Avrora - Wellspring
10 Entre As Folhas
— Pai! – O garoto de cabelos pretos e olhos azuis chama a atenção do homem que varria várias folhas laranjas do quintal de sua casa com um ancinho.
— Ah, bom dia Haru. – O homem diz, parando por um momento para arrumar seus óculos e falar com seu filho.
— Você tá fazendo o quê? – Ele pergunta, olhando para o monte de folhas coloridas.
— Estou limpando o quintal. Quer me ajudar? –
— Sim! –
— Então, é só pegar o ancinho ali. – Ele aponta para o instrumento encostado numa parede da casa.
O garoto rapidamente pega o ancinho e logo começa a ajudar seu pai.
Algum tempo depois, Eles terminam. E, como se fosse um passo de mágica, Chise aparece.
— Ah! Bom dia Haru! – A garota de cabelos marrons sorri para o garoto.
— Bom dia Chise! – Ele acena para a garota. – Ei, Chise, eu tenho uma ideia nova de uma brincadeira. –
— Huu? Uma brincadeira nova? – Ela se aproxima, interessada.
— Sim... Esconde-esconde! –
— Huh? – A garota fica confusa. – Mas essa brincadeira já existe, não? –
— Sim, mas nós costumamos brincar dentro de casa, certo? – Ele recebe uma resposta positiva da garota. – Então eu pensei, e se nós brincarmos aqui fora, de dia? –
— Ainda assim, não é uma brincadeira nova... – Ela explica, mas para, ao ver os olhos pidões do garoto. – Tá legal, eu vou brincar com você. –
— Eba! – Ele pula feliz. – Você vai procurar primeiro! – Ele diz, rindo e correndo para se esconder.
— Ei! –
O garoto já estava tentando achar algum lugar para se esconder, mas não estava achando nenhum local, pois ele seria facilmente encontrado se ele subisse nas árvores sem folhas, ou se ele se escondesse nos arbustos. Mas ele logo se lembra do monte de folhas que ele fez com seu pai.
Resolvendo se esconder lá mesmo, o garoto rapidamente se aproxima, mas logo para ao chegar perto. Como ele poderia se esconder ali? Tinha folhas demais para ele levantar, mas também não parecia ter o suficiente para ele se esconder em cima.
Mesmo assim, ele queria se esconder ali. Então, ele fez a primeira coisa que ele pensou: Ele mergulhou de cabeça no monte.
Mas algo estranho aconteceu. Quando ele percebeu, ele não estava no monte de folhas, nem no quintal ele estava mais. Estava escuro, e o ar parecia meio úmido, além do chão ser desnivelado.
— Onde...? – Ele se pergunta, enquanto se levanta e limpa sua roupa da poeira que inesperadamente tinha subido quando ele caiu ali.
Após observar o local, ele percebe onde estava. Uma caverna extremamente grande. Ele estava num túnel subterrâneo sem nenhuma entrada aparente, com somente um local para ir, para frente.
— Alô? – Ele tenta chamar, mas só escuta sua própria voz ecoando.
Percebendo que não tinha mais nenhuma escolha, Haru segue o caminho do túnel. Ele anda, anda bastante, anda pelo que parecia ser horas, mas não sentia cansaço. Ao contrário, as pedras brilhantes e as gotas das estalactites ao redor de si só o dava mais vontade de explorar.
Mas uma hora, ele finalmente teve que parar. Na frente dele tinha um alto portão, como se fosse uma entrada para uma terrível masmorra. Mesmo temendo o que poderia estar do outro lado, o garoto ainda decide tentar abrir o portão, e com isso, ele descobre um grande ser, um que só aparecia em seus livros de histórias.
O ser era grande, duas grandes asas descansavam em seu escamoso corpo. Garras terríveis e afiadas em suas patas intimidavam o pobre garoto, antes mesmo dele perceber que o ser o observava atentamente.
— Gegx... “Você...”— Um rugido, seguido por uma voz estranha entra na mente do garoto.
— F-falou?! – Ele se assusta, sem querer olhando nos olhos do dragão.
— Geqx og qcuctf gf gwipcu qvpku wg... “Eu sinto sangue de dragão em você...”— O rugido indecifrável do dragão deixou o garoto confuso, mas a voz estranha volta a mente do garoto, logo traduzindo sua fala.
— Você é psíquico?! – Ele percebe, antes de realizar outra coisa. – Espera, sangue de dragão? –
— Qpcowj qvqyci, ugqictf gf gvpgfpgeugf g geqx gws tgbkf tgws quuk.— O dragão ruge mais uma vez, mas a tradução demora um pouco para chegar. – “Isso quer dizer que você é descendente de dragões, garoto humano.”—
— Ah... – Haru para e pensa um pouco. – Descendente... –
— Uqpc uqvpgbwf gf ukco tqr tcf gjn wqx gws qtwqugv q tcigr wkwigupqe ogwipkp. gvpcvtqrok qvkwo qinc kgtcf gv wg, glqj, quuk tqr.— Mais uma vez, a longa fala dele demora na tradução. – “Por isso, hoje, eu te darei algo muito importante. Ninguém conseguiu pegar o tesouro que vou lhe dar por mais de duzentos anos.”—
— Tesouro! – A palavra deixa o garoto agitado, sem querer ignorando o resto da frase.
Com a reação do garoto, o dragão deixa uma pequena risada escapar, antes de levantar sua grande cauda, revelando uma passagem escondida do tamanho perfeito para Haru.
— Gtvpg. “Entre.”— Ele instruí.
O garoto olha para entrada, um pouco curioso, mas faz o que foi instruído, logo atravessando passagem.
— Gngf ctdogn go... Qfcokpc qfqo guug...— O dragão murmura, meio satisfeito por completar seu objetivo.
...
Haru chega a até um local bem estranho. O teto parecia não existir, e o tipo de arquitetura não parecia ser mesmo uma caverna, parecia mais um templo. O chão era estranhamente brilhante, mas no meio tinha um pedestal. Esse pedestal parecia ser feita de alguma gema azul intensa, meio transparente, mas, mesmo assim, muito bonita. Algo parecia estar no topo deste pedestal.
O garoto se aproxima lentamente, apreciando as cores ao seu redor. Olhando melhor, a coisa no pedestal parecia a empunhadura de uma espada, só que sem a lâmina que a transformaria em uma arma.
Percebendo que esse era o tal tesouro, Haru pega. Ele sente algo estranho, mas logo, ele vê sua visão embaçando junto com o pedestal brilhando magicamente.
—.-.-.
Um homem observava o pôr do sol na ponta de um penhasco, seu cabelo escuro balançando com o forte vento junto de seu cachecol vermelho. Sua armadura estava bastante danificada, e seu olhar parecia cansado. Sua grande espada estava no chão, encravada, mas, ainda assim, bastante afiada.
— Faz tempo que não via algo tão bonito... – A voz grossa dele ecoa pelo lugar.
— H-huh? — Haru estava confuso.
Por que estava ali? Por que ele não sentia o vento que parecia estar forte?
Mas logo isso se tornou a menor de suas preocupações.
O corpo do homem começou a se despedaçar em minúsculos blocos, como poeira, com uma tonalidade azul na área afetada. Algo parecido também afetou seu cachecol, que sumia do mesmo modo.
Antes da parte de cima de seu corpo desaparecer, o homem se vira, com seus olhos azul safira direto aos de Haru.
— Muito bonito, não é Haru? – Ele sorri, antes de sumir por completo.
—.-.-.
Haru estava de volta no ‘templo’ subterrâneo. Estava sem palavras pelo que tinha acabado de experienciar.
— O que foi aquilo? E por que ele sabia o meu nome? – Ele não sabia o que pensar. – Bem, por enquanto, eu só vou pensar nisso como se fosse uma ilusão. –
Ele logo percebe que ainda segurava a empunhadura. Inconscientemente, ele a balança como se fosse uma espada, e, surpreendentemente, sente como se cortasse o ar.
Agora, para a surpresa do garoto, uma grande lâmina escura, com alguns detalhes um pouco mais escuros e um gume branco, com algo parecendo uma pedra azul em seu dorso.
— U-uma espada?! – Ele grita surpreso.
A coisa mais estranha era o tamanho da espada. Era maior que Haru, mas não parecia pesar nada. Ele conseguia balançar aquilo como se não tivesse nada em mãos.
Mas, com mais um corte no ar, a lâmina tinha sumido novamente.
— Ai meu, eu acho melhor voltar, o ar aqui deve estar me fazendo alucinar. – Ele suspira, decidindo descansar os olhos um pouco.
— Ah! Te achei, Haru! – A voz de Chise o acorda.
Não estava mais na caverna. Entre as folhas, Chise em sua frente com um sorriso maldoso.
— Ah?! Mas o quê?! –
— Agora é sua vez, fofucho. –
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