Awakening: O Regressor Escolhido pelo Sistema
3 CAPÍTULO 2 - AXION VI

Ajustou o colarinho do uniforme diante do espelho do alojamento. O tecido escuro lembrava um terno simples, bem alinhado, com o brasão da academia bordado no peito. A gravata fina caía reta, sem dobras.
Para as alunas, o padrão era o mesmo blazer e camisa branca, mas com minissaia plissada, um uniforme que misturava formalidade e juventude de um jeito curioso demais para quem se preparava para enfrentar monstros.
Na primeira vida, aquilo fora apenas roupa. Agora, era símbolo.
Último ano.
O celular vibrou em cima da mesa.
A tela acendeu com notificações em cascata: grupos da turma, avisos da secretaria, vídeos curtos de duelos do ano anterior, memes sobre professores rígidos. A tecnologia estava viva naquele mundo, rápida, barulhenta, sempre conectada. Aplicativos oficiais exibiam horários, notas, relatórios de treino e até rankings internos.
Só falhava diante de monstros.
Dentro de uma dungeon, sinal sumia, armas modernas perdiam eficácia, equipamentos enlouqueciam. O mundo humano ainda não tinha autoridade suficiente para impor leis lá dentro. Mas no campus, tudo funcionava.
Raziel desbloqueou a tela.
[Grupo — 3º Ano | Turma A]
— "Hoje é o discurso do diretor?"
— "Ouvi que vai ter anúncio de torneio."
— "Quem chegar atrasado paga café."
— "Alya já chegou???"
Leu sem responder, guardou o celular no bolso interno do blazer, pegou a mochila e saiu.
O campus da academia despertava em movimento constante.
Prédios modernos de vidro e pedra clara conviviam com estruturas antigas de treino: arenas circulares, pátios com símbolos rúnicos gravados no chão, obeliscos de medição de mana. Telões digitais exibiam avisos do dia enquanto drones de segurança cruzavam o céu em rotas previsíveis.
Alunos caminhavam olhando para as telas, fones de ouvido no pescoço, mochilas com chaveiros de guildas famosas. Alguns gravavam vídeos na entrada do prédio principal; outros discutiam builds e escolhas das suas futuras classes como se estivessem falando de um jogo.
Para muitos, ainda era isso. Para Raziel, nunca mais seria, entrou no prédio central.
O saguão era amplo, piso polido refletindo luz branca. No alto, um painel eletrônico alternava informações: horários, clubes de classe, inscrições para testes e, no centro, o ranking geral.
Os seis primeiros nomes apareciam fixos, enquanto os demais variavam conforme critérios do dia. Não procurou o próprio nome, sabia que não encontraria naquela lista, mas até o final do ano iria ser lembrado.
Seguiu o fluxo até o auditório.
O auditório central parecia um pequeno teatro moderno. Fileiras subiam em semicírculo diante de um palco amplo, com o emblema da academia projetado em luz azul. Telões laterais exibiam estatísticas do ano anterior: taxas de aprovação, número de alunos recrutados por guildas renomeadas e médias de atributos.
O som ambiente misturava vozes jovens, testes de microfone e o zumbido contínuo de notificações. Optou por um assento no meio.
Nem muito à frente. Nem muito atrás.
Posição neutra.
Enquanto os alunos se acomodavam, a energia do lugar começou a mudar. Não por magia. Por reconhecimento.
Primeiro, alguns celulares se ergueram discretamente. Depois, cochichos. O feed coletivo do auditório parecia atualizar.
A primeira presença a alterar o ar foi Alya.
Cabelos brancos como gelo recém-formado desciam lisos até as costas. O uniforme parecia feito sob medida, alinhado ao corpo magro e elegante. Seus olhos azul-turquesa percorriam o auditório sem pressa... frios, avaliadores. Líder do conselho estudantil. A Rainha do Gelo.
Ela sentou na fileira frontal como quem sempre pertenceu ali.
Logo depois veio Blaze.
Cabelos vermelhos curtos, óculos finos, postura relaxada demais para alguém no topo. Alto, atlético, parecia comum até o olhar denunciar cálculos constantes. Especialista em fogo. Segundo do ranking. Alguns alunos sorriram; outros digitaram rápido nos grupos.
A terceira presença foi Sakura.
Cabelo castanho longo, olhos suaves demais para quem dominava uma técnica de espada estudada em aulas avançadas. Seu andar era leve, quase silencioso. Terceira do ranking. O tipo de pessoa que não precisava levantar a voz para ser notada.
Então vieram os outros três que completavam o título repetido como marca.
O elfo Eryndor, cabelos dourados curtos e olhos verdes atentos, postura ereta. Arqueiro arcano. Quarto do ranking.
A elfa Lyra, cabelos negros azulados, expressão gentil e distante. Uma futura healer, especialista em suporte avançado. Quinta do ranking.
E o demi-humano Kael, orelhas felinas discretas sob cabelos prateados, corpo esguio, presença leve demais para ser ignorada por completo. Assassino em treinamento. Sexto do ranking.
Seis nomes. Seis trajetórias que o mundo observava.
O AXION VI estava completo.
Raziel permaneceu em silêncio.
Eles ainda são alunos. Mas já vivem como lendas em construção.
O auditório respirou diferente.
E o dia, de fato, começava.
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