Açúcar?
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Notas iniciais
Mais uma semana se passara. Os Hummel e Anderson aproveitaram cada instante que passaram juntos. Os meninos se divertiam tanto, que dormiam antes mesmo de chegarem na cama. Ian sentira que aquela era a melhor semana de sua vida e não havia como negar ou duvidar. August por mais que algumas vezes se sentisse um peixe fora d’água por ser o único que não entendia sobre Harry Potter, colocou o passeio como uma das suas melhores férias.
Para o novo casal, tudo estava correndo como Blaine imaginava. Kurt tinha uns determinados bloqueios por querer fazer algumas coisas no tempo certo e por tentar esconder o relacionamento dos meninos; como querer dormir em camas separadas com os filhos. Mesmos com todas as regras, Blaine nem sonhava em achar ruim ou coisa do tipo, ele finalmente estava namorando Kurt. O moreno aproveitava cada dia para descobrir mais de Kurt, se fosse possível, e beija-lo. Era uma vitória.
Os quatro agora voltavam para o Tallahassee. Blaine dirigia, Kurt ao seu lado e os meninos no banco traseiro, dormindo. Eles já haviam entrado na cidade e agora iam para a vizinhança. O moreno olhou pelo retrovisor para ter certeza que os meninos estavam dormindo, em seguida ele olhou para Kurt e colocou a mão em sua coxa.
O castanho deu um pulo, tirou os olhos da janela e olhou para os meninos.
– Porque fez isso? – Sussurrou ele. – Já pedi para se controlar. Eles não podem saber de jeito nenhum. – Kurt tirou a mão de Blaine de cima de sua perna, mas não soltou porque o moreno não soltou.
– Você pode se acalmar, por favor? – O moreno disse depois de soltar uma gargalhada gostosa. – Eles estão dormindo, não tem porque ficar tão encabulado. – Blaine entrelaçou seus dedos com os de Kurt.
– Mas eles podem acordar, e explicar o que está acontecendo enquanto estamos dentro do carro e não temos para onde correr, vai ser esquisito. – Kurt olhou para a mão de Blaine na sua e para o polegar que alisava sua pele, não pôde evitar de sorrir.
– Ou talvez seja porque toda vez que eu chego perto de determinada parte de seu corpo, você fica estranho. – Enquanto dizia isso, o moreno retornou com a mão para coxa de Kurt e foi subindo. O castanho ficou paralisado como pedra. Blaine tirou os olhos das ruas por alguns instantes, para olhar para Kurt. – Ei, você tem vergonha de ficar intimo com alguém de novo? – O moreno tinha um sorriso no rosto.
– É que é meio complicado eu argumentar alguma coisa, quando meu primeiro namorado se tornou meu marido. – Kurt ainda continuava parado, segurando o assento do banco com as duas mãos. – Você pode por favor parar? – Pediu ele com uma voz robótica. – Jesus, eu me sinto como uma adolescente idiota. O mesmo Kurt de alguns anos atrás. – O Hummel olhou para a janela, assim Blaine não veria suas bochechas coradas.
– Desculpa. – Disse o moreno voltando a pegar a mão de Kurt e beija-la. – Mas eu pelo menos posso ficar por dentro de quando vamos contar para eles? – Blaine voltara a dirigir com as duas mãos.
– Eu não sei, mas não acho que seria bom nós contarmos agora. É muito recente. – Disse ele. – E eu ainda preciso me preparar para qualquer coisa que August venha dizer. Você sabe, ele é rápido com as palavras. É só preparar o campo. – O castanho olhou para o filho rapidamente no banco traseiro.
– Avisou para alguém que estávamos voltando hoje? – Perguntou o moreno fazendo com que Kurt olhasse para ele.
– Não, por quê? – O castanho olhou para suas casas, onde havia um carro estacionado na frente. – Na verdade, eu deveria te fazer essa pergunta. O carro está na frente da sua casa.
Os dois se aproximaram da casa. Blaine não fazia ideia de quem poderia ser. O moreno estacionou o carro na frente da casa de Kurt. Enquanto o castanho ia acordando os meninos, o Anderson saiu do carro e foi para perto do outro veículo. Ele apoiou as duas mãos no vidro filmado para tentar ver alguém, mas o carro estava vazio.
– Está vazio. – Disse ele ao namorado.
– Talvez seja de algum adolescente que foi para casa de taxi ou deve ter acabado a gasolina. – Sugeriu o castanho.
Blaine tirou os olhos do homem há cinco metros dele e olhou para sua casa, a porta estava aberta. Ele definitivamente não havia deixado a porta aberta.
– Não vem atrás de mim, fique com as crianças na sua casa. – Blaine começou a correr para sua casa.
– Blaine, o quê- Blaine! – Kurt gritava, mas o moreno não parecia dar ouvidos. Só quando o moreno já foi abrindo a porta ao invés de usar chaves, foi que ele se tocou. – M-meninos, acordem. – Disse ele sacudindo um pouco August.
O Anderson entrou em casa, mas essa estava em total silencio. Ele pegou um guarda-chuva grande no corredor e o segurou como se fosse um taco de beisebol. Ele caminhou no corredor olhando para a escada a sua frente, caso alguém aparecesse.
Ele escutou alguma coisa vinda da cozinha, então foi direto para a mesma.
– Ei, Blaine. – A voz fez Blaine dar um pulo e girar o guarda-chuva, acertando a parede que separava a sala e o corredor. – Nossa, você bem que poderia me receber melhor. – Agora que o susto havia passado, Blaine reconhecia a voz.
– Scott! – Disse ele com os dentes cerrados. – Eu posso saber o que está fazendo aqui? E como você invadiu minha casa? – Perguntou Blaine. Ele reparou que o loiro segurava um porta-retrato de Ian.
– Isso não importa, mas a primeira pergunta sim. Eu estou aqui para recuperar minha família. – Disse ele cruzando os braços. O Anderson estava chocado, mas não pode evitar de rir do papel patético de Scott. – Eu estou falando sério, ok? Eu fui um completo idiota. Eu sinto sua falta e sinto falta de Ian. E então, o que me diz? – Blaine o encarou dos pés à cabeça.
– A julgar pela sua aparência deplorável e os restos de comida em cima da mesa, eu diria que você foi chutado pelo seu amante e só está aqui porque precisa de um lugar para ficar. – Blaine colocou o guarda-chuva na escada.
– Como pode ter tanta certeza disso? – Dizia ele com a voz falha.
– Ah por favor, Scott. Eu sou advogado, consigo ver nos olhos da pessoa o medo de ser preso, e no seu caso, o medo de não ter para onde ir. – Blaine bufou quando o outro abaixou a cabeça e analisou as mãos. – Você fez sua escolha há muito tempo e eu sei muito bem que desde começo nunca foi eu, mas obrigado, graças a você, eu abri os olhos e hoje finalmente estou com alguém que gosta de mim.
– Espera, quer dizer que você está namorando? Com quem? Quem é o idiota que roubou você de mim? – O loiro se aproximou de Blaine, até que os dois ficaram frente a frente no corredor.
Na porta de entrada, um inseguro Kurt apareceu.
– Blaine?! – Chamou ele. O castanho não sabia o que pensar daquilo. Realmente havia um ladrão na casa de Blaine e eles estavam cara a cara, mas o confuso era os dois estarem perto demais e o Anderson não estar fazendo nada.
– O-o quê- Espera. É ele? – Scott olhara para Kurt rapidamente e depois voltara para Blaine. – Então é esse o mais novo senhor Anderson? – Scott se virou para Kurt e o analisou. – Parece que seu gosto realmente desceu de nível Blaine, não sabia que agora havia virado hétero e está namorando meninas.
– O-o que está acontecendo aqui? – Perguntou castanho entrando na casa lentamente.
– Kurt, esse é o Scott. – Disse Blaine com as mãos na cintura, mas não tendo coragem de encarar Kurt.
– S-Scott? O Scott? – Blaine olhou para ele e concordou com a cabeça. – Oh...
– Oh... Por favor, você é patético, cara. – Scott imitara o som da voz de Kurt. – Sim, sou eu, o Scott. O pai de Ian, o marido de Blaine e o novo morador dessa casa. E você faz o favor de esquecer que um dia você namorou o meu Blaine. – O Hummel abriu a boca rapidamente com a surpresa.
– Não, você não é pai do Ian, você não é meu marido e muito menos morador dessa casa. – Blaine empurrou ele. – Some da minha casa. Agora. – Falou ele com um tom autoritário. – Scott franziu a testa para Blaine, como se não o reconhecesse.
– Então é assim? Depois de tudo que nós passamos, vou ser trocado por isso? – Com o braço, ele indicava Kurt.
– Fui trocado antes. – Disse ele com frieza, como se aquilo não afetasse mais. – Agora some daqui antes que eu chame a polícia. – Disse Blaine puxando Scott em direção a porta.
– Você – Scott parou no meio do caminho e ficou de frente para Kurt. – pode achar que conhece Blaine, mas não faz. Ele pode ser um príncipe encantado agora, mas ele é tão estúpido que consegue fazer um erro gigantesco e achar que não fez nada, porque o erro para ele não significa nada. – Disse Scott. Kurt olhou para Blaine rapidamente, que encarava Scott com a testa franzida.
– Eu nunca fiz nada para machucar você. Eu sempre fiz de tudo para manter você feliz. – Disse Blaine.
– Esse é o problema! Eu nunca pedi por isso. Eu precisava de um companheiro, não de alguém tentando viver a minha vida. – Disse ele se virando para Blaine.
– A culpa não é minha se você teve más relações o suficiente para deixar seu coração tão obscuro a ponto de ignorar um filho de cinco anos. Não é minha culpa se você não tem capacidade de amar alguém e nem mesmo acreditar que alguém realmente ame você. – Blaine dizia tudo o que sempre quis. – Eu tentei fazer isso dar certo. – Scott se soltou das mãos de Blaine. Ele odiava o fato de Blaine sempre analisar bem a situação para entender como tudo funcionava. Ele era mais um psicólogo do que um advogado.
– Você não vai ser o suficiente para ele. Ninguém nunca vai ser. Eu não sei se é porque ele é burro demais ou se dá demais, mas o amor dele sufoca. Você só vai ser mais um inseguro que não vai aguentar mais um café da manhã na cama, um jantar a luz de velas e uma data comemorativa que ninguém lembra ou sabe. Blaine-
Kurt deu um soco em Scott. O loiro segurava o lado direito do rosto com a mão, completamente chocado.
– Você diz isso porque não é capaz de corresponder o amor. Você não entende como ele consegue amar uma pessoa de uma maneira tão avassaladora, com todo seu coração, enquanto você só consegue usar dez por cento do seu coração e é por isso que você fica com várias pessoas por apenas uma noite, porque elas não amam de volta, não tem sentimento. Assim você não vai se sentir inferior ou incapaz, porque da mesma forma que você não sente nada, elas também não. – Com isso, Kurt recebia olhares arregalado de Scott e Blaine.
O loiro saiu correndo da casa de Blaine, deixando o Anderson e o Hummel se encarando. Kurt mordia os lábios e tinha as sobrancelhas curvadas, como se estivesse prestes a chorar, mas Blaine tinha feição de total espanto. Ou terror.
– E-e-eu...
– Eu vou preparar alguma coisa para os meninos comerem. – O Hummel deu meia volta e foi para sua própria casa.
Blaine ficou encarando seu namorado se retirar.
[...]
A noite havia chegado e com ela uma brisa fria. Blaine e Kurt não se falaram o resto do dia.
O Hummel estava no jardim, tomando uma caneca grande de chá. Ele olhava de tempos em tempos para a casa de Blaine, querendo mais do que tudo conversar com o moreno.
Kurt estava tão focado em um ponto no gramado, que nem ouviu a porta dos fundos sendo aberta. Passos foram em direção a ele e pararam perto de sua orelha.
– Oi. – Cumprimentou Blaine sem graça. Kurt saiu de seus devaneios e olhou para trás, vendo o moreno com um moletom e segurando uma caneca amarela.
– Oi. – O castanho deu um simples sorriso sem mostrar os dentes. – Sente-se. – Disse ele indicando a cadeira ao seu lado. Blaine assim fez.
Eles ficaram um longo tempo em silencio, apenas escutando o barulho da brisa batendo nas folhas das árvores. Blaine sabia que Kurt estava envergonhado e não iria falar se ele não começasse.
– Que dia, não?! – Kurt concordou com a cabeça. Ele já sabia onde a conversa daria, mas seria melhor do que um longo silencio por tempo indeterminado entre os dois, principalmente agora que os dois estavam namorando. – Eu sinto muito por Scott. E-eu não imaginei que ele poderia querer causar alguma coisa entre nós dois.
– Tudo bem. Não foi sua culpa. – O castanho encarava o líquido na caneca. Blaine respirou fundo.
– Não acredite nele, ok? Eu não sou assim. – Blaine intercalava o olhar entre a árvore a sua frente e Kurt. – Ele me fez parecer um maníaco e possessivo, coisa que eu não sou, eu juro. – Blaine se colocava mais a frente, na intenção de olhar nos olhos de Kurt.
– Eu acredito em você. É só que... – O castanho olhou para Blaine. – Eu me lembrei ou finalmente entendi meu medo de aceitar a namorar com você. – Blaine ergueu as sobrancelhas. – Eu tenho medo de receber um “novo” amor. Um amor no qual eu não sei quais são os limites, um amor que eu não saberei medir em “Blaine faria isso” e “Blaine não faria isso”. Entende? – Kurt deixou a caneca de lado. – Lembra quando estávamos conversando hoje mais cedo sobre os limites? É mesma coisa. Eu tenho medo de ultrapassar um limite seu ou você algum meu. E você sabe o que isso pode causar e eu mais uma vez voltaria a ser o Kurt inseguro que tem medo de machucar o coração.
– Eu lutei demais por você para agora simplesmente terminar com você porque fez algo que eu não gosto. – Blaine segurava as duas mãos de Kurt e olhava nos olhos. – Somos um casal, vamos aprender um com outro. Eu te conheço como vizinho e amigo, mas agora tenho a chance de te conhecer como namorado. Ser aberto para alguém dessa forma é se deixar compartilhar tudo com ela, é ser autossuficiente para assumir um compromisso de querer estar com alguém.
– E-eu sei, mas não tenho muita experiência em ficar calmo e deixar as coisas fluírem. – Kurt não queria dizer, mas esperava que Blaine compreendesse que ele estava falando tanto de sexo, quanto o resto. – Eu já tinha comigo uma pessoa que me conhecia, então não tinha porque eu me encabular, pois ele sabia o que me agradava ou não.
– Mas é exatamente o que eu estou te dizendo, meu amor. Isso vocês aprenderam com o tempo, você talvez esteja com medo daquelas duas primeiras semanas de namoro, onde acontecem desconforto em determinadas atitudes, mas tudo vai passar. – Disse Blaine passando as mãos pelo rosto de Kurt, que balançava a cabeça positivamente. Agora ele entendia seus receios e iria lidar com eles. – Mas será que o que Scott disse não é verdade? Eu estou aqui para dizendo um monte de coisas com medo de você me deixar e talvez pensarei em te fazer uma surpresa amanhã. – Blaine encarou o chão. – E se eu estragar as coisas como fiz com Scott? E se meu amor te sufocar?
Kurt sentiu que agora era seu momento de apoiar Blaine e assumir as rédeas.
– Scott é frustrado porque não consegue corresponder um amor de verdade. Eu sim. Ou você acha que eu já não teria pensado nisso quando você me fez uma declaração no meu aniversário ou quando você nos fez um jantar no dia dos namorados? – Kurt levantou o rosto do moreno. – Blaine, eu gosto do seu romantismo e não, você não me sufoca. Você me faz sentir amado todos os dias. Eu não chamo isso de sufoco, eu chamo isso de “querer que as coisas deem certo”; chamo de “se importar com o outro”, como estamos fazendo agora. – Blaine o olhou. – Sim, nós, porque eu também estou aqui te dando vários motivos para dizer: nós daremos certo e vamos passar por essa fase.
– Eu prometo trabalhar essa coisa do sufoco. – Disse Blaine baixinho.
– Você está me escutando ou se escutando? Eu não quero que você mude. Porque foi por esse Blaine por qual eu me apaixonei. – Blaine o olhou espantando novamente. – Sim, eu estou apaixonado por você e pelo seu amor. Você mesmo acabou de dizer, somos um casal. É isso que se trata um relacionamento, se conectar com outra pessoa de uma forma na qual vocês consigam se entender. Nós nos entendemos. Além de seu namorado, quero ser seu amigo e estar para você quando precisar e apoiar suas decisões. – Blaine concordou com lágrimas nos olhos.- Você entende agora?
Blaine concordou com a cabeça. Kurt não precisaria temer o relacionamento, porque eles eram um time e aprenderiam juntos sobre os limites. Blaine não precisaria revisar seus problemas em ser romântico, porque não haviam problemas. Kurt o amava daquela forma. Eles iriam ficar bem.
– Eu te amo tanto. – Disse ele. Kurt segurou os dois lados do rosto dele e o beijou nos lábios, pois sabia que palavras não bastariam agora. Quando se separaram, Blaine parecia estar mais calmo. – Como eu disse em seu aniversário, para mim você é essencial. Você veio para mim na medida certa e eu quero ser o mesmo para você.
– E você já é. – Sorriu Kurt, dando mais um beijo. – A medida está certa, mas o tamanho precisamos revisar. – Brincou o castanho.
– Está me chamando de baixinho? – Perguntou o moreno fungando e ainda com a voz embargada. Kurt limpou uma lágrima de seu rosto.
– Não, só não tão proporcional a minha altura. – Kurt deu uma gargalhada da sua piada, mas logo abraçou o moreno. – Eu te amo, Blaine. Eu te amo da forma que você é: baixinho, dedicado e tudo mais que venha no pacote, porque eu sei que mesmo com os defeitos, você ainda é o Blaine que eu escolhi amar acima de tudo isso.
– Eu também te amo.
Pela primeira vez, os papeis haviam se invertido e Blaine havia visto a parede que Kurt construíra cair e viu o castanho pela primeira vez. O real Kurt, o Kurt pai, namorado, amigo, filho, aquele Kurt que sabe exatamente a coisa certa a se dizer. E essa versão era definitivamente mais bela.
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