BLOOD - 2ª Temporada - Lábios de Sangue
10 Mensonge
Notas iniciais
Ludwig saiu do carro e tocou a campainha da casa do seu irmão. Pierre atendeu e viu o seu irmão à sua frente. O mais novo, acanhado, perguntou se poderia entrar; o mais velho assentiu.
─ Como está a mamãe?
─ Ela está bem. Depois que você decidiu ir embora de vez, ela pensou que tudo de ruim que aconteceu na nossa família foi por culpa dela. Amanhã mesmo vai embora.
─ Preciso falar com ela.
─ Se for pra insultá-la perdeu seu tempo. Mas vejo que você veio pra cá. Logo você que estava tão determinado naquele dia. Algo de muito estranho aconteceu.
─ Muita coisa aconteceu nesses últimos dias na casa do Aruan.
Pierre se aproximou do irmão e colocou a mão no seu ombro. Ludwig olhou pra ele e sorriu. Foi a primeira vez desde que seu pai morreu que o mais novo sorria para o mais velho. Pierre ficou contente com a humildade do seu irmão. Finalmente o mais novo estaria mudando o seu jeito de ser.
─ Semana passada enviaram a cabeça de uma pessoa embrulhada numa caixa de papelão. Depois o próprio mordomo me explicou que aquela cabeça pertencia a uma besta metade humana e demônio... e Foi isso.
─ Meu Deus. Irmão você deve deixar aquele lugar o quanto antes. Quer uma prova do que eu digo? A Jane, suposta irmã do Viemont, estava enchendo a cabeça de Lorenzo dizendo coisas horríveis a seu respeito.
─ Não posso acreditar nisso...
─ Não duvidaria nada se o conde estiver por trás disso.
Ludo ficou desconfiado. Já viu algumas vezes a Jane conversar sozinha no escritório do conde. Aruan sempre desconversava quando ele perguntava.
Após a conversa com o rimão, Ludo foi ver a mãe. Lúcia lia um livro. Estava deitada na cama. Viu o rapaz à sua frente. A mulher levou um susto, mas se recompôs. NNão queria ser um peso para o seu filho. Foi aí que Ludwig se aproximou dela e falou:
─ Mamãe, desculpa.
Os olhos de Lúcia se encheram de lágrimas. Finalmente ela tinha o filho de volta.
Pierre colocou o lixo para fora da casa quando um carro parou bem perto dele. Uma mulher saiu de dentro desse veículo. Era bem vestida e elegante. Ela ficou observando as casas.
─ Posso ajudá-la, senhorita?
─ Eu gostaria de conversar com Ludwig van Krauss, por favor.
─ Sou o irmão dele, pois não?
─ Que bom que estou conversado com um ente dele. Sou Belinda. Preciso conversar com o seu irmão, por gentileza.
Pierre ficou vendo a mulher de baixo para cima. Por mais hétero que o seu irmão seja era impossível para ele ter algum relacionamento mais profundo com uma dama que, aparentemente, era da alta sociedade. O rapaz convidou-a para entrar em sua residência enquanto chamava o seu querido imãozinho. Belinda aceitou o convite e entrou na casa.
─ Não repara na casa... Aqui é uma residência de classe média, por isso que é pequena.
─ Eu não me importo com esses pormenores. Eu já estive em um lugar bem menor que a sua casa, acredite.
Lorenzo havia acabado de chegar quando viu a mulher. O rapaz arregalou os olhos ao vê-la.
─ Uma dama desse naipe na nossa casa, amor.
─ Visita para o Ludo.
─ Vocês dois praticam a sodomia?
─ Ahh... Na verdade eu me chamo Lorenzo. Sou o noivo do Pierre. Você não contou a ela?
─ Belinda, somos noivos. Somos homossexuais. Entende isso?
─ Então deveras praticam a sodomia... Mas me desculpem qualquer incômodo. Muita coisa ainda é nova para mim, e se puderem chamar o Ludwig eu ficaria eternamente agradecida.
Os dois suspiraram de encanto. Belinda era extremamente educada e refinada. Mesmo na sua ignorância, ela não faltava com a etiqueta.
Lorenzo preparou chá enquanto Pierre chamou Ludo. O rapaz negou conhecer alguém chamada Belinda. Foi até ela.
Belinda se levantou e cumprimentou o jovem. A moça, educadamente, pediu que todos, sobretudo Ludo, ouvissem-na. As quatro pessoas que viviam naquela casa estavam ouvindo a visitante.
─ Eu me chamo Belinda dé Vieomont, ex-esposa do Conde Aruan ─ Ludo ficou com o coração na mão. Já sabia que vinha bomba ─ Pode parecer confuso para todos, mas eu fui uma grande vítima daquele homem.
─ Como assim? ─ perguntou Pierre.
─ Aruan é um vampiro, e como tal já viveu dezenas e dezenas de anos. Mesmo assim, porém, não envelhece. Fui esposa dele nos anos 1800 e lhes asseguro o que eu digo: aquele homem é um demônio. Eu errei no passado, fui infiel, mas fui cruelmente punida sem a chance de me explicar. O conde me colocou um feitiço de sono eterno e me pôs num mausoléu para dormir para sempre.
Ludo se lembrou do mausoléu, de que ele estava berto e que Aruan estava estranho. Então tudo fazia sentido.
─ Você tem como explicar tudo isso com mais detalhes. Até agora estou tentando entender a sua situação, mas ainda me parece confuso.
Belinda respirou fundo e começou a contar sobre o seu passado junto com Aruan. À medida que contava aos ouvintes, a história se tornava mais interessante e fazia muito sentido. Isso despertou uma raiva do próprio Ludwig que começou a achar que era apenas um brinquedo nas mãos do conde. Foi tiro e queda. Assim que a mulher contou sua versão da história, Ludo saiu correndo de casa.
─ Aonde você vai? ─ disse Pierre indo atrás do irmão.
─ Preciso conversar pessoalmente com o Aruan. Quero ouvir da boca dele sobre tudo isso.
─ Ludo, você está de cabeça quente. Além disso, o palácio fica na periferia da cidade.
─ Eu pego um táxi. Não me impeça, Pierre! Isso é um assunto meu e do Aruan ─ Ludo foi embora.
Belinda também preferiu sair. Ela dizia que se sentia muito mal por ter falado tudo aquilo, e que deixou o Ludo daquele jeito. Lúcia pediu desculpas à moça e a acompanhou até o carro. O motorista: Sergey Bulankov.
─ Vamos embora. Este lixo de bairro cheira a plebeu. E também tem essa família simplória que acredita qualquer conversa para boi dormir. Tem também dois homens praticantes de sodomia, ou melhor, homossexualismo. Quanta nojeira numa família só.
─ Eu compreendo, madame.
─ Preciso dar um jeito naquele padre. Ele pode arruinar meus planos.
...
Enquanto isso, Aruan recebia Jane no seu gabinete. A súcubo recebeu a missão de seduzir o cunhado de Ludo, porém fracassou, e com o tempo ganhou a inconformidade do seu amigo.
─ Não devia fazer uma tempestade em copo d'água, amor. Eu fui nessa missão já sabendo que é impossível endireitar um pau que nasce torto ─ disse ela sentada numa poltrona e bebendo vinho.
─ Foi uma designação simples. Ludwig deve ficar comigo, não com a família. Ele não tem motivos para ficar com pessoas que não querem ver a sua felicidade. Eu posso dar as condições necessárias para ele se desenvolver.
─ Você está obcecado com o garoto porque ele foi o único que te despertou interesse. Você o quer mais do que um simples amigo, quer ele na cama.
─ Esse meu desejo é relevante, não? Não me importa as consequências, preciso que ele fique comigo. A sua ajuda é indispensável para afastar qualquer obstáculo do meu caminho.
A porta do gabinete abriu de repente. O mordomo não conseguiu impedir a entrada de Ludo que antes escutou a conversa dos dois. Somado a surpresa da conversa e a surpresa da revelação bombástica por parte de Belinda, o rapaz ficou com muita raiva.
Aruan foi cumprimentá-lo, mas recebeu um soco no rosto. O golpe foi repentino. Ninguém esperava aquilo.
─ Ludwig, por que fez isso? ─ perguntou um conde confuso.
─ Canalha! Ouvi o que os dois estavam tramando. Querem me separar da minha família da maneira mais baixa possível. E nem sei mais se essa Jane é realmente a sua irmã ou alguma contratada.
─ Deixe-me explicar. Não é o que você está pensando.
─ Estou pensando em como você um dia me castigaria. Colocaria a mim dentro daquele mausoléu como fez com Belinda Viemont?
─ Como soube desse nome?
─ Belinda foi na minha casa hoje cedo. Ela me contou a verdade, e ainda falou que você a puniu trancafiando-a por séculos naquele terrível lugar. Olha, se for pra me envolver com uma pessoa perigosa, não quero. Nunca mais me procure ou eu te mato.
─ Espera... Droga!
─ Desculpe-me, senhor. Ele já foi entrando.
─ Não foi culpa sua, Yerai. Maldita Belinda. Merecia a morte, mas fui muito benevolente.
Ludo saiu imediatamente do palácio, entrou no táxi e foi embora para casa. Aruan amargou um grande mal entendido que mudaria a sua história.
Depois de algum tempo, Aruan subiu para o seu quarto e não queria ser incomodado. No entanto, Yerai tomou a liberdade de entrar.
─ Uma taça com sangue e leite misturado. Seu favorito.
─ Não quero ─ disse coberto pelos lençóis.
─ Até parece um jovem adolescente. Mais velho do que eu. Mas posso dar-lhe um conselho? O senhor nunca envelheceu fisicamente, por isso agora eu sou o mais velho, não por idade, mas por carne e sangue. Eu queria ter sua juventude, todo mundo quer, por isso será um desperdício passar muitos anos à frente novamente com a solidão.
─ O que você quer dizer?
─ Senhor, chame Arnold. Ele sim é bem mais velho que nós dois juntos. Ele pode te aconselhar. Ficar isolado numa situação dessa não vai te deixar mais tranquilo, vai?
─ Não.
─ Pois então eu ligarei para o padre vir lhe visitar.
...
Sergey levou Belinda de volta. A mulher ficou otimista quanto a seu plano. Faltava muito pouco para se vingar do homem que destruiu sua ambição, mas nunca era tarde para prosseguir.
─ Como a senhora está se sentindo?
─ Maravilhosamente bem. O que eu fiz com aqueles plebeus, a informação que eu dei, foi como dar o resto de comida aos cachorros. Eles são os cães e a meia verdade que eu contei são as sobras do que realmente aconteceu.
─ E o que aconteceu?
─ Não é da sua conta, jovem. É melhor para você e sua amada não saberem dos pormenores. Sou uma bruxa muito perigosa.
Bulankov engoliu em seco. Belinda, de fato, era uma pessoa instável e ardilosa. Estava pronta para destruir até os próprios aliados.
O padre Arnold Damien fez uma visita relâmpago para o conde Aruan. O sacerdote era o único que podia aconselhá-lo nos momentos mais difíceis. Diferente de Yerai, Arnold era mais velho do que o conde até mesmo na idade.
─ Soube do que Belinda fez com aquela família e o que você fez ao contratar aquela súcubo.
─ Veio aqui para me chatear? Só queria protegê-lo e também aproveitar a sua companhia. Ainda acredito que ele não tem lugar naquela família.
─ Esse é o seu erro: o egoísmo. Por exemplo, por que não falou sobre Belinda e sobre o motivo pelo qual a trancou no mausoléu?
─ Essa história não tem nada a ver com Ludwig. Quanto mais afastado dessa história ele ficar, mais seguro ficará.
─ Não acho. O jovem Ludwig me parece ser uma pessoa forte e com um grande caráter. Com certeza ele entenderia e te perdoaria. Infelizmente a víbora contou de uma forma horrível e agora transformou você num algoz.
─ O que eu faço, padre?
─ Dispense Jane. Deixe comigo. Eu ajudarei você pelo menos uma última vez. Não permitirei que aquela bruxa da Belinda leve a melhor. E você espere quietinho até as coisas resolverem.
Lúcia consolava o filho. Enquanto isso, Pierre varria a frente da casa quando um menino que era coroinha da igreja chegou perto dele e entregou um envelope.
─ O que é isso?
─ Esse é um bilhete do padre Damien para o Ludwig van Krauss. Ele me disse que era muito importante.
─ Para o meu irmão? O que o padre quer agora?
─ Por favor não abra agora. Desculpa, mas o padre pediu que se algo acontecer com ele, que poderia ler o conteúdo da carta.
─ Algo como?
─ Não sei. Ele apenas me pediu para falar isso ─ o menino saiu com sua bicicleta.
Pierre ficou com o bilhete.
...
Igreja, horas depois...
O padre ainda estava rezando na capela quando apareceu Belinda Viemont. O sacerdote não se importou nem com a presença dela nem com o fato da igreja ainda estar queimada.
─ Veio mais uma vez. Não se cansa de causar o mal?
─ Padre, essa é a minha sina. Não tem como escapar disso. O destino de Aruan já está escrito.
─ Aruan quer ser um homem livre, e Ludwig é o único que pode ajudá-lo.
─ Não. Eles agora se odeiam e eu terei o meu triunfo.
Damien tentou sair da capela quando sentiu suas costas serem apunhaladas por uma faca. Belinda havia enfiado uma faca por trás do homem. O religioso foi perdendo a consciência até finalmente morrer.
─ Eu sempre ganho, padre. Eu sempre ganho, meu tio.
Belinda saiu da igreja sem ser vista.
Jane Rafaelli se despediu de Aruan e foi embora. Yerai acompanhou a moça até o carro. Depois disso, ela saiu do palácio.
O carro em que Jane estava, ia. O carro em que Belinda estava, vinha. O casal Bulankov parou o veículo bem na frente do portão principal. Os três saíram e ficaram do lado de fora por um tempo.
─ Chegou o momento que esperei por séculos. Agora nada poderá me deter mais ─ Belinda sorria com grande satisfação. Nada, aparentemente, lhe causaria empecilho para finalizar seu plano.
Continua.
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