O vento levemente trazia sua refrescante brisa para o mundo. Ali, numa pequena plantação de trigo, as plantas douradas resplandecentes com a luz do sol, os piados calmantes dos pássaros que viviam nas árvores próximas.

Tudo estava calmo. Perfeito para viver.

— … — Uma garota de cabelos pretos anda pelo local.

Suas pequenas orelhas felinas tentavam averiguar por qualquer movimento estranho.

Havia encontrado aquele local aleatoriamente enquanto encontrava algum lugar para ficar de noite. Era uma linda casa com uma horta bem viva. Mas mesmo assim, o local estava completamente abandonado, e não havia nenhum animal por perto.

Seus instintos não a diziam para fugir, mas também não a faziam ficar. E isso a deixa confusa. Até agora, tinha sobrevivido evitando tudo e todos.

Apesar daquele momento naquela fazenda…

Bem. A garota resolve dar uma olhada no interior da casa. Abrindo a porta, ela vê um interior bem decorado, tapetes bonitos e coloridos, uma mesa de madeira com algumas cadeiras ao redor, uma cozinha com tudo necessário para preparar alimentos, um quarto com uma grande cama e uma estante cheia de livros.

Após explorar um pouco, a garota encontra uma carta. Estava curiosa, com vontade de saber o porquê daquele lugar estar vazio.

“Querido, ou querida, viajante que tenha achado este local.

Estou feliz por poder sair dessa casa. Finalmente achei uma casa boa no reino ao lado. Deixei esta pequena casa para você, que passar por aqui.

Nunca pensei que tanto trabalho duro me daria futuro. Ainda bem que eu não desisti. Fico feliz por saber que mesmo longe, poderei ajudar um desconhecido com um lugar para ficar.

Ou talvez ninguém venha. Isso é possível, mas mesmo assim, não me arrependo.

Obrigada por ler. Meu nome é Jenna, e fui a única moradora deste local por anos, e agora é a sua vez. Tenha um bom dia. Ou noite.”

Lendo aquilo, a garota de orelhas de gato se sentou numa das cadeiras. Ela se pergunta o porquê de o local ainda ter tanta coisa. Mas não era mais importante.

Ela agora tinha um local só seu. Uma casa para si. Onde ela poderia se esconder e se proteger.

Andando pela casa, Felícia se lembra dos livros na estante. Após ver cada um deles, ela sabe que o que tem em mãos será bastante útil.

Livros sobre cultivo, culinária, pesca, caça, carpintaria, luta, tudo o que necessitaria para viver. Mesmo não gostando muito de ler, ela sabia que não poderia só ignorar as informações que poderiam salvar sua vida.

Lendo algumas páginas do livro sobre ferramentas improvisadas, a garota decide fazer uma faca, utilizando pedras.

Saindo da casa, Felícia pega algumas pedras para tentar fazer uma lâmina. Tentando não se machucar, ela bate os objetos um no outro, algumas vezes causando faíscas, que assustaram a garota.

Eventualmente, ela consegue fazer uma lâmina de um bom tamanho, mas não conseguiu impedir que seus dedos fossem feridos no processo.

Após obter sua lasca de pedra, a garota procura por materiais para fazer o cabo de sua arma, caso contrário, seu manuseio da faca seria difícil. Rapidamente encontrando uma casca de árvore e algumas vinhas para amarrar.

Finalmente, tinha sua primeira arma pronta. Apesar de sempre carregar sua espada consigo, não era uma boa ideia a utilizar para tudo, já que sua manutenção era difícil.

Agora, tinha uma alternativa. Mas não era o suficiente. Precisava de mais algumas para sobreviver. Algo como um machado, uma lança talvez? Um arco também ajudaria. Mas uma coisa de cada vez. Ainda era pequena demais para conseguir fazer tudo aquilo de uma vez.

Por enquanto, ela tinha de achar algo para comer.

O inverno havia chegado. Felícia havia encontrado um lago congelado. Um bom lugar para pesca. Com os poucos meses vivendo naquela casa, já conseguira muitos instrumentos. Alguns, ela mesma havia construído, como seu arco, ou sua faca. Já outros, ela havia encontrado enquanto aproveitava sua estadia.

Estava pronta para pescar no gelo. Tinha um assento, um balde, uma vara de pesca e a isca. Rapidamente fez um buraco na superfície congelada do lago, logo jogando sua isca nas águas abaixo.

Demoraria, e ela sabia disso. Algo que fazia para passar seu tempo enquanto praticava coisas assim foi desenhar. Achou um caderno e lápis junto com as outras ferramentas numa caixa debaixo da cama onde dormia.

Apesar de sua pouca prática anterior, a garota tomou gosto de desenhar as suas vistas diárias. Agora fazia o mesmo. Os pinheiros sem neve, o chão da floresta ao redor enterrada em neve, as nuvens acinzentadas acima, o surpreendente modo de que as montanhas não aparentavam ter neve em seus picos. Tudo que podia ver.

Logo sentiu uma fisgada em sua linha, algo que a assusta por um momento, mas ela se recupera rapidamente, logo segurando a vara de pescar caso uma fisgada mais forte acontecesse.

Mas não aconteceu.

Não por muito tempo.

Uma hora e meia depois, ela sentiu mais outra fisgada, seguida de mais uma, ainda mais forte. Dessa vez, sabendo que não deveria esperar, ela começou a puxar o anzol, que começou a puxar para o outro lado. A força do peixe fisgado foi muito maior do que Felícia esperava, e isso quase a derrubou. Felizmente, conseguiu se segurar.

Após muito esforço, ela conseguiu puxar o peixe do buraco. Era gigante, e de uma espécie desconhecida para a garota felina. Suas escamas eram brilhantes, mas seu grande tamanho era bastante intimidante, e o fato de que ele não parava de pular no gelo, não a ajudava muito.

Mas mesmo assim, Felícia tenta. Respirando fundo, a garota pega sua faca. Com um pulo alto em direção do peixe, e um só ataque, ela conseguiu.

— Ficou… Bom… — A garota murmura, após comer um pedaço do peixe, que já estava preparado.

Estava dentro de casa. O frio da noite era forte de mais para si. Da janela, ela observava, alguns animais com pelugem branca correndo por aí.

Até que ela viu três figuras andando pela neve. Sabendo que ela não poderia fazer nada caso a vissem, ela apagou suas velas, e continuou a comer, já que seus olhos a habilitavam a ver no escuro.

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