Avrora - Wellspring
11 Kaida
Nuvens escuras sobrevoavam o céu, o som de trovoadas ecoavam pelos ares.
No solo logo abaixo, havia uma grande casa com dois andares, e uma plantação em sua proximidade.
No interior da casa, uma garota com aparentemente 10 anos lia um livro em sua cama. Ela tinha cabelos laranjas e olhos azuis-escuros, além de usar um vestido roxo com laços azul-claro.
— Mylin? – Uma voz feminina chama pela porta do quarto da garota, antes da mesma se abrir, revelando uma empregada de cabelos pretos e olhos cinza. – Mylin, aí está você. –
— Ah, boa tarde Alice. – Diz a garota de forma doce, sem tirar os olhos de seu livro.
— Venha tomar o café da tarde, senhorita. – Ela diz, logo saindo do quarto, voltando para o corredor.
A garota continua lendo o livro por algum tempo, antes de pegar um marca-página, usá-lo para seu devido propósito e sair do quarto. Descendo do segundo andar, Mylin se encontra na sala de estar, onde seu pai, chamado Loui, e uma mulher de cabelos azul-escuro conversavam.
— Então, você autoriza ela ser uma aluna da Escola de Magia Kaida? – Ela pergunta, seus olhos magentas observavam o homem ruivo que ponderava enquanto tomava seu café.
— Bem, sim. – Ele responde. – É o que ela quer. –
— Ei, pai. – A garota chama, passando pela sala e indo direto para a cozinha.
— Boa tarde, Mylin. – O homem diz com um sorriso que quase era obstruído por seu bigode.
— Bem. – A mulher chama a atenção do homem, pegando algo semelhante a uma prancheta e o entregando. – Esse é o documento que você precisa assinar. Tenha certeza que você leia tudo, não queremos nenhum desentendimento. –
— Claro. – Ele responde, logo pegando seus instrumentos de caligrafia.
—--
— Hey, Alice. – Mylin se aproxima da empregada, que estava arrumando alguns potes na cozinha. – Quem é aquela na sala? –
— Ela é alguém importante daquela escola de magia que você queria estudar. – Ela responde. – Acho que finalmente realizará o seu sonho. –
Os olhos da garota começaram a brilhar. Finalmente estudaria naquela escola que tanto sonhou. Ela faria amigos magos? Aprenderia magias incríveis? Lutaria contra monstros em situações cômicas?
— Ih, lá vai ela. – Alice murmura, ao ver a garota lentamente girando enquanto imaginava sobre sua futura vida escolar. – Só não esqueça que lá é um internato, ou seja, você vai viver na escola e só vai poder vir ver a família nas férias. –
— Ah. – Ela sai de seu mundo imaginário. – Sim, eu não esqueci. –
— É melhor você não chorar quando for a hora de ir, tá? –
— Ah, mas é claro. – Ela sorri. – Que eu vou chorar, obviamente. –
A mulher suspira, mas um sorriso logo aparece em seu semblante. Sentiria falta daquela menininha que sempre causava confusão, aquela que mesmo bastante atentada, ainda era bastante honesta.
— Bem, é melhor você já começar a arrumar suas coisas, garota. –
— Tá legal, Alice. – Ela rapidamente volta para seu quarto, sem nem perceber que a mulher de cabelos azuis tinha indo embora.
—.-.-.
Já era outro dia comum no outono da pequena cidade de Wellspring. Haru estava treinando com Chise. Dessa vez, a dupla estava tentando melhorar a sua agilidade passando por uma corrida com obstáculos.
— H-haah... Isso cansa muito, Chise. – O garoto diz, caindo no chão de exausto após mais uma corrida.
— Poxa, Haru. Se você continuar assim, logo você só vai servir pra usar ataques de longe. – Ela zomba, ainda cheia de energia.
— Você já parou pra pensar que é isso que um mago faz? –
— ... – A garota percebe que ele estava, de fato, certo. – B-bem, ainda não faz mal você ser bom em ataques físicos e tal, pra uma emergência. –
— Você tá certa. – O garoto se levanta. – E eu já sei o que vai falar agora... –
— Vamos de novo? – Chise diz, junto do garoto. – Poxa, você me conhece mesmo, hein? –
— Sim, sim. –
Eles se preparam para correr, e logo, começam mais uma corrida.
Observando atentamente os dois, estava Mari. Ela estava sentada em uma pedra, e aparentemente, estava criando modos para melhorar o desempenho de cada um.
— Já testei várias vezes, e a Chise não consegue usar magia nenhuma, mas é bastante energética. – Ela para e pensa um pouco. – O Haru ainda não consegue acompanhar ela fisicamente, mas logo poderá usar magias avançadas. –
Ver as duas crianças se divertirem faz a garota de cabelos prateados se lembrar de seu tempo estudando com Hiro.
.-.-.-
— Não, não Mari, eu já te falei, você tem que fazer essa pesquisa em grupo. – O homem de cabelos pretos e olhos azuis tenta convencer sua aluna.
— Poxa, eu não acho que eu vou ajudar eles. – A garota tenta a sua estratégia. – Se eu for fazer algo errado e perder nota, pelo menos deixa eu perder sozinha. –
— Não. – Ele pega seus óculos de cima de sua mesa e os coloca em seu rosto. – Agora vai lá com eles até a biblioteca. –
A garota infla suas bochechas de raiva, mas logo faz o que a foi pedido, rapidamente seguindo até a biblioteca.
— Huh? Você realmente vai fazer a pesquisa conosco? O senhor Tallore não deixou você fazer sozinha de novo? – Uma garota de cabelos rosa se aproxima da garota de cabelos prateados.
— Sim... – Ela diz, quase resmungando.
— Você é muito inteligente, mais do que essa daqui pelo menos. – Um garoto de cabelos verdes se aproxima.
— Hey! Fica quieto, Hunter! –
— Ei, nós estamos em uma biblioteca, vocês dois. – Mari diz, segurando uma pequena risada.
— Bem, vamos organizar isso, já que a Lucy só é boa em achar as informações. – Hunter pega seu caderno, pronto para começar.
— E você é tão lerdo que só sabe organizar, cabeçudo. – Lucy resmunga, indo até as prateleiras procurar sobre o tema da pesquisa.
— Vocês dois são uma comédia, hein? – Mari reflete, enquanto observa o garoto de cabelos verde quietamente organizar alguns papéis que tinham caído de sua bolsa.
— Se é tão engraçado assim, você deveria fazer mais trabalhos conosco. –
— É, talvez eu faça isso... –
—.-.-.
— Vamos, Haru. – Chise estava praticamente arrastando o garoto.
— Eu não aguento mais, Chiseeee... – Ele resmunga.
— Tá legal, então eu vou comer todos os seus bolinhos, quando sua mãe terminar de fazer. –
Com a ameaça, o garoto já havia levantado.
— Você não sabe de quem você está ameaçando os bolinhos. –
— Achou ruim? Então me derrote! –
— Ah se eu vou! –
—----------->
Fale com o autor