Notas iniciais
Eu sei que está muito tarde, mas eu pensei em começar a escrever meio dia, quando eu pisquei, eram nove horas da noite. Boa leitura. Lumos!

Quase uma semana após o acontecimento com os meninos, Kurt e August trocavam apenas algumas palavras e em um tom realmente muito baixo. Não que Kurt estivesse dando um gelo no menino ou que ainda estivesse com raiva, era mais complicado que isso. Na casa ao lado tudo estava mais tranquilo. Blaine havia entendido o lado do menino e havia explicado o seu. Os dois se entenderam, choraram e no final tudo havia ficado bem.

Era sexta feira a noite e estava um clima agradável, já que o inverno se aproximava. Blaine e Kurt estavam em seus respectivos jardins, enquanto os meninos brincavam na casa da árvore de Ian. Enquanto Kurt estava tranquilo e sentia a brisa da noite bater em seus cabelos e rosto, Blaine parecia estar angustiado para falar alguma coisa para o castanho.

— K-kurt? – Chamou Blaine encarando o rosto do ator.

— Uh? – Respondeu ele ainda de olhos fechados.

— E-eu gostaria de te perguntar uma coisa... – O moreno não parava de gaguejar. Kurt levantou uma das sobrancelhas e o moreno soube que ele estava atento. – Tem como você olhar para mim? A-acho que vai ser melhor... – Ao final da sentença, Kurt abriu os olhos. – O-ou não... Ok, eu consigo. K-kurt, você a-aceitaria s-air comigo amanhã?

Kurt ficou surpreso e o choque em seu rosto provava isso para o Anderson.

— Oh! Uh... Você quer dizer como em um encontro? – Ele se sentou de uma forma mais confortável na cadeira. Ele sentia que sair em um encontro com Blaine era um total desrespeito com ex-marido.

— N-não precisa ser um encontro, encontro, mas sei lá, um jantar particular... Como amigos. – O moreno já estava corando. Kurt ficou o encarando por um tempo.

— Tudo bem. Podemos ir jantar amanhã.

— Sério? Você vai mesmo?

— Sim. Mas lembre-se que será um encontro de amigos. – Lembrou Kurt.

— Tudo bem. – Blaine não parava de sorrir. Até que ele se desfez, Kurt estranhando, parou de sorrir também. – Os meninos. Eles não podem ficar sozinhos. – Os dois pais olharam para os filhos.

Blaine não encarou Kurt nos olhos com medo que ele desmarcasse, mas o castanho estava tendo uma ideia.

— Eu já sei de alguém que pode cuidar deles... – Disse o homem cruzando os braços e sorrindo maliciosamente.

— Quem? – Questionou o moreno confuso. Kurt não era muito de receber visitas, na verdade, o moreno nunca tinha visto ele receber uma, então era difícil em pensar em alguém.

[...]

Pai! – Gritou Kurt ao abrir a porta e dar de cara com Burt. Kurt deu um forte abraço no seu velho pai e antes de solta-lo, deu um beijo em sua bochecha. – Eu senti tanto a sua falta. Entre. – Disse o castanho ajudando o pai com uma bolsa com roupas que ele carregava.

— Eu também senti, Kiddo. Washington não é a mesma sem você e Gug. – Disse o homem um pouco nostálgico. – Falando nele, onde ele está? – Perguntou ele olhando a casa.

— Deve estar lá em cima fazendo lição de casa. – Disse Kurt indo com o pai até a cozinha.

— August fazendo lição de casa em um Sábado ensolarado? O que está acontecendo com meu neto, Kurt? – Questionou o homem, fazendo Kurt rir.

— Vamos dizer que seu neto resolveu que queria muito ir em uma festa, e para isso foi capaz de ir escondido de mim e ainda arrastou o filho do nosso vizinho. – Kurt disse servindo o pai com café e sentando em sua frente. Burt tinha a boca aberta.

— O que está acontecendo com meu neto, Kurt? – Burt tirou o boné e coçou a cabeça. – Kurt... E-e ele está bem? Alguma coisa aconteceu com ele? Por que não me disse antes? – Questionou o avô preocupado.

— Não quis te incomodar com isso. Ele está bem sim. Mas você sabe como eu sou, briguei com ele e hoje mal olhamos um pro outro. – Disse Kurt um pouco chateado. – Devolvi o celular dele para ver se ele pelo menos voltava a falar comigo, mas acho que foi pior. Acho que tudo vai voltar ao normal quando ele sair do castigo por completo.

— E esse vizinho, é o tal do jantar? – Burt não gostava nada da ideia.

— Blaine! Isso, esse mesmo. – Disse Kurt sorrindo.

— Você não acha cedo demais para sair com esse homem, Kurt? – Perguntou Burt severamente. Kurt já ia responder quando Burt o interrompeu. – Você dois tem filhos, Sebastian não é alguém que se foi totalmente e não acho bom o August passar por isso. – Kurt murchou por um momento. – Olha, posso estar sendo muito radical, mas você sabe o quanto eu te amo. Só não acho que isso seja o certo para você. Você está há três meses aqui para ficar saindo em encontros.

Kurt se manteve em silêncio por mais alguns instantes. Ele concordava com seu pai em boa parte.

— E-eu sei de tudo isso. Não esqueci Sebastian e jamais vou esquece-lo. De forma alguma penso em machucar meu filho, pelo contrário, é o que eu mais prezo no momento. I-isso também nem vai ser um encontro. Eu estou cansado de ficar aqui trancado todos os dias. Eu não tenho mais Nova Iorque para poder trabalhar, não tenho um marido para sair nos finais de semana e meus amigos estão espalhados por todo o país; eu preciso me distrair! – Kurt estava um pouco chateado com Burt. Ele não estava substituindo Sebastian. Blaine era só seu amigo.

— Enfim, tanto faz para mim sua decisão. Ela é sua e não é da minha conta. Só preciso aceitar, como sempre fiz. E guardar meus pensamentos para mim. – Kurt já ia responder, mas Burt levantou uma das mãos. – Não precisa. Vai me mostrar a casa ou está chateado demais para isso? – Disse o homem surpreendendo o filho.

Os dois se levantaram e Kurt começou a leva-lo para o segundo andar.

— No final do corredor é o meu quarto, antes vem o August, antes o banheiro e na primeira porta é o quarto de hospedes. – O castanho entrou e deixou a bolsa do pai em cima de uma das camas. – Agora vamos no quarto do August.

Burt seguiu o filho até a porta com uma plaquinha que tinha o nome do neto. Kurt bateu e em seguida abriu a porta. A mesa para lições de casa do menino ficava de frente para a janela e de costas para a porta, então Kurt precisou limpar a garganta para o menino perceber a presença dos dois, mas não funcionou. Ele estava com fones de ouvido.

Burt olhou em volta do quarto e sobre a cômoda do menino, havia uma bola de beisebol. Ele agarrou a bola e acertou o meio da cabeça do neto. O menino tirou os fones e olhou para trás assustado.

Vovô! – Em questão de segundos, um sorriso havia brotado no rosto do garoto. O menino correu para Burt e se jogou nos braços do avô. Eles ficaram assim por alguns segundos.

— Ok, eu não tenho mais idade para ficar carregando você no meu colo. – Disse ele deixando o garoto do chão. – Como você está, Gug? – Só Sebastian e os avós de August o chamavam assim.

— Bem, eu acho. – Disse ele olhando rapidamente para Kurt, que desviou o olhar. – Mas e o senhor? O que faz aqui? – O menino puxou a mão de Burt e o fez sentar em sua cama.

— Vim passar o fim de semana aqui. E tenho uma missão para hoje. – Disse o homem sorrindo para o neto.

— Missão? Achei que fizesse parte do governo como político, não como serviço secreto.

— Minha missão será cuidar de você e do seu vizinho, enquanto seu pai vai a um jantar com Blaine. E pelo o que eu ouvi de vocês dois e o que andam aprontando, vai ser uma missão e tanto cuidar de vocês. – Burt olhou para Kurt, que tinha os olhos arregalados. – E eu acho que você não sabia disso...

[...]

— O que?! Como assim você vira para mim e diz que vai sair com Kurt como se fosse uma coisa normal? – Falou Ian seguindo o pai pela casa. – Você poderia ter me avisado, sabia?! Principalmente porque vou ficar com o avô do Gus. E-eu nem o conheço.

— Ian, relaxa. É só um adulto que vai tomar conta de vocês. Nada de tão exótico. – Disse Blaine colocando sua gravata. – Nem eu que vou sair com o filho dele estou nervoso e você está aí bancado o medroso.

— Não mude as coisas para mim, mocinho. Porque você não me disse que estava seguindo em frente? E logo com o Kurt! – Disse Ian sorrindo. O garoto subiu em um caixote que tinha embaixo da pia e ficou na altura do pai para ajudá-lo com a gravata.

— Já te disse que isso não vai ser um encontro, Kurt e eu só vamos jantar como amigos. – Disse Blaine levantando a cabeça, enquanto o filho amarrava sua gravata borboleta.

— Qual é, eu consigo imaginar perfeitamente que suas intenções foram outras, mas Kurt só quis sair como amigos. – Blaine juntou as sobrancelhas para o garoto.

— É tão obvio? – Questionou o moreno.

— Por favor, você consegue ser mais claro que vidro quando se trata dos seus sentimentos. – Disse o menino terminando a gravata. Blaine se virou para o espelho para analisar.

— Algum conselho? – Perguntou o moreno olhando para filho pelo espelho.

— Não force nada. Se Kurt quer que sejam amigos, seja. É a maior relação que você vai ter com ele, enquanto ele não esqueceu totalmente o ex-marido. Se for pra ser, vai ser, você só precisa esperar. – Concluiu o menino.

— Obrigado, filho. – Disse Blaine abraçando o menino e segurando a cabeça dele com uma das mãos. – Eu te amo. – Em seguida o moreno de um beijo na bochecha do garoto. – Vai pegar mais alguma coisa? – Perguntou ele.

— Não, mas se esquecer, volto para buscar. – Ian desceu do caixote e saiu do banheiro, deixando Blaine se perfumando.

— Ok, podemos ir agora. – O moreno saiu do banheiro e encontrou o filho no corredor. – Como estou? – Perguntou esticando os braços mostrando sua roupa.

— Bonito demais para um encontro de amigos. – Um forte cheiro de perfume tomou conta do corredor. — E perfumado demais. Virou o vidro em cima de você?

— É-é demais? E-eu posso trocar de roupa. – Blaine já estava começando ir para o quarto.

— Não é pra tanto, Anderson. Pare de enrolar e vamos logo.

Ian saiu na frente e Blaine foi o seguindo. No andar de baixo o moreno pegou as chaves do carro, sua carteira e as chaves de casa. Ian tinha em mãos uma pequena mochila, caso seu sono chegasse antes de seu pai. Blaine trancou a porta da entrada e foi com o filho até a varanda da casa dos Hummels. Blaine tocou a campainha.

— Aqui está a chave, caso sinta sono ou queira pegar alguma coisa. Não perturbe o pai de Kurt e se comporte. – Ian concordou com tudo. – Tem certeza que minha roupa não está de- — Kurt abriu a porta e deu de cara com a família. – mais... – O moreno estava de boca aberta com o Hummel.

Kurt estava em um blazer preto, uma calça azul-celeste, uma camisa branca e uma gravata borboleta dourada. Blaine nunca o viu mais lindo e aquela gravata dele, estava deixando tudo mais perfeito.

— Oi, Ian. Pode entrar, August está na cozinha com meu pai. – Disse Kurt se dirigindo ao menino. O garoto olhou para pai para se despedir.

— Tchau, pai! – Disse o menino um tom acima do normal para chamar a atenção de Blaine, que ainda encarava Kurt.

— Oh, tchau, filho. Tchau. – Blaine deu um beijo no topo da cabeça do filho, que rolou os olhos.

Ian passou por Kurt e assoprou um “O que você pensa que está fazendo?” para o pai e foi para a cozinha.

— Oi, Blaine. Está cheiroso. – Disse Kurt ainda segurando a porta.

— O-obrigado. Gostei da gravata. Espero que não estejamos muito parecidos. – Disse o moreno sorrindo.

— Oh não, para isso você precisaria crescer mais um metro. – Brincou Kurt, fazendo o moreno rolar os olhos. – Venha conhecer meu pai. – Kurt puxou a mão de Blaine e fechou a porta. Os dois foram até o fim do corredor e chegaram na cozinha. – Pai, esse é o Blaine. Blaine, esse é Burt Hummel, meu pai. – Disse ele sorrindo para os dois.

— Prazer, garoto. – Disse Burt apertando fortemente a mão de Blaine. O moreno tentou disfarçar a dor.

— Garoto? Acho que já passei dessa fase. – Disse ele sorrindo.

— É, talvez tenha. – Kurt arregalou os olhos para o pai. — ...Biscoitos? – Burt mostrou a bandeja com vários e tomou um gole de seu leite.

— Não, obrigado. Falando em comida. Vamos, Kurt? – Burt se engasgou com o leite e quase o colocou para fora. Blaine encarou o homem um pouco assustado.

— Pai, precisa de ajuda? – Perguntou Kurt indo auxiliar o pai.

— Não... Vã-vão jantar. Eu me viro com os meninos. – Disse Burt enquanto tossia.

— Tudo bem... – Kurt estava estranhando tudo aquilo. O castanho olhou para o filho, que mesmo sem ouvir nada, concordou, pois sabia que aquilo era um aviso para ele se comportar. – Até mais tarde pessoal. – Gritou Kurt da porta. Assim que a porta bateu, Burt se voltou para os garotos.

— Ok, meninos. O que querem fazer? August, sei que está de castigo e quer fazer várias coisas. E então, o que querem fazer primeiro?

Ian e August se entreolharam e sorriram.

[...]

Shout it, shout it, shout it out loud
You've got to have a party
Shout it, shout it, shout it out loud
Turn it up louder
Shout it, shout it, shout it out loud
Everybody shout it now
Shout it, shout it, shout it out loud
Oh yeah

O volume da televisão estava um pouco alto. Burt e Ian estavam jogando Guitar Hero em cima do sofá, enquanto August estava virando uma garrafa inteira de refrigerante. A mesa de centro da casa dos Hummels estava uma bagunça, tinha biscoitos, salgadinhos, latinhas de refrigerante. Se Kurt chegasse agora, todos estariam ferrados, principalmente Burt.

Enquanto o avô e Ian jogavam, August fez um tipo de boliche com as latinhas de refrigerante e a bola era um dos enfeites de mesa de centro.

— Qual é! De novo? – Ian havia perdido para Burt novamente. – O senhor é muito bom, senhor Hummel. – Disse Ian abrindo um novo refrigerante. Burt piscou para o garoto.

— Minha vez! – Gritou August correndo para subir no sofá. – Se prepare vovô, você vai precisar se sentar agora. – Disse o menino pegando a guitarra das mãos de Ian.

— É o que vamos ver, garoto. Da última vez que seu tio Finn falou assim comigo, foi quando perdeu para mim e isso foi quando ele estava no segundo ano do Ensino Médio, desde aquele tempo, ele tem medo de jogar comigo. – Disse Burt colocando seu boné para trás.

— Mas acontece que tio Inn é Hummel de coração, eu sou Hummel de sangue e tenho uma coisa a mais em meu favor, também sou um Smythe. – Disse ele antes de começar a tocar.

[...]

— Blaine, esse lugar é lindo. – Disse Kurt enquanto observava o restaurante. — Não teria escolhido melhor. – O castanho deu mais uma mordida em seu sushi.

— Obrigado. Em uma das vezes que perdi pelas ruas, achei ele. – Kurt soltou uma gargalhada. Eles ficaram em silêncio por mais alguns instantes, mas Blaine pensou em quebra-lo. – Kurt, onde você conheceu Sebastian? – Perguntou o moreno.

— Uhn... Sebastian? – Kurt estava surpreso. O ator deixou os hashis no prato e pensou na pergunta. – Bem, Sebastian e eu nos conhecemos na escola em Ohio. Nós fazíamos parte de um Glee Club, nos apaixonamos e foi isso. – Disse Kurt não querendo muito falar no assunto.

— Então, ele foi seu único amor? – Insistiu ele.

— Não. – Disse ele sorrindo. – Eu tive uma queda por meu meio irmão, Finn. Eu era meio a fim dele, fiz nossos pais ficarem juntos achando que teria mais chances de conquista-lo, mas ele é realmente hétero e então Sam apareceu. Sam foi meu primeiro namorado. Foi coisa de um ano, mas acabou que não deu certo porque eu sempre fui um pouco ciumento por ele ser meu primeiro namorado, como ele era bissexual e jogador de futebol, era assediado por todas as meninas e isso acabou nos desgastando. Por ironia do destino, Finn é casado com minha melhor amiga e Sam com uma das minhas maiores amigas.

— Wow. – Disse Blaine seguido de uma risada. — Porque você resolveu sair de Ohio? – Perguntou ele.

— Meu maior sonho sempre foi Broadway e de Sebastian era ficar atrás das câmeras. Então fomos estudar na Big Apple, minha melhor amiga Rachel e eu na NYADA e ele na NYU. Nós nos formamos em alguns anos, mas eu nunca conseguia um papel em um grande espetáculo. Sebastian estava vendo como tudo aquilo estava me chateando, então ele conseguiu um emprego em Washington, justo onde meu pai estava trabalhando, então fomos morar lá. – Explicou Kurt.

— Então você nunca conseguiu realizar seu sonho?

— Ainda não. Eu queria ter voltado para Nova Iorque, mas não me senti pronto e ela também me lembraria Sebastian. – Aquela conversa não estava deixando Kurt muito confortável.

— E você trabalhou como o quê por todos esses anos em Washington? – O moreno tomou mais um gole de sua bebida e prestou mais atenção em Kurt.

— Eu trabalhava em uma pequena revista de moda de lá. – Explicou Kurt. – Foram bons tempos. – Disse Kurt voltando a comer. – E você, porque decidiu tornar-se advogado? – Perguntou antes que Blaine tocasse em Sebastian novamente.

— Ou eu me tornava médico ou me tornava advogado. Mas eu sempre quis ser cantor. Advocacia foi mais algo que meu pai queria, não eu. Então me livrei dele e fui para Flórida. E foi lá que eu conheci meu ex-marido.

— Então, você canta? Se quis ser cantor, imagino que canta bem. – Aquilo interessou o castanho.

— Eu canto, toco piano, violão, violino, baixo, bateria e outras coisinhas. – Tentou não se gabar.

— Mentira. – Blaine sorriu e ergueu os ombros. – Preciso ouvir você fazendo essas coisas. – Kurt estava realmente surpreso. — Eu sei cantar e tocar piano.

— Uuh... O homem mostra seus segredos. – Brincou o moreno. – Há algo mais que eu não saiba sobre você?

— Falo francês, já fui rainha do baile, fiz alguns filmes independentes e acho que nunca mencionei, mas já fui um animador de torcida. – Disse Kurt sorrindo.

— Oh... – Os olhos de Blaine se arregalaram. Mesmo que Kurt não tivesse dito aquilo, ele sabia. – B-brincou? Que coisa nova para se saber sobre você...

[...]

— Vovô, você acha que meu pai vai me perdoar? – Perguntou o garoto. Os três estavam deitados no chão da sala, já arrumada. Tudo estava quieto e Ian já dormia ao lado deles.

— Ele já te perdoou, meu filho. Kurt não estava bravo com você, ele estava preocupado. – Disse Burt ao lado do neto. Os dois observavam o pequeno lustre da sala. – Eu no lugar dele teria feito o mesmo. Você é só uma criança, meu pequeno. Você irá para festas, mas se Kurt acha que o melhor é você ficar em casa, então faça, porque ele te conhece melhor do que ninguém e sabe o que é melhor para você.

— Eu sei... – August brincava com os dedos do avô.

— Você teve sorte. Se estivéssemos em Washington, só Deus sabe o que eu teria feito com você. Mas acho que antes teria tido um ataque do coração. – Os dois ficaram em silêncio por algum tempo. – Você deveria voltar falar com ele. Ele está esperando por isso.

— Tudo bem... — O menino chegou mais para perto do avô. – É nesses momentos que eu sinto falta do meu pai. Ele saberia o que dizer. Se não fosse o senhor, nem sei quando voltaríamos a nos falar...

— Oh Gug, não fique assim. Você sabe que seu pai iria falar com você.

— Ele me chamava de Gug... – August se aproximou mais do avô.

— Oh, Kiddo. – Burt abraçou mais o neto, enquanto ele chorava no peito do avô. – Você é jovem demais para passar por isso.

[...]

— Por que estamos parando? – Perguntou Kurt. Ele ficou assustado, ele não queria ter uma conversa com Blaine em um lugar tão pequeno e fechado.

— Eu acho que o pneu furou. Fique aqui. – Blaine saiu correndo na chuva e foi para o outro lado do carro. Kurt abriu a janela para ver melhor. – Droga. Está realmente furado. – Blaine chutou o pneu algumas vezes.

— É sério? – Perguntou de dentro do carro.

— Sim. Vamos precisar descer a rua a pé. – Disse Blaine. Eles estavam na rua de casa, dos males, o menor. Blaine foi até a janela do carro. – Vem, eu te cubro. – Disse Blaine removendo o blazer.

Kurt saiu do carro e ficou de baixo do blazer com o moreno. Como o Anderson havia conseguido estacionar o carro, só bloqueou as portas e fechou os vidros. No dia seguinte ele iria resolver o problema.

Os dois começaram a descer a rua. Como estavam de sapatos sociais, quase escorregavam em algumas partes do asfalto. Os dois foram correndo em direção a casa de Kurt, mas quando passavam pelo gramado, escorregaram e Kurt caiu por cima de Blaine.

Os dois ficaram se encarando. Apesar de estar um pouco escuro, Blaine conseguia ver perfeitamente os olhos azuis de Kurt. A chuva era fria, mas o calor dos corpos era notável. Blaine conseguia sentir o coração de Kurt batendo fortemente no peito. Os lábios do castanho estavam tão rosados e pareciam tão bons. Blaine não resistiu e beijou Kurt.

De primeiro momento, Kurt ficou assustado, mas precisou responder. Assim que fez, Blaine segurou a cabeça do outro e aprofundou mais. Com o outro braço, o advogado segurou a cintura de Kurt. Naquele momento, os dois já estavam encharcados pela chuva.

Kurt se separou de Blaine com falta de ar. Ele ainda estava um pouco zonzo e confuso. Quando Kurt arregalou os olhos, Blaine soube que a sua ficha tinha caído. Kurt começou a se levantar rapidamente e correr para sua casa. O advogado também se levantou rapidamente do gramado.

— Kurt-

O castanho não parou de correr até entrar dentro de casa e fechar a porta atrás de si. Ele não poderia ter feito aquilo. Ele havia traído Sebastian. Kurt tinha a respiração pesada e estava prestes a chorar. Já Blaine, não parava de passar as mãos pelos cabelos e analisar aquilo que deveria ter sido o maior erro da sua vida, enquanto deixava a água correr pelo seu corpo.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Ficou muito corrido? Sejam sinceros. Até semana que vem. Nox!