Azul

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Selly: Obrigada por quem leu e comentou os capítulos anteriores, e por quem não comentou também.

POV Danny

Eu nunca desejei tanto que um dia de aula acabasse. Depois do nosso encontro na aula no sr. Banners nós só tivemos mais uma aula juntas depois do almoço, e era a que nós duas mais odiavamos: educação física. ela ficou sentada na arquibancada a aula toda, o professor não ligava mais pra isso, e eu resolvi fazer os exercícios mandados, queria dar espaço a ela e precisava pensar.

Depois de mais umas tacadas de tênis nós fomos dispensados, e todos os alunos de dirigiram aos seus vestiários. O vestiário femenino estava bastante movimentado, mas eu resolvi tomar uma ducha rápida assim mesmo, eu não poderia chegar na casa da Cat toda suada, e não daria tempo de passar em na minha casa, já que eu sabia que ela já estava se dirigindo a dela.

Nesse momento eu teria que recapitular tudo o que aconteceu desde o episódio do beijo. Ah, o beijo. Eu lembrava dele como se fosse hoje, como se tivesse sido há cinco minutos atrás. Os lábios da Cat nos meus foi a melhor sensação que eu poderia ter sentido na vida. Mas não era sobre isso que eu devia pensar agora, eu queria saber o motivo do beijo. Ela havia me beijado, eu sei que havia. E eu daria tudo pra saber o porquê. Ela tinha me beijado, depois começou a me ignorar, e só agora trocou uma palavra comigo de novo. Agora era o momento em que eu teria que decidir se iria me declarar ou conversar com ela, tentar esquecer e fingir que nada aconteceu.

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A casa do lado de fora parecia silênciosa, como se não houvesse ninguém ali, sempre foi assim. Ao chegar na porta de entrada me veio uma situação estranha. Eu normalmente não tocava a campainha, simplesmente entrava, todos já me tratavam como se fosse da família, e desde cedo nossa relação foi sem cerimônia alguma. Mas agora a situação era diferente, o meu momento com a Cat pela primeira vez em nossas vidas estava péssimo e eu não queria parecer intrometida, porém tocar a campainha era adimitir que não éramos mais tão íntimas, que agora éramos simplesmente amigas, ou pior, colegas. Então eu abri a porta. Ao entrar vi Cíntia, uma empregada jovem e bonita, e ela me olhou com surpresa, no mesmo momento pensei que talvez tivesse cometido um erro. Talvez Cat tivesse avisado que minha presença não era mais bem vinda.

– Que surpresa srta.Mitchel, há tempos que não a vejo por aqui — Mas para meu alívio não tinha acontecido isso.

– É, eu andei uns tempos afastada — expliquei. — Mas agora estou de volta. — Assim eu espero, completei mentalmente.

– Ainda bem, por que a srta. Clarck costuma ficar um pouco perdida quando você não está por perto — comentou com o tom divertido, e eu gostei do comentário. Cíntia era realmente bonita, era difícil tratá-la como empregada, ela era mais que isso. Era uma amiga querida. Tinha pouco mais que minha idade, devia ter uns 19 anos, por isso nossa comunicação era tão boa. Ela já ajudou a mim e a Cat a nos livrar de várias situações que nos colocariam de castigo. — Bom, se você veio aqui para o enterro do hamster é melhor subir logo, a srta. Clarck está desesperada.

– Claro, já estou indo — sorri divertida. Aqui todos já haviam se acostumado com as loucuras sentimentalistas da Cat. — Ah, só uma coisa que eu já deviria ter falado há anos: não me mais chame de srta. Mitchel, Cintia, só Danny já basta.

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De novo na mesma situação. Eu estava na frente na porta do quarto da Cat e não sabia se batia ou se entrava direto. Então fiz os dois. Bati, e sem esperar pela resposta, entrei.

Cat estava sentada de costas pra porta na beirada da cama, com as pernas cruzadas, e em cima delas estava repousado Phil, o urso de pelúcia. Pelo menos esse não poderia morrer.

– Você veio. — comentou, mas foi mais como se falasse pra si mesmo.

– Eu disse que viria. — sentei ao lado dela na cama — Onde ele está? — Ela apontou pra uma caixa em cima da mesa de estudos. Eu demorei um tempo pra identificar o formato da caixa, que na verdade era um mini caixão. Ah meu Deus, precisava mesmo disso?

Não ficamos por lá muito tempo, Cat não estava muito afim de conversar, o que não combina nada com ela, mas enfim. Nós fomos ao seu quintal, depois da piscina, que era enorme. Lá já estava tudo preparado, tinha um pequno buraco no chão, equivalente ao tamanho de Paul, e Jared, o motorista, estava posicionado ao lado do buraco. Acho que ele era meio que o coveiro da situação. Depois da Cat discursar algumas coisas sem sentido sobre Paul ter sido o melhor hamster do mundo, ela me perguntou se eu não queria falar alguma coisa.

– Bom, Paul... É... Obrigado por ter nos dado a chance de conhecer você, e ver você fazer coisas fofas e nojentas. E eu prometo que nunca mais vou chamar você de rato. Espero que você seja feliz no céu dos hamsters. A não ser que você vá pro inferno, já que você não foi um animal muito bonzi..

– Eu não acredito que exista um inferno pra hamster — A Cat me interrompeu.

– Ok... Enão você vai pro céu mesmo. — Finalizei meu elogio fúnebre.

Depois do caixãozinho ter sido devidamente enterrado nós voltamos a área da piscina e sentados em cadeiras postas ao lado de uma mesa com um grande guarda-sol, Cat parecia muito abalada. Se tivessemos em outro momento eu provavelmente já teria feito uma piada de humor negro, mas não era hora para aquilo, a minha frieza habitual não se encaixava ali.

– Cat, você sabe, nós precisamos conversar — eu disse depois de alguns minutos de silêncio.

– Eu sinto muito Danny, não queria isso estivesse assim — sua voz suou rasgada e fraca. — Eu sou só uma idiota mesmo.

Tentei ignorar a parte do idiota, eu odiava quando ela se xingava.

– Eu senti sua falta, muito mesmo, pequena. — Ela não pareceu gostar da forma delicada que eu a tratei, ela normalmente gostava.

– Eu também senti a sua, deveria ter falado com você antes, desculpa. Eu sou idiota, idiota, idiota! — Cat colocou as mãos sobre os olhos, o seu cabelo comprido cobrindo toda a pele perfeita.

– Você não é idiota! — exclamei. — Linda, presta atenção, eu só quero entender o que aconteceu, eu preciso entender!

– Mas eu também não sei D, eu... Eu só... Eu só não sei — ela deu sinal de que ia começar a chorar, então eu só suspirei. Era difícil conversar com a Cat sobre assuntos complicados, pois ela sempre se desesperava.

– Olha, eu não quero te assustar, nem te precionar, ou algo do tipo, argh, isso é tão complicado! Eu só quero que você entenda que pra mim também é difícil, você passou poucos dias sem falar comigo e pra mim foi uma eternidade, eu não suporta ficar longe de você. Eu queria poder te entender completamente, saber o que se passa na sua cabeça, o que passou quando... Você sabe as respostas que eu quero, e espero que você seja completamente sincera comigo. Por favor, não minta.

– Eu... Eu te beijei — era interessante ouvir aquilo. — Eu te beijei, mas eu tava confusa, eu não queria fazer aquilo. Foi uma coisa sem cabimento, que não vai acontecer de novo.

Notas finais
Cíntia. Guardem bem esse nome.