Awake
13 Quebrado
Notas iniciais
Os últimos cinco dias haviam sido absurdamente normais – a rotina havia voltado àquela calmaria e temperança que confortava o ambiente ao redor. Apesar do aparente senso de familiaridade, eu sabia que algo estava se formando, algo invisível e silencioso.
Algo nocivo e tóxico, que sufocava aos poucos. Como nuvens escuras em um dia de sol. Uma tempestade não alardeada.
Eu não poderia afirmar se o motivo da minha preocupação eram os pesadelos constantes e repetitivos – nos quais Isabella era devorada à sangue frio por um lobo – e que eu acordava arfante e destruído cada vez que aconteciam. Eram tão reais. Seus gritos na escuridão da noite, o sangue escuro que escorria lentamente de sua jugular, o animal disforme que a devorava. Minha paralisia, minha inércia, o sentimento de impotência eram desgraçadamente reais. As imagens me abalavam, me perseguiam a cada instante, retirando a paz que somente ao lado dela eu conseguia sentir.
Poderia ser isso.
Mas existia outra razão. Uma razão discreta e muda, que apenas a minha obsessão por aquela menina poderia reconhecer. O seu comportamento fora do comum estava me perturbando. Bella não estava claramente distante – nós ainda trocávamos beijos curtos durante as refeições, doces declarações de amor antes de dormir e seu peso estava sob mim durante todas as noites.
Mas algo estava diferente. Algo na atmosfera entre nós, algum pequeno detalhe que se formara em seu olhar turvo; Uma barreira. Uma barreira sensível e destruidora.
Não havíamos conversado sobre sexo desde a última noite no meu quarto. Eu não havia satisfeito seu desejo, e me culpava por causa-lhe a dor da rejeição.
Deus, quanto eu queria ceder!
Mas eu sabia o quanto aquilo poderia nos arruinar. Um passo em falso poderia dilapidar o frágil estado do nosso relacionamento.
Eu apenas estava dando um tempo a ela. Um tempo para habituar-se a todas as mudanças.
Um tempo para amadurecer no seu próprio ritmo.
Um tempo para domar meu monstro interior a minha maneira.
Controlar-me ao lado de Isabella era como andar em uma corda bamba.
Controlar meu desejo ardente por seu corpo, aprender a toca-la sem destruir sua impecável inocência de uma única vez.
Quando eu o fizesse, teria de ser homem o suficiente para nos parar. Para não deixar o desejo consumir meu cérebro, permitir o desatinado tomar as rédeas do meu ser. Ou seria um caos... O mais cru e puro desejo de um homem. Ela definitivamente ainda não estava pronta para ver esse meu lado. Suas descobertas sexuais iriam definir e marcar eternamente sua vida.
Eu teria que ser cauteloso e paciente; Toca-la como a boneca de porcelana que ela era. Toca-la como uma canção em um piano valioso.
Deixa-la esmiuçar sua sexualidade gradualmente.
Aquela manhã havia sido igual a todas as outras – ela fora para a escola comigo, e trocamos um singelo beijo antes de nos despedirmos. Durante o trajeto, eu a ouvi comentar coisas banais sobre Jéssica persegui-la com perguntas sobre mim, e os testes que ela enfrentaria na próxima semana.
Eu gravei cada pequeno detalhe do seu rosto naquela manhã – o sorriso pequeno no canto dos seus lábios, os cachos compridos e sedosos que caíam contra o moletom bege, a perfeição dos seus cílios castanhos e o formato arrebitado do seu nariz pequeno. Um sentimento repentino de perda havia me assolado; Meu coração estava apertado por deixa-la partir.
Eu não poderia lidar com a possibilidade de perdê-la.
A minha necessidade e dor fora ligada a maldita obsessão. O obcecado não poderia permitir que ela vivesse em qualquer outro ambiente que não fosse o seu lado.
Ignorei aquele aperto, deixando-o latejar firmemente contra meu peito.
E então, eu a deixei partir para seu destino.
Tudo ficará bem, Edward. Termine suas obrigações que logo você a verá. Ignore.
Eu respirei profundamente, dando partida em meu carro enquanto a via sumir dentro da instituição.
Rapidamente, eu chegara à faculdade. A manhã passou languidamente – entre aulas entediantes e interessantes. Mas nada conseguiu espantar o sentimento doloroso que invadira meu coração.
Eu o deixei ferver contra mim silenciosamente durante todo o período – agradecendo intimamente quando o relógio soara 06:38 da tarde. Isabella provavelmente já havia saído.
Em poucos momentos eu poderia acabar com a minha tortura. Poderia vê-la – abraça-la e tomar seu amor para mim; Apenas algumas gotas da minha droga pessoal. Eu estava condenado ao meu vicio e precisava me saciar.
Eu apenas havia começado a organizar os instrumentos médicos utilizados na aula de anatomia, quando ouvi um barulho na porta da saleta. Eu estreitei minhas sobrancelhas, tentando enxergar algo na meia-luz que rodeava o ambiente. Aquela sala era onde eu passava a maior parte do tempo – e não era muito frequentada pelos alunos que não eram do meu semestre. Todos já haviam partido – eu era o último dos alunos, responsável por armazenar apropriadamente os objetos. Eu havia escolhido aquele cargo antes de ter Isabella em minha vida de maneira real; Eu gostava da tranquilidade do lugar, apesar da sua morbidez. Era o momento que eu sempre fantasiava com ela, deixava minha mente fluir livremente, sem interrupções. Hoje, havia se tornado o meu momento de reflexão. Reflexão e culpa.
Subitamente, um odor forte invadiu minhas narinas – um cheiro de perfume francês cortante e conhecido; Eu não conseguia ligar aquele odor a ninguém especifico, mas tinha convicção que já o havia sentido.
Os barulhos agudos de salto-alto caminhavam em minha direção, a silhueta levemente coberta pelas sombras escuras. Eu virei-me em direção a porta, meu coração disparando pela adrenalina do desconhecido.
Eu tive medo. Medo de que algo acontecesse a mim, e eu jamais encontrasse minha Isabella novamente.
Eu segurei um bisturi entre minhas mãos, e caminhei em direção às sombras.
- Quem está aí? – Eu cuspi rudemente – Eu estou armado, não adianta se esconder.
Eu ameacei, ouvindo uma risada estridente sair do corpo que caminhava em minha direção. Meus olhos e ouvidos entraram em um choque rápido – confusão imediata, letargia de raciocínio e surpresa indesejável.
Os novos cabelos loiros confundiram meus olhos por milésimos de segundos, mas o sorriso jocoso era inconfundível.
Tânia Denalli.
Eu deixei o bisturi cair no chão enquanto eu a via serpentear seu corpo em minha direção. O vestido vermelho que ela usava era extremamente sensual – justo, curto e completamente revelador. Um vulgar disfarçado com marcas caras. Eu bufei.
- Tânia? O que diabos você está fazendo aqui?
Eu a vi sorrir maliciosamente, aproximando seus quadris venenosos mais perto. Quase tocando meu próprio corpo.
- Gosta do que vê, Edward? – Ela colou sua cintura contra a minha, suas mãos subindo sensualmente pelo meu peito – Eu estou aqui porque sua mãe me contou que você precisa de uma mulher de verdade. Fiquei sabendo que a morta ressuscitou, e fico feliz que finalmente você possa se livrar daquela sua obsessão adolescente e desfrutar de uma mulher de verdade. Já enjoou de comer ela? Já podemos finalmente ficar juntos? Você sabe que eu sei o que você gosta.
Ela deu um sorriso maléfico, enquanto eu buscava a próxima respiração, meu cérebro completamente inundado pela fúria. Suas mãos correram para minha virilha, e eu gemi em completo horror. Eu estava enojado. Meu estômago revirando-se por escutar suas palavras, por sentir o cheiro contaminado do seu perfume. Meus braços a empurraram com violência, e ela cambaleou antes de parar a minha frente.
O meu sangue estava queimando de ira; Ira da armação de minha mãe, ódio pelas palavras acusadoras daquela mulher asquerosa. Eu não aceitaria escutar uma palavra sequer sobre meu anjo, da minha razão de viver.
Ver Tânia e senti-la me tocando era repugnante; Eu cuspi contra o chão para afastar o cheiro infecto do seu perfume.
- NUNCA MAIS FALE DE ISABELLA, ENTENDEU? – Eu berrei descontroladamente — Você e minha mãe são duas pessoas doentes – Eu a acusei, encarando-a com desprezo – Eu não faço idéia do seu plano, Tânia. Mas eu posso garantir que isso vai acabar agora! – Eu gritei, enquanto ela gargalhava ironicamente.
- Quem é Doente aqui, Edward? Sua mãe sempre se preocupou com essa sua obsessão doentia! Ficar atrás de uma garota inconsciente por dez malditos anos e nós somos doentes? – Ela piscou, e eu sentia minhas bochechas esquentarem pelo ódio – Você me teve. Na sua cama, fazendo tudo que você sempre quis! E o que você fez? Me largou para correr atrás de uma porra de um cadáver! – Eu a vi gritar sonoramente, andando em minha direção – E agora que você já conseguiu o que sempre quis com essa COISA, você poderia começar a ser um homem normal como todos os outros. Ceder a uma mulher de verdade. – Ela mostrou um sorriso maléfico e cheio de dentes, enquanto aproximava nossos rostos. Eu tentei relutar, mas suas unhas cravaram agressivamente contra meu braço. Tânia aproveitou-se da dor que ela me fizera sentir, e capturou meus lábios violentamente contra os seus. Eu tranquei minha boca, enquanto eu sentia sua língua repulsiva molhar meus lábios. Em um pensamento rápido, eu soltei suas unhas dos meus braços, segurando seus pulsos para empurra-la para longe. Eu ouvi um barulho de passos rápidos do lado de fora da porta, enquanto limpava minha boca dos vestígios imundos da mulher vulgar a minha frente.
- Tem mais alguém aqui, Tânia? – Eu perguntei rudemente, enquanto ela lutava para manter-se equilibrada. Meu empurrão havia a levado para uma distância segura de mim.
Eu tive que controlar cada um dos meus instintos para não agredi-la. Suas palavras eram fortes, torturantes e dolorosas. Deus, eu respirei profundamente. Eu não podia cometer uma loucura. Eu sabia que aquele era um joguinho – um jogo de minha mãe para testar meus limites; Uma maneira doentia que ela encontrou de me afastar de Isabella. Fazer algo contra Tânia era assinar minha separação de minha bonequinha.
Eu poderia parar atrás das grades. Poderia parar em um sanatório.
Ou simplesmente, poderia ver meu único e verdadeiro amor desaparecer diante dos meus olhos.
- Não, seu idiota! – Tânia gritou, acariciando as marcas dos meus dedos em seus braços – Você me bateu, Edward! Você...é um louco!
Eu rosnei. O meu controle se esvaindo. Pisei em sua direção, apontando o anelar em frente ao seu rosto.
- EU NUNCA MAIS QUERO VER VOCÊ AQUI, ENTENDEU? – Eu segurei seu braço novamente, empurrando-a para fora da sala. – Avise para minha mãe que se eu ver você aqui de novo, não responderei pelas minhas atitudes. ME ESQUEÇA! Eu tenho nojo de você. Sempre tive e sempre terei. Você não me conhece, sua vadia fútil. Nunca poderia entender nada além da sua própria pobreza de espirito, e por isso eu jamais gostei de ficar com você – Eu gritei, enquanto ela protestava embaixo do meu aperto – VÁ EMBORA! E como um último favor meu, aceite meu conselho: SUMA! Não apareça nunca mais.
Finalmente, eu a empurrei para fora da sala, fechando a porta atrás de mim. Eu a ouvia protestar audivelmente — Ameaças, gritos histéricos, pontapés na porta. Meus pensamentos só estavam em Bella, buscando em meu porto-seguro encontrar um conforto.
Logo eu iria vê-la, logo ela iria espantar aquelas palavras.
Eu precisava manter o controle por ela. Tudo vai passar.
Isso vai passar, Edward. Tenha paciência. Concentre-se em Isabella. Nada vai acontecer.
Eu repetia as palavras como um mantra, implorando para que ela partisse. Após alguns minutos, o silêncio me abençoou. Eu deleitei-me com o sabor da paz e da calmaria novamente. Ouvi seus passos agudos caminharem em direção oposta, enquanto eu deixava meu corpo relaxar contra a porta.
Eu puxei uma longa respiração, enquanto tentava apagar as imagens dos últimos segundos. Eu precisava me purificar– tirar cada pequeno pedaço entranhado que aquela mulher havia deixado em mim. Eu me sentia imundo, impuro, completamente contaminado para encontrar meu pequeno anjo.
Eu esperei alguns minutos, acalmando meus ânimos e organizando minhas idéias. Eu não fazia idéia como Isabella iria reagir. Eu teria que contar a ela.
Poupa-la seria mentir. Mas eu não queria magoar seu coração inexperiente.
Ela jamais entenderia.
Por mais que eu não tivesse feito nada, eu sabia como ela se sentiria.
Eu não poderia imaginar minha reação se fosse a situação inversa.
Bufei, enquanto organizava minhas coisas. Caminhei em direção ao banheiro, ansioso para encontrar minha bonequinha. Assim que eu sentisse seu abraço, cada uma das minhas aflições seria drenada pela potência dos meus sentimentos.
Eu tomei um longo banho – deixando que água fizesse o trabalho de espantar meus demônios momentâneos. Após alguns minutos, eu estava pronto para partir. Peguei o aparelho celular entre as mãos, discando o número de Isabella. Após alguns toques, eu não obtive resposta. Meu coração se apertou. Disquei de novo, tendo o mesmo resultado.
Corri em direção ao carro, ligando-o rapidamente. A partícula de medo se formando em meu interior.
Ela poderia estar no banho.
Talvez cozinhando.
Dirigi o mais rápido que podia, enquanto tentava inutilmente ligar para Bella.
A exaltação me dominava, o ponteiro do meu carro quase alcançando os 200 quilômetros por hora.
Eu precisava chegar em casa.
Checar se estava tudo bem com meu anjo indefeso.
Milhões de pensamentos invadiram meu cérebro; A ira de minha mãe, a visita inesperada de Tânia, os sonhos.
Elas teriam coragem de levar meu único tesouro?
Teriam coragem de arrancar meu coração daquela maneira?
Eu precisava da minha dose naquele instante, ou meu peito explodiria.
Cheguei em frente ao meu apartamento, dando uma batida forte contra a porta do carro. Lutei com meu nervosismo para encaixar minhas chaves na maçaneta, encontrando um ambiente completamente escuro. Acendi as luzes, correndo freneticamente em direção ao seu quarto. A cama vazia rasgou meu coração em pedaços. Meus pés subjugaram meus pensamentos, percorrendo todos os ambientes do apartamento sem sucesso.
Tudo vazio. Completamente vazio.
Eu ainda sentia seu cheiro entre os cômodos, poderia vê-la correr em minha direção com um grande sorriso conquistador. Eu poderia visualizar tudo.
Mas a única realidade era a solidão.
Eu estava quebrado. Completamente destruído.
Sentia meu peito desfalecer, enquanto meu coração batia lentamente, praticamente sem vida.
Eu caí contra o chão, enterrando meu rosto entre as mãos. As lágrimas de desespero caíam de meus olhos, quentes e salgadas contra meu hálito. Eu sentia o ar me faltar, meu coração bater descompassadamente pela dor que apoderava-se do meu ser; Minha Isabella. Eu precisava vê-la. Eu precisava tê-la de volta, como precisava da minha próxima respiração.
Eu havia provado do paraíso – e não seria capaz de viver no inferno novamente.
Bella era parte de mim – era o ar que entrava em meus pulmões, era o sangue que corria em minhas veias, era o fio de razão que mantinha minha mente sã.
Me agarrei na força dos meus sentimentos pela minha única e irremediável paixão para levantar-me do piso gélido.
Eu precisava encontra-la – e só pararia minha busca incessante quando a tivesse novamente entre meus braços.
Corri descontroladamente para fora do meu apartamento – movido pela paixão, fogo, ira, medo, solidão e perdição.
Os pneus do meu carro cantavam em cada curva da cidade escura que eu percorria; A procurei entre os becos, entre as casa, dentro da escuridão que a noite me banhava.
Eu entrava em um colapso nervoso ao imagina-la perdida por aquelas rodovias.
Por fim, estacionei no único lugar onde iria abdicar da minha razão.
Olhei para a casa onde eu crescera, respirando dolorosamente entre as lágrimas. Engoli os soluços das feridas causadas naquela noite; Minha mente estava em chamas – o obcecado e o garoto completamente arruinados e desenganados pela falta de direção para continuarem coexistindo.
Eu simplesmente não existia sem Isabella.
Se eu não a encontrasse, iria me destruir.
Limpei meus olhos, correndo grosseiramente para a mansão cercada de vidros. Abri a porta com violência, sentindo a ira cegar minha visão. Eu escutei a voz de Alice ao meu fundo, seu toque inútil em meu braço; Eu simplesmente não conseguia processar.
Meu foco estava em um único ser: minha mãe.
Adentrei seu quarto lestamente, encontrando-a completamente descontraída sobre a cama. Bati a porta atrás de nós, andando impacientemente a seu encontro. Minha mãe abriu um sorriso pernicioso, enquanto eu bufava exasperadamente. Meus dedos tremiam, as lágrimas de ódio caíam livremente pelas minhas bochechas. Eu a vi suspirar, e jogar os cabelos contra os ombros.
- ONDE ESTÁ ISABELLA? – Eu tentei paralisar meu corpo que insistia em ir à sua direção. Eu não queria agredi-la fisicamente – e sabia que estava completamente descomedido; Qualquer palavra poderia incentivar o meu lado animal aflorado pela perda dolorosa da minha menina.
- Eu não sei do que você está falando, Edward – Ela disse cinicamente, um sorriso falso surgindo no canto dos seus lábios. Eu senti meus dedos caírem automaticamente contra seus ombros, apertando a pele firmemente. Minha mãe perdeu a cor – seu rosto ganhando um tom pálido.
- Eu sei que você armou contra mim – Eu rosnei – EU QUERO VER ISABELLA AGORA!
Eu a vi se debater, suas mãos tentando afastar as minhas.
- Seu louco! Eu não faço idéia de onde essa garota pode estar – Ela empurrou meu corpo, soltando meu aperto contra si – NÃO ME TOQUE, SEU DOIDO! Eu não tenho culpa se a sua garota morta te largou!
Eu senti meus olhos esquentando, as lágrimas ganhando a batalha. Joguei minhas pernas sob o chão, ficando de joelhos. Eu imploraria a ela se fosse necessário; Entregaria minha dignidade em troca de Isabella. Apertei minhas mãos contra suas coxas, abaixando minha cabeça diante da mulher a minha frente.
- Por favor, me diga onde ela está...eu imploro. Eu estou de joelhos. Por favor. Eu estou implorando a você...– Eu disse entre as lágrimas, buscando apoio em seus joelhos para manter-me equilibrado. As lágrimas entrecortavam minhas palavras, enquanto eu tentava dificultosamente inspirar oxigênio em meus pulmões. Eu precisava me manter vivo, precisava me manter são para encontra-la.
- Não se humilhe ainda mais, Edward. Não se envergonhe ainda mais. Eu não sei onde ela está. Deve estar com um homem melhor, um homem de verdade. Eu carreguei você em meu ventre por nove meses, e fui amaldiçoada com essa vergonha que você se tornou. Uma vergonha para seus pais, um fracasso com as mulheres, um imbecil e inútil completo. E sequer conseguiu segurar essa garota pobretona e órfã. Você é um fracassado, e sempre será. Em tudo, com cada coisa que você toca.
Eu berrei, socando meus punhos contra a testa. Eu não poderia ter falhado, não poderia ter a feito partir; Ela teria ido embora? Teria me largado daquela maneira?
Eu não conseguia suportar aquela realidade; Estava prestes a cometer uma loucura contra minha própria vida.
Eu era um doente. Um doente amaldiçoado que a própria mãe renegava.
Não era completamente impossível que ela tivesse me largado por sua própria vontade.
Eu sentia os soluços saírem mais fortes, a dor da possibilidade me invadindo.
Uma mão quente acariciou meus cabelos, e eu levantei meu rosto enquanto sentia meu corpo ser arrastado para fora do quarto. Não conseguia ver nada – apenas a última imagem de Bella estava em meu campo de visão.
O seu rosto angelical, perfeito. A última lembrança que eu queria guardar daquela vida tão miserável.
Por poucos meses, eu estive no paraíso. Um paraíso com chamas de inferno, mas assim um paraíso.
Eu havia tido toda a felicidade que alguém pode ter, e agora estava acabado.
Ela havia me deixado.
- Edward? Por favor, responda! Vamos encontra-la, eu sei que vamos!
Alice segurava meu rosto, que pendia para o lado sem vida.
- EDWARD! Você precisa reagir! Bella precisava de você!
Ela gritou contra meus ouvidos, lutando para arrancar alguma reação física de mim. Eu a encarei, meus olhos machucados pelo choro.
- Vamos, Edward. Você precisa ser forte. Vamos procura-la, vamos encontra-la. Eu prometo.
Eu choraminguei derrotado.
-Ela me deixou, Alice. Ela fugiu...
Eu a vi pressionar seus dedos contra minhas bochechas quentes.
- NÃO! Edward, Bella ama você! Pode ser que mamãe não esteja envolvida nisso, mas eu tenho certeza de que ela não te deixaria! Ela é louca por você, vive por você...ama você como você ama. Ela pode estar perdida, não sabe como voltar para casa. Precisamos procurar por ela.
Eu senti uma pequena faísca de esperança voltando, sanidade encontrando o caminho de volta para meu cérebro. Engoli os soluços, tentando recobrar o comando do meu corpo; Eu precisava ser forte.
Ela poderia ter perdido o celular.
Poderia ter ficado presa na escola.
Eram tantas possibilidades, possibilidades relativamente animadoras.
Eu comecei a respirar normalmente, deixando meus dedos relaxarem pela tensão.
Faça isso por ela. Faça isso por Isabella. Ela precisa de você.
Eu encarei minha irmã, seu rosto coberto pela aflição e o pânico.
- Vamos encontra-la. Me ajude a procura-la, Alice. Temos que acha-la.
Alice esticou suas mãos para mim, um flash de alívio surgindo em seu semblante. Eu agarrei sua mão, apoiando-me para levantar-me do chão.
- Vamos encontra-la, Edward. Eu sei que vamos.
Eu sentia a convicção em sua voz, e aquilo amenizou um centímetro do meu sofrimento. Meu cérebro começou a funcionar eletricamente – o mapa de lugares onde eu poderia procura-la começando a surgir em minha mente. Lugares que eu ainda não havia checado.
- Certo. Eu preciso acreditar nisso – Eu respondi com um pingo de fé que tudo daria certo – Então iremos nos dividir. Eu vou para o lado de Port Angeles e você-
Ela me cortou.
- Não, Edward. Você ficará no apartamento para esperar por Bella. Alguém tem que saber se ela chegará em casa.
Eu ri ironicamente.
- Você está brincando comigo, certo? Eu não vou ficar esperando. Eu preciso procura-la!
Alice rodou os olhos.
- Edward, alguém tem que espera-la! A pessoa mais recomendada para isso é você! Não sabemos como ela está, ou o que houve com ela! Bella é sua namorada, Edward. Ela é sensível, e ficará chateada se chegar e você não estiver esperando – Ela ponderou – E além do mais, Você não está bem para dirigir pela cidade. Espere um pouco. Caso eu não a encontre, ou ela não apareça, iremos juntos procura-la. Eu prometo.
Eu suspirei profundamente, me rendendo ao seu raciocínio. Eu precisava me controlar, precisava estar completamente disponível para encontra-la.
Ela poderia chegar.
Ela poderia me procurar e achar que eu não a havia esperado.
Concordei relutantemente com o plano de Alice, aproveitando o caminho até meu apartamento para informa-la de alguns lugares onde ela poderia encontrar minha bonequinha.
Ensinei o caminho para a casa dos Black duas vezes, para me certificar que aquele local entraria na rota.
Poucos segundos depois, ela estacionou em frente ao meu apartamento com promessas de que eu a veria em breve.
No instante em que fiquei sozinho, meu coração retornou a dolorosa missão de me torturar por dentro. Caminhei lentamente para meu apartamento, recluso e completamente cercado pela minha própria agonia.
Sozinho. Eu estava sem meu anjo para proteger-me e dragar meus medos.
A sensação de lacrimejo ameaçava sucumbir novamente, meu corpo implorando por liberação daquela flagelação. Quando as primeiras lágrimas retomaram seu trajeto, eu ouvi um soluço curto surgir em meio ao corredor.
Meus ouvidos reconheceram imediatamente aquele som suave, pequenas notas tristes soando contra meus sentidos.
Isabella.
Eu corri rapidamente em direção à porta do meu apartamento, vendo o pequeno e delicado corpo enrolado em um abraço. Seus braços estavam apertados contra as coxas magras, lágrimas torturantes molhando seus jeans.
Isabella. Minha bonequinha. Meu anjo, minha vida. Minha única e poderosa paixão.
Meu coração se acelerou imediatamente, e cada célula do meu corpo se eriçou com sua presença.
Somente sua simples presença me fazia sentir vivo novamente. Me trazia um sentido para viver.
Viver por ela, para ela, minha existência baseada na sua respiração, na sua felicidade.
- Bella...
Eu consegui soltar as palavras, ainda paralisado pela felicidade de encontra-la.
Seu rosto sublime levantou-se em minha direção, e eu engoli em seco com o choque.
O que fizeram ao meu pequeno anjo?
Eu via marcas fortes contra seus lábios, o sangue escorrendo levemente do canto de sua boca. Ela mexeu em seu lugar, as lágrimas caindo penosamente dos seus olhos melancólicos. Dor, apenas dor em seu semblante jovem. Eu gemi. Gemi de medo, ao perceber seu moletom bege rasgado em seu ombro, pequenas marcas de dedos em seu pescoço.
Eu corri em sua direção, abaixando-me em sua frente. Meu polegar tateou a ferida recente em seus lábios, as pequenas marcas roxas que ameaçavam surgir em sua omoplata.
Eu sentia a dor me assolar profundamente, intensamente, carnificinamente.
Eu não suportei vê-la ferida. Não suportava ver a dor em seus olhos, espalhada por cada parte do seu corpo virginal.
Quem havia sido o monstro que a machucara?
A ira ameaçou surgir, mas o meu sentimento de protegê-la o subjugou.
Eu teria que cuidar dela antes de qualquer coisa, eu teria que beijar cada ferida pequena no seu corpo febril.
Eu rosnei.
Alguém a havia machucado, alguém havia rompido sua ingenuidade infantil.
Eu me culpei, amaldiçoei cada uma das minhas ações.
Como eu pude permitir tal atrocidade contra meu ser amado?
Aquilo me partia de forma completamente diferente, rompendo a minha razão e a minha sanidade.
- Eu não tinha para onde ir – Ela choramingou entre as lágrimas, seus olhos caindo imediatamente para o chão.
Eu toquei seu queixo suave, sua pele de seda queimando contra a minha. Eu precisava abraça-la – sentir o calor do seu corpo contra o meu; Protegê-la e segura-la contra mim o mais forte que pudesse.
Eu deveria tê-la deixado na minha prisão, deveria tê-la protegido contra os demônios que esse mundo possuía.
- Quem fez isso com você, meu amor? Quem machucou você desta forma?
Ela soluçou nervosamente, suas palavras confusas e baixas. Eu conseguia sentir a carga dolorosa de cada sílaba sem sentido – ela estava morrendo por dentro, consumida pelo tormento.
-...Você, Edward. Você fez isso comigo. – Bella olhou em meus olhos completamente deteriorada, mágoa rolando em lágrimas quentes.
Eu a encarei com confusão e martírio, tentando assimilar suas palavras cortantes.
Como eu poderia ter feito aquilo?
Como eu poderia ter ferido minha garotinha primorosa?
Eu sentia a dor me consumir, devorar cada um dos meus sentidos.
Eu não seria capaz.
Eu não poderia fazê-la sofrer.
O demônio em meu interior surgiu, trazendo com ele os pecados que eu sempre ameacei cometer.
O quanto eu a havia sujado com minha obsessão?
O quão delirante eu poderia ser?
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