Nuvens escuras sobrevoavam o céu, o som de trovoadas ecoavam pelos ares.

No solo logo abaixo, havia uma grande casa com dois andares, e uma plantação em sua proximidade.

No interior da casa, uma garota com aparentemente 10 anos lia um livro em sua cama. Ela tinha cabelos laranjas e olhos azuis-escuros, além de usar um vestido roxo com laços azul-claro.

— Mylin? – Uma voz feminina chama pela porta do quarto da garota, antes da mesma se abrir, revelando uma empregada de cabelos pretos e olhos cinza. – Mylin, aí está você. –

— Ah, boa tarde Alice. – Diz a garota de forma doce, sem tirar os olhos de seu livro.

— Venha tomar o café da tarde, senhorita. – Ela diz, logo saindo do quarto, voltando para o corredor.

A garota continua lendo o livro por algum tempo, antes de pegar um marca-página, usá-lo para seu devido propósito e sair do quarto. Descendo do segundo andar, Mylin se encontra na sala de estar, onde seu pai, chamado Loui, e uma mulher de cabelos azul-escuro conversavam.

— Então, você autoriza ela ser uma aluna da Escola de Magia Kaida? – Ela pergunta, seus olhos magentas observavam o homem ruivo que ponderava enquanto tomava seu café.

— Bem, sim. – Ele responde. – É o que ela quer. –

— Ei, pai. – A garota chama, passando pela sala e indo direto para a cozinha.

— Boa tarde, Mylin. – O homem diz com um sorriso que quase era obstruído por seu bigode.

— Bem. – A mulher chama a atenção do homem, pegando algo semelhante a uma prancheta e o entregando. – Esse é o documento que você precisa assinar. Tenha certeza que você leia tudo, não queremos nenhum desentendimento. –

— Claro. – Ele responde, logo pegando seus instrumentos de caligrafia.

—--

— Hey, Alice. – Mylin se aproxima da empregada, que estava arrumando alguns potes na cozinha. – Quem é aquela na sala? –

— Ela é alguém importante daquela escola de magia que você queria estudar. – Ela responde. – Acho que finalmente realizará o seu sonho. –

Os olhos da garota começaram a brilhar. Finalmente estudaria naquela escola que tanto sonhou. Ela faria amigos magos? Aprenderia magias incríveis? Lutaria contra monstros em situações cômicas?

— Ih, lá vai ela. – Alice murmura, ao ver a garota lentamente girando enquanto imaginava sobre sua futura vida escolar. – Só não esqueça que lá é um internato, ou seja, você vai viver na escola e só vai poder vir ver a família nas férias. –

— Ah. – Ela sai de seu mundo imaginário. – Sim, eu não esqueci. –

— É melhor você não chorar quando for a hora de ir, tá? –

— Ah, mas é claro. – Ela sorri. – Que eu vou chorar, obviamente. –

A mulher suspira, mas um sorriso logo aparece em seu semblante. Sentiria falta daquela menininha que sempre causava confusão, aquela que mesmo bastante atentada, ainda era bastante honesta.

— Bem, é melhor você já começar a arrumar suas coisas, garota. –

— Tá legal, Alice. – Ela rapidamente volta para seu quarto, sem nem perceber que a mulher de cabelos azuis tinha indo embora.

—.-.-.

Já era outro dia comum no outono da pequena cidade de Wellspring. Haru estava treinando com Chise. Dessa vez, a dupla estava tentando melhorar a sua agilidade passando por uma corrida com obstáculos.

— H-haah... Isso cansa muito, Chise. – O garoto diz, caindo no chão de exausto após mais uma corrida.

— Poxa, Haru. Se você continuar assim, logo você só vai servir pra usar ataques de longe. – Ela zomba, ainda cheia de energia.

— Você já parou pra pensar que é isso que um mago faz? –

— ... – A garota percebe que ele estava, de fato, certo. – B-bem, ainda não faz mal você ser bom em ataques físicos e tal, pra uma emergência. –

— Você tá certa. – O garoto se levanta. – E eu já sei o que vai falar agora... –

— Vamos de novo? – Chise diz, junto do garoto. – Poxa, você me conhece mesmo, hein? –

— Sim, sim. –

Eles se preparam para correr, e logo, começam mais uma corrida.

Observando atentamente os dois, estava Mari. Ela estava sentada em uma pedra, e aparentemente, estava criando modos para melhorar o desempenho de cada um.

— Já testei várias vezes, e a Chise não consegue usar magia nenhuma, mas é bastante energética. – Ela para e pensa um pouco. – O Haru ainda não consegue acompanhar ela fisicamente, mas logo poderá usar magias avançadas. –

Ver as duas crianças se divertirem faz a garota de cabelos prateados se lembrar de seu tempo estudando com Hiro.

.-.-.-

— Não, não Mari, eu já te falei, você tem que fazer essa pesquisa em grupo. – O homem de cabelos pretos e olhos azuis tenta convencer sua aluna.

— Poxa, eu não acho que eu vou ajudar eles. – A garota tenta a sua estratégia. – Se eu for fazer algo errado e perder nota, pelo menos deixa eu perder sozinha. –

— Não. – Ele pega seus óculos de cima de sua mesa e os coloca em seu rosto. – Agora vai lá com eles até a biblioteca. –

A garota infla suas bochechas de raiva, mas logo faz o que a foi pedido, rapidamente seguindo até a biblioteca.

— Huh? Você realmente vai fazer a pesquisa conosco? O senhor Tallore não deixou você fazer sozinha de novo? – Uma garota de cabelos rosa se aproxima da garota de cabelos prateados.

— Sim... – Ela diz, quase resmungando.

— Você é muito inteligente, mais do que essa daqui pelo menos. – Um garoto de cabelos verdes se aproxima.

— Hey! Fica quieto, Hunter! –

— Ei, nós estamos em uma biblioteca, vocês dois. – Mari diz, segurando uma pequena risada.

— Bem, vamos organizar isso, já que a Lucy só é boa em achar as informações. – Hunter pega seu caderno, pronto para começar.

— E você é tão lerdo que só sabe organizar, cabeçudo. – Lucy resmunga, indo até as prateleiras procurar sobre o tema da pesquisa.

— Vocês dois são uma comédia, hein? – Mari reflete, enquanto observa o garoto de cabelos verde quietamente organizar alguns papéis que tinham caído de sua bolsa.

— Se é tão engraçado assim, você deveria fazer mais trabalhos conosco. –

— É, talvez eu faça isso... –

—.-.-.

— Vamos, Haru. – Chise estava praticamente arrastando o garoto.

— Eu não aguento mais, Chiseeee... – Ele resmunga.

— Tá legal, então eu vou comer todos os seus bolinhos, quando sua mãe terminar de fazer. –

Com a ameaça, o garoto já havia levantado.

— Você não sabe de quem você está ameaçando os bolinhos. –

— Achou ruim? Então me derrote! –

— Ah se eu vou! –

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