Avrora - Wellspring

7 Um Trabalho Bem Feito


— Uuh... Isso é meio cansativo... – Haru reclama, recolhendo alguns dos núcleos dos slimes que havia derrotado.

O trio havia conseguido capturar em volta de 60 slimes que vieram direto do rio. Eles haviam trabalhado por quase 1 hora e meia sem pausa.

— Eles não param de vir não? Isso não vai ter fim? – Chise também reclama.

— Geralmente, um “ninho” de slimes contém 200 slimes diferentes. – Mari diz com um sorriso no rosto, pegando mais uma slime com uma das mãos.

O número de monstros fez os dois suspirarem de cansaço.

— Quando você disse que iriamos lutar contra monstros, eu achei que seria algo mais... Difícil. – Haru murmura.

— Hey, hey Haru, você realmente acha que eu traria vocês pra uma tarefa perigosa? – Mari suspira. – Além disso, vocês já fizeram bastante, podem descansar, eu vou terminar rapidinho. –

— Tá... – Haru e Chise se sentam na grama, se espreguiçando.

— Hoje eu vou mostrar uma magia que vocês ainda não conhecem – Mari sorri, puxando seu cajado de seu manto. – Por isso, dessa vez, eu vou dizer o encantamento, então prestem atenção. Especialmente você, Haru. –

— Ok. – Haru diz, olhando atentamente.

— Uma magia nova... – Mari murmura, observando também.

— “Vindo daquilo que cobre a luz eterna do céu, um trovão azul assim aparecerá.” Thunderbolt! –

Assim, uma larga nuvem escura aparece nos céus, com vários relâmpagos passando por dentro da mesma. Após alguns segundos, um grande e forte trovão desce dos céus, acertando o rio cristalino e o eletrizando completamente por alguns segundos, antes do feitiço terminar, e assim a nuvem sumir.

Logo, muitas pedras começaram a subir na superfície do rio inteiro, de cima a baixo.

— O-o que foi isso?! – Haru diz, embasbacado.

— Que lindo... – Chise admira.

— Pronto! – Mari diz, se virando para a dupla com um sorriso. – Agora é só pegar os núcleos rapidamente antes que eles se regenerem e voltem a se esconder no rio. –

— Tá bom! – Ambas as crianças dizem, correndo até o rio.

— Vocês ficam com essa parte do rio, deixem que eu cuido do resto. – Mari diz, andando.

— Tá legal, Mari. – Haru, diz, já com vários núcleos em sua mão.

Andando pelo rio, e se distanciando das crianças, a Bloodworth logo se encontra com o dono da propriedade.

— Senhorita Mari! – Ele se aproxima rapidamente, certamente assustado. – Você viu aquele relâmpago? O que aconteceu? –

— Nada demais, só não queria ficar o dia todo nocauteando slimes com minhas mãos, e as crianças também estavam cansadas, então eu só usei uma simples magia elétrica. –

— Ah, entendo, como esperado da Bruxa Vermelha. – Até que ele percebe um pequeno detalhe na fala dela. – Espere um minuto, você estava acabando com eles com suas mãos? –

— Sim, slimes não conseguem comer aquilo que ataca eles primeiro, então é fácil somente romper o corpo gelatinoso deles e pegar o núcleo. – Diz ela, pegando um dos núcleos do rio e mostrando para o senhor.

— Puxa, não sabia disso. Novamente, muito obrigado, senhorita Mari. –

— Não precisa agradecer, só fiz o meu dever. – Ela sorri. – Agora só falta eu pegar o resto dos núcleos. –

Mari balança seu cajado, e com o movimento, todos os núcleos de slime começam a flutuar, saindo do rio e indo direto até uma bolsa que Mari havia colocado por perto.

— Minha nossa, mas que magia interessante. – Erick disse, certamente pensando em como esse tipo de magia seria útil em suas colheitas.

— Bem, já devemos ter acabado por aqui, então... – Mari diz, pegando o bolsa, que parecia estar pesada, com uma mão só.

— Ah, não, por favor, fique aqui mais um pouco e almoce conosco. – O homem diz, com um sorriso grato em seu rosto. – Vocês salvaram nossas plantações, então queremos agradecer do modo que podemos. –

— Ah, não é necessário. – Mari sorri simpaticamente.

— Eu insisto. –

— Bem, se as crianças estiverem com fome, talvez. – Mari pensa.

— Estamos sim! – Chise e Haru aparecem com algumas bolsas cheias de núcleos de slime em mãos.

— Okay então, aceitaremos seu convite, senhor Riverrock. –

— Ótimo. – Ele sorri.

...

Logo todos da família Riverrock estavam sentados em uma mesa no exterior da casa em que viviam na propriedade junto do trio. A família consistia de Erick, o pai da família; Amanda, a mãe; Madeline, a filha mais velha; Trevor, o filho do meio; e Mariah, a filha mais nova.

— Ei, ei, Haru, é verdade que você é um mago? – Mariah pergunta, seus olhinhos laranjas brilhando.

— Eu ainda não sou, mas eu serei no futuro. – Haru diz, com suas bochechas levemente enrubescidas.

— Mas é legal que você pode usar magias. – Trevor diz, também admirado, apesar de ser mais velho que o garoto de cabelos pretos.

— Bem, pessoal, já está na hora de comer. — Amanda avisa.

Com isso as crianças se sentam a mesa, e todos tem seus pratos colocados em frente de si.

— Hoje teremos um banquete em agradecimento ao trabalho de vocês, Mari, Haru e Chise. Agradecemos muito por nos livrarem dos slimes. –

— Só fizemos o que pediram, não precisa agradecer. – Mari diz, seu sorriso ainda em sua face.

— Não, isso é o mínimo que podemos fazer por você. – O homem ri. – Bem, que tal comermos logo? –

— Sim! – As crianças gritam.

— Então vamos lá! –

Logo todos começaram a comer. Chise contava para os três irmãos sobre os momentos engraçados que teve com Haru, enquanto o mesmo tentava a fazer parar, fazendo eles rirem bastante.

Mari apenas observava as crianças com um doce sorriso em seu rosto. Amanda e Erick continuavam comendo, de vez em quando olhando para as crianças sorrindo.

— E então, ele caiu no lago com a vara de pescar! – Chise ria, contando mais um dos infortunos de Haru.

— Você já não contou essa história umas 6 vezes hoje? – Haru reclama, ao ver os quatro rirem. – Hm? – Algo chama sua atenção em um dos arbustos próximos.

— Que foi, Haru? – Pergunta Mari, ao ver os olhos do garoto começarem a brilhar.

— Um gato! – Ele sorri se levantando da mesa, com um pouco de comida em mãos.

— Hey, espera um pouco...! – Mari tenta o impedir.

— É melhor deixar ele ir, Mari. – Chise avisa. – Quando se trata de animais fofos, ele não para. –

— Puxa... – Mari suspira.

Haru anda de modo lento até o arbusto, mas quando ele olha, o ser havia entrado mais adentro na área meio arborescida do local. Não tendo a perder, o pequeno mago segue o felino.

Após alguns minutos de perseguição, a criatura acaba encurralado em um canto perto das cercas.

— Te peguei, gatinho... – Haru sorri brevemente, antes de ouvir algo.

— P-por favor, não me machuque... – Uma foz feminina fraca diz, do arbusto que o garoto estava observando

— Huh? Uma pessoa? – Ele diz, mexendo nos galhos, antes de ver o ser que ali se escondia. – Oh?! –

A sua frente tinha uma garota que parecia sua idade. Seus olhos eram escuros assim como seus longos cabelos pretos. Ela estava usando um vestido azul escuro que estava surpreendentemente limpo, apesar de alguns pequenos rasgados. Além de seus olhos cheios de lágrimas, Haru também percebeu as orelhas e cauda de gato que a garota tinha.

— Ah! Não se preocupe, eu não vou te machucar. – Ele tenta a confortar.

— N-não vai? – A sua pequena e fraca voz preocupa o garoto. Ela estava realmente aterrorizada.

— Não vou, eu prometo. – Ele sorri. Logo ele estende o sanduiche de carne que estava segurando até agora. – Toma, você parece estar com fome. –

— O-obrigada... – Ela aceita a refeição, logo a comendo rapidamente.

— Tava gostoso? – O garoto pergunta, recebendo somente um aceno positivo da garota. – Que bom. Qual é o seu nome? –

— F-Felicia... – Ela murmura, mas o garoto consegue ouvir.

— Que nome bonito. – Ele estende a mão para ela. – Vamos levantar? –

A garota pega a mão do pequeno mago, que a levanta.

— Por que você está aqui? –

— E-eu fugi... –

— Fugiu? –

— Sim... De um cara mau de cabelo vermelho. –

— Cabelo vermelho? – O garoto pensa um pouco. – Nunca vi alguém de cabelo vermelho por aqui. –

— Nem eu e nem ele somos daqui. – Ela explica. – Ele me trouxe pra cá por um motivo que eu não sei. –

— Ah. Isso é complicado. – Ele suspira. – Você precisa de ajuda? Eu e meus amigos podemos te ajudar. –

— Não precisa. – Ela se vira, rapidamente subindo na cerca que estava a sua frente. – Eu consigo me defender. –

A garota felina pega algo que parece uma espada de madeira do outro lado do cercado.

— Uma espada de madeira? –

— Não. – Ela puxa uma parte do objeto, revelando uma lâmina brilhante.

— Uau... –

— Então, até mais. – A garota sorri e se curva. – Muito obrigada por me ajudar. – Ela logo pula para o lado de fora do cercado, desaparecendo pelas planícies da área.

Haru logo volta até onde os outros estavam, com todos, claro que com a exceção de Chise, preocupados.

— Haru, onde você estava? Você demorou! – Mari pergunta, segurando o garoto no alto pelos braços.

— O gatinho estava correndo muito, e logo ele sumiu, mas eu continuei procurando. – Diz, sorrindo.

— Por favor, da próxima vez, não vá sozinho. – Ela diz, o soltando.

— Ok, ok. –

Eles rapidamente voltaram a comer, e, após o término do jantar e a despedida do trio para os Riverrock, eles voltam para a pequena e calma cidade de Wellspring.

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