Avrora - Wellspring
12 Neve
Estava nevando. Já havia passado três meses desde o aniversário de Chise. O inverno tinha chegado, e com isso, os treinos com Mari haviam temporariamente parado.
— Esse livro tem tantas magias... – Haru estava lendo o livro que havia ganhado de Mari. O nome era “Magiário”. – Apesar do nome estranho, esse livro realmente tem de tudo! –
Ele passa por algumas páginas, até encontrar uma que chama sua atenção.
— Freeze... – A palavra deslizou por sua mente.
Ele leu o texto descritivo do encantamento.
—
Encantamento simples.
Congela líquidos facilmente com uma temperatura super baixa, possível somente com poderes mágicos.
Recomendável para iniciantes por geralmente não ser letal.
—
E logo abaixo estava as palavras que ele deveria dizer para ativar a magia.
Rapidamente pensando em um experimento, o garoto corre para a cozinha e pega um copo e o enche com água. Colocando o copo na mesa e pegando sua varinha e o livro, ele respira fundo.
— “Preservando a origem, infinitamente existente, assim te peço sua força.” Freeze. – Ele diz, apontando sua varinha para o copo.
Por alguns segundos, nada acontece, deixando o garoto decepcionado. Talvez ele ainda não podia aprender novas magias?
Mas logo ele percebe, a água estava lentamente se congelando, pequenos flocos de neve se expandindo pelas extremidades do copo, antes de virar gelo por completo.
— Minha nossa... – Ele se admira. – Será que tem mais alguma que eu possa aprender? –
Haru pega o livro novamente, mas parecia que ele tinha esquecido como ler o resto do livro. Ele reconhecia as letras e o significados das palavras, mas os textos não faziam mais sentido.
Folheando as páginas rapidamente, o desespero logo começou a infiltrar sua mente.
Não conseguia pensar em nada. As grandes paredes de texto não tinham nexo.
— Oh? – A voz de Hiro acorda o garoto de seu transe. – Você não estava indo brincar na neve? – o homem se aproxima da mesa, logo pegando o copo com água congelada para inspecionar.
— Eu estava... Mas lembrei do livro que a Mari me deu. – Ele logo olha para o seu pai. – Eu tentei aprender uma das magias no livro, mas... –
— Não está conseguindo ler mais? – Ele recebe um rápido sinal positivo de seu filho. – Você deve ter aprendido o Freeze, certo? Sabe, quando usamos magias pela primeira vez, geralmente não conseguimos medir quanto de energia vai ser utilizada, e sem querer eles acabam sendo fortes de mais. –
— Sério? Mas o que isso tem a ver com eu não conseguir ler o livro? –
— Para lermos as palavras mágicas desses livros, utilizamos a mesma energia das magias. Então você deve estar esgotado. Descanse, amanhã você vai poder continuar a ler. –
— Tá legal, então. – Haru se levanta da cadeira onde se assentava e abraça seu pai. – Obrigado, pai. –
— Por nada, filho. – Ele acaricia os cabelos de seu filho por um momento.
...
— Bom dia, Haru! – Chise estava na porta dos Tallore mais uma vez.
— Bom dia Chise. – Haru a cumprimenta logo ao abrir a porta de sua casa.
O quintal da casa estava totalmente branco, neve cobria tudo. E havia um caminho de passos na neve que a garota havia feito. Os pinheiros ali não tinham neve em suas finas folhas, já outras árvores, que haviam perdido sua folhagem, estavam com seus troncos cobertos pela nevasca.
— Haru, vamos brincar de guerra de bolas de neve? –
— Tá! –
Logo, cada um estava em uma extremidade do quintal, e com trincheiras de neve, estavam prontos para começar. Porém.
— Bom dia, Chise, Haru. –
Uma certa bruxinha de cabelos prateados os surpreendem.
— Mari? Que bom te ver. – A garota de cabelos marrons sorri ao vê-la.
— Bom dia, Mari. – O garoto acena.
— O que te trás aqui hoje? Não temos treino quando está nevando. –
— Só queria ver se vocês estavam bem, já que eu vou sair numa pequena jornada. –
— Jornada? – Ambos perguntam ao mesmo tempo.
— Sim. Eu estou indo explorar uma caverna aqui perto. –
Logo, a dupla começou a ficar inquieta.
— Podemos ir com você? – Haru pergunta.
— Sim, prometo que vamos comportar. – Chise também.
— Desculpa, mas é muito perigoso. Muito mais do que as slimes. –
Após um som de decepção das duas crianças, Mari para e pensa um pouco.
— Tá, acho que a parte de fora da caverna não é tão perigosa. Eu levo vocês. Mas, só com a permissão dos seus pais. –
Em poucos segundos, Haru havia entrado de volta em casa, e Chise estava em alta velocidade em direção para a sua casa.
Após um pouco de espera, a dupla estava novamente ali, agora carregando algumas coisas.
— Então, eles deixaram? –
— Sim! – Eles disseram em uníssono.
— Então vamos. –
...
O trio, agora se encontrava num local um pouco distante da vila de Wellspring. Uma corrente de grandes montanhas separavam a terra do oceano, e uma dessas montanhas tinha um caminho que parecia bem traçado demais para ser natural. Na base, havia um grande penhasco que dava visão do mar.
— Uau... – Ambos os pequenos admiram a vista.
— Vocês ficam aqui. Cuidado pra não cair. – Mari comanda.
— Não tem nenhuma magia pra nos proteger enquanto você fica lá dentro? – Chise pergunta.
—Olha, não exatamente, mas eu posso improvisar. – A bruxa pega seu cajado.
Após alguns movimentos, os corpos da dupla brilham levemente, mas param instantes depois.
— Uau... – A garota admira.
— O que foi isso? – Haru questiona.
— Uma pequena magia, vai proteger vocês até eu voltar. – Ela se vira para a entrada da caverna. – Só entrem se aqui fora ficar perigoso, mas não explorem, tá bom? –
— Tá. – Chise responde.
A bruxa de cabelos prateados, então, adentra a caverna.
— Tá... E agora, vamos fazer o quê? – Haru pergunta.
— Bem, não podemos brincar de guerra de bolas de neve perto do penhasco. Mas podemos fazer bonecos de neve! –
O garoto assente animado, logo pegando um pouco de neve em suas mãos e começando a juntar.
— Eu vou fazer o corpo, você faz a cabeça. – O pequeno mago diz.
— Tá! –
Após extensos minutos, a dupla havia conseguido fazer dois bonecos de neve, um deles era um pouco maior que o outro.
— Ficou legal! – Chise sorri.
— Mas tá faltando algo... –
— Que tal usarmos as coisas que trouxemos? – Ela sugere, pegando um chapéu rosa de sua pequena bolsa.
— É mesmo, eu já tinha me esquecido. –Ele ri de si mesmo, pegando um chapéu de mago antigo.
Eles decoram os bonecos. O menor tinha o chapéu de Haru, e o maior tinha o de Chise.
— São iguais a nós... – O garoto percebe.
— São sim. – A garota concorda. – Oh, o sol está se pondo... –
— Oh! – O garoto olha para o horizonte.
O sol lentamente se escondia atrás das grandes ondas do mar. O céu se tingia de laranja, magenta, azul escuro, como um gradiente natural. As nuvens pareciam mais indecisas que o próprio céu, cada uma tinha sua cor, apesar de acinzentadas pelo frio.
— Mas que lindo... – Haru murmura.
Sua respiração quente, que colidia com o frio ar, causava uma fina neblina a sua frente. Mas nem isso impedia a linda vista a sua frente.
Logo mais. A cena a sua frente lhe parecia familiar. Havia presenciado algo similar antes. Foi aqui?
Mas agora não era hora de ficar questionando a realidade. Estava ficando tarde, e Mari ainda não havia voltado.
— Onde é que ela tá? – Chise reclama, encostada na parede onde a entrada da caverna se encontrava.
— ... – Haru nada responde. Ainda admirava o agora se esvaindo pôr do sol.
— Haru? –
— Ah! Aconteceu algo? –
— A Mari não chegar aconteceu. –
— Oh. Logo ela chega, não se preocupe. –
— Mas tá ficando muito frio... –
— Cheguei! – A voz de Mari ecoa, próxima do buraco onde a mesma havia entrado.
— Finalmente! – Chise exclama, se abraçando à garota logo assim que ela chega.
— Sentiram minha falta? – A bruxa de olhos vermelhos acaricia os cabelos marrons da pequena.
— Sim. – Ela resmunga.
— O que você estava procurando lá dentro, Mari? –
— Bem... Isso é segredo! – Ela sorri de modo brincalhão.
— Hey, espera, onde é que o seu chapéu foi parar? – Chise pergunta.
— Oh, eu devo ter deixado cair. – Ela puxa algo de seu manto. Um outro chapéu. Este tinha uma fita com um laço, ambos vermelhos.
— Quantas coisas você tem nesse manto? – Haru pergunta.
— Eu já perdi a conta. – Ela ri. – Bem, que tal voltarmos? –
— Sim, não aguento mais esse frio... – Chise resmunga.
— Eu hein... – O garoto suspira.
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