BLOOD - 2ª Temporada - Lábios de Sangue
8 Belinda
França, 1805
A cidade de Pierrot ainda era um povoado com poucos habitantes. Não passava de 2000 pessoas. Mesmo assim ainda era conhecida por causa do palácio Lures e Viemont. Naquele lugar, com as paredes de pedras vulcânicas, moravam o casal Aruan e Belinda. Recém casados. A condessa era filha de um rico fazendeiro local.
A mulher se levantou da cama ainda com o marido nela. Estava sob uma longa camisola de seda. Abriu a cortina deixando a luz do sol entrar naquele ambiente antes abafado e escuro. Em seguida, chamou as empregadas para vestirem-na com seu espartilho e vestido casual rosa. Desceu as escadas e foi até a carruagem que havia pedido no dia anterior.
─ Você é a mulher do patrãozinho? ─ perguntou um menino de pelo menos oito anos.
─ Sai daí, menino atrevido ─ disse ela. Depois entrou na carruagem e foi embora.
Andando por uma estrada de pedras, a carruagem finalmente chegou numa vila distante do centro de Pierrot. Haviam poucas casas e uma floresta ao redor. Os cavalos pararam em frente a um chalé. O guia desceu da Barouche e abriu a porta para dar passagem à condessa. Ela entrou no chalé, mas antes pediu que o guia não esperasse e que fosse buscá-la mais tarde como combinado.
Pouco tempo depois, ela estava nos braços de seu amante. Um rapaz moreno claro. Os dois se beijavam incessantemente enquanto transavam. Nus, pelados, despidos...
Logo a porta do chalé foi arrombada e homens entraram de uma vez. Logo depois o próprio conde Viemont entrou. Separaram o casal de amantes. Viemont levou sua condessa de volta e mandou matar o amante. Este foi fuzilado e e enterrado como indigente numa cova perto do cemitério da região.
Viemont levou sua condessa para o palácio e lançou uma maldição direto nela para que ficasse em coma para sempre. Para isso ele leu um livro de bruxaria e selou-a num caixão de um mausoléu ao lado do palácio. Foi ali que a condessa ficou até então.
BELINDA
Special Guest Star:
Mordomo Yerai
A mulher abriu os olhos assim que o caixão foi aberto. Ficou sentada ainda como se fosse uma morta-viva. O casal Bulankov ficou apreensivo com aquilo. Principalmeente quando ela olhou para eles. A donzela, em seu estado deploravelmente anêmico, saiu do caixão de pedra com o velho vestido branco e caminhou para fora do mausoléu. Estava descalça e descabelada. Logo percebeu as luzes do palácio, mas não entendia o porquê daqueles refletores, em sua época a luz era de candelabros e lampiões.
Logo em seguida caminhou na direção da entrada em que tinha a besta. Dorothy tentou avisá-la mas Sergey pediu que não se intrometesse.
─ É melhor nós sairmos daqui antes que sobre pra gente. Vamos Dorothy!
Os dois foram embora e deixaram a mulher vagando sozinha na área externa. Ela entrou na mesma porta que o casal havia fugido há pouco. Passaram-se poucos minutos e ela retornava segurando algo do tamanho de uma bola de futebol. Caminhou até o muro que dava acesso à parte de fora e deu um salto bem alto. Ficou vagando pela pista quando um carro parou na frente dela.
─ Sai daí, maluca! ─ disse o homem.
Ela caminhou até ele e pediu ajuda. O rapaz estava amedrontado ao vê-la naquele estado deplorável e saiu para ajudá-la.
─ Você está bem?
─ Sim. Pode me levar ao cemitério desta região? ─ disse ela tocando nele. O homem assentiu sem questionar. A mulher pegou o objeto que havia colocado no acostamente e o colocou no banco traseiro do veículo.
Cemitério de Pierrot
O carro parou ao lado do terreno em que ficava o cemitério. O lugar estava na periferia da cidade. Ela saiu do carro e andou pelo terreno até parar perto de uma árvore. Havia uma pequena cruz de madeira com o nome do seu amado. Ela quis chorar, mas como o seu corpo não tinha água ela não produziu lágrimas. Prometeu se vingar.
...
Viemont acordou assustado. Como se tivesse um pesadelo muito horrendo. Nunca havia acontecido isso antes. Acordou até Ludwig que dormia na mesma cama, mas um pouco separado.
─ O que houve?
─ Eu tive um pesadelo...
─ Quer que eu chame o Yerai? ─ ele assentiu. ─ Okay.
Ludwig se levantou e foi ao telefone chamar o mordomo. Em poucos minutos Yerai vinha trazendo uma bandeja na mão com um cálice de bronze no meio dela. O anfitrião pegou-a e bebeu o que tinha dentro. Seus lábios logo ficaram vermelhos, o que deu a ideia de que ali era sangue. Ludo se arrepiou ao ver aquilo.
─ O senhor nunca teve essas reações antes. Sempre foi uma pessoa concentrada, uniforme e sem temores. Que raios aconteceu para que agora isso acontecesse?
─ E você acha que eu sei, homem? Sei lá, estava sonhando quando de repente surgiu alguém sem rosto na minha cama tentando me estrangular.
Yerai olhou para Ludo.
─ Hey, não olhe assim pra mim. Eu jamais faria isso!
─ Deixa ele, Yerai. Ludwig dormia comigo. Esqueceu que eu sinto cheiro de humano quando estão acordados ou dormindo? Aconteceu algo muito grave.
...
O casal Bulankov voltou para a casa depois que ambos despertaram uma morta-viva da tumba. O homem não acreditou que havia feito aquilo e pediu imediatamente que a sua esposa arrumasse as coisas pois partiriam naquela mesma noite para fora da cidade.
Um carro parou em frente à vila que estavam hospedados os dois assassinos. A mulher saiu dele e caminhou até encontrar o quarto. Ela tinha um senso apurado de encontrar pessoas. Tocou a campainha. Assim que Dorothy abriu, pulou pra trás. Sergey ficou petrificado ao ver a mulher ali na sua frente. Era impossível tê-los achado assim tão facilmente.
─ Quem é você? O que quer conosco?
─ Meu nome verdadeiro é Belinda Marie Copolla dé Viemont. Antiga esposa do Conde Viemont de Pierrot. Eu vim aqui pois preciso de ajuda ─ disse numa voz rouca.
─ Vá procurar ajuda com outras pessoas ─ respondeu Sergey.
Belinda agarrou o pescoço de Dorothy e a ergueu com facilidade. Sergey pegou a sua pistola e pediu para afastar-se da esposa. A mulher recém acordada se negou e o caçador deu um tiro. Com uma rapidez extrema, a condessa segurou a bala e ainda amassou. O homem ficou com o queixo praticamente caído. Nenhum humano faria aquilo.
─ O que é você? ─ perguntou ele.
─ Sou uma bruxa.
Sergey agora entendeu tudo. Pediu para afastar a mão do pescoço da esposa e assim fez. Belinda pediu para os dois se sentarem pois contaria uma história.
─ Primeiro, em que anos estamos?
─ Século XXI. Ano de 2016 ─ respondia o homem.
─ De que mês?
─ Março.
─ O que é isso na vossa mesa ao lado da cama?
─ Ah, um calendário para sabermos os dias.
─ Deixe-me ver. Lua cheia será dia 23. Uma quarta-feira. Esta lua cheia não será a lua da Páscoa? Aquela em que os cristãos comemoram a morte de Cristo ou algo assim?
─ Exatamente.
Belinda observou atentamente aquela data. Ela olhava para o calendário com uma grande atenção. Dia 23 de março, o dia em que ela agiria.
...
Aruan deu apenas um cochilo curto e quando percebeu já estava amanhecendo. Mexeu-se na cama, porém não sentiu a presença do companheiro. Ludwig já não estava mais ali. Saíra bastante cedo. Resolveu descer também mais cedo.
Ludwig mexia no celular enquanto estava sentado no degrau da entrada do palácio. Era muito gostoso aquele clima frio com o cheiro do campo.
O conde chamou Yerai imediatamente. O mordomo, que era o primeiro a acordar cedo, já estava trabalhando.
─ Aquela sensação ontem foi uma intuição de uma coisa nada boa.
─ O senhor quer dizer que...
─ Vamos ao mausoléu.
Os dois estavam se preparando para sair quando se encontraram com Ludo na saída. Como o rapaz estava ali mesmo, resolveu acompanhá-los. Ele estava curioso com o que havia dentro do famigerado mausoléu ao lado. Portanto o trio foi até o local quando se surpreenderam que o mesmo estava aberto.
─ Eu disse ao senhor que essa falta de segurança ainda iria lhe dar dor de cabeça.
─ O que aconteceu? ─ perguntou Ludo.
─ Provavelmente algum gatuno que conseguiu fugir tentou roubar algo ─ respondeu Aruan.
Eles entraram no mausoléu quando viram o caixão de pedra aberto. Viemont logo ficou assustado, amedrontado além de frustrado. Alguma coisa realmente grave aconteceu na noite anterior. Alguém entrou na propriedade, arrombou o mausoléu e retirou o corpo da tumba. Ludwig, apesar de estar convivendo há pouco tempo com ele, achou-o alterado demais.
─ O que está havendo aqui? ─ perguntou o hóspede. Yerai pediu para ele ficar quieto a fim de não importunar seu patrão.
─ Alguém entrou aqui e retirou o corpo da tumba. Só pode ─ disse o conde inconformado.
─ De que corpo ele está falando?
─ Ludwig, ele fala do corpo de um ente querido que estava sepultado aqui. Apenas isso ─ respondeu Yerai.
Aruan saiu da sua zona de conforto, parecia que ele havia perdido toda a paciência e serenidade pela primeira vez. O homem começou a ficar alterado e todos ali perceberam isso. Claro que Yerai sabia do motivo da alteração do conde.
...
O casal Bulankov, depois de escutar a condessa Belinda, resolveu ajudá-la prontamente com seus planos de tirar o conde do poder. Para isso eles ensinaram à dama sobre a revolução tecnológica para que ela se adaptasse ao mundo contemporâneo. Levaram-na para uma loja de roupas femininas da cidade. Claro que a condessa estranhou todas as peças por causa dos decotes, e as calças então?
─ Olha essa calça Jeans. Ficará um arraso em você ─ falou a vendedora.
─ Preciso de um vestido recatado.
─ Ah mas eu tenho uma ótima peça ─ ela mostrou um vestido preto, básico, mas muito elegante. Parecido muito com o que a Audrey Hepburn usou em Bonequinha de Luxo. A condessa logo gostou da peça.
─ Acho que ela gostou dela ─ disse Dorothy. A mulher de Sergey pagou a roupa e saiu.
As duas entraram no carro em que o homem estava.
─ O que faremos agora? Vamos ao palácio?
─ Quando eu ainda estava lá, senti que mais alguém também morava ali. O palácio é a residência do meu ex-marido. Um vampiro. Toda a família dele está morta e os empregados provavelmente são fantasmas desencarnados e presos no palácio. Mas havia uma pessoa diferente lá. Preciso que nos próximos dias vocês fiquem vigiando a entrada do palácio pois essa pessoa poderá sair a qualquer momento. Mandaram o presente?
─ Sim. Ele vai se surpreender muito ─ disse Sergey.
─ Deixe-me na igreja do padre Damien. Um velho conhecido meu.
O padre Damien foi o único a entrar na igreja naquela manhã. Como sempre costumava fazer, ele rezava o terço na capela antes das sete da manhã. E no resto do dia preparava o local para a missa. Como ela foi parcialmente queimada, o homem decidiu rezar no altar mesmo.
Enquanto o idoso orava vendo a imagem de Jesus na cruz, uma pessoa chegou por trás. Caminhou alguns passos até se sentar no banco. Imediatamente veio um sopro em seu corpo que o fez ter calafrios. Este se levantou, já sabendo de quem se tratava e foi até ela.
─ Finalmente despertou dos mortos, não é? Condessa de Viemont.
─ Padre, continuas volúvel como antes? Ou mudou o seu modo hipócrita de ser?
Damien a encarou como se fosse uma inimiga.
...
Viemont ficou quieto o resto do dia enfiado no escritório e bebendo muito sangue com licor. Yerai pediu ao patrão para parar de exageros ou ele poderia morrer ali mesmo, contudo os conselhos do mordomo não foram suficientes. Até que Ludwig retira o cálice da mão do outro de uma maneira nada gentil.
─ Como se atreveu?
─ Vou me atrever sempre que puder. Não foi você mesmo quem quis que eu ficasse? Uma coisa que eu odeio é esse ócio, cara. Ninguém me diz nada. Vocês estão me escondendo algo muito importante, apesar de eu ter percebido.
Yerai foi até a porta depois da campainha tocar. Era o viigia que ali trabalhava. O mordomo pegou uma caixa que havia sido deixada no portão. Levou para o seu patrão. Viemont não entendeu nada, mas abriu o objeto. Veio a surpresa: uma cabeça.
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