Aventuras Em Madrigal

2 O Início da Jornada


Notas iniciais
Bom pessoal, este capítulo, como o próprio nome já diz, relata o início de uma grande jornada para Umbro. Sua vida muda graças ao monte de reviravoltas que surgem, e a desse capítulo é a primeira de várias delas. Alguns significados de palavras: Darkon: continente de Madrigal que é frequentado no jogo e na estória por pessoas mais poderosas e que estão na 2ª classe. Ela é muito cheia de pessoas, tem uma fábrica poluidora no centro da cidade, é quase como uma São Paulo de Madrigal. Elementor: 2ª classe que evoluiu do Magician. Pode controlar todos os cinco elementos com muito mais desenvoltura que o Magician.

Caminhando entre as árvores do bosque, Sany guiava Umbro para, como ela dizia: Um Novo Treinamento. O garoto olhava constantemente para trás, estaria fazendo a coisa certa?

Conforme avançavam, a menina de cabelos cor de rosa puxava papo com Umbro que só respondia com monossílabos, mas isso não a desanimava, pelo contrário, parecia que ela não iria calar a boca enquanto não o colocasse na sua primeira batalha contra um Masquerpet.

– Certo, de início, você lutará contra um aibatt – tagarelava olhando para o céu coberto por algumas nuvens branquinhas – Não precisa matar, só dá uma pancadinha de leve na cabeça dele, assim – Ela parou de andar para simular o ataque, segurou sua espada nas duas mãos e golpeou o vento de cima pra baixo com tanta força que nunca seria uma "pancadinha", como se achatasse algo. Em seguida, continuou a caminhar – Mas se o aibatt for antissocial, aí você tem que acabar com a raça dele!

– Você já matou um? – perguntou Umbro engolindo em seco, nunca matou um mísero inseto, quanto mais um Masquerpet.

– Nãh... nunca achei um aibatt assassino ou suicida, ho ho ho – ela riu da própria piada.

Umbro suspirou infeliz e cabisbaixo, parecia prever que algo de desastroso aconteceria, mesmo naquele dia limpo e calmo, aquela brisa quente que ia e vinha não levava um pressentimento bom.

– Numa Fronteira Muito Longe Dali –

O vento ricocheteava fortemente as vestes e os cabelos muito negros de um rapaz que segurava firmemente a sua vassoura em pleno voo. Só parou no meio do ar quando já estava a quase que duzentos metros do chão. Tirou um pergaminho velho e o desdobrou, revelando um vasto mapa detalhadamente desenhado, representando todos os continentes e oceanos de Madrigal. Havia um ponto rabiscado com tinta no desenho do centro comercial do continente de Darkon, precisava entregar alguns livros para o para a Agência de Missões.

Mocc era um estagiário da prefeitura de Darken, cidade do continente Darkon. Trabalhava na Agência de Missões do seu continente e era muito bem reconhecido pelo seu chefe como um dos mais eficientes, principalmente quando as missões necessitavam de viagens longas e cansativas com meios de transporte.

Ganhou mais altitude para tentar sobrevoar a densa neblina que estava lá embaixo e parecia ir na direção contraria a sua bem vagarosamente. Curioso, pois nunca vira algo parecido, ele mergulhou com a sua vassoura até chegar perto o suficiente do fenômeno. A nuvem era densa demais e opaca, como se feita por paredes maciças de concreto. Ele ergueu os braços e fez um gesto como se abrisse cortinas, e a neblina se dividiu em duas partes, revelando algo que quase fez Mocc cair da vassoura:

Olhando diretamente para um ponto do oceano, ondas eram provocadas por um borrão escuro e gigantesco que caminhava muito lentamente no fundo do mar, de modo mecânico. Era possível ver várias pernas se movendo para abrir caminho no oceano. Mocc sem dúvidas soube que era a aranha colossal e mecânica, o Masquerpet Clockworks.

Só tinha visto um quando tinha seus 12 – 13 anos, devastando uma cidade inteira, matando centenas de habitantes. A última Invasão que teve foi a 11 anos atrás, e parecia que outra estava chegando...

Uma minúscula luz piscou lá no fundo do oceano, vinha do Clockworks, estava encarando Mocc, sentiu a presença dele. Um segundo depois e quase que o jovem é incinerado por um poderoso raio de laser que se projetou do Masquerpet. Aquilo serviu como um sinal para Mocc, precisava avisar às autoridades, Uma outra Invasão estava a caminho.

Em Flarine, as pessoas, claro, continuavam com as suas vidas, faziam o que precisavam, iam onde precisavam ou não. No caso de Umbro, ele não sabia se estava indo para o lugar certo, coisa de menino obediente e alienado, mas era curioso ver muitas crianças como ele reunidas num mesmo lugar, Sany parecia se divertir muito com as expressões de Umbro, pois a cada olhada pra ele ela dava um sorrisinho.

O Campo dos aibatts é um lugar amplo e com grama baixa e bem verde, a maioria das crianças que estão brincando de caçar aibatts fica por lá por causa do espaço, mas há também a orla de uma floresta de árvores muito altas e com vários galhos secos e baixos, se olhar para além dela, verá vultos voando pra lá e pra cá: a caverna dos aibatts fica dentro daquela floresta.

Os aibatts são parecidos com morcegos só nas pequeninas e delicadas asas, porque o seu corpo é redondo e de cor arroxeada, e eles possuem apenas um único e grande olho vermelho e uma boca com quatro e pontiagudos dentes, ah, e eles têm uma cauda curta na qual se equilibram quando estão cansados de voar ou quando se sentem ameaçados.

– Vem, vou te mostrar de perto – Sany segurou a mão dele e o puxou mais pra perto, tirou a espada da mochila com um gesto longo, andou pé ante pé até ficar perto de um aibatt desavisado e deu uma pancadinha na sua cabeça de bola: ele imediatamente soltou um grunhido e deitou no chão inconsciente.

– Certo – disse Umbro tirando a mochila das costas e deixando perto de Sany, que agora decidira sentar para assisti-lo.

Era irônico, quando Umbro estava perto de pegar um aibatt para treinar, aparecia alguma criança selvagem para atrapalhar e desmaiar a criatura. E era hilário e de dar pena também ver dezenas de aibatts acordarem na grama, tontos e no meio de todas aquelas crianças sanguinárias sem nem ao menos saber por qual motivo apanharam..

Quando Umbro já se dera por desistido e Sany já perdera a paciência e tinha ido caçar alguns um pouco longe dali, houve um ruído bater de asas.O menino olha para o chão, e vê um Aibatt nanico, menor que os normais. Agitava rapidamente suas asinhas para se manter no ar, ele não tinha percebido o garoto, e este, prendeu a respiração e ergueu sorrateiramente sua espada de madeira, tomando muito cuidado para não fazer qualquer tipo de som, ou iria espantar o bicho.

Seu único olho aguado percebe a ameaça de doze anos: o filhote de Aibatt voa desesperado adentrando na floresta, e o menino, que não descansaria até ver aquilo caído no chão, corre atrás dele.

Para Umbro, caçar um Aibatt era como tentar segurar um sabonete molhado com as mãos. A cada vez que estava perto de levar uma pancada com a espada, o Aibatt se esquivava e voava para mais longe do garoto, sempre para mais fundo daquela floresta escura que ia deixando as árvores cada vez mais juntas a ponto de parecer um muro de troncos, Umbro não desistia e como era magro, passava por entre as árvores com facilidade, mas ganhava alguns arranhões pelos pequenos galhos que havia nelas.

Não era possível ver o céu de tão juntas que eram as copas daquelas árvores. As folhas mortas e úmidas no chão faziam Umbro escorregar de vez em quando, mas este não desistia, e continuava à perseguir aquele rastro púrpura que avançava veloz para mais fundo da floresta.

Finalmente o Aibatt parou de fugir, foi se encolher atrás de uma pedra enquanto Umbro andava quase correndo atrás dele com a espada erguida. Só agora o menino percebera que havia saído da floresta e estava agora em uma clareira dentro dela, poderia sentir pena do Aibatt que soltava lágrimas grandes do seu único olho, mas aquela criatura o fez se machucar e ficar cansado de tanto persegui-lo, por que não o deixou testar pelo menos um golpe nele?

O filhote de Aibatt abre sua boca, mas ele não estava mostrando seus únicos dois dentes do lado de cima para o menino: um ruído agudo e irritante agitou o cérebro de Umbro que tapou os ouvidos e parou no mesmo lugar. “O que será que ele está fazendo? Parece um pedido de ajuda.” – pensou ele, arregalando os olhos.

Então, olhos vermelhos, vários deles, surgiram como lanternas na escuridão entre as árvores que o rodeava: Umbro estava cercado por aibatts revoltados, prontos para proteger seu mais novo irmão e acabar com aquela ameaça magrela de uma vez por todas.

– Prefeitura de Darkon -

Pulando da vassoura antes de chegar ao chão, Mocc corre em direção à prefeitura de Darkon para avisar da invasão que estava por vir. Olhando ao redor do centro da cidade ele vê pessoas abrindo suas tendas para vender objetos, algumas andavam apressadas para lá e para cá resolvendo problemas, moradores de rua estavam jogados em cantos escuros e mal cheirosos, pedindo esmolas... Essas pessoas certamente não teriam nem sequer noção do que iria acontecer daqui à algumas horas, minutos talvez, estariam vulneráveis demais.

Abriu as pesadas portas de madeira envernizada com um empurrão, passou quase que correndo pelo espaçoso hall com paredes de mármore branco, subiu os três degraus que deixavam uma jovem secretária num estado de imponência diante dele. Apoiou as duas mãos em cima de sua escrivaninha cheia de papéis organizados em pilhas grandes, a moça ergueu lentamente a cabeça, visivelmente aborrecida por ter sido atrapalhada num preenchimento de papeis e mais papeis, olhou para Mocc através de seus delicados óculos e suspirou.

– Pois não?

– Preciso falar com o prefeito!

–Desculpe senhor, mas o prefeito está muito ocupado no momento, quer agendar um horário?- Ela sugeriu, voltando a anotar algo com uma pena em um papel amarelado.

– Você não está entendendo, eu preciso falar com ele agora!- Mocc não poderia acreditar que esta mulher estava tão calma — é uma emergência.

– O senhor está muito nervoso, quer sentar? – Ela apontou sem tirar os olhos do papel para algumas poltronas de couro confortáveis que estavam um pouco do seu lado — ou tomar um pouco de água?

– Escute, haverá uma invasão lá fora dentro de pouco tempo, eu preciso avisar ao prefeito o quanto antes!

Mocc estava espumando de raiva, ela não entendia. Passou pela secretária na tentativa de subir a escada ao seu lado, mas grades se projetaram do chão, o impedindo acesso.

– O senhor está muito exaltado, não posso deixar ver o Prefeito nessas condições — a secretária levantou de sua cadeira com uma expressão neutra — Seguranças, mostrem a esse homem aonde é a saída.

Mocc olha ao seu redor; dois Knights dos quais Mocc não se dera conta (pois passou por eles correndo) bateram seus montantes no chão, numa tentativa de intimidar o intruso. Porém o rapaz permaneceu onde estava e os fitou calmamente.

– Eu estou falando sério – retrucou Mocc, deixando o seu cajado em posição de batalha.

Um deles investe contra Mocc na tentativa vã de agarra-lo, houve um ruído seco e seus pés sumiram para dentro do chão como se este fosse feito de areia movediça, fazendo-o se desequilibrar e cair de costas, impedido de se reerguer.

– Bronk! – grita o Knight incapacitado – Vá para cima dele!

Se Mocc não tivesse se virado para olhar na direção do outro, seria nocauteado por um soco na nuca. Para o Elementor, parecia que tudo estava em câmara lenta; fez um gesto com o cajado e empurrou o Knight que ainda estava se virando para mirar outro soco: O efeito do empurrão foi extraordinário de se ver, o segundo Knight foi lançado de costas contra a parede de mármore a uns 15 metros, bateu a cabeça na maçaneta de ferro das pesadas portas de madeira e não se moveu mais.

Mocc se vira para a secretária.

E agora, posso ver o prefeito? – pergunta num tom agradavelmente cordial.


– Su-su-sub... – gaguejava a secretária pasma e pálida, apontando inutilmente para cima.


– Subindo as escadas. – Mocc fez o favor de terminar a sua frase – Obrigado, você é muito gentil.

Chegando ao primeiro andar, havia uma porta no fundo de um longo corredor com uma placa dourada indicando ser a sala do Prefeito. Mocc percebe que está quieto demais, todas as portas do corredor estão fechadas, não parece haver ninguém naquele lugar, a não ser pelo rumorejo muito baixo de um diálogo quase que aos sussurros.

O rapaz anda muito cautelosamente para não fazer barulho, se aproximando cada vez mais da porta até que ele consegue ouvir a conversa muito claramente através dela:

– Sim, senhora – ouviu o prefeito dizer com uma voz estranhamente calma.

– ...Tudo o que eu lhe avisar, não quero a ação da Agência de Missões nela – sussurrou uma voz grave e feminina, falava baixo demais.

– Ficarão longe das entradas urbanas, não avisarão para a população – disse uma outra voz muito familiar.

– Não avisarei para a população – ele repetiu debilmente

– Se algo acontecer, se algo der errado, eu mato a sua família de forma lenta e dolorosa.

A porta se escancarou bem a tempo de Mocc ver um vulto de cabelos vermelhos desaparecer como fumaça do escritório, aquilo fez o seu estômago se revirar. O prefeito estava sentado atrás de sua escrivaninha e olhava para o vazio, não parecia surpreso ou assustado com a invasão do rapaz, sequer parecia saber o que estava acontecendo.

– Shade... – murmurou o senhor calvo pouco antes de piscar e olhar para Mocc – Pois não? O que o trás à minha sala?

– Flarine, Clareira –

Umbro viu cerca de trinta aibatts saírem do escuro e o cercar, encarando -o com aqueles olhos grandes e vermelhos e emitindo grunhidos raivosos. Aquilo não era bom, tinha que tentar alguma coisa.

– Ow, ow ow... Não, eu estava apenas brincando com o aibattzinho, não precisam ficar com raiva... Isso nem é uma espada de verdade... – disse ele já tremendo de medo, colocando a espada de madeira no chão e levantando os braços – Eu... vou embora, tá? Aaaah!!!!!

Um aibatt havia mordido a sua canela e agora estava sangrando. O menino urrava de dor enquanto chutava a criatura para longe, provocando o restante que esvoaçou na sua direção aos berros. O filhote de aibatt já tinha sumido de vista e Umbro se via tentando se desvencilhar no meio de um redemoinho de morcegos ciclopes que o mordiam dolorosamente nos braços e pernas. Quando finalmente conseguiu alguns segundos, pegou a sua espada do chão, mas foi derrubado pela revoada de aibatts que o surrava emitindo grunhidos satisfeitos.

O menino sentia as lágrimas escorrerem dos seus olhos e berrava por ajuda, se debatia no chão com a espada de madeira para afasta-los, mas aquilo era mais provocador que ameaçador, um aibatt mordeu a espada e a jogou para longe.

Antes de fechar os olhos, o menino vê no meio de todas aquelas criaturas uma pessoa se aproximar, mas a sua visão estava muito embaçada e não pôde identificar quem era.

– Santa Rhisis!- ele ouviu uma voz conhecida exclamar — Umbro? Umbro! Ei, venham me pegar!

Os aibatts perceberam o segundo intruso e investiu contra ele, deixando Umbro desmaiar em paz.

Notas finais
Mocc, quem é esse cara? Será ele um personagem importante para a trama ou um simples coadjuvante? Façam as suas conclusões! Como deve estar a situação de Umbro no episódio que vem? E Sany, seria ela a sua salvadora? No capítulo seguinte algo de grandioso está para se repetir, algo grandioso e temido por quase todos os habitantes de Roika. Continuem lendo e comentado! Me deixa muito instigado a continuar com os capítulos ao vê-los comentando. Estou aberto às dicas e críticas construtivas. Vocês são o público, e um autor de fanfics não é nada sem vocês!