Awakening - O Despertar
9 Sonhos VIII
Os olhos percorriam o quebra-cabeça sem entender o que deveria ser feito, a sensação era de impotência, ele encarava o espelho na escuridão, fisicamente era o mesmo, mas a expressão ele não conseguia identificar. O garoto no reflexo o encarava questionando algo que ele não saberia responder. No mais era um garoto como outro qualquer, com um metro e noventa e cinco centímetros, pele queimada de sol em um bonito tom dourado, corpo atlético, cabelos muito negros e lisos que desciam até os ombros, o corte era moderno e cheio de camadas, os olhos eram redondos e grandes, acinzentados, sobrancelhas grossas, o nariz pequeno e os lábios finos, estavam apertados em uma expressão desolada que ele conhecia bem; havia uma pequena cicatriz no lábio inferior, e a mandíbula quadrada dava ao rosto um ar masculino.
Ele tentava mais uma vez desvendar o mistério por detrás do quebra-cabeça, os olhos encaravam com muita atenção o próprio reflexo, gestos, movimentos e maneirismos que eram reconfortantes e frustrantes, a resposta nunca estava lá. O espelho se contorceu e o reflexo continuava a encara-lo, o garoto sentindo a raiva e o desapontamento aumentando em seu coração e sem controle gritava para o reflexo tentando se livrar de todos os sentimentos ruins que tentavam domina-lo, mas não havia nada além do silêncio insano. Foi então que sentiu antes mesmo de acontecer, era a primeira rachadura, o garoto do outro lado do espelho com as mãos cerradas esmurrava o espelho de maneira urgente e violenta, um soco após o outro. Agora o garoto conseguia ver que seu reflexo no espelho, agora possuía uma rachadura, e esta podia ser vista na altura do seu coração, a dor era agonizante e o seu corpo caiu pesadamente. Enquanto gritava com toda a força do seu ser, o espelho continuava a se partir, e cada nova rachadura, a dor intensa era como se sua alma também estivesse se quebrando. Tentando manter a calma enquanto agonizava, ele encarava o espelho em busca de respostas, mas o espelho possuía agora tantas rachaduras que o reflexo agora era algo muito além de apenas que distorcido, o reflexo era grotesco e irreconhecível. As rachaduras começavam a se mesclar, e o reflexo tomava formas estranhas, o espelho parecia se retorcer enquanto ele o encarava tentando permanecer imóvel. Os movimentos eram dolorosos, ele sentia em sua alma, as rachaduras do espelho começavam então a tomar outras formas, e em um piscar de olhos, ele não mais encarava seus olhos angustiados e acinzentados, do outro lado aqueles olhos eram distintos, olhos que ele conhecia em seus sonhos e somente em seus sonhos, olhos de um azul tão angelical que pareciam limpar sua alma e lhe roubava toda a dor, angustia e duvida. Eles possuíam um leve brilho violeta o que os tornavam ainda mais belos, mas estavam sempre tristes e entorpecidos, em torno deles as olheiras eram profundas em um tom arroxeado. O rosto era fino e muito magro, os ossos proeminentes nas bochechas davam a ela um ar doente, cadavérico, os lábios tão finos quanto poderiam ser, sem cor, secos, podia-se ver a pele se soltando, ela parecia não se alimentar adequadamente há anos. O pescoço era pequeno e tão fino que parecia não suportar o peso do próprio crânio que caia pesadamente para frente, dando a impressão de que se quebraria a qualquer momento. Os ombros ossudos estavam caídos, e a pele sobre o corpo não passava de couro desbotado, frágil e velho. Era fácil notar todos os ossos daquele corpo que parecia tão pequeno e frágil, na cabeça podiam-se notar vários pontos onde os cabelos finos e sem vida haviam caído. Os fios possuíam uma coloração pálida que escorria pelo corpo nu e se estendia até os pés da garota que eram cheios de calos e cicatrizes. Ela não parecia estar viva ou consciente, e seus olhos continuavam a encarar o garoto, parecendo implorar por algo que ele não podia descobrir sozinho , o reflexo mudava mais uma vez enquanto a escuridão começava a devorar a frágil garota, deixando ele sozinho. Enquanto era engolida pela escuridão, os olhos continuavam a implorar, e uma nevoa esbranquiçada tomava o lugar do tom azul-violeta, os olhos perdiam o foco enquanto as lágrimas começavam a cair, ela estranhamente envergonhada abaixava os olhos e encarava o nada enquanto as lágrimas rolavam. Este era momento em que o desespero o tomava, e o garoto tentava alcançar o espelho, tentando salvar aquela garota, mais uma vez em vão, a distância entre eles nunca diminuía. No final, não havia nada que ele podia fazer além de assistir mais uma vez ela sumir em meio a lágrimas e soluços tão baixos que só ele parecia poder ouvir. Em certo ponto pareciam desesperados, pois ela não possuía mais força para emiti-los.
As lágrimas caiam sem parar e o seu corpo sofria espasmos que pareciam dolorosos, mas ela não era capaz de emitir algo mais alto que um sussurro. As lágrimas depois de algum tempo machucavam a frágil e seca pele, que logo começava a sangrar, as lágrimas se misturavam ao sangue e tudo aquilo parecia ainda mais doloroso, o garoto se contorcia parecendo compartilhar a dor da garota e incoerente ele gritava para escuridão enquanto as lágrimas marcavam seu rosto.
E mais uma vez ele assistia enquanto a pele e os longos cabelos se tornavam avermelhados pelo sangue que insistentemente teimava em cair de sua frágil pele, ele assistia enquanto o peso de sua dor, e a fraqueza da sua carne, faziam as pernas tremerem de maneira incontrolável. E mais uma vez ele assistia enquanto a escuridão lentamente a engolia. E gritava por ela, gritava por ajuda, gritava por salvação e misericórdia, por ele e também por aquela pequena e assustadora garota.
As lágrimas caiam enquanto ele assistia a escuridão agir como um uma lâmina no frágil corpo da garota, lentamente dilacerado a pele descorada, até chegar a seu peito, as lágrimas então paravam, e seus cabelos agora tão vermelhos quanto o sangue no chão lhe tapavam o rosto enquanto ela soluçava e encarava o nada. E lá estava ele, o buraco, tão escuro quanto o que a devorava, tão vazio quanto seu olhar, uma garota sem coração.
Por de trás dos cabelos sujos os lábios se moviam com dificuldade, algo que ele nunca havia ouvido, mas que parecia vital ser dito, já que ela se esforçava tanto. Com a vista ainda embaçada pelas lágrimas ele se esforçava para ler os lábios, já que a voz não alcançava seu ouvido, era impossível, ela parecia balbuciar incoerente, insana pelo sofrimento ao qual parecia passar.
“Phuut”
“Phuut”
“Phuut”
“Phuut”
“Yrel puct il ic yrel phuut”
...
Lentamente a voz ganhava força enquanto ela repetia a estranha palavra, e ele a repetia como um reflexo, mas a escuridão caminhava por seu corpo, tirando ela de sua companhia, e em uma imensa tentativa, ela levantava a cabeça e mais uma vez o encarava, os olhos manchados de vermelho, a força que fazia para repetir aquela palavra cada vez mais alta a tomava por inteiro e os olhos começavam a perder novamente o foco enquanto ela repetia “Phuut”, o garoto assistia sem se mover, a escuridão invadir violentamente a boca da garota e a fazia desaparecer por trás de um manto negro e sem esperança.
E novamente estava sozinho, no espelho a sua frente não havia nada além da escuridão, o desespero então se tornava real, e ele podia ouvir os gritos ao longe que ficavam mais e mais compreensíveis a cada segundo.
“Não”
“Não”
“Não”
“Não”
Caleb mais uma vez acordou sobressaltado com seus próprios gritos. O corpo doía e o suor molhara a cama, o coração batia rápido, as mãos tremiam, a cabeça latejava e os olhos ardiam, os sonhos com a garota de cabelos brancos o perseguiram durante toda a vida, mas nos últimos meses eram tão recorrentes que a própria família parecia preocupada com seus terrores noturnos. Quando criança os sonhos eram diferentes, a garota tinha a mesma idade que ele, e apesar de raramente interagirem, ela demonstrava gostar da companhia de Caleb, algumas vezes compartilhava segredos e histórias há muito já esquecidas. A mãe de Caleb lhe confidenciara uma vez que aqueles não eram sonhos e sim advertências, ele deveria confiar e nunca se esquecer do que a “adormecida” lhe dizia, era como a mãe chamava a garota de cabelos brancos, Caleb quando acordava amedrontado ao sonhar com a garota, corria para a cama da mãe que o confortava. Depois de alguns anos não havia mais motivos para acreditar no que a mãe dizia, Caleb sabia que a culpa era dos remédios e a depressão profunda que a dominava, e faziam com que ela se transformasse em alguém irreconhecível e muitas vezes cruel, ainda assim era difícil esquecer e perdoar as escolhas da mãe, pois a falta de respostas para tantas perguntar iriam lhe assombrar por toda a vida. Naquela época ele não sabia, mas com o tempo passou a entender que para conseguir lidar com essa situação, a mãe de Caleb criava historias fantasiosas e se perdia em um mundo onde ela não permitia a entrada de mais ninguém, um mundo que lhe tomou tudo, a família, os sonhos, o amor, a sanidade e a vida.
Caleb relutou em abrir os olhos, quando o fez a cabeça latejava mais forte, os olhos ainda embaçados, quando tocou os mesmos percebeu que estava chorando. A realidade agora é que parecia com um sonho. Juntou forças e colocou-se sentado sobre a imensa cama, olhou pela janela que estava aberta e uma rajada de vento frio o fez tremer, os cabelos molhados de suor e lágrimas tocavam a pele ainda quente, o silencio vindo de fora era ensurdecedor. Suas mãos deslizaram por entre os cobertores a procura de coragem e tranquilidade, suavemente as pontas dos dedos tocaram pêlos finos e macios da cabeça da loba mestiça que ganiu baixo olhando para os olhos acinzentados de Caleb, ela lhe lancou um ar de preocupação, a cabeça ou o corpo não se mexeram enquanto ela suspirava alto. Caleb apenas balançou a cabeça tranquilizando-a.
Imediatamente a loba fechou os olhos e se entregou ao sono, ele sorriu e se sentiu sortudo por ainda tê-la ao seu lado já que sempre perdia o que mais amava. O pensamento foi doloroso e várias imagens e memórias vieram ao mesmo tempo, ele fechou os olhos com força tentando despedaça-las e afasta-las, segurando a respiração e grunhindo baixo. Soltou o ar vagarosamente e esticou o braço até a escrivaninha de madeira que tinha ao lado da cama, eram os únicos moveis que ele conseguiu convencer seu pai de deixar em seu quarto. Abriu a gaveta e olhou o despertador, o sol já ia amanhecer e ele logo teria que ir para aula. Agarrou a pequena cigarreira de prateada, abriu e sentiu o cheiro doce do baseado, acendeu, tragou forte e segurou o ar por vários segundos, sentindo a droga tomar conta da sua mente, e agradecendo por isso. Os terríveis comprimidos que o médico haviam receitado estavam jogados no chão do quarto, quase intocados. Mais uma tragada e a garota não mais está em seus sonhos. Ou em sua realidade.
O som era estrondoso, as batidas rápidas e o som da guitarra distorcida preenchiam o ambiente. Ele acordou assustado e levou vários segundos para que o cérebro entendesse perfeitamente que já era hora de voltar à realidade e deixar os sonhos para trás. Lutando contra sua vontade, ele apertou o botão do celular que lhe garantia quinze minutos de sono, e depois teria que lidar com a sua cruel realidade.
Isso se repetiu mais uma vez, Caleb se dava ao luxo de tanto já que por trás daquelas paredes sólidas, ele estava seguro, se virou por um segundo e ouviu quando as batidas ritmadas do celular foram substituídas pelo desagradável som da porta do quarto sendo violentamente golpeada por um pai não muito paciente. Os riffs melódicos eram substituídos pela voz esganiçada, que gentilmente gritava a quanto tempo ele já estava atrasado e o quanto isso era desrespeitoso.
A família de Caleb era uma das mais conhecidas da cidade, vinham de uma longa linhagem de pessoas importantes e extremamente respeitadas, fosse pelo dinheiro ou influência. Caleb foi doutrinado desde muito cedo a ser o que as pessoas esperavam dele, mas eventos trágicos modificaram a maneira como encarava e escolhia viver a vida.
O aconchego e o calor da cama começavam a fazer os olhos pesarem novamente, e ele não era capaz de responder imediatamente de forma inteligível aos gritos do pai, então rolou mais algumas vezes na cama e se sentou na mesma, com extrema dificuldade.
A escuridão do quarto era quebrada por um fino feixe de luz que teimava em se intrometer por debaixo da porta de madeira. E ele pode ver quando a sombra do pai desistiu de tentar acorda-lo e foi em direção ao banheiro.
Um som ruidoso vinha do outro lado da cama, uma mistura de serra elétrica e asma, que faziam com que ele se sentisse seguro. Nem os gritos do pai atualmente eram capazes de acorda-la. Ela estava embrulhada no cobertor banco, inerte a tudo que acontecia a sua volta, a respiração pesada e o corpo relaxado. Para ele, era impossível não sorrir ao perceber o quanto a sua confiança era importante. Ela confiava nele, e ele nela.
Tentando lutar contra a preguiça ele se remexeu sentado na cama, voltou a se deitar preparado para o que iria fazer em seguida. O corpo pesado foi jogado encima dela, que se remexeu e soltou um rosnado mal humorado. Ankou era uma mistura de lobo e cachorro de porte grande. Ankou foi adotada cinco anos atrás por ele, e desde então, eram inseparáveis. Por um instante, e ele se viu novamente com 13 anos e uma mãe que havia acabado de se matar. Ele ainda sentia a dor de perdê-la.
Ankou fora abandonada a sorte por alguém que não a considerava digna de uma chance, digna de uma vida, ele podia se relacionar com isso. Maltratada e rejeitada, a loba, quando ainda filhote era indefesa e parecia cansada, mas diferente de sua mãe, ela não desistiu, e ele se sentia grato por isso. A opção dada a Ankou foi a morte, mas a loba teimosa, a ignorou e escolheu a vida.
Quando ela abriu os olhos, eles pareciam ter um estranho brilho violeta, só durou um segundo, ele pareceu atordoado, e a encarou novamente e eles tinham a coloração do azul mais límpido que ele já havia visto. Ele refletia sobre o quão rápido ela havia crescido, e o quão importante ela havia se tornado. Seu corpo era maior que um lobo ou cachorro normal, a pelagem parecia ter sido pintada por um grande artista, começava com o nariz preto e a pelagem da cabeça tão escura quanto ele, e o tom ia gradualmente clareando até chegar no mais puro branco da cauda. As pernas eram fortes e flexíveis, ela era atlética, mas preguiçosa. Silenciosa, graciosa, protetora e ciumenta.
Ela bocejou e lambeu a mão dele apenas uma vez, era a maneira dela de dizer que ele já estava atrasado.
“Ok, ok, eu já vou... nem você me dá um tempo?” ele respondeu ao gesto.
Ela o encarou parecendo um pouco ofendida e se levantou preguiçosamente, esticando as pernas dianteiras, depois as traseiras, saiu de cima do colchão e se dirigiu graciosamente até a porta. Arranhou com delicadeza e seus olhos novamente questionavam enquanto ele lutava contra a preguiça. Ele elevou os braços tentando inutilmente se livrar da preguiça, enquanto a loba o encarava impaciente. Ele então soltou um muxoxo alto, e sorriu, ela não ia desistir fácil. Então o ritual diurno começou, ele se levantou e pegou a camisa que estava no chão ao lado da cama e a calça jeans escura enrolada entre o cobertor, um all star preto e velho e um moletom azul marinho com capuz. Celular no bolso, mochila nas costas, fone enrolado no pescoço. Em poucos minutos ele já andava em direção a porta e ela se agitou quando percebeu que ele estava voltando para trás.
“Desculpe Ankou” ele disse com pressa enquanto se dirigia até a escrivaninha para pegar os cigarros e o isqueiro, ela reclamou novamente com um rosnado baixo.
“Meu deus, como é chata!” ele disse com um sorriso enquanto acariciava a cabeça da loba, e ela indignada se afastava do afago. Ele finalmente abre a porta, e a luz lhe cegou completamente, ouviu os passos de Ankou descendo as escadas enquanto colocava os fones no ouvido e abria a mochila a procura dos óculos escuros, ao mesmo tempo os primeiros acordes e a voz são abafadas pelo som infernal vindo do quarto da minha irmã. A porta aberta enquanto ainda deitada na cama, ela mexia com destreza no celular, e uma música pop infernal preenchia o corredor. Ele mentalmente agradece a existência de fones de ouvido.
Deu então as costas para a porta enquanto a música escolhida aleatoriamente no mp3 continuava em seus ouvidos, a voz inconfundível de Justin Cordle, “Am I worthless? Am I filthy? Am I too far gone for a remedy?” e bateu a porta do quarto com força, talvez um pouco mais de força do que gostaria ele ponderou, desceu as escadas em direção a cozinha, “Will you help me? Cause I'm dying .” e Ankou já o esperava, silenciosa. Ele passa por ela, e da apenas uma afagada em sua cabeça, e se dirigiu até a cozinha, a loba sempre o seguindo “To be something more than a memory”, ele abre a porta e ela sai em disparada, para fora. Ao lado da pia da cozinha ele pega a escova de dentes, ele a passa rápido nos dentes e cuspe na pia, sem perceber completamente que Sônia, sua madrasta o encara,” If I reach out Can I trust you?” a expressão dela era uma mistura de nojo e incredulidade. Ele abriu seu melhor sorriso e vira para ela como se indagando se os dentes pareciam limpos, “Will you help me see the light of one more day?” e o timing é perfeito, logo quando ela começa a gritar algo para o pai de Caleb que ainda se encontrava no andar de cima, o ápice do refrão chega aos seus ouvidos, em resposta lançou um cínico “também amo você!”, enquanto passava novamente pela porta, na imensa sala que antes lhe parecia sempre aconchegante e protetora decorada com simplicidade pela mãe, foi recentemente redecorada por Sônia e agora mais parecia a sala de espera de algum consultório, frio, sem cor e desolado. Sem pensar duas vezes ele pega toda a grana que o pai deixou encima da escrivaninha de madeira da sala, a única lembrança de como aquele ambiente um dia fora aconchegante. Ele então se dirige rápido até a porta enquanto seus ouvidos, coração, cérebro e alma gritam na mesma intensidade da voz de Justin Cordle e Lacey Sturm, implorando...
Take the bullets away
Take the bullets away³
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