Avrora - Wellspring

6 A Descoberta de Seres Gosmentos


Fireball! – Haru grita, concentrando tudo que podia na sua varinha.

Uma pequena chama aparece na ponta do objeto, sendo jogada a uma curta distância do garoto.

— Uau, Hakkun! Você conseguiu! – Chise comemora.

— Muito bem, Haru. – Mari sorri.

— Isso! Eu consegui! – Diz, com seus olhos brilhando.

Já estava tarde, e a primeira aula de treinamento de Haru e Chise estava acabando. A garota de cabelos marrons estava começando a aprender alguns ataques furtivos com a ajuda de Mari. O garoto de cabelos pretos, por outro lado, estava começando a entender seu primeiro ataque mágico melhor.

— Bem, é só isso por hoje. – Mari diz, guardando seu grande cajado de volta em seu manto.

— Ah? Já? Mas estava tão divertido! – Chise resmunga, desapontada.

— Eu já estava sentindo minha cabeça começando a girar... – Haru se senta em uma das pedras no jardim.

— Não se preocupem, depois de amanhã eu volto. – Mari diz, acariciando a cabeça de ambos. – Até. –

— Até, Mari-san. – Chise acena para garota, que acena de volta enquanto se distanciava.

— Tchau, Mari-sensei! – Haru acena também.

— Hey, hey, Hakkun. – Ela o chama.

— Ahn? Que foi, Chise? –

— Eu tô com fome... – Ela o abraça pelo pescoço.

— H-hey, Chise. Para com isso. – Ele tenta a tirar de cima de si, mas falha. – Se você sair de cima de mim, eu te dou um bolinho extra amanhã. –

— Dois bolinhos. – Ela puxa as bochechas dele.

— T-tá! Para de puxar minhas bochechas! –

— Hehe. – A garota começa a ir em direção da casa do garoto. – Vai ficar aí? –

— Já tô indo. – O garoto olha na direção de onde Mari tinha ido. – Ali não é um caminho sem fim? –

— Haru! –

— Já vou! –

...

— Isso... – Mari diz, pegando um livro de uma de suas estantes. – Esse livro aqui tem magias perfeitas para alguém como o Haru... Exceto essa página. – Ela vira algumas páginas, chegando em uma com palavras marcadas em vermelho. – Ah bem, não é como se ele fosse precisar disso. – Ela rasga a página, a guardando em uma gaveta aleatória.

Mari escuta algumas batidas em sua porta. Ela coloca o livro em uma mesa, logo seguindo até a porta.

— Olá, como posso te ajudar? – A garota abre a porta.

— Boa tarde, por acaso a senhorita é a tal “Bruxa Vermelha” que ajuda as vilas dessa região? – Uma garota de cabelos azuis claros curtos e olhos laranja pergunta educadamente para Mari.

— Talvez. – Ela balança seu cabelo prateado. – Em que posso te ajudar? – Repete mais uma vez.

— Eu gostaria de te pedir ajuda. – Ela se curva.

— Não precisa se curvar. Com o que você precisa ajuda? – A bruxa se senta novamente em sua cadeira.

— Bem. – Ela volta a sua postura de antes. – Há muitos monstros atacando a nossa fazenda. Se isso continuar acontecendo, não poderemos mais vender nossos alimentos para a cidade, e talvez os monstros comecem a atacar as outras fazendas por perto. –

— Que tipo monstro? – Mari pergunta com uma sorriso doce em seu rosto.

— E-eu não sei o nome do tipo de monstro... – A garota abaixa o rosto. – Mas eles são pequenos, absurdamente rápidos e absolutamente desintegram toda a nossa colheita com um toque... –

— Pequenos, rápidos, desintegram... – A garota de cabelos prateadas pensa. – Slimes? – Ela pergunta, enquanto se levanta e pega um livro de sua estante.

O livro era extremamente grosso, com aparentemente 700 páginas, ou até mais. Apesar desse grande número de páginas, Mari o segurava como se fosse uma pequena folha. O livro tinha o nome de Bestiário.

Após folhear pelas primeiras páginas do livro, Mari acha a folha que procurava.

— Esses daqui? – Ela pergunta, mostrando o desenho de um pequeno monte gelatinoso com um pequeno cristal em seu interior.

— Sim! – A garota diz. – São esses mesmo! –

— Ora... – Mari diz, guardando o livro na estante. – Não se preocupe, eu vou estar lá... Amanhã. –

— Oh, muito obrigada, maravilhosa Bruxa Vermelha. – A garota de cabelos azuis se curva novamente, antes de se despedir e ir embora.

A garota de cabelos prateados e olhos vermelhos se senta na mesa, voltando a olhar para o livro de magias, até que algo surge em sua mente.

— Já sei! Eu posso levar o Haru e a Chise e ensinar sobre! – Ela sorri como se fosse uma gênia.

...

— M-monstros?! – Haru treme levemente.

— Sim Haru, monstros. – Mari diz, sorrindo para ele de forma confortante.

— Não precisa se preocupar, Hakkun, a Mari disse que esses monstros não conseguem machucar pessoas. – Chise diz, abraçando o garoto de lado.

— Eu sei, eu sei, mas eu ainda estou nervoso... – O garoto suspira, mas um pouco vermelho com o abraço de sua amiga.

— Pronto, chegamos. – Mari avisa.

O trio chega até uma grande fazenda cercada por altas cercas de madeira. No portão de entrada, havia uma grande placa, onde estava escrito “Prado de Riverrock”. O grande campo da fazenda era cortado por um lindo e cristalino rio, onde vários animais bebiam água.

— Uau, que lugar lindo. – Os olhos de Chise brilham ao ver as plantações, e também os animais próximos do rio.

— Nem parece que tem monstros atacando por aqui. – Haru observa.

— Bem observado. – Um homem de cabelos azuis escuros e olhos laranjas aparece do outro lado do portão. – Olá, senhorita “Bruxa Vermelha”. Presumo que tenha vindo para ajudar com nosso problema de monstros, certo? –

— Sim. E eu trouxe meus alunos pra me ajudar, se você não se importar. –

— Ah, não. De modo algum. Por favor, entrem. – Ele abre o portão.

O trio passa pela entrada, e logo o homem começa a se apresentar melhor.

— Meu nome é Erick Riverrock e sou o dono dessa fazenda. Aquela que pediu a sua ajuda mais cedo foi minha filha mais velha, Madeline. – O homem sorri. – Bem, me sigam, eu irei os levar até onde os monstros geralmente atacam.

— Tá legal. – Mari sorri. – Ah, e por favor, não me chame de Bruxa Vermelha, me chame só de Mari. –

— Tudo bem, senhorita Mari. –

Logo Erick começou a guia-los pelo local, passando por algumas plantações e currais, até chegar em uma das extremidades do cercado; justamente onde o rio entrava na propriedade. Próximo aquele local, havia algumas plantações que tinham plantas que pareciam ter sido comidas por algo.

— Aqui está. Os monstros aparecem do rio, comem nossas plantações e depois voltam pro rio. –

— Oh, entendi. – Mari olha um pouco para o rio. – Bem, pode deixar comigo, eu sei o que fazer. – Ela sorri de modo confiante para o homem.

— Ah, muito obrigado. – Ele sorri agradecido. – Eu irei voltar para cuidar dos meus animais, não hesitem em me chamar por qualquer coisa, ok? –

— Claro. –

Erick logo vai para os currais, deixando o trio ali.

— Bem, o que vamos fazer agora? – Chise pergunta.

— Acho que nós devemos primeiro saber como chamar os slimes pra cá antes de acabar com eles. – Haru diz.

— Isso mesmo, Haru. – Mari sorri. – E sabe como vamos chamar eles? -

— Como? – Ambas as crianças perguntam.

— Com frutas e legumes. –

— Sério? Só isso? – Haru pergunta.

— Sim, só isso. –

— Eu achei que seria mais complicado. – Chise suspira.

— Slimes são um dos seres vivos mais simples que existem no nosso mundo. – Mari diz, puxando um livro e um saco com algo dentro de seu manto preto. – Aqui, leiam essa página. – Ela rapidamente abre uma página do livro e o entrega para a dupla.

— Slime... seu corpo é feito em sua maioria por água, contendo um pequeno núcleo em seu centro, no qual se não destruído, causará a regeneração do ser. – Chise lê uma parte da página.

— O modo para atraí-lo é usar alimentos frescos, geralmente de origem vegetal, mas alimentos de origem animal também funcionam. Se seu núcleo não estiver em contato direto com a água, sua regeneração é impossível. – Haru lê o resto da página.

— Uau... Tantas informações, e tem até um desenho mostrando como eles são! – Os olhos de Chise brilham.

— Sim... – Haru rapidamente concorda.

— Hehe, eu mesma que fiz. – Mari sorri, surpreendendo os dois. – Bem, agora eu vou mostrar a vocês dois como lidar com slimes. –

Ela abre o saco em sua mão e retira uma maçã, a colocando perto do rio. Logo, a superfície do rio começa a mexer de modo não-natural.

Um ser de corpo gelatinoso com uma pequena pedra azul em seu interior sai da água, lentamente se arrastando até a fruta.

— Um slime de verdade... – Haru diz, fascinado com o pequeno ser a sua frente.

— Sim, e agora, observe como ele se alimenta. – Mari instrui.

O pequeno ser se arrasta até a fruta, a colocando dentro de seu interior e parando completamente. A maçã logo começa a se dissolver, e, após alguns segundos, ela desaparece completamente.

— O-o quê?! A maçã sumiu completamente! – Chise se assusta.

— Sim. Mas não se preocupe, os slimes só conseguem digerir aquilo que eles mesmo pegam, então, se eu fizer isso daqui... –

Mari pega mais uma maçã e a joga em cima do ser. A fruta é refletida, sendo jogada na direção da bruxinha novamente.

— Então isso significa que... – Haru começa a raciocinar.

— Eles não conseguem comer pessoas que pegam neles primeiro. – Mari termina. – Então, é muito fácil de se fazer isso daqui. –

Ela pega o pequeno ser em suas mãos, logo puxando o corpo do mesmo fortemente, rompendo a pequena barreira que mantinha a água em seu interior, a derramando no chão, assim como a pedra no meio. A “membrana” restante nas mãos de Mari logo desaparece.

— V-vo-você matou ele com as suas mãos?! – Haru se assusta.

— Não, não matei. – Mari diz, enquanto pega a pequena pedra de dentro da poça resultante do experimento. – Slimes só morrem se você destruir o núcleo deles. – Ela mostra a pedra para os dois.

— A-ainda bem... – Chise diz, suspirando aliviada.

— Bem, agora que já sabemos como os parar, que tal realmente começarmos? – Mari diz, sorrindo.

— Tá bom! – Os dois dizem, agora determinados.

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