Azul

5 Capítulo 5


Notas iniciais
Desculpa a demora. Eu tava viajando. Mas aqui está.

POV Cat

Após o enterro do meu querido terceiro melhor amigo, eu e Danny sentamos juntas perto da piscina. Nós ficamos em silêncio por um tempo, mas eu sabia que ela queria conversar. Mesmo que eu tentasse não pensar muito naquilo, eu sabia que uma hora teríamos que esclarecer tudo. A situação em que eu nos coloquei teria que ser resolvida, para o bem na nossa amizade, que eu, por ser idiota, tinha estragado com aquele beijo. Um beijo perfeito, que deixa saudade, e que não deveria ter acontecido. Eu fui egoísta. Agora ela deve ter pena de mim. E pena era uma coisa que eu odiava, e sabia que na minha vida ela era a única que não sentia isso por mim. Até agora.

Eu não sou muito boa em explicar as coisas. Eu penso muito, mas na hora de falar me atrapalho toda, e não sai nada que preste ou faça sentido. Então tento não pensar muito, e sou mais direta no que eu quero.

– Cat, você sabe, nós precisamos conversar — Eu sabia, agora era a hora. Eu tentei me concentrar no que iria falar, mas não consegui. Acabei me desesperando.

– Eu sinto muito Danny, não queria que isso estivesse assim — Droga, por que eu não faço nada direito? Idiota, idiota, idiota — Eu sou uma idiota mesmo.

Ela suspirou. Eu gostava de prestar atenção em tudo que ela fazia, mesmo que fosse só um suspiro.

– Eu senti sua falta, muito mesmo, pequena. — Como ela poderia me tratar tão bem depois de tudo que eu fiz? Depois de estragar tudo? Eu não merecia esse carinho, eu não a merecia. E já que ela decidiu ficar perto de mim, eu deveria tratá-la do jeito certo, e não ficar ignorando.

– Eu também senti a sua, deveria ter falado com você antes, desculpa. Eu sou idiota, idiota, idiota! — Eu abaixei minha cabeça e coloquei as mãos sobre os olhos. Olhando pra ela eu não conseguiria falar.

– Você não é idiota! — Ela me interrompeu imediatamente. — Linda, presta atenção, eu só quero entender o que aconteceu, eu preciso entender!

Ela não entendia que eu também não entendia o que tinha acontecido. No dia em que eu a beijei eu senti uma coisa totalmente nova, um nível de ciúmes que eu não sabia existir em mim. Ciúmes do tal garoto por quem ela estava apaixonada, um garoto que se eu ver por aí não sei se vou me segurar. O Maybach Landaulet da minha família com certeza ficaria lindo em cima dele.

– Mas eu também não sei D, eu... Eu só... Eu só não sei — Eu queria chorar, queria muito. Chorar faz parte de mim.

Ela suspirou ao meu lado. Estava impaciente. Não é pra menos.

– Olha, eu não quero te assustar, nem te pressionar, ou algo do tipo, argh, isso é tão complicado! Eu só quero que você entenda que pra mim também é difícil, você passou poucos dias sem falar comigo e pra mim foi uma eternidade, eu não suporta ficar longe de você. Eu queria poder te entender completamente, saber o que se passa na sua cabeça, o que passou quando... Você sabe as respostas que eu quero, e espero que você seja completamente sincera comigo. Por favor, não minta.

Eu preferia não ter ouvido aquilo. Ela não suporta ficar longe de mim, assim como eu não suporto ficar longe dela, então eu sabia o que tinha que fazer. Depois daquela quase declaração a única coisa que eu queria fazer era beijá-la. O impulso de agarrá-la ali, sentir seus lábios, ficar mais próxima dela, era enorme. Mas eu não fiz isso. Pela primeira vez na vida eu fui forte, me controlei.

– Eu... Eu te beijei — era difícil continuar aquilo, se só de ouvir o nome dela meu coração dispara. Mas eu precisava. — Eu te beijei, mas eu tava confusa, eu não queria fazer aquilo. Foi uma coisa sem cabimento, que não vai acontecer de novo.

Ela havia me pedido para ser sincera e não mentir. Mas eu menti. Pela primeira vez em toda a nossa história de amizade eu menti. Porém foi por uma boa causa. O fato é que ninguém vai entender o que realmente se passa dentro de mim. Já que o Paul estava morto, e só ele me escutava, e para o Greg, meu segundo melhor amigo, eu também não poderia contar, já que era o segundo melhor amigo dela também.

Eu estava chorando, nem tinha percebido. Eu a olhei. E não consegui decifrar o que se passava nos seus olhos. Ela não parecia feliz. Mesmo que eu quisesse perguntar sobre a infelicidade dela eu não consegui me concentrar, meus olhos analisaram todo o seu rosto pela milésima vez. Ela precisava ser tão linda? Só piorava as coisas. Seus lábios eram tão convidativos que aquela ânsia de agarrá-la estava voltando. Então eu decidi voltar e tentar entender seus olhos e não estragar tudo de novo. Mas ela não olhava mais meus olhos, parecia que estava fitando... Meus lábios? E parecia bem interessada neles. Eu não consegui evitar um sorriso de canto. Aquela era uma ótima sensação, eu me senti desejada.

Danny percebeu que eu notei e virou o rosto para frente, agora olhava os fundos da minha casa, com uma falso interesse. Eu também olhei. Ao meu lado ela meio que recuperou o fôlego, como se por algum momento tivesse esquecido de respirar. Eu tentei me lembrar se tinha tomado todos os medicamentos antes dela chegar, e eu acho que tinha sim. Talvez eu a quisesse tanto que estava vendo coisas onde não tinham.

Não sei se aquele era o momento, mas me veio um assunto insuportável na cabeça que eu precisava falar.

– Danny, qual o nome dele?

– Jared. — Ela respondeu, mas pareceu meio confusa, sem entender a pergunta.

– Jared? — Que nome horrível.

– É, Jared. Cat, ele trabalha aqui há anos, você não lembra mais? Estava com a gente há uns vinte minutos — Seu tom era bem preocupado.

– Jared, o motorista? — Danny e o motorista de 40 anos?!

– Sim — Ela apontou para ele que estava há alguns metros na nossa frente, fazendo alguma coisa que não me interessava — Não foi isso que você perguntou? Quem era o cara ali.

– Não, não — eu exclamei balançando a cabeça, tentando tirar a imagem horrível da minha mente. — Você me fez imaginar uma coisa... Argh. Qual o nome do garoto por quem você se apaixonou?

– Ah... Por que essa pergunta agora Cat? — indagou. Ela olhava para os lados desesperada, parecendo que queria fugir.

– Por favor, eu quero saber — insisti. Eu fiz minha melhor carinha de cachorro pidão, normalmente funcionava com ela. — Nós somos amigas, não somos? Você pode me contar tudo.

– Você me conta tudo? — retrucou. Caramba. Eu tinha acabado de mentir pra ela sobre meus sentimentos, não podia exigir nada dela, e se eu respondesse que "sim" estaria mentindo mais uma vez.

– Eu tento. Nos últimos dias está um pouco mais difícil. — Ela suspirou

– Não quero falar sobre isso agora. Achei que seria melhor esquecer. Foi o que tentei fazer, e o que estou tentando.

– Esquecer por quê?

– Porque de repente eu sinto que não sei mais de nada. — Essa frase saiu em um sussurro, e em um tom que partiu meu coração. Se eu conseguisse eu a abraçaria, mas seria muito perigoso baseando-se na minha condição atual, ou seja, eu corria o risco agarrá-la.

Eu queria chorar de novo. Eu sempre queria. Mas vê-la triste aumentava essa vontade em cem mil vezes. Ela horrível quando ela vinha falar comigo sobre algo triste, por que eu começava a chorar na metade do desabafo, e nunca ajudava em nada. Aí ela me colocava aninhada no seu colo e dizia que eu ajudava muito só por existir..

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POV Danny

O bar estava se modificando aos poucos. Passou de adultos que lanchavam com suas famílias à jovens que queriam beber. Eu observava a jovem garçonete servir de mesa em mesa, sempre com um tom educado e um sorriso no rosto. Sempre que passava por outra funcionária chichava e elas sorriam animadas. Eram com certeza piadas internas, pois quando eu ouvia não conseguia entender a graça.

A moça do caixa não parecia tão animada. Só abria um sorriso quando algum cliente aparecia, quando eles se afastavam ela fechava a cara novamente. Um garçom mais velho não sorria, mas era sempre educado. Outro parecia mais interessado em flertar com as moças do que em anotar os pedidos.

Mesmo que eu tentasse colocar toda a minha atenção nessas situações eu não conseguia parar de pensar nela. Doeu, mas eu sorri para parecer que estava tudo bem. Depois de ter saído na casa dela às pressas, eu me sentei nessa mesa de bar, e para sufocar minha dor fiquei observando a vida alhei. Acho até que presenciei um divórcio e um pedido de casamento.

– Srta. Mitchel! — Ouviu uma voz feminina me chamar — Desculpe, é só Danny, não é mesmo?

– Sim, é só Danny — eu me levantei para cumprimentar Cíntia. Nossa, como era bom vê-la! Sua animação ao me chamar me impressionou.

– Eu vi você de longe, e você parecia bem mais distante. Está tudo certo? — questionou. E não foi uma pergunta casual, ela parecia preocupada.

– Sim, está tudo certo — garanti a ela. Eu fiz um gesto com a mão para que ela se sentasse na cadeira vazia na minha frente.

– Tem certeza? — insistiu. Antes de Cíntia se sentar eu tive a chance de reparar na roupa que ela usava. Era diferente vê-la sem uniforme, ela ficava mais bonita do que já era. — Aconteceu alguma coisa hoje?

– Cat aconteceu — por algum motivo eu não estava com receio de falar. Eu queria contar, tinha que contar, ou ia acabar explodindo.

– Eu sei, ela está um pouco estranha ultimamente. Parece triste. Vocês brigaram?

– Não, nós resolvemos o nosso problema.

– Ok, então vocês se resolveram, aí você decidiu vir para esse bar e ficar com cara de velório? — arqueou a sobrancelha, com um lindo sorriso desafiador desenhado nos lábios.

– É, tudo bem. Ela me deu um fora, mas sem perceber. — Cíntia me olhou confusa — Entendeu?

– Não, eu não entendi. "Dar um fora sem perceber" eu entendi, agora "a Cat dar um fora na Danny" me deixou confusa. Vocês, tipo... Qual é a de vocês?

– Eu não sei. Acho que somos amigas no momento.

– No momento. — repetiu a última coisa que eu disse. — Explique-se.

Então eu expliquei-me. Contei tudo que eu estava sentindo desde pequena, contei das várias vezes que bebi pra tentar esquecê-la, dos namoradas que eu tinha que aturar, contei como o amor já estava insuportável no meu peito, contei do beijo, e contei a nossa última conversa. Eu dei algumas pausas durante o meu monólogo, para ver se eu já estava indo longe de mais, e se ela já estava correndo desesperada para contar para alguém. Mas ao contrário disso Cíntia me parecia bem confiável.

– Eu a amo — disse por fim.

– Uau, eu realmente não esperava. Mas isso explica tudo.

– Explica tudo o quê?

– O comportamento de vocês duas. Sempre foram diferentes uma com a outra. Ai, que fofo! — ela juntou as duas mãos no peito, seus olhos brilhavam.

– Não é fofo! — falei incrédula — E nós não somos diferentes nada. Eu sempre me comportei muito bem.

– Ah, fala sério Danny. Você nunca se comportou bem — ela franziu o cenho, parecia esclarecida, como se uma luz tivesse ligado em sua mente. — Todas aquelas mãos bobas, os olhares apaixonados, os beijos. Eram beijos de mais pra melhores amigas! Como eu não percebi antes? Por que, sério, eu nunca beijei o pescoço da minha melhor amiga. E as brigas? Vocês brigam como um casal!

– Não, não, não, não! — exclamei. Nós éramos normais.- Cíntia, você está viajando. Até por que seria impossível. Só eu estou apaixonada por ela, e ela não está por mim. Não é recíproco! Você não lembra? Ela disse que foi um erro, que não vai acontecer de novo.

– E você acreditou? — perguntou e eu assenti — Você é idiota só pode. — Ela estava me chamando de idiota? Como assim? Ninguém me chama de idiota. — É a paixão, faz isso com as pessoas.

– Ela não mentiria pra mim — afirmei. — Não há motivo pra mentir.

– Lógico que há. Se você está apaixonado por um amigo, beija ele, e tem certeza que ele não está apaixonado por você e não quer estragar uma amizade de anos, a coisa mais óbvia a se fazer é dizer que estava confuso e não queria fazer aquilo, ainda mais de você tem problemas pscológicos e seu amigo é idiota. — terminou sua tese, como se ela fosse perfeita. E ela havia me chamado de idiota mais uma vez.

Aquilo poderia ser verdade. Droga, eu queria muito que fosse.

– Cíntia, ei princesa, a gente não tem a noite toda pra esperar a Vossa Majestade não — Um garoto magro a chamou do outro lado do bar, ele parecia bêbado.

– Espere um minuto — Ela gritou de volta.

–Desculpe, eu estou tomando o seu tempo.

– Não está nada. Mas eu tenho que ir — Ela se levantou, e eu me levantei junto, para me despedir — Até mais, e eu quero ser a madrinha do casamento de vocês — brincou ao se afastar.

– Pode deixar — Foi a última coisa que eu disse vê-la sumir pelas ruas de Los Angeles.

Notas finais
Espero que gostem, foi o máximo que consegui fazer, eu tô muito sem tempo. Meu colégio ainda não entrou de férias, aí só tenho tempo em dia de jogos do Brasil.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.