Açúcar?
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Notas iniciais
— Ok, pessoal. Por hoje é isso. Podem conversar nesses cinco minutos. – Disse o professor de Biologia depois de explicar a matéria.
Como era sexta-feira, todos começaram a arrumar suas mochilas o mais rápido o possível.
— Ei, o que vocês estarão fazendo amanhã? – Perguntou Alef, um dos meninos que sentava perto de Ian e August.
— Eu nada. – Respondeu Peter. Marie e Anne negaram com a cabeça.
— Ian e eu faremos uma sessão de filmes. – Falou August segurando sua bolsa e encostando as costas na parede.
— De novo? Vocês fazem isso todos os dias. – Disse Alef implicando um pouco com os meninos. Ian abaixou a cabeça, mas August já estava pronto para responder e se defender. – Vocês não querem fazer algo diferente? – Ian olhou para ele com uma sobrancelha erguida. – Amanhã será minha festa de aniversário, todos vocês estão convidados. – O menino tirou da bolsa os convites e distribuiu para cada um dos amigos. – Como foi em cima da hora, não precisam se preocupar com os presentes. – O sinal do final da aula tocou. – Espero ver vocês amanhã.
Todo mundo começou a sair do lugar e August ficou de pé encarando o convite, enquanto Ian ainda guardava suas coisas. Alef era o maior da turma e era meio bruto as vezes, mas não era uma ameaça. Gus não parava de encarar o convite.
— Olha, se quiser ir e desmarcar a sessão, pode ir. Não sei se meu pai vai deixar eu ir... – Disse Ian com a mochila nas costas. Os dois começaram a sair da sala.
— Não, eu não vou sem você. – Ian o encarou. – E além do mais, nem sei se meu pai vai me deixar ir também e sem você para me acompanhar minhas chances de ir se reduzem.
— Nós podemos falar com eles juntos, se eles deixarem, nós vamos. – Disse Ian dando os ombros.
— É, pode ser... – August ainda não estava tão certo daquilo.
[...]
— Pai e Blaine, Ian e eu queremos falar com vocês. – Anunciou August no meio do jantar.
— O que foi? Há algum problema? – Perguntou Kurt soltando os talheres. As famílias estavam jantando na casa dos Andersons, com ideia vinda dos meninos.
— Não. Na verdade queríamos pedir algo para vocês. – Disse August.
— Blaine, se prepara, quando August inventa de me pedir alguma coisa, é bomba. Fique mais preocupado ainda pois seu filho está envolvido. – Kurt continuou encarnando os meninos, mas colocou uma mão na altura do peito do moreno, indiciando para que ele parasse de comer.
— Ian, pense bem no que vai falar. – Disse Blaine se concentrando no filho.
— Não é nada de demais. – Ian olhou para o castanho ao seu lado, que deu um aceno com a cabeça. — Gus e eu queremos saber se nós podemos ir na festa de um amigo nosso amanhã. – Falou o menino encarando os pais.
— Festa de um amigo? Que amigo? – Perguntou Kurt um pouco confuso.
— Alef White. Ele vai dar uma festa de aniversário amanhã e nos convidou. – Os meninos tiraram os convites dos bolsos e mostraram para seus respectivos pais.
— Oh, August, eu não sei não... Por acaso você pensou que precisamos comprar um presente para esse menino? – Perguntou Kurt olhando para Gus.
— E-ele disse que não precisava. – Confirmou Ian recebendo a atenção de todos.
— Vai pai, por favor. – Implorava August.
— Vocês não iam assistir filmes amanhã? Ian até me pediu para comprar algumas coisas. – Falou Blaine.
— Eu sei, mas nós mudamos de ideia. – Falou o garoto para o pai. – Por favor...
— Kurt? – Perguntou Blaine para o castanho. Os dois sabiam que um só ia, se o outro fosse.
— Fazemos assim: me deixe pensar um pouco mais e amanhã eu respondo. Pode ser? – Questionou o homem para os meninos.
— Mas você vai deixar? – Perguntou August.
— Eu disse que preciso pensar, August. Se acalme, é só mais uma festa. – Disse Kurt.
Depois daquilo, todos voltaram a jantar normalmente. Kurt e Blaine tinham os olhos sobre os filhos e as vezes trocavam olhares, como se estivessem trocando mensagens telepaticamente.
[...]
No dia seguinte, assim que acordou, August foi falar com o pai.
O homem estava preparando o café da manhã silenciosamente. Ele estava tão concentrado que nem notou a presença do filho na cozinha. August chegou perto dele para falar com ele.
— Bom dia, pai. – Anunciou o garoto ao lado dele. Kurt tomou um susto.
— Garoto, não me assusta desse jeito! – Kurt voltou para o fogão. – Bom dia... Posso saber o motivo para você estar fora da cama tão cedo? – Questionou o pai.
— Preciso saber se vai me deixar ir na festa. E então, você pensou? – Perguntou o garoto seguindo o pai que foi até a mesa.
— Sim. Pensei e cheguei a conclusão de que você não vai. – Afirmou Kurt sem ao menos olhar para o menino.
— O quê? Por quê? — August continuava a seguir o pai.
— Tive a sorte de saber que seu boletim chegou hoje. Você pode me explicar suas notas em História, Artes e Matemática? – Kurt se virou para o filho e colocou uma das mãos na cintura.
— Maldita escola!— Cochichou Gus. – Minhas notas? Você sabe como eu sou, puxei seus genes, adoro uma coisa colorida e notas apenas azuis não dariam certo. Sem contar que eu amo vermelho. As melhores coisas são vermelhas, morangos, a bandeira dos Estados Unidos, é... E-e outro montão de coisas.
— Pra cima de mim, August? – Kurt rolou os olhos e foi desligou o fogo. – Já avisei Blaine que você não irá, ele disse que sem você lá, Ian não vai. – Kurt se sentou à mesa e começou a se servir. – Mas para não ser tão cruel, ainda deixarei Ian dormir aqui. – O castanho encarou o filho com a maior naturalidade possível.
August ficou de boca aberta com aquilo. Por conta dele, Ian não iria para a festa. Isso era terrível. O que Kurt estava fazendo com ele era péssimo, na visão do garoto. Eram apenas algumas notas, não significava que ele não poderia ir para uma festa.
E como se uma lâmpada tivesse acendido sobre a cabeça do menino, chifres tivessem nascido do topo de sua cabeça e uma calda tivesse crescido na parte de baixo de suas costas, August havia acabado de ter uma ideia.
— Tudo bem, então, aceito sua decisão. Foi justo. – Disse o garoto se sentando e começando a se servir.
— Você não ouviu o que eu disse? Eu estou dizendo que você não vai. – Kurt abaixou sua xícara.
— Eu escutei e concordo. Nada mais justo para uma criança que acabou de chegar em uma escola e está rindo mal nas notas, não? – Perguntou o menino dando uma mordida na sua torrada.
— Urg, por que você teve que herdar meu talento em atuação e a ironia de Sebastian? – Disse Kurt voltado para seu chá.
O homem estava tão focado em seus pensamentos, que não notou o sorriso diabólico no rosto do filho.
— Ou eu vou nessa festa ou eu não me chamo August Hummel-Smythe! – Pensava o garoto.
[...]
— Abaixa um pouco isso, eu mal consigo te ouvir. – Gritava Ian.
Os dois estavam no quarto de August. O Hummel tentava explicar para o garoto qual era o plano. O garoto foi até o som, o abaixou e chegou no ouvido de Ian.
— Eu conheço meu pai bem o suficiente para saber que ele virá me ver duas vezes e depois mais uma, porém bem mais tarde. Então, o que faremos: quando ele chegar na segunda vez, eu vou pedir para que ele busque sorvete para nós. Quando ele e seu pai saírem, nós iremos desligar o som, encher as camas de travesseiros e sair pela porta dos fundos. Tenho certeza que ele não vai nos acordar para dar sorvete e muito menos nos vigiar, se caso deixarmos tudo arrumado, como luzes apagadas, cortinas fechadas e tudo mais, ele não vai nem entrar no quarto.
— E eu posso saber como vamos chegar na casa do White as oito horas? – Questionou Ian. Ele nunca havia desobedecido uma ordem de Blaine antes.
— Tomei a liberdade de colocar nossas bicicletas na lateral da sua casa, mas fique despreocupado, elas estão presas. – August olhou para porta.
— O que-
— Começa a pular!
— Espera, o quê? – Perguntou o menino.
— Pula! – Gus já estava pulando. — 'Cause the players gonna play, play, play, play, play and the haters gonna hate, hate, hate, hate, hate. Baby, I'm just gonna shake, shake, shake, shake, shake
I shake it off, I shake it off-
— Hey, meninos. Vejo que estão se divertindo. – Disse Kurt entrando no quarto e tomando a atenção dos dois. – Acho que vocês mesmos conseguiram fazer a festas de vocês. – August mandou um sorriso sínico em resposta. – Daqui a pouco trarei as coisas para vocês comerem.
— Tudo bem, Kurt. – Disse Ian ainda pulando como se estivesse pulando corda e não como se estivesse dançando. Kurt achou esquisito, mas resolveu ignorar, pois ele era só uma criança e o ator não era um Mike Chang da vida para falar dos outros.
Kurt fechou a porta e desceu as escadas.
— Ok, precisamos nos trocar e vestir os pijamas por cima. – August foi até seu guarda-roupas. – Você trouxe sua roupa, né?
— S-sim. – O menino começou a se despir. Ele estava um pouco envergonhado, pois não fazia isso nem na frente do seu pai.
Em alguns minutos, os dois já estavam com seus pijamas por cima das roupas. August colocou um filme qualquer e adiantou alguns minutos. Os dois se sentaram na cama e colocaram os cobertores até a cintura.
Depois de dez minutos, Kurt entrou no quarto segurando uma bandeja. Nela havia alguns salgadinhos, refrigerantes, chocolates e outros doces. Os meninos fingiram uma empolgação.
— Ué, esqueceu do sorvete? – Perguntou August. Blaine estava na porta do quarto.
— Que sorvete? – Kurt ficou confuso.
— O sorvete que eu te pedi mais cedo? Não lembra? Pai, você não estava me escutando de novo? – Ian estava ficando impressionado com a atuação do vizinho.
— D-desculpa, e-eu não-
— Kurt. Kurt, não tem problema, podemos ir buscar agora. Deve ter algum mercado aberto. – Kurt concordou com a cabeça. – Pode ser, Gus? – Agora ele se dirigia ao menino.
— Pode sim, Blaine. Obrigado. – August mandou o sorriso mais doce que conseguiu fingir.
— Tudo bem então, voltaremos em alguns minutos. Comportem-se. – Disse Kurt saindo do quarto. Os dois meninos concordaram com a cabeça.
O castanho estava esperando o pai fechar a porta de entrada. Assim que fez, já saiu da cama e correu para o banheiro com a bandeja.
— Arrume a cama! – Ordenou o menino correndo para o banheiro.
August jogou todo o refrigerante na pia, abriu o saco de salgadinhos e deu descarga em alguns e em alguns doces. O menino aproveitou para colocar sua roupa suja no cesto e molhar sua escova de dentes e fez o mesmo com a de Ian.
Quando voltou para o quarto, Ian já estava com a roupa que iria sair e com a cama feita. Gus fechou a janela, a cortina, desligou a televisão e jogou o pijama dos dois dentro do armário. O menino conferiu para ver se havia esquecido de alguma coisa, mas não. Ele e Ian foram para porta, então ele apagou a luz e fechou a porta.
Os dois foram correndo para o andar de baixo. Eles saíram pela porta dos fundos e pularam a cerca, caindo dentro do jardim de Blaine.
— Gênio, esqueceu dos nossos sapatos. — Os dois chegaram até as bicicletas na lateral da casa. Lá, Gus havia amarrado os tênis deles. Ian não acreditava naquilo, até que Gus piscou para ele e deu um sorriso. – Você é terrível, garoto.
Os dois correram para colocar seus sapatos. Quando estavam prontos, soltaram as bicicletas e foram para a rua. A casa de Alef ficava ao lado contrário do mercado que os pais deles foram e isso daria uma vantagem para eles.
— Você deve estar se perguntando sobre como vamos voltar. – Falava August um pouco alto por conta da adrenalina. – Nós vamos ficar três horas-
— August, isso significa que vamos voltar onze horas para casa! Se nossos pais descobrem que fizemos isso e sozinhos, estamos mortos. – Falou Ian. Ele não sabia se focava em sua conversa com August ou na rua, então acabava chacoalhando o guidão da bicicleta.
— Relaxa, falei com a Anne Parker. Os pais dela passarão por essa rua, então sorrateiramente vamos seguir o carro dos pais dela, sem que eles nos notem. Caso alguma coisa aconteça com a gente, ela pedirá para eles pararem e nos ajudar. – Esclareceu o garoto.
— Por onde você falou com ela? – Perguntou Ian um pouco surpreso. Os dois viraram em uma nova rua. Mais cinco entradas e eles estariam na casa de Alef.
— Celular. Ian, só você não tem. – Disse ele sorrindo para o amigo. Ian rolou os olhos e continuou pedalando.
[...]
— Quem diria que ficaríamos 30 minutos em um caixa? – Disse Kurt entrando em casa seguido de Blaine.
— Pois é, olha a hora. Quem essas pessoas acham que são para ficarem até essa hora da noite no mercado nos atrapalhando? – Disse Blaine fazendo graça. Os dois haviam ficado mais ou menos uma hora e meia fora.
Os subiram as escadas e foram para o quarto de Gus. Assim que abriram, deram de cara com um breu, mas pela luz do corredor que entrava no quarto, eles conseguiam ver que os meninos estavam dormindo. Kurt olhou para Blaine.
— Por que simplesmente nos tornamos pais? Para receber isso quando se sacrifica por eles? – Ironizou Kurt. Blaine acabou rindo baixinho.
— Deixe eles assim. – Kurt fechou a porta lentamente e os dois começaram a descer. Blaine começou a pegar sua jaqueta de couro, então Kurt foi mais rápido.
— Aceita um vinho? – Ofereceu ele. Blaine virou-se para ele. – Já que eles estão dormindo, podemos comer o sorvete. Lei da sobrevivência. – Blaine mais uma vez deu um sorriso. – Aceita?
O moreno pensou um pouco, mas acabou soltando a jaqueta e pegando pote das mãos de Kurt.
[...]
August
I don't mind
Letting you down easy, but just give it time
If it don't hurt now, then just wait, just wait a while
You're not the big fish in the pond, no more
You are what they're feeding on
Ian
So what are you gonna do
When the world don't orbit around you?
August e Ian
Ain't it fun living in the real world?
Ain't it good being all alone?
Where you're from?
You might be the one who's running things
Well, you could ring anybody's bell and get what you want
You see it's easy to ignore a trouble
When you're living in a bubble
A festa era realmente bem pré-adolescente. Alef estava fazendo onze anos, então achou que uma festa no porão da casa dele seria legal. Então ele limpou o carpete, decorou com algumas luzes de Natal, montou um palco simples, jogou alguns pufes por todo o lugar e colocou uma bancada velha, onde as crianças poderiam se servir e tomar mais refrigerante.
Com muita insistência dos meninos, ele havia conseguido alguns microfones e instalado na aparelhagem de som. A festa até que estava divertida para um bando de crianças.
Os dois terminaram de cantar e receberam vários aplausos.
— Isso aí! – Gritou o White. – Vou considerar essa música como meu presente de aniversário. – Disse o menino. Ele estava fingindo estar um pouco alterado, sendo que só havia bebido refrigerante.
Peter que estava cuidando do som, tratou de colocou novas músicas.
— Sabe o que podemos fazer? Brincar da brincadeira da garrafa. – Disse Oliver. Um menino que fazia Educação Física com Ian e August.
— Isso! Isso vai ser legal. – Disse Alef indo buscar alguma coisa para girar.
— E-eu não acho que isso seja uma boa ideia. – Disse Ian.
— Qual é? É uma brincadeira besta. Não vai passar de um selinho. E tentarei trapacear para você beijar a Anne. – Ian arregalou os olhos para August, que apenas piscou para o amigo. Ian começou a ficar com as bochechas coradas.
[...]
— Kurt, que horas são? – Perguntou Blaine um pouco preocupado.
— Quase nove, mas por que? Ainda está cedo... – Falou o castanho.
— Ian geralmente precisa tomar um copo de água no meio da noite. Se importa se eu levar um para ele? – Perguntou o moreno.
— De forma alguma. – Kurt encheu um copo com água e entregou para Blaine.
— Obrigado. – O moreno subiu as escadas, entrou no quarto de Gus tentando equilibrar o copo e o deixou em cima do criado mudo. Antes de sair, Blaine notou algo diferente. A cabeça de Gus estava branca. Blaine achou que havia bebido demais, mas então chegou mais perto e comprovou que a cabeça do menino estava realmente branca. Até que ele tocou e a sentiu macia. Blaine puxou a coberta e viu dois cobertores no lugar que deveria haver dois meninos. – Kurt! Kurt! – Gritou Blaine.
Em alguns segundos, Kurt já estava no quarto.
— Blaine, o que foi? – Perguntou preocupado.
— Eu estou muito bêbado ou nossos filhos sumiram? – Perguntou Blaine indicando a cama.
— Oh, meu Deus! Mas eles estavam aqui quando nós chegamos. – Kurt estava pensando onde eles poderiam ter ido. – Droga!
— O que foi?
— A festa! Eles foram para a festa. – Kurt passava as mãos pelos cabelos de tanta preocupação. – August não pediu sorvete nenhum, aquilo foi para nos enganar! Eu vou- Arg! – Kurt colocou as mãos sobre os quadris.
— Você sabe onde é a festa? – Perguntou Blaine.
— Qual era mesmo o nome do menino? – Perguntava Kurt enquanto estralava os dedos, achando que aquilo o ajudaria a lembrar.
— Alex... A... Alef! Alef White! – Falou Blaine.
— White! É claro! Esse garoto deve ser filho do corretor de imóveis.
— E você sabe onde ele mora? – Os dois já estavam saindo do quarto e descendo as escadas.
— Sim, é umas ruas próximas daqui. – Os pegaram as chaves do carro e foram para o automóvel. Eles não estavam bêbados, só haviam tomado uma taça, então conseguiriam dirigir por algumas ruas sem causar maiores problemas. – Eu sinceramente não sei o que eu farei com o August. – Disse Kurt colocando o cinto.
[...]
— Ian Anderson! Sua vez meu amigo. – Disse Alef. O menino estava um pouco inseguro. – Vai, gira a garrafa.
Com o incentivo de todos e principalmente de August, Ian girou a garrafa.
— Ei, olhem, uma abelha! – Gritou August. Quando todos olharam para o teto, o garoto parou a garrafa apontada para Anne. – Ela deve ter sumido- Mas ora vejam, só. A garrafa parou na Anne!
Ian e Anne ficaram vermelhos como tomates.
— Já sabem as regras, só um selinho. – Falou Peter.
— Não amola, garoto! – Resmungou August. – Vai, fiquem de joelhos e se preparem. Quando eu contar até três. – As duas crianças se separam e ficaram uma de frente para a outra. – Um... Dois... – Eles estavam muito próximos.
— August e Ian, seus pais vieram lhes buscar! – Anunciou o senhor White.
— O que?!— Gritou Ian.
— Espera, isso deve ser um engano. Nossos pais não sa- sabem que era para eu ligar para eles, quando quiséssemos ir embora. – Afirmou August. O garoto estava morrendo de medo.
— Não, são seus pais mesmo. Acho que eles apenas se adiantaram.
— Ok. – Ian começou a se levantar e ir em direção até a escada.
— Até segunda, pessoal. – Disse August se levantando e seguindo Ian. Anne perguntou para ele o que estava acontecendo, como resposta, ele fingiu estar cortando seu pescoço. – Ian, o que vamos fazer agora? – Perguntou August quando os dois já estavam no andar de cima.
— Eu não quero desperdiçar minhas últimas palavras com você, August! – Cochichou Ian. – Você tem a noção da enrascada que nos meteu?!
— Ei, você veio porque quis! – Falou August. Ian se virou para ele.
— Se eu tivesse me negado, você teria me arrastado de qualquer forma. Eu só poupei meu tempo e aceitei de uma vez!
Assim que o garoto fechou a boca, precisou abrir de novo para dar um grande sorriso para Blaine. Os dois estava na porta da casa, com as expressões calmas, mas com olhares de quem iam matar os dois assim que chegassem em casa.
— Ei, meninos. Se divertiram? – Perguntou Kurt. Ele forçava um sorriso que era notável.
— Sim. Mal podemos esperar para chegar em casa e cair em um sono profundo. – Disse August caminhando até o pai.
— Ah, você vai cair em um sono profundo sim. Oh, se vai. – O maxilar de Kurt deveria estar doendo horrores. – Obrigado, senhor White. Tenha uma boa noite. – Disse Kurt.
Os quatro saíram e foram em direção ao carro.
— Só entrem depois que Kurt já tiver colocado o cinto. – Alertou Blaine. Então só depois que Kurt estava com o cinto, os dois entraram no banco traseiro.
Blaine ligou o carro e começou a subir a rua. O silêncio no carro era torturante. August achou que deveria quebra-lo.
— Ahnnn-
— August Paul Hummel-Smythe, me dê um bom motivo para você passar dos dez anos. – Kurt tinha os olhos fechados de ódio.
— Por que eu sou seu bem mais precioso? Eu acho... – Disse o menino.
— August, o que deu em você, garoto? Por que você fugiu de casa? Por que você me enganou? – Perguntou Kurt. Ele estava quase pedindo para Blaine parar o carro e dar uns bons tapas em August.
— Porque você sabia que eu queria muito ir nessa festa. – Se defendeu.
— Então só porque você quer muito alguma coisa, você acha que pode me desobedecer e fugir de casa, August? – O menino encarava as mãos em seu colo. – Não adianta fazer essa carinha de cachorro sem dono. Você não poderia ter feito coisa pior! E se acontece algo com você? Se você fosse atropelado ou até sequestrado? Você não percebe a gravidade de suas ações? Sim, você está certo, você é meu bem mais precioso. Eu já perdi um uma vez, não quero perder outro de novo! – Kurt começou a chorar de raiva. August se sentia a pior pessoa do mundo na hora.
— Se acalme, Kurt. – Disse Blaine, passando a mão no ombro de Kurt. Novamente todos ficaram quietos.
— P-pai? – Chamou Ian esperando pela bronca.
— Eu não vou brigar com você. Eu também já fui criança, mas eu fiz isso com meus pais quando era adolescente e não uma criança. Tudo que Kurt disse para August serve para você. – Blaine era frio. E o que mais matava Ian por dentro era a frieza que as vezes seu pai tinha.
— August, você está de castigo. – Kurt secava as lágrimas e controlava os soluços. – Você vai ficar sem mesada, sem celular, sem vídeo game, televisão e computador. Vai ser de casa para escola e da escola pro quarto. Você não vai sair nem nos finais de semana. Sinto muito Ian, mas você não poderá ir lá em casa. – O menino concordou em silêncio. Seu maior problema agora era com o pai. Kurt olhou para trás. – August. – O menino para o pai. Ele tinha algumas lágrimas não derramadas nos olhos. Já Kurt, tinha os olhos vermelhos. – Eu espero tudo de você e sua mente brilhante, mas hoje você me decepcionou profundamente.
E o que faltava para August começa a chorar, aconteceu: seu pai havia tocado no seu psicológico.
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