Azul Na Escuridão

6 Última Melancolia


Notas iniciais
Último capítulo :) obrigada todos os que leram e acompanharam, de verdade! Obg...

Mariana abriu sua mochila preta furiosamente e jogou tudo que tinha ali no chão. Pegou uma caneta preta e começou a escrever algumas frases em alguns objetos. Finalmente, após um tempo arrumando tudo, ela jogou umas velas e um isqueiro dentro da mochila. Ela trocou sua roupa e passou um tempo fazendo uma maquiagem forte. Seus olhos com rímel e lápis, bem preto. Seus lábios bem vermelhos e sua pele continuava extremamente branca. Ela vestiu um vestido preto tomara que caia e colocou saltos altos. Colocou uma corrente de ouro, que representava um coração ao meio. Essa corrente costumava se completar com a de Larissa. Ela tinha a outra metade desse coração.

Mariana foi rapidamente descendo as escadas do prédio, ainda com a mochila preta ali, nas costas. Seu cabelo estava muito liso e sua maquiagem perfeita. Ela era tão branca, que tudo ficava destacado nela.

Ela caminhou até uma floresta pequena da cidade, onde também tinha uma lagoa ali próxima. Assim que chegou, ela deitou uma toalha branca no chão. abriu a bolsa em cima dessa toalha e tirou tudo que tinha de dentro dela: meia dúzia de velas. Um isqueiro. Uma caixa. Uma faca. Sete potes de remédios diferentes. Um copo. Três envelopes (um com uma fita vermelha, outro com fita branca, e outro com uma fita azul) com algumas coisas escritas neles. Uma caneta. Com a caneta, ela escreveu na toalha: "Enterre estes objetos ao lado do corpo de Mariana Fitz."

Ela se deitou na grama após ter ajeitado tudo em cima da toalha branca. Estendeu a mão e pegou os potes de remédio, o copo e a faca. Ela puxou também as velas e o isqueiro. Acendeu todas as velas e colocou em volta dela. Então pegou todos os potes de remédio e despejou todos os comprimidos diferentes dentro do copo. Os potes vazios arremessou até a lagoa. Ela tomou todos os remédios de uma vez só. Eram remédios diferentes e um mais forte que o outro. Quando sentiu um aperto no coração, pegou a faca e cortou vagarosamente todo seu corpo.

Ela nem sentia mais arder, seus olhos já se fechavam devagar. Mais devagar, mais devagar, mais devagar...

Dois dias depois.

–Consultório da Dra. Rebeca Johnson, psicologia.

–Alô... irmã de Mariana Fitz.

–Miranda Fitz? É você?

–Sim.

–Quanto tempo sem escutar sua voz! E então, o que te traz a essa ligação?

–Nada de bom, com certeza. — Rebeca silenciou-se por alguns segundos após ouvir isso.

–E sua irmã... você viu ela ultimamente?

–Eu... não vou vê-la nunca mais.

–Aonde é?

–Lagoa Brooklyn. Por favor, agora.

Rebeca desligou o telefone e se dirigiu para a pequena floresta onde se localizava a Lagoa Brooklyn. Ali, bem perto da lagoa, tinha uma menina deitada. Ela estava tão pálida que parecia transparente. Em sua mão tinha uma faca com sangue, já seco. Ela também estava cheia de sangue. E jogado próximo a ela tinha um copo vazio. Ela usava um vestido preto bem bonito e uma maquiagem preta exagerada. Mais pra frente podia-se observar uma toalha branca cheia de coisas em cima. Rebeca olhou uma por uma e pegou pra ela. Colocou dentro de sua bolsa. Eram três envelopes e uma caixinha, o que ela pegou. Reconhecendo o corpo, era Mariana Fitz, aquela ali que nunca mais acordaria. Miranda chorava em silêncio, engolindo as lágrimas. Colocou a mão no peito, ajoelhou-se e gritou. Rebeca ajudou-a a chamar alguém para retirar o corpo dali, e enquanto Mariana tremia, Rebeca a abraçava e dizia palavras carinhosas. Os pais de Mariana Fitz chegavam sem saber o que havia acontecido, e fora um dia de muita tristeza para todos.

Passado uns dias, Rebeca decidiu abrir os envelopes e a caixinha.

Na caixinha pode-se encontrar um pouco de dinheiro parisiense. Também algumas cartas de amor e o bilhete do vinho. Dentro tinha um pequeno bilhete: "Fui encontrar a dona da taça do vinho tão bom que deixou. Talvez ela tenha mais me esperando. Se você encontrar esse dinheiro, troque e aproveite."

Rebeca então puxou os três envelopes. Abriu primeiro o de fita vermelha. Tinham fotos. Rebeca reconhecia as fotos. Reconhecia também as fotos que tinha no envelope branco. No envelope vermelho estava escrito: "Lembranças de uma inocente de olhos azuis e uma vilã muito branca." no envelope branco estava escrito "Uma obra de arte, mandem a um museu." E no azul estava escrito "Última melancolia de minha vida."

Rebeca abriu o azul e leu, muito triste:

Na nossa vida as situações ocorrem e nunca podemos prever qual será a próxima. Alguns dias são felizes e os outros são tristes. Infelizmente um dos acontecimentos foi mais forte do que eu conseguia suportar e foram quatro anos de pura tristeza até eu colocar pra fora. Quando eu coloquei pra fora, eu me matei de tristeza. Por dentro eu já havia morrido. Não é bom ficar viva por fora quando sua vida já acabou. Por isso acabei com ela.

Se você estiver lendo essa carta, e não for Rebeca Johnson, Miranda, Joseph e Lara Fitz, ou Mason Jackson, encaminhe para a melhor psicóloga do estado, Johnson.

Rebeca, obrigada por ter me suportado esses quatro anos. Arquive meu caso. Com certeza, um dia, você vai descobrir porque eu me matei. Vai descobrir o final da história. Estou deixando esse mistério pra você.

Miranda, irmã amada. Saiba que acima de todas as mágoas que você cortou em mim, eu te amo.

Joseph e Lara, meus pais queridos. Apesar do abandono em meio minhas dificuldades, eu ainda amo vocês. Vocês não sabiam como eu estava por aqui, mas meu estado não era feliz. Um dia vocês também vão descobrir o que houve.

E Mason... perdoe-me ter sido uma namorada ruim. É que depois que Larissa se foi, bem... eu não pude mais ser a mesma. Mas saiba que eu te amo até hoje. Eu queria poder estar casada com você nesse momento. Infelizmente, estou morta. Mas não esquecerei as lembranças. Espero que case com uma moça muito bonita e carinhosa. Eu te amo.

Sim, isso é uma carta de suicídio.

Abraços, e

Adeus.

Rebeca abaixou a cabeça. Ela nunca iria saber o porquê da morte de Mariana, pois ela nunca terminou de ouvir o fim da história. Apenas descobriu que Larissa "se foi", segundo a carta de Mariana.

Ela enfim, colocou tudo dentro da caixa. Pegou uma caneta e escreveu na caixa: "Caso Fitz, ARQUIVADO" e pôs dentro da caixa a ficha de Fitz. Ela colocou a caixa na gaveta e anunciou no interfone para a recepcionista:

–Mande-me o próximo paciente.

Notas finais
Obrigada por todo o acompanhamento... obrigada até vocês, leitores fantasmas. Agradeço eternamente cada um de vocês que leram e espero que vocês tenham gostado. Observação: uma continuação aguarda vocês. :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!