Aye Captain

6 Under the Moonlight


Notas iniciais
ok guys esse é um capítulo só de momentos melosos ok KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK E REALMENTE NÃO DEIXEM SEUS PAIS FICAREM ATRÁS DE VOCÊS NO PC QUANDO ESTIVEREM LENDO VLW

Chovia quando ancoraram. Jack, Elizabeth e Angelica ficaram no navio; Jack reclamara de hérnia para ficar para trás, mas elas não caíram no truque.

Caterina e Gillian andavam na frente pela praia deserta. Caterina prendera o cabelo e agora se podia ver algumas tatuagens e cicatrizes pequenas atrás de seu pescoço. Gillian dispensara um casaco, dizendo que seria mais alguma coisa para segurar quando estivessem voltando. Trouxeram com elas vários marinheiros, cuja maioria tinha mais músculos que cérebro.

George e Olivia andavam mais para trás. Olivia estava triste e George pensativo, olhando para frente. Logo ele percebeu a expressão dela.

— O que há? — perguntou. — Parece chateada.

— Por mais incrível que pareça — ela disse, chutando a areia. — Sinto falta do meu pai.

— Tente convencê-lo a voltar aos mares quando voltarmos. — George sugeriu. Olivia não respondeu.

Lá na frente, Gillian virou para Caterina.

— Que horas você foi dormir ontem?

— Dez, onze. Nem demorei. Você que desmaia na hora que deita na rede.

— Você e George conversaram? — ela perguntou num tom casual. Caterina parou e deixou o queixo cair.

— Era um plano? Você saiu para que ele me perguntasse?

— Às vezes você conta as coisas pra mim, as vezes para ele.

— Traída pelos meus próprios amigos.

Gillian segurava uma corda, que ela começou a girar. — Vocês conversaram ou não?

— Meio que sim.

Gillian a encarou.

— Conversamos. Não. Mais ou menos. É que... falamos, sim, mas não foi só o que aconteceu.

— Ô Caterina — a loira levantou um dedo em sinal de aviso. — O que aconteceu ontem? Terei que comprar um berço pra você daqui a nove meses?

— Nada disso! — Caterina balançou as mãos no ar, tentando botar ênfase no que falava. — Não teve nenhuma atividade desse tipo. Aconteceu o que acontece normalmente.

— Ah, quando vocês fazem tudo menos se beijar aí você sai confusa pra caramba e ele fica se perguntando “e se?”.

— Somos tão previsíveis assim?

— Infelizmente, sim. E são irritantes, depois de um tempo. — Gillian puxou um facão da bainha e começou a abrir caminho pela floresta tropical do lado da praia.

Os marinheiros do Pérola foram fazendo uma fila atrás de Caterina. Ela fingiu não se lembrar do que estavam falando e deixou Gillian ir à frente. Sua imediata não a deixou escapar e lançou lhe um olhar de “não terminamos essa conversa, Caterina Sparrow”.

Tirando alguns momentos onde Caterina pensou que afundaria no leito lodoso do rio que percorria a floresta, todos passaram sem problemas. A mata se tornou menos densa à medida que eles penetravam a ilha; isso deu a oportunidade de andarem mais rápido e consequentemente acamparem antes do pôr-do-sol.

O Coral era uma faixa calcária no lado leste da ilha. Era tão alto e firme que acabara por ser o responsável por dezenas de encalhamentos. Só da praia, Caterina conseguia ver três, o maior e no centro sendo seu primeiro navio.

— Então você foi capitã do navio de John Pewter? — George a perguntou. Estavam os dois, enterrados até os tornozelos na areia fofa. Os sons do acampamento, sendo construído na breve faixa de terra entre a floresta e a praia, chegavam até eles. — Que legal.

— Por que você está aqui? — Caterina rebateu abruptamente. — Não quis ser um pirata desde pequeno, não está atrás de glória, não é apaixonado pelo mar...

— Eu queria ser um, sim, quando era criança. — ele a interrompeu. — Mas então eu percebi que quando meu pai veio e foi, quando eu tinha dez anos, que minha mãe vivia para vê-lo. Ela não é uma pirata; minha mãe gosta de terra sólida debaixo de seus pés, uma casinha e uma cama confortável. Ela queria meu pai lá conosco, todo mundo que ela ama ao seu lado.

Caterina franziu o rosto e virou para olhá-lo, mas George continuou olhando o horizonte.

— Virei um pirata para trazê-lo de volta. — riu pelo nariz. — Fiquei sabendo do que acontecera com Will Turner e percebi que minha missão seria em vão. Por algum motivo idiota, eu fui expulso de um navio e conheci vocês. Não quis mais voltar para casa. Notou um padrão aqui? Eu tendo a proteger o que eu amo.

George a segurou pelos braços e olhou fundo em seus olhos. Caterina engoliu em seco.

— Eu não posso te proteger se eu estiver na costa. — ele murmurou. — Não posso ficar esperando você voltar. E eu irei com você e Gillian até o fim do mundo se for preciso; mas mais importante, eu vou te proteger pelo resto da minha vida, Caterina, porque eu te amo.

Ele saiu da praia e voltou para o acampamento. Caterina ficou lá, parada, avaliando a única coisa que achava que amava naquela manhã. Agora, ela já não tinha certeza de que seu coração pertencia somente ao mar.

-x-

Elizabeth logo lembrara alguma coisa e se trancou no escritório de Caterina. Deixou Jack e Angelica no convés, e os dois agiram normalmente; pelo menos ela, porque Jack a observava com interesse.

— Sabe, eu estive pensando... — ele falou do nada. Angelica riu pelo nariz.

— Bem, isso é raro.

Eu estive pensando — Jack continuou como se não a ouvira. — Que eu sei a resposta para sua pergunta.

— Que pergunta?

— A de se eu amo mais o mar do que você...

— Jack, aquilo não era uma pergunta. Era uma afirmação. — Angelica fingiu estar preocupada. — Está ficando senil?

— Só porque você vai ficar jovem por uns setenta anos — ele retrucou. — Não significa que eu sou velho.

— Você está velho.

Jack limpou a garganta e levantou. — Como eu estava dizendo, eu tenho uma resposta.

Angelica parou de mexer num colar dela e se recostou na cadeira, pondo um braço nas costas de madeira e uma mão sobre o queixo. - Por favor, me conte sua epifania.

— Não.

— Não o quê?

— Não, eu não amo o mar mais do que amo você.

— Se você estiver brincando, ou tentando me distrair para pegar o navio — Angelica disse levantando o tom. — Eu juro por Deus que vou te matar na hora.

— Não duvido — Jack sorriu. — Mas é verdade. Meus dias de solteiro esparso tinham que chegar a um fim; ou porque o pai de uma donzela qualquer me dá um tiro ou porque eu decidi ficar logo com a única pessoa que me fez sentir alguma coisa.

— E como você odiaria ficar com um buraco de bala no seu funeral — Angelica sorriu. — Escolheu a outra opção.

— Bem, um pirata tem que preservar pelo menos seu ego.

-x-

O dia logo se tornou noite no acampamento. Como se fosse predestinado, os marinheiros foram dormir mais cedo; Gillian arrumou um inglês gatinho da tripulação e consequentemente esvaziou a cabana do lado da de Caterina.

A latina não podia agradecer mais o timing de Gillian. Como seus pais, quando ela fazia uma decisão não haviam desvios; portanto Caterina só esperou o céu escurecer para irromper adentro da tenda de George.

Ele tinha tirado a camisa para dormir e estava prestes a apagar o lampião do lado de sua cama improvisada quando ela entrou.

— Que foi... — ele se viu interrompido pelos lábios de Caterina colidindo com os seus.

Lá se fora o cara gentil e atencioso da praia; George se tornou quase brusco e agressivo no modo em que a beijou de volta. Pôs as duas mãos em seu quadril, apertando mais forte ao sentir as mãos de Caterina traçarem linhas e círculos por seu torso.

Estava determinado a memorizar qualquer som que Caterina fizesse. Tratou de remover a blusa dela e, ainda de pé, cobriu-a de beijos. Caterina nem tentava abafar seus gemidos. Havia algo ali que ela jamais poderia desligar; um calor que impregnaria seus sonhos e sua pele por meses.

Mas logo ela se cansou de ser a única voz na tenda e o empurrou na cama, sentando em cima dele. Seus olhos se conectaram e seguraram, até que ela desceu o rosto, puxando-lhe a cabeça pelos cabelos, e passou sua língua pela brecha entre o queixo e o pescoço de George.

Um pacto, mentalmente feito e jamais comentado, foi quebrado naquele momento. As mãos ágeis e fortes de George desfizeram o cinto dela e Caterina fez o mesmo com o dele.

Palavras eram supérfluas. Eles se beijaram fervorosamente mais uma vez. Caterina inclinou seu corpo para frente e assoprou, apagando o lampião.

Notas finais
O: