Aventuras Em Madrigal
1 Um Novo Treinamento
Notas iniciais
Espero que vocês gostem!
Aventuras em Madrigal
Um Novo Treinamento
Por várias gerações, a família Incisio sempre possuiu as mesmas habilidades, a mesma classe, pelo menos vista da parte de seu pai, eles eram Mercenarys fortes e vigorosos, para ser um seguidor dessa classe era preciso muito preparo físico, pois suas armas eram pesadas, porém, destrutivas se usadas de modo certo.
O pai de Umbro, Carl, era um velho Knight que ganhava a vida vendendo e fabricado espadas e machados, pois estava velho demais para continuar sua jornada, e cansado demais para continuar lutando contra o exército de Shade. Ele detestava qualquer classe que não se relacionava aos Mercenarys e sempre arranjava um defeito para cada uma delas, só não implicava com Assists porque sua esposa e mãe de Umbro, Rose, fora uma deles.
Dez anos atrás houve uma invasão, e foi das mais desastrosas; a mãe do garoto participara da guerra para ajudar os feridos e os aliados, nunca mais voltou.
Umbro morava com seu pai e com o seu tio, que até onde saibam foram os únicos sobreviventes da última invasão catastrófica. Seu tio, Rodney, era o encarregado de treinar Umbro para que um dia este se tornasse um Mercenary como o pai, o único, mas não importante problema era que Umbro não conseguia progresso algum enquanto tentava praticar golpes com sua espada em um cogumelo gigante com que treinava, e para piorar a situação, seu tio soltava conselhos como: '' Jogue a espada fora e chuta!''; ou soltava frases inspiradas e estranhas como: ''Os Aibatts, criaturas inteligentes... eles serão o futuro da humanidade!''; ele nunca treinara de verdade.
Os raios do sol adentravam em sua janela fechada, batendo diretamente no rosto e fazendo Umbro acordar. Os roncos do pai eram sonoros no outro quarto, enquanto o seu tio dormia no sofá da sala desde o dia que veio morar com eles. O menino se levanta da cama com um grande desânimo e faz sua chata rotina, onde ele põe suas simples e pardas vestes de Vagrant, pega sua mochila vazia e sai de casa para colher as frutas para o café da manhã, logo mais tarde e estaria até o final do dia, batendo monótamente no cogumelo enquanto seu tio filosofava, delirante.
Ele sai de casa, o vento estava frio e sacudiu os cabelos castanhos e rebeldes do garoto magricelo, Umbro olha para as várias casinhas e prédios minúsculos no horizonte há poucos kilômetros ao seu lado; o centro de Flarine parecia uma maquete do alto da pequena montanha de onde morava. Tinha uma vontade louca de ir para lá, só para conhecer, só para observar as várias pessoas com trajes respectivas de suas classes, porém, tinha medo de fazê-lo, porque não gostava nem um pouco de ouvir os berros de um homem gordo e rabugento que era seu pai, e ele ficava se perguntando o porquê de não o deixarem ir.
Ele começa a descer a escada longa feita de barro para chegar às árvores lá embaixo, onde haveria alguns pomares. Estava levando sua inofensiva espada de madeira, porque seu tio insistia nisso, dizendo que era perioso demais andar pela área pouco urbanizada de Flaris sem arma.
Quando chegou ao chão, adentrou pelo bosque e andou mais um pouco, até achar uma pequena área cercada de árvores frutíferas, pedregulhos e, um pedaço do rio que serpenteava por ali. Umbro pegou algumas frutas, o bastante para deixar a mochila em suas costas com um aspecto empelotado, então ele começou a voltar para o caminho de casa.
Houve um farfalhar, mas não estava ventando mais, isso era muito estranho.
''Deve ser um esquilo, só um esquilo'' — imaginou o Vagrant com um frio na barriga.
Galhos em algum lugar se partiram, como se estivesse sendo esmagados. Umbro ergue a espada, trêmulo.
- Quem está ai?! — disse, receoso — Eu estou armado...!
- Olá!
Quando Umbro se virou do lugar de onde vinha aquela voz, houve um baque, seguido de sua espada rodopiar até cair muito longe dele, fôra desarmado por uma menina imunda, segurando uma espada reluzente e com uma expressão triunfante no rosto.
O menino não sentia medo, mas sim uma certa vontade de rir, a menina continuava o encarando, de olhos arregalados: Ela usava roupas simples como ele e estava armada com uma espada prateada; a menina seria bonita se não estivesse tão suja e descabelada, com suas vestes cheias de mato e picão.
- Quem é você?! — perguntou ele sem rodeios, ligeiramente nervoso. Não queria ser educado com ela, mesmo porque ela não foi ao jogar sua espada longe, tudo bem que era um pedaço de madeira, mas era a espada dele!
- Meu nome é Sany — respondeu a menina com a espada ainda erguida, uma pequena gota de suor descia lentamente do alto de sua cabeça — E quem é?
- Meu pai disse que não devo confiar em pessoas porque elas são falsas.
Sany se sentiu levemente ofendida.
- Pronto, não sou uma ameaça agora — disse ela, colocando a espada em uma bolsa larga em suas costas — Diga o seu nome.
Uma brisa passou veloz por ali e fez os cabelos da menina esvoaçar, Umbro só agora tinha percebido que era rosa. Piscando os olhos, ele respondeu:
- Umbro, meu nome é Umbro. Por que estava me espionando?
Sany soltou um suspiro impaciente e se sentou em uma rocha perto dali: aquela conversa seria longa...
- Não estava te espionando, vim aqui para me lavar e aí vi você aqui, bom, eu queria treinar um golpe novo.
- Em mim? O que você tinha na cabeça? Poderia... — mas logo se calou, por mais estranho que fosse aquela resposta, ela o fez acabar com as dúvidas sobre aquilo. — Aquilo era um golpe?
- É claro, se chama 'Desarmamento', e você, sabe algum golpe?
- Não...
- Nenhum?
- Nenhum.
- O.k... Então eu posso te ensinar alguns que eu sei. Mas antes, preciso me lavar, poderia se virar?
- Tá, tá... já entendi! — disse o menino se distanciando do rio
Sany não disse mais nada, só deu para ouvir o som dela entrando na água, cantarolando.
Umbro nunca tinha conversado com alguém, a não ser com o seu pai ou o seu tio. Seu pai o fez ter uma imagem distorcida sobre outras pessoas que viviam em Flarine, eles as imaginavam sendo falsas e perversas, mas agora ele descobriu o contrário, que existe pessoas boas também, ele sabia que não se podia confiar em uma menina que conheceu há menos de dez minutos atrás, mas ela não demonstrava nada de ameaçador.
- Pronto — ouviu-a dizer — Pode se virar.
Umbro, por uma fração de segundos, pensou que havia outra menina ali, mas quando viu o cabelo rosa, tinha que ser Sany: a menina estava penteando seus cabelos, agora sem mato ou pequenos galhos, seu traje estava limpo. Ela estava sentada na mesma rocha de antes, sem manchas pretas no rosto ou pernas russas; seu olhos eram dourados e faíscaram quando a luz do sol entrou em contato com eles...
- Vamos então? — suspirou Sany com um ar de ''finalmente''.
- O.k
- Então me siga.
- Seguir? Mas você não iria me ensinar alguns golpes?
- Precisamos de um alvo para treinar — ela respondeu, impaciente — Precisamos de um Masquerpet.
- Mas eu não posso sair daqui — disse Umbro deprimido — O meu treinador poderá vir a qualquer momento, e eu preciso esperá-lo!
- Hummm... Eu não tenho um treinador, eu treino sozinha.
- Deve ser uma maravilha não ter um treinador — devaneava Umbro — Ser finalmente livre... Poder fazer o que bem entender... Sem horários... Sem regras...
- Na verdade não é bem assim — retorquiu Sany, sentindo uma certa pena do menino — Bom, eu estou querendo ser uma Assist, e você?
- Tenho que ser um Mercenary, toda a minha geração foi... e eu não levo o menor jeito com espadas.
- É, eu vi mesmo, não sei se é porque eu bati forte demais, ou era você que estava com a mão mole... Afinal, quem é o seu treinador?
- Meu tio.
- E quando ele vem?
- Não faço ideia.
- Então! Por que você não vem comigo?!
Umbro olha para sua casa que podia ser vista dali de baixo, mesmo com as árvores que tapavam as montanhas ali perto, ele ouviu a menina perguntar: ''Ahhh! Você mora ali?'', o menino só fez que sim com a cabeça, seria ela uma amiga sua? Dessa vez ele estava indo para um treinamento de verdade, ele achava. Umbro nunca teve amigos, sempre golpeava um cogumelo gigante feito um idiota solitário e isolado, ele odiava isso, em alguns dias, podia ver da janela da sua casa algumas crianças que se divertiam correndo para lá e para cá, ele também queria ser assim, por isso se virou e disse uma única palavra que mudaria a sua vida:
- Vamos.
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