BLOOD - 1ª Temporada - Bullying
5 A Segunda Vítima
Notas iniciais
Na mesma noite em que Léo foi capturado, o detetive Lambert ficou trabalhando na delegacia sobre o caso da morte de João. O homem recebeu um dossiê sobre o crime em que o morto estava envolvido. Havia estuprado uma mulher negra por motivos racistas. Ligou isso com o fato de haver um sobrevivente que possivelmente poderia ter matado por vingança. Ele pegou o número da promotora de Sobral.
― Alô, aqui é o tenente-detetive Jonas Lambert da polícia civil da região metropolitana de Fortaleza. Trabalho na homicídios. Estou numa investigação sobre a morte de um detento chamado João Hélio Costa. É pra hoje ainda, o assunto é de extrema urgência. Poderia me dar o número do escritório da promotora Marta?... Certo. Obrigado.
― Aqui é a promotora pública de Sobral Marta Brandão. Falo com o detetive Lambert?
― Promotora, a senhora vai me desculpar, mas preciso de uma resposta sobre uma investigação que ocorreu há cinco anos aqui em Fortaleza.
― Diga.
― Um dos neonazistas que mataram a negra chamada Maria das Dores Silva Souza apareceu morto hoje no horário do almoço na penitenciária de Itaitinga. Temo que a única vítima sobrevivente tenha feito isso.
― Como chegou a essa conclusão?
― Bom, o rapaz assistiu ao massacre que vitimou a sua mãe e irmão. Ele pode ter voltado para se vingar. É uma possibilidade.
― Impossível. O rapaz, cujo nome é Fábio, não poderia ter feito isso. Ele tem um emprego estável aqui, estuda numa faculdade daqui e tem uma nova família. Pensei nessa possibilidade quando fui visitar a sua tia, há seis meses. Os vizinhos sempre dizem que ele é uma pessoa maravilhosa. Não há nenhuma conduta que possamos nos queixar.
― Sim, mas pode haver alguma possibilidade dele ter vindo nesse meio tempo. Acontece. Por acaso a senhora sabe como ele está até ontem?
― Por favor, policial. Fábio foi uma vítima. Não tenho o porquê de vigiá-lo como se fosse um prisioneiro em regime semi-aberto. Se for dentro da legalidade, ele pode fazer qualquer coisa e ir para onde quiser. Mesmo assim, agradeço a sua preocupação com o caso. Eu entrarei em contato caso surja uma novidade. Obrigada, boa noite.
― Boa noite.
A promotora colocou o telefone de volta à sua mesa antes de sair do fórum. Ela ligou o celular e fez uma ligação.
― Alô, mãe. O Fábio chegou de viagem?... Ele disse que voltaria em breve. Pensei que ficasse entediado em outro estado... Nada não. Só mesmo uma preocupação boba.
A SEGUNDA VÍTIMA
Special Guest Star:
Promotora Marta Brandão
e Detetive Alexandre.
Fernando não quis acreditar, mas estava sofrendo perseguição. Mesmo assim, preferiu não contar a verdade para a sua mãe, seria doloroso demais contar uma parte negra da sua vida.
― Não é nada. Deve ser um colega meu da faculdade. Estou com sono, preciso dormir.
― Nada disso. Mostre-me o que recebeu ontem
Ele deu a figura da suástica.
― O que significa isso, Fernando?
― Eu falei que era brincadeira dos caras. Deixa isso pra lá. Não precisa se preocupar.
Angela não quis prolongar a discussão e deixou o filho em paz.
...
No dia seguinte, Lambert teve um grande trabalho pela frente. Além de cuidar do caso da penitenciária, ele teve que entrar em outro caso. Ainda pior.
Ele chegou com a viatura num bairro da periferia da cidade. Havia vários policiais militares cercando uma casa para que os moradores não vissem. Ele entrou e percebeu muitos respingos de sangue, além de penas negras.
Subiu a escada e foi para o quarto onde o crime fora consumado. Viu a visão do horror.
O homem estava mutilado, as mãos foram cortadas. Os braços, foram grudados na cabeceira da cama com pregos enormes. Havia sangue por toda a cama, manchando o lençol branco com o escarlate bastante chamativo. Um corte profundo na garganta era visível, como se fosse feito por um facão.
― Meu Deus. Quem é louco para fazer uma atrocidade dessa?
― Não sei, Alex. Parece que ele foi acertado com um pedaço de madeira, pois há uma lesão um pouco acima da nuca. O assassino subiu com o homem já inconsciente, o pôs sobre a cama, amarrou os seus pulsos e tornozelos, e aguardou a boa vontade da vítima de acordar. Em seguida, deve ter usado a galinha para espalhar seu sangue manchando o lençol branco. Deve ter sido algum ritual de magia negra. Em seguida, cortou-lhe as mãos como um sinal de que as mãos da vítima foram a causadora de sua morte.
― Será que foi crime por vingança?
― Não tenho ideia, mas pode ser. Essa perícia toda, a princípio, não será suficiente. O criminoso é meticuloso demais a ponto de usar luvas para não deixar nenhuma digital.
― Senhor, isso parece muito com a meticulosidade feita na morte do tal João.
― Alex, quero que investigue a vida desse sujeito. Já tem o nome dele?
― Sim, senhor. Leonardo Fernandes.
Jonas Lambert foi pego de surpresa. A vítima de agora era um dos três neonazistas e, provavelmente, conhecia João Costa muito bem.
...
A NOITE ANTERIOR
Léo acordou depois de quase uma hora desmaiado. A sua nuca doía por causa da pancada que levara. Notou que os seus pés e pulsos estavam amarrados nas extremidades da cama. O quarto estava bastante escuro, mas deu para notar, ao fundo, uma silhueta negra igual a uma sombra humana. Por mais que tentasse se soltar, não conseguia.
― Que brincadeira é essa. Quem é você?
O homem misterioso se levantou da cadeira, andou na direção do abajur e o ligou. Ele estava vestido com uma roupa completamente preta e usava uma máscara semelhante as usadas pela polícia quando soltava gás e precisava respirar por meio delas. Léo ficou desesperado.
― Que porra é essa? O que quer comigo? Vai me assaltar?
― Peça ajuda a Satã ― falou com uma voz bastante grave.
― Como é? Eu sou cristão, caralho.
― Cristão que ajuda a matar uma família?
― E você deve ser um justiceiro que veio me dar uma lição? Volta aqui! Socorro! Alguém me ajude!
O homem saiu por um momento, retornou com um pequeno recipiente e pingou um líquido sobre ele e a cama. Derramou completamente sobre o seu rosto, espalhando por toda a sua face.
― Isso é sangue! É sangue! Por favor, cara. O que está fazendo?
― Peça a ajuda a Satã. Peça ajuda! Somente ele poderá salvá-lo da punição e agonia por ter destruído três vidas no passado. Diga “Satã, por favor, me ajude”.
― Satã, por favor, me ajude.
― Que seja feita a vossa vontade.
O homem pegou algo semelhante a uma faca bem grande. Léo mijou-se nas calças quando viu mais quatro sombras surgirem ao redor da cama. Diferentemente do homem, as sombras não possuíam formas; os olhos eram vermelhos, porém sem órbitas. O homem segurou a mão esquerda dele e, com um único movimento, arrancou-a do seu pulso com a lâmina. Os gritos de dor foram encerrados quando uma das sombras pôs sua mão negra na boca do rapaz. O intruso cortou-lhe a outra mão. Léo desmaiou.
― Eles sempre desmaiam assim? ― perguntou o homem aos seus visitantes.
Estocou a lâmina no pescoço da vítima obrigando o sangue a jorrar para fora da jugular. O homem retirou a máscara, colheu um pouco do líquido com as mãos e bebeu. O sabor de sangue era de tal forma como ele esperava.
― Eu disse que ele te ajudaria. Só não disse que você continuaria vivo.
As sombras desapareceram e o intruso foi embora levando as duas mãos num saco plástico.
Fale com o autor