Açúcar?
20 20
Notas iniciais
Desde a visita de Nick e Jeff, já haviam se passado quase um mês. Era maio e desde aquela época, Kurt tinha em mente em mudar alguma coisa em sua casa. Naquela época, o castanho afirmou para Blaine que iria no shopping comprar alguma coisa para se distrair ao invés de ficar com ciúmes do moreno, no caso o Anderson só não sabia da segunda parte.
Kurt acabou tomando a situação realmente séria e transformou o quarto do filho. O ator comprou novos móveis, novas cortinas, tapetes, colchas, itens decorativos e tintas para as paredes. Tudo que acompanhasse a nova fase da vida do menino, pois August estava grandinho demais para continuar com um quarto com o tema náutico.
No último dia, onde ele precisa de ajuda na decoração, o castanho pediu pela ajuda de Blaine, já que August estava na casa da mãe de Sebastian por duas semanas.
[...]
– Isso ficou muito bom. – Elogiou Blaine. – Você tem talento como decorador, Kurt. – O moreno estava instalando os fios do notebook de August.
A cama, a área de estudos e o armário de August eram todos juntos. Kurt comprou um móvel branco, onde a cama era larga o suficiente para ser confundida com duas camas de casal, além de ter outra acoplada embaixo, assim Ian sempre se sentiria confortável ao dormir com August.
Por ser uma casa muito alta, Kurt aproveitou para deixar a área de estudos de August em cima, onde colocou uma mesa de escritório, uma cadeira, computador, livros e outras coisas que seriam boas para o menino, como um mapa-mundi, um quadro para fotos e um esqueleto do corpo humano, que Kurt poderia apostar que seria a coisa favorita do menino.
No canto direito de tudo isso, Kurt havia posto um armário, onde ele poderia colocar os casacos e sapatos.
– Obrigado. Eu tenho muitos talentos que você ainda não conhece. – Brincou Kurt. O castanho estendeu no chão um grande tapete redondo e amarelo.
– Sabe Kurt, um dos motivos para eu comprar aquela casa, foi porque achei que Ian finalmente iria querer um quarto, mas mesmo assim ele prefere morar embaixo daquela escada. Eu queria que ele usasse aquele quarto. – Os dois agora se encaravam.
– Eu posso ajudar. – Disse Kurt. – Eu posso tentar arrumar o quarto que deveria ser dele e ver se ele gosta. O que me diz? É um risco que estaremos correndo, mas que pode dar certo. – Kurt tinha um sorrisinho que era difícil de negar.
– Tudo bem. – Blaine abriu um sorriso de volta e voltou aos fios. – Ah, Kurt, semana que vem eu vou precisar ir em Los Angeles novamente por assuntos pessoais, tem algum problema ficar com Ian? Eu só vou ficar fora por dois dias.
– Sem problema algum, mas de novo? Blaine você foi três vezes para Los Angeles mês passado. Está tudo bem? – Perguntou o castanho preocupado.
– Sim. É só alguns assuntos que não foram resolvidos, mas prometo que vão acabar. – Blaine sorriu e voltou ao serviço. Kurt observou suas costas. Ele sabia que havia algo errado. Muito errado.
[...]
– Não incomode o Kurt, está bem? – Disse Blaine descendo as escadas.
– Mas papai-
– Ian, fique tranquilo, eu volto segunda de manhã. Prepararei seu café da manhã. – Blaine pegou sua bolsa em cima do sofá, colocando-a e depois foi até o menino que estava do lado da mala.
– Posso saber porque está viajando tanto? – Questionou o garoto.
– Eu estou tendo alguns problemas em Los Angeles e preciso resolve-los. É coisa de trabalho. – Afirmou Blaine.
– Mas papai agora eu estou de férias, achei que ia passar mais tempo com você. Desde o mês passado você vem passando os finais de semana em Los Angeles. – Ian segurou a mão do pai.
– Ian, eu prometo que vamos passar mais tempo juntos. Eu juro... Mas é que agora está complicado. – O homem passou a mão no rosto do filho. – Kurt vai ficar com você, tudo bem? Ele e eu temos uma surpresa para você, mas vou deixar que ele te explique tudo, porque ele é que está com a maior parte da surpresa. – Ian parecia chateado. – Não fique triste, tudo bem? Tudo vai melhorar. – Blaine beijou o topo da cabeça do filho e voltou a pegar a alça da mala, se dirigindo para a porta junto ao filho.
Os dois atravessaram os jardins, enquanto Blaine dava mais algumas informações para Ian. O Anderson mais velho bateu na porta do vizinho e se virou para o filho.
– Você promete que vai me preparar o café? E depois do almoço poderemos ir na sorveteria? – Blaine afirmou com a cabeça.
– Sejam bem-vindos a Hogwarts! – Disse Kurt abrindo a porta e os braços. Ele estava vestido como se fosse um aluno de Hogwarts.
– Kurt? O-o que está fazendo? – Perguntou Ian. O menino mal podia esconder o sorriso ao ver o vizinho vestido daquela forma. Ele se perguntava se aquilo fazia parte da surpresa.
– Uma certa coruja de penas negras, me contou que um certo bruxinho não quer dormir no quarto de sua casa. – Ian olhou para o pai, que fingia prestar atenção em outra coisa. – Então por toda semana venho me empenhando em como conseguir arrumar um quarto da melhor forma possível. E então, como em um passe de bruxaria, me veio a ideia perfeita. Consegue adivinhar? – Kurt estendeu os braços.
– Aí meu Deus! Kurt! – Ian correu para abraçar o vizinho.
– Acho que consegui. – Sussurrou o castanho. Blaine não conseguiu conter o sorriso. Kurt era realmente o melhor.
[...]
– Ok. Eu escolhi algumas coisas, mas preciso que você confirme comigo, para que tudo saia da melhor forma possível e do seu gosto. – Disse Kurt enquanto ele ia desmanchando a cama do menino.
– Tudo bem. – Ian estava desmanchando sua mesa de estudos. Debaixo da escada era muito apertado, mas eles conseguiam se virar.
– Eu assisti os filmes do Harry Potter e tive ideia para algumas coisas. Na entrada, pensei em por uma placa escrito “9 ¾” na parede e na porta colocar um quadro de uma gorda, mas ao invés de colocar seu nome, indicando que é o seu quarto, vou colocar uma plaquinha escrito: “Qual é a senha?”
– Isso é demais! Continue. – Pediu o menino sorrindo.
– Na parte da iluminação, consegui achar um interruptor com uma pequena varinha, que se muda para direita e esquerda, podemos colocar os feitiços da luz. Na sua mesa de estudos, coloquei a Taça das Casas como iluminaria e no centro do quatro, um lustre de velas eletrônicas.
– Essas coisas já estão compradas? Eu quero ver tudo agora. Deixa essas tranqueiras aqui. – Brincou o menino.
– Sim, precisei me arriscar. – Respondeu Kurt. – A cama é parecida com a August. Ela é grande, ainda tem as pilastras com as cortinas e tem uma escada de caracol na lateral em madeira, para que você consiga subir na parte da sua mesa de estudos. Também comprei sua roupa de cama, na qual é a mesma dos dormitórios do filme.
– O que pensou para as paredes? – O menino agora colocava seus livros com cuidado em uma caixa.
– Pensei em um papel de parede em pedras como as paredes de Hogwarts e então você poderá colocar posters, proclamações da Umbridge e essas coisas. – Ian concordou com a cabeça. – Eu comprei uma coruja para deixar na janela, uma vassoura e até um manequim, onde vamos colocar sua roupa da Grifinória. – Ian já estava com os olhos arregalados e com um sorriso escancarado.
– Meu Deus! Podemos por favor esquecer isso e começar a montar aquele quarto? Por favor! – Ian implorava, esquecendo totalmente sua caixa no canto da sala.
– Tudo bem. – Brincou Kurt. – Podemos colocar o papel de parede, depois podemos colocar os tapetes. O que acha? – Perguntou Kurt, já saindo da sala.
– Okay. – Os dois subiram para o novo quarto do Ian, onde já haviam algumas caixas, que foram deixadas lá sem o consentimento do menino. A parede já estava preparada para receber o papel de parede, Kurt só precisaria passar a cola e aplicar. – Sabe mesmo como fazer isso? – Perguntou o garoto vendo o vizinho tirar os rolos das caixas.
– Na minha adolescência eu trocava a decoração do meu quarto de dois em dois anos, até que de tanto ver como era feito, aprendi a colocar por mim mesmo. Foi aí que começou toda a coisa com decoração. – Disse Kurt, tirando a proteção de um dos rolos.
– Nossa. Você é ator, cantor, decorador com pratica no assunto e estilista. Tem mais alguma coisa sobre você que eu não sei? – Perguntou em brincadeira.
– Não, só esqueceu de dizer mais uma das minhas profissões: ser pai de August. Que é a mais difícil. – O castanho fez o pequeno sorrir. Kurt suspirou e ficou em silencio.
– Sente saudades dele, né? – Perguntou Ian. – Sei muito bem que August pode ser uma perturbação as vezes, mas ele e aquela boca atrevida fazem falta. – Ian se aproximou de Kurt.
– Sim, ele faz muita falta. Não gosto de ficar muito tempo sozinho. Eu escolhi que ele fosse para a casa dos avós dele agora, porque depois iria acabar me acostumando a ficar com ele o dia inteiro e não o deixaria ficar longe. – Confessou Kurt. – A avó dele queria que ele ficasse metade das férias, mas tive que mentir, dizendo que ele iria para um acampamento de férias.
Depois de algum tempo, Ian pensou em fazer outra pergunta.
– Como você se sente em ficar longe dele? – Questionou ele.
– É estranho. É como se a casa ficasse vazia. Sinto falta da voz dele me chamando o dia inteiro, sinto falta do cheiro dele, da bagunça que ele deixa no banheiro. Só sei que quero ele por perto o tempo todo e não gosto de ficar longe. August se tornou tudo para mim. Daria minha vida se fosse necessário para mantê-lo vivo de alguma forma. – Disse Kurt aplicando cola com o pincel no verso do papel. Ele estava pensando em suas palavras e no silencio de Ian. – E você, como se sente com essas viagens de Blaine? – Kurt abriu uma escada perto da parede.
– Mal. Ele realmente precisa ficar fazendo essas viagens? – O menino seguiu Kurt até a parede. – Eu estou de férias e ele faz isso? – Ian rolou os olhos. – Ele vem me prometendo tanta coisa, mas está esquecendo de tudo. – Garantiu Ian. – Quando voltarmos de férias, irei para Hogwarts, ele irá sentir falta de mim e eu estarei longe. Sem contar que eu sinto falta dele, porque ele não faz o tipo do pai muito próximo e ele não parece sentir minha falta ou sequer sente vontade de ficar comigo. – Ian se sentou no chão e encarou as mãos.
– Ei, ei, ei. – Kurt desceu as escadas e se abaixou até o menino. – Não fique assim. Seu pai te ama e sente sua falta sim, ok? – O menino olhou para o homem em sua frente. – Ele está apenas trabalhando. Você tem sorte de ter um pai com um horário bem flexível, algumas pessoas não vão para cama antes que os pais tenham chegado e acordam depois que eles já foram para o emprego. Você tem sorte de ainda ter seu pai para fazer as refeições com. Entende? – O menino concordou. – Ele irá cumprir as promessas, principalmente agora que ele vai receber com esse caso. – Kurt piscou para ele e voltou para a escada.
– Você poderia conversar com ele? Você consegue mudar o papai de alguma forma. Não sei como, só sei que você tem um efeito nele. – Kurt olhou para o menino. – Ele até jogou fora aquelas almofadas que você disse que eram feias. Só escolhe as palavras, ok? Por que ele pode acabar interpretar mal e me colocar para adoção. – Kurt caiu na gargalhada. – Pois é, ninguém nunca disse que ele era dos mais inteligentes.
– Tudo bem, criança. Falarei com ele, agora vamos terminar isso antes que seu pai volte de Azkaban. – Brincou.
– Caramba, você assistiu mesmo. Qual foi seu favorito? – Ian se empolgou e já chegou perto de Kurt.
Os dois passaram o resto do dia colocando papeis de parede, tapetes e cortinas.
[...]
– O príncipe da casa chegou! – Gritou August ao entrar em casa. O menino deu de cara com o pai e Ian, que já estavam indo para casa ao lado.
– August! – Kurt foi até o filho, abraçando-o e beijando-o. – Senti tanto a sua falta.
– Oi, papai. – Disse ele, abraçando o pai. Kurt se separou e analisou o menino.
– O que foi isso? – Kurt se referia aos machucados no queijo e sobrancelha do menino.
– Cai do pônei. – Brincou o menino. – Tio Barry não percebeu que o Pocotó estava bravo e eu acabei caindo dele.
– Espera, porque você estava andando de cavalo? Quantas vezes eu pedi para que você não fizesse isso? Está vendo, agora você tem duas cicatrizes terríveis no rosto. – Kurt analisou melhor os machucados. – E foi você que colocou esse nome ridículo no pobre cavalinho, né? – Kurt rolou os olhos. – Pocotó...
– Kurt, oi. – Disse Barry parando na porta e deixando as malas de August no chão. – Eu sinto muito pelos acidentes e machucados.
– Acidentes? O que mais aconteceu com você, criança? – Perguntou Kurt, esperando resposta de qualquer um dos dois.
– Eu meio que cai do balanço, escorreguei perto do lago e bati o braço na cerca da vaca, mas estou bem.
– Eu prometo que não vai se repetir, mas é que August fica meio pirado quando vê um animal. Ele literalmente se jogou do balanço quando viu o meu pai liberando as ovelhas. – Kurt encarou feio o menino, que olhou para o tio. Ian apenas observava tudo no cantinho do corredor.
– Tio, essa parte não. – O menino se voltou para o pai. – A parte boa é que eu aprendi a nadar, andar a cavalo, tirar leite de vaca e escolher frutas. – Disse o menino satisfeito.
– Olha só, está querendo se exibir da mesma forma que seu pai fez em nosso primeiro encontro. Só que com você eu fico surpreso, porque você veio quase pela metade e isso aconteceu em duas semanas. Espero que tenha adquirido alguma força, pois vai nos ajudar com o quarto de Ian.
– E-eu acho que eu já vou então. Recebo um beijo e um abraço? – Perguntou Barry se abaixando na altura do sobrinho.
– Vou sentir falta de você, tio. Venha me ver mais vezes. – Pediu o menino. Barry olhou para Kurt, que apenas concordou com a cabeça.
– Eu virei sim, menino. – Afirmou o castanho. – Agora eu tenho que ir. Tchau, querido. Tchau, Kurt.
– Tchau. – Respondeu o castanho. Sim, ele novamente havia se sentido estranho perto de Barry.
– Ok, que história é essa de “quarto do Ian”? Achei que você morasse debaixo da escada, como um ratinho feioso. – August foi abraçar seu amigo. Ian sorriu e rolou os olhos.
– Seu pai me convenceu da melhor maneira. – O menino sorriu para Kurt.
– Aham, estou sabendo... – August analisou os dois. – Ele é meu viu, bruxinho?! Te jogo um feitiço em dois tempos e transformo em uma vassoura. – Brincou August. – Vamos começar logo a arrumar aquele buraco.
– Vá trocar de roupa antes. – Mandou Kurt. O menino rolou os olhos, mas foi para o andar de cima. – Se prepare.
Alguns segundos depois Kurt, Ian e provavelmente a vizinha toda estava escutando o grito de August. Ele tinha gostado.
[...]
– Jesus, estou me sentindo em um dos filmes do Harry Potter. – Disse o menino enquanto colocava alguns posters em uma das paredes do quarto.
– É essa a intenção. – Falou Kurt, que terminava de colocar as cortinas na cama do menino. Kurt havia contratado um homem para montar todo o dormitório de Ian, que agora estava incrível depois de montado.
– Eu gostei de tudo, Kurt. Nunca mais irei dormir debaixo de uma escada. – Disse o menino arrumando a sua mesa de estudos. Kurt havia deixando aquela parte com um toque bem Inglês.
– Está legal, mas sinto muito, o meu dá de dez. – Afirmou August.
– August, seu quarto é praticamente uma mistura da Lufa-Lufa com a Corvinal. – Brincou Ian, fazendo Kurt rir.
– Meu quarto não tem tema, pois já sou um homem crescido! – O menino olhou para Ian em desafio.
– August, todos nós sabemos que amarelo e azul são as cores do Rays e que se fossem outras cores você teria enlouquecido. – Disse Kurt, olhando August com o canto dos olhos. O garoto ficou sem ter o que dizer, enquanto Ian caia na risada.
– Surpresa! – Gritou Blaine entrando no quarto.
– Aaaaah! – Kurt acabou se assustando com o moreno. – Alguém me socorre. – Kurt ficou de joelhos do lado cama e com o rosto enterrado na cama.
Ian foi correndo abraçar o pai. Que o abraçou com força e beijou sua cabeça.
– Achei que você só fosse chegar amanhã. – Disse o menino.
– Consegui um voo para mais cedo. – Disse ele. – Deu tudo certo, querido. Não vou mais precisar ir em Los Angeles. – Blaine nem sabia o quanto aquelas palavras agradavam os ouvidos de seu filho.
– Ainda bem. Eu senti sua falta. – Disse o menino se separando do pai. – Olhe o que Kurt fez! – O menino abriu os braços para o pai, indicando o quarto.
– Wow. – Blaine olhava cada detalhe do cômodo. – Kurt fez um incrível trabalho. – Falou o moreno.
– E como recompensa ganho uma demonstração de um ataque cardíaco. – Kurt disse sem folego e de olhos fechados. – Achei que a casa tinha sido invadida. – Kurt ficou de pé e terminou de colocar a última almofada sobre a cama do garoto. – Terminamos oficialmente? – Perguntou Kurt.
– Falta a placa da mulher gorda na porta. – Ian pegou a placa sobre a cômoda e foi até a porta. O menino se esticou, até que o pai veio por de trás e o ajudou a ficar na altura do gancho. – Meu quarto está oficialmente pronto.
Todos os quatro aplaudiram o trabalho do castanho, que agradeceu como se estivesse em um teatro.
– Meninos, vão lá embaixo e peguem o suco, mas tenham cuidado. – Pediu Kurt. Os garotos nos próximos segundos já estavam do lado de fora.
– Kurt, obrigado mesmo. Você me faz muito grato. – O moreno tinha um sorriso largo no rosto.
– Obrigado, mas eu preciso falar com você sobre um assunto sério. – Disse Kurt se aproximando dele.
– S-sobre o que? – Kurt levantou uma sobrancelha. – Olha Kurt, e-eu juro que eu-
– Blaine, chega de juramentos. Você jura demais e as vezes não cumpre, deixando Ian extremamente triste. – Falou Kurt.
– E-eu não estou entendendo. – Blaine piscou algumas vezes, um pouco perplexo.
– Esse final de semana eu tive uma conversa com Ian e ele me disse que está chateado com você. Ele me disse que sente falta de você e que você não é tão próximo dele, sem contar que ele realmente fica nervoso com essas suas promessas não cumpridas e viagens a trabalho, porque assim vocês não ficam juntos.
– E-eu não sabia. – Blaine disse surpreso. – Ele nunca me disse nada.
– Você parece que não conhece seu filho. Ian só revela o que sente quando não consegue lidar sozinho, além de manter tudo até que os sentimentos dele comecem a transbordar. – Kurt segurou uma das mãos de Blaine. – Ele precisa de você nesse momento. Ian é uma criança tão doce, não o deixe crescer sem ao menos ter aproveitado esse Ian. Os anos passam rápido, daqui a pouco o bebezinho que você trocou as fraldas já estará indo morar longe de você, pois estará indo para faculdade. Não perca a melhor época da vida do seu filho. Eu sei que você tem o seu trabalho e tudo mais, mas você consegue aproveitar dias livres para ficar mais com ele. Conheça ele melhor, conheça melhor o mundo dele, aprenda sobre Harry Potter, sobre os jogos de vídeo game que ele gosta, aprenda algumas coisas sobre Química-
– Ian não gosta de Química. – Afirmou Blaine. Kurt suspirou.
– Viu, só? Espero que pense nisso. – Kurt beijou a bochecha do vizinho. – Bem-vindo de volta. – Logo em seguida o castanho saiu da sala, deixando um Blaine pensativo.
O moreno foi até uma parede cheia de quadros, onde encontrou uma foto junto com Ian.
– Será que eu sou um pai tão ruim assim? – Questionava o moreno em sua mente, enquanto passava os dedos sobre o rosto do filho.
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