaria aqui. Mas eu não vim por você hoje. A minha amiga está me esperando. Tchauzinho aos pombos.
Pierre esperou a mulher sair de perto deles.
─ Ainda se encontrando com ela?
─ Tá com ciúmes?
─ Se fosse outro homem sim. Sei muito bem que maçã partida ao meio não é a sua fruta. Eu me refiro a ultimamente você vir com aquela conversa de que o Ludo se esqueceu da gente. Aposto que foi essazinha quem disse, não foi?
─ Pepi, ela mora naquela mansão. Ela sabe o que se passa com o teu irmão. Talvez essa história de que ele nunca mais queira vê-los seja verdade. Afinal ele te odeia por ser gay e a sua mãe por ter guardado um segredo de família.
─ O Ludo é idiota, mas também pode ser manipulado. Não duvido nada que aquele conde esteja manipulando ele e a você usando a própria irmã. E vai saber se ela é irmã dele mesmo.
...
O casal Bulankov ficou de campana em frente à entrada do palácio de Lures esperando a saída do jovem Ludo. Foram uns dois dias observando se o garoto iria sair, porém eles ficaram chupando dedo.
Segunda-feira, dia 21 de março de 2016. Os dois voltaram a vigiar a entrada. Sergey já estava para desistir mais uma vez quando Dorothy falou sobre o táxi parando na frente da entrada.
─ O garoto chamou um táxi ─ disse ela. ─ Quer ver como ele vai sair agora?
Ludwig saiu e pegou o táxi.
─ Você é pé quente, amor. Agora vamos avisar à condessa.
...
Ludwig saiu do carro e tocou a campainha da casa do seu irmão. Pierre atendeu e viu o seu irmão à sua frente. O mais novo, acanhado, perguntou se poderia entrar; o mais velho assentiu.
─ Como está a mamãe?
─ Ela está bem. Depois que você decidiu ir embora de vez, ela pensou que tudo de ruim que aconteceu na nossa família foi por culpa dela. Amanhã mesmo vai embora.
─ Preciso falar com ela.
─ Se for pra insultá-la perdeu seu tempo. Mas vejo que você veio pra cá. Logo você que estava tão determinado naquele dia. Algo de muito estranho aconteceu.
─ Muita coisa aconteceu nesses últimos dias na casa do Aruan.
Pierre se aproximou do irmão e colocou a mão no seu ombro. Ludwig olhou pra ele e sorriu. Foi a primeira vez desde que seu pai morreu que o mais novo sorria para o mais velho. Pierre ficou contente com a humildade do seu irmão. Finalmente o mais novo estaria mudando o seu jeito de ser.
─ Semana passada enviaram a cabeça de uma pessoa embrulhada numa caixa de papelão. Depois o próprio mordomo me explicou que aquela cabeça pertencia a uma besta metade humana e demônio... e Foi isso.
─ Meu Deus. Irmão você deve deixar aquele lugar o quanto antes. Quer uma prova do que eu digo? A Jane, suposta irmã do Viemont, estava enchendo a cabeça de Lorenzo dizendo coisas horríveis a seu respeito.
─ Não posso acreditar nisso...
─ Não duvidaria nada se o conde estiver por trás disso.
Ludo ficou desconfiado. Já viu algumas vezes a Jane conversar sozinha no escritório do conde. Aruan sempre desconversava quando ele perguntava.
Após a conversa com o rimão, Ludo foi ver a mãe. Lúcia lia um livro. Estava deitada na cama. Viu o rapaz à sua frente. A mulher levou um susto, mas se recompôs. NNão queria ser um peso para o seu filho. Foi aí que Ludwig se aproximou dela e falou:
─ Mamãe, desculpa.
Os olhos de Lúcia se encheram de lágrimas. Finalmente ela tinha o filho de volta.
Pierre colocou o lixo para fora da casa quando um carro parou bem perto dele. Uma mulher saiu de dentro desse veículo. Era bem vestida e elegante. Ela ficou observando as casas.
─ Posso ajudá-la, senhorita?
─ Eu gostaria de conversar com Ludwig van Krauss, por favor.
─ Sou o irmão dele, pois não?
─ Que bom que estou conversado com um ente dele. Sou Belinda. Preciso conversar com o seu irmão, por gentileza.
Continua...
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