Azul Na Escuridão

5 Últimos Dias em Paris.


Notas iniciais
Olá! Bem melhor agora, obrigada (: mais um capítulo pra vocês. Espero que gostem! Beijão.

–Bom, acontece que ainda tivemos um tempinho em Paris. E nesse tempinho, além das aventuras sexuais, eu tive uma aventura emocional muito, muito grande.

–Agora seria a hora que eu devia começar a anotar?

–É, talvez.

Rebeca Johnson tirou um gravador de dentro da bolsa cor perolada que havia trazido.

–Você me permitiria gravar?

–Sim, contanto que mantenhamos sigilo, tudo está permitido. Anotações, gravações. Tudo.

–Sigilo é obrigatório — Johnson disse tirando um caderno com espiral e uma caneta azul de sua bolsa — e iremos mantê-lo.

–Correto. Pode fazer suas anotações. Somente preste atenção.

–Com toda a razão — disse Rebeca, pigarreando e se ajustando na cadeira, com as mãos preparadas para anotar. Mariana deu um só gole em seu suco e começou a falar.

–Bom, nesses tempos que ficamos em Paris pudemos fazer muito juntas. Por lá, nos passávamos por um casal de lésbicas. Realmente, pelo menos em Paris, éramos namoradas. Andávamos de mãos dadas e nos beijávamos em público. Tudo era "mágico" e enfim... Eu me lembro de um dos dias mais mágicos, que foi quando fomos visitar a Torre Eiffel pela primeira vez. Me lembro que ela se vestia como uma real francesinha. Calças apertadas, scarpin preto e blusinha listrada, vermelha e branca. Andava com uma boina, azul marinha. Eu tinha me vestido com uma calça jeans qualquer e um suéter, e um salto também. Não me importava muito, já que a figura importante era a Larissa. Seus cabelos dourados bem estendidos por toda as costas. Ela andando e eu com minha câmera fotográfica, bem atrás dela. Cada passo que ela dava eu fotografava. Ela era minha modelo em Paris. Em todo lugar que íamos eu a fotografava. Na Torre Eiffel tirei as melhores fotos. Museus não tinham produtos mais raros do que minha garota, ah não.

–Tirou fotos dela? Você as tem?

–Tenho todas elas — Mariana pegou sua mochila preta e puxou de um dos bolsos um punhado bem grande de fotos. Talvez tivessem mais de mil fotos ali! Ela tirara várias fotos e todas elas ficaram boas.

Rebeca passava uma por uma bem devagar e observava o rosto de Larissa. Primeiro, uma garota andando de costas, com os olhos para o céu, em uma rua grandiosa e ricamente enfeitada por luzes noturnas. Depois, um rosto olhando para o horizonte, perto de flores e campos, num verde estendido com um pequeno monte de restos de madeira jogados ao lado. Uma outra mostrava a mesma moça sentada em uma toalha esverdeada no concreto de uma praça enquanto outras pessoas passavam à sua volta.

E tinham fotos um pouco mais caseiras, tiradas dentro do hotel. Uma dela sentada na cama, lendo um livro. Tinha outra dela com as malas na mão, entrando pela porta. Havia uma também, bem bonita, de ela apenas de blusa, uma blusa bem comprida. Ela estava tomando uma xícara de café olhando para a janela, para Paris. Onde ela ia, Mariana ia atrás com a câmera sem motivo nenhum. Apenas queria. E ela nunca publicara as fotos em lugar algum, ela apenas guardara para ela, o motivo talvez ninguém nunca ficaria sabendo.

Rebeca pegou uma foto especial, estava até em um papel diferente, maior e mais brilhante, onde essa garota, muito bonita, estava sorrindo, dando risada, em frente à Torre Eiffel, com os cabelos voando. Rebeca se pegou com os olhos brilhando, e sentiu uma ardência no olho que talvez significasse uma previsível lágrima.

–Eu entendi, Fitz — falou Rebeca após abaixar a foto no colo, suspirando.

–Entendeu?

–Entendi. Você conseguiu encontrar uma obra de arte humana. Se apaixonou por essa obra de arte. Ela é, de verdade, muito bonita. Você captou nas suas fotos a essência da menina. Os olhos azuis como o céu que há no fundo da foto, eles mostram a felicidade que ela sentia. Você captou nos olhos dela os sentimentos que ela tinha.

–Eu não simplesmente estava "apaixonada" por ela. Eu estava apaixonada pela beleza dela. Ela era tão linda que eu mal conseguia pensar nos meus atos seguintes. Por isso que cometia besteiras. Por isso que a perseguia com uma câmera. Aquilo nela precisava ser registrado — enquanto Mariana explicava, Johnson continuava folheando vagarosamente cada foto que tinha em mãos, e se emocionando, inconformada com o fato de Mariana ter conseguido fazer ela se sentir tocada com uma simples forma de tirar uma foto espontânea de uma modelo não-oficial, porém mil vezes mais perfeita.

Quase no fim do monte havia um envelope pequeno. Rebeca perguntou o que era e Mariana permitiu que ela o abrisse. Quando Johnson o fez, viu que eram fotos não somente de Larissa, mas das duas juntas. As duas se beijando, sim. As duas se abraçando, trocando carinhos. As duas olhando para uma paisagem bonita. As duas tomando um café debaixo de uma tenda de madeira com flores adornando o lugar. As duas sentadas num balanço preso numa trepadeira. Tudo era muito bonito e Rebeca se encantava.

Rebeca passou um bom tempo olhando as fotos. Mariana chegou a olhá-las mais uma vez também. Derrubou várias lágrimas discretamente, tentando fazer Johnson não perceber — tentativa falha — e então colocou mais uma vez no envelope. Fechou o envelope com uma fita vermelha e um laço, e tirou outro envelope e colocou as fotos de Larissa, fechadas com uma fita branca e um laço também. Colocou na mochila com cuidado e continuou a contar tudo para Johnson.

–Agora, é onde realmente tudo começou.

–Pronta pra te escutar... — Johnson só queria acabar com aquela conversa e resolver logo o problema.

–Estávamos de volta ao Brasil. Pousando. E eu decidira no caminho que não! Eu não estava apaixonada por ela. Realmente, era amor pela beleza dela. Era um carinho de irmã, de melhor amiga. Não era amor. Era fascinação. Eu era apaixonada por artes e eu simplesmente achava ela uma arte viva, em pessoa. Eu queria aquela beleza, e não aquela garota. E eu precisava dizer isso à ela. Nós pousamos o avião e fomos diretamente para o apartamento em que morávamos. No táxi, Larissa tentou encostar em mim, mas por um gesto inconsciente e involuntário, eu afastei ela de perto. Isso fez ela se chatear um pouco. Quando chegamos, arrumamos tudo caladas e rodeadas por puro silêncio, talvez fosse pelo que eu tinha feito no táxi. Sem motivos, Mason passou para me dar boa noite. Um gesto bonito em alguns anos. Mas eu ainda o amava muito. Não amava Larissa e sim Mason. E me senti muito feliz por ele ter vindo. Ele veio por boas causas, Rebeca. — Fitz se calou.

–E então?! — Johnson pareceu desesperada

–Então... É. Eu dei um beijo em Mason, o abracei e continuei o beijando. Ele percorreu suas mãos pela minha cintura, até meu quadril. Eu dei risada, levantando a mão dele, e o abracei mais forte. Continuamos nos beijando, e trocamos vários amassos e "eu te amo", ele disse que sentia saudades, eu também, estávamos muito carinhosos um com o outro, e Larissa aparentou ter ciúmes da cena. O mais fantástico é o que ele fez. Me lembro até das palavras. Mason ajoelhou-se no chão e me disse: "Tanto tempo que fiquei sem você e somente agora pude perceber o quanto você me fez falta, Mariana. Foi somente agora, também, que eu percebi o quanto fui mau pra você. Eu não quero te perder. Me senti só, vazio, uma parte de mim se foi quando você viajou. Nunca mais me deixe.", cessando seu poema com um abraço apertado. Ficamos um bom tempo ali, apenas trocando carícias. Eu o convidei para entrar e ofereci a ele um chá. Nós nos aproveitamos um pouco e Larissa via tudo de longe. Quando fomos para a sala, coloquei qualquer coisa na televisão e deitei no peito dele. Eu lembro que ele cuidou de mim como nunca tinha cuidado. Eu realmente acreditei que a partir daquele momento ele ia mudar. Observação objetiva: ele mudou. Ele foi embora depois de um tempo, e ficamos em casa, no apartamento. Fomos para cama em silêncio. Um silêncio mortal, que parecia mais gritos do que silêncio. Talvez fosse por causa do beijo que eu dera em Mason, ou por tudo que fizemos juntos. Ela não queria falar nada, mas os olhos dela já gritavam com fúria. E eu comecei a ouvir petulâncias assim que fechei meus olhos. Ela perguntava furiosa "Por que você esconde nosso amor?! Tem que contar a Mason que estamos juntas e que vai terminar com ele!" gritava comigo de todos os jeitos e me forçava a querer revelar ao mundo nosso amor que nem existia. Eu fiquei extremamente irada com aquilo, realmente, muito brava! Mas as coisas continuavam andando. Me lembro que no dia seguinte ele voltou, eu nem havia o chamado, mas ele voltou como um cavalheiro. Realmente, um milagre havia acontecido e ele tinha mudado, alguém devia ter dito algo pra ele enquanto eu estive fora. Mas enfim, pela noite, ele chegou em casa com flores! Flores, Rebeca! Sabe o quanto é difícil esse homem se importar comigo a ponto de me trazer... flores?! Ele me trouxe flores, me pegou no colo e me girou! Realmente, nosso namoro estava decisivamente perfeito. Nós então olhamos para os lados e ninguém estava ali. Larissa estava no quarto, dormindo ou fazendo sei lá o quê naquele momento. Mas então nós, no chão, começamos a "brincar" juntos. Ele passava a mão pelo meu corpo e estava realmente muito romântico. Fazia tempo que ele não me tratava bem daquele jeito. Então, ao ver que ninguém mais estava ali de verdade, ele tirou minha camiseta e começou a dar beijos entre os meus seios e falar coisas românticas. Ele ficou em cima de mim e então começou a dizer "você está presa! É só minha agora" e eu ria alto. Ele então desabotoou meu sutiã, mas nós tínhamos certeza absoluta que ninguém estaria ali. Se ouvíssemos Larissa vir, correríamos pra nos arrumar. Eu tirei a camiseta dele. Ele então começou a distribuir beijos em mim e não exigiu que eu fizesse nada com ele, como das últimas vezes. Eu ria com as cócegas e ele estava muito fofo. Ele prendeu minhas mãos contra o chão e ficou beijando meu pescoço e naquele momento minhas risadas acordaram Larissa. Ela caminhou até nós sem eu ouvir. Ela nos viu, viu ele sem camisa, aquele corpo escultural, em cima de mim, que estava sem nada, só de shorts, os seios de fora. Ela me encarou, parecia me fuzilar com os olhos, parecia que machados estavam me acertando mentalmente. Senti que ela queria me matar. Ela então passou reto sem dizer absolutamente nada, pegou um copo de água e voltou em silêncio pro quarto. Mason ficou com medo de ela não ter gostado da cena, não que ele soubesse o que tínhamos feito, mas que fosse desagradável pra ela ver um casal quase transando no meio da sala. Eu disse pra ele ficar tranquilo e brinquei com ele mais um tempo. Depois ele foi embora. Fiquei alguns segundo na sala pensando com que cara eu apareceria no quarto pra dormir. Eu fui mesmo assim, e deitei diretamente na cama, até que comecei a ouvir dela. — nesse momento Mariana parou de falar e olhou fixamente para o nada. Então um flashback do dia que estava descrevendo veio à sua mente.

Larissa estava de camiseta preta e short, e Mariana com um pijama de calça e uma blusa regata.

–Por que fez isso hoje mais cedo? — falou Larissa, séria.

–Isso o quê?

–Argh! Aquela cena ridícula que presenciei agora há pouco, no meio de minha sala!

–Ele é meu namorado.

–O quê?!

–É, ainda é. Não posso fazer nada.

–Você não assumirá nós duas? Eu pensava que era amor. Se fosse amor você não ia ter vergonha.

–... — Mariana não respondera. Ficou quieta.

–Viu?! Olha que cínica! Na minha frente é uma, na frente dele é completamente diferente. Hipócrita. Quando vai assumir nosso amor pro mundo?! Nós tivemos férias, nós fizemos amor, nos beijamos e namoramos. Nós somos um casal. Por que é tão difícil pra você entender isso?

–Fique quieta, Larissa. Não temos o que discutir. Pare de inventar.

–Não temos?! — Larissa aumentara o tom de voz — Então tudo o que passamos foi pra nada?! Você não vai contar para o mundo que me ama?! Que eu te amo?! Que nos amamos e que vamos viver juntas?! Vai esconder isso o resto da vida?!

Nesse instante, Mariana perdera o controle.

–Cale a boca! Você não percebe?! Eu não te amo! Idiota! Estúpida! Eu não te amo! Pare de ser petulante! Isso está ficando ridículo! Você só coloca um monte de coisa na minha cabeça! Eu fiquei com você algumas noites! A gente transou, tá! Mas acontece! Agora passou! Ninguém mais tem que lembrar disso! Chega! Você fala tudo quando te convém! Para! Eu quero o Mason! Eu amo ele! Ele me faz bem! Ele é melhor! Eu quero ele! Não quero uma lésbica!

–Agora é assim, não é, Fitz? — falou Larissa com lágrimas nos olhos. No mesmo momento, trovejou. — Agora tudo é uma mentira. Eu não sei por que você fez isso comigo. Por que mentiu todo o mês dizendo que me amava. Por favor, Mariana. Eu transei com você várias vezes. O que isso significou pra você?

–Uma brincadeira. Diversão para as férias. Algo para matar a saudade do namorado. Nada mais que isso. Eu te usei.

–Certo. — Larissa se levantou e se retirou do quarto. Foi até a cozinha, tomou um copo de água e voltou para o quarto. Se deitou na cama. Mariana não suportou a companhia e saiu de perto.

Mariana não conseguia tirar seus olhos fixados do chão. Ela tremia, parecia levar um choque. Ela estava chorando, parecia que estava tendo algum transe ou epilepsia. Rebeca a segurou firme de lado e depois a levantou.

–Está tudo bem?

–Era isso que eu tentava evitar... — interrompeu a frase com uma tossida forte — ... todas as vezes que neguei te contar meu segredo. Mas agora que já comecei eu não posso mais parar... — ela soluçou.

Mariana contou todo o flashback que tivera para Rebeca, depois continuou a história.

–Então eu peguei uma troca de roupas e fui dormir na sala. Tomei comprimidos, soníferos. Dormi muito. Quando acordei, era madrugada e chovia muito, muito mesmo. Eu encontrei uma taça de vinho e um bilhete. Nele, ainda lembro exatamente as palavras, estava escrito: "Obrigada pelas aventuras. Que esse vinho te lembre as noites parisienses. Escreva uma nova história sozinha a partir de hoje. Espero que Mason te ajude a escrevê-la, tenho certeza que vocês têm grandes aventuras pra pôr no papel. Grande beijo." Bebi o vinho de uma vez só e senti o álcool descendo ardido por minha garganta e anulando todo o efeito de meus comprimidos. Eu então, naquele momento, tive um "deja-vú", um flashback, uma lembrança, qualquer coisa. Mas eu lembrei de uma vez, em Paris, em frente à Torre Eiffel. Ela me dissera: "Eu seria capaz de me jogar de lá do alto se eu te perdesse. Não sei o que eu faria sem você". Eu parei por alguns segundos e simplesmente corri.

Mariana voltou a olhar pro chão e teve outro flashback.

Mariana calçou um par de chinelos e não teve tempo para trocar seu pijama: estava desesperada, e com pressa. Sabia que estava uma tempestade, um toró, do lado de fora. Mas não tinha tempo pra pegar um guarda-chuva. Ela desceu o elevador do edifício em que morava. Tudo escuro pela madrugada. Apenas as luzes fracas e interrompidas por breves apagões e falhas. Parecia um filme de terror. Detalhe: era um. Mariana desceu até a garagem, e procurou seu carro, mas como era de se esperar, ele não estava ali. Com certeza fora levado por Larissa. Então ela subiu até a portaria do edifício em que morava, e simplesmente foi gritando para que abrissem a porta correndo. O porteiro (Hélio) segurara a mão de Fitz, que ia gritar. Mas ele a ofereceu um guarda-chuva e pediu para que ela fosse em paz.

–Obrigada, Hélio. Como você sabe que estou atordoada?

–Larissa desceu aqui há algumas horas pedindo um abraço. Ela depois foi até a garagem e saiu com seu carro. Eu sabia que isso ia acontecer. Vá em paz. Além disso, quem mais desce de pijamas às quatro horas da manhã nessa tempestade? Só você mesmo, né Fitz?

–Obrigada, Hélio. Preciso correr. — disse Mariana derrubando algumas lágrimas. Ela saiu pelo portão do edifício, e andando, naquela chuva, com apenas um guarda-chuva em suas mãos, fez um caminho.

Seguiu para o prédio Ilha Bella, onde costumavam morar quando eram pequenas. O caminho estava escuro e a chuva dificultava sua visão. Mariana temia tudo. Haviam bêbados e drogados no meio da rua, mas ela continuava correndo. Uma hora ela tropeçou com a chuva e caiu de cara no asfalto. Seu chinelo havia quebrado, seu pijama se molhou e ela ficou completamente suja. Resolveu ir descalça. Pisou em cacos de vidros, em sujeiras, e o asfalto era quente. Ela estava escorregando nas poças que mal enxergava, mas sabia que precisava lutar.

Ela corria cada vez mais, com tanto medo do escuro, mas correu até chegar no prédio. Ela tocou a campainha com força, e o porteiro abriu para ela após a identificação. Quem estava ali era o Gilmar, ele ainda se lembrava dela. Ele a viu naquele estado e a parou. Mandou que ela entrasse devagar, trouxe a ela uma toalha seca e um copo de água. Disse que ia voltar com roupas e a deixou ali na entrada. Ela, quando viu ele saindo, com as mãos muito trêmulas, deixou o copo cair e ele se quebrou inteirinho em seus pés. Eles sangravam muito, e estavam cheio de cacos. Ela deixou ele ali mesmo e começou a subir o elevador até o apartamento onze, onde Larissa costumava morar. Ela tocou a campainha em desespero, e sua mãe atendeu.

–Oi Mari! O que faz aqui a essa hora da noite? Tá tudo bem?! Você está horrível e seus pés...

–Não, não! Não interessa a mim! Sua filha está aqui?!

–Não, ela passou aqui para pegar umas roupas hoje mais cedo e foi dormir no apartamento do irmão...

Nesse instante Mariana nem terminou de falar "tchau" à mãe de Larissa, simplesmente se pôs dentro do elevador de novo e mais uma vez correu para outro prédio. Por sorte, este não era tão distante. Ela correu, e os portões foram abertos para ela. Ela entrou e subiu os andares. Lá eles também a reconheciam. Ela subiu até o oitavo andar, onde o irmão dela morava e era pra ela estar ali.

Ela então abriu a porta do elevador e se encontrou em frente ao apartamento onde Larissa devia estar. A porta não estava fechada, muito menos trancada. Estava entreaberta. Mariana tinha medo. Medo, como uma criança tem medo de seus supostos monstros que se escondem nos armários. Ela abriu devagar e as luzes estavam apagadas. Um relâmpago iluminou a sala e ela pôde ver o quão assustador aquilo ficava pela noite.

Uma brisa que corria pela espinha de Fitz a deixou arrepiada. Uma corrente de ar vinha do corredor. As luzes piscavam e os relâmpagos eram a única forma de iluminação. Mariana se aproximava como se um animal fosse surgir ali do nada e a devorar.

Ela respirou fundo e entrou pelo corredor. Um cheiro estranho vinha do quarto do irmão de Larissa. Mariana temia o que encontraria ali.

Ela pisara em algo que se confundira com o sangue que escorria de seus pés por causa dos cacos de vidro. Na realidade, era mais sangue, mas não era dela.

Se aproximando mais um pouco ela pisou em algo cilíndrico e bem pequeno. Ela se agachou e pegou-o: era uma capsula. Logo viu que o chão estava cheio delas. A escuridão não deixava Mariana enxergar aonde estava indo, mas então ela achou de onde vinham as capsulas.

Ela caiu dura no chão, branca e pálida. Sentiu sua cabeça bater na parede. Mas não era pra menos...

As cápsulas fizeram um caminho até o pote de onde elas vieram. E esse pote estava sendo coberto por algo frio. Duro. Macio.

Um relâmpago iluminou a casa e era uma mão. Mariana não queria acreditar. Mas acendeu as luzes do corredor, e sim.

O corpo de Larissa estava jogado, sangrando. Olhos azuis abertos, mas agora não mais vivos e sim mórbidos. Olhos que nunca mais iriam piscar novamente.

Seus lábios estavam abertos, e sangue saia deles. Sangue também saía dos pulsos daquele corpo. Ela havia se cortado e se dopado de veneno e remédios. Seu corpo bonito agora nunca mais caminharia, seus quadris nunca mais se remexeriam para os lados de uma forma encantadora.

Ela estava... morta.

–Mariana, Mariana. — chamou Johnson. — Mariana! Acorde! Tá tudo bem?

Mariana só chorava. Ela disse que precisava ir.

Mariana correu para seu apartamento.

Notas finais
AI MISTÉRIO :3 Doeu no meu coração escrever esse capítulo, juro pra vocês.