Notas iniciais
Palavras em sublinhado vejam como se estas estivessem com um risco.

O cheiro de gengibre, cravo e açúcar queimado não demorou a inundar o ar.

Era ela. De novo.

–Cassie... — minha voz para, presa por fios invisíveis de vidro.

–Você demorou. — Ela disse, sentando-se no criado-mudo e balançando as pernas no ar. Diante do meu silêncio, Cassie me encara. — Mas eu te esperei mesmo assim.

–D-do que você está falando? — eu digo num múrmurio, mais um passo cego adrentando para dentro do quarto.

–Ora — ela quase riu, diante da minha inocência — Chegou sua hora de passar pela fronteira e se juntar até mim.

–Mas eu não posso... A Emma está me esperando, meus pais, Jeniffer...

–Eu estou com saudades, Lia — ela me cortou, brusca. Cassie levantou o queixo, seus olhos, semicerrados, estavam escuros como as trevas. Mas mesmo assim alguma coisa sorria ali dentro. E chamava por mim. — Vamos?

Eu quero ir, me leve com você depressa.

–Não vou. — Minha voz sai firme e me assusta. Ela eu que havia falado aquilo?

–Você jogou a chave fora. — Cassie continua, sem uma grama de perdão. Ela se levanta, caminha até mim. — Sem comida... e engolindo esses comprimidos brancos como se fosse água... — Seus lábios ganham um sorriso macabro — Você está pior do que mim.

Nãoconsigomemexer. Nãoconsigomemexer. Nãoconsigomemexer.

–Lia... — Cassie sussurra, seus olhos presos em mim — Lia-Lia... Vamos?



Eu posso sentir as sombras saindo da escuridão vindo atrás de mim.