Açúcar?
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Notas iniciais
Após uma semana do incidente com Ian, as coisas finalmente haviam se normalizado. O menino já estava bem de saúde e totalmente recuperado. A amizade e harmonia entre as famílias Hummel e Anderson crescia a cada dia.
O moreno além de estar se dando bem com os vizinhos e se acostumando com o bairro, também conseguia sucesso em outras áreas de sua vida.
— Ok. Sim, nos encontraremos mais tarde, então. Tchau. – Blaine desligava o telefone com um sorriso enorme no rosto. O homem saiu de sua sala e foi para o quarto. Blaine abriu seu guarda-roupas e ficou observando os ternos que ainda tinha. – Acho que eu talvez precise comprar algo novo... Ian!
Em alguns instantes, o garoto já estava na porta do quarto do pai.
— Pois não? – O garoto estava com um de seus livros em mãos.
— Preciso de ajuda. Mais tarde tenho um jantar importante e preciso da sua ajuda.
— Hmmmm. – Ian sorriu maliciosamente para o pai. O garoto sempre foi tranquilo com o fato do pai seguir em frente com relacionamentos e ser gay, até porque ele foi criado sem que aquilo fosse banalizado.
— De qualquer forma... Não consigo achar um terno bom. Vamos comigo no shopping?
— Pai, você comprou ternos mês passado... Até eu mesmo usei minha mesada e te dei um... – Ian estava calculando se devia se ofender com aquilo.
— Ian, você é um gênio! – Blaine foi em direção à uma mala ao lado do guarda-roupa.
— De fato. Mais alguma coisa?
— Sim. Espero que esteja tudo bem com você e os Hummels, pois você vai precisar ficar lá enquanto estarei no jantar. E antes que saia, não esqueça de me lembrar que preciso avisa-los.
Ian rolou os olhos e grunhiu. Ele gostava dos vizinhos, e muito, só que ele não via a real necessidade de ficar na casa deles, quando ele sabia muito bem se virar sozinho.
[...]
Kurt escutou sua campainha tocar, então secou as mãos no seu avental e foi atender a porta. Ao abrir a porta, o castanho deu de cara com Blaine e Ian.
Se perguntassem para Kurt se ele havia notado como Blaine estava, o castanho com certeza afirmaria. Blaine estava usando um lindo terno azul marinho, uma camisa branca e uma gravata cinza. A barba do moreno estava evidente mas rala, coisa que Kurt adorava. O moreno usava seus óculos grossos de grau e o cabelo sem gel, mas com os cachos controlados. Sem contar o perfume maravilhoso.
O Hummel até ficou um pouco sem graça, porque ele sempre estava na melhor das roupas e agora Blaine o encontrava de avental e todo desengrenado.
Sem que ninguém percebesse, August apareceu na grade do topo da escada e cruzou os braços sobre a mesma.
— Olha o senhor Anderson. Está demais! – Disse o menino chamando a atenção de todos e fazendo Kurt o fuzilar com os olhos. O mais novo dos Hummel resolveu não mencionar as bochechas coradas do pai.
— Obrigado, Gus. – O homem mandou um sorriso grande e brilhante. – Oi, Kurt. – O homem deu um sorriso sem graça para o vizinho.
— Oi, Blaine. Ian. – Kurt apenas mandou uma piscada para o menino. – Vocês precisam de alguma coisa?
— Ahn, para ser sincero, sim. Eu sei que isso pode ser inconveniente, mas eu não tenho nenhum parente e não sou tão próximo de qualquer o-outro vizinho, então... – Blaine já estava se enrolando. – Ok. Kurt você poderia ficar com Ian por algumas horas? – Kurt já ia responder, mas foi interrompido. – O-olha, eu sei que está em cima da hora e é falta de educação minha pedir uma coisa assim para você, mas é que eu preciso estar no “Bells” em alguns minutos ou minha reserva será cancelada. Eu esqueci totalmente de falar com você, é que eu tenho um encontro importante.
Ian propositalmente não havia feito o que seu pai lhe pediu, porque não queria incomodar Kurt e sabia que tinha idade o suficiente para se virar sozinho em casa por algumas horas.
Um silêncio entre os dois se instalou. Lá do andar de cima, August tinha uma sobrancelha levantada e sorria para Ian, que respondia encarando o menino. Blaine tinha olhos pidões, implorando para que Kurt aceitasse.
Já o castanho, abria e fechava a boca várias vezes por estar calculando tudo no momento. Foram muitas informações para ele processar tão rapidamente.
— O-ok. E-eu fico com o Ian. – Kurt agora se direcionava para Ian. – Pode subir, August está lá cima.
— Tchau, pai. – Blaine se abaixou e beijou a têmpora do menino.
— Se comporte. – O homem deu um olhar severo para o filho e bagunçou os cabelos do garoto. Ian subiu correndo para ficar ao lado de Gus na grade da escada. – Kurt, muito obrigado. Você salvou o meu jantar. Que horas você irá dormir?
— Pode ficar tranquilo, eu espero você chegar. – Kurt só percebeu o grande erro, depois que já havia dito. – Mas fique com uma chave, eu posso acabar tirando um cochilo. – Kurt entregou uma chave que ficava em um vaso ao lado da porta.
— Tudo bem. Tchau, Kurt. — Kurt acompanhou Blaine até a varanda e depois o moreno seguiu o caminho sozinho para o carro, que estava estacionado na rua.
O castanho ficou observando o carro de Blaine subir a rua. O moreno estava indo ter um encontro. Kurt não sabia o que estava sentindo exatamente, não sabia se estava feliz por Blaine estar seguindo em frente, se estava com inveja por Blaine estava seguindo em frente ou ciúmes por Blaine estar seguindo em frente. Kurt só esperava que não fosse o último, porque ele teria dois problemas. O primeiro significava que ele estava a fim de Blaine e o segundo era que ele estava tendo o problema que mais irritou seu ex-marido.
O castanho limpou os pensamentos e voltou para dentro de casa.
— Meninos, sessão pipoca com filmes da Disney daqui a 30 minutos. Vistam seus melhores pijamas para impressionar as princesas. – Gritou Kurt na direção do que deveria ser o quarto de August.
[...]
— Esse com certeza é o melhor filme de princesas. – Disse August se referindo a “Mulan”.
— Eu discordo totalmente, você já assistiu “A Bela e a Fera”? Esse filme é um clássico! – Ian pegou o DVD e ficou encarando os detalhes da capa.
— Digam o que quiser meninos, mas ninguém domina o mar e a Disney como Ariel. – Kurt chegou na sala com um pote de pipoca em mãos. – E acho que devemos assistir ele. – Kurt se acomodou no sofá e esperou os meninos entrarem em um consenso.
— Vamos ser realistas aqui, todos queremos filmes diferentes, que tal assistirmos outro que não seja o nosso? – Perguntou August. Os meninos se encararam por alguns segundos antes de dizer.
— “A Princesa e o Sapo”
— “A Princesa e o Sapo”
— “A Princesa e o Sapo”
Os três responderam ao mesmo tempo e acabaram rindo pela coincidência.
August pegou o filme escolhido, colocou no DVD e foi para o sofá junto à Ian. Os três se acomodaram no sofá, de modo que Kurt ficou no meio e os meninos nas pontas. O filme começou a passar e logo na primeira música, Kurt começou a cantar. Para Ian foi uma maravilha, já que ele amava a voz de Kurt, já o Hummel mais novo achou tudo embaraçoso, já que seu pai de trinta e poucos anos sabia cantar músicas de desenhos.
[...]
— Blaine Anderson? – Perguntou um homem chegando perto do moreno.
— Sim e você deve ser Allan Banks. – O moreno se levantou e cumprimentou o loiro com um aperto de mãos. Blaine o esperou sentar, para sentar em seguida.
— Me esperando há muito tempo? – Questionou o homem se sentando em frente a Blaine.
— Até que não. Você mora muito longe? – Perguntou Blaine.
— Não muito, mas para vir nesse jantar eu faria qualquer coisa. – Blaine deu uma gargalhada gostosa. Os dois começaram a olhar os cardápios e Blaine tomou a liberdade de espiar por cima do dele e olhar para Allan. Depois de alguns instantes, os dois já haviam escolhido os pedidos.
— O que os senhores vão querer pedir? – Perguntou um garçom chegando a mesa dos homens.
— Eu fico com uma salada. – Pediu Blaine, fechando o cardápio.
— Eu gostaria do salmão. – Allan ainda olhava para o cardápio. – Para beber, eu gostaria de um vinho tinto. – O homem mandou um grande sorriso para Blaine.
O garçom anotou e se retirou.
— Vinho, uh? Me parece tentador, mas eu não costumo beber e se eu fizer, não poderei dirigir, então fico na água mesmo. – Blaine falava calmamente para acompanhar os outros clientes do restaurante.
— Que pena... Gostaria de ver como seria um doutor Blaine Anderson com leve toque de vinho. – Allan passou a mão sobre a mesa e repousou sobre a de Blaine.
O moreno deu uma risada forçada e tirou sua mão.
— Uhn, se você me der licença, eu preciso fazer uma ligação. Checar se meu filho está bem. – Blaine foi pegando seu celular.
— Não sabia que você tinha um cachorro... – Disse Allan sorrindo para Blaine.
— Não, quando eu digo filho, eu realmente me refiro à um menino. Ian. Ian Anderson. – Blaine se levantou da cadeira e deixou Allan com as sobrancelhas na raiz dos cabelos de tão altas.
Blaine foi para um cantinho reservado do restaurante e esperou atenderem o telefone, no segundo toque ele foi atendido.
— Pizzaria Buon Giorno, Itália! Meu nome é Amanda, em que posso ajudá-lo?
— Gostaria de pedir duas pizzas, uma de pepperoni e outra de mussarela.
[...]
— Doutor Facilier é o melhor personagem desse desenho e isso é um fato. – Disse Gus recebendo a atenção de Ian e Kurt.
— August, me explica essa sua obsessão pelo mal, meu filho. Porque sinceramente, eu não sei de onde ela vem.
Ding Dong
— Ué, será que meu pai já chegou? – Perguntou Ian ficando de joelhos no sofá.
— Eu não sei. Deixe-me ver. – Kurt calçou suas pantufas e foi até a porta da entrada. Quando abriu, deu de cara com um adolescente entregador de pizzas. – Uh... Pois não?
— O senhor é o... – O garoto conferiu em um papel. – Senhor Rummel? – Perguntou ele pronunciando errado o nome de Kurt.
— Hummel. Sim, sou eu, mas deve ter algum engano. E-eu não pedi nada. – Garantiu o castanho.
— Sim, quem pediu foi o senhor Anderson e mandou que eu entregasse nesse endereço. – O menino tirou as duas caixas de pizzas da grande caixa de isopor que ele tinha nas costas e passou para as mãos de Kurt. – Bom apetite e boa noite.
O garoto logo em seguida subiu na moto e saiu em disparada. Kurt ainda um pouco surpreso, fechou a porta e foi até a entrada da sala.
— Não era Blaine, mas digamos que ele mandou um pedaço dele. Pra ser mais exato, dezesseis. – O castanho mostrou as duas caixas de pizzas para as crianças.
— Ian, você tem o melhor pai do mundo. – Gus não parava de encarar as caixas das pizzas. Aquilo era o que ele mais gostava de comer. Kurt pigarreou. – Pai, precisamos admitir, um cara que manda duas pizzas para nós, deve ser considerado o melhor pai do mundo, por favor!
Kurt rolou os olhos e foi em direção aos meninos.
[...]
— Obrigado pela noite, Blaine. – Agradeceu Allan do lado de fora do restaurante. O moreno aguardava o manobrista chegar com o seu carro. – Foi bom resolvermos algumas coisas. – Blaine nem o encarava, estava o ignorando totalmente. – Nos vemos daqui a alguns dias? – Perguntou o loiro.
Blaine deu graças a Deus que seu carro havia chegado.
— Sim, te mantenho informado sobre tudo. Boa noite, Allan. – Blaine pegou as chaves das mãos do manobrista, agradeceu e logo entrou no carro, já pisando fundo. – Que cara insuportável! – Blaine começou a desfazer sua gravata e se livrar de seu blazer. – Espero que Kurt e os meninos estejam acordados.
Em menos de uma hora, o homem chegou na frente de casa. Blaine desligou o motor, tirou as chaves da ignição e foi em direção a casa dos Hummels. O moreno por um momento pensou em apertar a campainha, mas se lembrou que Kurt poderia estar dormindo e que tinha uma chave. Então a retirou do bolso, colocou na fechadura e entrou na casa.
Ao entrar na casa, tudo parecia mais quentinho e calmo. Blaine ouviu alguns sons vindos da sala, mas se tocou de que era uma música e uma da qual ele conhecia. Blaine caminhou mais um pouco e pôde ver que estava certo, era uma música de “A Princesa e o Sapo”. O moreno percebeu as três cabeças no sofá. Se Ian não havia vindo falar com ele, significava que todos estavam dormindo.
Blaine se moveu para frente do sofá e ficou observando a cena dos dois meninos com as cabeças sobre os ombros de Kurt e o castanho mais velho abraçando os meninos. O moreno tratou de tirar o celular do bolso e registrar aquilo. Com o barulho, Kurt acabou acordando.
— Blaine? – Perguntou ele meio sonolento.
— K-kurt, uhn... Me desculpa, eu não queria te acordar. – Blaine escondeu o celular rapidamente para não tornar a situação mais constrangedora.
— Você chegou agora? – Kurt saiu do meio dos meninos, que se mexeram um pouco mas voltaram a dormir.
— Sim, e-eu... Eu acabei de chegar sim. – Blaine abaixou o olhar e viu a mesa de centro com as caixas de pizzas. – Vejo que receberam as pizzas.
— Oh, sim. Obrigado, Blaine. Os meninos adoraram e se acabaram. – Disse Kurt pegando as caixas e se levantando do móvel. – E então, me diga como foi seu encontro romântico. O cara era legal?
— Encontro romântico? E-eu não estava em um encontro romântico... – Magicamente Kurt despertou.
— Oh não? E-eu achei que fosse. Toda a produção, o jantar e aquela coisa de não poder perder.
— Sim, eu realmente não poderia perder porque era um cliente meu. Ele está se separando do marido e acabou precisando de um advogado, então me contratou. Ele acabou sugerindo um jantar, mas eu deveria ter desconfiado que ele queria um pouco mais.
— Oh, foi? – Kurt estava se interessando com aquilo.
— Ele queria que eu bebesse, ficava passando a mão sobre a minha. Na hora de ir embora, achei que ele fosse pedir para vir comigo. – Blaine rolou os olhos para o tamanho absurdo. – Mudando de assunto, Ian se comportou?
— Sim. Ele é um doce de menino. – Kurt disse limpando as mãos e voltando para sala. – Eles se divertiram bastante hoje. Estávamos assistindo “A Princesa e o Sapo”.
— Ah, eu vi. Eu amo esse filme. Mas “A Pequena Sereia” é muito melhor. – Disse Blaine sorrindo para as imagens que passava na televisão. Kurt tinha os olhos um tanto quanto dilatados. – It don’t take a word. Not a single word. Go on and kiss the... – Quando Blaine tirou os olhos da televisão e se mudou para figura em sua frente, percebeu que estava perto demais de Kurt. – E-eu preciso ir. — O homem foi pegar Ian no colo e o deitou a cabeça do menino em seu ombro. – Nos vemos amanhã, Kurt. Muito obrigado. Boa noite. – Blaine praticamente saiu correndo da casa do castanho.
Kurt com cuidado foi fechar a porta e ficou atrás dela com um sorriso bobo nos lábios. Ele passava os dedos delicadamente sobre sua mão.
— ... Boy?
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