Notas iniciais
ANTEPENÚLTIMO CAPÍTULO Uauuuuu há quanto tempo não posto isto aqui? Tava em hiato. Mas ainda bem que vai até o 12. Desculpa pela demora e desculpa se não saiu muito bom. Foi o que deu pra hoje.

Ludwig saiu do carro e tocou a campainha da casa do seu irmão. Pierre atendeu e viu o seu irmão à sua frente. O mais novo, acanhado, perguntou se poderia entrar; o mais velho assentiu.

─ Como está a mamãe?

─ Ela está bem. Depois que você decidiu ir embora de vez, ela pensou que tudo de ruim que aconteceu na nossa família foi por culpa dela. Amanhã mesmo vai embora.

─ Preciso falar com ela.

─ Se for pra insultá-la perdeu seu tempo. Mas vejo que você veio pra cá. Logo você que estava tão determinado naquele dia. Algo de muito estranho aconteceu.

─ Muita coisa aconteceu nesses últimos dias na casa do Aruan.

Pierre se aproximou do irmão e colocou a mão no seu ombro. Ludwig olhou pra ele e sorriu. Foi a primeira vez desde que seu pai morreu que o mais novo sorria para o mais velho. Pierre ficou contente com a humildade do seu irmão. Finalmente o mais novo estaria mudando o seu jeito de ser.

─ Semana passada enviaram a cabeça de uma pessoa embrulhada numa caixa de papelão. Depois o próprio mordomo me explicou que aquela cabeça pertencia a uma besta metade humana e demônio... e Foi isso.

─ Meu Deus. Irmão você deve deixar aquele lugar o quanto antes. Quer uma prova do que eu digo? A Jane, suposta irmã do Viemont, estava enchendo a cabeça de Lorenzo dizendo coisas horríveis a seu respeito.

─ Não posso acreditar nisso...

─ Não duvidaria nada se o conde estiver por trás disso.

Ludo ficou desconfiado. Já viu algumas vezes a Jane conversar sozinha no escritório do conde. Aruan sempre desconversava quando ele perguntava.

Após a conversa com o rimão, Ludo foi ver a mãe. Lúcia lia um livro. Estava deitada na cama. Viu o rapaz à sua frente. A mulher levou um susto, mas se recompôs. NNão queria ser um peso para o seu filho. Foi aí que Ludwig se aproximou dela e falou:

─ Mamãe, desculpa.

Os olhos de Lúcia se encheram de lágrimas. Finalmente ela tinha o filho de volta.

Pierre colocou o lixo para fora da casa quando um carro parou bem perto dele. Uma mulher saiu de dentro desse veículo. Era bem vestida e elegante. Ela ficou observando as casas.

─ Posso ajudá-la, senhorita?

─ Eu gostaria de conversar com Ludwig van Krauss, por favor.

─ Sou o irmão dele, pois não?

─ Que bom que estou conversado com um ente dele. Sou Belinda. Preciso conversar com o seu irmão, por gentileza.

Pierre ficou vendo a mulher de baixo para cima. Por mais hétero que o seu irmão seja era impossível para ele ter algum relacionamento mais profundo com uma dama que, aparentemente, era da alta sociedade. O rapaz convidou-a para entrar em sua residência enquanto chamava o seu querido imãozinho. Belinda aceitou o convite e entrou na casa.

─ Não repara na casa... Aqui é uma residência de classe média, por isso que é pequena.

─ Eu não me importo com esses pormenores. Eu já estive em um lugar bem menor que a sua casa, acredite.

Lorenzo havia acabado de chegar quando viu a mulher. O rapaz arregalou os olhos ao vê-la.

─ Uma dama desse naipe na nossa casa, amor.

─ Visita para o Ludo.

─ Vocês dois praticam a sodomia?

─ Ahh... Na verdade eu me chamo Lorenzo. Sou o noivo do Pierre. Você não contou a ela?

─ Belinda, somos noivos. Somos homossexuais. Entende isso?

─ Então deveras praticam a sodomia... Mas me desculpem qualquer incômodo. Muita coisa ainda é nova para mim, e se puderem chamar o Ludwig eu ficaria eternamente agradecida.

Os dois suspiraram de encanto. Belinda era extremamente educada e refinada. Mesmo na sua ignorância, ela não faltava com a etiqueta.

Lorenzo preparou chá enquanto Pierre chamou Ludo. O rapaz negou conhecer alguém chamada Belinda. Foi até ela.

Belinda se levantou e cumprimentou o jovem. A moça, educadamente, pediu que todos, sobretudo Ludo, ouvissem-na. As quatro pessoas que viviam naquela casa estavam ouvindo a visitante.

─ Eu me chamo Belinda dé Vieomont, ex-esposa do Conde Aruan ─ Ludo ficou com o coração na mão. Já sabia que vinha bomba ─ Pode parecer confuso para todos, mas eu fui uma grande vítima daquele homem.

─ Como assim? ─ perguntou Pierre.

─ Aruan é um vampiro, e como tal já viveu dezenas e dezenas de anos. Mesmo assim, porém, não envelhece. Fui esposa dele nos anos 1800 e lhes asseguro o que eu digo: aquele homem é um demônio. Eu errei no passado, fui infiel, mas fui cruelmente punida sem a chance de me explicar. O conde me colocou um feitiço de sono eterno e me pôs num mausoléu para dormir para sempre.

Ludo se lembrou do mausoléu, de que ele estava berto e que Aruan estava estranho. Então tudo fazia sentido.

─ Você tem como explicar tudo isso com mais detalhes. Até agora estou tentando entender a sua situação, mas ainda me parece confuso.

Belinda respirou fundo e começou a contar sobre o seu passado junto com Aruan. À medida que contava aos ouvintes, a história se tornava mais interessante e fazia muito sentido. Isso despertou uma raiva do próprio Ludwig que começou a achar que era apenas um brinquedo nas mãos do conde. Foi tiro e queda. Assim que a mulher contou sua versão da história, Ludo saiu correndo de casa.

─ Aonde você vai? ─ disse Pierre indo atrás do irmão.

─ Preciso conversar pessoalmente com o Aruan. Quero ouvir da boca dele sobre tudo isso.

─ Ludo, você está de cabeça quente. Além disso, o palácio fica na periferia da cidade.

─ Eu pego um táxi. Não me impeça, Pierre! Isso é um assunto meu e do Aruan ─ Ludo foi embora.

Belinda também preferiu sair. Ela dizia que se sentia muito mal por ter falado tudo aquilo, e que deixou o Ludo daquele jeito. Lúcia pediu desculpas à moça e a acompanhou até o carro. O motorista: Sergey Bulankov.

─ Vamos embora. Este lixo de bairro cheira a plebeu. E também tem essa família simplória que acredita qualquer conversa para boi dormir. Tem também dois homens praticantes de sodomia, ou melhor, homossexualismo. Quanta nojeira numa família só.

─ Eu compreendo, madame.

─ Preciso dar um jeito naquele padre. Ele pode arruinar meus planos.

...

Enquanto isso, Aruan recebia Jane no seu gabinete. A súcubo recebeu a missão de seduzir o cunhado de Ludo, porém fracassou, e com o tempo ganhou a inconformidade do seu amigo.

─ Não devia fazer uma tempestade em copo d'água, amor. Eu fui nessa missão já sabendo que é impossível endireitar um pau que nasce torto ─ disse ela sentada numa poltrona e bebendo vinho.

─ Foi uma designação simples. Ludwig deve ficar comigo, não com a família. Ele não tem motivos para ficar com pessoas que não querem ver a sua felicidade. Eu posso dar as condições necessárias para ele se desenvolver.

─ Você está obcecado com o garoto porque ele foi o único que te despertou interesse. Você o quer mais do que um simples amigo, quer ele na cama.

─ Esse meu desejo é relevante, não? Não me importa as consequências, preciso que ele fique comigo. A sua ajuda é indispensável para afastar qualquer obstáculo do meu caminho.

A porta do gabinete abriu de repente. O mordomo não conseguiu impedir a entrada de Ludo que antes escutou a conversa dos dois. Somado a surpresa da conversa e a surpresa da revelação bombástica por parte de Belinda, o rapaz ficou com muita raiva.

Aruan foi cumprimentá-lo, mas recebeu um soco no rosto. O golpe foi repentino. Ninguém esperava aquilo.

─ Ludwig, por que fez isso? ─ perguntou um conde confuso.

─ Canalha! Ouvi o que os dois estavam tramando. Querem me separar da minha família da maneira mais baixa possível. E nem sei mais se essa Jane é realmente a sua irmã ou alguma contratada.

─ Deixe-me explicar. Não é o que você está pensando.

─ Estou pensando em como você um dia me castigaria. Colocaria a mim dentro daquele mausoléu como fez com Belinda Viemont?

─ Como soube desse nome?

─ Belinda foi na minha casa hoje cedo. Ela me contou a verdade, e ainda falou que você a puniu trancafiando-a por séculos naquele terrível lugar. Olha, se for pra me envolver com uma pessoa perigosa, não quero. Nunca mais me procure ou eu te mato.

─ Espera... Droga!

─ Desculpe-me, senhor. Ele já foi entrando.

─ Não foi culpa sua, Yerai. Maldita Belinda. Merecia a morte, mas fui muito benevolente.

Ludo saiu imediatamente do palácio, entrou no táxi e foi embora para casa. Aruan amargou um grande mal entendido que mudaria a sua história.

Depois de algum tempo, Aruan subiu para o seu quarto e não queria ser incomodado. No entanto, Yerai tomou a liberdade de entrar.

─ Uma taça com sangue e leite misturado. Seu favorito.

─ Não quero ─ disse coberto pelos lençóis.

─ Até parece um jovem adolescente. Mais velho do que eu. Mas posso dar-lhe um conselho? O senhor nunca envelheceu fisicamente, por isso agora eu sou o mais velho, não por idade, mas por carne e sangue. Eu queria ter sua juventude, todo mundo quer, por isso será um desperdício passar muitos anos à frente novamente com a solidão.

─ O que você quer dizer?

─ Senhor, chame Arnold. Ele sim é bem mais velho que nós dois juntos. Ele pode te aconselhar. Ficar isolado numa situação dessa não vai te deixar mais tranquilo, vai?

─ Não.

─ Pois então eu ligarei para o padre vir lhe visitar.

...

Sergey levou Belinda de volta. A mulher ficou otimista quanto a seu plano. Faltava muito pouco para se vingar do homem que destruiu sua ambição, mas nunca era tarde para prosseguir.

─ Como a senhora está se sentindo?

─ Maravilhosamente bem. O que eu fiz com aqueles plebeus, a informação que eu dei, foi como dar o resto de comida aos cachorros. Eles são os cães e a meia verdade que eu contei são as sobras do que realmente aconteceu.

─ E o que aconteceu?

─ Não é da sua conta, jovem. É melhor para você e sua amada não saberem dos pormenores. Sou uma bruxa muito perigosa.

Bulankov engoliu em seco. Belinda, de fato, era uma pessoa instável e ardilosa. Estava pronta para destruir até os próprios aliados.

O padre Arnold Damien fez uma visita relâmpago para o conde Aruan. O sacerdote era o único que podia aconselhá-lo nos momentos mais difíceis. Diferente de Yerai, Arnold era mais velho do que o conde até mesmo na idade.

─ Soube do que Belinda fez com aquela família e o que você fez ao contratar aquela súcubo.

─ Veio aqui para me chatear? Só queria protegê-lo e também aproveitar a sua companhia. Ainda acredito que ele não tem lugar naquela família.

─ Esse é o seu erro: o egoísmo. Por exemplo, por que não falou sobre Belinda e sobre o motivo pelo qual a trancou no mausoléu?

─ Essa história não tem nada a ver com Ludwig. Quanto mais afastado dessa história ele ficar, mais seguro ficará.

─ Não acho. O jovem Ludwig me parece ser uma pessoa forte e com um grande caráter. Com certeza ele entenderia e te perdoaria. Infelizmente a víbora contou de uma forma horrível e agora transformou você num algoz.

─ O que eu faço, padre?

─ Dispense Jane. Deixe comigo. Eu ajudarei você pelo menos uma última vez. Não permitirei que aquela bruxa da Belinda leve a melhor. E você espere quietinho até as coisas resolverem.

Lúcia consolava o filho. Enquanto isso, Pierre varria a frente da casa quando um menino que era coroinha da igreja chegou perto dele e entregou um envelope.

─ O que é isso?

─ Esse é um bilhete do padre Damien para o Ludwig van Krauss. Ele me disse que era muito importante.

─ Para o meu irmão? O que o padre quer agora?

─ Por favor não abra agora. Desculpa, mas o padre pediu que se algo acontecer com ele, que poderia ler o conteúdo da carta.

─ Algo como?

─ Não sei. Ele apenas me pediu para falar isso ─ o menino saiu com sua bicicleta.

Pierre ficou com o bilhete.

...

Igreja, horas depois...

O padre ainda estava rezando na capela quando apareceu Belinda Viemont. O sacerdote não se importou nem com a presença dela nem com o fato da igreja ainda estar queimada.

─ Veio mais uma vez. Não se cansa de causar o mal?

─ Padre, essa é a minha sina. Não tem como escapar disso. O destino de Aruan já está escrito.

─ Aruan quer ser um homem livre, e Ludwig é o único que pode ajudá-lo.

─ Não. Eles agora se odeiam e eu terei o meu triunfo.

Damien tentou sair da capela quando sentiu suas costas serem apunhaladas por uma faca. Belinda havia enfiado uma faca por trás do homem. O religioso foi perdendo a consciência até finalmente morrer.

─ Eu sempre ganho, padre. Eu sempre ganho, meu tio.

Belinda saiu da igreja sem ser vista.

Jane Rafaelli se despediu de Aruan e foi embora. Yerai acompanhou a moça até o carro. Depois disso, ela saiu do palácio.

O carro em que Jane estava, ia. O carro em que Belinda estava, vinha. O casal Bulankov parou o veículo bem na frente do portão principal. Os três saíram e ficaram do lado de fora por um tempo.

─ Chegou o momento que esperei por séculos. Agora nada poderá me deter mais ─ Belinda sorria com grande satisfação. Nada, aparentemente, lhe causaria empecilho para finalizar seu plano.

Continua.