Açúcar?
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Notas iniciais
Barry passou apenas o dia na casa do ex-cunhado e quando eram onze da noite, decidiu ir embora. Kurt precisava falar com Blaine, mas não sabia se o moreno ainda estava acordado, então resolveu que não o incomodaria e que no dia seguinte falaria com ele.
Mas passou o dia seguinte, o próximo, o outro e outro e Kurt não havia visto a sombra de Blaine. Ian sempre dizia que seu pai estava ocupado em seu escritório e que saia apenas umas três vezes por dia. O menino dizia que ele entrava assim que acordava e só terminava meia noite, quando ia dormir. Nem ao menos ele podia falar com o pai.
Kurt havia concluído que o moreno deveria estar em um caso difícil e que estava ocupado demais, então ele iria esperar o moreno. O Hummel só não contava que essa rotina de Blaine continuasse por mais uma semana. Quando chegou esse prazo, Ian disse que o pai havia terminado o caso, mas agora ele dificilmente ficava em casa e que só Kurt que não o encontrava.
O castanho ligava, mandava mensagens e chegou até mandar e-mail para Blaine, mas o moreno nunca o respondia. Foi quando Kurt compreendeu. Era pessoal. O castanho só não entendia porquê dessa atitude de Blaine. Deveria ser o contrário; ele deveria estar fugindo de Blaine.
[...]
— Papai, o vovô está no telefone. – Informou August entrando no quarto do pai.
Kurt estava deitado em sua cama, pensando sobre o que poderia estar acontecendo com Blaine.
— Seu avô? Aconteceu alguma coisa? – O castanho se sentou e esticou o braço. Era tarde demais para uma ligação rotineira de Burt.
— Não. Liguei para ele conversar com você. Você está muito pensativo e se não veio encher meu saco com suas histórias, é assunto de “adulto”. – O menino entregou o telefone para o pai e voltou para o corredor, fechando a porta atrás dele.
Kurt estava surpreso. Ele chacoalhou a cabeça e colocou o telefone na orelha.
— Pai? – Chamou Kurt.
— Oi, filho. – Respondeu o velho pai de Kurt. – Meus olhos e ouvidos nessa casa me informaram certas coisas incomuns. Você poderia me dizer o que está se passando nessa cabeça cheia de laquê? – Questionou o pai. Kurt respirou fundo.
— Lembra-se de Blaine? – Burt concordou. – Naquele dia em que o senhor veio ficar com August, na hora da volta, acabamos escorregando no gramado molhado e ele me roubou um beijo-
— Kurt-
— Eu sei. Sei o que está pensando e pode ter certeza que também já pensei nisso. – Kurt passou as mãos pelos cabelos. – No Natal, conversei com Rachel e ela me ajudou a desatar os nós da minha cabeça. Apesar da minha insegurança por conta de Sebastian, pensei que talvez poderia dar uma chance a ele-
— Vai me dizer que esse babaca já fez algo com você. Kurt, eu sou capaz de ir para Flórida agora mesmo.
— Não é necessário, pai. Mas escute, no mesmo dia que eu cheguei da sua casa, ele chegou da casa do irmão dele. Ele não veio falar comigo, o que deveria ser o certo, já que não nos falávamos desde do beijo. Então tomei iniciativa e fui procura-lo. Na primeira semana, ele não saia do escritório e sempre estava resolvendo um caso novo. Detalhe: eu ligava e cheguei até mandar mensagens por e-mail. Todas ignoradas. – Kurt se levantou e foi para janela. Ele tinha uma visão completa da rua. – Até que eu descobri por Ian que esse caso havia sido resolvido e que ele só não estava em casa. Então não demorou muito para eu juntar os pauzinhos quando começaram os barulhos quando Ian dizia estar sozinho em casa, arrancadas de carro. – Kurt olhou para o gramado de Blaine, esperando que o moreno abrisse a porta da varanda para ver ele finalmente. – Ele está se escondendo de mim pai! E-eu não entendo ele. E-eu deveria estar bancado a criança, não ele.
— Você não está fazendo nada de errado, Kiddo. Esse rapaz é que precisa de um bom tapa. Foi ele quem te beijou, não foi? – Kurt afirmou. – Então, ele queria isso. – Kurt corou ao ouvir aquilo. – Então tem um motivo a mais para ele estar fazendo isso. Provavelmente não vai ter outro modo de você descobrir se não for indo atrás dele.
— Mas pai, eu já te disse, ele está me evitando. Eu nunca mais vi ele. Se ele aparecer agora na minha frente, não o reconhecerei. – Exagerou Kurt.
— Deixe de besteira, Kurt. Escute, você vai precisar bolar alguma coisa, na qual ele não possa fugir de você. Pense em algo que você poderia fazer com ele. Deixando claro que alguma coisa em público-
— Pai!
— Enfim, ou pode ser com os meninos, o que eu acho melhor, já que eles não podem ficar juntos sozinhos, quer dizer, August não pode ficar sozinho com qualquer criança. – Burt esperou Kurt pensar em alguma coisa. – Tudo bem? Então, você pensa em algo que não tenha como ele fugir de você e converse com ele. Ok?
— Tudo bem. Obrigado, pai. – Agradeceu Kurt saindo da janela. O Hummel já estava colocando sua mente para trabalhar.
— De nada. Boa noite, filho.
— Boa noite, pai. Eu te amo. – Disse ele antes de desligar o telefone. – O que eu posso fazer para que Blaine converse comigo? – Pensava Kurt. – Talvez Ian me dê alguma ideia. August! – Chamou Kurt.
Em alguns instantes, o menino já estava no quarto.
— Quem me chamas? – Disse se sentando em uma poltrona do quarto.
— Preciso que você ligue para casa do Ian. Caso Blaine atenda, peça para falar com Ian e me dê o telefone. – Kurt entregou o telefone para o filho.
— Ué, mas por que o senhor não-
— Faça o que eu estou te mandando e não questione.
— Está bem. – August começou a discar o número e colocou na orelha. Kurt estava quase comendo os dedos de ansiedade. – Alô? Blaine? Posso falar com Ian? – Kurt quase podia ouvir a voz do moreno. – Ok. – August esperou alguns minutos até Ian atender. – Ian? Meu pai precisa falar com- — Kurt tomou o telefone da mão do menino.
— Ian, não diga meu nome, mas sou eu, Kurt. Você vai fingir que está falando com o Gus, ok? – Kurt estava meio tremulo.
— ...Ok, August.
— Olha, preciso saber se você e seu pai vão sair amanhã. – August tinha uma das sobrancelhas levantadas.
— Espero que isso envolva um certo August. – Disse o Hummel mais novo. Kurt colocou o indicador em frente aos lábios para que o menino ficasse em silêncio.
— ...Não. Mas por quê? – Perguntou o garoto achando aquilo muito estranho.
— Depois eu explico. Escute, amanhã vou preparar uma surpresa, mas seu pai não pode saber, ok? – O menino concordou do outro lado. – Eu vou passar na sua casa sete horas da manhã. Se arrume com roupas frescas e não saia até eu que eu bata na porta, tudo bem?
— Sim, mas eu estou um pouco confuso sobre isso... Sobre a matéria de Biologia, pai. – Blaine perguntava algo no fundo para o menino.
— Então, deixe seu pai me atender amanhã. Entendeu? Acorde seis horas amanhã, se arrume sem fazer muito barulho, fique no quarto até August ir te chamar e não atenda a porta, Blaine precisa fazer isso, ok? – August estava com os braços cruzados e encava feio o pai.
— Tudo bem, estudamos amanhã... – Mentia o garoto novamente. E pela segunda vez era por um Hummel. – Boa noite, August...
— Boa noite, Ian. – Kurt desligou o telefone e correu para beijar a bochecha do filho. O castanho tinha um sorriso de orelha a orelha.
— Espero que o August citado no final não seja eu. Porque não serei eu quem irá acordar as seis horas da manhã em um Domingo. – Disse o garoto.
— Nem mesmo para ir ao parque de diversões? – Disse Kurt com um sorriso enorme.
— Acho que seria melhor eu ir dormir, não? Boa noite, pai. – August saiu correndo do quarto do pai e foi para o dele.
Kurt foi para cozinha. No dia seguinte ele teria um longo dia.
[...]
— Mude-se para o Tallahassee, é tranquilo. Eles disseram. A vizinhança é quase inexistente. Eles disseram. Eu odeio corretores. – Disse Blaine amarrando seu roupão enquanto descia as escadas para atender a porta. – São quase sete horas da manhã em um Domingo! Qual o problema dessas pessoas? – Blaine abriu a porta, mas logo fechou os olhos por conta da luz forte do sol. – Pois não? Olha, se forem biscoitos, hoje não. – Blaine tentava enxergar alguma coisa, mas estava difícil.
— Nem mesmo de uma velha receita familiar? Eu não rejeitaria os biscoitos de Elizabeth Hummel se fosse você. – Anunciou Kurt.
— Kurt?! — Blaine deu um berro e encontrou rapidamente um modo de conseguir enxergar o castanho em sua frente.
— Bom dia, Blaine. Se importa se August for chamar Ian? – Perguntou Kurt. O castanho antes mesmo de receber a resposta, deu dois tapinhas no ombro do filho, que foi correndo para as escadas da casa do Anderson.
— O-o que você está fazendo aqui? – Perguntou o moreno. Agora Blaine conseguia ver melhor Kurt. O castanho estava com uma camiseta branca, um short amarelo e um all star branco. Blaine estava encantado com Kurt, mas gostaria muito de saber onde o castanho iria mostrando tanto de suas coxas.
— Vamos ao parque de diversões. E você está sendo intimado a ir. – Disse Kurt.
— E-eu? Mas eu não estava sabendo disso. – Disse o moreno um pouco sem graça.
— Vai pai, não vai me dizer que não quer ir? Você adora parques de diversões. – Disse Ian descendo as escadas junto a August.
— Isso é sério mesmo? Ian, você já estava arrumado! Achei que você iria estudar com o August hoje. – Blaine se sentia enganado novamente.
— Temos aula de Biologia na sexta, hoje é domingo, até lá temos chão. – Disse o menino. – Te espero no carro. – Os dois foram para o carro e deixaram Kurt e Blaine na porta.
— Você vai, né? – Perguntou Kurt. Ele estava usando seu melhor sorriso para que Blaine aceitasse.
— E-eu não sei. É melhor vocês irem sozinhos, vou ficar muito apertado no banco de trás com os meninos. – Blaine ainda tinha Sebastian na cabeça.
— E eu lá tenho cara de chofer? Você vai na frente comigo, espertinho. Vamos, Blaine! Aposto que você só precisa colocar um short. – Kurt por algum motivo sem noção, puxou o que amarrava o roupão de Blaine e revelou o moreno só de cuecas. – Ahn... O-ou não. – Kurt estava mais vermelho que um pimentão. Ele estava quase cavando um buraco e se enterrando.
Blaine se cobriu correndo quando percebeu suas vestes.
— Só vamos nós quarto? – Blaine estava mais vermelho que o castanho e tentava trazer a atenção pra outra coisa.
— Sim. Vamos, Blaine! – Insistiu Kurt um pouco menos animado.
— E-eu não sei não, Kurt... – Blaine estava inseguro demais.
— Você é quem sabe. – Kurt deu um sorriso torto e triste, e começou a se retirar. Blaine mordeu o lábio inferior.
— Ok. Espera eu me trocar. E-eu prometo que não vou demorar. – Kurt se virou para o moreno, que deu um sorriso e se voltou para as escadas.
— Obrigado, NYADA. – Agradeceu Kurt com um sorriso safo no rosto. Tudo havia sido interpretação, menos o fato do roupão, aquilo nem o castanho sabia de onde tinha vindo.
[...]
— Acho que aqui está bom, não? – Perguntou o moreno. Blaine carregava a cesta de piquenique e a toalha.
— Sim. Temos grama fofinha e a sombra da árvore. – Kurt respondeu. O castanho já estava com seu chapéu boater e um par de óculos espelhados. – Meninos, estendam a toalha, por favor.
August parou de tirar fotos do parque e foi ajudar Ian.
— August, gostei da sua câmera. Presente de Natal? – Perguntou Blaine enquanto esperava pelos meninos.
— Na verdade era do meu pai. – Blaine olhou para Kurt, que negou, dizendo que não era dele. – Quando meus avós desmontaram o quarto do meu pai no final do ano, acharam essa e outras, quando voltamos de viagem, meu tio Barry deu-as para mim.
— Seu tio Barry? – Blaine colocou a cesta no chão e se sentou na ponta.
— Sim. Vocês devem ter visto o carro preto dele quando voltaram de viagem. Ele é irmão gêmeo do meu pai, então você deve saber como ele é fisicamente. – Disse o menino. Enquanto os três tiravam as coisas da cesta, Blaine juntava as peças sozinhos.
— Irmão gêmeo, é? – Disse Blaine ajudando o menino.
— Sim. Olha. – O menino pegou a câmera e começou a procurar uma foto. Quando achou, mostrou para Blaine. – Isso foi no meu aniversário de nove anos. Meu pai é o de azul e o tio Barry é o de vermelho. – Disse enquanto indicava na foto. — Vê? Eles eram muito parecidos.
Blaine olhava a foto sem acreditar. Ele queria poder socar a cara dele agora sem que ninguém pudesse perguntar nada. Por isso ele nunca mais viu sinais de Sebastian, que era Barry, porque o rapaz havia ido embora. Também era por isso que só os quatro estavam no parque. O moreno havia ficado duas semanas sem falar com Kurt, porque achava que Sebastian estava vivo. Ignorou Kurt para descobrir que Sebastian tinha um irmão gêmeo.
— Já pode pular da roda gigante, Anderson. – Pensou Blaine. – Você teve sorte de aceitar o pedido de Kurt, pelo menos está aqui agora. — Blaine se lembrou da carta. Ele havia feito a maior besteira da vida dele. – Droga! – Resmungou ele, passando a mão na testa.
— Algum problema, Blaine? – Perguntou o castanho. Kurt entregou uma garrafa de refrigerante para o homem.
— N-não. Só me lembrei que deixei a janela do escritório aberta e tinham algumas folhas em cima da mesa, então se bater um vento, vai ser um desastre. – Blaine sorriu sem graça para Kurt, que correspondeu.
— Meninos, eu trouxe sanduíches de presunto com queijo e pasta de amendoim com geleia. Tem uvas, morangos, blueberrys, amoras e maças verde. – Kurt dizia tudo enquanto observava o que estava no chão. – Também tem bolo, pães, torta, muffins e os famosos biscoitos dos Hummels. – Concluiu o castanho.
— Esses biscoitos são tão bons assim? – Perguntou Blaine.
— Bons? – O castanho pegou um biscoito e levou em direção a Blaine. Ele esperou que o moreno pegasse, mas Blaine mordeu enquanto ainda estava não mão de Kurt. Os meninos estavam tão distraídos que nem haviam notado.
— Delicioso. – Disse Blaine tirando o biscoito da mão de Kurt e encarando o castanho. Kurt corou e puxou sua mão de volta. Ele estava fazendo o que deveria ter feito há duas semanas. Conquistar Kurt. – Você que os fez? – Perguntou Blaine dando mais uma mordida.
— Sim. – Disse Kurt se encostando na árvore.
— Pai, quando iremos brincar? – Perguntou August.
— Coma primeiro, depois você vai brincar. – Disse Kurt e tomando um gole do seu chá gelado.
— Mas e se eu passar mal por comer antes? – Perguntou o menino.
— August, eu não caio nessa. Coma primeiro e depois você vai brincar. – Disse o homem descansando.
Se os meninos comessem primeiro, as chances deles voltarem para comer de novo, seriam mínimas, então ele teria mais tempo para conversar com Blaine. O castanho mal podia esperar para poder falar com o Anderson.
[...]
— Você está quieto. – Disse Blaine se sentando ao lado de Kurt na sombra. Os meninos haviam acabado de sair para brincar em um brinquedo próximo da árvore.
— Pensando sobre algumas coisas. – Respondeu o castanho. – Mais ou menos há um mês atrás. – O moreno se lembrava exatamente a o que Kurt se referia. O ator aproveitou e tirou os óculos para poder olhar nos olhos de Blaine.
— D-desculpa por aquele dia. Eu não consegui me conter. – Blaine olhava o canudo que estava dentro da garrafa.
— Tudo bem, mas eu preciso saber porquê você vem me ignorando desde que cheguei na Flórida. Nos primeiros dias achei que fosse realmente um trabalho seu, mas depois comecei a notar que você estava correndo de mim. Até pedir para Ian mentir para não falar comigo, você fez. O que foi? Esqueci mesmo como se beijar alguém e você não gostou? – Eles estavam muito próximos.
— N-não. O beijo foi bom. Muito bom. – Disse Blaine um pouco corado, mas ainda por estar olhando nos olhos de Kurt.
— Então por que fugiu de mim? O que eu fiz de errado? – Blaine se sentia péssimo. Não havia nada de errado com Kurt, só com ele mesmo.
— Você não fez nada de errado, Kurt. Foi eu que fiz. Como sempre eu sou um cabeça dura. – Blaine respirou fundo e olhou para frente, enquanto Kurt encarava o belo perfil do moreno. — Eu tenho uma mania de desistência e de sempre pensar o errado. Sou formado em advocacia, mas quem disse que sou inteligente? – Brincou ele.
— Mania de desistência? – Kurt ficou confuso. – Desistir do que? – O moreno ainda não encarava Kurt. O ator tocou o rosto de Blaine e virou para que o moreno o olhasse para ele. – Blaine, o-o que aconteceu quando estivemos separados?
— N-nada aconteceu. Sério. É só que...
— Só que? – Kurt estava achando aquilo muito estranho.
— É-é complicado... – Blaine abaixou o rosto. Kurt fez com o que ele o encarasse novamente.
— Então tente. – Pediu Kurt. O Anderson não poderia negar nada a Kurt. Era o Kurt. Blaine respirou fundo e tentou novamente.
— Quando cheguei de viagem. E-eu fui falar com você, mas quando passei pela sua janela, vi Sebastian, que não era Sebastian e sim Barry, então comecei a ter pensamentos idiotas e acabei desistindo de... falar com você...
— Oh. – Kurt tinha as sobrancelhas arqueadas. Ele se separou um pouco de Blaine. – Mas por que você achou que eu mentiria para você? E-e mesmo se fosse Sebastian, não tinha porquê você não falar comigo...
— E-eu sei. Por isso eu disse que sou um idiota. Eu não penso nas coisas direito, eu só faço e depois acabo me arrependendo. – Blaine olhou para Kurt. – Mas se fosse Sebastian, não haveria motivo para eu estar ali. Sebastian estava de volta, o que aquele beijo significaria além de um grande erro bobo do passado? – Kurt conseguia ver a dor nos olhos de Blaine.
Kurt não queria concordar com aquilo, mas era verdade. Ele poderia estar se deixando permitir alguma coisa com Blaine hoje, mas se Sebastian voltasse amanhã, ele não teria tanta certeza. E ele se odiava por isso.
— Você me beijou sem pensar... Você se arrependeu? – Questionou Kurt depois de uma longa pausa.
— Não. – Respondeu Blaine com firmeza. – E se pudesse, faria de novo. – O moreno olhou para os lábios rosados de Kurt. Era quase um pedido de autorização de Kurt. O castanho desviou o olhar.
— Eu tive uma conversa com minha melhor amiga-
— Rachel Berry, né? – Perguntou Blaine. Kurt sorriu. Ele adorava falar sobre Rachel.
— Sim. Ela me ajudou em algumas coisas referente a nós. Eu estou aqui hoje para tentar algo, mas...
— Mas... – Blaine procurou os olhos azuis de Kurt.
— Mas o que você disse sobre Sebastian talvez voltar... E-eu sei que é loucura, mas não é a volta que me preocupa, é a minha escolha. Eu não quero te machucar, Blaine. – Falou Kurt. Ele estava quase chorando.
— Isso é muito importante para mim. – Blaine segurou as mãos do castanho. – Desculpa se eu for insensível, mas Sebastian não...
— Eu sei. Mas para que algo acontecesse entre nós, preciso te colocar como primeira opção, porque caso contrário, te machucaria. Eu...
— Tudo bem. Eu entendi. – Blaine tirou uma mecha de cabelo da frente do rosto de Kurt. – Me trazendo aqui hoje, conversando sobre o que eu fiz e até se abrindo para mim, você me deu o que eu precisava, que era um molho de chaves. Agora eu só preciso saber qual chave usar para poder entrar onde realmente importa. – Blaine colocou a mão sobre o peito de Kurt.
— Mas achar a chave certa pode demorar ou talvez ela nem esteja nesse molho. – Disse Kurt um pouco melancólico.
— Eu não tenho nada a perder, então eu tentarei. Caso não tenha a chave de qual eu preciso, eu arrombo a porta ou quebro uma janela. – O moreno conseguiu um sorriso de Kurt.
Blaine passou o nariz vagarosamente pela bochecha de Kurt, esperando alguma oportunidade para beijar o castanho. Até que ele deu um selinho rápido em Kurt. Os dois trocaram um sorriso, até que ficaram encostados na árvore segurando as mãos um do outro.
[...]
— Pai, podemos ir no carrinho de bate-bate? – Perguntou Ian enquanto apontava para o brinquedo.
— Tudo bem. – Respondeu Blaine. Enquanto os meninos iam para a fila, Kurt foi a um tipo de barraquinha e ficou parado observando os bichos de pelúcia. O moreno foi atrás de Kurt e sussurrou no ouvido dele. – Quer um?
— E isso seria uma das chaves? – Perguntou Kurt sorrindo.
— Talvez. – Blaine abriu um sorriso enorme e foi para a barraca. – Moça, por favor, eu gostaria de tentar.
A barraca era uma daquelas de acertar as latinhas com as bolinhas. Blaine recebeu três bolas de tênis e tinha que acertar as latinhas a cinco metros. No primeiro arremesso, ele errou.
— Nossa, que fraco. – Brincou Kurt enquanto observava.
— Ei! – Reclamou Blaine. O moreno se concentrou e jogou a outra, errando novamente. – Kurt fique de costas, por favor. – Pediu o moreno antes de acertar a última bolinha. Kurt sorriu e obedeceu.
Na última tentativa, Blaine conseguiu.
— Olha só. Conseguiu. – Falou Kurt enquanto batia palmas para Blaine.
— Gosto sempre de deixar o melhor para o final. – Disse ele piscando para Kurt, que corou. O advogado se virou para a atendente da barraca, que o entregou um pequeno cachorrinho de pelúcia, na qual tinha os olhos caídos, como se estivesse com sono. – Aqui está. Como prometido.
— É bonitinho, mas eu queria o unicórnio grandão. – Indicou Kurt.
— Ahn... – Blaine ficou congelado e sem graça. Ele estava voltando para tentar conseguir o unicórnio.
— Estou brincando. Eu adorei. – Kurt beijou a bochecha de Blaine. – Vou chama-la de Margareth. – Kurt encostou o nariz do brinquedo com o de Blaine.
— Ainda bem que é fêmea, assim não precisarei ter um cuidado redobrado. – Kurt sorriu para Blaine.
— Pai! Pai! Pai! – Ian veio gritando em direção a Blaine. O menino estava chorando e segurando o rosto.
— O que foi, Ian? – Blaine se abaixou ao nível do filho. August havia chego logo depois, um pouco cansado depois de correr atrás de Ian.
— Eu me machuquei no carrinho. Na hora que o carro freou, bati meu rosto e está sagrando. – Era difícil de entender as palavras que o menino formulava, já que ele estava prestes a chorar. O menino tirou a mão e revelou um machucado que começou a ficar roxo e inchado.
— Droga. Está ficando inchado, filho. – Blaine encostou o dedo, mas o menino gemeu de dor.
— Ih, me surpreendo como August ainda tem um rosto. Deixa eu ver isso. – Blaine deu espaço para o castanho. – Foi feio, mas tenho um jeito para isso, ok, querido? Vamos comprar um picolé e colocamos por cima disso por um tempo. Quando chegarmos em casa, passo uma pomada que vai fechar o arranhão e desinchar.
— Tudo bem. – Respondeu Ian um pouco manhoso.
— Eu acho que tem um velhinho que vende sorvete aqui perto. Vamos meninos. – Kurt pegou a mão de Ian e começou a sair, August estava logo do outro lado do pai.
Blaine ficou encarando a cena com um sorriso bobo no rosto. Kurt estava fazendo pelo seu filho em alguns meses, mais do que Scott havia feito pelo menino a vida toda. O moreno sentia o carinho e a preocupação que Kurt havia por Ian. Sem contar que Ian adorava Kurt. Foi até capaz de chamar o castanho para visita-lo quando estava em uma cama de hospital. Aquilo o fez pensar que ele deveria se dedicar mais ainda em conquistar Kurt. Talvez os dois dessem certo. Talvez os quatro dessem certo.
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