Açúcar?
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Notas iniciais
Depois de suas semanas nas casas dos seus respectivos parentes, Kurt, August, Blaine e Ian estavam voltando para o Tallahassee.
Kurt e August haviam passado bons tempos com sua família. Eles puderem colocar as notícias em dia, informar como estava a vida do homem e do filho na nova vizinhança, saber de Rachel e sua nova peça da Broadway, possível emprego de Finn como jogador dos Giants. Algo que havia surgido no meio de uma das conversas, era a possível transferência de estado de Carole e Burt, onde eles se mudariam para Nova Iorque.
Aquilo meio que abalou Kurt. Toda sua família estaria em Nova Iorque e ele no Tallahassee e seria questão de tempo para que todos pedissem para que ele se mudasse também. E se ele se mudasse, seria sua chance de poder conseguir realizar seu sonho em ser ator na Broadway. E por conversas passadas, isso ligava o castanho direto com Blaine. Ele não poderia deixar Blaine e Ian agora.
O homem tinha sua mente feita depois da conversa com Rachel. Ele iria falar com Blaine assim que as coisas se estabelecessem quando ele chegasse em casa.
No avião, Kurt fechou a janela, abraçou August, que estava caindo em seu ombro e resolveu tirar um cochilo enquanto não chegava em casa.
Já Blaine, mantinha os olhos bem abertos na estrada. Ele já estava na Flórida, mas ainda bem longe de sua casa. Assim como o vizinho, o moreno teve ótimos momentos na casa do irmão. Matou saudades de sua mãe, que veio os visitar por alguns dias e os trouxe presentes. Blaine e Cooper haviam ganhado sueters idênticos, mas os dois não haviam gostado muito e Ian ganhou uma coleção com várias varinhas dos personagens do Harry Potter. O garoto até passou mal quando abriu o pacote.
Com a visita da mãe, Blaine também pediu conselhos amorosos para ela. Apesar de convence-la que lhe mostraria uma foto de Kurt mais tarde, a mulher ajudou o filho. Eles conversaram sobre o que Cooper disse e Pam concordou com o filho mais velho. Por mais que Blaine gostasse desse homem, precisaria esperar, porque nada dependeria só dele.
O moreno estava feliz e preparado, até que Cooper lhe entregou uma carta muito importante e ao descobrir o assunto, havia ficado com o coração apertado e sem ter o que fazer. Aquela situação o deixou dividido e não haviam muitas saídas para aquilo dar certo. Blaine estava em um impasse.
O moreno passou a mão sobre a testa e respirou fundo. Ele estava ferrado.
[...]
— Kurt! Oi. – Disse o castanho parado em frente a casa de Kurt.
O ator ficou um pouco inseguro, mas foi até o irmão de Sebastian. Kurt o abraçou e sentiu uma tristeza enorme. Barry era a pessoa mais próxima de Sebastian, principalmente pelo fato dos dois serem irmãos gêmeos.
— Oi, Barry. Como está? Seu fim de ano foi bom? – Kurt encarava Barry por alguns instantes e depois tentava bloquear o carro, pois não queria olhar nos olhos verdes do rapaz. Não eram seus olhos verdes, não eram os olhos que um dia significaram o mundo para ele, mas mesmo assim ainda é duro encara-los.
— Estou indo. Lá em casa foi um pouco difícil por motivos óbvios. Primeiro ano que passamos longe de Sebastian, mas não porque ele está com a família dele, mas porque, enfim... – Kurt segurou seus braços e Barry deu um sorriso torto. – Esperamos ver você e August por lá, mas por algum motivo vocês não apareceram...
— Desculpa. Nós fomos para a casa dos meus pais e eu esqueci completamente de passar lá. – Kurt mal olhava para ele e Barry notou.
— Kurt, você é ator, poderia fingir melhor que se sente desconfortável me olhando. – Kurt virou-se para ele para protestar. – Eu sei. Meus pais ainda me abraçam achando que eu sou ele. Mas eu não sou. Eu não te amo da mesma forma que Seb te amou, então não precisamos passar por isso. – Barry viu Kurt se abraçar mais e apertar os olhos fechados. – Mas se sentir desconfortável, tudo bem... – O castanho concordou com a cabeça e não olhou para Barry. – Tirando isso, onde está o Gus? Quero ver ele.
— No carro, mas eu vou chama-lo. Ele pode... Você sabe, se assustar... – Barry concordou e deixou Kurt ir chamar o menino.
De longe, o castanho observou Kurt abrir a porta de trás do carro e se sentar um pouco no banco. Depois de alguns instantes falando, Kurt olhou para o ex-cunhado e voltou a atenção para o menino dentro do carro, por fim, saindo do carro para dar espaço para o filho. August desce do carro e Kurt fecha a porta, deixando a visão entre August e Barry livre. O menino ficou um pouco receoso em encarar o tio.
August amava Barry. O tio fazia tudo o que o garoto queria, pois era o único sobrinho dele. Mas não havia como o garoto agir normalmente quando sentia saudades do pai e via uma pessoa exatamente igual a ele. August começou a andar lentamente até o tio, mas quando o homem abriu o sorriso para o garoto, foi quase impossível que lágrimas não se formassem em seus olhos. Barry abriu os braços e August foi correndo até ele.
Quando os dois se abraçaram, Barry notou que o menino o apertava muito forte e chorava no seu ombro. O homem não esperava aquilo do sobrinho, que sempre foi muito forte, e olhou para Kurt. O castanho tinha o rosto desviado e limpava o rosto. Kurt também estava chorando.
— Ei, pequeno. – Disse Barry passando a mão nos cabelos de August e procurando o rosto do sobrinho. – Olhe para mim. – August levantou o rosto e limpou as lágrimas na camiseta.
— Oi, tio Barry. Desculpa. – Declarou o garoto com a voz meio embargada. – O que está fazendo aqui? – Ao contrário do pai, August encarava o tio.
— Vim conversar algumas coisas com seu pai e trazer presentes do vovô, da vovó, da tia Rose e o meu. – Disse o homem tirando a franja que cobria os olhos do menino.
— Oh... E-eu me esqueci to-
— Não tem problema, pequeno. Está tudo bem. Vovô está com saudades, mas ele disse que consegue aguentar e isso é um dos assuntos que vim falar com seu pai. – Disse ele olhando para Kurt, que parecia estar confuso com aquela novidade. Barry pegou August nas costas. – Posso entrar? – Perguntou a Kurt.
— Claro. – Respondeu ele retirando a chave de casa do bolso e caminhando para a entrada.
Barry pegou uma sacola cheia de presentes e seguiu Kurt. O ator olhou para o gramado vizinho e notou que o carro de Blaine não estava estacionando, significando que o homem não havia chegado de Los Angeles.
Kurt destrancou a porta e deu passagem para Barry. Os dois castanhos entraram e Kurt logo em seguida, fechou a porta e tirou os sapatos.
— Olha, o prateado é da Rose, o verde é meu, o amarelo da vovó e o vermelho do vovô. Espero que goste. – Barry retirou um pequeno pacote antes de deixar o menino sozinho na sala e ir na cozinha. Kurt estava com as duas mãos sobre a pia e com a cabeça baixa. – Kurt, olha... Desculpa, ok? E-eu não queria te perturbar ou qualquer coisa, mas eu precisava visitar meu sobrinho.
— Não, tudo bem. Eu entendo perfeitamente. Só que até as coisas se normalizarem, vai demorar um tempo... – Confessou Kurt olhando pra ele. – Fico feliz por ter vindo nos visitar. É bom saber que ainda continuaremos uma família. – Sorriu Kurt sem graça.
— August pode não ser filho biológico do Seb, mas eles tinham a mesma genética, então ele ainda é nosso sobrinho e neto. E não vamos te tratar como se não tivesse existido. Você sempre vai ser da família, não importa as circunstâncias. E para provar isso, minha mãe quis te mandar algo. – Barry entregou um pacote quadrado e se sentou em uma das cadeiras que tinha perto.
— O que é isso? – Perguntou Kurt analisando a caixa.
— Abra. – Kurt fez. Era uma câmera.
— Uma câmera. Mas porque seus pais estão me dando isso? – Kurt olhou para Barry.
— Não é uma câmera nova ou qualquer câmera. Você reparou na etiqueta em cima? – Perguntou o castanho com um sorriso.
Kurt olhou e tinha o sobrenome “Smythe” na câmera. Era uma câmera digital. Ele já havia visto aquela câmera, mas não lembrava de onde. Ele decidiu liga-la e ver as fotos. A primeira foto que apareceu foi uma dele. Kurt estava na Time Square. Ele passou e viu outra dele com Sebastian ainda na Time Square. O castanho se lembrou na hora da câmera. Foi câmera que Sebastian levou para começar a faculdade de fotografia, aquelas fotos eram as primeiras deles juntos em Nova Iorque.
As próximas eram do apartamento deles, com Rachel e Finn, aulas da faculdade e por fim, havia um vídeo. Mas Kurt não iria vê-lo agora. Ele não tinha coragem para aquilo.
— Por que está me dando isso? – Perguntou Kurt.
— Não sei. Só sabíamos que não havia melhor pessoa para ficar com isso. – Explicou Barry. – Meus pais finalmente tiveram peito para desfazer o quarto de Sebastian e encontraram algumas coisas. Uma delas foi a câmera e decidiram que ela deveria ser sua. Mas no carro há duas caixas com outras coisas que devem ser suas e de August. – Kurt abaixou a cabeça. – Eu sei que você “não pode” ficar com essas coisas, mas Sebastian foi você, e ter pequenas coisas que o lembre, não vai ser ruim.
— O que tem na minha caixa? – Questionou Kurt olhando para câmera.
— Objetos antigos, fotografias, diários, roupas, perfumes... – O ator lembrou de quando abria o antigo guarda-roupa de sua casa e sentia o perfume da sua mãe, mas agora faria essas coisas com o de Sebastian. — ...Há também seus anéis de namoro e noivado. – Sorriu o homem.
— E esse tempo todo eu procurando essas relíquias. – Sorriu Kurt. – E para August?
— Coisas de beisebol, todas as outras câmeras fotografias de Sebastian, brinquedos e várias outras coisas. Tem muita coisa. – Sorriu o castanho.
— Tudo bem, nós ficaremos. – Um silêncio se instalou na cozinha, mas logo quebrado por Kurt. – Aliás, o que você disse que queria conversar comigo?
— Ah, sim! Queríamos saber se Gus pode passar algumas semanas do verão conosco em Washington.
— Oh, sim. Se ele quiser, por mim está tudo bem. – Barry deu um sorriso enorme. O mesmo de Sebastian. Kurt encheu o peito de ar com a semelhança e desviou o olhar. — Mas, me conte como estão seus pais e Rose. – Kurt se mudou para o armário para preparar um café para Barry.
[...]
— Filho, chegamos. – Declarou Blaine acordando o filho. O homem tirou o cinto e sacudiu o garoto no banco traseiro.
— Uh? – Resmungou sonolento.
— Chegamos. – Blaine viu que o menino não estava com disposição, então resolveu leva-lo para o quarto.
O moreno saiu do carro, foi no banco de trás e tirou o filho do banco. Blaine tomou o máximo de cuidado para não bater a cabeça do menino e saiu do carro com ele em seu colo. Ele se dirigiu até a varanda, abriu a porta com um pouco de dificuldade, foi até o quarto do menino e o deixou na cama, agradecendo por ele não dormir no andar de cima.
Blaine começou a descarregar o carro com todos os presentes e roupas, mas na última caixa, notou que Kurt já havia chego e parecia estar acompanhado. Blaine sabia que não falava com o castanho há muito tempo, então sentiu que precisava dar o primeiro passo e entregar o presente que havia comprado para o castanho.
O advogado guardou tudo e fechou a porta. Blaine tinha uma caixa pequena e um sorriso largo com ele. Ele atravessou o seu jardim, entrou no de Kurt e passou em frente da janela. Assim que notou algo de diferente, voltou para olhar na janela.
Kurt estava acompanhado a outro castanho, porém mais alto que ele. Ele achou que fosse o irmão de Kurt, Finn, mas o tal castanho alto se virou para olhar em direção a Kurt. Por um momento Blaine achou que estava bêbado de sono e que aquilo não poderia ser possível, mas era verdade. Era Sebastian. O ex-marido de Kurt. Que agora era atual...?
Blaine só não conseguia entender porque Kurt havia mentido para ele. Será que Kurt havia sido traído e havia perdoado Sebastian e tudo aquilo havia sido história? Porque ninguém ressuscitava.
Sebastian passou o braço por trás de Kurt. O moreno notou que August também estava na sala e tinha vários presentes, provavelmente, todos dados por Sebastian, que tinha voltado para casa. No chão, havia também um par de caixas de papelão que Blaine poderia apostar e ganhar que estavam cheias de roupas de Sebastian.
Blaine agora se perguntava qual era necessidade de ir falar com Kurt ou entregar o presente. Ele não poderia competir com Sebastian. Pelo menos nem tudo estava perdido para ele. Existia a carta de Cooper.
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