Açúcar?
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Notas iniciais
Era primeira semana de outubro e pelos corredores era possível escutar as pessoas cochichando sobre alguma coisa. August e Ian não faziam a menor ideia do que era, já que haviam voltado de viagem recentemente e não sabiam o que havia acontecido na última semana na escola.
– Será que é sobre algum jogo ou filme novo? – Perguntou Ian. Os dois estavam indo para a aula de Inglês. Por todo o corredor, todos apenas conversavam uns grudados nos outros e com um tom de voz realmente baixo.
– Não sei, mas pode ser uma fofoca sobre alguém. De qualquer forma, ficaremos sabendo, então é só esperar. – Os dois entraram na sala da senhorita Allen.
Os dois sentavam juntos perto da janela. Enquanto eles arrumavam suas coisas e guardavam suas mochilas, outros alunos e a professora apareceram. Em instantes, todos já estavam focados na jovem loira na frente da sala.
– Bom dia, pessoal. Tenho uma notícia para vocês. – Não que a mulher fosse chata ou uma má professora, pelo contrário, mas as vezes sua voz poderia ser um pouco irritante. Algumas pessoas já até pareciam saber o que era. – Como vocês estão na quinta série, vocês já podem ter o primeiro baile de Halloween. – A sala inteira se animou. Algumas meninas batiam palmas animadinhas.
– Provavelmente era disso que todos estavam falando. – August cochichou no ouvido de Ian, que concordou com a cabeça. O Hummel prestou mais atenção na professora.
– Mas assim como no Ensino Médio, a escola vai fornecer todos os itens da festa que o presidente de classe deverá organizar até o final do mês. – Muitas pessoas se animaram ao ouvir as três palavras. Quem não gostaria de ser presidente da classe e mandar em todo mundo? August gostaria. – Se o presidente tiver um bom desempenho na festa, ele poderá ocupar o cargo pelo resto do ano letivo. Caso consiga fazer um ótimo trabalho por todo ano, como incentivar a sala conseguir boas notas e não causar problemas, vocês ganharão outra festa no final do ano letivo.
August sorriu. Ele definitivamente queria aquilo. Essa sede de conquista, gosto pelo desafio, sentir o calor do holofote, haviam vindo da genética de Kurt. Ele já estava com milhões de ideias do que iria fazer para a festa e para sua fantasia. O garoto também podia sentir que iria ganhar, pois a sala inteira gostava dele. Ele era o mais engraçado da classe e os professores poderiam vê-lo mais do que uma mente para a maldade.
– Preparem a faixa e a chave da escola com um A e um H, porque eu serei o presidente. – Disse ele para o castanho ao seu lado.
– Mas lembrem-se, o presidente deverá ser alguém que tenha grande responsabilidade e competência para assumir esse cargo. Os finalistas irão discursar em frente todo quinto o ano antes da votação na sexta-feira. – Todas as cabeças concordavam compreensivamente. – Então, quem vai querer se candidatar?
August levantou o braço o mais alto que pôde. Alguns dos meninos que sentavam atrás dele, deram tapinhas em seu ombro, o incentivando.
– O Hummel? Competência e ele são opostos naturais. – Uma voz que soava como unhas raspando em vidro vieram do fundo da sala. O castanho pôde ouvir algumas risadinhas no fundo da sala. – Professora, eu quero concorrer, porque eu não quero chegar na festa e encontrar um enorme desastre.
Ricky Teller era um dos seres humanos que August mais detestava. Ricky era um menino muito rico, filho do prefeito de Tallahassee. August tinha certeza que ele só estudava em uma escola pública porque gostava de se exibir, já que nas escolas particulares ele era só mais um.
August se virou lentamente para olhar nos olhos azuis do menino. Ele sempre andava com roupas de marca e os cabelos loiros para trás com uma grande quantidade de gel. Ele tinha um sorriso cheio de superioridade para o menino. Ele andava com mais dois meninos, tão loiros e ricos como ele. Trent e Albert. Dois idiotas que faziam tudo o que ele pedia.
– Como inteligência e Ricky, que são como óleo e água. – Algumas pessoas deram gargalhadas. – Você diz que minha festa será um desastre, porque ficará familiarizado com ela lembrar seu quarto, já que para você todo dia é Halloween com isso que você chama de rosto. – Mais algumas risadas. Ricky ficava vermelho de raiva. – Mas espera, você sabe que Halloween é aquele dia que você supostamente marca como “O Dia do Ricky”, certo? Aquele dia do ano em que você acha que as pessoas fazem homenagens a você e sua árvore genealógica.
– Não, mas esse ano farei uma homenagem para seu pai. Um unicórnio, talvez. – Trent e Albert deram risadas forçadas. August apertou os olhos, enquanto Ricky ergueu uma sobrancelha. Ricky sempre usava Kurt para ofender o menino.
– Eu já entrarei mais no clima Halloween e farei homenagem a você: “A loira burra do banheiro”. – August também ergueu uma sobrancelha, enquanto apertava os dentes, formando um sorriso sínico. Faíscas saiam dos olhos dos dois meninos.
– Ok, meninos. Vocês não estão cumprindo com as responsabilidades e estão causando problemas. – Ela pegou um papel e começou a anotar os nomes. – August Hummel e Ricky Teller. – Disse ela ao escrever. – Preparem seus cartazes de campanha, ideias para a festa e tragam na próxima aula. Dessa forma, os alunos já poderão ter uma melhor ideia de quem irão votar antes do último discurso. – A mulher encarou os dois meninos, que concordaram e depois se voltou para o quadro, dando início a aula.
August e Ian já começaram a pegar seus cadernos.
– Nem preciso ver as ideias para saber em quem eu vou voltar. August é legal e tudo mais, mas ele não fez um trabalho direito ano passado, quem dirá uma festa. – August ouvia atentamente uma menina um pouco atrás dele. Ela tentava dizer em um tom baixo, mas não estava conseguindo. – Sem contar que Ricky frequenta várias festas e vai saber o que fazer. Eu não sei vocês, mas a decisão não está difícil para mim.
August, olhou por cima do ombro para a menina, que notara a atenção do menino e voltou para o caderno, constrangida. O menino sentia como se alguém tivesse dado um soco em seu estomago. Então era essa imagem que ele tinha? As pessoas não davam nem um voto de confiança nele?
[...]
– Acho que vou desistir da presidência... – August estava deitado de barriga para cima na cama de Ian e jogava o pomo de ouro do menino para o alto.
– Motivos? – Ian não tirara seus olhos de seu dever.
– Ricky vai vencer de qualquer forma. Ouvi algumas meninas da sala comentando que eu sou muito incompetente. Se ela e Ricky tem essa imagem de mim, talvez a sala inteira tenha. – Ian, virou na sua cadeira para olha-lo. – Uma delas até disse que saberia em que votar, porque aparentemente, Ricky frequenta aquelas festas chatas de velhos com o pai dele e sabe como montar uma. – August rolou os olhos.
– Primeiro de tudo, solta minha almofada do pomo. Segundo, quem é você? Achei que você fosse um pouco mais confiante. Ricky não vai ser páreo para você.
– Eu não tenho muita habilidade para falar em público, Ian. – O menino se sentou na cama, deixando as pernas penduradas.
– Isso é o que você acha, mas não é a verdade. – Ian foi até o vizinho. – Você é bom com as palavras, August. Você é uma das únicas pessoas que sabe exatamente o que me dizer quando estou mal. Você sabe usar as palavras de forma inteligente e ajudar as pessoas. – August sorriu sem graça. – Falo isso por experiência própria. Você só precisa canalizar tudo isso para convencer a sala. Eles já gostam de você, agora só mostrar toda a inteligência que eu sei que existe nessa cabeça feia.
– Você sabe falar e escrever bem, poderia me ensinar como falar bem em público, sabe, como um prefeito mesmo. Porque pode acontecer do Ricky me insultar de alguma forma e fazer a mesma coisa que eu fiz na sala hoje, então aí que eu vou perder mesmo. – Ian pensou por um instante, antes de ter a ideia perfeita.
– Então meu jovem, eu só tenho uma coisa para te dizer. – O menino se afastou e foi até uma prateleira. – Tudo o que você precisa fazer está aqui. – O menino entregou “Harry Potter e a Pedra Filosofal” para o vizinho.
– Eu não sei fazer magia, meu querido. – Respondeu, pegando o livro e analisando a capa.
– Você vai ler ele. – August o encarou. – A melhor forma de você saber estruturar um texto ou falar coisas inteligente, é lendo e escrevendo. Praticando. – August olhou para o livro. – Você vai ler esse livro e depois me fazer um pequeno artigo de opinião sobre ele. São sete livros, no final do último, você vai perceber o quão melhor você ficou.
– São por volta de três mil páginas. Como eu vou ler isso em uma semana? – O menino foleou todas as páginas rapidamente.
– Quando perceber, você já vai estar pedindo pelo “A Relíquias da Morte”. – Ian bateu na perna do garoto de um modo incentivador.
– Espero que nenhum professor passe trabalho ou deveres. – Disse ele abrindo o primeiro livro e lendo a primeira página.
– Se eles passarem, eu faço para você. – Ian havia voltado para sua lição. – Não perderei a oportunidade de ver você lendo Harry Potter.
[...]
No meio da semana, August já tinha lido até “O Cálice de Fogo” e não parava de mandar mensagens para Ian no meio da madrugada, fazendo milhões de perguntas. Muitas delas para perguntar se alguns personagens estavam vivos. Pior de tudo era quando o menino assistia os filmes e percebia que vários detalhes estavam diferentes ou faltavam cenas.
Como Ian havia previsto, August havia melhorado sua escrita e sabia argumentar melhor agora, inclusive usar palavras que ele nem ao menos sabia antes. Quando terminou sua resenha de “A Ordem da Fênix” na quinta de manhã, depois de discutir a noite inteira sobre a morte de Sirius Black com o Anderson. Enquanto August havia ficado com a parte do conceito do cartaz da campanha e das placas demonstrativas, Ian havia executado tudo no computador, conforme August havia solicitado.
Na quinta-feira Ian pediu que Blaine levasse August e ele para escola, para não correrem o risco de perdem todo o material no ônibus escolar. Por todo o caminho, August foi lendo “O Enigma do Príncipe” concentradíssimo, enquanto Blaine e Ian discutiam sobre o almoço.
Quando chegaram na escola, os dois foram direto para a sala da senhorita Allen. A professora já estava na sala, junto a alguns alunos, inclusive Ricky, que já tinha todo seu material montado e conversava com seus fiéis escudeiros.
– Bom dia, August. Pronto para apresentar sua ideia? – Perguntou ao garoto, assim que ele entrou na sala. August concordou positivamente enquanto arrumava o cavalete onde colocaria suas ideias, junto a Ian.
– Pronto para perder feio, Hummel? – Perguntou Ricky com prepotência. Trent e Albert deram risadinhas. August não podia deixar de comparar os três com Draco, Crabbe e Goyle. Ian achava uma teoria interessante, desde que ele fosse o Harry e August o Rony.
– Claro. – O menino sorriu e Ricky franziu a testa. – Mas como eu sei que isso não vai acontecer, estou tranquilo. – August mandou outro sorriso e se virou para Ian, que terminou os ajustes e foi se sentar, o desejando boa sorte.
Trent e Albert também foram se sentar. Quando recebeu a confirmação dos meninos de que poderia começar a aula, a professora se virou para a sala inteira, batendo palmas e chamando a atenção de todos. Com a chega de alguns, a sala finalmente estava completa e atenta.
– Hoje os senhores Teller e Hummel, irão apresentar suas ideias finais e seus cartazes de campanha, que ficarão colados na sala até o final do dia, já que a quinta série será a única a participar da votação. Boa sorte, meninos. – Ela foi se sentar no fundo da sala, para poder ver os dois. – Primeiro, será o senhor Teller.
Todos se voltaram para o loiro arrogante.
– Queridos colegas, depois de pensar muito sobre o tema da festa, não veio outra coisa a não ser: A Noite da Trevas. – Disse ele todo animado. A sala não parecia ter se surpreendido.
– Ou seja, o Halloween. – Disse um menino no fundo da sala. August manteve o rosto sério, mas queria muito dar risada.
– Isso! Nós poderemos vestir do monstro que quisermos, sem regras. – O menino revelava o cartaz, que introduzia vários monstros, mas nenhum tema específico. – Eu vou espalhar teias de aranhas por todos os cantos, abóboras, velas e doces. – O menino voltou para seu cavalete, onde mostrou o pôster de sua campanha, onde tinha sua foto vestido de príncipe. – Vote em Teller. – O menino acenou para a sala e mostrava um grande sorriso. August abaixou a cabeça para dar um sorriso bem sarcástico.
Apenas a professora, Trent e Albert aplaudiram a apresentação, enquanto os demais se perguntavam se aquilo era sério. O Hummel observou a menina que havia dito sobre ter seu voto escolhido, com a boca aberta e totalmente chocada.
– Tudo bem... Senhor Hummel, sua vez, por favor. – Disse ela, sem tirar os olhos do trabalho de Ricky. Ela não deveria julgar aquilo, mas aquele resultado não era o que ela esperava do loiro.
Agora toda sala olhava para August, que como um bom Hummel, gostou da atenção.
– Olá, a todos. Nesses dias, pensei em diversos temas, como “Aqui Jaz Um Ídolo” onde me imaginei de Jason, cometendo suicídio, porque quem mais poderia matar o Jason, se não ele mesmo? – Alguns garotos gostaram da ideia. – Mas também pensei em “Aquele Que Morreu no Netflix” onde teríamos que nos fantasiar como alguém de uma série que assistimos, mas não seria Halloween se as meninas viessem vestidas de princesas como as personagens de “Once Upon A Time”. – As meninas sorriram para o garoto em simpatia. – Então eu precisava de uma coisa assustadora, real, onde ninguém encontrasse dificuldade de para achar as fantasias e que meninos e meninas gostassem, onde gerei isso. – O menino deixou um pano preto cair de seu cavalete, revelando o cartaz de sua festa. – “A Maldição do Dia das Bruxas”. Vamos nos vestir todos como bruxos. Procurem o bruxo mais assustador, desde a Bruxa do Oeste até a Bruxa do Mar, de “American Horror Story: Coven” até “The Secret Circle”, de “Bruxos e Bruxas” até “Harry Potter”. – O menino sorriu para Ian, que já sabia exatamente com que fantasia iria. – A decoração vai ser voltada toda para esse universo. Não teremos água, mas teremos muitos cadeirões, livros de feitiços, gatos pretos, pernas de aranhas, asas de morcego, espera, acho que acabei de receitar uma de minhas poções. – E com essa frase, o menino conquistou a sala, a professora e risadas. – Preparem em suas fantasias, e vamos descobrir quem será o bruxo mais poderoso da festa. Que a melhor bruxaria, vença. – Disse ele, antes de mostrar seu cartaz, onde havia Elphaba, do espetáculo Wicked.
A sala inteira explodiu em aplausos. Alguns meninos até pegaram as canetas para usarem como varinhas imaginárias.
– Não achei nada de demais nessa ideia. – Resmungou Ricky.
A professora caminhou até a frente da sala, com um sorriso enorme no rosto. Ela se mudou para sala, pedindo silencio e que se controlassem.
– Bom, aqui temos nossas propostas. Amanhã será a votação. Pensem bem em quem vão querer que esteja a frente da nossa sala. – Ela olhou para os meninos. – Tragam seus discursos e como diria o senhor Hummel: Que a melhor bruxaria, vença! – Mais aplausos vieram para August, que tinha as bochechas coradas. – Agora abram os livros na página vinte e dois. Meninos, já podem ir para seus lugares, obrigado.
Os dois garotos arrumaram suas coisas rapidamente e logo foram para seus lugares. August sentia satisfeito e orgulhoso de si mesmo. Quando sentou ao lado de Ian, o garoto o cumprimentou com tapinhas nas costas.
– Já sabe qual será sua fantasia? – Perguntou August.
– Vou de Harry, é claro. E você? – O Anderson copiava a matéria que era passada na lousa em seu caderno.
– Elphaba está prestes a ganhar um irmão. – O menino não consiga conter o sorriso. Ele já imaginava a fantasia perfeita que Kurt criaria para ele. Não havia dúvida que ele seria o bruxo bem mais vestido da festa.
Mal o menino sabia, que Ricky o olhava como se quisesse perfura-lo. Ele não deixaria August vencer assim. Ele já tinha sua carta na manga.
[...]
Quatro horas da manhã, Ian escutou a janela de seu quarto sendo aberta. Alguém estava entrando em seu quarto. O menino tentou olhar por cima do ombro, mas era difícil enxergar alguma coisa com as luzes apagadas e a lua escondida por de trás das nuvens.
O menino viu a silhueta da pessoa se aproximar de sua cama e passar por ela. Ele poderia dizer que era seu pai, que havia vindo fechar a janela do quarto, se a janela não tivesse continuado aberta. Ian se manteve em silêncio para saber se a pessoa sairá do quarto, mas quando pegou o celular, algo pesado caiu em cima de seu rosto.
– Aí! – Gritou de dor. O menino sentou na cama e apontou a lanterna do telefone para a forma. Era August. – O que você está fazendo aqui? E porque jogou isso em mim? – O menino foi confirmar o que era. Era seu exemplar de “O Enigma do Príncipe”.
– Espero que tenha tido uma boa vida, Ian Anderson, pois ela vai acabar agora mesmo. – August pulou em cima de Ian e agarrou o pescoço do menino.
– O que foi que aconteceu? – Eles não estavam se importando muito com o horário e continuaram falando alto.
– Como assim Dumbledore morre?! Como você me dá um livro desses para ler? Primeiro Sirius, agora Dumbledore. O quê, vai me dizer que Harry morre no final também? – August pegara a almofada mais próxima tentara sufocar Ian. – Eu tenho vontade de pegar você e Snape e lançar um Avada Kedavra.
– Na verdade, Harry acaba morrendo no-
– Cala essa boca! Cala essa boca! Fica quieto! Eu não mandei você falar nada. Quem vai morrer é você, seu projeto de Sonserino. Minha vontade é pegar um balaço e jogar em você até que seus ossos fiquem todos triturados e nem se você tomar uma poção Esquelesce vai adiantar de alguma coisa. – August agora batia em Ian com os punhos fechados.
Blaine entrou no quarto e acendeu a luz.
– Ian, o q– August?! O que está acontecendo aqui? – Perguntou o moreno sem folego.
– Ele acabou de descobrir que Dumbledore morre. – Ian dizia com um pouco de dificuldade, pois August ainda estava em cima dele. Depois de dizer isso, August fez o cobertor de Ian como mordaça.
– Uh... Precisa de ajuda? – Perguntou o moreno olhando para a situação dos meninos. August estava vermelho de raiva. Ian conseguiu se livrar do cobertor.
– Na verdade não, consigo lidar com ele. – August agora mordera seu braço e recebeu um tapa na testa de Ian. – Obrigado. – Dizia ele como se toda a situação fosse normal.
– Sejam menos barulhentos. Boa noite, meninos. – Desejou Blaine saindo do quarto.
– Boa noite. – Disseram os dois juntos.
– Saí de cima de mim, por favor. – Pediu Ian. – Amanhã, votarei no Ricky. – Ameaçou o garoto, não aguentando a pose e caindo na gargalhada.
– Vota mesmo, assim eu lanço um Obliviate em você e você vai esquecer até de como se anda. – August parou de bater no vizinho e logo saiu de cima dele. – Se mais alguém morrer nessa história, eu mesmo vou tratar da sua morte. Isso, foi um aviso. – O garoto desceu da cama pela escada e foi direto para a prateleira onde ficavam os livros de Ian, retirando o “As Relíquias da Morte”. – Está avisado. – O garoto saiu pela janela.
– Eu não faço a mínima ideia de como ele conseguiu subir aqui. – Disse Ian antes de colocar o livro e o celular em um canto e voltar a dormir. – Amanhã não posso esquecer de colocar pregos nas janelas e dormir com um algo bem pontudo do meu lado. – Em seguida, o menino caiu em um sono profundo.
[...]
Na manhã seguinte, toda a sala estava no ginásio. A professora Allen havia posto um palanque e os cartazes dos meninos de cada lado. Enquanto toda sala desenvolvia uma conversa animada sobre a festa de August, os meninos se preparavam no vestiário do time de futebol.
Ricky trocava de roupa pela terceira vez e August dividia sua atenção em decorar seu discurso e no livro de Ian. O menino já tinha lido quase um quarto do livro.
– Já sabe o que vai vestir para minha festa, Hummel? – Perguntou Ricky arrumando sua gravata borboleta no espelho do vestiário improvisado.
– Sei. Nada, porque não haverá nenhuma festa sua. Agora se você puder calar essa sinfonia de latas de lixos e garrafas de vidro que chama de voz, eu ficaria muito agradecido. – O garoto nem ao menos havia olhada para Ricky.
– Quero ver você continuar com toda essa prepotência quando eu terminar o meu discurso. – Disse o menino em um tom tão baixo, que August nem notara que ele tivesse dito algo.
– Meninos? Prontos? – Perguntou a professora entrando no vestiário.
– Nasci pronto professora. – Disse Ricky, passando pela professora e indo para o ginásio.
August marcou a página do livro, pegou seu discurso e passou pela professora, dando um pequeno sorriso para ela. Ele se dirigiu em silencio até o ginásio, enquanto lia mais uma vez seu discurso. Havia ficado muito bom. Ele não poderia agradecer mais a Ian.
Os meninos foram recebidos com uma grande salva de palmas de todos os alunos. Cada um ficou de frente para seu cartaz, enquanto a professora tomou o microfone.
– Bom dia, alunos. Hoje chegou o grande dia, onde os alunos discursarão porque devem ser os presidentes de classe. – Quando concluiu, recebeu mais aplausos. August notara que Ian distribuíra vários botons com a imagem de seu cartaz. – Para dar início, por favor, senhor Hummel. – Vários aplausos vieram da plateia. Quando August ia tomar a frente, Ricky foi mais rápido e pedira a professora para ser o primeiro. Antes que o castanho tomasse o microfone, a professora consultou com August, que permitiu. – Uma pequena mudança. Com vocês, o senhor Teller.
Apenas Trent e Albert bateram palmas para o loiro. August sorriu constrangido pela clara preferência da sala.
O menino bateu algumas vezes no microfone com o indicador.
– Bom dia, caros amigos. Hoje direi porque acredito que mereço ser o presidente de classe e organizar a festa de Halloween. Bom, a resposta é clara: eu posso fazer a festa acontecer. – August franziu a testa e entortou o pescoço para o menino, aguardando o pior. – Como muitos sabem, meu pai é o prefeito da cidade, então a liderança vem de família e garanto que da mesma forma que ele administra a cidade com competência, eu serei um ótimo presidente de classe. – August deixou seu queixo cair com o apelo de Ricky. Ele sabia que o menino era baixo, mas não tão baixo. – Além disso, com a ajuda dele, poderei contratar o melhor buffet do estado e o DJ mais recomendado. Não faltará comida e música boa. Na parte de decoração e atividades, tenho uma equipe toda preparada para isso. Como eu disse, eu posso fazer a festa acontecer. Votem em mim, que vocês não se arrepender e nem da festa esquecer. Vote em Teller, para uma sala crescer.
O espanto de August era tão claro quanto sua boca escancarada. A situação só piorou quando a sala inteira o aplaudiu. A professora deu apenas algumas lentas palmas por educação, pois até ela achava que o menino havia jogado sujo e sendo exagerado.
– Ok. Obrigado, Ricky. – Disse a professora quando retornou ao microfone. – Sem mais delongas, August Hummel.
A sala novamente aplaudiu o menino, mas com uma certa diferença da primeira vez. August caminhou lentamente até o palco, enquanto colocava seus pensamentos em ordem.
– Agora todos acham que Ricky pode fazer uma festa melhor e duvidam de mim novamente. Tolos! Isso é manipulação das mais baixas! Esse meu discurso não estava esperando isso. Preciso dizer alguma coisa que rebata a isso. – August se virou para Ian. O menino de longe mostrou os dois polegares para ele e um largo sorriso. – Eu vou mostrar para eles do que eu sou capaz de fazer. – August olhou para os colegas de classe. – Bom dia a todos. Meus motivos para querer me tornar presidente de classe são muito claros. Não quero ser alguém que seja melhor do que vocês, quero ser alguém que represente vocês. Ser a nossa cara e ser um porta-voz da quinta série nessa escola. Assumir esse posto vai ser mais do que ter uma festa no final do mês, isso vai mostrar que vocês confiam em mim e que eu não preciso ter um pai milionário para conseguir isso. – Uma leve tensão surgiu no ar. – Sei que se me tornar presidente da classe, irei produzir uma festa que vai ser lembrada até a próxima, pois também sei que somos capazes de conseguir a festa no final do ano letivo. – Algumas pessoas deram gritos animados. August manteve-se sério. – Ouvi muitas pessoas dizendo que não sou responsável e que não tenho capacidade para fazer as coisas acontecerem. Gostaria de dizer que vocês estão erradas, pois não precisei de ninguém para decidir meu tema, não precisei de ninguém para escrever minhas palavras, pois elas estão sendo sinceras e também não precisarei de ninguém para montar uma festa, porque tenho capacidade o suficiente para fazer isso sozinho. – Algumas pessoas arriscavam olhar para Ricky, que claramente queimava de ódio. Era possível ver fumaça saindo de suas orelhas. – Estou cansado de aceitar limites, porque alguém diz que eles são assim, algumas coisas eu não posso mudar, mas até eu tentar, vocês nunca vão saber. Todos merecem a chance de voar. Hoje espero que me deem a chance de subir em minha vassoura e me torne o presidente. É hora de confiar nos seus instintos, fechar os olhos e votar. Vote no Hummel.
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