Açúcar?
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Notas iniciais
– Ok. Ok. Primeiros avisos antes de entramos. – Os quatro estavam em frente a entrada da Universal. Kurt e August ouviam atentamente as palavras dele, já Ian estava mais interessado em tentar olhar alguma coisa dentro do parque. – Ian, você poderia por favor prestar atenção em mim? – Pediu o moreno.
O menino não escutara. August deu uma cotovelada no braço do vizinho, mas mesmo assim não adiantou, quando o castanho deu o segundo, o Anderson o olhou, recebendo uma indicação para Blaine com a cabeça. Ian se virou para o pai com um sorriso sem graça.
– Desculpa. – O menino olhou para os pés e depois se voltou para pai.
– Gostaria de fazer só alguns pedidos antes de entrarmos. Primeiro de tudo, Ian, por todo o amor que você tem a Harry Potter, não saia correndo pelo parque. Estamos todos bem atrás de você e eu prometo que você conseguirá ver tudo, ok? Você pode se perder, esse lugar é gigantesco e as coisas podem não acabar bem. – O menino acenou com a cabeça concordando. – Segundo, tome muito cuidado com essa câmera. Pelas quatro baterias, um carregador de bolso e os onze cartões de memórias, deu para perceber que você quer tirar foto até do conteúdo das lixeiras e vasos sanitários, mas por favor, tome cuidado. Terceiro e mais importante, por favor, não invente sobre nenhuma circunstância comprar o parque inteiro. Você tem um quarto inteiro cheio de coisas daqui, então não invente de dobrar sua coleção com coisas que você já tem. Quero voltar dentro do carro para casa, não o empurrando. – A segunda parte o Anderson disse em um tom mais baixo, enquanto o filho concordava mais uma vez.
– Isso vale para você também, trouxa. – Kurt deu uma leve jogada de corpo em August, que estava ao seu lado.
– Mas por que eu iria querer levar um monte de coisas do Harry Potter? Eu nem sei o que significam. – Se defendeu.
– Porque é um parque da Universal, gênio. Da última vez que eu confirmei, alguns dos filmes que você mais gosta tem atrações temáticas aqui. Como “MIB: Os Homens de Preto”, “Transformers”, “E.T.” e até “Os Simpsons”.
– Você realmente não deveria ter me dito essas coisas. – Disse August olhando para trás.
– Nem em seus sonhos, Hummel. – Garantiu Kurt com uma gargalhada. – Porque hoje é o dia do Ian, ou seja, dia do Harry Potter. – Os dois sorriram para o menino que sorriu de volta.
Blaine apenas observava tudo com um sorriso no rosto.
– Ei, Ian, vamos ver se essa câmera pega? – Perguntou Blaine chegando perto deles.
O homem pegou a câmera e posicionou de modo que os quatro, com suas diferentes alturas, saíssem na foto. Depois de umas três fotos, eles se levantaram e se viraram para a entrada do parque.
– Todos prontos? – Questionou Kurt. Antes mesmo de responder, Ian deu um grito um tanto alto e saiu correndo para a entrada. – Acho que sim. – Kurt olhou para o filho e o mandou acompanhar Ian. Blaine se aproximou e ficou ao lado de Kurt. – Deixe eles se divertirem. Foi uma ótima ideia, garanto, mas não sei muito sobre a data. – Brincou Kurt. – Por que não fez isso nas férias? – Kurt entrelaçou seu braço com o de Blaine e os dois seguiram os meninos.
– Ei, não questione a minha lenta percepção das coisas. – Brincou o moreno. – Além disso, aposto que August deve ter adorado a ideia. – Blaine olhou para Kurt sorrindo. Kurt o observou por um momento.
– Espera, não está bancado o “paizão” para cima de August, né? O fazendo satisfeito por ficar uma semana longe da escola. – Blaine gargalhou para o chão. Kurt o empurrou. – Se eles descobrirem alguma coisa, você é um homem morto Anderson.
– O quê? Estou apenas agradando meu filho e meu... meio-filho? – Brincou ele mais uma vez.
– Jesus, Blaine. – Kurt rolou os olhos, enquanto Blaine ria, conseguindo a atenção de algumas pessoas perto.
– Ok, talvez eu tenha algumas coisas para agradar meu meio-quase-ele-está-complicando-demais-vamos-logo-me-aceite-por-favor-namorado. – Disse Blaine antes de dar um beijo na bochecha de Kurt e ir atrás dos meninos.
[...]
– Oh, meu Deus! Eu estou vendo a “King’s Cross”! Eu estou vendo a “King’s Cross”! – Ian não dava a mínima por estar recebendo olhares esquisitos. – Olha! O Noitibus Andante! – O menino não aguentou e saiu correndo.
– Ian! – Chamou Blaine, mas de nada adiantou.
– Ser um bom não quer dizer que precisa ficar no pé do menino, Blaine. – Repreendeu Kurt. – Ele está sobre seu campo de visão. Aproveite você também, talvez você também se encante por esse mundo...
– Vermos... – Disse o advogado enquanto iam até o grande ônibus roxo.
Quando chegaram lá, Ian já desenvolvia uma conversa com o ruivinho na porta. Mesmo com Kurt dizendo que Ian tinha uma facilidade para conquistar pessoas, Blaine duvidava um pouco, mas a prova estava bem na sua frente. Blaine sorriu e chegou mais perto para ouvir a conversa.
– Eu sinto muito... mas pelo menos ela deve ser muito poderosa. – Dizia o menino com seu sotaque inglês. – Afinal, só um bruxo muito poderoso para não ir para Hogwarts. Mais poderoso que Lorde Voldermort – Disse ele sem olhar para algum lugar específico. – Uau. Podemos tirar uma foto?
– Eu também quero. Vai saber se um dia essa foto não vai parar no Profeta Diário. – Disse a cabeça de vodu. Blaine deu um passo trás com o susto, ele não imaginava que a cabeça iria realmente falar ou interagir em uma conversa.
– Ei, Kurt! Tira uma foto nossa. – Pediu o menino. O castanho se aproximou e tirou uma foto dos três, mas ele reparou que o ruivinho tinha um certo olhar sobre ele. – Vamos, deixa eu tirar uma sua agora. – Disse ele pegando a câmera e se afastando.
Kurt iria dizer que não precisava, mas quando viu, o garoto já tinha a mão no ombro dele e sorria abertamente. O Hummel balançou levemente a cabeça, seguida de um sorriso e olhou para a câmera.
Ian olhou para August que negou com a cabeça e Blaine, que encarava o ruivo de longe, depois que o filho o chamou pela segunda vez, negou.
– Ei, Ian, se precisar dizer meu nome – Ele olhou para Kurt – é Olive Macmillan. – Então voltou a olhar para o menino.
Ian concordou e saiu correndo para a entrada do King’s Cross segurando a mão de Kurt.
– Sair do personagem pode lhe custar um processo, mocinho. – Disse Blaine depois que Kurt e Ian tinham se afastado. – Para ele isso seria quase um crime. – Blaine fez com que Olive ficasse com até as orelhas vermelhas e encarasse o chão. Ele se referia a Kurt ficar com um menino bem mais novo que ele.
– Cara, nada contra, mas eu não quero ter um irmão mais velho. – Disse August e depois saiu com Blaine.
– Nada gentil da parte de vocês! – Disse o vodu. – Controle suas calças, Olive!
– Esses caras que ficam dando em cima do pai me irritam. — Disse August. Blaine definitivamente não esperava por aquilo.
– P-por que? – Os dois também caminhavam em direção a entrada.
– Sei lá. Me sinto estranho quando penso em alguém tentando ocupar o lugar do papai. – Disse o menino dando os ombros. – Nunca imaginei que talvez um dia meu pai precisasse de outro marido porque jamais imaginei a hipótese dele e papai se separarem. Talvez seja infantil e egoísmo da minha parte, mas quero ter certeza que se um dia meu pai for namorar alguém, que esse alguém seja tão bom para ele e para mim quanto papai foi. Tipo o Ricky Martin. – Disse ele olhando para Blaine com um sorriso. – Ou você.
Blaine engasgou e começou a tossir. Depois de um tempo tossindo, o homem colocou as mãos nos joelhos para recuperar o ar. Blaine tinha lágrimas nos cantos dos olhos e o rosto vermelho.
– E-eu acho melhor nós... N-nós dois entrarmos, n-não? – Blaine voltava a tossir para limpar a garganta.
– Ok, mas você está legal? Está com o rosto vermelho. – O menino disse enquanto segurava a risada.
– Não, eu... eu... eu estou ótimo. Obrigado. – Os dois voltaram a caminhar.
[...]
Ian decidiu que eles não deveriam pegar o trem para Hogsmeade e foram para o Beco Diagonal primeiro. Depois de chorar lágrimas para encher uma bacia, Ian finalmente entrou no Beco, para chorar mais outro balde.
O menino registrava tudo, inclusive algumas pessoas que estavam fantasiadas. Ele cumprimentava a todos, até mesmo os manequins ou posters nas vitrines. Ele entrou na loja da Madame Malkin, no Olivaras, na loja dos Irmãos Weasley, mas ele estava começando a ficar irritado com a fila para pegar a famosa cerveja amanteigada.
– Vou demorar uma vida nesse lugar. Por que trouxas são permitidos aqui? Deveria haver um tipo de teste ou algo do tipo para entrar só realmente que é bruxo. – Disse o menino zangado. Havia umas cinco pessoas em sua frente.
– Se trouxa for uma pessoa que não é fã de Harry Potter, então eu não deveria estar aqui, Ian! – Disse August sem um pingo de ânimo.
– Você não é um trouxa, você só... Só é um Filch da vida. – Disse o menino dando os ombros e olhando para frente. Os dois ouviram uma risada atrás deles.
August vagarosamente virou para trás, com uma cara nada boa e os braços ainda cruzados.
– Acha isso engraçado? – Perguntou ele para a menina ruiva. Ela estava vestida da mesma forma que os meninos, só que ela também pertencia a Grifinória.
– Bom, para quem entende do assunto, é realmente engraçado. – Disse ela dando mais um sorrisinho.
– Ian, olha, mais uma que joga no seu time e entende suas piadas esquisitas. – August bateu com a parte de trás da mão no braço de Ian. O menino virou para o amigo e logo em seguida para a ruiva. O menino ficou um pouco envergonhado. – Ela entendeu e até riu da sua piada. Uma pessoa te acha engraçada, agora só falta os outros sete bilhões de habitantes do Planeta. – August se voltou para a loja.
– Também Grifinória, uh? – Ian tentava puxar papo, mas não era muito bom nisso. Não quando ele queria.
– Pois é. Grifinória, a grande de casa de Harry Potter. – Brincou ela. Ian sorriu ao olhar para o brasão de sua casa em seu peito. – Irônico é ter um amigo da Sonserina com você e eu ter uma amiga da Corvinal. – Apesar da comparação não fazer muito sentido, ela deu um passo para o lado e mostrou a menina loira que estava olhando para o teto da loja. – Uma prova de que os lerdos não só existem na Lufa-Lufa. – Ela novamente fez Ian rir.
– Me chamo Ian. – O menino estendeu a mão para a ruiva. – E esse é o August. – August não olhou para trás, apenas levantou dois dedos para a menina. – Quem disse que trouxas eram educados? – A menina riu mais uma vez.
– Ao invés de ficar me chamando de trouxa, você deveria gravar essa conversa. Já é a segunda vez que ela ri de você.
– Cala a boca, August! – Zangou-se o menino. – Não ligue para ele. Imagine o segundo livro, onde ele seria o Harry, abrindo a Câmara Trouxa nos primeiros capítulos, pois teria entrado no banheiro das meninas por engano e para abri-la, não precisaria falar a língua das cobras e sim, apenas um gemido de dúvida, como “Ah?” ou “Uhn?” – A menina riu alto o suficiente para receber atenção de alguns clientes. – Mas ao invés de encontrar um balisco, ele encontraria uma pequena nota dizendo: “Você está preso pela sanidade do restante da escola”.
– Sim, e ainda sim conseguia fazer uma magia que te faria você... ficar verde! – O menino respondeu com os braços cruzados. Ele nem sabia se aquilo era possível, mas foi a única coisa que veio a sua mente.
– Sim, e você no outro segundo estaria exatamente igual ao Shrek ou pior que Simas Finnigan. – De duas, uma: ou as piadas de Ian estavam realmente boas ou a menina estava vendo graça na situação dos dois meninos. August gostaria muito de acreditar que era a segunda opção.
– Deixando seu amigo de lado, meu nome é Alex e essa é a Ingrid. – A loira olhou para os dois e sorriu para Ian, mas sorriu mais ainda quando olhou para August. – Nós somos de Nova Iorque e vocês, são de onde?
– Daqui da Flórida mesmo. Somos do Tallahassee. – August se intrometeu na conversa, mas não era Alex quem ele respondia. A loira apenas viajava na conversa. Lembrava muito sua tia Brittany.
– Próximo! – Chamou o rapaz do balcão.
– É a nossa vez. – Disse Ian puxando August, que ainda olhava para a sorridente Ingrid.
Depois de receber os pedidos, as meninas foram chamadas para serem atendidas. Enquanto August desmanchava o bigode que se formara, Ian guardava o dinheiro em seu bolso. Quando olhou para cima, viu que Alex despejara um liquido vindo de um potinho rosa na bebida do menino. Pelo o que ele tinha visto pela internet, aquilo era uma Poção do Amor.
– Sinto muito, acho que caiu do meu bolso. – Disse ela corada.
– Acho que não iria precisar de toda forma... – O menino bebeu o líquido encarando a menina, em seguida limpou o bigode de chantilly.
– Esse é o nosso número. – A menina pegou os telefones da mão de Ingrid e entregou para Ian. – Caso um dia resolvam aparecer em Nova Iorque.
– Oh... – August entrou na frente de Ian e pegou o papel da mão de Alex.
– O-ok. – Ian estava mais vermelho, se possível. – Nós precisamos ir. Meu pai não é dos mais pacientes.
– Tudo bem. – Disse a menina colocando uma mecha atrás da orelha. – Nos vemos por aí, Harry.
– Até mais, Ginny. – Disse o menino saindo da loja e dando uma última olhada na garota. – Uau
– Cara, conseguimos telefones de meninas de Nova Iorque! E temos onze anos! Imagine quando chegarmos ao colegial. – Falou August encarando o papel. Ian ainda olhava para dentro da loja.
– O que é isso? – Perguntou Blaine quando chegou perto dos meninos.
– Nada! – Respondeu August escondendo o papel. – N-na verdade é-é o recibo da loja. I-Ian disse que queria guardar, n-não é Ian?!
– É. Quero. – Disse o menino com a voz melosa. August passou o papel para ele.
– Ok, vamos andando. – Disse Blaine. Os meninos foram andando na frente em direção a saída do Beco. – Espero que ele não queira guardar todos... – Falou Blaine.
– Um recibo Blaine? Você acreditou? – Kurt rolou os olhos e deu um leve riso, depois entrelaçou seu braço com o de Blaine.
[...]
– Podemos finalmente aproveitar o parque, Ian? – Perguntou Blaine caminhando atrás do menino. Eles haviam ficado quase cinco horas na área de Hogsmeade.
– Mas pai, tem tanta coisa para ver! – Disse o menino querendo voltar para a entrada de Hogsmeade. – Principalmente agora que eu descobri que a varinha que a J.K. me deu funciona nas lojas daqui. – O menino analisou a própria varinha.
Em algumas lojas do parque, quando você balança a varinha e diz um feitiço, as coisas das vitrines se mexem, mas para isso não pode ser uma varinha comum, tem que ser uma especial. De todo modo o menino quis tentar com a dele. Mesmo não sendo a varinha especial, quando ele fez, a vitrine inteira começou a balançar e acender. Aquilo estava realmente deixando Ian feliz e o fazendo acreditar que ele de fato era um grande bruxo.
Blaine se abaixou no nível do menino, segurou seus ombros e o olhou nos olhos dele.
– Querido, vamos voltar para casa no próximo Domingo. Você tem mais de uma semana para aproveitar Orlando inteira. Podemos voltar outras vezes aqui para comprar mais algumas coisas, provar as comidas, tirar milhões de fotos e andar nos brinquedos. Você não precisa fazer a viagem em um único dia. Tudo bem? – O moreno levantava a sobrancelha sugestivamente.
– V-vamos passar uma semana aqui? – Começou a se formar um sorriso no rosto do menino quando o pai confirmou com a cabeça. – Então vamos no Dragon Challenge! – Disse ele correndo.
Não tão longe dali, ficava uma montanha russa, a Dragon Challenge, inspirada no Torneiro Tribuxo. Ela é composta por duas montanhas russas que se cruzam pelo caminho. Uma delas é mais tranquila, enquanto a outra é para quem quer total adrenalina. Os visitantes podem escolher em qual das duas eles desejam andar.
– Nós podemos escolher em qual dos dragões queremos andar. No mais devagar, que é o azul. – Disse ele apontando para os carrinhos azulados. – Ou o mais rápido, o vermelho. – Disse ele apontando para os outros carrinhos.
– Eu não quero andar nesse troço. – Disse August analisando a montanha. Ao invés de ser do modo convencional, ela era ao contrário. Os trilhos são voltados para o chão, as cadeiras são penduradas, de modo que a cabeça é mais perto dos trilhos do que as pernas, que ficam suspensas no ar.
– Pare de ter medo. É só uma montanha russa comum. – O menino puxou o vizinho e os dois entraram na fila.
Depois de guardarem as sacolas e as mochilas, Kurt e Blaine se juntaram a eles na fila. Quando foi a vez deles, os quatros foram na montanha russa vermelha. August foi praticamente arrastado, mas só foi depois que aceitaram a deixa-lo se sentar ao lado de seu pai.
A volta toda durou por volta de sete minutos. Assim que o carrinho parou e deram a autorização para que as pessoas saíssem, August foi o primeiro e saiu correndo para a lixeira mais próxima. O menino colocou para fora provavelmente até a ceia do último Natal.
– Tome, beba um pouco. – Ofereceu seu pai. O menino pegou a garrafa sem ao menos olhar o que era. Cuspiu todo o líquido na lixeira assim que sentiu o gosto.
– Que diabos é isso? – Perguntou ele olhando para a garrafa marrom.
– Suco de abóbora. – Disse Kurt oferecendo mais, mas o menino afastou a garrafa com a mão.
– Tome, para melhorar seu hálito. – Ian deixou uma bala na mão do menino. Blaine já tinha voltado com os pertences.
August voltou a cuspir a bala, que na verdade era um feijãozinho de linguiça.
– Será que tem como alguém me dar alguma coisa que preste para meu estomago voltar ao lugar dele? – Pediu o menino olhando para trás. August parecia um pouco verde. Kurt achou má ideia brincar com o filho naquela hora.
Kurt guiou o menino até um banco mais próximo e tirou seus cabelos de sua testa. O menino havia suado frio. Kurt tinha sentindo uma forte dor quando o menino apertou seu braço por todo o trajeto na montanha russa, mas não pensou que aquilo fosse sério; não vindo de August que sempre fazia o papel de durão.
– O que está acontecendo? – Perguntou Blaine, se abaixando e ficando de frente para August.
– Ele está passando mal. – Disse Kurt em um tom sério. O castanho segurava o menino pela cintura com o braço esquerdo e alisava seus cabelos com o direito.
– Eu trouxe alguns medicamentos caso acontecesse com Ian. – Blaine abriu sua mochila preta e tirou uma bolsinha cinza. Dentro dela, ele retirou um comprimido branco e deixou na palma da mão.
– Eu não quero ter que tomar aquele suco ruim de novo. – Disse o menino, ficando mais verde só de imaginar o gosto do suco novamente.
– Não vai precisar, querido. Eu tenho água aqui. – O moreno instantaneamente pegou uma garrafa de água no lado de sua bolsa e deu ao menino. August pegou o comprimido e colocou em sua boca, depois bebeu o líquido na garrafa. – Isso fará você se sentir melhor em menos de meia hora, tudo bem? – Perguntou Blaine olhando para o menino.
August concordou e se aconchegou mais para perto de Kurt. O Hummel mais velho sorria para Blaine. O moreno estava novamente sendo pai por instinto.
Depois de notar Kurt, Blaine ficou envergonhado. Ele guardou as coisas e deixou aos pés de Kurt no banco.
– Vem, filho, vamos buscar algo para nós comermos. – Disse ele pegando a mão de Ian e depois checando a carteira no bolso. – Nós já voltamos, ok? – Ele se dirigia a Kurt, que concordou com a cabeça, ainda mantendo o sorriso.
Quando os dois começaram a se afastar, Kurt pegou rapidamente seu celular e registrou uma foto dos dois. Ele ficou sorrindo para o celular.
[...]
– Ok, então, Blaine e eu vamos buscar o jantar e vocês esperem aqui, tudo bem? – Perguntou Kurt conferindo sua carteira.
– Se sentirem fome podem pedir alguma coisa na recepção. – Blaine pegou a chave do carro e sua carteira em cima da mesa do abajur. – Ian, você sabe onde está o remédio do August caso ele se sinta mal novamente? – Perguntou Blaine ao menino deitado na cama de casal.
– Eu não vou precisar de mais remédio, gente. – Disse August deitado na outra cama de casal. O menino parecia um pouco melhor, mas ainda tinha um tom esverdeado. Kurt foi até ele e o beijo na testa.
– Nossos números estão junto aos remédios. – Disse Kurt conferindo a hora no celular. – Eu te amo. – O castanho em seguida deu um beijo na bochecha do filho e se levantou.
Blaine se afastou de Ian e se juntou a Kurt.
– Se comportem, vamos voltar logo. Nada de guerra de travesseiro ou fazer a cama de pula-pula. – O moreno disse enquanto abria a porta do quarto para Kurt passar.
– Tudo bem. – Responderam os dois meninos juntos.
Os dois entrelaçaram os dedos como de costume e começaram a andar em direção ao elevador. Quando o mesmo chegou, os dois logo entraram, Blaine selecionou o térreo e Kurt ajeitou seu cabelo pelo espelho do elevador.
– Completamente perfeito. – Disse Blaine. Kurt o encarou pelo espelho e lhe mandou um sorriso constrangido. Por instinto ou coisa parecida, Blaine colocou seus dois braços por volta da cintura do castanho. Kurt abraçou os braços do Anderson.
Eles ficaram se admirando no espelho. O moreno achava que eles formavam um casal encantador. Assim que as portas do elevador se abriram, Blaine voltou a entrelaçar seus dedos com os de Kurt. O castanho abaixou a cabeça para esconder as bochechas dos olhares das pessoas da recepção.
O carro chegou em poucos minutos, o manobrista deu espaço para Blaine entrar e assim os dois partiram para um restaurante.
– O que vamos comprar para eles? – Perguntou o castanho. Blaine ficou por um tempo em silencio e depois pegou na mão do castanho, que estava sobre o joelho dele.
– Não sei. – O Anderson deu uma rápida olhada para Kurt e depois voltou para a estrada.
Em vinte minutos, os dois estavam estacionando em um estacionamento de um restaurante. Kurt não sabia muito bem porque eles estavam fazendo aquilo, já que ele pretendia comprar apenas alguns fast-foods.
Blaine guiou o castanho até a entrada do restaurante. Quando eles estraram, Kurt percebeu que era um restaurante totalmente temático, mais precisamente com o tema “Filmes de Hollywood”. Kurt ficou encantando. Eram tantos clássicos e filmes que ele era apaixonado.
Uma garçonete de patins e vestido azul chegou perto deles, junto a ela, um bloquinho amarelo e um lápis.
– O que os senhores desejam? – Perguntou ela, estourando sua bola de chiclete.
– Humm... – Kurt começou a dizer, mas não sabia exatamente o que responder, já que não tinha um cardápio.
– Mesa reservada para o senhor Anderson. – Kurt olhou para Blaine com os olhos praticamente com o dobro do tamanho normal.
A mulher consultou algo em seu bolso.
– Por aqui, por favor. – Pediu ela, rolando entre as mesas. Eles foram até o fundo do restaurante. – Mesa Moulin Rouge. – Informou ela. – Hoje é a noite do Karaokê Musicais. Divirtam-se. – Ela se afastou e deixou os dois sozinhos.
– Você pode me explicar o que é isso? – Perguntou o castanho com um sorriso no rosto. Ele tirava seu casaco e deixava nas costas da cadeira.
– A parte do dia foi totalmente dedicada as crianças, que tal a parte da noite ser dedicada aos não tão novos? – Perguntou o moreno abrindo o cardápio sem tirar os olhos de Kurt.
– M-mas e os meninos? – Perguntou Kurt pegando outro cardápio. Todas as comidas tinham nomes de filmes.
– Eles vão conseguir se virar sem nós dois e se as coisas piorarem, eles têm o nosso número. – Blaine fechou o cardápio e encarou o castanho a sua frente.
– Pronto. – O castanho também colocou o cardápio para baixo e cruzou as mãos embaixo do queixo e encarou Blaine. – Vou querer um “Alice no País das Maravilhas” acompanhando de um “Laranja Mecânica”
– Eu quero um “Jogos Vorazes” com “Star Wars”. – Blaine abriu o cardápio rapidamente. – E que tal um “A Branca de Neve” de sobremesa?
– Soa perfeito. – Disse Kurt sorrindo.
O Anderson levantou a mão e chamou a garçonete. Ele fez os pedidos e logo voltou a olhar para Kurt.
– Obrigado por vir. – Blaine pegou a mão de Kurt sobre a mesa.
– Está brincando comigo? Uma semana nos parques de Orlando? Que louco seria eu se não aceitasse? – Brincou Kurt. Blaine riu do castanho. Depois de alguns minutos em silêncio, Blaine resolveu perguntar a dúvida que o matava por dentro.
– Por que você não me dá uma chance? – Perguntou ele em um tom sério. – Eu já usei praticamente todas as chaves do mundo. Eu faço tudo por você, mas ainda assim eu não conquistei você.
– Blaine, é complicado... – Kurt se sentia pressionado e envergonhado. – Eu me sinto inseguro em relação a namorar novamente. Não sei se estou pronto...
– Mas você não faz ideia do bem que você me faz. – O moreno fez Kurt corar. – Não, é sério. Você faz com que eu me sinta confortável de uma maneira que nunca consegui ficar com ninguém. É como se eu pudesse ser eu mesmo com você. Não preciso ficar pensando três vezes antes de fazer alguma coisa, porque seja lá o que eu vá fazer, você simplesmente não vai se importar.
– Blaine... – Kurt gemeu. Ele estava mais vermelho do que de costume.
– Eu falo sério. – O moreno passou o polegar na bochecha de Kurt. – Além disso, eu acho você a criatura mais linda do mundo. – Kurt o encarou. O moreno segurou as duas mãos de Kurt com as suas duas. – Lógico, depois do Ian. Porque eu sinto muito, ninguém é mais lindo e encantador que meu filho. – Kurt soltou uma leve risada. – Mas no patamar que eu quero que você ocupe, você é o único que eu vejo. Você é lindo, inteligente, carinhoso, generoso, doce, encantador e apaixonante. – Kurt já ia interromper, mas Blaine sabia o que ele iria dizer. – Sim, Kurt Hummel, você é apaixonante. Não tem como eu não olhar nos seus olhos e negar isso. A sua presença para mim faz tremenda diferença, a sua falta é devastadora, seu perfume é envolvente, o seu sorriso é tão convidativo quanto seus lábios, sua pele é tão macia quanto as nuvens no céu e os seus olhos... – Blaine fez uma pausa. – Seus olhos são a mercê de todo o sofrimento que um dia eu já tive que passar. Olhar para eles é reconfortante, é a mesma coisa que voltar de uma viagem longa e receber um abraço de quem se ama. É estar em casa. Você me mudou completamente e isso não é uma coisa ruim, é uma coisa maravilhosa! Antes eu vivia em labirinto com portas a minha volta, você foi a luz que passou pela fechadura e me mostrou o caminho. – Os olhos de Kurt estavam vermelhos e molhados. Blaine chegou mais perto de Kurt com a cadeira. – Kurt Hummel, eu estou perdidamente, incontrolavelmente, abertamente, loucamente, profundamente apaixonado por você. – Kurt apertou os olhos e deixou uma grande lágrima cair de seus olhos. – Eu sinto muito te fazer passar por isso ou até te fazer duvidar disso, mas eu simplesmente não consigo. Há alguma coisa aqui desde a primeira vez que eu coloquei meus olhos em você. – Blaine agora chorava. Ele estava sendo completamente honesto, como nunca antes. – A única coisa que eu posso te prometer e te dizer agora é: eu te amo.
Os dois ficaram chorando por um bom tempo, até a garçonete chegar com as bebidas. Ela notou algo estranho, mas não resolveu perguntar nada.
– E-e-eu...
– Eu quis vir aqui te falar isso, porque eu não aguento passar mais nenhum minuto sem te dizer isso. – Kurt ficou em silencio por muito tempo, até Blaine quebra-lo novamente. – E-eu já volto. – Disse Blaine se levantando da mesa.
Kurt ficou sozinho. Ele tirou os cabelos da testa. Blaine tinha se declarado para ele da melhor maneira que ele poderia ter imaginado. Ele não se sentia tão amado há muito tempo.
Um dos motivos pelo qual Sebastian ter sido o primeiro na vida de Kurt e a necessidade de sentir a certeza que alguém de fato gostava dele, era porque Kurt já havia sofrido muito em sua vida por amores incorrespondidos e as vezes acreditar que alguém realmente o amava era difícil. Era um defeito, mas ele nunca mais gostaria de sofrer por amor. Ele queria ter certeza que seu amor seria valorizado, pois era a coisa mais sincera que ele faria por alguém.
– Boa noite. – Chamou uma voz vinda do palco. – Meu nome é Blaine Anderson e eu gostaria de dedicar uma música para o homem que está sentando lá no fundo do restaurante. – Um holofote foi parar em cima de Kurt. – Há um ano, um mês e alguns dias eu te conheci e desde então nada foi igual. Eu agradeço aos céus por nada ter sido igual. – Algumas pessoas riram. – Porque você é assim... você entra na vida das pessoas e consegue transforma-las da melhor maneira possível. Quem não conhece Kurt Hummel e não se apaixona por ele é um louco. Hoje eu estou aqui te pedindo uma loucura maior ainda. – Blaine tomou uma profunda respiração. – Me faça o homem mais feliz do mundo e deixe-me ter esse amor, me permita ter essa honra, me permita ser amado por você de volta. – Blaine correu os olhos por todos no salão e depois para Kurt. – Hoje, na frente de toda essa gente, eu te peço, me faça feliz, seja meu namorado.
Blaine desviou o olhar do castanho e voltou para o microfone. Kurt recebia olhares de todo mundo, mas ele apenas tinha olhos para Blaine. Uma melodia que o castanho reconhecia foi compartilhada para todo o salão.
Blaine
And I am telling you I'm not going
You're the best man I'll ever know
There's no way I can ever go
No, no, there's no way
No, no, no, no way I'm living without you
I'm not living without you
I don't wanna be free
I'm staying, I'm staying
And you, and you
You're gonna love me, oohh ooh
You're gonna love me
And I am telling you I'm not going
Como Kurt supostamente deveria suportar aquilo? Um dos homens mais carinhosos que já havia conhecido, se declarando pela milésima vez para ele e desta vez com uma música e na frente de várias de pessoas. Kurt estava se perguntando o que mais ele estava esperando de Blaine, porque aquilo era definitivamente a maior prova de amor que ele já havia recebido. Aquilo definitivamente era um amor que ele não deveria temer.
Even though the rough times are showing
There's just no way, there's no way
We're part of the same place
We're part of the same time
We both share the same blood
We both have the same mind
And time and time
We've had so much to share and
No, no, no, no, no, no way
I'm not waking up tomorrow morning
And finding that there's nobody there
Blaine por algumas vezes olhava para Kurt. O castanho estava se desmanchando de chorar. Cada palavra que ele dizia era verdadeira e integra. As palavras se encaixavam exatamente com ele sentia. Ele tinha a ideia de dedicar essa música para Kurt há muito tempo e a noite dos Musicais do restaurante tinha encaixado perfeitamente.
Darling there's no way
No, no, no, no way I'm living without you
I'm not living without you
You see there's just no way, there's no way
Tear down the mountains
Yell, scream, and shout like you can say what you want
I'm not walking out
Stop all the rivers, push, strike, and kill
I'm not gonna leave you
There's no way I will
And I am telling you I'm not going
You're the best man I'll ever know
There's no way I could ever, ever go
No, no, no, no way
No, no, no, no way I'm living without you
I'm not living without you, not living without you
I don't wanna be free, yeah
I'm staying, I'm staying
And you, and you, and you
You're gonna love me
Oh, whoa yeah
You're gonna love me, yes you are, yes you are
Ooh ooh love me, ooh ooh ooh love me
Love me, love me, love me
Love...
You're gonna love... me
Blaine deixou seu braço cair e esperou algo de Kurt, assim como o resto do restaurante e o cara da luz, que ainda mantinha o holofote em Kurt. O Hummel se levantou lentamente da mesa e andou em direção ao palco. Depois de alguns passos ele começou a correr até Blaine, que deixou o microfone cair no chão para receber o castanho.
Todos seguravam a respiração. Kurt subiu no palco e encarou Blaine. O castanho pegou os dois lados do rosto de Blaine e deu um beijo no moreno, que já colocou os braços da cintura do parceiro. Enquanto isso, o restaurante era um estouro em comemoração.
O beijo foi sedento. Foi como se um vampiro que tivesse um desejo incontrolável sobre o sangue de alguém, mas mesmo que já estivesse beijando Kurt, ele queria mais daquilo. Ele tinha provado do veneno e não voltaria atrás daquilo. E o veneno de Kurt era provavelmente o mais doce.
Quando os dois se separaram, Kurt colocou as testas dos dois juntas.
– Acho que o mais novo casal acaba de ganhar um jantar de graça. – Brincou Kurt sem folego.
– Não. É o nosso primeiro encontro oficial como casal. Tudo será por minha conta. – Respondeu Blaine olhando para ele.
– Nem pense que isso não dará motivo para os meninos ficarem sabendo. – Blaine gargalhou para o alto e voltou a abaixar a cabeça para beijar os lábios do seu novo namorado.
Seu, finalmente, namorado.
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